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17 de abril de 2020

Bolsonaro não é louco!

Ele tem método!

Bolsonaro contra o planeta: um caso clínico? | Reprodução

Vamos chamar a coisa pelo nome. O presidente eleito por milhões de brasileiros não é louco. Psicóticos e neuróticos podem ser classificados assim. Eles sofrem e enxergam o sofrimento do outro. Eles não têm método. Bolsonaro é diferente. Pelos estudos da psiquiatria inglesa no século XIX, Bolsonaro se encaixaria em outra categoria: a dos psicopatas. 
Conversei com o psicanalista Joel Birman para entender essas fronteiras entre transtornos mentais. “A psicopatia não é uma loucura no sentido clássico, mas uma insanidade moral, um desvio de caráter de quem não tem como se retificar porque não sente culpa ou remorso”. Os psicopatas são “autocentrados, agem com frieza e método”. “Não têm empatia em relação ao outro, o que lhes interessa é o que lhes convém”. A palavra psicopatia vem do grego psyché, alma, e pathos, enfermidade.
A pandemia só tornou esses traços de Bolsonaro mais gritantes. Desde os primeiros grandes gestos do presidente, ficou claro, disse Birman, que seus atos “são marcados por crueldade e violência”. Proposição de liberar fuzis para civis. Proposição de acabar com os radares nas estradas. Proposição de não multar a falta de cadeirinha para crianças. Proposição de acabar com os exames toxicológicos para motoristas de caminhão e ônibus. Proposição de legalizar o garimpo predatório nas florestas e terras indígenas. Tudo isso é um atentado à vida. 
Eu poderia lembrar o que muitos teimam em esquecer. Que Bolsonaro já era assim antes de ser eleito. Quem defende torturador e condena as vítimas, publicamente, no Congresso, não é uma pessoa que preza a vida. Não surpreende, portanto, que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, denuncie, sem meias palavras, a “política genocida” de Bolsonaro. O presidente trocou seu ministro da Saúde, era sua prerrogativa, mas será barrado pelo STF se insistir em condenar o isolamento social e ameaçar a saúde pública.
Ao criar uma realidade paralela, Bolsonaro desfruta sua liberdade de ir e vir sem se importar com as consequências de seu exemplo. Ele refuta a ciência, ignora as normas sanitárias nacionais e internacionais, receita remédios polêmicos sem autoridade para isso, ironiza quem se isola, chamando a mim e a você de “moleques”. Coloca em maior risco os pobres. O presidente é uma temeridade ambulante. Troca um ministro da Saúde competente e popular em plena batalha. 
Ao se recusar a divulgar o resultado de seu exame, Bolsonaro despreza a população, se acovarda e age diferente dos homens públicos que honram seus cargos. Pode até ser que esteja imune após uma versão branda da Covid-19 e por isso se sinta apto a saracotear pelas ruas e padarias, mexendo em dinheiro e comida, enxugando o nariz e apertando as mãos do povo aglomerado. Bolsonaro não é burro nem louco. É perverso, ao estimular um comportamento de altíssimo risco.
A OMS classifica a psicopatia como um transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais. A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, autora do livro Mentes perigosas, diz que a “psicopatia não é uma doença, é uma maneira de ser”. O psicopata, segundo ela, sempre vai buscar poder, status e diversão. Enxerga o outro apenas como um objeto útil para conseguir seus objetivos. 
Mandetta tinha deixado de ser útil. Por brilhar demais, por ter trânsito com o Congresso e por não se curvar a suas teses temerárias. Um ministro como esse, generoso e articulado, enlouquece um presidente transtornado. A ciência é a luz. O resto é escuridão.

Autora: Ruth de Aquino – Publicado no Jornal O Globo

16 de abril de 2020

Discursos de ódio!

Todos devemos lembrar que os discursos de ódio antecedem os crimes de ódio.
Todos devemos lembrar que o genocídio dos Tutsis em Ruanda, começou com discursos de ódio. 
O holocausto não começou com as câmaras de gás; começou muito antes com os discursos de ódio.
O que temos assistido em Myanmar contra a população Rohingya também começou com discursos de ódio.
Hoje estamos testemunhando em todo mundo, a ascensão do extremismo na Europa, na Ásia e em toda parte. Quando vemos um aumento no número dos grupos Neonazistas, dos grupos Totalitários, quando vemos a maneira como os imigrantes e refugiados são depreciados, devemos fazer todo o possível para falar sobre o discurso de ódio.
Lembre-se de que as palavras matam, as palavras matam tanto quanto balas.
É por isso que devemos fazer todo o possível para investir em educação, nos jovens, para que a próxima geração possa entender a importância de viver em paz. Devemos fazer todo o possível para que acabem todos os atentados como os que vimos no Sri Lanka, na Nova Zelândia, ou o que vimos em Pittsburgh. E para que eles acabem, precisamos investir e mobilizar os jovens. Devemos usar a palavra para que se torne uma ferramenta de paz, uma ferramenta de amor, para a unidade social, para a harmonia, em vez de ser usada para cometer genocídios e crimes contra a humanidade.

Adama Dieng – Assessor da ONU para Prevenção de Genocídios.

14 de abril de 2020

O tamanho do estrago será medido pela capacidade do lider do país!

"Os políticos são um grupo de
homens que vêm os próprios interesses e
não trilham a senda das pessoas honradas"
Abraham Lincoln

As previsões para a retomada da economia mundial e as consequências da paralisação quase que total de toda cadeia produtiva será sentida em breve em todo planeta. Porém, os estragos serão diferentes em dois tipos de países. A divisão será feita levando em conta a estrutura da economia do país e a capacidade de seus líderes para poderem tomar as melhores decisões no momento da retomada.

Neste sentido, o Brasil levará dupla desvantagem em relação aos países considerados mais ricos do chamado G20. Visto que, nossa economia está estagnada há pelo menos seis anos e nosso atual presidente não deu nenhuma demonstração de conhecimento e preocupação para com a nossa economia.
Parece que nos 15 meses de gestão, a simples aprovação da Reforma da Previdência foi o suficiente para sanar todos os problemas do país. Tínhamos antes da pandemia quase 12 milhões de desempregados, milhões de subempregados na completa marginalidade da economia. O governo não tinha nem tem plano de recuperação da economia, do pleno emprego e da volta do investimento na indústria e no comércio. 
Com toda essa paralisação que já dura semanas e pode se estender de acordo com o andamento do atendimento aos infectados com o novo coronavírus, muitas adaptações e reestruturações terão que ser realizadas pelos governantes. 
Difícil imaginar que um presidente que declarou seu ceticismo em relação a tão terrível epidemia possa estar preparado para o pós-pandemia.
Após o final do isolamento e a retomada dos negócios e da vida em situação de normalidade será colocado a prova a capacidade de gestão dos líderes dos vários países do mundo. Neste momento, precisamos rezar muito para que o homem que passou toda quarentena fazendo propaganda do medicamento de cloroquina, seja aquele que terá capacidade e inteligência para liderar a reconstrução da economia do país.
O mesmo medicamento cuja pesquisa realizada nos EUA chegou a conclusão óbvia de que não mostra os benefícios supostos contra a Covid-19. A pesquisa ocorreu em Hospital para Veteranos de Guerra dos EUA com 368 pacientes. Com a constatação de que houve mais mortes entre os que tomaram a Hidrocloroquina do que entre os que receberam tratamento padrão.

 

https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-04-13/na-batalha-contra-o-coronavirus-a-humanidade-carece-de-lideres.html

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Reflexões que se fazem necessárias diante de tantas Fake News!

“O desafio da nossa geração não é escolher entre o capitalismo e o comunismo, entre o final da história ou o retorno da história, mas sim, entre a política de coesão social baseada em propósitos coletivos e a erosão da sociedade mediante a política do medo”. Tony Judt

Uma parte da população brasileira é bombardeada diariamente com mensagens de cunho Fake News, ou seja, com difamações, mentiras e desinformação a respeito de diversos assuntos importantes do nosso cotidiano. 
Aquilo que começou com a finalidade de vencer uma eleição denegrindo os adversários, passou a ser uma “profissão” para cidadãos desqualificados no mundo cibernético.
O ex-presidente Lula está fora do poder há 11 anos no país, neste período não ocupou nenhum cargo público. Ao contrário, esteve preso por quase um ano. Entretanto, diariamente temos postagens ligando-o a uma série de coisas que são boatos infundados, mentiras.
Isso obviamente não acontece com políticos como Aécio Neves, Michel Temer, Maluf, Sergio Cabral, Eduardo Cunha, Geraldo Alckmin, José Serra, e tantos outros políticos no Brasil. É um sinal de que talvez a “fábrica” de Fake News esteja geograficamente instalada num segmento de direita nacional simpático ao atual presidente.
Mas as mentiras não param no envolvimento de políticos, ela abrange muitos segmentos da nossa sociedade. Envolve escritores, jornalistas e demais personalidades como Mario Sergio Cortella, Alexandre Garcia, Arnaldo Jabor que entre outros, vivem tendo textos atribuídos a eles sem que nunca tenham escrito os mesmos.
Com a pandemia do novo Coronavírus não foi diferente, milhares de noticias falsas atribuindo cura ou denegrindo países foram espalhadas nas redes sociais. O medicamento Cloroquina foi o campeão de inserções no WhatsApp e nas redes sociais, levando desinformação a sociedade num momento dramático onde a transparência é fundamental na luta pela vida.
Nota-se que boa parte das mentiras nascem logo em seguida a quaisquer divergências do presidente Bolsonaro com pessoas ou empresas, seja da mídia ou de outros segmentos. João Dória, Ministro Mandetta, Ronaldo Caiado, Witzel, Rede Globo, Folha de SP, China, presidente da França, até o ator Leonardo de Caprio viraram personalidades não gratas do bolsonarismo, por isso, se tornaram Fake News.
A mentira espalhada por essa gente criminosa, que não estão sendo responsabilizadas civil e criminalmente pela Justiça, acaba passando uma sensação de impunidade plena a quem queira utilizar desse método para denegrir, desinformar e deturpar a vida dos brasileiros. Até quando? 

https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/04/09/videos-entrada-hospitais-desacreditar-pandemia-covid/

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

O Isolamento!

“Não são as ervas más que afogam a boa semente,
e sim a negligência do lavrador.” Confúcio


O novo coronavírus trouxe além da Covid-19 a necessidade do isolamento social, com a manutenção de todos em casa, no maior número possível, dos estabelecimentos comerciais, industriais e de prestação de serviços fechados. Salvo os considerados como essenciais pelo governo estadual ou municipal.
Por mais que se discuta a questão, duas coisas ficam bem claras, tanto quanto distintas – Saúde e Economia não podem caminhar juntas neste momento complicado da humanidade.
Ou você cumpre o isolamento e faz com que a curda de contaminação permaneça baixa ou o governo determina o fim desta quarentena forçada e a economia volta ao normal, porém, com a possibilidade real de milhares de mortes justamente pelo contato que voltaria em larga escala.
O presidente desde o início da epidemia ainda na China, desprezou seus efeitos, chegando a dizer entre outras coisas: 
1. Chamou de “gripezinha ou resfriadinho” em 15 de março, antes de apoiar a saída às ruas de seus apoiadores. 
2. "Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado, o poder destruidor desse vírus. Então talvez esteja sendo potencializado até por questão econômica, mas acredito que o Brasil, não é que vai dar certo, já deu certo."
* Ao falar com a comunidade brasileira em Miami.
3. "Vou ligar para o [ministro da Saúde, Luiz Henrique] Mandetta. Eu não sou médico, não sou infectologista. O que eu ouvi até o momento [é que] outras gripes mataram mais do que esta." * Durante entrevista em frente ao Palácio da Alvorada.
4. “Em 2009, 2010, teve crise semelhante, mas, aqui no Brasil, era o PT que estava no poder e, nos Estados Unidos, eram os Democratas, e a reação não foi nem sequer perto do que está acontecendo no mundo todo.” * Em entrevista à CNN Brasil.
5. "Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, não. Se o médico ou o ministro me recomendar um novo exame, eu farei. Caso contrário, me comportarei como qualquer um de vocês aqui presentes." * Durante entrevista à imprensa.
Enquanto o presidente falastrão sem conhecimento algum da pandemia, desprezando o que estava acontecendo ao redor do mundo, inclusive nos EUA de seu querido Trump, governadores de praticamente todo país e do DF, percebendo não haver um líder capaz, tomaram a dianteira e fizeram aquilo que todos os presidentes sensatos e inteligentes do planeta adotaram em seus países – o isolamento social.
Claro que todos nós em nossas casas estamos preocupados com a situação dos nossos irmãos que passam necessidades e até fome, com os prestadores de serviços, os brasileiros da chamada economia informal, os comerciantes e todos os empregados com ou sem carteira assinada que dependem do seu trabalho para sustentar suas famílias. 
Eles todos estão sozinhos, desamparados por um governo que a muito custo graças ao esforço da Câmara conseguiu R$ 600,00 reais por três meses, mesmo assim, sabedores que somos que este recurso não chegará a todos que efetivamente precisam. 
Por que além do isolamento social, vivemos há 15 meses o isolamento de governo, onde o ar é rarefeito, as decisões tardam e não chegam. Em momento algum este presidente fez ou determinou que se fizesse algo pela Saúde Pública, Educação, Saneamento, Habitação, obras de infraestrutura ou pela redução do desemprego. Isso é fato, não tem como desmentir, exceto por Fake News.

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

13 de abril de 2020

Bolsonaro se isola do resto do mundo obcecado por seu messianismo perigoso!

Ao longo da história os falsos profetas acabaram sendo os maiores assassinos e enganadores das pessoas simples e menos escolarizadas.
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, é visto em uma farmácia em Brasília nesta sexta-feira. Adriano Machado - Reuters
Entre os transtornos psiquiátricos que afetariam o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, apontados por um grupo de psicanalistas à Folha de S. Paulo figura seu messianismo de querer resolver o drama do coronavírus de forma milagrosa. Assim, se distancia do consenso mundial da ciência que afirma que ainda não existe nenhuma evidência médica de cura fora de uma possível vacina.
Esse messianismo do líder brasileiro e seu falso dilema de que seria preciso escolher que as pessoas morram de fome se forem isoladas ou do novo coronavírus pode levar a um perigoso e fatal equívoco.
Desse modo, o presidente isola o Brasil do resto do mundo, onde ainda não foi encontrada uma forma melhor de evitar que o novo vírus continue matando milhares de pessoas do que o isolamento social. Não por acaso estão sendo aconselhados Governos de unidade nacional para melhor fazer frente à tragédia. O inimigo que assombra o mundo é forte demais para que se possa brincar com ele com cálculos simplistas de política menor. É hora de o mundo estar nas mãos de todas as forças mais bem preparadas para enfrentar o perigo juntos, sem distinções ideológicas.
Já se sabe que todos os messianismos, usados e abusados pelos líderes populistas de todas as tendências políticas, são perigosos porque o ser humano é inclinado a acreditar em receitas milagrosas. Assim, os brasileiros podem acabar sendo arrastados pela miragem do presidente, desobedecendo autoridades ao afrouxar o isolamento, como já se viu em São Paulo e em outras localidades, com consequências que podem ser fatais.
Ao longo da história, os falsos profetas acabaram sendo os maiores assassinos e enganadores das pessoas simples e menos escolarizadas.
Em um país como o Brasil, com um forte componente religioso, brincar com receitas oferecidas pelos pastores ao presidente que consideram ungido por Deus para acabar com a peste é voltar ao obscurantismo da Idade Média, como já lembrei em outra coluna. Pretende-se, como então, substituir a ciência e a medicina por receitas de cunho messiânico.
Insistir como faz o presidente nessa volta aos tempos tristes em que a religião se apoderava da ciência e da medicina hoje significa isolar o Brasil do resto do mundo, onde a ciência está se unindo para dar uma resposta segura à doença mortal que possa evitar tanta morte e tanta dor.
Hoje está claro que nada nem ninguém será capaz de fazer o presidente brasileiro recuar de seu messianismo. Assim, os altos militares de seu Governo se equivocam se acreditam que basta que eles retoquem os discursos do presidente nas redes de rádio e televisão.
Vimos como essa falsa conversão dura menos de 24 horas para o presidente e em seguida sintoniza com o chamado “gabinete do ódio”, e multiplicado pelas redes sociais dominadas pelo seu pequeno grupo de seus seguidores mais fanáticos.
Daí a responsabilidade dos militares presentes no Governo, que deveriam entender neste momento que nem eles são mais capazes de fazer mudar a índole psicológica do ex-capitão Bolsonaro nem de conter seus arroubos autoritários. Não é um paradoxo que, na esperança de que o Brasil possa continuar sendo uma democracia sem ameaças contínuas de golpes autoritários, o país esteja hoje nas mãos dos militares?
Que a democracia conquistada no Brasil com dor e lágrimas depois da ditadura militar esteja hoje ameaçada pela personalidade totalitária do presidente já não é um segredo. Como tampouco o é que o presidente continue defendendo e exaltando a ditadura e a tortura, algo que o melhor do Exército, especialmente os mais jovens, hoje rejeitam e desejam esquecer, como soube esta coluna de testemunhas nos quartéis.
Esses ímpetos absolutistas do presidente só poderiam ser paralisados pelos importantes militares que continuam em seu Governo e que se equivocariam se pensarem que são capazes de detê-lo. Eles deveriam entender que, na realidade, o presidente já não governa.
Quando os militares decidiram entrar em um Governo saído das urnas foi dito que era uma maneira de mostrar que eles respeitariam a democracia e a Constituição.
Portanto, a esperança de que Bolsonaro renuncie a um poder que já não consegue exercer não passa tanto pela longa e complexa liturgia do impeachment ou pelas formas jurídicas de demissão forçada, mas pela esperança de que os militares sejam capazes de convencê-lo a se retirar para o bem da nação.
Depois da ditadura, os militares brasileiros deram provas de ter abraçado os valores da democracia e aceitado a Constituição. E assim foi entendido pela opinião pública, que, segundo as pesquisas, considera o Exército uma das instituições mais confiáveis do país.
São horas difíceis e perigosas para um país da importância do Brasil no xadrez mundial e, embora possa parecer um paradoxo em um país sul-americano, hoje a resolução da crise de Governo por que o país está passando, e que flerta com os tempos sombrios do autoritarismo, recai nas mãos dos militares.
Seria trágico se hoje a opinião pública brasileira também perdesse sua confiança nessa instituição se ela se mostrasse incapaz de deter os arroubos messiânicos e autoritários do presidente capitão aposentado, que muito jovem foi expulso do Exército. E que hoje ameaça até os generais de seu Governo, lembrando-lhe que agora o presidente é ele e somente ele.
O Brasil vive um daqueles momentos históricos em que um erro de cálculo pode arrastar o país para uma aventura da qual um dia terá de se arrepender.

Autor: Juan Arias – El País

9 de abril de 2020

O irmão Justiniano!

Aprender a ler é o que de mais importante me aconteceu na vida. Agora que, por culpa do isolamento, leio do amanhecer ao anoitecer, aqueles dias voltam à minha memória com os fantasmas desvanecidos.
Menina lê dentro de casa em Lavau-sur-Loire, na França, durante quarentena. LOIC VENANCE - AFP
Lembro com exatidão as dez quadras que existiam entre a casa dos Llosa, na rua Ladislao Cabrera, e o colégio La Salle. Eu tinha cinco anos e, sem dúvida, estava muito nervoso. Naquele dia, o meu primeiro no colégio, eu as percorri com minha mãe, que até me acompanhou à classe e me deixou aos cuidados do irmão Justiniano. Ele me apresentou aos que seriam meus amigos cochabambinos a partir de então: Artero, Román, Gumucio, Ballivián. O mais querido deles, Mario Zapata, o filho do fotógrafo que havia documentado todos os casamentos e primeiras comunhões da cidade, seria morto com uma facada, anos depois, em um bar de Cala-Cala. Como era o garoto mais pacífico do mundo, sempre pensei que sua horrível morte foi por defender a honra de uma jovem.
O Irmão Justiniano era um anjo na terra. Tinha cabelos brancos e olhos doces e afetuosos. Dávamos as mãos e com ele cantávamos e dançávamos rodas repetindo o abecedário e as conjugações e assim, brincando, seis meses depois sabíamos ler. O carteiro entregava a cada semana quatro revistas na casa, três argentinas e uma chilena: Leoplán, para o avô Pedro, Para Ti, lida pela avozinha Carmen, Mamaé, minha mãe e a tia Lala, e, para mim, Billiken e El Peneca. Esperava essas revistas como um maná do céu e as lia do começo ao fim, incluindo as propagandas.
Minha mãe tinha um professor de violão e era uma leitora empedernida. Ela me emprestou O Sheik e O Filho do Sheik, mas me proibiu de ler Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada, de Pablo Neruda, um livro azul de letras amarelas que escondia em sua cabeceira e relia de noite: entre bocejos, eu a ouvia. Claro que eu o li, às escondidas, e lá havia versos que, eu tinha certeza (“Meu corpo de lavrador selvagem te enfraquecia / e faz saltar o filho do fundo da terra”), eram pecado mortal.
Aprender a ler é o que de mais importante me aconteceu na vida e, por isso, sempre lembro com gratidão do Irmão Justiniano e das cantigas de roda entre as carteiras, cantando e dançando enquanto decorávamos as conjugações. Pela leitura, esse mundo pequenino de Cochabamba se tornou o universo. Graças aos sinais que transformava em palavras e ideias, viajava pelo planeta e até podia voltar no tempo e me transformar em mosqueteiro, cruzado, explorador e viajar pelo espaço até o futuro em naves silenciosas. Minha mãe disse que a primeira manifestação do que, com os anos, seria uma vocação literária, foi que, quando eu não gostava dos finais dos contos e romances que lia, modificava-os com minha letra ruim da época. Eu não me lembro, mas sim das horas que passava lendo todos os dias, após voltar do La Salle e tomar meu copo de leite gelado com canela, meu alimento preferido. O avozinho Pedro brincava comigo: “Para o poeta a comida é prosa”. Mas eu ainda não escrevia versos em Cochabamba; isso viria depois, em Piura.
Agora que, por culpa do coronavírus e do isolamento forçado a que os madrilenhos estão submetidos, leio do amanhecer ao anoitecer, dez horas diárias em um estado de felicidade absoluta (moderada pelo medo à praga), aqueles dias cochabambinos voltam à minha memória com os fantasmas desvanecidos das primeiras leituras que o subconsciente me devolve: a orgulhosa Diana Mayo caía rendida nos braços de seu sequestrador Ahmed ben Hassan nos desertos da Argélia; o espadachim que nasceu em uma cela e, como os gatos, enxergava no escuro; o Judeu Errante e sua peregrinação pelo mundo. As crianças da época —pelo menos em Cochabamba— não liam quadrinhos e sim livros, e sem dúvida por isso jamais me viciei em Pato Donald, Mickey Mouse e Popeye, o marinheiro musculoso. Mas sim em Tarzan e Jane, com quem voei de árvore em árvore, pelas selvas da África.
Na biblioteca com teias de aranhas da Universidade de San Marcos li minha primeira obra-prima: Tirante o Branco, na edição de Martín de Riquer de 1948. Antes ainda, quando cadete do Leoncio Prado, devorei a série dos mosqueteiros de Alexandre Dumas, e sonhava com d’Artagnan todas as noites.
Nada me deu tanto prazer e felicidade como os bons livros; nada me ajudou tanto como eles a passar pelos momentos difíceis. Sem a literatura teria me suicidado nesse período atroz em que soube que meu pai estava vivo, quando me levou para morar com ele e me fez descobrir a solidão e o medo. William Faulkner mudou minha vida em plena adolescência; eu o li com lápis e papel para identificar suas mudanças de narrador, os saltos temporais, os redemoinhos dessa prosa que misturava personagens, tempos e lugares e aparecia, de repente, no romance um reordenamento da história ainda melhor do que o cronológico.
Para ler Sartre, Camus, Merleau-Ponty, Simone de Beauvoir e demais colaboradores da Les Temps Modernes, aprendi francês, e inglês para entender Hemingway, Dos Passos, Orwell e Virginia Woolf, e decifrar o Ulisses de Joyce (consegui na terceira vez). Em uma cabaninha de Perros-Guirec, na Bretanha, no verão de 1962 li o tomo de La Pléiade dedicado a Tolstói e desde então Guerra e Paz me parece o auge do romance, com Dom Quixote e Moby Dick. Entre os do século XX, nada supera no meu entender A Condição Humana, de Malraux, com exceção de A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Em Paris, no primeiro dia em que cheguei, em agosto de 1959, descobri Flaubert e passei a noite inteira, no Wetter Hotel, lendo Madame Bovary. Foi para mim a mais frutífera das descobertas: graças a Flaubert, soube o escritor que queria ser e o que não queria ser.
As boas leituras não produzem somente felicidade; ensinam a falar bem, a pensar com audácia, a fantasiar, e criam cidadãos críticos, desconfiados das mentiras oficiais dessa arte suprema do mentir que é a política. A vida que não vivemos podemos sonhá-la, ler os bons livros é outra maneira de viver, mais livre, mais bela, mais autêntica. Essa vida alternativa tem, além disso, a sorte de estar fora do alcance das pragas demoníacas que sempre aterrorizaram os seres humanos porque viam nelas os diabos, que, ao contrário dos inimigos de carne e osso, eram difíceis de derrotar.
Um bom leitor é o cidadão ideal de uma sociedade democrática: nunca se conforma com aquilo que tem, sempre quer mais e coisas diferentes das que lhe oferecem. Sem essas insubmissões o progresso verdadeiro seria impossível, aquele que, além de enriquecer a vida material, aumenta a liberdade e o leque de escolhas para ajustar a própria vida a nossos sonhos, desejos e ilusões. Karl Popper tinha razão: nunca estivemos melhor do que agora (nos países livres, entende-se).
O coronavírus ressuscitou a barbárie no que acreditávamos ser a civilização e a modernidade. Vimos coisas horríveis em Madri, como nos asilos: idosos abandonados ao que parece por cuidadores que não tinham máscaras, remédios e qualquer ajuda. Os mortos convivendo com os vivos, dormindo nas mesmas camas. O horror sempre supera o horror, não importa o tempo histórico. Ainda assim, com toda a ruína econômica e social que essa inesperada praga trará ao país, se, após sobreviver a ela, existir na Espanha um milhão a mais de espanhóis, ou pelo menos cem mil, atraídos à boa leitura graças à quarentena forçada, os demônios da peste terão feito um bom trabalho.

Autor: Mario Vargas Llosa – El País

7 de abril de 2020

O que há por trás da insistência em divulgar um medicamento?

“Não são as ervas más que afogam a boa semente,
e sim a negligência do lavrador.” Confúcio

          A insistência de Jair Bolsonaro em divulgar o medicamento Hidrocloroquina é muito estranha, até porque o mesmo ainda não foi liberado nem usado em nenhum país do mundo. Bolsonaro usa o grupo Prevent Senior e até o Hospital Albert Einstein como exemplos, embora existam ainda protocolos a serem cumpridos. No dia 26 de março, Jair Bolsonaro levou uma caixa do medicamento Reuquinol para a reunião virtual com os líderes do G20 sobre a pandemia do novo coronavírus.
O medicamento é fabricado pelo laboratório Apsen e tem cloroquina na sua composição, substância que o presidente tem divulgado como promessa de cura para a Covid-19. Segundo o site Metrópoles, o dono da Apsen é Renato Spallicci, um militante bolsonarista que fez campanha para o presidente.
A Apsen prometeu fornecer sem custo parte da produção ao Ministério da Saúde. Segundo Bolsonaro, a doação seria de 10 milhões de comprimidos.
A Apsen, que registrou lucro de R$ 696 milhões em 2018, produz o Reuquinol, que Bolsonaro mostrou até para os líderes do G-20 por teleconferência. Presidente da empresa, Renato Spallicci faz apaixonada defesa do mandatário do país, Jair Bolsonaro, e críticas ao PT em suas redes sociais abertas (até a publicação desta reportagem), como Instagram e Facebook.
Quem deveria ou não defender o uso de medicamentos/tratamentos seria o pessoal ligado a saúde, não o presidente da república, que de medicina entende tanto quanto qualquer brasileiro leigo. Seria o caso de se perguntar o quê e porquê tanto afinco em defender um medicamento/laboratório em meio a uma pandemia?
Neste dia 06 de abril, o Ministro da Saúde, Mandetta foi levado a uma sala para assinar um decreto a respeito do uso da substância, mas se negou a endossá-lo, como ele próprio disse em entrevista à noite.
Segundo relatos à Folha, o documento prevê que profissionais de saúde poderão usar o medicamento em si próprios caso julguem necessário. O decreto foi elaborado por médicos que defendem o tratamento com a substância. Entre eles, está Luciano Azevedo, que ajudou a intermediar junto a bolsonaristas um encontro da imunologista Nise Yamaguchi, também defensora da hidroxicloroquina, com Bolsonaro nesta segunda.
O dono do Laboratório Apsen e sua empresa são doadores da campanha do presidente em 2018? Qual foi o faturamento em cima das vendas deste remédio após as aparições de Bolsonaro com a caixinha do mesmo às mãos? 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública. 

5 de abril de 2020

Tempos sombrios, tempo perdido!

“A ociosidade caminha com lentidão,
por isso todos os vícios a atingem.”
Santo Agostinho

A pandemia que tomou de assalto o planeta a partir da localidade de Wuhan, durante algum tempo, em determinados círculos, foi chamada de “pneumonia de Wuhan”, a partir da cidade na China central onde as primeiras infecções em seres humanos foram detectadas. É claro que o vírus não é chinês, mesmo que possamos rastrear sua origem a uma caverna na China; o mesmo vale para a doença causada por ele – o Covid-19.

O vírus levado pelo ar e pelo mar através de passageiros em aviões e navios com vários destinos na Europa, América Central, do Norte e do Sul atingiu em cheio o coração do mundo.

Neste período entre a detecção do vírus e sua contaminação no planeta, muitos lideres mundiais desprezaram a possibilidade de uma pandemia, mesmo alertados pela Organização Mundial da Saúde – PMS, muitos demoraram meses para tomar as providências necessárias.

Com isso, chegamos nos primeiros dias de abril com números espantosos e muito preocupantes:

Brasil > 14.017 infectados e 688 mortos

Mundo > 1.218.119 infectados e 64.235 mortos.

A chave para frear um surto é reduzir o ritmo de crescimento dos casos. Isso é o que tem conseguido a China, onde as infecções deixaram de aumentar de forma exponencial em meados de fevereiro, quando a quarentena e as medidas de distanciamento fizeram efeito.
Nos países europeus, por sua vez, o vírus ainda está em expansão. Na Itália, os casos diários eram cerca de 70 no início do surto, passaram para 500 na segunda semana e atingiram os 1.700 na terceira. França, Espanha e Alemanha crescem num ritmo parecido com o italiano, mas parecem ir alguns dias atrás.
O Brasil é o país latino-americano que registra mais infecções por coronavírus. Mas o ritmo em que os casos crescem é, no momento, semelhante em vários países.
Entretanto, o vírus além de afetar a saúde mundial, trará consigo, por conta da necessidade do isolamento social, o caos financeiro durante e após a passagem da pandemia. Será neste momento que deverá se destacar os países estruturados, com economia pujante e níveis educacionais elevados. Os países emergentes ou em desenvolvimento como sempre, vão padecer e terão que caminhar pisando em brasas até alcançarem ao menos o mesmo nível econômico em que estavam antes da crise do Covid-19. 

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

4 de abril de 2020

Nem jejum interrompe o efeito do Coronavírus!

Depois que passar a pandemia, o mundo não será mais o mesmo e os humanos terão que se acostumar com a nova realidade. Muitos dos empregos tradicionais serão enterrados. Haverá nova ordem no trabalho em todo o mundo. Lojas como o Magazine Luiza começarão a fechar as portas nas ruas e passarão a atender os clientes só em sites na internet.
Em cidades como Uberlândia haverá um depósito com algumas empresas terceirizadas para entregar os produtos vendidos pela rede de computadores. Os bancos começarão a desativar as agências de rua e substituí-las por máquinas inteligentes nas quais cada cliente poderá fazer operações de depósitos, saques, pagamentos ou empréstimos.
Os funcionários dos bancos serão reduzidos em mais de 90%. As primeiras fábricas robotizadas serão introduzidas no Brasil e as velhas, analógicas, serão substituídas por equipamentos 4.0 ou 5.0 automatizados. A revolução do Coronavírus deixará um esquema revolucionário que as pessoas levarão, pelo menos, 10 anos para entender o que aconteceu.
O mundo já atravessou por várias turbulências, mas nenhuma tão surpreendente como esta do coronavírus. Esta é uma guerra bacteriológica virulenta, recheada de combates psicológicos de proporções impressionantes e pouco compreendidos pela massa humana. Tudo o que houve nas últimas horas já provocou grandes mudanças nas últimas semanas e muita gente ainda nada percebeu.
A evolução da espécie humana é lenta, mas progressiva.
No Brasil e em outros países do mundo ainda há convocações para a realização de jejum coletivo para pedir interferência de Deus para evitar mortes não esperadas. Deus, no céu ou onde estiver, ouve os apelos dos humanos e permanece calado porque sabe que as mudanças radicais são inevitáveis. Calado, Deus garante a lei natural que prescreve desde o começo do mundo: tudo se transforma.
Ou todo cambia, como cantou Mercedez Soza. O mundo está cambiando e muita gente ainda não percebeu.
Está em marcha um mundo novo em violenta e rápida transformação. O vírus verdadeiro está nas fábricas, no modelo de comércio, na produção e distribuição de bens econômicos, no processo político e no estilo de governo. Quem não acompanhar as mudanças será impiedosamente atropelado ou morto na pandemia. Deus sabia de tudo há milênios. Alguns viventes humanos também previram há muito tempo a onda virulenta. Hoje tem muita gente rindo em silêncio. Depois que o vírus se for, o mundo não será mais o mesmo. Podem acreditar.

Autor: Ivan Santos – Jornalista – Responsável pelo Blog Uberlândia Hoje! – www.uberlandiahoje.com.br - Autor do livro Texto, Contexto e Entrelinhas.

3 de abril de 2020

Compartimentos!

O conhecimento sempre foi único e fazemos divisões por matérias, disciplinas, níveis e grupos como forma de nos organizarmos, crendo que assim facilita a percepção e aquisição de tantos dados e informações. O conceito de universidade pressupõe a universalidade do saber, mas é pouco provável que um notável epidemiologista será também um sábio filósofo.
Por mais erudição que seja apregoada nos meios acadêmicos, o conceito universal se traduz em propiciar às várias facetas do saber seu convívio no mesmo espaço, esperando que tais esferas se interpolem de alguma maneira. Trabalhar em grupo, de forma conjunta, cada vez mais inter- e multidisciplinar é a característica da pesquisa científica moderna.
Resultados publicados contendo mais de uma centena de autores já não são incomuns. Mas, furar tais compartimentos é saudável e por isso faço minhas fortuitas inserções na literatura. #IniCiencias
Nos grupos de WhatsApp literários leio apenas as postagens referentes a essa atividade. Lamento, colegas, se ignoro ali suas opiniões políticas, os vídeos engraçados de animais e crianças e a proliferação de falsas notícias sobre tudo&todos. Mas postem uma crônica de sua autoria, alguns versos e sua produção artística que lá estarei lendo e admirando.
Até fiz alguma intervenção para denunciar as mentiras postadas, mas foi em vão, porque "a mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer", como poetizou Mario Quintana e adaptei para um artigo no início do ano para o Correio Popular de Campinas. Assuntos políticos levo para outros espaços e fóruns de discussão, nos quais possam ser verdadeiramente avaliados com contra-pontos, opiniões balizadas em um nível de embate inteligente inexistente naqueles referidos grupos. Meu celular não é dos mais modernos e também não tenho o hábito de tudo lançar para as nuvens guardarem. Assim, reservo algum tempo para apagar indistintamente esse enorme conjunto de postagens. E, infelizmente, resta muito pouco de arte literária.
O confinamento em compartimentos residenciais é experiência inédita para os que não haviam sido impedidos do livre ir e vir. Melhoramos nossa comunicação virtual e descobrimos outras formas de usar melhor o tempo, já discutimos isso. Mas me deparo com uma crise de abstinência inusitada: as bancas de Campinas não estão mais recebendo revistas mensais e semanais. Como passarei esse período sem a fundamental leitura de piauí, CULT, CartaCapital e Pesquisa Fapesp? Sim, esta última é a única que recebo em casa por ser pesquisador paulista com direito à assinatura. As outras terei de fazer assinatura e incluir a versão digital, pois é previsto que os entregadores também tenham de fazer o devido isolamento social. #ficaemcasa

Autor: Adilson Roberto Gonçalves é pesquisador da Unesp - Rio Claro.

2 de abril de 2020

Pós-choque!

O mundo que emergirá do choque que estamos sofrendo será um mundo purgado pelo horror, e melhor, ou condenado pelo amoralismo para sempre.
Naomi Klein publicou um livro intitulado A Doutrina do Choque, ou A Ascensão do Capitalismo do Desastre, em que defende a tese de que o capitalismo se nutre de desastres, e de choque em choque vai ampliando seu poder. O livro é recente, mas saiu antes do ataque do coronavírus, um desastre que ninguém previa e ninguém sabe como vai terminar. E no meio do qual nenhuma tese, nem a reducionista da Naomi, sobrevive. 
Oportunistas já se aproveitam da confusão da pandemia para lucrar e confirmar a pior expectativa do que o capitalismo amoral é capaz, segundo a Naomi. Está em curso a maior intervenção do Estado na vida das nações e das pessoas desde a Segunda Guerra Mundial, mas a velha briga entre dirigismo econômico e mercado persiste, enquanto contam os mortos. O mundo que emergirá do choque que estamos sofrendo será um mundo purgado pelo horror, e melhor, ou condenado pelo amoralismo para sempre. 
Se estamos a caminho de uma escolha definidora do que seremos pós-tragédia viral, talvez não seja ingenuidade demais discordar da Naomi e esperar que no fim de tudo isso surja um mundo menos desigual e mais, na falta de outra palavra, decente. Para participar da velha briga, que continuará quando o coronavírus for apenas uma má memória, entre estatismo e livre mercado, traga-se de volta o John Maynard Keynes. Se for difícil transportá-lo fisicamente – afinal, o homem está morto desde 1948 – recuperem suas ideias, e as escolhas que ele pregou para combater o capitalismo sem-vergonha.
Keynes foi o cara que defendia um Estado forte a serviço do bem geral e a intervenção do Estado na economia para humanizá-la. A austeridade “made in” Chicago que hoje norteia a maioria das economias mundiais não teria prevalecido se o keynesianismo tivesse se imposto ao liberalismo, quando ainda dava.
Mas, enfim, que mundo nos espera quando passar o horror? Acho que será melhor do que este. Disse ele, ingenuamente. 

Autor: Luis Fernando Verissimo – Publicado no Jornal O Estado de SP.

1 de abril de 2020

Advertência de Jeca Tatu ao presidente da República!

No país do amarelão, da febre do rato e outras doenças primitivas, o mito caipira combate o ´liberou geral´ do Palácio do Planalto.

Presidente Jair Bolsonaro ao sair o Palácio do Alvorada, na sexta-feira, 28/03/20. Joédson Alves - El País

A essa altura da carreata da ignorância, só resta ao Jeca Tatu emancipado ―representante da gente na sala de televisão da quarentena― chamar na chincha o bocó lá de Brasília. Direto da Refazenda gilbertiana, cabe ao nosso Jeca Total mostrar que até o amarelão (ancilostomose) ainda faz estrago no Vale do Ribeira e em outras freguesias desprotegidas. Só o Jeca Tatu, o guru do Almanaque Biotônico Fontoura, para contar ao espertalhão do Planalto que o brasileiro, ao contrário do que ele folcloriza, não resiste meia hora ao esgoto e à falta de saneamento.
A febre do rato (leptospirose) segue castigando nos mocambos e palafitas, adverte o Jeca, sorumbático e macambúzio, saindo de pés-descalços do “Urupês” (livro de 1918) de Monteiro Lobato. Quem tem que ser estudado, o capiau segue na prosa, é Vossa Excelência, com todo respeito deste caipira. O brasileiro pega de tudo, não me venha com seus arroubos de vilão Vaca-Brava, pois até a lepra (hanseníase), daquela mais primitiva, campeia solta no mato e nos arrabaldes.
A criatura corre do mosquito e não escapa do caramujo, foge da dengue e vem a zika, na mesma terra onde ainda persistem sarampo, caxumba e rubéola. O sujeito acha que é apenas mais uma ressaca existencialista e lá vem o diagnóstico: chikungunya na caveira. Na roça, para a tristeza do Jeca, resistem a doença de Chagas, a peste bubônica, a curuba... Agora dá licença que vou tomar meu elixir de salsa, caroba e cabacinha, ave!, tesconjuro.
Jeca Total deve ser Jeca Tatu, presente, passado, memória das enfermidades brasileiras, com sua garrafa de pinga para enxotar o saturno dos trópicos, xô melancolia, arreda tristeza, vade retro perdigotos do Belzebu, do Cramulhão, do Pé-de-Pato, do Coxo, do Temba, do Coisa Ruim, do Mafarro, do Tristonho, do Não-Sei-Que-Diga, do Que-Nunca-Se-Ri, do Pai-da-Mentira, do Capeta, do Tendeiro, do Mafarro, do Capiroto, do Diacho, do Gabinete-do-Ódio, do Rei-Diabo, do Demonião, do Satanazim, do Língua-Solta e da vasta assembleia lucrativa sem fim.
Jeca Tatu, que saiba Vossa Excelência, pode ser da roça, mas não é besta, em matéria de coronavírus rumina o seu capinzim metafísico guardado na sua choupana, pita o seu cigarrinho de palha ouvindo Cascatinha & Inhana, mais precisamente a faixa “Índia”, sou Jeca mas não sou imbecil de marcar touca, de que vale o milharal depois de bater as botas?
Preguiçoso uma disgrama, repara se fui eu e minha família que passamos uma vida toda de flozô no parlamento, com direito a esquema de “rachadinha” e quetais, mordendo um naco do contracheque dos barnabés das cercanias. Desculpa aí, presidente, não queria desafinar a viola, mas seu exército de tabaréus não toca outra moda, a não ser xingar a gente de indolente e vagaba. Nem o amigo Mazzaropi escapou dessa, foi barrado na cancela, virou comunista simplesmente por ter filmado “O Corintiano”, vê se pode! Imagina se os papa-capins tivessem visto A banda das Velhas Virgens, que fita de cinema.
No Brasil das amarelidões, Jeca Tatu pode ser a cor tingida na crônica de Renato Carneiro Campos que serviu de guia ao filme Amarelo manga, do diretor Claudio Assis: “Amarelo é a cor das mesas, dos bancos, dos tambores, dos cabos, das peixeiras, da enxada e da estrovenga. Do carro de boi, das cangas, dos chapéus envelhecidos. Da charque! Amarelo das doenças, das remelas, dos olhos dos meninos, das feridas purulentas, dos escarros, das verminoses, das hepatites, das diarreias, dos dentes apodrecidos... Tempo interior amarelo. Velho, desbotado, doente.”

Autor: Xico Sá, escritor e jornalista, é autor de “Big Jato” (editora Companhia das Letras), entre outros livros. Comentarista do programa “Redação Sportv”.

Proposta para Renda Básica Emergencial tem apoio de 130 entidades e 450 mil cidadãos!

As famílias brasileiras precisam de apoio para enfrentar o coronavírus. 
As 77 milhões de pessoas mais pobres do Brasil seriam beneficiadas pelo período de 6 meses – Foto Albert González Farran - UN
A Rede Brasileira de Renda Básica, o Nossas, a Coalizão Negra por Direitos, o Instituto Ethos, o INESC e um grupo com grande diversidade que inclui 130 organizações da sociedade civil propõem a criação imediata de uma Renda Básica Emergencial para ajudar os mais pobres a enfrentar a depressão econômica que virá com as restrições impostas pela pandemia.
Há um projeto de lei em tramitação e ele foi aprovado no Senado. Esta versão apresenta: R$ 600 mensais por pessoa adulta, limitado a duas pessoas por família; R$ 1.200 mensais para mães solo e duração de três meses. Agora, está nas mãos do presidente, Jair Bolsonaro, sancionar essa lei.
A proposta original, que já recebeu o apoio de 450 mil cidadãos desde seu lançamento no último dia 20 de março, sugere destinar R$300 mensais para cada membro das famílias mais pobres do país, incluindo crianças e idosos, por um período de 6 meses, por um período de 6 meses. As famílias mais pobres possuem, em média, 4 pessoas, o que daria direito a um benefício mensal de R$ 1.200,00, garantindo acesso ao básico em tempos de crise.
Foto –  mohamed Hassan por Pixabay
As 77 milhões de pessoas mais pobres do Brasil, ou seja, aquelas que têm renda familiar inferior a 3 salários mínimos, seriam beneficiadas pelo período de 6 meses. Sabemos quem são e é simples chegar até elas, pois já estão no Cadastro Único, o que permite a rápida adoção da medida, alcançando quem mais precisa. São pessoas pobres, negros e negras, mulheres chefes de família, moradores de favelas e periferias, trabalhadoras e trabalhadores autônomos e precarizados, populações tradicionais e quilombolas, pessoas com deficiência, idosos e outros cidadãos e cidadãs especialmente vulneráveis à epidemia e aos seus efeitos na saúde e na economia. Outros milhões de desempregados e trabalhadores informais, já cadastrados pelo Número de Identificação Social (NIS), também podem ser beneficiados.
Essa iniciativa significaria um investimento de cerca de R$ 20,5 bilhões por mês – apenas 0,28% do PIB, totalizando 1,68% pelos 6 meses propostos. Um valor baixo perto das riquezas que o Brasil gera, mas que pode fazer toda a diferença para a população nesse momento de crise. O pedido é para que o Congresso aprove a medida com urgência.
O governo já anunciou a intenção de fazer algo semelhante a isso, mas limitando-se a um número restrito de profissionais autônomos – cerca de 38 milhões de pessoas adultas, que receberiam R$200,00 para sustentar toda a família e por apenas 3 meses. Na proposta apresentada pelo governo, para identificar quem se qualifica seria necessário desenvolver do zero um novo sistema de triagem online, ou obrigar esses trabalhadores a enfrentar longas filas de cadastro, que é o oposto do que deveríamos fazer durante uma pandemia.
A campanha “Renda Básica que Queremos” iniciou desde sexta-feira (20/03) o apoio a esta proposta por meio do site www.rendabasica.org.br. Já são mais de 300 mil assinaturas. Além disso, as organizações envolvidas também atuarão junto aos líderes do Congresso Nacional para que deem os passos necessários para concretizar essa medida.
O WWF-Brasil é uma das organizações que apoiam a iniciativa.
Foto – Pixabay

Autor: Escrito por Neo Mondo

Governados por um ser inepto!

“Pessoas que são boas em arranjar desculpas
raramente são boas em qualquer outra coisa.”
Benjamin Franklin

Raras vezes desde a instauração da República tivemos um presidente tão ruim, sem amor ao próximo, sem capacidade administrativa, sem noção mínima de gestão pública, com ódio em tempo integral de tudo e de todos que o critiquem ou o questionem.
E olha que o nosso país é pródigo em inventar políticos incapazes, corruptos ou descartáveis após o término dos seus mandatos. Nossa classe política nunca foi exemplo, porém, o que vivenciamos no momento é algo surreal.
Um homem que não teve em seus primeiros 452 dias de gestão nenhum gesto de boa vontade para com seu povo, nenhuma palavra de conforto para as vítimas de Mariana, Brumadinho ou da Pandemia do Covid-19.
Um homem frio, calculista, tosco, biltre e alheio as coisas do mundo que o cerca. Sua visão turva, agravada por sua miopia política só enxerga os segmentos de direita, desprezando os demais em qualquer canto do mundo civilizado.
Certo que, lhe falta cultura, conhecimento, estudo e apreço pelo próximo, pelo trabalhador brasileiro que vive á mingua enquanto o presidente legisla para o patrão, para os grandes grupos latifundiários, para os sucateadores da Amazônia.
Ao se deparar com a Pandemia do Covid-19 balbuciou infantilidades, aberrações aos olhos da ciência com uma desinteligência única. Não demonstrou solidariedade em momento algum as vítimas e aos seus familiares.
Propôs contra toadas as evidências científicas e médicas o fim do isolamento social, inventando um isolamento vertical, onde poderiam sair as ruas aqueles que não fossem do grupo de risco da doença. Nenhum país adotou essa medida estapafúrdia, que proporcionaria que os que saíssem às ruas pudessem se contagiar e levar para os idosos e demais pessoas do grupo de risco a doença.    
Pensa que ainda está em campanha eleitoral. Com certeza está respirando 2022, por que não quer largar o poder, precisa dele para ajudar sua família, seus filhos ineptos e odiosos e seus amigos milicianos, afinal, um dia os esqueletos sempre pulam dos armários, demore o tempo que quiserem, um dia eles aparecessem para trazer a verdade a sociedade.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Pessoas desprovidas de inteligência e bom senso!

Nesse momento de pandemia mundial, no Brasil além de estarmos sem timoneiro, navegando aos cuidados de governadores ou prefeitos, somos obrigados a conviver com pessoas Xiitas, ogros que não querem a união, não respeitam opiniões divergentes. Ficam produzindo e postando vídeos contra todos aqueles que entram em confronto com o Presidente. Atacam a mídia com se esta fosse a culpada pela pandemia ou pela esquizofrenia do Jair.
A Rede Globo, principal alvo da turba, cuja programação é discutível do ponto de vista televisivo e jornalístico, está fazendo seu papel de informar. Se você acha que as informações são excessivas - simples, mude de canal. Tem a BandNews, CNN, etc. Agora ficar produzindo vídeos mentirosos e espalhando desinformações é a única coisa que da qual não devemos fazer nem compactuar.
Não estamos mais, desde novembro/2018 em eleições, existe alguém no poder, e gostem ou não, ele tem de ser cobrado, ganha para isso, foi eleito para governar, não para ficar batendo de frente com jornalistas, mídia, presidentes de outros países, governadores, etc.
Nós, em nossa quarentena podemos colaborar com a verdade, não repassando Fake News, não compactuando com vídeos que não espelham a verdade. Nos EUA emissoras de televisão fazem acompanhamento similar ao da Globo, nem por isso, são vítimas de tantas bobagens como vemos aqui nas nossas redes sociais e no WhatsApp.
Nosso problema não é a mídia, mas sim a falta de um presidente com capacidade, discernimento e bom senso.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.