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23 de outubro de 2026

O depois do depois!

Depois do final das eleições e da possível volta à normalidade político-administrativa no país, é preciso que seja feita uma profunda reflexão por diversos segmentos da nossa sociedade sobre os episódios recorrentes que denotam um aumento expressivo do fascismo no seio da nossa sociedade.

A tragédia ocorrida na cidade de Catanduva, no interior de São Paulo, é um sinal evidente do fascismo entre nós, brasileiros. Naquela cidade, um médico colecionador de armas (provavelmente credenciado no governo do presidiário) ameaçou a esposa (tentativa de feminicídio) e foi fuzilado pela PM (letalidade policial) após ser abordado pelos policiais.

Mais revoltante: é assustador como a mídia e a sociedade normalizam esses episódios, cada vez mais comuns e constantes. A multiplicação de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CACs), as ameaças contra mulheres e os assassinatos cometidos por pessoas de farda são alguns aspectos inerentes ao fascismo.

Mesmo com eventual vitória no segundo turno e a reeleição de Lula, nossa democracia continuará correndo riscos diante do aumento das bancadas da extrema direita bolsonarista, seio da intransigência, do preconceito aos pobres e da política beligerante.

Para superarmos o fascismo, é fundamental que possamos afastar a política de ódio e recuperar a possibilidade de que as pessoas vivam com dignidade. Adversário político não é inimigo; hegemonia partidária é ditadura militar, um regime autoritário sem democracia sendo exercida.

Os segmentos de direita e esquerda precisam rapidamente retomar o espaço devido na política, afastando de vez essa seita que prega a destruição da economia, congelamento de salário mínimo, arrocho salarial aos aposentados e pensionistas, sem, no entanto, reduzir benesses concedidas a empresas, políticos e banqueiros neste país.

Os extremistas não mencionam cortes para redução do número de políticos, salários pagos a milhares de cargos de apadrinhados, assessores e toda camarilha que sugam bilhões dos cofres públicos. Não querem implantar imposto sobre grandes fortunas, nem cortar os abusivos e imorais subsídios e reduções fiscais que os ricos possuem para suas empresas e os pastores para suas Igrejas lucrativas.

O candidato do PL – Partido Liberal odeia tanto os pobres que, numa reunião, disse textualmente que iria acabar com o “Bolsa Farelo” quando tomasse posse do governo brasileiro, numa alusão ao Bolsa Família.

Falas e atitudes como essas demonstram cabalmente o ódio e o preconceito que essa escória política tem para com o nosso povo. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

22 de outubro de 2026

'A Lista' na ciência e na política

A Lista' foi composta e cantada primeiramente por Oswaldo Montenegro, um carioca genial.

Uma das músicas mais impactantes que já ouvi foi “A Lista” de Oswaldo Montenegro. Na primeira vez que escutei, confesso que chorei. Aproveito e lanço um desafio. Depois de escutar a música, faça uma lista das 10 melhores descobertas científicas e tecnológicas quanto a mudança de qualidade vida. Depois, faça outra lista com as 10 melhores ideias políticas que fizeram a humanidade avançar.

Seguem algumas ideias das descobertas científicas. Dois séculos atrás não havia anestesia. E nem remédios para a dor. Sem contar que não se tinha antibióticos.

Para não ficar apenas no mundo da medicina, lembremos do celular, da internet e do computador e lá se foi a máquina de escrever e o fax. Se colocar a descoberta da energia elétrica ninguém vai questionar, assim como se incluir os carros. E como seriam os banheiros sem papel higiênico e vasos sanitários. Sem contar os aviões, elevadores, fio dental, dentifrício e escova. Não podemos deixar de lado a descoberta da roda e dinamite.

REALIZAÇÕES POLÍTICAS

Talvez estejas encabulado agora com a lista das realizações políticas. As relações humanas nas cidades ou “polis” receberam o nome de “política”. Estas relações serviram para estabelecer consensos na organização da vida em comum, pois a barbárie não poderia imperar pela falta de ética, mentira, enganações e mortes em massa.

A falta de cultura e de conhecimento da história da humanidade faz com que muitas pessoas não saibam ou ignorem as realizações e decisões políticas que mudaram nossa forma de viver, melhoraram a vida. Isto faz as pessoas tomarem posições imediatas e achar que fazer política é igual torcer para um time de futebol.

E olhe que uma decisão política influencia todas as gerações depois de você. Não é só a ciência que faz a humanidade avançar, a política também melhora a vida das pessoas, especialmente, se usar a ciência e tecnologia para fundamentar suas decisões, haverá progresso para todos.

Olhem só esta lista de realizações políticas:

1) Democracia pela Grécia,

2) Revolução francesa com os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade,

3) Combate ao racismo com a paz de Nelson Mandela,

4) Democratização do Brasil por Ulisses Guimaraes com a constituição de 1988,

5) Revolução dos cravos em Portugal,

6) Criação do SUS como um exemplo para o mundo,

7) Independência da Índia com Gandhi,

8) Globalização que deu a oportunidade à China se desenvolver,

9) Criação da USP e da Fapesp que fizeram São Paulo se transformar no que é hoje,

10) A formação do Canadá e

11) A revolução industrial na Inglaterra.

TRÊS REFLEXÕES FINAIS

1.    Na ciência se patenteia para garantir o aproveitamento das ideias e premiar a criatividade. As ideias políticas deveriam ser patenteadas ou será que não se conseguiria por falta de ineditismo?

2.    Seria por isto que a tendência dos políticos é acabarem com a universidade e a ciência? Talvez os políticos ruins não tenham ideias boas para patentear e preferem detratar a ciência e a universidade para que as comparações não sejam feitas e todos fiquemos ignorantes e rasos no pensamento. A ciência tem como lema a busca da verdade!

3.    Política é coisa boa e necessária quando exercida com serenidade e visando o bem comum. Temos muitas realizações políticas a nos orgulhar. Quando uma pessoa combate e fala mal da política, é porque está faltando cultura e história nesta forma de pensar. Serenos, tenhamos paciência e reflitamos para assumir a responsabilidade das decisões com as próximas gerações.

4.    E como seriam as suas listas? 

Autor: Drº Alberto Consolaro | Professor titular da USP e colunista de Ciências do JC.
 

21 de outubro de 2026

Um crime contra a humanidade!

                                                                     Charge: Latuff

O embargo comercial imposto pelos Estados Unidos contra Cuba é um crime contra a humanidade. Uma atrocidade que tem a ONU e os países que a compõem como cúmplices covardes.

O início deste processo começou em 1959 – A Revolução Cubana levou Fidel Castro ao poder, derrubando Fulgencio Batista. Em 1960, o governo dos EUA, então presidido por Dwight D. Eisenhower impõe as primeiras restrições comerciais após Cuba nacionalizar empresas americanas na ilha.

Em 1962, o presidente John F. Kennedy oficializa o embargo total, proibindo quase todo comércio entre os dois países. Portanto, o embargo começou gradualmente em 1960 e se tornou pleno a partir de 1962.

Essa situação perdura há mais de sessenta e seis anos, impedindo que Cuba possa ter relações comerciais com o restante do mundo. Um ato que sufoca sua economia e impede seu processo de desenvolvimento industrial. Os americanos, que se acham donos do mundo, podem invadir militarmente países em busca de petróleo, terras raras e outras vantagens comerciais, porém mantêm o povo cubano estrangulados.

Os americanos justificavam sua atitude pelos seguintes motivos:

1️: Nacionalizações em Cuba

O governo de Fidel Castro nacionalizou refinarias, usinas de açúcar, bancos e outras empresas — muitas pertencentes a cidadãos e empresas dos EUA — sem compensação considerada adequada por Washington;

2️: Alinhamento com a União Soviética

Cuba aproximou-se da União Soviética, principal rival dos EUA na Guerra Fria, adotando um regime socialista. Esse, sim, o maior motivo à época;

3️: Conflito ideológico

Os EUA buscavam conter a expansão do socialismo na América Latina (política de “contenção”);

4️: Crise dos Mísseis (1962)

A descoberta de mísseis soviéticos em Cuba levou à Crise dos Mísseis de Cuba, agravando ainda mais as tensões. Como se os americanos não tivessem instalações militares espalhadas pelo mundo.

A guerra fria entre URSS (Rússia) e os EUA acabou, o muro de Berlim caiu, o mundo passou pela globalização e estamos vivendo uma imensa evolução tecnológica, no entanto, os americanos mantém o embargo criminoso contra Cuba. Não há justificativa que se sustente diante das mudanças ocorridas, inclusive políticas, naquela ilha.

Nos anos 1990, leis como a Lei Helms-Burton (1996) tornaram o embargo mais rígido. Durante o governo de Barack Obama (2014–2016), houve reaproximação e flexibilizações. O governo de Donald Trump voltou a endurecer as sanções. O governo de Joe Biden manteve grande parte das restrições, com ajustes pontuais.

Ou seja, não importa o partido que esteja no poder nos EUA, tanto democratas como republicanos agem da mesma forma em relação ao embargo, mantendo-o criminosamente à luz das leis e da civilidade.

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.