Em outubro teremos novas eleições gerais no país, podendo renovar as casas legislativas dos estados e o congresso nacional, além de elegermos o presidente para o período de 2027 a 2030. Porém, não será apenas esse escopo que estará em jogo na eleição, muito mais do que isso, nosso futuro e da democracia no Brasil vão estar dependendo do seu voto.
Por enquanto o candidato da extrema direita, filho do presidiário, ainda não colocou em dúvidas o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas como seu pai o fez durante seu mandato inteiro. Por enquanto, segue apenas criticando o atual presidente, sem, no entanto, dizer qual seria seu projeto de governo.
Esse é o primeiro grande problema, ao esconder suas verdadeiras intenções e alianças internas e externas, o candidato deixa em aberto uma série de problemas que podem surgir após a eleição, caso seja o vencedor. Collor quando venceu em 1989, escondeu de todos que iria confiscar o dinheiro das contas bancárias e da poupança, bloqueando o dinheiro de todos acima do limite de 50 mil cruzados novos à época.
A candidatura do filho do presidiário contém vingança, afronta ao judiciário (em especial ao STF), indulto ao pai e ao irmão que está foragido nos EUA. O provável endurecimento das leis trabalhistas e da previdência, cujas reformas recentes feitas por Michel Temer e Bolsonaro foram pífias e não tiveram resultados satisfatórios para os trabalhadores e a sociedade.
Por endurecimento entendam que é possível que o candidato venha a adotar a mesma linha de conduta de seu amigo Milei na Argentina, com aumento da carga horária de oito para doze horas diárias, limite da aposentadoria em 70 anos de idade, fim do direito à greve, corte de benefícios sociais (Bolsa Família, Vale Gás, Farmácia Popular, etc.)
Afinal de contas, a candidatura do extremista de direita tem o apoio de setores do empresariado, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, Mercado Financeiro, dos ricos, além de um punhado de pequenos partidos ostras – aqueles que morrem abraçados ao casco do navio, mas não largam o poder.
Claro que, se a discussão fosse restrita a comparação de números, gestões ou propostas de governo, estaríamos tranquilos, porque o atual governo acertou, errou, porém, o fez com seriedade seu trabalho frente ao rescaldo de um país completamente desequilibrado depois de seis anos das gestões Temer e Bolsonaro. Conseguiu reequilibrar a economia, as relações exteriores, a saúde, porém, o ranço deixado pelo sucessor ainda está vivo nas ruas e nas mentes atrofiadas de eleitores que acreditam em fake news, que espalham mentiras como se fossem verdades.
Impossível ficarmos tranquilos com o resultado que poderá advir na abertura das urnas em outubro deste ano. Como confiar num eleitorado que pede intervenção militar, que deseja invasão dos EUA ao Brasil, que comemora guerras e detesta a verdade dos fatos, ignorando dados da economia e do nosso cotidiano?
Flávio Bolsonaro esconde suas verdadeiras intenções maléficas, não possui proposta alguma diante da sua campanha, quando questionado resume seu “projeto de governo” dizendo: _Vou dar continuidade ao governo do meu pai”. O mesmo que está preso por tentar junto com militares e seguidores dar um golpe na nossa democracia.
Em qualquer país sério um filho de um presidiário golpista que planejava a morte do presidente e vice eleitos, além do Ministro do Supremo não seria candidato e teria por parte do povo sua aversão completa. Mas, aqui é Brasil, terra de adoradores de pneus e de mitos fajutos que sobrevivem à custa de golpes, crimes e mentiras.




