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9 de março de 2026

Impossível acreditar no que podemos vir a viver

  

Imagem da Internet.

A divulgação das pesquisas de março/26, por mais que não acreditemos nos institutos, traz empate técnico entre o Lula e o filho do presidiário. É difícil, ou até impossível, acreditar que alguém possa dar seu voto a esse sujeito que passou a vida amealhando dinheiro através de rachadinhas em seus gabinetes e protegido das investigações da PF e MP/RJ pelo presidiário.

A única coisa que ele fez foi comprar uma mansão sem ter lastro dos seus vencimentos e com total falta de transparência. Nunca aprovou um projeto sequer em sua vida de deputado estadual e senador pelo RJ.

Talvez tenhamos mais uma eleição em que milhões de eleitores irão votar com ódio, contra o inimigo inexistente e concedendo seus votos a um pulha medíocre que, uma vez eleito, irá tirar o que resta dos benefícios dos trabalhadores e aposentados deste país.

Eu posso até entender o voto dado ao Fernando Collor em 1990, assim como os votos consagrados a Paulo Maluf em SP. Afinal, havia razões e motivos que nos faziam entender através da política aqueles movimentos do eleitorado.

Porém, isso é passado. O que estamos assistindo hoje é algo assustador. Não se trata de discordar da conduta ou do trabalho do atual presidente, mas sim de odiar aquilo que eles não sabem explicar. Porque o ódio disseminado pelos políticos de direita não tem argumentação válida e é calcado em mentiras que esse eleitorado absorve como esponjas na água.

Votam contra o quê? O comunismo? Os preços que são manipulados pelos empresários de direita? Lula em seu governo erra e acerta, porém, trabalha em prol da sociedade.

O oponente é um fantoche, um nada, sobrevivente das investigações policiais que o pai protegeu afastando delegados da PF e manipulando o MP/RJ. Um político que não tem projetos de governo, mas diz que dará continuidade a gestão desastrosa do pai.

Com certeza os que votarem nele irão levar o país para o mesmo buraco que Milei enfiou a Argentina, culminando com a reforma trabalhista que pune trabalhadores com até 12 horas diárias, aposentadorias cada vez mais impossíveis de serem obtidas e uma vida muito pior do que os brasileiros estão levando atualmente. Incompreensível essa burrice que se avizinha através das pesquisas e que podem levar o país para o caos.

Se eleito, vai tentar desesperadamente libertar o pai do presídio e da condenação de 27 anos de regime fechado. Vai tentar privatizar as grandes empresas como Petrobras. Endurecer ainda mais a vida dos trabalhadores com adendos a reforma trabalhista implantada por Temer.

Com toda certeza vai punir o povo pobre, em especial aqueles que vivem no nordeste do país. Trabalhará (sic) para proteger os ricos, os grandes latifundiários, os que destroem o meio ambiente, e terá ao seu lado os mesmos personagens medíocres que estiveram junto com seu pai, exceto os que eventualmente continuarem na prisão. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

6 de março de 2026

Gramática bélica

Na minha juventude, anos 1980, a grande guerra em curso era o conflito Irã x Iraque. O termo barril de pólvora designava o Oriente Médio e mesclava a beligerância regional - que, na verdade, era resultado dos interesses mundiais -, de base explosiva, com a medida de comercialização do petróleo, o ouro negro que move a economia global até hoje. A chamada guerra fria ia em curso, a União Soviética, o Muro de Berlim e generais brasileiros de plantão em planaltos e porões ainda existiam. Décadas se passaram e a região continua guerreando ou sendo instigada ao conflito porque o petróleo continua lá existindo. Não por menos, o livro "Petróleo, Mola do Mundo", de Peter R. Odell, publicado no Brasil pela Editora Record (1974), era uma referência para o assunto. Se a grande fonte de energia e de matéria-prima passasse a ser o esgoto doméstico, com certeza os conflitos se transfeririam para outros locais. No Brasil, por exemplo, Congresso Nacional, Palácio dos Bandeirantes, rio Tietê e Baía da Guanabara seriam os alvos mais evidentes, tanto para atentos olhares, quanto para sensíveis narizes.

A nova guerra deflagrada contra o Irã, tendo por adversários beligerantes Israel e Estados Unidos (confesso que não estou bem certo de todas as partes envolvidas até aqui, pois o mapa se amplia a cada notícia que aparece), nos propiciou também um exercício de gramática da língua portuguesa. A imprensa testou os leitores com o uso do sujeito definido, quando informou que o Irã disparou contra Israel, lá matando pessoas, e "optou" pelo sujeito indefinido, quando escreveu em suas páginas que crianças foram mortas no Irã. Interessante que em um caso pôde-se saber exatamente o agente da ação verbal, mas, em outro, os elementos de inteligência jornalística omitiram que se tratava dos mesmos EUA e Israel os sujeitos. A princípio, parecia uma pegadinha de concurso público ou pergunta de sobreviventes programas de perguntas e respostas. Estudiosos dizem que, por certo, foi um excelente exemplo de semiótica, mas não quero afirmar que houve (má) intenção por parte da imprensa, ainda mais ela que se arvora em ser isenta e plural. Abusando dessa indefinição gramatical, dizem por aí que concordar substantivos e adjetivos em relação ao número não é suficiente para ser socialmente plural.

A briga do escritor com verbos e predicados, com substantivos e adjetivos, pode ser violenta, destruidora de folhas impressas e arquivos gravados, ou mesmo causar litericídios, mas, ao que se saiba, não vitimam crianças inocentes. O autor mata um personagem, às vezes até o protagonista encontra o sono eterno, mas não é capaz de ferir a libélula que sorve água da poça d´água formada após a chuva fina em seu quintal. Se espanta moscas, é para lembrar do suor da transpiração, aquela que corresponde a 90% do esforço de criar, completada pelos 10% de inspiração. Não tem a intenção de matá-las. O distanciamento é a arma que usa para se livrar do problema, deixando adagas, sicas e outras belicosidades para outrem. E para não dizer que não falei de poesia, aquela que transgride a gramática sem propriamente assassiná-la, dois livros me chegaram hoje para deleite: "Poesia completa", de Gilka Machado, e "Galáxias", de Haroldo de Campos. Nada mais diferente poderiam ser as duas obras entre si, com dois estilos ímpares, mas não os comentarei, por enquanto. Quero sorvê-los enquanto sorvido pela beligerância mundial a satisfazer um certo doidivanas alaranjado.

Autor: Professor Adilson Roberto Gonçalves – Publicado no Blog dos Três Parágrafos.

BolsoMaster – Meu Banco, Minha Vida!

 

Em cartaz na política e nas páginas policiais, mais uma história de corrupção, lavagem de dinheiro, poder, festas com prostitutas, doação em espécie para campanhas eleitorais e manipulações políticas de toda ordem. A grande mídia, como sempre, não sabia de nada, afinal como em todas as vezes anteriores, o caso envolve apenas e tão somente a escória da direita na política nacional. Sendo assim, não interessa a Globo, Folha de S. Paulo e Estadão.

O esquema BolsoMaster começou muito antes das notícias da insolvência do Banco, ele que era a caixa forte e retaguarda oficial do bolsonarismo. Através de Daniel Vorcaro, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas orquestrou a venda da Sabesp para uma empresa indicada pelo grupo, em agradecimento pelo dinheiro doado a sua campanha em 2022.

O então presidente do Banco Central, o bolsonarista Roberto Campos Neto foi peça chave no esquema, pois segundo reportagem do jornal Valor Econômico, documentos produzidos por técnicos que posteriormente passaram a ser investigados por suposta atuação em favor do controlador do banco, Daniel Vorcaro, contribuíram para afastar a hipótese de liquidação do Master naquele momento.

Em Brasília, o governador Ibaneis segurava as pontas enquanto o Banco Regional de Brasília (BRB) se afundava junto com o Master. Os deputados bolsonaristas sabiam de tudo. Alguns como Nikolas Ferreira usufruíam de voos em jatos de Daniel Vorcaro e teve a campanha eleitoral paga pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel que era pastor da Igreja da Lagoinha, reduto santo dos bolsonaristas.

A lista dos agraciados é enorme, passa pelo fiel escudeiro de Jair Bolsonaro, seu ex-ministro Ciro Nogueira. A maior parte dos políticos de direita receberam dinheiro em forma de propina, empréstimos ou outros favores. Alguns receberam viagens em aviões a jato. O esquema era gigante e, como em tudo que a direita faz, não tem legado, apenas crimes que eles pensavam que ficariam impunes com a vitória de Bolsonaro.

Mas isso não aconteceu e em seu lugar veio o julgamento, a condenação e a prisão em regime fechado. Desde janeiro a Polícia Federal e o Ministério Público Federal avaliam que já existem indícios suficientes para a abertura de uma investigação separada. Essa nova frente apuraria suspeitas de corrupção e possível compra de apoio parlamentar no Congresso Nacional, especialmente no Senado.  

Assim como fez Sérgio Moro em Curitiba, Daniel Vorcaro também usou o método da prostituição para poder atrair políticos em orgias realizadas em Trancoso, na Bahia. Mulheres eram contratadas pela ciceronear políticos, autoridades e pessoas influentes.

Em comum com escândalos anteriores em nosso país temos duas coisas a destacar: 1ª Na corrupção sempre os políticos de direita estão atolados até o pescoço na lama e no dinheiro sujo. 2ª Como nas vezes anteriores, infelizmente a maior parte dos envolvidos não será julgada, condenada e presa em regime fechado. Muitos até irão pedir o voto em outubro e usar a tribuna da Câmara como se fossem honestos a partir de 2027. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

4 de março de 2026

A força e a fraqueza do Deus da guerra Trump e Netanyahu são a prova mais cabal do declínio do Ocidente.

 

A guerra contra o Iran, que já se tornou um conflito regional, tem uma possibilidade real de se alastrar. O ataque mostra a convergência de interesses percebidos como vitais tanto para Israelenses quanto para os americanos. Os americanos querem destruir a infraestrutura energética da China, que precisa tanto do petróleo iraniano, quanto de uma presença real na região para seus interesses globais estratégicos.

Obstruir o acesso de energia a uma potência industrial é um golpe de morte. Foi estrangulando o acesso dos japoneses ao petróleo, que os americanos conseguiram o que procuravam: a entrada dos japoneses – e depois dos americanos – em uma guerra que redefiniria a ordem global inteiramente em favor dos interesses americanos. A semelhança entre as duas situações históricas mostra o perigo real em que estamos correndo hoje em dia.

Israel, por sua vez, quer acabar de vez com o único país da região que pode lhe oferecer uma resistência seria. Com o Iran abatido, Israel teria o caminho aberto ao projeto do “grande Israel”, submetendo todo o Oriente Médio aos seus interesses.

É neste encontro de interesses real que reside o perigo. Trump e Netanyahu são a prova mais cabal do declínio do Ocidente, que mandou no mundo nos últimos 2.500 anos desde a Grécia antiga e Roma. O assim chamado Ocidente – hoje a soma do que era a OTAN e Israel – retirava seu prestígio da sua moralidade percebida e reconhecida por quase todos como superior.

Os símbolos mais visíveis desse prestígio são a democracia, a imprensa livre (sic), a ciência, o Direito e a proteção à esfera individual. Todas elas criações do Ocidente. Enquanto a Europa e os EUA podiam se apresentar como materialização deste espírito, a dominação era antes de tudo cultural, possibilitada pela percepção do resto do mundo como inferior. O poderio militar funcionava como uma última espécie de intimidação final, quando o resto tivesse falhado.

O genocídio palestino, assistido, desvirtuado e negado tanto pela Europa quanto pelos Estados Unidos, enquanto o maior genocídio do século XXI contra um povo indefeso era perpetrado aos olhos de todos, quebrou qualquer possibilidade de manter a suposta “superioridade moral do Ocidente” intacta. Tudo que antes era “orgulho civilizatório” é agora símbolo de cinismo e mentira.

É isso que explica que o uso abusivo da força militar não seja força real, mas, sim, fraqueza de um domínio baseado unicamente na força e na violência, que não convence mais ninguém que representa valores universais. Desse modo, comandado por dois criminosos contumazes, o perigo de uma guerra total é real. 

Autor: Jessé Souza - Escritor, pesquisador e professor universitário. Autor de mais de 30 livros dentre eles os best-sellers “A elite do Atraso”, “A classe média no espelho”, “A ralé brasileira” e “Como o racismo criou o Brasil”. Doutor em sociologia pela universidade Heidelberg, Alemanha, e pós doutor em filosofia e psicanálise pela New School for Social Research, Nova Iorque, EUA. Publicado no Site ICL Notícias.