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9 de outubro de 2026

Chegamos a um ponto onde as duas saídas são perigosas!

 

O resultado final do primeiro turno das eleições gerais do Brasil em 2026 reproduziu um cenário de horror, de rupturas com a legalidade, a civilidade e o desenvolvimento sustentável. Foram eleitos, entre os deputados estaduais, federais e senadores, centenas de políticos que querem destruir nossa economia, reduzir benefícios concedidos aos mais necessitados, congelar reajustes de salários e aposentadorias e pensões. Falam até em mudar a Constituição para poderem flertar com a impunidade total.

Estamos diante de uma encruzilhada em que a saída pelo lado direito leva ao caos, à fome e à destruição da democracia. Em contrapartida, a saída pelo lado esquerdo leva para uma estrada muito íngreme, cheia de turbulências, risco de desmoronamento e completa falta de apoio.

A grande mídia brasileira omitiu informações, crimes eleitorais e apoiou a direita sem pestanejar durante o tempo inteiro em seus editoriais, programas jornalísticos e suas programações tendenciosas. Agora, somente depois das urnas abertas e o resultado escancarado, eles começam a repensar o que fizeram em nome de um ódio contra a esquerda, Lula e o PT. Tarde demais, talvez.

Os cinquenta por cento dos eleitores brasileiros comprovaram que se mantêm fiéis à mediocridade de seus conhecimentos parcos adquiridos em grupos de WhatsApp, Telegram e as mensagens subliminares dos pastores confiáveis de suas igrejas. O ódio disseminado desde 2018 permanece intacto nas mentes de quem mais sofrerá se os resultados se mantiverem no segundo turno.

É o salário deles que sofrerá congelamento, não o dos pastores, empresários e patrões. É a aposentadoria deles que sofrerá perdas, e não os ganhos dos pastores e empresários bolsonaristas.

Hoje o país tem números na sua economia que fazem inveja aos nossos vizinhos da América do Sul. Produção de veículos, safra recorde de grãos, desemprego baixo, inflação sob controle. Deveria estampar os números e os preços dos produtos na porta da geladeira, porque, se o filho do presidiário confirmar sua vitória, esses números vão mudar e haverá muitas reclamações tardias e infrutíferas.

Muitos sinais foram dados ao longo dos últimos meses, mas, infelizmente, essa parcela que votou no candidato amigo do Vorcaro preferiu não acreditar, fingiu que todas as denúncias eram mentiras. Flávio fez questão de não mentir sobre como irá tratar as coisas quando tomar posse. Ato 1: Soltar o pai e os amigos que planejaram golpe de estado e assassinatos de autoridades. Ato 2. Esfolar os trabalhadores, aposentados e pensionistas. Ato 3. Cancelar benefícios e programas sociais criados e implantados por Lula. Ato 4. Mentir sobre a situação do país, dizendo que o Brasil está quebrado e que, por este motivo, tomou as medidas duras contra a população.

O roteiro e o script são os mesmos de outros governos desastrosos de extrema direita. Enquanto a sociedade e a mídia estiverem voltadas para estes cortes e atos insanos, os deputados e senadores de direita estarão colocando em prática o orçamento secreto que tanto amam.

Tenham consciência de que elegeram os piores nomes possíveis para governar a maior parte dos estados, para fazer parte dos legislativos estaduais e do Congresso Nacional. Não foi por falta de aviso; vocês fingiram não ver.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Algumas informações sobre as questões da segurança pública!

Muitas pessoas já esqueceram quando foi que o Brasil entregou o seu último presídio de segurança máxima. Pois acreditem que a última unidade prisional de segurança máxima do Brasil foi concluída em 2018, localizada em Brasília (DF).

Antes dessa unidade, tivemos as inaugurações do Presídio de Mossoró - RN, inaugurado em 3 de julho de 2009. Unidade de Campo Grande - MS: inaugurada em 21 de dezembro de 2006, e a Unidade de Catanduvas - PR: inaugurada em 23 de junho de 2006.

Nota: Estados e municípios também constroem e inauguram presídios estaduais e centros de detenção provisória de forma contínua, mas as cinco penitenciárias federais de segurança máxima formam esse grupo nacional específico gerido pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) - Senappen.

Durante os dois últimos governos, nenhuma unidade prisional federal de segurança máxima foi construída e entregue ao sistema penitenciário nacional. Com o agravante de que o país registra 964.668 pessoas privadas de liberdade, de acordo com os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Crescimento: Houve um aumento de 5,6% em relação ao levantamento anterior, mantendo a projeção de que o país atinja a marca de 1 milhão de presos em 2027.

O Brasil detém a 3.ª maior população carcerária do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Perfil predominante: A grande maioria da população prisional é composta por homens (cerca de 94,5%), jovens de até 34 anos e pessoas negras.

O dado mais preocupante é que temos aproximadamente 305 mil foragidos da justiça que possuem mandado de prisão em aberto e ainda não foram localizados/presos. O dado oficial mais próximo é o do BNMP 3.0, administrado pelo CNJ.

Onde a Justiça e o sistema penitenciário colocariam esse contingente de 305 mil procurados caso eles fossem presos? Porque nestes oito anos o sistema penitenciário não foi remodelado? Ampliado? Substituindo estruturas antigas por prisões modernas com condições adequadas para que os presos pudessem trabalhar/estudar?

Na campanha eleitoral em curso em 2026, nenhum político brasileiro tocou nesse assunto ao menos uma vez. No estado mais rico da nação – São Paulo, nos últimos anos apenas um Centro Provisório de Detenção – CDP foi inaugurado. CDP de Aguai — 12 de agosto de 2023 — 823 vagas.

Esse panorama se repete nos demais estados da nação, com raras exceções. Os políticos brasileiros não se preocupam com a segurança pública. Tanto é verdade que os efetivos das polícias civil e militar sofrem desmonte constante com a consequente redução dos seus efetivos. Policiamento insuficiente + falta de presídios = insegurança da sociedade nas ruas.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

7 de outubro de 2026

A perda de legitimidade e o fim da mídia, por Luís Nassif

Imagem gerada por ChatGPT.
 

A imprensa perde sua razão pública quando ocorre o desequilíbrio final entre a voz do dono e a necessidade de legitimação perante a sociedade. Os jornais começaram a perder sua centralidade com o aparecimento da blogosfera e dos novos modelos de negócio. Mas a crise não foi apenas tecnológica ou financeira. Foi também uma crise de compreensão sobre seu leitor e, mais profundamente, da própria função do jornalismo.

A notícia mudou de ritmo. Os jornais não mudaram de função

No fim dos anos 1990, escrevi sobre a nova lógica da notícia. Até então, o ciclo de atualização dos jornais era predominantemente diário. As revistas semanais selecionavam os acontecimentos mais relevantes — segundo seus próprios critérios — e os reorganizavam, oferecendo contexto e interpretação, sempre embalados em determinada visão de mundo.

Os jornais também funcionavam como comunidades: reuniam interesses na sua organização em editorias, abrigando leitores interessados no tema política, internacional, esportes, cultura. E, em alguns casos, ofereciam até uma variedade de opiniões nas colunas, atraindo público de diversas orientações políticas. Com a internet e a ampliação do jornalismo no rádio, a atualização passou a ocorrer de hora em hora, até chegar ao fluxo contínuo. Caberia aos jornais assumir parte da função que as revistas semanais exerciam no modelo anterior: selecionar os temas decisivos do dia, contextualizá-los, investigar suas causas e acrescentar informações que o noticiário imediato ainda não oferecia. 

Não bastava repetir, na manhã seguinte, aquilo que o leitor já sabia. Era necessário explicar o que ele ainda não compreendia. Os veículos, porém, escolheram disputar velocidade com a internet sem ter sua flexibilidade e, inicialmente, sem explorar sequer as possibilidades dos links. A resposta foi encurtar matérias, multiplicar títulos chamativos e reduzir a densidade da informação. Confundiram concisão com superficialidade e foram atrás da atenção momentânea em vez de perseguir o vínculo duradouro.

Credibilidade e construção de reputações

O grande desafio sempre foi entender quem é o leitor e por que ele deveria confiar no jornal.

Um dos maiores negócios da mídia é construir ou destruir reputações. Mas esse poder depende de uma credibilidade acumulada pelo trabalho dos jornalistas. Reside aí um conflito intemporal – o interesse da casa e a credibilidade jornalística – que, quando não resolvido, destrói o veículo. Ao diretor de redação cabe uma tarefa delicada: responder às demandas da empresa, proteger o trabalho dos jornalistas e preservar a confiança do público. É uma espécie de algodão entre cristais, colocado entre interesses comerciais, pressões políticas e critérios profissionais.

O problema começa quando a qualidade da apuração é usada para conferir aparência de neutralidade a escolhas editoriais orientadas por interesses pouco transparentes.

Objetividade jornalística deveria significar método: conferir documentos, ouvir os envolvidos, distinguir fatos de interpretações, corrigir erros e aplicar critérios consistentes a aliados e adversários. Só depois disso, naquilo que interessa à casa, adaptar conclusões aos seus interesses.

Quando a preferência política substitui o critério jornalístico

Parte do anti lulismo dos grandes veículos não se explica apenas por divergências ideológicas. Tem relação com interesses econômicos concretos, entre eles a preferência por um ajuste fiscal concentrado nas despesas sociais, garantindo espaço para o custo dos juros e os ganhos associados à Selic. Com a disseminação de FIDCs e de precatórios, formou-se uma enorme pirâmide financeira no mercado, sustentada pelos recursos do crime organizado, que garantiram a liquidez adicional necessária à manutenção do jogo.

E aí entra o fator Lula. De um lado, recusa-se a fazer o ajuste fiscal via gastos sociais – embora não tenha definido uma estratégia contra a Selic alta -, de outro passou a investir contra o crime organizado na Faria Lima. Ou seja, prejudicando o mercado nas duas pontas. São esses os interesses claros para atacar Lula. Mas como justificar o apoio a Flávio Bolsonaro e sua extravagante e ampla relação com o crime organizado? Recorreu-se, então, aos estratagemas mais canhestros.

A cobertura das conversas envolvendo Fábio Luís e uma lobista, contraposta ao tratamento dado às denúncias sobre Flávio Bolsonaro, às suas relações com pessoas apontadas como ligadas a milícias e às questões envolvendo o caso Master, mostra o recurso à falsa equivalência levado até o limite de total imprudência jornalística.

Criticar o Supremo não é desmontar a democracia

O ponto mais grave surgiu quando a crítica a ministros do Supremo se converteu em campanha de deslegitimação da instituição. O STF não está acima da fiscalização. Seus integrantes devem responder por seus atos, suas decisões e eventuais conflitos de interesse. Apurar irregularidades fortalece a democracia.

Mas existe uma diferença entre exigir responsabilidade de um ministro e trabalhar para eliminar a independência do tribunal. O critério é simples: a crítica pretende aperfeiçoar os controles ou tornar seus integrantes submissos a um projeto político? Essa ofensiva surge em um momento delicado, em que há ameaça concreta à soberania do país. Há um ciclone mundial, um combate sem quartel das big techs e dos grandes fundos financeiros, para desmontar o conceito de Nação.

Desde o fim da Segunda Guerra, direitos sociais, regras de comércio, avanços ambientais se deram em torno de regulamentos, acordos políticos, pactos entre nações. A ultra financeirização levou à grande crise de 2008 e, com ela, o fim da grande articulação do capital financeiro, em cima da sincronização de políticas monetárias e cambiais entre países. 

Ao mesmo tempo, a criação de criptomoedas e a integração digital entre mercados fez com que o dinheiro do crime organizado saísse de paraísos fiscais e se infiltrasse por todos os poros da economia global. Com a era Trump, a desregulação tornou-se a bandeira principal da geopolítica até chegar ao alvo final da regulamentação: os Estados nacionais. O grande plano em marcha é o desmanche gradual dos Estados nacionais e a subordinação geral do Ocidente ao modelo de negócios do mercado e das big techs, um grande banquete liderado por familiares de Donald Trump.

Num cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, acompanhado de maiorias parlamentares alinhadas a um projeto de concentração de poder, essa subordinação seria ampla. Restaria uma área de resistência, o Supremo Tribunal Federal, justamente o alvo maior do tiroteio da mídia. Consumado esse modelo, a mídia terá exercido papel central na sua consolidação. E – Tenham certeza – será a primeira vítima dessa nova forma de ditadura ampliada.

O fim de qual mídia?

É nesse ponto que a crise dos jornais deixa de ser apenas uma discussão sobre circulação, publicidade e modelos de negócio.

A imprensa perde sua razão pública quando ocorre o desequilíbrio final entre a voz do dono e a necessidade de legitimação perante a sociedade. O fim da mídia, nesse sentido, não ocorre apenas quando um jornal fecha as portas. Ocorre quando ele continua circulando, mas abandona o compromisso que justificava sua existência: oferecer ao cidadão informação confiável para que ele possa compreender o mundo e decidir livremente sobre seu destino. 

Autor: Luis Nassif – Publicado no Site GGN Notícias.