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10 de fevereiro de 2026

A justificativa de um deputado fascista contra concessão do vale gás!

 

Após a aprovação na Câmara dos deputados do benefício concedido pelo governo brasileiro aos mais necessitados, o Vale Gás, o deputado mineiro do PL/MG, Nikolas Ferreira começou a disparar contra o benefício, dizendo entre outras coisas que essas pessoas pobres deveriam trabalhar para pagar o seu gás de cozinha.

Sorrindo, o fascista critica o governo sem apresentar nenhuma alternativa que não seja o famoso bordão do deputado criado por Chico Anísio – Justo Veríssimo – “O povo que se exploda”. Assim pensa Nikolas Ferreira.

O valor do Vale Gás (Auxílio Gás dos Brasileiros) não é fixo. Ele é calculado com base no preço médio do botijão de gás de cozinha de 13 kg e pode variar a cada ciclo de repasse.No novo formato, até dezembro de 2025, o benefício estava sendo pago na forma de voucher para compra do gás, com valores que variam por estado — porque o preço do gás é diferente conforme a região. Em São Paulo: cerca de R$ 96,51 por botijão de 13 kg.

A hipocrisia e safadeza não tem tamanho na fala de quem como deputado federal recebe remuneração bruta mensal de R$ 46.366,19.

Além do salário, os deputados têm direito a várias verbas e benefícios que aumentam o custo total do cargo, por exemplo:

·        Verba de gabinete: cerca de R$ 125.478,70 por mês para pagar salários de até 25 assessores e outros custos do mandato.

·        Cota parlamentar: verba para despesas essenciais da atividade (passagens, combustível, aluguel de escritório etc.), cujo valor varia conforme o estado e pode somar dezenas de milhares por mês.

·        Auxílio-moradia: cerca de R$ 4.253,00 por mês para quem não usa imóvel funcional em Brasília.

·        Diárias de viagem e outras indenizações: quando o deputado precisa viajar em missão oficial.

Somando salário + verbas de gabinete + cota + outros benefícios, o custo total mensal de um deputado federal para os cofres públicos pode chegar a cerca de R$ 270 mil ou mais — dependendo de como as verbas são usadas.

Com todas essas mordomias e salário de Marajá, esse deputado vem a público questionar um benefício concedido para quem não tem condições de arcar com os custos de um botijão de gás, esquecendo-se ou fingindo se esquecer que essas pessoas não tem em sua maioria moradia decente, alimento no prato, emprego, saúde e nem condições para estudar e levar uma vida digna.

Ele faz parte da bancada bolsonarista nazifascista que durante o governo Bolsonaro cortou verbas públicas de auxílios, educação, saúde, programas de vacinação e congelou salários. Enquanto ajudava pastores milionários, banqueiros e empresários com inúmeras concessões e gratuidades às custas dos nossos impostos.

Ele faz parte da corja que protege os ricos, que é contra o aumento dos impostos para os milionários e empresas de apostas – Bets. Esse sujeito votou contra redução de impostos da cesta básica, contra a isenção de IRPF para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Ele vota sistematicamente contra tudo que o governo Lula proponha a favor do povo.

Entre seus amigos e financiadores de campanha estavam o pessoal do Banco Master, o cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, preso quando tentava fugir do Brasil. Ele, que é empresário em vários setores — incluindo investimentos em academias de luxo, marcas de açaí e como fundador/CEO de um fundo de private equity — além de ser pastor da Igreja Bola de Neve / Lagoinha.

Porém, o único problema para o deputado é o Vale Gás... 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

9 de fevereiro de 2026

O que o Brasil menos precisa é de novos partidos políticos!

                          

Espaço Vital - Cartum Cícero.

O surgimento de mais um partido num cenário saturado com mais de 30 agremiações partidárias é um absurdo. O novo velho partido é o Missão, oriundo dos moleques do MBL, aqueles que invadiam universidades e hospitais em busca de imagens para poderem lacrar enquanto distorciam a verdade.

Estiveram ao lado da extrema-direita bolsonarista em 2018 e 2022. Depois da tentativa de golpe de Estado e dos casos de roubos de joias e outros escândalos, pularam fora da barca resolveram agir por conta própria criando um partido de extrema-direita. Mais um credor para o fundo partidário bilionário.

Ficou fácil, pois agora criticam o PT, PSOL na esquerda e os partidos de direita convencionais. Ninguém presta na ótica deles e só o que eles falam é a luz da verdade. Acontece que não possuem legado, nunca fizeram nada de útil a sociedade brasileira, portanto, não tem como comparar com algo dentro do já combalido cenário político nacional.

O Missão é mais do mesmo neste cenário exaurido em que os políticos criticam tudo e não fazem nada para mudar o que está errado. Nossa política precisa de uma reforma que acabe com o excessivo número de partidos, com as regalias recebidas pelos políticos, pelo número exagerado de vereadores, deputados estaduais e federais, pelo fim da concessão e auxílios infindos imorais que solapam nossos impostos.

O novo grupamento vai na contramão e a única coisa que pleiteiam é pena de morte para criminosos. Surgem com o surrado slogan “Bandido bom é bandido morto”. Um tanto quanto fascista e imoral, visto que bandido milionário que dá golpes em grande lojas e bancos não estão inclusos neste slogan.

Suas principais propostas são:

Segurança Pública: Defende o endurecimento de penas, o combate frontal ao narcoterrorismo e inspira-se em modelos como o de Nayib Bukele (El Salvador).

Economia: Segue uma linha liberal, mas com pitadas de desenvolvimentismo focado em infraestrutura e industrialização regional (como no Nordeste).

Valores: Defesa dos valores judaico-cristãos e da cultura clássica, mas com foco em um "projeto de nação" e ruptura geracional (focado nas gerações Millennial e Z).

Após o registro do partido Missão, outras 23 legendas tentam sair do papel no Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Atualmente, o País conta com 30 partidos políticos regularmente registrados na Justiça Eleitoral.

Pela Lei dos Partidos Políticos, é livre a criação de legendas, desde que seus programas respeitem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana. A legislação também assegura autonomia para a definição de estrutura interna, organização e funcionamento das siglas.

Infelizmente, isso mostra que assim como existem igrejas em milhares de fundos de quintais, em busca de enriquecimento às custas da isenção de impostos, políticos de diversos grupamentos querem desfrutar do fundo eleitoral brasileiro e dos altos salários e benefícios a disposição dos políticos no país.

 

                                         Imagem: Chargeonline.com.br

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Brasil: a longa duração da impunidade.

  

“O jantar” de uma família no Rio de Janeiro do século XIX. Pintura (aquarela) do artista francês Jean-Baptiste Debret, 1830. Domínio Público. 

Este é o Brasil. Uma história de horror. Uma nação cuja história foi meticulosamente montada tendo a impunidade como linha mestra, como razão de ser.

Impunidade. A palavra, em sua fria etimologia, deriva do latim impunitas, a junção do prefixo negativo in- com punitas, o castigo. Significa, em sua essência, a ausência de punição. No entanto, ao longo da história, e de forma particularmente visceral na trajetória brasileira, seu significado transcendeu a mera definição dicionarizada. A impunidade deixou de ser um desvio ou uma falha no sistema de justiça para se tornar o próprio sistema, a argamassa que une os tijolos de uma nação erguida sobre a violação e a ausência de reparação.

Para compreender a profundidade dessa estrutura, é preciso retornar ao marco zero, ao momento em que o Brasil se forja como Estado Nacional. A nação não nasce de um grito de liberdade, mas de um pacto de sequestradores. Após a proibição do tráfico de escravizados em 1831, uma lei solenemente ignorada, a elite luso-brasileira orquestrou o sequestro e a deportação de mais de 750 mil africanos livres. Este ato, um crime de lesa-humanidade perpetuado em escala industrial, não foi um acidente de percurso, mas a pedra fundamental sobre a qual a economia e a sociedade do Império se consolidaram. O Brasil independente surge, portanto, não apenas como uma nação que continua a escravizar africanos, mas a nação que escraviza como sua razão de ser. A maior nação escravocrata do planeta. Dos 11 milhões de escravizados ao longo de mais de três séculos, 5 milhões vieram acorrentados para o Brasil. Mais de 2 milhões entraram pelo Cais do Valongo, no Rio de Janeiro. Um crime continuado, garantido pela impunidade de seus perpetradores.

Décadas e décadas depois, diante de uma abolição “lenta, gradual e segura” – controlada pela elite da “Política da Escravidão” -, em 13 de maio de 1888 a Lei Áurea decreta o fim do cativeiro. Mais de 700 mil homens, mulheres e crianças são declarados libertos. Contudo, a liberdade que lhes foi outorgada era uma liberdade desprovida de qualquer forma de indenização ou reparação pelos séculos de trabalho forçado, tortura e desumanização. A terra, o poder e o capital permaneceram nas mãos da mesma elite que os escravizou. Aos recém-libertos, restou a marginalização, a miséria e a contínua subjugação sob novas formas. A abolição – resultado sim da brava luta dos abolicionistas -, foi celebrada pela história oficial como um ato de benevolência da Princesa Isabel. Contudo, foi – na prática -, a mais cabal demonstração da continuidade do poder escravocrata, que se isentou de qualquer responsabilidade pelo crime que cometera, legando aos ex escravizados o ônus de construir uma vida em meio aos escombros de sua própria exploração.

Este é o Brasil. Uma história de horror. Uma nação cuja história foi meticulosamente montada tendo a impunidade como linha mestra, como razão de ser, como a garantia tácita de que os “escravocratas” de ontem e de hoje possam continuar a nos massacrar. A ausência de punição pelo sequestro em massa que fundou o país e a falta de reparação pela exploração de milhões de vidas humanas criaram um precedente perverso. A mensagem que ecoa através dos séculos é evidente: no Brasil, o poder confere o direito de violar, de explorar e de matar, sem que haja consequências. A estrutura que permitiu a um senhor de escravos, um  barão do café acumular fortuna com o suor e o sangue de centenas de escravizados é a mesma que hoje permite que violências de todo tipo sejam perpetradas contra pretos, pardos e indígenas em todo o vasto território nacional.

E é por isso que, no Brasil contemporâneo, a cena de horror continua num eterno retorno, com uma regularidade assombrosa. Ora, é por isso que existem tantos “Vorcaros” ostentando suas riquezas e seu poder, símbolos de uma elite que se sente intocável, acima da lei e da moral. E existem tantos “orelhas” apanhando, corpos anônimos e descartáveis que carregam nas costas o peso de uma dívida histórica que nunca foi paga. A impunidade, portanto, não é apenas uma questão jurídica; é a gramática da nossa desigualdade, a sintaxe da nossa violência. É a estrutura que garante que, enquanto a casa grande celebrar suas vitórias – e ela não cessa de comemorar -, o povo continuará a sangrar diante de vampiros sedentos, que sugam diariamente a sua força vital. 

Autor: Lindener Pareto Jr. - Professor, Historiador, Comunicador. Mestre e Doutor pela USP. Curador Acadêmico no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Apresentador do “Provocação Histórica", programa semanal de divulgação de História, Cultura e Arte nos canais do ICL. Autor de "Crônico e Anacrônico: escritos de um operário do tempo", pela editora Autonomia Literária (2025). Publicado no Site ICL Notícias.