Seguidores

10 de dezembro de 2018

A inovação tecnológica que não chega a nossa indústria!

Os problemas nunca vão desaparecer
mesmo na mais bela existência.
Problemas existem para serem resolvidos,
e não para perturbar-nos. Augusto Cury

Persiste no país a manutenção de um esqueleto legal e institucional muito frágil quando falamos das nossas atividades produtivas. Uma estrutura que não tem capacidade para superar de forma eficiente as muitas peculiaridades que norteiam o campo da propriedade intelectual. Boa parte destas dificuldades se originam do fato de o país não utilizar um marco regulatório correto.
Segundo a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) publicada pelo IBGE, entre os problemas e dificuldades de alta relevância, estão os elevados custos para implantação de inovações, os riscos econômicos e a escassez de fontes de financiamento. O custo do dinheiro no Brasil ainda é muito alto e às vezes inviável para certas operações em grandes empresas.
Apesar dos custos elevados para inovação, temos de ressaltar que o país avançou, com destaque para os fundos setoriais, a equalização das taxas de juros do Fundo Verde Amarelo (2002), a Lei da Inovação (2004) e a Lei do Bem (2005).
Outro problema são os riscos econômicos, que envolvem a nossa conjuntura econômica instável quanto às atividades produtivas inovadoras, que normalmente demandam pesados investimentos. Porém, é preciso ter confiança na política governamental, algo que está muito difícil em nosso sistema político vigente.
A confiança é palavra chave quando se trata de investimento industrial, ela escasseia em regimes de governo que prometem o que não podem cumprir ou que concedem benefícios sem ter lastro para suportá-los financeiramente.
O terceiro aspecto que é a escassez de fontes de financiamento de longo prazo, num país de mercado de capitais pequeno, essa situação não chega a ser novidade para os empresários. A maioria das empresas acaba recorrendo a usar recursos próprios, uma vez que o crédito privado é escasso e caro.
Nosso sistema educacional continua sendo outro agravante para a inovação, apesar do crescimento da participação no ensino superior, persiste o problema da baixa qualidade do ensino no Brasil.
Neste sentido, na relação entre inovação e formação científica e gerencial, preocupa o perfil daqueles que saem das instituições de ensino superior, pois a grande maioria ainda é egressa de humanas, deixando carente daqueles que são advindos da engenharia e ciências exatas em geral, as chamadas Hard sciences.
O caminho é longo, sinuoso e repleto de interdependência do sistema política brasileiro, hora saindo do domínio petista e caminhando para quatro anos ao menos de um governo mais a direita no aspecto ideológico. Resta saber se haverá um esforço e aplicação de um Projeto Político que contemple a inovação do parque industrial nacional. Resta esperar, porém, o tempo urge.


Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Gestor Público

8 de dezembro de 2018

A nova velha política de novo?

Aquele que diz uma mentira não
sabe a tarefa que assumiu, porque está
obrigado a inventar vinte vezes mais
para sustentar a certeza da primeira"
Pope

Finda as eleições, o novo presidente eleito começa a trabalhar na transição do governo atual de Michel Temer – MDB, para estar preparado para assumir em janeiro de 2019, sem ter maiores surpresas dentro da administração federal. Outra preocupação do futuro presidente é escolher sua futura equipe, seus auxiliares diretos, ministros, secretários, presidentes de estatais e demais órgãos federais.
Até o momento, estas duas atividades estão sendo realizadas normalmente, em que pese o discurso de que haverá redução de ministérios não estar batendo com as indicações e informações disponíveis. Ou seja, reduzir ministérios não é juntar três pastas dentro de uma nova a ser criada. Reduzir significa fechar pastas e órgãos federais que se julguem supérfluos a luz da economia que se pretende realizar.
No governo Sarney havia 24 ministérios, Collor reduziu para 14 em sua curta gestão. Itamar dobrou este número para 28 pastas. Lula teve em média 33 ministérios e Dilma 39. O novo presidente diz à imprensa que pretende reduzir os ministérios, porém, ao mesmo tempo sinaliza que vai criar o Ministério da Família para poder contemplar o amigo fiel Magno Malta.
E quem é Fabrício José Carlos de Queiroz? O que ele tem a ver com o novo governo? Seu nome surgiu numa investigação do COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, onde foram apontadas movimentações financeiras suspeitas no valor de um milhão e duzentos mil reais. Esse valor inclui saques, transferências, créditos em suas contas, entre outras operações.Ele era ex-assessor parlamentar e motorista do Senador eleito Flávio Bolsonaro, além de amigo da família com quem convive há muito tempo.
Boa parte das movimentações financeiras em que a outra parte é identificada se refere a transações com membros do próprio gabinete de Flávio Bolsonaro. Sete nomes que constam do relatório fizeram parte da equipe do deputado estadual. Três são parentes de Queiroz. Estão na lista Márcia Oliveira de Aguiar (mulher), Nathalia Melo de Queiroz e Evelyn Melo de Queiroz (filhas). Todas também integraram em algum momento o gabinete de Flávio Bolsonaro.
Ex-Assessor pescando com Jair.
Enquanto isso o futuro chefe da casa civil Onyx Lorenzone se vê as voltas com explicações sobre o recebimento de propina que se transformaram em Caixa 2, já confessadas pelo próprio Onyx, oriundas da JBS. Ele inclusive se irritou numa entrevista coletiva abandonando-a por conta das insistentes perguntas dos jornalistas. 
Ainda segundo a investigação da COAF e seus desdobramentos, parte dela, da Lava Jato que prendeu deputados estaduais cariocas, R$ 24 mil desse montante foram destinados à atual esposa do presidente eleito, Michelle Bolsonaro. O caso foi revelado pelo repórter Fábio Serapião, do jornal O Estado de S. Paulo. Jair Bolsonaro afirmou, nesta sexta, que o valor se refere a uma dívida pessoal que o ex-assessor e policial, Fabrício José de Queiroz, tinha com ele.
Em meio a essas denúncias em SP, à deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), trocou farpas pontiagudas e acusações com o também eleito Deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ). A briga acabou envolvendo o também eleito Major Olimpio (PSL-SP) e a troca de ofensa entre o Major e a deputada acabou vazando no WhatsApp, o que deixou ainda mais nervosos os envolvidos.
Para completar a confusão a afilhada de Magno Malta, sua ex-assessora Damares Alves recém-nomeada para ser a nova Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, além de ter a FUNAI sob suas asas no ministério novo a ser formado tem suas afirmações expostas na internet sobre seus posicionamentos ortodoxos a respeito da mulher, família e da comunidade indígena.
A simples menção de que a FUNAI ficaria sob o controle do Ministério de Damares, causou indignação imediata dos servidores da FUNAI. Ela é vista por eles como uma missionária com atuação religiosa em aldeias indígenas.
A futura ministra é fundadora da instituição e Movimento Atini - Voz Pela Vida, uma organização que se apresenta com a missão de “promover a conscientização e a sensibilização da sociedade sobre a questão do infanticídio de crianças indígenas”.
Em 2015, o Ministério Público Federal no Distrito Federal entrou com uma ação contra a Atini por “dano moral coletivo decorrente de suas manifestações de caráter discriminatório à comunidade indígena”, em função da divulgação de um filme sobre infanticídio indígena feito pela organização. Os procuradores pedem que a ONG seja condenada a pagar R$ 1 milhão.
Pois é, justamente essa pessoa sem aparente equilíbrio emocional a indicada por Magno Malta para a escolha de Jair Bolsonaro, para ocupar um Ministério que terá decisões envolvendo Família, Mulher, Direitos Humanos e a comunidade Indígena... Se queria fortes emoções acertou em cheio, caso contrário, irá se arrepender em breve.
Nem bem tomou posse e o novo governo comandado pelo velho deputado já está à volta com assuntos altamente indigestos como Caixa 2, investigações da COAF, escândalos envolvendo filhos, brigas entre partidários do seu partido. Tomará que tudo seja resolvido e nada mais apareça antes, durante ou depois da posse.Afinal, a promessa e as mensagens de Fake News diziam outras coisas para os incautos eleitores durante a campanha.

Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Gestor Público

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/07/politica/1544221154_543473.html 

7 de dezembro de 2018

Irmãos em livros!

Quanto mais aprendemos, mais queremos ir às livrarias.
Livraria da Travessa, em Ipanema, no Rio - Reprodução Facebook           
           Outro dia, num táxi, o motorista me disse que “gostava de ler” e comprava “muitos livros”. Dei-lhe parabéns e perguntei qual era sua livraria favorita. Respondeu que “gostava de todas”, mas, de há alguns anos, só comprava livros pela internet. Ah, sim? Comentei que também gostava de todos os táxis, mas, a partir dali, passaria a andar só de Uber. Ele diminuiu a marcha, como se processasse a informação. Virou-se para mim e disse: “Entendi. O senhor tem razão”.
  Tenho amigos que não leem e não frequentam livrarias. Não são pessoas primitivas ou despreparadas apenas não têm a bênção de conviver com as palavras. Posso muito bem entendê-las porque também não tenho o menor interesse por automóveis, pela alta cozinha ou pelo mundo digital nunca dirigi um carro, acho que qualquer prato melhora com um ovo frito por cima e, quando me mostram alguma coisa num smartphone, vou de dedão sem querer e mando a imagem para o espaço. Nada disso me faz falta, assim como o livro e a livraria a eles.
   No entanto, quando entro numa livraria, pergunto-me que outro lugar pode ser tão fascinante. São milhares de livros à vista, cada qual com um título, um design, uma personalidade. São romances, biografias, ensaios, poesia, livros de história, de fotos, de autoajuda, infantis, o que você quiser. O que se despendeu de esforço intelectual para produzi-los e em tal variedade é impossível de quantificar. Cada livro, bom ou mau, medíocre ou brilhante, exigiu o melhor que cada autor conseguiu dar.
   Uma livraria é um lugar de congraçamento. Todos ali somos irmãos na busca de algum tipo de conhecimento. E, como este é infinito, não nos faltarão irmãos para congraçar. Aliás, quanto mais se aprende, mais se vai às livrarias. 
   Lá dentro, ninguém nos obriga a comprar um livro. Mas os livros parecem saber quem somos e, inevitavelmente, um deles salta da pilha para as nossas mãos.

Autor: Ruy Castro
Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues. Texto publicado na Folha de SP.

6 de dezembro de 2018

Nada cai do céu quando tratamos de gestão pública!

“Há os que lutam uma vez e são importantes.
Os que lutam muitas vezes e são fundamentais.
E há os que lutam sempre, esses são imprescindíveis”.
Brecht
Uma gestão pífia é aquela que não consegue governar exercendo sua liderança calcada na verdade, enfrentando com transparência todas as dúvidas para poder convencer a sociedade daquilo que está sendo proposto ou realizado.
No Brasil os gastos públicos aumentam a cada ano, independente da política econômica adotada. Somente o Poder Judiciário sozinho quadruplicou seus gastos com folha de pagamento nas últimas duas décadas.
Estas despesas realizadas de forma incorreta são na verdade uma das fontes da estagnação da nossa economia, das injustiças sociais e da corrupção. Claro que não podemos nos esquecer das irmãs gêmeas: ineficiência + desperdício, que juntas despejam bilhões no ralo e nos deixam cada ano mais longe do desenvolvimento sustentável e de uma economia em crescimento.
Os exemplos neste sentido são vários e podem ilustrar a gravidade desta situação:
  Ø O escoamento da nossa safra agrícola tem um dos maiores desperdícios do mundo e são realizados por nossas rodovias muitas vezes sem asfalto. O sistema ferroviário é uma lenda antiga e não serve para nada assim como nosso incipiente sistema hidroviário. Somos o único país com extensão territorial e hidrografia que não sabe ou não quer se utilizar de ferrovias e embarcações fluviais;
  Ø As fontes de energia alternativas embora tenham sido construídas em bom número como, por exemplo, a eólica, não podem operar cem por cento por falta de conexão entre a fonte e a rede elétrica. Se estivessem em plena operação, estes sistemas poderiam auxiliar a iluminar milhões de residências. Ao invés disso temos o sistema de bandeira amarela, verde e vermelha para nos indicar quase sempre o aumento da conta de energia;
  Ø Quanto desperdício tivemos com os empréstimos a fundo perdidos realizados pelo BNDES a outros países sem que tivéssemos ao menos a garantia de retorno do investimento e de obras que gerassem empregos diretos aos nossos trabalhadores; 
  Ø A Petrobrás perdeu bilhões com o seu departamento de propinas que era uma operação virtual dentro da estrutura da empresa. Perdeu em valores de ações, perdeu negócios e principalmente, perdeu credibilidade que agora tenta recuperar a custa de gastos com publicidade massiva na mídia.
Se somarmos aos casos de má gestão do INSS, CEF, etc., teremos um rombo cada vez maior nas contas públicas, sem contar a folha de pagamento que cresce assustadoramente nos três poderes. Não há controle, discernimento e esforço no sentido de gerir com probidade os recursos que são oriundos dos nossos impostos.
Nesta situação desastrosa, não podemos admitir que os nossos governantes queiram dar ao povo benefícios sem ter recursos e condições para poder suportar financeira e economicamente. Não existe governo grátis, mas sim, governos que promovem políticas sociais e econômicas com diretrizes claras e baseadas em fontes de renda que suportem o aplique dos recursos investidos. Que possuam contra partidas para estes investimentos a serem realizados, quer seja no campo social como no econômico.
Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Gestor Público

2 de dezembro de 2018

Não existem limites para as mordomias no Congresso Nacional!

Não existe um governo corrupto numa Nação ética,
nem há uma Nação corrupta onde exista um governo
ético e transparente” Leandro Karnal.
 
Nos últimos meses a sociedade brasileira tem discutido muito a questão da obscenidade do pagamento para membros da alta corte do Judiciário do Auxilio Moradia, benefício que se estende ao Poder Legislativo mesmo para quem possua residência no mesmo município ou no Distrito Federal.
O assunto veio novamente à tona quando Michel Temer autorizou o pagamento do absurdo aumento salarial auto-concedido pelos membros do STF em 16,3% sobre seus vencimentos. Formando um efeito cascata devastador para a combalida folha de pagamento do poder público.
Entretanto, existe outro benefício ainda mais ignóbil e sem sentido que é o Auxílio Mudança. Pago no começo do mandato dos parlamentares (Deputados Federais e Senadores) e ao final do mandato, caso os manganões não se reelejam. O valor corresponde a um salário bruto, sem descontos de qualquer natureza, que hoje equivale a R$ 33.700,00 (Trinta e três mil e setecentos reais).
Em 2019 quando tomarem posse, 298 parlamentares reeleitos em outubro irão receber esta bolada. Vale ressaltar que mesmo aqueles que estão vivendo no DF, e que se reelegeram, também recebem a mordomia, como se precisassem fazer nova mudança a cada novo mandato. Mais espúrio e indecente impossível! A farra da mudança deixará os cofres mais vazios em cerca de R$ 20 milhões.
Ele deverá ser pago em dobro aos oito senadores e 270 deputados reconduzidos ao cargo, além dos quatro senadores que vão para Câmara e dos 16 deputados que fazem o caminho inverso. Alguns, no entanto, já anunciaram que vão rejeitar o recurso, como é o caso do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ele protocolou um requerimento de dispensa de recebimento.
Em ambas as Casas, o “penduricalho” está previsto em um decreto de 2014. Os textos não trazem qualquer restrição para deputados e senadores reeleitos receberem duas vezes a ajuda de custo, uma ao deixar o antigo mandato e outra ao assumir o novo. Com isso, os parlamentares que retornam ao Congresso podem levar cada um, um total de R$ 67.526 no início do próximo ano, além do salário e demais auxílios já concedidos, como o auxílio-moradia.
No Senado, ao todo, 54 senadores vão receber o benefício ao final desta legislatura, em 31 de janeiro de 2019, independentemente de terem ou não sido reeleitos para novo mandato. O valor total a ser pago será de aproximadamente R$ 3,6 milhões, sendo que metade (R$ 1,82 milhão) será desembolsada em razão do término dos mandatos e a outra, em função do início do mandato do mesmo número de senadores.
Ao menos três vão abrir mão do benefício. Além de Randolfe, também será o caso do senador José Reguffe (Sem Partido-DF) e do Eduardo Braga (MDB-AM). “Eu fiquei surpreso quando soube desse auxílio. Eu acho que, com a remuneração que se tem, qualquer tipo de benefício desse não se justifica. Não tem lógica”, afirmou Randolfe.
A reportagem procurou os oito senadores reeleitos, mas nem todos responderam se pretendem abrir mão dessa ajuda de custo. Um dos que admitiu que não irá abrir mão da verba é o senador Sérgio Petecão (PSD-AC), que utiliza um apartamento funcional em Brasília. Por meio de sua assessoria de imprensa ele afirmou que não vai abdicar da ajuda de custo porque o benefício é juridicamente respaldado por um decreto.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) também será um dos beneficiados. Quando está em Brasília, ele utiliza uma casa localizada no Lago Sul, uma das regiões mais valorizadas na capital. A residência é paga em parte com auxílio-moradia, mas agora o senador terá também uma ajuda de custo com “mudança”. Questionado por meio de sua assessoria, o senador não retornou os contatos até a conclusão desta edição para dizer se iria se mudar ou se abriria mão do benefício.
Mesmo com moradia garantida no ano que vem no Palácio do Alvorada, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, também tem direito ao benefício no fim do mandato. Ele está licenciado da Câmara desde o dia 8 de outubro e pode renunciar ao cargo de deputado até a véspera da sua posse. Questionada, a assessoria do deputado não informou se ele abriria mão do valor.
Além deste infame “auxílio-mudança”, os deputados também têm direito a verba de gabinete para contratação de pessoal (de R$ 78 mil), auxílio-moradia (de R$ 3.800) e cota parlamentar (que varia de R$ 30,7 mil a R$ 45,6, dependendo do Estado de origem do parlamentar”. Quando o “auxílio-mudança” passou a valer, em fevereiro de 2015, diversos deputados reeleitos e proprietários de imóveis na cidade receberam a ajuda identificada na folha de pagamento como “vantagem indenizatória”. 
Como acreditar em mudanças? Como sonhar com reformas que venham a corrigir distorções graves? Como pensar que o Brasil pode ser passado a limpo enquanto esta escória gananciosa estiver usufruindo de mordomias que os brasileiros que trabalham de verdade por 40 anos não recebem. Depois temos de ouvir discursos demagógicos falando de reforma da previdência que visa solapar o bolso dos aposentados tirando dos trabalhadores seus legítimos direitos.
Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Gestor Público

30 de novembro de 2018

O Rio está politicamente podre!

Pezão é o quarto governador consecutivo a terminar nas mãos da Justiça no Rio. Até quando esse Estado será capaz de suportar semelhante vexame público?

Foto Ricardo Moraes - Reuters
O Cristo Redentor, símbolo protetor da maravilhosa cidade do Rio, capital de um dos Estados mais importantes do continente brasileiro, deve estar envergonhado. A corrupção de seus políticos e governantes chegou a tal estágio que tudo parece podre. O governador Pezão, que acaba de ser preso sob a acusação de ter roubado 40 milhões de reais do Estado, passa a fazer companhia ao seu antecessor Cabral, condenado a mais de 100 anos de cadeia.
Pezão é o quarto governador consecutivo a terminar nas mãos da Justiça no Estado do Rio. Até quando esse maravilhoso território dos deuses da cultura e da arte será capaz de suportar semelhante vexame público?
Enquanto as televisões e os jornais davam as imagens da detenção do governador Pezão — que pediu à polícia, impávido, que “o deixassem tomar o café da manhã” antes de levá-lo —, eu pensava em tantos humildes servidores públicos do Rio, de policiais a professores, que estão com os salários atrasados e não conseguem sobreviver, a ponto de alguns deles terem preferido o suicídio. Pensava nas filas às portas dos hospitais sem recursos, nas Universidades públicas endividadas até os olhos, na merenda minguada das crianças pobres das escolas, nas mais de mil favelas abandonadas à violência cruzada do narcotráfico e de tantos policiais vendidos.
Você acha estranho que, quando chega a hora, o cidadão comum, que contempla indefeso toda essa podridão política, opte por soluções-limites de candidatos radicais e pregadores da violência? Não, a culpa de que cresça no Brasil o desejo iconoclasta de acabar com “tudo isso aí” não nasce da índole violenta e irresponsável da gente trabalhadora. Nasce da acumulada frustração do dia a dia com quem a governa e saqueia.
A detenção do quarto governador consecutivo do Estado de Rio, de vários partidos diferentes, revela que é todo o sistema político como tal que está doente, e que esse mar de corrupção não acabará enquanto não for feita uma reforma política drástica que, se não impedir, pelo menos possam frear essa vergonha que sente o cidadão. Esse trabalhador que sai de casa a cada dia, quando não está castigado pelo desemprego, para ganhar honestamente o pão para sua família. Samuel, um desses trabalhadores, que ganha 1.500 reais por mês num trabalho duro, confidenciava-me hoje, vendo as notícias sobre o governador acusado de corrupção, que não conseguia imaginar o que são os 40 milhões que Pezão teria roubado. “Um milhão para mim já é muito difícil de pensar”, dizia-me.
Tem razão. De fato, se fizesse cálculos, para poder ganhar esses 40 milhões, fruto de corrupção pela qual o governador é acusado, meu amigo precisaria trabalhar nada mais e nada menos que dois mil e quinhentos anos. Não, não é demagogia, é dor e injustiça que os pobres acumulam até que acordam do seu pesadelo e dizem chega!
Enquanto isso, os senhores togados do Supremo, que sempre acham pouco o seu salário e demais privilégios, preparavam-se para legitimar um suculento indulto natalino decidido pelo presidente Temer, que permitiria que mais de 20 corruptos, entre políticos e empresários, saíssem da prisão.
Dizem que eles, em seu Olimpo, não têm por que escutar a turma que grita por justiça nas ruas. Para eles, conta só a fria letra da lei. Eles se esquecem que, junto com a garantia dessa letra escrita, existe também o espírito da mesma, que está esculpido com sangue na carne viva dos que perdem o sono por não saberem como pagar as contas do mês ou como comprar um remédio para seu filho doente.
Até quando, Rio?

Autor: Juan Arias – El País

28 de novembro de 2018

Algumas incoerências no sistema educacional!

O resultado mais sublime
da educação é a tolerância.

O sistema educacional brasileiro voltou a ser tema de discussões nas eleições, não com projetos, mas sim com a adoção do famigerado Projeto Escola sem Partido. Uma discussão incoerente e os números comprovam que precisamos combater o analfabetismo puro e o funcional, a evasão escolar, as péssimas condições de ensino em milhares de salas de aulas espalhadas pelo país, à correta distribuição de merenda escolar, enfim, são muitos os assuntos que deveriam estar precedendo a discussão do projeto.
No começo da gestão FHC - PSDB (1995-2002), foi implantado o Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) que destinava 60% dos seus recursos para aumentar os salários dos professores. A constatação é que a qualidade da educação brasileira caiu.
No governo Lula – PT (2003-2010) foi criado o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação) que manteve apesar da mudança do nome o mesmo percentual destinado ao aumento dos salários dos professores, ou seja, sessenta por cento do total dos recursos, porém a qualidade da educação continuou a despencar.
Na medicina se um paciente não melhora com um remédio receitado o médico troca a dosagem ou o medicamento. Na nossa política quando o assunto é educação, a realidade dos fatos são ignoradas em nome da teoria ou do projeto político partidário. Com isso, o que menos importa é o resultado, levando por analogia o paciente à morte.
Um grande erro cometido pelos nossos governantes é entender que investir muito dinheiro é sinônimo de melhoria na educação. Isso é uma grande falácia, e os exemplos de países desenvolvidos e bem sucedidos provam a tese.
A Coreia do Sul entre 1970-90, gastou cerca de 3,5% do PIB Produto Interno Bruto em educação, a Irlanda: 5,6%, China: 2,3%, Hong Kong: 2,8%, Reino Unido: 4,9%. Enquanto isso no mesmo período alguns países gastaram mais do que 7% do seus PIB’s em educação, são eles: Quênia, Namíbia, Suriname, Seycheles, Barbados, Azerbaijão, Jordânia, Mongólia (Que gastou 12,9% do PIB). Desnecessário comentar a diferença do sistema educacional dos países do primeiro grupo com os do segundo grupo que apesar de gastarem mais, nunca chegaram próximos dos resultados dos primeiros.
As questões a serem discutidas antes dos governantes, dos congressistas e o do futuro ministério da educação tomarem posse, deveriam passar longe do Projeto Escola sem Partido, Controle de Professores e aumento de investimento em educação. A lição de casa tem de ser feita começando por:
- A melhoria das escolas que estão caindo aos pedaços, inclusive no Estado de São Paulo;
- O preparo adequado com investimentos em capacitação de professores, diretores e funcionários. Falta de preparo não se resolve com maiores salários nem provoca a melhoria da motivação;
- Valorização dos profissionais da Educação com salários compatíveis com a importância da sua função para o país;
- Inibir a violência dentro e fora das salas de aula, protegendo os profissionais envolvidos com a educação e o patrimônio público;
- Dar totais condições de trabalho e clareza nos programas educacionais. Inclusive com a discussão de uma nova base do currículo escolar.
        O Brasil gasta mais do que 70% dos seus recursos educacionais com salários dos professores. É preciso antes de pensar em gastar mais, saber como gastar melhor. A educação precisa passar por uma revolução, se reinventando dentro e fora das salas de aulas. É preciso mais disciplina e melhores condições de trabalho para todos os envolvidos.
Discussões ideológicas baratas com toda certeza não vão levar o Brasil para o futuro que seus jovens merecem, mas sim, estagnar e comprometer de uma vez por todas a capacidade de aprendizado e colocação no mercado de trabalho de uma ou duas gerações.
Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Gestor Público