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1 de junho de 2026

Eduardo Bolsonaro nos EUA: Como vive? O que faz? Como se mantêm? Trabalha aonde?

 

Vejo numa rede social o ex-deputado, ex-funcionário da PF, Eduardo Bolsonaro, dizer que não vive nos EUA às custas do dinheiro público. Ao ouvir tal heresia quase engasguei, uma vez que ele e a família inteira nos últimos trinta e cinco anos viveram às custas do estado brasileiro. Exército, Câmara Municipal do RJ, Alerj, Câmara Federal, Senado, e até no Palácio do Planalto onde seu pai tirou férias de quatro anos e ficou por lá sem trabalhar.

Eduardo abandonou seu mandato de deputado federal por São Paulo, onde jamais residiu, para viver nos EUA. No começo diziam que vivia às custas do dinheiro enviado pelo papai, fruto de milhões recebidos via Pix pelos patriotários.

Porém, essa fonte secou, ele perdeu seu cargo de deputado e o carguinho que tinha de escrivão da Polícia Federal. Papai foi condenado e preso. A partir de então, como conseguiu se manter naquele país sem ter emprego? Sem ter green card?

Parece que a divulgação do áudio, onde seu irmão Flávio pede ao “irmão” de fé Vorcaro alguns milhões, seja a resposta para esse enigma. A fonte que revela a forma como Dudu Bananinha, esposa e filhos se mantêm vivendo numa mansão de U$ 3 milhões no Texas, cujo aluguel beira U$ 4 mil.

O plano é esse enquanto aguarda o desfecho da eleição em outubro, para no caso improvável da vitória do irmão Flávio nas urnas, poder voltar ao Brasil em segurança, com a possibilidade até de ser ministro de estado no futuro governo.

Entretanto, o fatídico áudio jogou poeira no angu dos irmãos metralhas, dificultando sobremaneira o sonho de uma volta triunfal ao DF. Quem sabe podendo buscar o pai para levá-lo a rampa do planalto, visto que, Flávio já adiantou que irá conceder indulto, dosimetria e outras baixarias para livrar o presidiário da sua condenação.

Por culpa da ganância do Flavinho, esse cenário ficou mais complicado, impossível. Não, na política brasileira com tantos patriotários com cérebros de ostras onde nada pode ser considerado impossível. Porém, complicou demais a conta para chegar ao final da eleição vivo.

Agora, ainda com a respiração ofegante, eles aguardam com muitas orações da Michelle que novos áudios e vídeos não vazem na mídia. Porque neste caso, dizem os especialistas em maracutaias e fraudes, nem Malafaia conseguirá livrá-los do eminente desastre.

Seria o ocaso de uma familícia que sempre nadou de braçadas no país, adquiriu mais de 107 imóveis, metade pagos com dinheiro a vista. Uma família que nunca usou cheques, cartões de créditos, mas se beneficiou demais de PIX e esconde-esconde com a Receita Federal.

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

As conquistas que se juntam a escala 5X2 ao longo do tempo!

 

Ao longo dos tempos, desde o século XX, sempre que algo foi criado para ajudar, auxiliar a classe trabalhadora, houve reclamações inúmeras dos empresários, dos comerciantes, industriais e banqueiros.

Para ajudar na compreensão dos fatos, segue abaixo um pequeno resumo da trajetória da nossa economia em diversos períodos:

 

1960–1980: A economia viveu sua fase de maior expansão, o chamado “milagre econômico” nos anos 70. O PIB per capita cresceu mais de 826% apenas neste ciclo, acompanhando a intensa urbanização e industrialização.


1980–1999: Conhecido como a “década perdida”, o período foi marcado por crises da dívida e hiperinflação, gerando estagnação.

2000–2026: Após a estabilização da moeda pelo Plano Real, o país experimentou um ciclo de crescimento, puxado pelo boom das commodities nos anos 2000, seguido por uma forte recessão na metade da década de 2010 e expansões pós-pandemia, registrando altas recentes de 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.

Não existe nenhum estudo científico que comprove que os direitos trabalhistas prejudicaram a economia. Apenas falácias espalhadas pelos empresários, sindicatos patronais, mídia, e principalmente, os deputados de direita subservientes do sistema.

As conquistas dos trabalhadores:

1925 – Férias;

1936 – Salário Mínimo

1960 – 13º Salário

1966 – Aposentadoria

1967 – FGTS

2026 – Fim da escala 6X1

Curiosamente, em todas estas oportunidades a economia não quebrou, as empresas não quebraram e houve muito crescimento nas ocasiões anteriores. Porque então políticos de extrema direita bolsonaristas espalham medo, mentiras e ódio?

Os deputados dos partidos de direita e da extrema direita bolsonarista atuam no Congresso Nacional em duas frentes a saber: 1ª A favor dos ricos, dos grandes investidores do Mercado Financeiro, das Bets e daqueles que financiam suas campanhas eleitorais. 2ª Atuar contra a sociedade, vetando tudo aquilo que o governo propuser, independentemente da sua importância. Agem de forma a enaltecer o “quanto pior para o país, melhor para a direita”. 


Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

 

Dados do post são de estudos do IBRE/FGV.

Direita rachadinha

  

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto e o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro PL. Crédito Beto Barata do PL.

Flávio Bolsonaro passa vergonha, o centrão titubeia, a terceira via sonha em existir e a Faria Lima busca um candidato para chamar de seu. Róliudi. Antes mesmo de estrear, “Dark Horse” já rende sequências piores do que nas telas. Depois do áudio de Flávio Bolsonaro, foi a vez do deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro, chamar o banqueiro de irmão e agradecer pelo financiamento.

O dinheiro de Vorcaro navegava por uma estrutura tripla: a Entre Investimentos e Participações no Brasil, o fundo Havengate Development LP no Texas (cujo agente legal é o advogado Paulo Calixto, responsável pelo processo imigratório da família Bolsonaro nos EUA) e a GoUp Entertainment LLC, sediada na Flórida. Para atrair grandes fortunas, a produção vendia cotas de US$ 500 mil, com um pacote especial de US$1,1 milhão que prometia “oportunidade de imigração”. Com o mandato cassado, Eduardo Bolsonaro arranjou um emprego como produtor-executivo e responsável pela engenharia financeira internacional. Em diálogo interceptado de março de 2025, ele explica ao intermediário Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias, que “o ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo”, num indício de que estamos falando de lavagem de dinheiro.

O escândalo desemboca ainda na gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e sócia da GoUp Entertainment LLC, é o elo entre os R$ 108 milhões pagos pela prefeitura de São Paulo num contrato emergencial de Wi-Fi gratuito e o filme bolsonarista.

O Tribunal de Contas do Município havia identificado pelo menos 20 irregularidades graves no edital — ausência de ampla concorrência, ICB sem qualquer histórico técnico em telecomunicações — e a Secretaria de Inovação seguiu adiante. Resultado: dos 5 mil pontos de Wi-Fi prometidos, foram instalados pouco mais de 3.200; três aditivos elevaram o repasse de R$ 43 milhões previstos para R$ 69 milhões efetivamente pagos.

O ICB compartilha endereço, sócios e procuradores com a GoUp na Avenida Paulista e recebeu ainda emendas federais carimbadas por Mario Frias, que é procurado há mais de um mês pelo ministro Flávio Dino para prestar esclarecimentos. 

Vida real. Se as conversas entre Flávio e Vorcaro sobre o filme já eram escandalosas, o encontro presencial entre os dois depois da prisão do banqueiro caiu como uma bomba no QG dos Bolsonaros. Em primeiro lugar, o efeito se fez sentir no eleitorado: em poucos dias, as intenções de voto em Flávio recuaram 6% no segundo turno contra Lula, segundo o Instituto Atlas Intel.

Mas a base aliada também foi atingida. Dentro do PL, o sentimento de traição e de que algo mais grave possa vir à tona gerou incertezas sobre o futuro da campanha do candidato bolsonarista. E, em outro pedaço importante da direita e do centrão, PP, União e Republicanos, o compasso é de espera. Até porque essa ala precisa gerir sua própria crise depois que veio à tona o envolvimento do cacique do PP, Ciro Nogueira, com Vorcaro, que a cada dia ganha novos capítulos.

O mesmo compasso de espera tem marcado as reações dos principais concorrentes do espólio da direita: Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Ambos criticaram vagamente os casos de corrupção, mas sem bater de frente com Flávio. Enquanto isso, Merval Pereira e outros viúvos da terceira via entraram em alvoroço, acreditando que a finada tenha reencarnado em um corpo inesperado, como Joaquim Barbosa (DC), ou talvez até em Aécio Neves (PSDB).

O saldo do desgaste de Flávio Bolsonaro também passa pelo setor evangélico e pela Faria Lima. No primeiro caso, por questões morais evidentes; no segundo, não tanto pela moral, mas por falta de confiança. E é justamente o setor financeiro que Flávio deve buscar reconquistar com o anúncio de propostas e compromissos mais claros para a economia. Até porque, quando o assunto é a rede de amizades de Vorcaro, o candidato do PL não estava sozinho. Pairam dúvidas sobre as autoridades financeiras e seu envolvimento na crise do Master, especialmente o capítulo que envolve o BRB. O tema voltou à pauta pelas mãos de Renan Calheiros (MDB-AL), que comanda a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, e que solicita esclarecimentos e maior transparência sobre o papel que o Banco Central desempenhou no desenrolar da crise. Mas estas são cenas do próximo capítulo.

Passando a boiada outra vez. Enquanto Flávio Bolsonaro busca reduzir danos, Lula dá um suspiro de alívio. É que a má fama de Flávio respingou positivamente no presidente, que recuperou levemente a popularidade de seu governo, segundo a pesquisa Atlas Intel. Os números são singelos — a aprovação passou de 42% para 42,9% e a desaprovação caiu de 51% para 48,4% — mas, em tempos de aperto, cada pequena vitória conta.Animado pelas dificuldades do adversário, pelos tropeços do centrão e pela recente conversa amigável com Trump, Lula se sentiu confiante para destravar algumas pautas emperradas.

No espírito de mostrar todas as cartas que tem até as eleições, o governo acenou com uma linha especial de crédito para motoristas de app e taxistas na compra de carro zero. Já no tema sensível da regulação das big techs, o governo seguiu o entendimento do STF sobre a necessidade de aumentar as responsabilidades das plataformas sobre os conteúdos veiculados nas redes. Assim, por meio de decreto, o Planalto ampliou os poderes da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) no âmbito do Marco Civil da Internet. Na prática, as empresas devem facilitar os canais de denúncias, tornam-se responsáveis por tirar do ar perfis que pratiquem crimes mesmo antes de decisão judicial, e a ANPD passa a ter maiores poderes de fiscalização.

Mas as boas notícias para o Planalto tiveram vida curta. Logo em seguida, o Congresso derrubou o veto de Lula em quatro dispositivos da LDO e autorizou doações públicas para estados e municípios em ano eleitoral, o que, na prática, significa liberar a distribuição de emendas de deputados e senadores para suas bases, vitaminando seus projetos eleitorais. Assanhada, a bancada ruralista também quer passar mais uma parte da boiada de flexibilização das leis ambientais. E a direita, sem-vergonha, fez até um abaixo-assinado para incluir uma transição de 10 anos para o fim da escala 6×1, incluindo uma pegadinha na PEC que permitiria aumentar a jornada de trabalho das atuais 44 para 52 horas semanais!

Com tudo isso, talvez Lula seja obrigado a recuar da ideia de indicar novamente Jorge Messias para a vaga no STF, para não bater de frente com Davi Alcolumbre e aumentar os atritos com o Congresso. Os judeus que dizem não ao sionismo. No Outras Palavras, conheça a dolorosa jornada pessoal de Bruno Hendler para dissociar o judaísmo do sionismo. 

Autores: Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile. Publicado no Site Brasil de Fato.

BC e o Master: O Tempo do Regulador e o Tempo da Fraude, por Luís Nassif.

  

Banco Central em foto de Antonio Cruz - Agência Brasil. 

No longo depoimento prestado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o ponto mais controverso não foi a aprovação da compra do Master, nem o acordo de R$ 300 mil com Campos Neto. Foi algo aparentemente mais técnico — e, por isso, mais difícil de contestar publicamente: o tempo que levou para a intervenção. Ao longo de três anos, o BC emitiu 31 ofícios de alerta sobre a situação do Banco Master. Trinta e um. E continuou assistindo.

A lógica do desmonte controlado

O argumento técnico é defensável na teoria. Uma intervenção abrupta num banco com o perfil do Master — bilhões captados no varejo, CDBs distribuídos para investidores de pessoa física — forçaria o Fundo Garantidor de Crédito a liquidar ativos e resgatar investimentos de uma só vez, pressionando o caixa de todo o sistema. Ao escalonar os pagamentos conforme os títulos vencem, o FGC usa seu fluxo regular de contribuições para honrar os saques sem provocar um choque de liquidez generalizado.

Há também um argumento jurídico. Fraude de colateral — criação de carteiras de crédito fictícias, ativos inflados, empresas-fantasma — é um crime de dissimulação. Uma liquidação abrupta permite que os gestores aleguem que a interrupção das operações impediu o recebimento dos créditos e o fechamento das posições em aberto. Manter o rito, na lógica do BC, documenta o comportamento recorrente, monta a prova pericial e entrega o caso fechado ao Ministério Público. É a estratégia do choque controlado. Tecnicamente racional. Politicamente imprestável.

O cidadão operando na penumbra

Porque enquanto o BC gerenciava o tempo do desmonte, o investidor que comprou um CDB do Master atraído por taxas de 140% do CDI operava em absoluta penumbra. Não sabia que a instituição acumulava 31 alertas do regulador, dois diretores do próprio Banco Central atuavam informalmente como assessores do banqueiro e estavam sendo usados como colchão de liquidez de um esquema que o regulador já sabia ser insolvente. Quando o pragmatismo técnico exige a opacidade para funcionar, ele corrói exatamente o que deveria proteger: a previsibilidade e a transparência que sustentam o mercado financeiro. A assimetria de informação deixa de ser uma falha do mercado e passa a ser um instrumento deliberado da gestão regulatória.

Onde a estratégia desmorona

A descoberta de que dois servidores de carreira do Banco Central — o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana — atuavam como assessores informais de Daniel Vorcaro destrói a narrativa da calmaria puramente estratégica. Se o tempo ganho pelo regulador serviu também para que os fraudadores destruíssem provas, ocultassem patrimônio e realizassem novas operações para cobrir os rombos anteriores — o que as investigações da PF apontam como hipótese concreta —, então a estratégia do choque controlado não foi apenas ineficaz. Foi cúmplice.

O custo concreto dessa equação está nos fundos de previdência de estados e municípios drenados pelo esquema. O caso de Maceió — RPPS municipal com exposição significativa aos papéis do Master — é apenas o mais visível de uma série de perdas que recairão sobre servidores públicos e contribuintes que nunca souberam que eram parte da operação.

O problema estrutural

A insistência da CAE em emparedar o BC não é perseguição política. É o registro histórico de uma suspeita legítima: que o “tempo técnico” seja, na prática, uma cortina de fumaça para a leniência, o apadrinhamento ou a simples desídia. Quando um banco consegue crescer fora da curva de forma agressiva, violando parâmetros básicos por anos, o erro não é apenas do gestor fraudador. É do desenho de comando e controle do Estado. Trinta e um ofícios de alerta em três anos. E o banco continuou captando. Em algum ponto entre o primeiro e o trigésimo primeiro ofício, a estratégia técnica e a omissão regulatória deixaram de ser distinguíveis.

O caso Campos Neto

Não bate, também, a informação de Galípolo de que o erro de Campos Neto e do Santander – pelo qual foram julgados pelo BC – era apenas o de preenchimento em uma quantidade ínfima de operações. Em 2022, a PF deflagrou a Operação Colossus. O alvo era um esquema estimado em R$ 61 bilhões movimentados em quatro anos — evasão de divisas e lavagem de dinheiro que usava o sistema bancário formal como porta de entrada e criptoativos como porta de saída. USDT e Bitcoin funcionavam como a camada de opacidade que permitia que o dinheiro cruzasse fronteiras sem deixar rastros convencionais.

No centro do esquema estava o chamado Grupo Froes, liderado por José Eduardo Froes Júnior. Entre 2017 e 2021, o grupo estruturou uma rede de pessoas físicas e jurídicas sem atividade econômica real, sem lastro financeiro e sem documentação fiscal, que realizavam contratos de câmbio com bancos declarando os recursos como “capital social” — uma categoria historicamente menos exigente em termos documentais. O destino real: criptoativos ilícitos no exterior.

Segundo a apuração, os recursos atendiam a organizações criminosas. A PF identificou o PCC e o Hezbollah entre os grupos beneficiados pelo esquema. O Santander foi um dos cinco bancos investigados. O banco teria firmado 462 contratos de câmbio no valor de R$ 162 milhões com o Grupo Froes e não forneceu documentação completa para 51 dessas operações à PF. A investigação concluiu que o banco tinha ciência de que as remessas declaradas como capital social destinavam-se a criptoativos ilícitos.

As suspeitas recaem sobre transações realizadas a partir de 2017 — precisamente o período em que Campos Neto respondia pelo câmbio da instituição. Os valores correspondem às negociações efetuadas com apenas um cliente, o Grupo Froes.

A PF utilizou o conceito jurídico de “cegueira deliberada” — importado do direito americano — para enquadrar a conduta do Santander e de outras instituições envolvidas, como o Banco Master, a Genial, a Travelex e a Haitong. A tese é esta: os bancos não desconheciam o que estava acontecendo. Simplesmente optaram por não enxergar. O volume de operações atípicas, a ausência de lastro econômico dos clientes e o padrão das remessas eram sinais que qualquer sistema de compliance minimamente funcional teria captado. Se o compliance não captou — ou se captou e não agiu —, a omissão foi proposital.

A lógica que sustenta esse comportamento é conhecida no setor: incentivos comerciais sobrepõem controles internos. A corrida por volume de transações e receita de câmbio cria pressão para que as áreas de compliance sejam mais permissivas. Em um mercado competitivo, o banco que faz menos perguntas atrai mais clientes.

No caso do Santander, a Justiça autorizou a quebra de sigilo telemático para que o banco entregasse documentos relativos às operações de câmbio mantidas com os negociadores de criptomoedas. É uma medida reservada para quando há indícios concretos, não meras suspeitas genéricas.

Autor: Luis Nassif – Publicado no Site GGN Notícias.