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19 de maio de 2026

Precisamos falar sobre ingressos.

 

E talvez esse seja um dos assuntos mais frustrantes para quem ama música hoje. A gente vive em um país onde o salário já nasce morto. Aluguel, comida, transporte, contas e a sobrevivência básica. Quase tudo o que ganhamos desaparece antes mesmo da gente pensar em viver de verdade.

E viver custa.

Os Titãs já cantavam em “Diversão” que a gente não quer só comida. A gente quer arte, cultura, saída, cinema e música. A gente quer aquilo que faz a vida parecer mais humana.

Só que isso ficou caro.

Muito caro.

Hoje, o melhor cenário para ver uma banda que você ama talvez seja pagar 400 reais numa cadeira longe do palco. Só o ingresso. Quando entram taxas, conveniências, serviços e todo o resto, aquilo vira 600, 700 reais facilmente. E detalhe: nem ingresso físico existe mais. Você recebe um QR Code no celular e ainda assim paga uma taxa “de serviço”.

Aí você pensa:

“Tudo bem, vou me organizar.”

Mas não acabou.

Se você não mora em São Paulo, precisa colocar transporte, hotel, alimentação. Dependendo da cidade, isso adiciona mais 300, 500 ou mil reais na conta.

E, de repente, viver a sua paixão virou um privilégio. O problema é que música nunca foi privilégio. Só que existe outra camada nisso tudo: o capitalismo entendeu que paixão vende.

E vende muito. Então ele aprendeu a transformar afeto em produto premium.

Você não compra apenas um ingresso. Você compra pertencimento. Você compra experiência. Você compra a sensação de estar participando de algo “imperdível”.

E aí entra um fenômeno que piorou tudo nos últimos anos: a obrigação de aparecer.

Muita gente não vai mais a um show porque ama profundamente aquela banda. Vai porque precisa mostrar que estava lá. Hoje os shows deixaram de ser apenas encontros entre fãs e artistas. Eles viraram ambientes de performance social.

E isso encarece tudo. Patrocinadores entram.

Marcas entram. Influenciadores entram.

E muitas vezes o fã sai. Porque enquanto alguém ganha convite VIP para produzir conteúdo, o garoto ou a garota que acompanha aquela banda há 15 anos simplesmente não consegue pagar. Veja qualquer anúncio de show hoje. Nos comentários, você encontra dois grupos muito claros: os que dizem “já garanti o meu” que na maioria das vezes são influencers e os que escrevem “infelizmente não vou conseguir ir”.

Essa palavra aparece o tempo inteiro:

infelizmente. E isso dói.

Porque o fã de verdade não quer apenas consumir um evento. Ele quer viver algo emocionalmente importante. O problema é que a indústria descobriu que emoção também pode ser explorada financeiramente. E talvez o melhor exemplo disso seja a Taylor Swift. Em qualquer show dela você verá dezenas de influenciadores dizendo que aquilo é “imperdível”, “transformador”, “o evento do ano”. E talvez seja mesmo.

Mas quem ama a Taylor Swift de verdade, quem compra disco, acompanha entrevistas, sabe letras e construiu memória afetiva com aquelas músicas, muitas vezes fica de fora porque simplesmente não consegue pagar.

Então o desejo vira desespero. E o desespero movimenta o mercado. Se hoje o ingresso custa mil reais, amanhã custará dois. Porque alguém vai parcelar. Porque alguém vai se endividar. Porque paixão não funciona racionalmente.

E isso está começando a explodir até nos Estados Unidos. Existe um termo sendo usado lá chamado “blue wave”: mapas inteiros de shows cheios de assentos azuis, vazios. Não porque as pessoas deixaram de gostar de música. Mas porque elas simplesmente não conseguem mais pagar.

E talvez este seja o limite do modelo atual. Durante anos, duas ou três grandes corporações passaram a controlar praticamente toda a experiência de shows ao vivo. Empresas como Live Nation e Ticketmaster transformaram música em uma máquina gigantesca de monetização emocional.

Tudo ficou maior. Mais caro. Mais exclusivo. Mais inacessível.

E o público começou a ficar do lado de fora. Eu queria terminar este texto com esperança.

Queria dizer que existe uma solução simples. Que basta reclamar, protestar ou parar de comprar. Mas eu sei que não é tão fácil. Porque paixão não funciona como lógica econômica.

Quando o artista que você ama anuncia um show, você não pensa como consumidor. Você pensa como alguém tentando viver algo que te movimenta por dentro. Talvez a única saída possível hoje seja filtrar.

Escolher com cuidado.

Entender quais artistas realmente fazem sentido para você. Guardar energia, emocional e financeira, para aquilo que realmente importa. É triste dizer isso.

Mas talvez seja o único jeito de continuar vivendo a música sem deixar que ela destrua financeiramente quem ama ela de verdade. 

Autor: Rodrigo Moia – Publicado no Site Medium.com

18 de maio de 2026

A Síndrome de Estocolmo!

 

Desde 2018, um fenômeno permanece sem explicação no Brasil. Porque os eleitores de Bolsonaro ainda o apoiam, mentem e aceitam mentiras? Votaram nele em 2018, viveram nos quatro anos seguintes uma gestão medíocre que nada fez pelo país e por eles, no entanto, permaneceram apoiando e votando na sua tentativa de reeleição em 2022. Com a derrota, fingiram acreditar em fraude das urnas eletrônicas e em tudo aquilo que o Bolsonaro dizia. Milhares foram para as estradas e portas de quartéis, culminando com a invasão a Praça dos Três Poderes. Pediam Intervenção Militar enquanto oravam para pneus e clamavam por ajuda de ETs.

Essa situação permanece nos dias atuais mesmo depois do golpe ter sido desvendado pela Polícia Federal, milhares terem sido condenados e presos pelo STF. Os zumbis continuam acreditando no Mito e indicam nas pesquisas que votariam no seu filho ungido - Flávio.

Como explicar que um aposentado, idoso, mesmo sendo roubado no governo Bolsonaro por esquemas no INSS ainda assim apoie o bolsonarismo?

Como conceber que um brasileiro não enxergue que o escândalo do Banco Master tenha o DNA completo do bolsonarismo em seus tentáculos?

Só podemos imaginar que estes milhões de eleitores possuem a síndrome de Estocolmo. O que seria isso?

A síndrome de Estocolmo é um fenômeno psicológico em que uma pessoa que está em situação de ameaça, abuso ou sequestro passa a desenvolver sentimentos positivos, de empatia ou até afeto pelo agressor. O nome vem de um caso ocorrido em 1973, em Estocolmo (Suécia), quando reféns de um assalto a banco passaram a defender seus sequestradores e resistiram a depor contra eles depois do ocorrido.

É como se o cérebro, para lidar com o medo e o perigo, criasse uma espécie de “aliança emocional” com quem está causando a ameaça. Alguns fatores que ajudam a explicar:

·        Instinto de sobrevivência: aproximar-se do agressor pode reduzir o risco de violência.

·        Isolamento: a vítima depende apenas do agressor naquele contexto.

·        Pequenos atos de “bondade” do agressor (como dar comida ou não machucar) podem ser interpretados como gentileza.

·        Medo constante que confunde as emoções.

Apesar de ser mais conhecido em casos de sequestro, pode aparecer em:

·        Relações abusivas (emocionais ou físicas)

·        Situações de violência doméstica

·        Ambientes de controle psicológico intenso

A síndrome de Estocolmo não é oficialmente classificada como um transtorno mental nos manuais de diagnósticos, mas é um conceito usado para descrever esse tipo de comportamento.

O comportamento dos brasileiros transformados em verdadeiros zumbis, pode ser classificado desta forma como Síndrome de Estocolmo. Porque nunca, em tempo algum, isso aconteceu na política brasileira. Nem com Jânio, Maluf ou Collor.

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Privatização usa da terceirização para precarizar as empresas

 

No Brasil, as privatizações de empresas estatais sempre foram acompanhadas do seguinte: 1º Desmonte completo da empresa; 2º Venda por preço muito abaixo do valor real da empresa; 3º O edital não contempla as obrigações futuras da empresa privada em relação as suas obrigações naturais; 4º Após a venda a empresa que adquiriu demite milhares de trabalhadores fazendo processos de saídas voluntárias; 5º Por último, começa a prestar um serviço abaixo do que era realizado pela estatal, com funcionários terceirizados sem o mesmo conhecimento e experiência profissional. Resultado: O povo paga pela aventura que rendeu milhões e sumiu no ralo da ineficiência e corrupção do país.

Neste sentido a Companhia Energética de Minas Gerais -Cemig lidera ranking do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - Dieese com 86,5% de trabalhadores indiretos; modelo se firmou após privatizações dos anos 1990

Um levantamento recente do Dieese mostra que a terceirização se tornou dominante em parte dos maiores grupos do setor elétrico brasileiro. Em empresas analisadas pelo estudo, trabalhadores indiretos já representam mais de 80% da força de trabalho, enquanto balanços recentes das companhias registram receitas e lucros bilionários. Com a terceirização vem a inevitável precarização das empresas e a queda da qualidade dos serviços. 

·                  Cemig: 86,5% de trabalhadores indiretos;

·                  EDP Brasil: 83%;

·                  Enel: 80,6%;

·                  Equatorial: 78,5%;

·                  Neoenergia: 62,7%;

·                  Light: 62,4%;

·                  Copel: 60%;

·                  Celesc: 49,9%;

·                  Energisa: 28,2%;

·                  Eletrobras: não informou dados sobre trabalhadores indiretos.

O avanço ocorre em empresas com resultados expressivos. Em 2025, a Enel Brasil registrou receita líquida de R$ 49,05 bilhões e lucro líquido de R$ 2,98 bilhões. A Cemig informou receita de R$ 42,75 bilhões e lucro de R$ 4,9 bilhões. A EDP Brasil, no dado mais recente divulgado, referente a 2024, teve receita de R$ 15,4 bilhões e lucro líquido de R$ 2,28 bilhões.

O motivo da aposta na terceirização começa a ser entendido com a análise dos salários dos trabalhadores do setor. Segundo o Dieese, no fim de 2025, o rendimento médio dos empregados do setor elétrico público era 84% maior do que o registrado no setor privado. Na prática, isso significa que os trabalhadores fora do setor público recebiam pouco mais da metade, em uma atividade que exige formação técnica, experiência acumulada e operação em ambientes de alto risco.

Na cidade de São Paulo, e em parte da chamada Grande São Paulo, em várias ocasiões de chuvas acompanhadas de ventos fortes, milhares de consumidores ficaram vários dias sem energia em suas residências e empresas. Prejuízo enorme para todos.

No interior de São Paulo, a demora para o atendimento das equipes terceirizadas da Companhia Paulista de Força e Luz – CPFL é algo que irrita profundamente os consumidores atendidos pela empresa. São fatos recorrentes e que exemplificam o desmonte que ocorreu nas privatizações do setor elétrico paulista, antes, ainda como estatal, exemplo de eficiência.

E não é somente no setor elétrico que o problema reside, a venda da Sabesp trouxe aumento de tarifas, queda no fornecimento de água potável, redução de investimento em tratamento de esgotos, e na semana passada uma das empreiteiras contratadas perfurou um cano de gás e causou uma explosão, derrubando diversos imóveis com duas vítimas fatais.

As privatizações no Brasil têm como pressuposto maior, negócios com agendas ocultas, direcionamento, e o afastamento completo do objetivo da transferência da empresa estatal para privada, mantendo emprego ou gerando novas oportunidades, além de ampliação do negócio.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.