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28 de outubro de 2026

A onda azul que pode arruinar os planos de Trump!

 

A próxima eleição para o Congresso dos Estados Unidos será em 3 de novembro de 2026, uma terça-feira. Faltam cerca de vinte dias para a votação. Esta eleição é muito importante porque colocará em disputa todas as cadeiras da Câmara dos Representantes. Além da possível renovação de um terço (100) das cadeiras do Senado. Isso implica dizer que o resultado desta próxima eleição definirá qual dos dois partidos terá maioria em cada uma das casas (Câmara e Senado) pela próxima legislatura.

A votação é conhecida nos EUA como midterms (eleições de meio de mandato), porque ocorre na metade do mandato presidencial de quatro anos. O resultado poderá alterar a capacidade do presidente Donald Trump de aprovar projetos, negociar o orçamento e conduzir sua agenda política no Congresso. Um detalhe importante: os eleitores não escolherão o presidente em 2026. A próxima eleição presidencial americana está prevista para 7 de novembro de 2028.

Na Câmara dos Representantes é onde a possibilidade de mudança de maioria está mais forte. Segundo a Agência Reuters, em 8 de outubro, os democratas precisavam obter um saldo líquido de apenas quatro cadeiras para assumir o controle. Analistas ouvidos pela agência consideravam plausível um ganho de 15 a 20 cadeiras.

No Senado, a disputa é mais difícil. Na análise publicada pela Agência Reuters em 8 de outubro, os democratas precisavam de um saldo líquido de quatro cadeiras para conquistar a maioria, enfrentando disputas competitivas em estados onde os republicanos têm força eleitoral. Por que ainda não é possível afirmar que haverá uma grande onda azul? Há três ressalvas importantes a serem analisadas:

Pesquisas não são resultados: os eleitores ainda podem mudar de opinião. Participação eleitoral: uma vantagem nas pesquisas só se transforma em votos se os eleitores comparecerem às urnas no dia da votação. E, por último, a distribuição geográfica, em que os votos são convertidos em cadeiras por distritos e estados, e não apenas pela soma nacional.

A própria Reuters alertou que os democratas podem estar superestimando a dimensão de seus ganhos. A análise da YouGov também ressalta que a definição de eleitor provável e o tratamento dos indecisos alteram significativamente a margem observada.

Uma coisa é certa: enquanto Trump gasta energia e dinheiro com guerras contra o Irã, interfere nos conflitos entre Rússia/Ucrânia, no Oriente Médio, na Venezuela, Cuba e até nas eleições brasileiras, a continuidade de sua gestão corre sérios riscos caso essa onda azul se transforme em votos para os democratas. O efeito político central será este: se os democratas conquistarem a maioria em uma ou nas duas Casas, Trump poderá enfrentar maior resistência para aprovar leis, financiar suas prioridades e conduzir sua agenda nos dois últimos anos de mandato.

Até porque a aceitação de sua gestão à frente dos EUA é muito baixa, uma das piores em tempo de paz. Segundo o Pew Research Center — pesquisa realizada de 28 de setembro a 4 de outubro de 2026. A aprovação é de apenas 30%, com rejeição de 68%. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

27 de outubro de 2026

Os oligarcas sofrem uma grande derrota - O Brasil se recusa a ser intimidado.

Quantas pessoas nos Estados Unidos têm noção do tamanho do Brasil? A nação mais populosa da América do Sul conta com mais de 200 milhões de habitantes, o que torna a eleição presidencial de ontem um evento de grande importância. Mas, para além de sua dimensão, o pleito de ontem foi marcante também por servir como um prenúncio para o restante do mundo.

Tratou-se de uma disputa entre a esquerda progressista de Luiz Inácio Lula da Silva — o atual presidente — e a extrema direita revanchista de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra preso por sua tentativa de anular a última eleição presidencial brasileira. A direita global dava a vitória como certa, e até mesmo os mercados de apostas eleitorais indicavam que Bolsonaro venceria. Por isso, a vitória de Lula foi uma surpresa.

Tendo sido alvo de manipulação psicológica (*gaslighting*) por parte da extrema direita, parte da mídia internacional pareceu ter dificuldade em assimilar o resultado. Eis a manchete do *Financial Times* no momento em que escrevo este texto: “Votação acirrada”? Lula venceu com uma vantagem de 3 pontos percentuais — o dobro da margem obtida por Donald Trump em 2024. E ele o fez apesar dos esforços da direita, tanto no Brasil quanto em outros lugares, para manipular o pleito contra ele.

O horário de votação foi estendido em duas horas, uma vez que interrupções generalizadas no transporte público dificultaram o deslocamento dos eleitores da classe trabalhadora até os locais de votação. A campanha de Lula alegou que tais interrupções foram orquestradas por prefeitos alinhados a Bolsonaro — uma acusação claramente corroborada por evidências em algumas cidades e, de modo geral, plausível diante do histórico político recente; especificamente, a tentativa de Bolsonaro pai de anular a última eleição presidencial.

E a extrema direita brasileira não esteve sozinha em sua aparente tentativa de manipular a eleição em favor de Bolsonaro. Empresas de redes sociais sediadas nos Estados Unidos — a Meta, em particular — também pareceram interferir no processo, pendendo a balança a favor de um dos lados. Após o primeiro turno da votação, a Reuters informou que funcionários da Meta reconheceram, em comunicações internas, que as contas do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no Instagram foram alvo de restrições durante as eleições no país — informação divulgada na sexta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo, com base em mensagens às quais o veículo teve acesso.

Segundo a reportagem, as mensagens também revelaram que a plataforma recomendou o perfil do senador Flávio Bolsonaro — adversário de Lula —, bem como seu canal no WhatsApp. Além disso, em um artigo intitulado “Meta substitui Musk como vilão tecnológico para Lula nas eleições brasileiras”, a Bloomberg relatou que

Lula — que, nos últimos dias, reuniu mais de 10 milhões de apoiadores em um canal no WhatsApp chamado “Exército do Lula” — alegou ter sofrido interrupções em sua conta, restrições em publicações no Instagram e um engajamento desigual com o público. Sua campanha afirmou, ainda, que a Meta AI — ferramenta de inteligência artificial generativa da empresa — recusa solicitações para criar imagens relacionadas a Lula, ao mesmo tempo em que gera material de campanha favorável ao seu oponente.

A Meta alegou que tais incidentes refletiam “problemas técnicos não relacionados entre si” — uma justificativa que seria mais crível se todos esses supostos problemas técnicos não tivessem inclinado o campo de disputa na mesma direção. Será mera coincidência que, nos Estados Unidos, a Meta tenha suspendido a conta “No Kings Day” no Instagram justamente durante os protestos daquele dia? Posteriormente, a empresa alegou que a medida não teve relação com política, tratando-se de um erro decorrente de seus sistemas automatizados de segurança, que detectaram um possível aumento no tráfego de bots.

Mais uma vez, é curioso como os problemas técnicos da Meta parecem sempre inclinar o cenário político na mesma direção. É possível provar que a Meta tentou, deliberadamente, reconduzir os Bolsonaro ao poder? Não — pelo menos, não por enquanto. Mas não estamos em um tribunal: estamos apenas tentando entender o que aconteceu. E as pessoas que aparecem nesta foto não têm direito à presunção de inocência ou de boas intenções:

Embora as negativas da Meta careçam de plausibilidade, não é possível provar que Mark Zuckerberg tenha tentado, de forma deliberada, entregar o Brasil nas mãos de um autoritário de direita. No entanto, não há dúvida de que Elon Musk interveio, de forma intencional e contundente, a favor de Vladimir Putin em seus esforços para conquistar a Ucrânia. Musk continua mudando sua versão sobre o ocorrido — primeiro, negou qualquer envolvimento, alegando que a ordem partiu da Casa Branca; agora, afirma que a Ucrânia violou seus termos de serviço. Mas essa farsa é totalmente implausível, visto que Musk já deixou claro, há muito tempo, que, nesta guerra, suas simpatias estão com a Rússia.

Portanto, celebremos o povo brasileiro, que se recusou a ser intimidado por Bolsonaro, pelos oligarcas americanos e por Trump — o qual, em 2025, impôs tarifas elevadas ao Brasil pelo simples fato de o país ter levado a julgamento um traidor e insurrecionista (Bolsonaro pai). Esperemos que, em pouco mais de uma semana, os americanos demonstrem a mesma lucidez e votem pela democracia." 

Autor: Paul Krugman - Prêmio Nobel de economia.

26 de outubro de 2026

A soberba que precedeu a derrota!

 

Quando o primeiro turno das eleições terminou com as urnas indicando a vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula por 56.104.503 votos contra 53.879.538, um clima de arrogância misturada com uma soberba tomou conta das hostes bolsonaristas. Flávio começou a agir como se já fosse presidente da república eleito.

A análise era simples por parte dos bolsonaristas. Somando os votos dos demais candidatos de direita, Flávio teria, em tese, cerca de 65.160.555 de votos em potencial. Até porque, assim como os seus eleitores, os eleitores de Cury, Caiado, Zema e Renan eram, na maioria esmagadora, antipetistas. Supostamente, Lula teria de cara doze milhões de votos para ultrapassar, se quisesse se eleger no segundo turno.

Outro detalhe importante é que, sempre que o bolsonarismo vence, não há suspeita de fraudes, nem alegações contra as urnas eletrônicas ou o sistema eleitoral. Foi assim no primeiro turno desta eleição.

Veio o segundo turno e Flávio teve a ajuda imprescindível de Caiado, Tarcísio, Zema, Meta, EUA, Milei, Kássio Nunes e André Mendonça (Presidente e Vice do TSE, respectivamente). Até por conta dessa força auxiliar, o candidato bolsonarista começou a indicar possíveis ministros, falar abertamente dos cortes e maldades que pretendia fazer para com os trabalhadores, aposentados e pensionistas do país.

A soberba tomou conta da cabeça de Flávio, que pensou que estava numa eleição simples contra alguém inexperiente, esquecendo que do outro lado estava o homem que venceu três eleições para a presidência.

No debate realizado na TV Globo, diante de milhões de brasileiros, o filho do presidiário achou que estivesse na prisão domiciliar do pai, ao lado de Carluxo, e resolveu ofender Lula, chamando-o de "nove dedos", numa alusão cretina ao fato de Lula ter perdido um dedo quando jovem numa metalúrgica onde trabalhava, algo que Flávio nunca teve – Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS.

Essas ofensas, somadas à soberba e às iniciativas da campanha de Lula, fizeram o que parecia impossível. Ao final da apuração do segundo turno, Lula teve 64.256.232 contra 59.826.041. Uma vitória esmagadora e sem contestação plausível diante do mundo inteiro.

Claro que, plausível aos olhos de gente honesta, o candidato Flávio, sem provas e de maneira covarde e criminosa, alegou que a extensão do horário da eleição determinada pelo TSE prejudicou a eleição. O amigo do Vorcaro esqueceu de dizer aos microfones que a sua campanha também pediu oficialmente essa prorrogação de horário. Além do fato de que, onde houve problemas com transporte público, havia prefeitos bolsonaristas. Estes estavam tentando desesperadamente evitar que os eleitores chegassem às urnas para votar em Lula.

Agora resta ao candidato provar que houve fraude, sendo que o presidente e o vice do TSE foram indicados aos cargos pelo seu pai, ou ainda, fugir do Brasil como o fez seu irmão e tantos outros "bolsomasters" criminosos. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Membro da Academia Bauruense de Letras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

23 de outubro de 2026

O depois do depois!

Depois do final das eleições e da possível volta à normalidade político-administrativa no país, é preciso que seja feita uma profunda reflexão por diversos segmentos da nossa sociedade sobre os episódios recorrentes que denotam um aumento expressivo do fascismo no seio da nossa sociedade.

A tragédia ocorrida na cidade de Catanduva, no interior de São Paulo, é um sinal evidente do fascismo entre nós, brasileiros. Naquela cidade, um médico colecionador de armas (provavelmente credenciado no governo do presidiário) ameaçou a esposa (tentativa de feminicídio) e foi fuzilado pela PM (letalidade policial) após ser abordado pelos policiais.

Mais revoltante: é assustador como a mídia e a sociedade normalizam esses episódios, cada vez mais comuns e constantes. A multiplicação de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CACs), as ameaças contra mulheres e os assassinatos cometidos por pessoas de farda são alguns aspectos inerentes ao fascismo.

Mesmo com eventual vitória no segundo turno e a reeleição de Lula, nossa democracia continuará correndo riscos diante do aumento das bancadas da extrema direita bolsonarista, seio da intransigência, do preconceito aos pobres e da política beligerante.

Para superarmos o fascismo, é fundamental que possamos afastar a política de ódio e recuperar a possibilidade de que as pessoas vivam com dignidade. Adversário político não é inimigo; hegemonia partidária é ditadura militar, um regime autoritário sem democracia sendo exercida.

Os segmentos de direita e esquerda precisam rapidamente retomar o espaço devido na política, afastando de vez essa seita que prega a destruição da economia, congelamento de salário mínimo, arrocho salarial aos aposentados e pensionistas, sem, no entanto, reduzir benesses concedidas a empresas, políticos e banqueiros neste país.

Os extremistas não mencionam cortes para redução do número de políticos, salários pagos a milhares de cargos de apadrinhados, assessores e toda camarilha que sugam bilhões dos cofres públicos. Não querem implantar imposto sobre grandes fortunas, nem cortar os abusivos e imorais subsídios e reduções fiscais que os ricos possuem para suas empresas e os pastores para suas Igrejas lucrativas.

O candidato do PL – Partido Liberal odeia tanto os pobres que, numa reunião, disse textualmente que iria acabar com o “Bolsa Farelo” quando tomasse posse do governo brasileiro, numa alusão ao Bolsa Família.

Falas e atitudes como essas demonstram cabalmente o ódio e o preconceito que essa escória política tem para com o nosso povo. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.