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2 de novembro de 2026

O movimento retrógado e a luta constante das mulheres!

 

No Brasil, a oposição ao voto feminino existe desde o final do século XIX e voltou a aparecer em debates públicos em diferentes momentos da história. É importante distinguir a resistência histórica à concessão do voto às mulheres de manifestações contemporâneas que defendem a retirada desse direito.

1. Como surgiu a oposição ao voto feminino?

Olhando o passado no Palácio Tiradentes: um retrato coletivo da autoridade republicana disfarçado de esperança. Bertha Lutz, a sufragista brasileira. "Mulher do diabo": que foi a ativista que criou o primeiro partido feminino do Brasil.

Durante a elaboração da Constituição Republicana de 1891, parlamentares discutiram a participação política das mulheres. O texto constitucional não reconheceu o direito feminino ao voto, e parte dos parlamentares sustentava que as mulheres não deveriam participar da vida política.

Entre os argumentos absurdos e machistas contrários estavam:

1.    A alegação de que as mulheres não teriam capacidade intelectual para participar das decisões políticas.

2. A ideia de que a política deveria ser uma atividade predominantemente masculina.

3. A defesa de que as mulheres casadas deveriam se dedicar ao lar e à família.

4. O receio de que a participação feminina alterasse a organização social e familiar da época.

Essas posições estão documentadas em registros históricos e estudos sobre o sufrágio feminino brasileiro.

2. Quem lutou contra o voto feminino e quem o defendeu?

Em 1910, Leolinda Daltro fundou o Partido Republicano Feminino, organização que reivindicava o direito das mulheres de votar e serem eleitas. Bertha Lutz liderou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, fundada em 1922, que pressionou autoridades e o Congresso pela aprovação do voto feminino.

Na outra ponta, parte dos parlamentares e setores da sociedade resistiu à ampliação dos direitos políticos das mulheres. Portanto, não existiu apenas um movimento organizado contra o sufrágio: houve também uma resistência política, institucional e cultural à mudança.

3. O movimento contra o voto feminino voltou a aparecer em 2026?

Sim. Reportagens publicadas em 2026 documentaram a circulação, em redes sociais e comunidades digitais, de discursos que questionam a capacidade das mulheres de votar e defendem modelos como o chamado voto familiar, no qual o homem poderia votar em nome da família.

A Agência Brasil também noticiou declarações públicas contrárias à autonomia eleitoral feminina e dados sobre violência política contra mulheres. Isso não significa, por si só, que exista uma organização nacional única, formalizada e representativa de todos os que defendem essas ideias.

4. Quando as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil?

Em 1927, a legislação estadual do Rio Grande do Norte passou a permitir o alistamento eleitoral sem distinção de sexo.

Em 24 de fevereiro de 1932, o Código Eleitoral instituído pelo Decreto nº 21.076 reconheceu o voto feminino.

A garantia constitucional veio em 1934 com a nova Constituição incorporou o direito ao voto feminino. Em 1965, finalmente a obrigatoriedade equiparada. O voto feminino passou a seguir a mesma regra geral de obrigatoriedade aplicada aos homens, ressalvadas as exceções legais.

5. O que diz a Constituição atual?

O artigo 14 da Constituição Federal de 1988 estabelece o sufrágio universal e o voto direto e secreto. Além disso, o artigo 60, § 4º, protege o voto direto, secreto, universal e periódico contra propostas de emenda tendentes a abolir essas garantias.

Em resumo: a oposição ao voto feminino tem raízes históricas no Brasil e voltou ao debate público em 2026 por meio de discursos e comunidades digitais fomentados por políticos de extrema direita bolsonarista. A conquista de 1932 foi resultado de décadas de mobilização de mulheres, não apenas de uma decisão isolada do governo.

É inaceitável que, em pleno século XXI, tenhamos que ler e ouvir esses neandertais, figuras machistas tanto quanto obscuras da política brasileira, levantarem a voz contra o voto da mulher, direito sagrado e inalienável.    

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Membro da Academia Bauruense de Letras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública. 

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral, Câmara dos Deputados e Arquivo Nacional.

1 de novembro de 2026

Estão esquecendo daquilo que é inerente aos cargos no Congresso!

 

A oposição ao governo Lula conseguiu nas urnas aumentar suas bancadas na Câmara e no Senado para a legislatura que começa em 2027. Os analistas correm para fazer conjecturas sobre a relação entre o presidente Lula em seu quarto mandato e o novo Congresso Nacional.

A base política de Lula, a princípio, poderá ter em torno de 163 deputados, dependendo das negociações e coligações. A oposição teria cerca de 350 deputados.

O que precisa ser ressaltado e ficar bem claro para a sociedade brasileira é que o papel dos deputados é representar a sociedade brasileira, atender aos pleitos dos seus estados e municípios, além de fiscalizar o poder público. Não está no rol das atribuições dos deputados disseminar fake news, recusar o diálogo com o Poder Executivo nem tampouco votar contra propostas que venham a favorecer a sociedade brasileira.

Neste sentido, é vital que os eleitores façam o seu papel de fiscalizar a atuação dos deputados de seu estado. O voto na eleição é apenas uma pequena parte do processo de participação política do cidadão. Não podendo os brasileiros ficarem quatro anos esperando uma nova eleição para então imaginar que estão participando do processo político nacional.

Ninguém dá cheque em branco nem senha de cartão para deputados. É preciso acompanhar, cobrar e fiscalizar o trabalho realizado pelos que foram eleitos em 2026 e vão cumprir seus mandatos entre 2027 e 2030.

Afinal de contas, os pais não olham o boletim ou as notas dos seus filhos na escola apenas ao final do ciclo (fundamental ou ensino médio). Com os políticos, tem de ser da mesma forma ou até com mais rigor, visto que a atuação destes envolve recursos preciosos que afetam nossas vidas no país.

Em meio a tantas coisas erradas, num país que raramente leva a sério suas leis, regras e regulamentos, fica sempre difícil falar sobre coisas importantes como a democracia, voto e participação política na vida pública do nosso enorme país tão desigual. Mas, obviamente, não podemos nos furtar a conversar, escrever e tentar levar a mensagem do que é certo ao maior número de pessoas possível. Temos obrigação de insistir naquilo que objetiva a melhoria, a consciência político-partidária e o crescimento do nosso povo enquanto agentes de transformação cotidiana.

Neste sentido, não podemos, por mais que tenhamos motivos e justificativas plausíveis, permanecer à margem da vida política nacional. Pois, por trás do cenário político-partidário, há uma grande massa de interessados no afastamento do cidadão das urnas, da participação política, da democracia incipiente do nosso país.

São aqueles que levam vantagens financeiras, usufruindo de cargos e de poder imensurável, aproveitando-se justamente do desinteresse da grande massa que, embora pagando pesados tributos, não cuida do seu quintal quando se trata de política, desde a sua cidade, passando pelo seu Estado, até chegar ao destino maior da nação, que é a presidência da república. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Membro da Academia Bauruense de Letras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O erro das pesquisas, por Luís Nassif

Lula - Vitória - foto de Paulo Pinto - Agência Brasil. 

As pesquisas procuravam medir a disposição de comparecer. Nas ruas e nas redes, essa disposição estava sendo transformada. O grande problema das pesquisas eleitorais — e, sobretudo, de sua interpretação — tem várias facetas.

A primeira é a tendência dos analistas, especialmente dos mais burocráticos, a interpretar o presente com base em disputas passadas. Tornou-se um exemplo clássico dessa miopia a previsão do cientista político Alberto Carlos Almeida, em 2018: assim que começasse o horário eleitoral gratuito, Geraldo Alckmin dispararia em direção ao segundo turno. O tempo de televisão não produziu o efeito esperado, e Alckmin terminou longe da disputa final.

A segunda é a dependência exclusiva dos levantamentos, sem atenção às mudanças de humor e aos movimentos de mobilização que podem ocorrer ao longo da campanha.

Tome-se o erro generalizado das pesquisas que apontavam Flávio Bolsonaro numericamente à frente no segundo turno, embora em situação de empate técnico. O resultado final mostrou Lula com uma vantagem de 3,52 pontos percentuais. 

O que aconteceu nesse intervalo? O que escapou aos levantamentos?

O Datafolha procurou estimar a propensão efetiva ao comparecimento, considerando fatores como a participação no primeiro turno e a distância até o local de votação. No levantamento de 24 de outubro, entre os eleitores classificados como de alta propensão a comparecer, Flávio tinha 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Entre aqueles com propensão média ou baixa, a relação se invertia: 52% para Lula e 48% para Flávio.

Estava aí uma variável decisiva: a capacidade de transformar intenção de voto em comparecimento às urnas. No mundo real, via-se um fenômeno extraordinário que mostrava o oposto: uma enorme mobilização espontânea de pessoas que haviam encarado a boca do dragão — a possibilidade de entregar a democracia brasileira a uma candidatura identificada com forças antidemocráticas.

As manifestações na Avenida Paulista e o movimento nos locais de votação revelavam duas forças. De um lado, um enorme contingente de jovens descobrindo a política. De outro, idosos que, mesmo de bengala, muletas ou cadeira de rodas, faziam questão de votar. Já se sabia que o resultado dependeria, em boa medida, da redução da abstenção. E ela caiu 9,1%, levando às urnas mais de 3 milhões de eleitores adicionais.

É verdade que houve o efeito Janones. Mas, antes dele, mesmo diante das restrições atribuídas à Meta, as redes sociais já estavam tomadas pelo ativismo de pessoas dos mais variados perfis. Uns tocavam músicas em defesa da democracia; outros sapateavam; os mais tímidos gravavam suas declarações de apoio. Sobre essa diversidade de manifestações pairava a força simbólica de Lula: um mito que, naquele momento, parecia alcançar uma dimensão maior do que a do próprio personagem.

Esse é o ponto que uma leitura burocrática das pesquisas não alcança. A disposição de votar não é uma característica imóvel do eleitor. Pode mudar com o medo, a esperança, a percepção de risco e o sentimento de responsabilidade coletiva. Quem ontem parecia pouco propenso a sair de casa pode decidir que seu voto se tornou indispensável.

O país renasceu nessa mobilização. De todos os cantos surgiram jovens dispostos a defender a democracia e idosos indignados com a ruptura dos padrões mínimos de civilidade, muitos deles com a memória dos horrores da ditadura.

As pesquisas procuravam medir a disposição de comparecer. Nas ruas e nas redes, essa disposição estava sendo transformada. 

Autor: Luis Nassif – Publicado no Site GGN - Notícias.