Seguidores

10 de junho de 2026

Copa antidesportiva, racista, xenófoba e para endinheirados

Inglewood, Califórnia, EUA; Bola da Copa do Mundo de Los Angeles de 2026 fotografada durante a inauguração do novo campo da Liga das Nações e à Copa do Mundo de 2026 no Estádio SoFi (Foto: Gary A. Vasquez-Imagn Images/File Photo Purchase Licensing Rights viva REUTERS).

Desde a Grécia antiga, os esportes têm a nobre função de amenizar as tensões entre os polos políticos e de sublimar as rivalidades numa saudável competição.

O primeiro grande boicote geral a um evento esportivo ocorreu em 1980, nas Olimpíadas de Moscou, por iniciativa dos EUA, claro. Antes, houve a ameaça de boicote às Olimpíadas de Berlim, de 1936, a qual não se concretizou, apesar da ampla antipatia por Hitler. Em 1976, 22 países africanos boicotaram as Olimpíadas de Montreal pelo fato de o Comitê Olímpico Internacional ter permitido, um ano antes, que o time de Rugby da Nova Zelândia realizasse uma excursão pela África do Sul.

Mas se há uma competição que mereceria um boicote, ao menos dos torcedores, é essa Copa que ocorrerá, em sua maior parte, nos EUA. Ressalte-se que, em janeiro deste ano, muitas seleções da Europa pensaram em abandonar o torneio, em razão da ameaça da invasão da Groenlândia, feita por Trump.

A Groenlândia não foi invadida (ainda), mas é um completo absurdo o que ICE e as autoridades imigratórias estão fazendo. Hoje, deportaram sumariamente um árbitro da Somália que iria atuar oficialmente nos jogos. Além disso, no mesmo dia, a delegação dos Países Baixos entrou nos EUA tranquilamente. Já a seleção do Uzbequistão, país muçulmano, foi submetida a uma inspeção vexatória.

Antes desses episódios, o atacante e herói da seleção do Iraque, Aymen Hussein, foi detido e interrogado por quase sete horas no Aeroporto Internacional O'Hare, em Chicago (EUA), após chegar com sua delegação para a disputa da Copa do Mundo. Ele foi “confundido” pelas autoridades americanas com “outra pessoa” e passou por rigorosos procedimentos de verificação antes de ser liberado. Não bastasse, após Trump declarar que “a Seleção Iraniana de Futebol é bem-vinda à Copa do Mundo, mas eu realmente não acredito que seja apropriado que eles estejam lá, para a própria segurança deles”, os EUA proibiram o time iraniano de permanecer “muito tempo” em território estadunidense.

Desse modo, a seleção iraniana, que ficará baseada no México, terá de voar para participar de jogos nos EUA um dia antes da data e voltar rapidamente para a sua base após as partidas, o que cria, obviamente, uma absurda falta de isonomia na competitividade da Copa e uma situação vergonhosamente antiesportiva, que viola as próprias regras da Fifa.

Segundo algumas fontes, cerca de 50% dos vistos pedidos estão sendo negados. Torcedores de países que participarão da Copa, como Haiti, Senegal, Costa do Marfim, Irã etc., não estão conseguindo vistos. Um grupo de 42 torcedores marroquinos teve seus vistos negados sem qualquer explicação. Torcedores de países latino-americanos, árabes e africanos estão sob a mira violenta do ICE. Torcedores brancos europeus têm tapete vermelho.

Trata-se, assim, de uma Copa abertamente racista e xenófoba, como Trump. Nem na Berlim de Hitler aconteceu isso.

Mesmo com visto, o torcedor que não seja branco europeu corre o risco de ser deportado sem maiores explicações. Ou pior: ser preso. Ademais, devido à tabelinha corrupta entre a Fifa e o Governo Trump, os preços dos ingressos estão proibitivos para torcedores comuns de classe média.

Os grandes jogos só poderão ser assistidos por endinheirados. Após as recentes agressões comerciais e políticas de Trump contra o Brasil e sua economia, impulsionadas por Bolsonaro et caterva, ir aos EUA para gastar um monte de dinheiro em um país que nos despreza, com a finalidade de assistir a jogos de uma Copa tisnada por preconceitos e violência, é um risco e uma vergonha. 

Autor: Marcelo Zero é sociólogo, especialista em Relações Internacionais e assessor da liderança do PT no Senado. Publicado no site Brasil 247.

8 de junho de 2026

Enfim, o Blog Falando Um Monte atinge a maioridade!

  

Arte: @CelsoLuis - https://www.behance.net/celsoluiz 

Neste dia 08 de junho de 2026, o Blog Falando Um Monte atinge a maioridade, completando dezoito anos de existência carregando consigo números muito positivos.

Afinal de contas, foram 2.710 artigos postados neste período, do autor e de convidados do Blog. Culminando com o acesso de 2.200.000 (Dois milhões e duzentos mil pessoas).

São números significativos e surpreendentes num momento do nosso país em que as pessoas deixam a leitura de lado em troca de celulares, acessos as redes sociais num mundo altamente tecnológico.

Agradeço a todos que colaboraram com o Blog, minha esposa Célia Moia e minha filha Marina Moia que me ajudam nas correções ortográficas. Meu filho Rodrigo Moia, que foi o idealizador do Blog. Meu filho Ronaldo Moia que sempre está ao meu lado.

Também esterno meus agradecimentos ao amigo Celso Luis designer de Bauru, que sempre me ajudou com sua criatividade na divulgação do Blog. E a todos que acessam, leem e compartilham os artigos postados no meu Blog desde 2008. Gratidão

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

4 de junho de 2026

Dark Money – O elo da corrupção!

 

As operações conduzidas pela Polícia Federal recentemente, deixaram um rastro entre os operadores da ação denominada Carbono Oculto, com investigações que resultaram nas prisões dos envolvidos nos escândalos do Banco Master e Reag Investimentos. Há muitas evidências da ligação entre as três operações, lavagem de dinheiro, corrupção e elo entre os operadores.

O processo enviado ao Supremo Tribunal Federal baseado numa reportagem publicada pela revista Veja apontando uma fortuna estimada em aproximadamente R$ 100 milhões atribuída a Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, teria sido direcionada ao Banco Master por intermédio da Reag Investimentos.

A partir dessa informação, tudo indica que existam novos elementos reforçando a necessidade urgente de uma apuração integrada sobre possível lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro nacional e atuação de organização criminosa.

Segundo a notícia de fato, investigadores da Polícia Federal teriam atuado em diferentes frentes relacionadas ao caso Banco Master, inclusive em negócios realizados a partir da Reag Investimentos, apontada na peça como uma possível estrutura utilizada para movimentação e ocultação de grandes quantias em dinheiro.

A lógica jurídica indica que a conexão entre Banco Master, Reag e personagens investigados na Operação Carbono Oculto altera “qualitativamente” a compreensão do caso, ao indicar possível integração entre recursos de origem ilícita e estruturas formais do mercado financeiro.

A investigação do Banco Master demonstra inequivocamente que estamos diante de um dos maiores escândalos financeiros do país. Porque revela a conexão concreta entre fraude financeira, estrutura regulada do mercado de capitais, eventual ocultação patrimonial, intermediação por gestora de investimentos, possível integração de valores ilícitos ao sistema financeiro formal e ramificações da Operação Carbono Oculto.

As investigações conduzidas com extremo cuidado profissional pela PF, agora entram na fase mais difícil em nosso país, que é esperar as ações do Poder Judiciário. Onde nem sempre os bandidos de colarinho branco, empresários e figurões são julgados, condenados e presos por seus crimes. Principalmente por que o Ex dono do Banco Master – Daniel Vorcaro mantinha relações próximas e promíscuas com inúmeros deputados, senadores, autoridades do judiciário, celebridades e subcelebridades.

Em razão disso, está sendo pedido a preservação imediata de registros bancários, fiscais, societários, telemáticos e eletrônicos ligados às operações investigadas, incluindo e-mails corporativos, relatórios internos de compliance, documentos de identificação de clientes e comunicações internas sobre prevenção à lavagem de dinheiro.

Outro ponto central da representação é o pedido para que as autoridades avaliem a adoção de medidas cautelares patrimoniais, como bloqueio, arresto e indisponibilidade de ativos vinculados aos investigados.

A peça também pede que a Polícia Federal informe ao STF se a movimentação atribuída a Primo e Beto Louco, com passagem pela Reag Investimentos e destino ao Banco Master, já integra formalmente as investigações em andamento.

O tempo opera em favor dos investigados quando há intermediação por fundos, gestoras, veículos societários, contas de passagem e operações formalmente lícitas, mas materialmente destinadas à ocultação, diz a lógica criminosa neste nosso paraíso da impunidade.

 Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.