A chamada caminhada pela “liberdade” promovida pelo Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com o intuito de promover a liberdade do criminoso Jair Bolsonaro, tinha, na verdade, como maior apelo tentar desviar o foco das investigações sobre o cunhado do ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro. O motivo é a proximidade do deputado mineiro com Fabiano Campos Zettel e a sua Igreja Lagoinha em BH.
Zettel foi preso temporariamente quando tentava embarcar em um voo com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A PF efetuou a prisão para evitar uma possível fuga e garantir a apreensão de dispositivos eletrônicos (como seu celular) antes que ele saísse do país.
Na campanha eleitoral de 2022, Zettel doou R$ 3 milhões ao candidato do PL (mesmo partido de Nikolas Ferreira) Jair Bolsonaro. Ele ainda doou R$ 2 milhões ao candidato Tarcísio de Freitas para a campanha ao governo de SP. Esses valores representaram a maior doação de uma pessoa física para as respectivas campanhas.
A ligação entre o deputado Nikolas Ferreira, a Igreja Lagoinha e o empresário Fabiano Zettel envolve afinidades políticas, vínculos religiosos e, recentemente, citações em investigações da Polícia Federal.
De acordo com as informações disponíveis no contexto: Nikolas Ferreira é membro da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, e possui proximidade com as lideranças da instituição, como o pastor André Valadão. A igreja tem sido mencionada em investigações sobre o uso de plataformas digitais para recebimento de doações, que teriam sido alvo de suspeitas de irregularidades financeiras.
Esclarecidos os verdadeiros motivos da caminhada de Nikolas, disfarçada de apoio a um presidiário, vamos então imaginar que os brasileiros que possuam algum parente condenado pela justiça cumprindo pena de prisão em regime fechado resolvessem fazer uma caminhada até o respectivo local onde o parente cumpre pena.
Se isso acontecesse, num país com cerca de 941 mil detentos, as nossas rodovias iriam se transformar na estrada dos andarilhos pela “liberdade”.
Lembrando que a situação atual no nosso sistema penitenciário é a seguinte:
Total de pessoas em cumprimento de pena: 941.752.
Presos em celas físicas: Aproximadamente 705.872 pessoas.
Prisão domiciliar: Cerca de 235.880 pessoas (com ou sem monitoramento eletrônico).
Déficit de vagas: Existe uma falta de aproximadamente 202 mil vagas no sistema, o que gera uma taxa de ocupação média de 150% (superlotação).
Infelizmente, uma parcela considerável dos brasileiros acredita em fake news e em tudo que políticos de direita fazem e falam nas redes sociais, sem averiguar a procedência, sem pesquisar os fatos e dando crédito a pessoas cujo único interesse é se manter em seus cargos para defender milionários, banqueiros golpistas, criminosos e Bets.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.



