Quando o primeiro turno das eleições terminou com as urnas indicando a vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula por 56.104.503 votos contra 53.879.538, um clima de arrogância misturada com uma soberba tomou conta das hostes bolsonaristas. Flávio começou a agir como se já fosse presidente da república eleito.
A análise era simples por parte dos bolsonaristas. Somando os votos dos demais candidatos de direita, Flávio teria, em tese, cerca de 65.160.555 de votos em potencial. Até porque, assim como os seus eleitores, os eleitores de Cury, Caiado, Zema e Renan eram, na maioria esmagadora, antipetistas. Supostamente, Lula teria de cara doze milhões de votos para ultrapassar, se quisesse se eleger no segundo turno.
Outro detalhe importante é que, sempre que o bolsonarismo vence, não há suspeita de fraudes, nem alegações contra as urnas eletrônicas ou o sistema eleitoral. Foi assim no primeiro turno desta eleição.
Veio o segundo turno e Flávio teve a ajuda imprescindível de Caiado, Tarcísio, Zema, Meta, EUA, Milei, Kássio Nunes e André Mendonça (Presidente e Vice do TSE, respectivamente). Até por conta dessa força auxiliar, o candidato bolsonarista começou a indicar possíveis ministros, falar abertamente dos cortes e maldades que pretendia fazer para com os trabalhadores, aposentados e pensionistas do país.
A soberba tomou conta da cabeça de Flávio, que pensou que estava numa eleição simples contra alguém inexperiente, esquecendo que do outro lado estava o homem que venceu três eleições para a presidência.
No debate realizado na TV Globo, diante de milhões de brasileiros, o filho do presidiário achou que estivesse na prisão domiciliar do pai, ao lado de Carluxo, e resolveu ofender Lula, chamando-o de "nove dedos", numa alusão cretina ao fato de Lula ter perdido um dedo quando jovem numa metalúrgica onde trabalhava, algo que Flávio nunca teve – Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS.
Essas ofensas, somadas à soberba e às iniciativas da campanha de Lula, fizeram o que parecia impossível. Ao final da apuração do segundo turno, Lula teve 64.256.232 contra 59.826.041. Uma vitória esmagadora e sem contestação plausível diante do mundo inteiro.
Claro que, plausível aos olhos de gente honesta, o candidato Flávio, sem provas e de maneira covarde e criminosa, alegou que a extensão do horário da eleição determinada pelo TSE prejudicou a eleição. O amigo do Vorcaro esqueceu de dizer aos microfones que a sua campanha também pediu oficialmente essa prorrogação de horário. Além do fato de que, onde houve problemas com transporte público, havia prefeitos bolsonaristas. Estes estavam tentando desesperadamente evitar que os eleitores chegassem às urnas para votar em Lula.
Agora resta ao candidato provar que houve fraude, sendo que o presidente e o vice do TSE foram indicados aos cargos pelo seu pai, ou ainda, fugir do Brasil como o fez seu irmão e tantos outros "bolsomasters" criminosos.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Membro da Academia Bauruense de Letras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.


