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11 de fevereiro de 2026

A sociedade do excesso

 

Em um mundo de superabundância de informação e consumo, o filósofo e curador do Fronteiras do Pensamento reflete sobre o cansaço, a hiperatividade e a busca por sentido na era digital.

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han chamou a nossa época de “sociedade do cansaço”. Não por acaso se tornou uma espécie de astro pop da filosofia. Seu mérito foi capturar de um jeito simples um traço definidor de nossa época. A ideia de que vivemos em uma era de excesso. E de que estamos com dificuldade de lidar com isso. O excesso assume muitas formas. A mais elementar de todas é a informação. Perto de 200 zettabytes de informação rodam pelo planeta, neste 2026, contra apenas 1 zettabytes, década e meia atrás.  Um volume que basicamente irá dobrar a cada ano, por certo aprofundando a sensação de mal-estar e do caos contemporâneos. 

O excesso, porém, vai além da informação. Nas últimas três ou quatro décadas, a renda média mundial praticamente dobrou, refletindo um ganho expressivo — ainda que desigual — dos processos tecnológicos e de integração econômica. Ao mesmo tempo, a pobreza extrema caiu de 38% para perto de 8% da população. O tempo de trabalho necessário para comprar produtos e comodidades vem declinando em ritmo constante, em um efeito clássico de ganhos de produtividade, no que os economistas Marian Tupy e Gale Pooley identificaram como nosso caminho para a “superabundância”. 

Em 1930, Keynes escreveu seu conhecido “Possibilidades econômicas para os nossos netos”, sugerindo que, em um século, teríamos multiplicado nossa riqueza em até oito vezes, e que a jornada de trabalho poderia chegar a coisa de quinze horas semanais. Quase um século depois, dá para dizer que ele acertou na primeira previsão, mas errou redondamente na segunda. De fato, ficamos mais ricos, ainda que muito desigualmente, mas definitivamente andamos mais ocupados e atarantados do que nunca. 

Não é por acaso que a “economia da atenção” tenha se tornado um grande tema contemporâneo. Não apenas porque há toda uma indústria de plataformas digitais trabalhando para capturar, via algoritmos, a nossa atenção, mas porque nós mesmos andamos seduzidos pelo caos informativo. E não sem razão. A informação é uma forma de poder. E o poder foi descentralizado. Moisés Naim chegou a falar no “fim do poder”, por certo um exagero. Mas inequivocamente fazemos mais, nos preocupamos mais, nos incomodamos mais, porque nosso senso de urgência foi ampliado. Antes receptores de informação, agora temos o poder de influenciar, de opinar sobre qualquer assunto, de inventar textos e fazer filmes inteiros, com a IA, de gerar empresas, negócios, experimentar novas formas de trabalho, novas formas instantâneas de afeto. E de solidão, da mesma forma. 

Byung-Chul Han é cruel com este novo mundo. “O animal laborans pós-moderno”, diz ele, “é hiperativo e hiper neurótico”. A modernidade dessacralizou o mundo, perdemos a ideia de um grande sentido, e curiosamente colocamos no lugar a atividade incessante, quem sabe uma hipervalorização do trabalho, mas também da “relevância”, do impacto, da “reputação” e de tudo que compõe a obsessão contemporânea. Por vezes surge nisso a antiga imagem nietzschiana do “último homem”. O indivíduo obcecado pela longevidade, pela saúde, pelo bem-estar. Com um detalhe quem sabe amargo: o tipo que consegue, ao cabo, converter mesmo a busca da felicidade em novíssimo tipo de neurose. 

É um pouco sobre este mundo que o Fronteiras quer refletir, neste Festival. Nossa ideia, no fundo, é uma antiga sedução: o convite à fruição da beleza. A beleza das ideias, da controvérsia amável, do tempo lento e da incerteza como incentivo à autonomia individual. O que cada um pode esperar é nosso compromisso de sempre: a pluralidade das ideias e o convite a reflexão sem pressa. É o mínimo que um projeto intelectual pode buscar, nesta era do excesso.  

Autor: Fernando Schuler é filósofo e cientista político criador e curador do Projeto Fronteiras do Pensamento, professor do Insper, Doutor em Filosofia e Mestre em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com Pós-doutorado pela Universidade de Columbia, em Nova York. É Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e Especialista em Gestão Cultural e Cooperação Ibero-americana pela Universidade de Barcelona (UB). Colunista do Estadão e da Band. Publicado no Site Fronteiras do Pensamento.

10 de fevereiro de 2026

A justificativa de um deputado bolsonarista contra concessão do vale gás!

 

Após a aprovação na Câmara dos deputados do benefício concedido pelo governo brasileiro aos mais necessitados, o Vale Gás, o deputado mineiro do PL/MG, Nikolas Ferreira começou a disparar contra o benefício, dizendo entre outras coisas que essas pessoas pobres deveriam trabalhar para pagar o seu gás de cozinha.

Sorrindo, o deputado critica o governo sem apresentar nenhuma alternativa que não seja o famoso bordão do deputado criado por Chico Anísio – Justo Veríssimo – “O povo que se exploda”. Assim pensa Nikolas Ferreira.

O valor do Vale Gás (Auxílio Gás dos Brasileiros) não é fixo. Ele é calculado com base no preço médio do botijão de gás de cozinha de 13 kg e pode variar a cada ciclo de repasse.No novo formato, até dezembro de 2025, o benefício estava sendo pago na forma de voucher para compra do gás, com valores que variam por estado — porque o preço do gás é diferente conforme a região. Em São Paulo: cerca de R$ 96,51 por botijão de 13 kg.

A hipocrisia e safadeza não tem tamanho na fala de quem como deputado federal recebe remuneração bruta mensal de R$ 46.366,19.

Além do salário, os deputados têm direito a várias verbas e benefícios que aumentam o custo total do cargo, por exemplo:

·        Verba de gabinete: cerca de R$ 125.478,70 por mês para pagar salários de até 25 assessores e outros custos do mandato.

·        Cota parlamentar: verba para despesas essenciais da atividade (passagens, combustível, aluguel de escritório etc.), cujo valor varia conforme o estado e pode somar dezenas de milhares por mês.

·        Auxílio-moradia: cerca de R$ 4.253,00 por mês para quem não usa imóvel funcional em Brasília.

·        Diárias de viagem e outras indenizações: quando o deputado precisa viajar em missão oficial.

Somando salário + verbas de gabinete + cota + outros benefícios, o custo total mensal de um deputado federal para os cofres públicos pode chegar a cerca de R$ 270 mil ou mais — dependendo de como as verbas são usadas.

Com todas essas mordomias e salário de Marajá, esse deputado vem a público questionar um benefício concedido para quem não tem condições de arcar com os custos de um botijão de gás, esquecendo-se ou fingindo se esquecer que essas pessoas não tem moradia decente, alimento no prato, emprego, saúde e nem condições para estudar e levar uma vida digna.

Ele faz parte da bancada bolsonarista que durante o governo Bolsonaro cortou verbas públicas de auxílios, educação, saúde, programas de vacinação e congelou salários. Enquanto ajudava pastores milionários, banqueiros e empresários com inúmeras concessões e gratuidades às custas dos nossos impostos.

Ele faz parte da corja que protege os ricos, que é contra o aumento dos impostos para os milionários e empresas de apostas – Bets. Esse sujeito votou contra redução de impostos da cesta básica, contra a isenção de IRPF para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Ele vota sistematicamente contra tudo que o governo Lula proponha a favor do povo.

Entre seus amigos e financiadores de campanha estavam o pessoal do Banco Master, o cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, preso quando tentava fugir do Brasil. Ele, que é empresário em vários setores — incluindo investimentos em academias de luxo, marcas de açaí e como fundador/CEO de um fundo de private equity — além de ser pastor da Igreja Bola de Neve / Lagoinha.

Porém, o único problema para o deputado é o Vale Gás... 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

9 de fevereiro de 2026

O que o Brasil menos precisa é de novos partidos políticos!

                          

Espaço Vital - Cartum Cícero.

O surgimento de mais um partido num cenário saturado com mais de 30 agremiações partidárias é um absurdo. O novo velho partido é o Missão, oriundo dos moleques do MBL, aqueles que invadiam universidades e hospitais em busca de imagens para poderem lacrar enquanto distorciam a verdade.

Estiveram ao lado da extrema-direita bolsonarista em 2018 e 2022. Depois da tentativa de golpe de Estado e dos casos de roubos de joias e outros escândalos, pularam fora da barca resolveram agir por conta própria criando um partido de extrema-direita. Mais um credor para o fundo partidário bilionário.

Ficou fácil, pois agora criticam o PT, PSOL na esquerda e os partidos de direita convencionais. Ninguém presta na ótica deles e só o que eles falam é a luz da verdade. Acontece que não possuem legado, nunca fizeram nada de útil a sociedade brasileira, portanto, não tem como comparar com algo dentro do já combalido cenário político nacional.

O Missão é mais do mesmo neste cenário exaurido em que os políticos criticam tudo e não fazem nada para mudar o que está errado. Nossa política precisa de uma reforma que acabe com o excessivo número de partidos, com as regalias recebidas pelos políticos, pelo número exagerado de vereadores, deputados estaduais e federais, pelo fim da concessão e auxílios infindos imorais que solapam nossos impostos.

O novo grupamento vai na contramão e a única coisa que pleiteiam é pena de morte para criminosos. Surgem com o surrado slogan “Bandido bom é bandido morto”. Um tanto quanto fascista e imoral, visto que bandido milionário que dá golpes em grande lojas e bancos não estão inclusos neste slogan.

Suas principais propostas são:

Segurança Pública: Defende o endurecimento de penas, o combate frontal ao narcoterrorismo e inspira-se em modelos como o de Nayib Bukele (El Salvador).

Economia: Segue uma linha liberal, mas com pitadas de desenvolvimentismo focado em infraestrutura e industrialização regional (como no Nordeste).

Valores: Defesa dos valores judaico-cristãos e da cultura clássica, mas com foco em um "projeto de nação" e ruptura geracional (focado nas gerações Millennial e Z).

Após o registro do partido Missão, outras 23 legendas tentam sair do papel no Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Atualmente, o País conta com 30 partidos políticos regularmente registrados na Justiça Eleitoral.

Pela Lei dos Partidos Políticos, é livre a criação de legendas, desde que seus programas respeitem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana. A legislação também assegura autonomia para a definição de estrutura interna, organização e funcionamento das siglas.

Infelizmente, isso mostra que assim como existem igrejas em milhares de fundos de quintais, em busca de enriquecimento às custas da isenção de impostos, políticos de diversos grupamentos querem desfrutar do fundo eleitoral brasileiro e dos altos salários e benefícios a disposição dos políticos no país.

 

                                         Imagem: Chargeonline.com.br

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.