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20 de outubro de 2026

O lixo era público. Quem escrevia as regras?

Imagem: Fernando Redondo.

Documentos da Operação Cavalo de Troia apontam suspeitas de uma engrenagem que conectava interesses empresariais, decisões administrativas, articulação política e pagamentos na concessão bilionária de Bauru. 

Uma licitação pode começar a ser comprometida muito antes de alguém apresentar uma proposta. Basta que o interessado em vencer consiga participar da escolha das regras pelas quais será julgado. Os envelopes chegam depois. A vantagem pode estar pronta antes. 

É essa a questão que emerge dos documentos da Operação Cavalo de Troia, em Bauru. Segundo o Ministério Público, interesses ligados à Estre Ambiental teriam penetrado na preparação da concessão dos resíduos sólidos, alcançando estudos, modelagem, documentos jurídicos e respostas aos questionamentos apresentados ao procedimento. 

Estamos falando de um empreendimento projetado para 30 anos, com contraprestações estimadas em R$ 5,259 bilhões. Atenção ao significado do número: é o valor previsto da concessão, não uma quantia comprovadamente desviada. A cifra dispensa exageros. Três décadas de compromissos públicos já justificam perguntas que nenhum governo deveria considerar inconvenientes. 

A primeira delas é elementar: quem estava, de fato, trabalhando para quem?

Na narrativa do Gaeco, Hamilton Libório Agle coordenava os interesses empresariais. Cilene Chabuh Bordezan, então secretária de Meio Ambiente, funcionava como ligação com a Prefeitura. Talita Chieregatti participava da operação empresarial e documental; Sara Moura, das providências internas da administração. Mário Luiz Silvério forneceria a chancela técnica vinculada à FIPE, enquanto Vitor João de Freitas Costa daria sustentação jurídica aos atos. 

Perceba o leitor a dimensão do problema. Uma administração contrata assessoramento técnico para obter uma avaliação independente. Se a empresa interessada no futuro contrato influencia aquilo que será apresentado como avaliação independente, o parecer conserva o papel timbrado, mas perde sua razão de existir. 

A técnica vira argumento de autoridade. O carimbo continua respeitável. Falta saber quem segurava a caneta. O desdobramento mais recente da investigação acrescentou a essa estrutura a atuação de Renato Purini, então secretário de Governo e marido da prefeita Suéllen Rosim. 

As mensagens reproduzidas pelo Ministério Público mostram Purini acompanhando a votação do projeto que autorizou a concessão. A sessão atravessou a madrugada e terminou, em primeiro turno, às 5h40 de 9 de dezembro de 2025: onze votos a nove. Em conversa com Cilene, ele afirmou estar pressionando vereadores e relatou: “Segurei 2 no estacionamento indo embora”. Acrescentou que mantinha uma pessoa na porta para essa finalidade. 

Articular votos faz parte da política. O cargo de secretário de Governo inclui interlocução com o Legislativo. O interesse jornalístico está em descobrir a finalidade concreta dessa mobilização e sua eventual relação com as cobranças financeiras identificadas nas demais mensagens. É aí que a história deixa de caber na explicação confortável de que se tratava apenas de defender um projeto da administração. 

Segundo o Gaeco, Purini indicou o advogado M. L. C. ao núcleo empresarial e acompanhou tratativas e pagamentos formalizados como serviços jurídicos. O Ministério Público aponta elementos de emissão e pagamento de uma nota fiscal de R$ 750 mil, cobrança adicional de R$ 90 mil e referências a uma obrigação recorrente. 

Na reconstrução apresentada pelos investigadores, Cilene transmitia demandas, Hamilton autorizava ou confirmava pagamentos, Talita providenciava os instrumentos documentais, Ricardo Sottomayor executava operações financeiras e M. L. C. figurava como recebedor formal e possível intermediário. 

A investigação precisa demonstrar o percurso completo desses recursos. O próprio MP reconhece que os beneficiários finais, a distribuição das quantias e o valor global ainda exigem aprofundamento. Mas há uma pergunta que já pode ser feita, sem licença de ninguém: quais serviços justificavam esses pagamentos? 

Serviço jurídico tem objeto. Tem trabalho produzido. Tem correspondência entre contratação, execução e remuneração. A resposta precisa aparecer nos documentos, com datas, entregas e responsáveis. Os R$ 90 mil correspondem exatamente a 12% dos R$ 750 mil. Nas conversas examinadas, o percentual surge associado à palavra “imposto”. O Gaeco sustenta que o cruzamento das mensagens permite identificar cobranças financeiras por trás de expressões aparentemente relacionadas a assuntos jurídicos. 

A aritmética fecha. A investigação terá de fechar o caminho do dinheiro. Em decisão de 15 de outubro, a Justiça decretou a prisão preventiva de Purini e aplicou medidas cautelares a M. L. C. e Sottomayor. Trata-se de uma decisão fundada em indícios e riscos apontados para a investigação, não de uma condenação. A precisão importa. Uma acusação consistente não precisa de sentença antecipada para ser grave. Também não precisa de culpados por parentesco. O Ministério Público e a decisão examinada registram que Suéllen Rosim não figura como investigada nos fatos ali delimitados. Ser esposa de Purini não transfere à prefeita a responsabilidade penal pelos atos atribuídos a ele. 

Já a responsabilidade pela condução do governo exige outro conjunto de respostas. Quem verificou os vínculos dos responsáveis pelos estudos? Que controles foram aplicados às nomeações? Quem conferiu a independência da consultoria? Como foram avaliadas as impugnações? Quais informações chegaram à Câmara antes de seus integrantes autorizarem um compromisso dessa dimensão? 

À Comissão Processante, Suéllen afirmou que não recebeu alertas prévios sobre irregularidades, classificou seus contatos com Hamilton como institucionais e disse que as etapas técnicas eram conduzidas pelas estruturas responsáveis. A explicação precisa ser confrontada com os registros administrativos. Delegar tarefas faz parte de governar. Demonstrar como essas tarefas eram supervisionadas também. Se tantos setores participavam do procedimento, a Prefeitura deve conseguir apresentar os controles exercidos por cada um. A divisão de responsabilidades precisa permitir identificar quem decidiu. Do contrário, corre o risco de se transformar numa divisão de desculpas. 

A Câmara tampouco pode encerrar sua participação na contagem dos votos. Votar a favor da concessão não comprova recebimento de vantagem. Votar contra não dispensa o exame de uma suspeita financeira. A investigação deve seguir atos e documentos, sem conceder imunidade a aliados nem fabricar culpa para adversários. 

Isso vale, inclusive, para Estela Almagro. O processo reproduz conversas sobre um suposto custeio de viagem ligado à expectativa de sua ausência da sessão. O MP ressalva que esse possível repasse e sua finalidade precisam de confirmação independente. Outro registro contém uma afirmação de Hamilton sobre pagar aluguel da vereadora. A fala existe na transcrição; a comprovação financeira dessa alegação não está estabelecida nos trechos examinados. 

Essas referências exigem esclarecimentos e documentos. A oposição de Estela à concessão deve ser registrada, assim como devem ser apuradas as afirmações feitas a seu respeito. Jornalismo perde sua utilidade quando escolhe previamente quem pode ser questionado. O mesmo critério vale para as referências à imprensa. Conversas entre Hamilton e Cilene revelam interesse em construir relações capazes de ajudar o grupo em momentos de dificuldade. Há relatos sobre aproximação com o jornalista Jabbour. 

A expectativa dos interlocutores não comprova adesão do jornalista a qualquer irregularidade. Revela, porém, como eles enxergavam a utilidade de uma relação com a imprensa. Cabe apurar os contatos e ouvir os citados, sem transformar a presunção de influência de uma fonte em prova de submissão de uma redação. O interesse público desta história está justamente nas conexões: quem produzia a informação, quem a legitimava, quem a transformava em decisão e quem poderia ganhar com o resultado. 

Bauru precisa conhecer o trabalho existente por trás de cada parecer, contrato, aditivo e nota fiscal. Precisa saber se as instituições encarregadas de proteger o Município preservaram sua independência ou foram utilizadas para dar aparência pública a interesses privados. A coleta de lixo é um serviço essencial. A concessão, uma escolha de política pública sujeitam a debate, controle e fiscalização. Nenhuma das duas coisas pode servir de salvo-conduto para relações que a administração não consiga explicar. Trinta anos são tempo demais para aceitar respostas vagas. E R$ 5,259 bilhões são dinheiro público demais para que a pergunta mais simples continue sem resposta: quem escrevia as regras — e a serviço de quem? 

Autor: Fernando Redondo – Jornalismo investigativo e independente.

18 de outubro de 2026

A derrocada do nosso sistema eleitoral numa democracia que agoniza!

                                                            Chargista Cláudio

Os eleitores brasileiros ficaram vinte e cinco anos sem poder eleger o presidente da república. Com o fim da ditadura militar e a chamada redemocratização, isso voltou a ocorrer em 1989. Neste ano, os eleitores puderam novamente eleger, por meio do voto livre e direto, o presidente da república.

A partir deste momento, tivemos eleições em 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, até que chegamos ao pleito de 2014. De um lado, Dilma Rousseff tentava a sua reeleição contra Aécio Neves. Dilma venceu no segundo turno por uma diferença de 3.459.963 de votos, ou 3,28%.

O candidato Aécio, inconformado com sua derrota, questionou a lisura da eleição e do sistema eleitoral brasileiro pela primeira vez desde a redemocratização. Naquela eleição já estavam em uso as urnas eletrônicas implantadas em 1996 e que nunca tiveram nenhuma fraude sequer comprovada até 2026.

Aquele movimento de Aécio indo ao TSE levar reclamações de supostas fraudes, sem ter nenhuma prova, serviu anos depois para motivar Jair Bolsonaro a questionar as urnas eletrônicas sem ter jamais uma prova sequer. Usando apenas de maledicência, fez insinuações para que os seus eleitores tivessem uma justificativa para uma possível derrota.

Acabou eleito e tomou posse em 2019, sem comprovar as acusações. Entretanto, passou quatro anos repetindo o mantra das urnas eletrônicas aos seus interlocutores e apoiadores.

Esse é apenas um lado do que se transformou o sistema eleitoral após o surgimento do bolsonarismo, uma seita sectária formada por pessoas intolerantes, cidadãos armados e políticos inescrupulosos. Esse grupo de pessoas arrasta milhões de apoiadores que se informam exclusivamente dentro dos grupos de mensagens, redes sociais e algumas igrejas.

Não aceitam debater ideias, em parte porque são desprovidos de inteligência para discutir com seriedade, com base em fatos reais e não suposições falsas. Não aceitam o contraditório, rejeitam pessoas de religiões afrodescendentes, homossexuais, e estendem a sua intransigência a diversos campos da nossa sociedade.

Não aceitam a ciência, fazem parte do movimento antivacina que nasceu nos EUA. Questionam as campanhas de vacinação e deixam de vacinar seus filhos. O que já trouxe reflexos graves com a volta de doenças antes erradicadas no país.

Os bolsonaristas andam como zumbis nas manifestações promovidas pelo partido, com bandeiras de Israel, acreditando que aquele seja o país de Jesus Cristo. Idolatram Trump e os EUA, que possuem na atual gestão uma dívida pública de R$ 5 trilhões. Adotam todos os políticos extremistas de direita, sem, no entanto, se aprofundarem nos dados de suas gestões. Na América do Sul, veneram Milei, um aloprado que está destruindo a Argentina.

Aqui no Brasil, não existem mais debates saudáveis dentro de nosso sistema democrático, visto que os políticos bolsonaristas não conseguem discutir ideias e projetos de governo, preferindo espalhar mentiras sobre os adversários. Usam a religião e o discurso fascista como armas na ausência de argumentos que possam justificar a seita bolsonarista.

O bolsonarismo roubou a política tradicional da direita brasileira, dando espaço a um grupo extremista que se utiliza da disseminação de fake news nas redes sociais e aplicativos de mensagens para sobreviver por meio do ódio aos seus oponentes.

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

16 de outubro de 2026

Escritor Rafael Moia receberá o Título de ‘Cidadão Bauruense” nesta sexta-feira (16/10)

 

Na noite desta sexta-feira (16/10), a partir das 19h, a Câmara Municipal realiza no Plenário “Benedito Moreira Pinto” a Sessão Solene para a entrega do Título de “Cidadão Bauruense” ao escritor e analista político Rafael Moia Filho.

A homenagem, aprovada pelo plenário da Casa de Leis no dia 6 de outubro de 2025, foi proposta pelo vereador Natalino da Pousada (PDT) e deu origem ao Decreto Legislativo n.º 2.412/2025 (Processo n.º 296/2025).

O Título de “Cidadão Bauruense” é uma honraria concedida pelo Poder Legislativo a pessoas que contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento da cidade, mas não nasceram em Bauru. É um modo de reconhecer e agradecer o trabalho, a dedicação e os serviços prestados em prol do município.

Acompanhe

A Sessão Solene será transmitida ao vivo pela TV Câmara Bauru (Canal 10 da Claro/NET e Canal 31.3 no sinal aberto digital). Também é possível assistir à solenidade pelo YouTube e pelo portal da Casa de Leis.

Confira a justifica do vereador para a concessão da homenagem:

Rafael Moia mudou-se para Bauru em 1996, onde trabalhou na Companhia Energética de São Paulo e na Companhia de Transmissão Paulista até o ano de 2006. Trabalhou no fórum Criminal de Bauru de 1996 a 1997. Encerrou sua atividade profissional na Hidrovia Tietê Paraná em 2011.

Em Bauru, foi integrante da ONG Batra Bauru Transparente, chegando a exercer a sua presidência. Neste período a entidade esteve à frente de diversos trabalhos em prol da transparência, combate à corrupção e na implantação de Programas e Projetos voltados à Educação, Transparência e ao Voto Consciente, quando foram realizadas mais de cem palestras em escolas, universidades, fábricas levando informações relevantes sobre a importância do voto consciente.

Como escritor, é autor de dez livros, todos lançados em nossa cidade. Como fruto deste trabalho, foi indicado e aceito como Acadêmico da Academia Bauruense de Letras em 2024, ocupando a cadeira de nº 33 - Patrono Mário Lago.

Entrou na CESP em 1974 como contínuo da presidência da empresa, galgou diversos cargos ao longo de sua trajetória de 38 anos na empresa, chegando ao cargo de Especialista em Administração, ocupando o cargo de Gerente de Divisão de Recursos Humanos na Fundação CESP.

Exerceu a função de comentarista nas Rádios Auriverde e JP por vários anos, também foi apresentador do Programa Bauru Fala na TVC, já contribuiu com a 94FM e a Top FM em períodos eleitorais como comentarista do processo eleitoral.

Escreveu mais de 1.920 artigos que foram publicados em diversos jornais, revistas e Blogs ao longo dos últimos 27 anos. Seu Blog Falando Um Monte criado em 2008 tem 17 anos de existência com cerca de 1.960.000 (Um milhão novecentos e sessenta mil) acessos no Brasil e em diversos países. Possui cerca de 30 mil seguidores em suas redes sociais.

Diante da magnitude das funções exercidas, nas quais levou o nome de Bauru a posição de destaque em diversos cenários, colaborando também para a melhoria da assistência a população bauruense mais vulnerável, acreditamos que ele seja merecedor deste reconhecimento por parte desta Câmara Municipal de Bauru.