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6 de julho de 2026

Um réquiem para o (ex) país do futebol.

  

Haaland disputa bola e humilha a defesa brasileira em Brasil x Noruega. Fonte: Buda Mendes Getty Images Via Fifa. 

Não somos mais o país do futebol? A pergunta ecoa pelas ruas tristes e silenciosas, pelos bares esvaziados e pelas salas de estar onde a cerveja esquentou antes mesmo do apito final. O que aconteceu conosco?

Quiseram as deusas do futebol que perdêssemos num domingo, bem no fim de tarde. O sol se punha sobre Nova Jersey, tingindo o céu de um laranja melancólico, enquanto nós, aqui no Brasil, assistíamos anestesiados à repetição de um roteiro sádico. Vagávamos em busca de culpados por um jejum que já dura décadas. Logo num domingo. Anunciava-se, de forma implacável, uma segunda-feira nublada, triste, trágica. Uma segunda-feira de trabalho árduo para a maior parte do povo brasileiro, que, mais uma vez, voltaria à labuta sem título, sem feriado, sem o grito de campeão entalado na garganta. Mais uma vez derrotados pelos europeus. O relógio marcava o fim de uma era, ou talvez a confirmação de que a nossa era já terminou há muito tempo.

Não somos mais o país do futebol? A pergunta ecoa pelas ruas tristes e silenciosas, pelos bares esvaziados e pelas salas de estar onde a cerveja esquentou antes mesmo do apito final. O que aconteceu conosco? A Noruega, um país cuja tradição no esporte mal preenche uma página, impôs-nos um doloroso 2 a 1, selando a nossa pior campanha desde 1990. Caímos nas oitavas de final. Um vexame com requintes de crueldade, onde um gigante loiro chamado Haaland nos lembrou, com dois golpes fatais, de que a força e a eficiência nórdica atropelaram o nosso propalado talento. Desde 2002, quando Cafu ergueu a taça em Yokohama, não conseguimos passar por um adversário europeu em fases eliminatórias. França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Croácia e, agora, a Noruega. O Velho Continente tornou-se um muro intransponível para o nosso futebol que, outrora, encantava o mundo.

Acreditamos na cantilena tecnicista do Mister. Ah, o Mister! Carlo Ancelotti chegou com a pompa de um salvador, o rei dos clubes europeus que desceria ao nosso trópico para nos ensinar a jogar bola. Mas por que raios o chamamos de Mister? Por que tal empáfia diante de uma campanha tão patética? A submissão a um jargão importado reflete a nossa própria crise de identidade. Entregamos a alma da Seleção a um estrangeiro na esperança de que ele nos devolvesse a nós mesmos. O resultado foi um time que teve meros 32% de posse de bola contra a Noruega. O Brasil, o país do drible, do toque, do gingado, reduzido a assistir o adversário trocar passes. O Mister morreu abraçado aos seus veteranos, incapaz de dar um padrão de jogo a uma seleção que só engasgou e nunca encantou coletivamente nesta Copa.

O pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães no primeiro tempo, batido a meia altura, sem convicção, foi o prenúncio do desastre. Onde estava Vini Jr., o nosso craque, o homem destinado a assumir a responsabilidade? “O Ancelotti que escolhe”, foi a resposta protocolar. A burocracia tática anulou a ousadia. Quando Neymar entrou, aos 21 minutos da etapa final, parecia o fantasma de um passado supostamente glorioso tentando assombrar o presente. Fez o seu gol de pênalti nos acréscimos, mas era tarde. Como disse Casagrande, o comportamento do craque tornou-se a cereja podre de um bolo azedo. Um time sem alma, sem fibra, engolido pela própria soberba e pela falta de planejamento.

Em 2030, completaremos 28 anos sem erguer a taça da Copa do Mundo. É o mesmo hiato amargo que separa a primeira edição, em 1930, da glória inaugural de Pelé e Garrincha em 1958. Mas, naquelas décadas, construíamos uma identidade. Hoje, parecemos desconstruí-la. A derrota para a Noruega é o reflexo de um futebol elitizado, distante do povo, gerido por cartolas (e jogadores “bets”) que pedem “ciclo completo” e “confiança total” em meio ao caos e à farra das finanças.

As deusas do futebol são implacáveis com a arrogância. Elas nos cobraram a fatura num domingo à tarde, deixando-nos com a ressaca de uma paixão mal resolvida. A segunda-feira chegou, o despertador tocou, e o brasileiro, o verdadeiro herói dessa história, levantou-se para mais um dia de luta. Sem a taça, sem a ilusão, restando apenas a pergunta que teima em não calar: quando, afinal, voltaremos a ser nós mesmos? Ou melhor, o que somos para além do “país do futebol”?

Autor: Lindener Pareto Jr. - Professor, Historiador, Comunicador. Mestre e Doutor pela USP. Curador e Supervisor Acadêmico no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Apresentador do “Provocação Histórica", programa semanal de divulgação de História, Cultura e Arte nos canais do ICL. Autor de "Crônico e Anacrônico: Publicado no Site ICL Notícias.

5 de julho de 2026

Depois das escolas militares, senadores agora propõem o Homeschooling!

Os senadores bolsonaristas protocolaram no último dia 30 de junho, um requerimento de urgência para votar um projeto de lei que regulamenta o ensino domiciliar no país, o chamado homeschooling. Aprovado em 2022 na Câmara dos Deputados, o texto seguia parado no Senado desde então.

A poucos meses da eleição, os senadores se articularam para votar o projeto em urgência para assim evitar a discussão na Comissão de Educação da Casa. Se o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aceitar o pedido de urgência, o texto vai diretamente para votação em plenário.

O pedido de urgência foi feito por Magno Malta (PL/ES) e conta com o apoio de vários senadores bolsonaristas, como Flávio Bolsonaro (PL/RJ), Eduardo Girão (Novo/CE), Damares Alves (Republicanos/DF), Hamilton Mourão (Republicanos/RS), Sergio Moro (PL/PR), entre outros.

Desde 2022, o grupo tentou por diversas vezes autorizar o homeschooling no país, tentando incluir a liberação, por exemplo, durante a aprovação do Plano Nacional de Educação - PNE e do Sistema Nacional de Educação. No entanto, foram derrotados. A pauta era uma das promessas de Jair Bolsonaro (PL) para a educação.

Os parlamentares que se mobilizam pela pauta defendem que as famílias têm o direito de escolher como querem educar seus filhos. Sim, as mesmas famílias que não sabem educar seus filhos, não impõem limites, e ainda por cima terão de se sujeitar a uma avaliação ao término do período de ensino da mesma escola e a professores que dizem ser manipuladores e doutrinadores. Não tem nexo algum!

Em 2018, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a prática não é ilegal, mas precisa ser regulamentada para ser permitida. O projeto em tramitação no Senado define, por exemplo, que os pais ao optar pelo modelo, deverão apresentar um plano de atividades e entregar relatórios semestrais, que serão fiscalizados por uma escola.

Também define que só poderão fazer o ensino domiciliar os pais que tiverem ensino superior ou curso técnico. Mais de cem organizações de diversas áreas se manifestaram contra a aprovação do homeschooling. Elas defendem que o direito de escolha dos pais não se sobrepõe aos direitos constitucionais das crianças e adolescentes à educação, convivência social e proteção.

Para as entidades, a liberação do modelo pode ampliar desigualdades educacionais, dificultar a identificação de situações de abuso, negligência e violação de direitos, além de reduzir o espaço de fiscalização do poder público na garantia da prioridade absoluta de bebês, crianças e dos jovens.

Todos sabemos que a escola exerce papel essencial na educação, orientação, proteção, convivência e detecção de riscos. O direito dos pais não pode ser maior do que o direito das crianças. 

 

Numa sociedade onde notoriamente crianças se transformam em jovens agressivos, abusivos, sem limites os políticos bolsonaristas querem nos enganar que serão muito bem orientados por estes pais omissos que mal conseguem administrar o uso abusivo de celulares pelos filhos.

Além do mais, esse modelo proposto pelos senadores irá sobrecarregar ainda mais as escolas e professores ao atribuir a eles a responsabilidade de acompanhar e fiscalizar o ensino domiciliar. É um projeto retrógrado, inútil e cuja finalidade precípua é atacar frontalmente a escola e a educação do Brasil e, ainda por cima, criar para elas mais obrigações.

O ódio que os bolsonaristas nutrem pelos professores, pela educação, universidades e escolas, somente pode ser compreendido pelo fato de que quanto mais as crianças e jovens tiverem aprendizado de qualidade, menos eles serão manipulados pelos políticos de direita como Magno Malta, por exemplo. Um político conhecido nas redes sociais como “Puro Malte”.

Se essa ideia fosse realmente boa para o povo brasileiro, os ricos estariam ensinando seus filhos em casa ao invés de os enviarem as escolas particulares com alto custo. Tirar os jovens das escolas é uma forma indireta de também tirar deles a chance de competir por vagas nas Universidade públicas do país.

 


Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

3 de julho de 2026

Pior que os penduricalhos são os magistrados pendurados na república!

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques defendeu a manutenção do auxílio-creche (ou auxílio pré-escola) para magistrados em um voto que concedeu no STF, mas há uma diferença importante entre "propor criar" o benefício e "propor mantê-lo".

No julgamento concluído em junho de 2026 sobre os chamados "penduricalhos" da magistratura:

·        A maioria dos ministros decidiu manter a proibição do pagamento de auxílio-alimentação, assistência pré-escola e auxílio-creche aos magistrados.

·         Nunes Marques foi o único ministro a divergir nesse ponto. Ele votou para que juízes com filhos menores de 5 anos pudessem receber auxílio-creche ou auxílio escolar quando o serviço de creche ou pré-escola não fosse oferecido diretamente pelo Estado.

No voto, ele argumentou que o direito à creche e à pré-escola é garantido pela Constituição e, quando o serviço não é prestado "in natura", deveria haver compensação financeira. Enquanto milhares de mães não conseguem vagas em creches para seus filhos, o Ministro Kassio quer que os magistrados tenham esse direito garantidos. Lógico, que ele não quer que as mães e os demais trabalhadores tenham os mesmos direitos que os desembargadores e juízes.

Em julho de 2026, após decisões do STF e a regulamentação conjunta do CNJ e do CNMP, os benefícios dos magistrados (juízes e desembargadores) passaram a ser mais padronizados em todo o país. Alguns benefícios foram mantidos e outros foram proibidos.

Esses magistrados que já recebem salários no topo da pirâmide nos Três Poderes da República, ainda recebem auxílios e benefícios que não enrubescem Luciano Huck nem os demais críticos vorazes do Bolsa Família

Vejam a lista dos principais benefícios obscenos atualmente permitidos:

·         Auxílio-moradia, apenas nas hipóteses previstas em regulamento, e não de forma automática.

·         Auxílio-saúde, como ressarcimento das despesas efetivamente comprovadas com plano de saúde, dentro dos limites fixados.

·       Diárias, quando o magistrado precisa se deslocar a serviço para fora de sua comarca ou circunscrição. Que trabalhador não recebe isso?

·        Ajuda de custo para mudança de domicílio em casos de remoção, promoção ou nomeação.

·        Gratificação por exercício cumulativo, quando o magistrado acumula jurisdição ou funções além das de seu cargo, limitada pelos critérios da resolução.

·       Gratificação por atuação em comarca de difícil provimento, destinada a incentivar a ocupação de localidades com dificuldade de preenchimento. Que trabalhador não recebe isso?

·        Indenização por férias não gozadas, nas hipóteses previstas em lei. Que trabalhador não recebe isso?

·        Abono de permanência, para quem já poderia se aposentar, mas permanece em atividade. Que trabalhador não recebe isso?

·        Adicional por tempo de serviço (ATS), reintroduzido pela regulamentação, de até 35% do subsídio, conforme o tempo de carreira.

Por outro lado, o STF determinou que diversos benefícios não podem mais ser pagos por terem sido considerados incompatíveis com a Constituição quando criados por atos administrativos ou normas locais. Entre eles estão:

·        auxílio alimentação;

·        auxílio creche e assistência pré-escolar;

·        auxílio natalidade;

·        licença compensatória por acúmulo de acervo;

·        licença remunerada para cursos no exterior;

·        outras verbas semelhantes criadas sem previsão legal adequada.

É importante distinguir subsídio de benefícios. O salário do magistrado é pago em parcela única (subsídio). Os benefícios acima são, em sua maioria, verbas indenizatórias, destinadas a ressarcir despesas ou compensar determinadas situações de trabalho. Algumas delas não integram o teto remuneratório da mesma forma que o subsídio, conforme as regras fixadas pelo STF e regulamentadas pelo CNJ e CNMP.

É ainda mais importante perceber que os magistrados vivem num país diferente dos demais brasileiros. Ganham salários maiores, possuem benefícios inalcançáveis pela grande maioria dos trabalhadores do país e diversos penduricalhos que caem em suas contas sem que eles façam qualquer esforço. São bilhões por ano jogados nas contas dos magistrados que riem porque rico ri à toa.

Mas o problema dos empresários modernos do Brasil e dos patriotários é o Bolsa Família, Auxílio Gás e toda e qualquer ajuda que Lula vier a conceder aos mais pobres e necessitados. Isso sim os revoltam. Bravos brasileiros varonis preconceituosos. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.