As
operações conduzidas pela Polícia Federal recentemente, deixaram um rastro
entre os operadores da ação denominada Carbono Oculto, com investigações
que resultaram nas prisões dos envolvidos nos escândalos do Banco Master e
Reag Investimentos. Há muitas evidências da ligação entre as três operações,
lavagem de dinheiro, corrupção e elo entre os operadores.
O
processo enviado ao Supremo Tribunal Federal baseado numa reportagem publicada
pela revista Veja apontando uma fortuna estimada em aproximadamente R$ 100
milhões atribuída a Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”,
e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, teria sido direcionada
ao Banco Master por intermédio da Reag Investimentos.
A
partir dessa informação, tudo indica que existam novos elementos reforçando a
necessidade urgente de uma apuração integrada sobre possível lavagem de
dinheiro, crimes contra o sistema financeiro nacional e atuação de organização
criminosa.
Segundo
a notícia de fato, investigadores da Polícia Federal teriam atuado em
diferentes frentes relacionadas ao caso Banco Master, inclusive em negócios
realizados a partir da Reag Investimentos, apontada na peça como uma possível
estrutura utilizada para movimentação e ocultação de grandes quantias em
dinheiro.
A
lógica jurídica indica que a conexão entre Banco Master, Reag e personagens
investigados na Operação Carbono Oculto altera “qualitativamente” a compreensão
do caso, ao indicar possível integração entre recursos de origem ilícita e
estruturas formais do mercado financeiro.
A
investigação do Banco Master demonstra inequivocamente que estamos diante de um
dos maiores escândalos financeiros do país. Porque revela a conexão concreta
entre fraude financeira, estrutura regulada do mercado de capitais, eventual
ocultação patrimonial, intermediação por gestora de investimentos, possível
integração de valores ilícitos ao sistema financeiro formal e ramificações da
Operação Carbono Oculto.
As
investigações conduzidas com extremo cuidado profissional pela PF, agora entram
na fase mais difícil em nosso país, que é esperar as ações do Poder Judiciário.
Onde nem sempre os bandidos de colarinho branco, empresários e figurões são
julgados, condenados e presos por seus crimes. Principalmente por que o Ex dono
do Banco Master – Daniel Vorcaro mantinha relações próximas e promíscuas com
inúmeros deputados, senadores, autoridades do judiciário, celebridades e
subcelebridades.
Em
razão disso, está sendo pedido a preservação imediata de registros bancários,
fiscais, societários, telemáticos e eletrônicos ligados às operações
investigadas, incluindo e-mails corporativos, relatórios internos de
compliance, documentos de identificação de clientes e comunicações internas
sobre prevenção à lavagem de dinheiro.
Outro
ponto central da representação é o pedido para que as autoridades avaliem a
adoção de medidas cautelares patrimoniais, como bloqueio, arresto e
indisponibilidade de ativos vinculados aos investigados.
A
peça também pede que a Polícia Federal informe ao STF se a movimentação
atribuída a Primo e Beto Louco, com passagem pela Reag Investimentos e destino
ao Banco Master, já integra formalmente as investigações em andamento.
O
tempo opera em favor dos investigados quando há intermediação por fundos,
gestoras, veículos societários, contas de passagem e operações formalmente
lícitas, mas materialmente destinadas à ocultação, diz a lógica criminosa neste
nosso paraíso da impunidade.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.