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14 de julho de 2026

Quando a música conta as nossas histórias!

 

Eu vou tentar, de vez em quando, usar este espaço para falar um pouco mais de mim. Já fiz isso quando escrevi sobre a Dave Matthews Band. Ainda vou fazer quando falar da minha mãe e da paixão dela por Elton John, ou do meu tio Roberto, personagem recorrente destas linhas e responsável por abrir minha cabeça para muitos sons e muitos filmes.

Mas hoje eu preciso falar do meu pai.

E talvez este seja um dos textos mais difíceis em termos de emoção que já escrevi. Os Beatles entraram na minha vida através dele. Eu escrevo estas linhas com um nó na garganta porque meu pai é uma das pessoas mais importantes da minha vida. E quando a gente fala de quem ama, às vezes as palavras ficam mais difíceis de encontrar. Meu pai sempre gostou dos Beatles.

As minhas primeiras lembranças deles acontecem dentro do carro. Na época dos toca-fitas e aqui talvez eu precise explicar para os mais novos que, antes do streaming, da playlist e até dos CDs, era assim que muita gente ouvia música enquanto dirigia.

Eu lembro das fitas girando. Lembro das músicas tocando. E lembro especialmente das canções do Revólver. Por algum motivo, aquelas músicas me passavam uma sensação diferente. Havia algo acolhedor nelas. Hoje eu percebo que talvez não fossem as músicas. Talvez fosse o fato de ouvi-las ao lado dele. Era como se cada faixa construísse uma memória. Como se cada refrão fosse um lugar seguro.

Meu pai teve a sorte de assistir ao Paul McCartney ao vivo ainda na primeira passagem dele pelo Brasil, no Maracanã, quando Linda McCartney ainda fazia parte da banda. Durante anos ouvi histórias daquele show.

Depois vieram os discos. Depois vieram os vídeos. Depois vieram as conversas. E, naturalmente, veio o meu primeiro CD dos Beatles. O Revólver. Presente dele. Não poderia ter sido outro. Os Beatles sempre estiveram presentes nas nossas conversas. E algumas músicas acabaram ganhando significados que vão muito além do que seus autores imaginaram.

Minha música favorita do John Lennon sempre foi “Instant Karma”.

Não porque eu ache que seja a melhor composição dele. Mas porque ela me leva para um lugar específico. Eu consigo ver meu pai dentro do apartamento dele. Consigo ouvir a música tocando. Consigo ouvir ele cantando “We all shine on…” em voz alta. Aquela cena ficou guardada dentro de mim. E eu nunca quis tirá-la de lá. Meu pai é daqueles que ainda para e assisti vídeos de música. Daqueles que gostam de ouvir uma canção e depois conversar sobre ela.

Foi com ele que ouvi “My Sweet Lord” do George Harrison pela primeira vez.

E eu lembro do jeito como ele falava daquela música. Como se ela fosse mais do que uma canção. Como se fosse uma oração. Muitas pessoas dividem paixões com os pais. Eu dividi duas. Os Beatles e o Corinthians. E talvez isso explique muita coisa sobre quem eu sou. Existe ainda uma lembrança que volta para mim toda vez que penso nisso. Meu pai me levou ao meu primeiro show internacional. Oasis. Turnê do Be Here Now.

Eu era jovem e aquilo parecia gigantesco. Hoje eu sei que aquele momento era muito maior do que eu imaginava. Porque não era apenas um show. Era eu e ele. Debaixo da chuva. Eu cantando todas músicas e ele observando. Dividindo um momento que jamais voltaria a acontecer daquela forma. Eu lembro de olhar para ele. E lembro dele olhando para mim. Por alguns instantes não existia mais ninguém. Não existia a multidão. Não existia a cidade. Existíamos apenas nós dois e aquelas músicas.

E tudo isso começou com os Beatles. Por isso, se eu puder deixar uma mensagem depois deste texto, ela é simples:

Volte aos artistas que alguém importante apresentou para você.

Volte aos discos que seu pai ou sua mãe ouviam.

Volte às músicas que seu tio colocava para tocar.

Volte aos álbuns que marcaram conversas, viagens e momentos.

Porque essas músicas carregam pessoas dentro delas. Hoje meu pai mora longe. Não estamos na mesma cidade. Mas enquanto escrevo este texto ouvindo Beatles, é como se estivéssemos na mesma sala. É como se o tempo diminuísse. É como se a distância desaparecesse por alguns minutos. E talvez essa seja uma das maiores provas de amor que a música pode nos dar. Ela nos permite reencontrar quem amamos.

Mesmo quando essas pessoas estão longe. E, por isso, eu termino com um pedido. Façam isso enquanto as pessoas estão aqui.

Enquanto elas podem ouvir.

Enquanto elas podem sorrir.

Enquanto vocês ainda podem dividir a música juntos.

Daqui a alguns dias vou encontrar meu pai novamente.

E tenho quase certeza de que os Beatles vão tocar em algum momento. Como sempre tocaram. 

Autor: Rodrigo Moia – Especialista em Marketing – Publicado no Medium.com

13 de julho de 2026

Os disfarces de Tarcísio

  

Crédito Pablo Jacob - Governo do Estado de SP.

A realidade começa a desmontar o personagem que Tarcísio de Freitas tentou construir. Depois de privatizar tudo o que encontrou pela frente, parece que agora, às vésperas da eleição, o governador Tarcísio de Freitas percebeu que talvez esse não tenha sido um bom negócio. Na “inauguração” da estação Washington Luís da Linha Ouro do monotrilho, disse que mudou de opinião sobre a operação privada do transporte sobre trilhos e elogiou o Metrô por sua competência. Uma empresa pública, vejam só. Recuou também na concessão de mais um lote de parques.

Na mobilidade, Tarcísio foi além. Compartilhou com quem quisesse ouvir que tem preocupação com a existência de poucas concessionárias, que dividem o sistema entre si. Uma mudança e tanto de postura. Talvez motivada por alguma pesquisa de opinião que tenha mostrado a insatisfação dos milhares de passageiros que utilizam o sistema todos os dias e sentem na pele a piora do serviço nas linhas privatizadas.

A preocupação de Tarcísio é tardia e, até aqui, seletiva. Não se estendeu à Sabesp, que foi entregue ao único participante do leilão, após alterações no Edital que “desestimularam” a participação de concorrentes, e opera com resultados desastrosos na distribuição da água e na coleta e tratamento de esgoto para mais de 30 milhões de pessoas.

Entregou de mão beijada o controle dos grandes mananciais da Região Metropolitana de São Paulo, ao autorizar a venda da Emae, que, entre outras atribuições, gerencia as represas Billings e Guarapiranga e opera o sistema metropolitano de macrodrenagem.

Aliás, foi a privatização da Emae, também no governo Tarcísio, que resultou em um escândalo envolvendo Nelson Tanure e o Banco Master, que dilapidaram seu caixa em um ano de gestão, adquirindo R$ 160 milhões em CDBs do Letsbank, do conglomerado do Banco Master, colocando a antiga estatal em situação de insolvência e entregando a Emae para a mesma empresa que adquiriu a Sabesp. Sobre isso pouco se fala também.

Na verdade, Tarcísio de Freitas precisa disfarçar e faz isso de forma permanente. Vende-se como político ponderado para seus apoiadores na Faria Lima, mas traz enraizado em si o extremismo da direita. Ou alguém se esqueceu da satisfação ao usar o boné do MAGA (Make America Great Again), do apoio às sanções comerciais e políticas contra o Brasil feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e dos ataques ao STF?

Tarcísio vinha apostando na pseudo eficiência do “mercado” para justificar negócios suspeitos com o patrimônio público. Tentou passar uma imagem de moderação e eficiência ao público, mas incentivou a violência policial, não obteve resultados no combate ao crime e a sensação de insegurança só aumenta. Prometeu tecnologia e inteligência na segurança pública, mas entregou apenas truculência indiscriminada nas ruas, policiais mal remunerados abandonando a farda, além do aumento da criminalidade e da violência contra a população.

Tarcísio é um embuste disfarçado, porque precisa da força política da extrema direita para se manter à tona, da simpatia do grande capital para financiar suas ambições e da mídia corporativa para firmar sua pretensa imagem de eficiência e moderação, em contraste com o bolsonarismo raiz. Mas precisa também dos votos que estão além do campo da extrema direita, principalmente em São Paulo, se quiser seguir como governador. Para isso, precisa fingir bom mocismo e vestir muitas fantasias para ficar longe dos fiascos de seu governo.

Como tratei em meu artigo anterior neste Brasil 247, as linhas de transporte sobre trilhos concedidas aos operadores privados causam repetidos problemas aos usuários. E não estamos falando somente da superlotação e do aumento do tempo perdido nos deslocamentos. Há registros de acidentes gravíssimos, que já deixaram mortos e feridos.

O governo não só deixou de exercer a sua obrigação de fiscalizar, como manteve regulamentos frouxos e contratos mal formulados com as concessionárias, em especial a Motiva, que opera as Linhas 8 e 9 da CPTM e as linhas 5-Lilás e 4-Amarela do Metrô.

Problemas de outra ordem se avolumam nas concessões estaduais, como reequilíbrios contratuais danosos ao erário, tarifas elevadas e serviços de baixa qualidade, além da instalação indiscriminada de pedágios free flow, disfarçados agora pelo marketing governamental com o bordão “pedágios eletrônicos que poupam o seu tempo”.

Esse conjunto deve assombrar as pesquisas de opinião do governo e constituem uma ameaça à reeleição de Tarcísio. A combinação dos graves problemas da Sabesp, o péssimo desempenho de boa parte das concessões e entregas parciais e açodadas de obras ainda em andamento, motivadas apenas pelo calendário eleitoral revelam uma gestão de baixa eficiência e eficácia.

A realidade começa a desmontar o personagem que Tarcísio de Freitas tentou construir. E o desafio para se manter de pé não é simples. Como amenizar a experiência cotidiana de quem enfrenta panes no transporte tem acesso restrito à água, convive com mais pedágios, vê a violência crescer e acompanha sucessivos questionamentos sobre contratos e privatizações?

A propaganda pode até maquiar um governo por algum tempo, mas não muda os fatos. E, na política, chega um momento em que os fatos vencem o marketing. Se Tarcísio agora procura se distanciar das consequências das próprias escolhas, é porque percebe que elas deixaram de ser ativo eleitoral para se transformar em passivo político.

Autor: Mário Maurici - Jornalista, ex-vereador e ex-prefeito de Franco da Rocha, ex-vice-presidente da EBC e ex-presidente da Ceagesp. Publicado no Site Brasil 247.

12 de julho de 2026

Se existisse Justiça no Brasil, Waldemar da Costa Neto presidente do PL estaria na cadeia!

 

Que as emendas parlamentares são um dos maiores focos de corrupção do país muitos brasileiros já sabem. Que o PL – Partido Liberal é o partido mais corrupto muitos também já sabem. O que poucos sabem é que um presidente de partido tem autonomia e direito a transacionar R$ 120 milhões destinando emendas parlamentares que são de exclusividade de deputados eleitos pelo povo.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, mandou bloquear R$ 119 milhões em bens e investigar o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de direcionamento de emendas parlamentares mesmo sem ele ter mandato no Congresso. A decisão tem como base investigações da Polícia Federal que apontaram que as emendas foram “forjadamente encaminhadas e desviadas”, inclusive para beneficiar o próprio presidente do PL. De acordo com a PF, R$ 104 milhões já teriam sido pagas.

Esses recursos são para enriquecimento ilícito, campanhas eleitorais do PL e servem também para retroalimentar a corrupção que o partido banca desde sua fundação.

A maioria dos municípios que recebeu supostamente as verbas são de São Paulo, mas também há cidades do Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Pará; destes, R$ 104 milhões já foram pagos. A Polícia Federal identificou ao menos 21 emendas parlamentares destinadas de maneira irregular por Waldemar.

Deste total, que somados chegam a cerca de R$ 119 milhões, 11 são para cidades paulistas. Além de São Paulo, cidades do Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Pará também foram citadas.

Outros municípios tiveram repasses mais de uma vez, como o caso de Suzano, no valor de R$ 26.835.199, em junho de 2024. Para Caraguatatuba, foram feitos dois no mesmo mês, que somam R$ 23 milhões. Já em Santa Fé do Sul havia três destinações, no total de R$ 9.575.004,15, em dezembro de 2024.

Vejam a lista completa:

    Mogi das Cruzes (SP) - R$ 3 milhões da comissão de saúde em novembro/25;

    Guaimbê (SP) - R$ 280 mil da comissão de turismo em dezembro/25;

    Macedônia (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo em dezembro/25;

    Cafelândia (PR) - R$ 290 mil da comissão de turismo em março/26;

    Iepê (SP) - R$ 500 mil da comissão de turismo em dezembro/25;

    Ilha Solteira (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo em dezembro/25;

    Morro do Chapéu (BA) - R$ 4,7 milhões da comissão de cidades em dezembro/24;

    Santa Fé do Sul (SP) - R$ 9,5 da comissão de turismo em dezembro/24;

    Itaguaçu da Bahia (BA) - R$ 2,3 da comissão de turismo em dezembro/25;

    Suzano (SP) - R$ 26,8 milhões da comissão de saúde em junho/24;

    Ubatuba (SP) - 7 milhões da comissão da saúde em julho/24;

    Rio de Janeiro (RJ) - R$ 6 milhões da comissão da saúde em julho/24;

    Bebedouro (SP) - R$ 9 milhões da comissão da saúde em junho/24;

    Caraguatatuba - R$ 23 milhões da comissão da saúde em junho/24;

    Porto Seguro (BA) - R$ 24,9 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;

    Presidente Venceslau (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo em outubro de 2025;

    Dom Eliseu (PA) - R$ 300 mil da comissão de turismo em outubro de 2025.

A corrupção está no fato de que as emendas foram destinadas por um presidente de partido e inexistem obras ou o motivo real para o uso destas nas localidades citadas. Não há transparência, assim como não há obras, serviços, construções ou nada que possam justificar o envio de milhões do erário.

Essa prática criminosa da destinação de emendas parlamentares já deveria ter sido abolida há muitos anos. Primeiro porque não se pode confiar em políticos, segundo porque não se pode confiar nos prefeitos que são políticos, terceiro porque não se pode confiar nos presidentes de partidos e por último porque as cidades na maior parte do tempo nunca viram a cor do dinheiro.

Nossa Justiça é tão conivente que Valdemar Costa Neto foi preso em flagrante pela última vez no dia 8 de fevereiro de 2024, durante a Operação Tempus Veritatis da Polícia Federal. Ele foi detido por posse ilegal de arma de fogo e usurpação de matéria-prima da União (por guardar uma pepita de ouro). Ele foi solto dois dias depois por decisão do ministro Alexandre de Moraes.

O presidente do PL também foi preso e condenado no escândalo do Mensalão, com sua prisão decretada pelo STF em 5 de dezembro de 2013, após condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Se fosse pobre ou negro estaria atrás das grades até os dias atuais, porém, mesmo condenado e preso em 2013, cinco anos depois estava livre para praticar crimes de corrupção a vontade. Se tornou amigo de Michelle Bolsonaro, virou amigo do presidiário e presidente do maior partido de corruptos que o Brasil já teve um dia, e olha que a concorrência é muito grande... 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.