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2 de abril de 2026

Recursos para fins ilícitos sempre houve em abundância!

 

Há alguns anos atrás fiz parte de uma ONG chamada Batra – Bauru Transparente na cidade de Bauru – SP. Uma entidade sem fins lucrativos ou político partidário. Custeio integral das despesas da entidade com recursos oriundos de doações de pessoas físicas e jurídicas de Direito Privado.

A entidade era formada por pessoas oriundas da sociedade bauruense, honestas, sérias e determinadas a ajudar a cidade na busca por transparência no poder público (Executivo e Legislativo), combate à corrupção e projetos educacionais.

Apesar de contar com apoio da mídia local, jovens do meio universitário, alguns empresários, vários educadores, contando com excelentes projetos, tendo lutado e conseguido que o Prefeito à época Rodrigo Agostinho, hoje presidente do Ibama assinasse a Lei Municipal da Transparência, a ONG não foi a frente anos depois.

Os motivos, número reduzido de voluntários para conseguir ampliar os projetos e principalmente recursos financeiros, visto que a ONG não recebia recursos de origem pública. Apesar de peregrinar por diversas empresas/empresários, receber um Não era 90% em relação ao sim.

Escrevo isso para mostrar que tempos depois muitos empresários colaboraram com os recursos financeiros para bancar patriotários golpistas na porta do quartel da cidade, custeando alimentação, materiais de higiene e até transporte para Brasília no fatídico 08 de janeiro de 2023.

As operações recentes da Polícia Federal encontram sempre muito dinheiro em espécie, na maior parte fruto da lavagem de dinheiro realizadas por empresários junto a organizações criminosas. Em Bauru, recentemente numa dessas operações foi encontrada uma mala com mais de R$ 1milhão de reais.

Chega-se a óbvia conclusão que existem recursos de sobra, sempre teve, menos para projetos educacionais, combate à corrupção, entre outros. Na época, um dos projetos que não puderam seguir em frente por falta de recursos financeiros foi justamente a parceria com o Observatório Social do Brasil em Bauru.

O projeto visava justamente ter o controle sobre as licitações realizadas pelo poder público na cidade, além de dar divulgação e destaque aos editais numa rede imensa de munícipios do país. Um projeto cujos resultados na ocasião já eram significativos do ponto de vista financeiro e ético.

O sistema da OSB assegurava a disseminação de metodologia padronizada, oferecendo capacitação e suporte técnico. O custo de sua manutenção exigia uma quantia que a Batra não dispunha na época, além de ao menos dois ou três voluntários fixos que pudessem operar o sistema.

Resumindo, o projeto não foi implantado, a Batra fechou suas portas e a corrupção aplaudiu feliz a sua sobrevivência. Os empresários agora destinam recursos para tentativas de golpes de estado, patriotários, e reclamam da corrupção que não quiseram ajudar a combater.

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

As cidades

Essas que herdamos e legaremos como o rescaldo da completa submissão da vida ao desencanto do capital.

Em tempos relativamente recentes, ninguém representou mais o projeto do Rio de Janeiro como uma cidade para negócios, o balneário de megaeventos, do que Eike “sempre ele” Batista.

Bajulado por boa parte da imprensa e políticos poderosos, citado como o empreendedor do futuro, laureado como homem do ano, ícone da ideia de que podemos ser bilionários sem culpa e o escambau, Eike foi elevado ao posto de carioca maior. Vi gente comparando o homem ao Barão de Mauá — até o dia em que o herói civilizador entrou em cana.

Não é sobre o Eike, todavia, que quero escrever. Nem mesmo sobre o Rio de Janeiro especificamente, mas sobre o que está ocorrendo com nossas cidades. Exemplifico. Cresci frequentando certo comércio de rua que hoje virou uma espécie de ararinha-azul, em vias de extinção. Velhas barbearias, açougues, livrarias, quitandas, botequins, floristas, lojas de macumba, aviários, marcenarias, etc., estão indo para o beleléu.

A tendência é que esse comércio pequeno e mais afetivo seja engolido pelo gigantismo dos hortifrúti, salões de shopping, ‘megastores’, franquias de bares de grife, butique de carnes, lojas virtuais de departamentos e similares.

Foto Valter Campanato da Agência Brasil 

Cresci aprendendo que as coisas têm fundamento, e um lugar não é apenas a matéria bruta de seus alicerces. Uma cidade é feita das memórias, aspirações, sonhos, desilusões, conquistas, fracassos, alegrias e invenções da vida de inúmeras gerações que cruzaram suas ruas. Um lugar tradicional é, portanto, também o resultado das experiências intangíveis, matéria da memória acumulada pelos que ali experimentaram modos de vida e instâncias de sociabilidade.

Sobre a minha cidade, posso falar com certa propriedade. Boa parte da cultura do Rio de Janeiro veio da rua. Como escrevi em certa ocasião, entre pernadas, batuques, improvisos, corpos dançando na sincopa, gols marcados na várzea, bolinha de gudes carambolando e pipas cortando os céus, a tessitura da cidade foi se desenhando nas artes de inventar na escassez. Foi assim que o carioca zuelou tambor, jogou capoeira, fez a sua fé no bicho, botou o bloco na avenida, a cadeira na calçada, o despacho na esquina, a oferenda na mata, a bola na rede e o mel na cachoeira.

O pequeno comércio, o mercado de rua, jogava nesse time de sociabilidades mundanas. No fim das contas, é urgente que a cidade recupere o sentido da rua como um espaço de convivência e desaceleração do cotidiano. Uma rua que permita, no resíduo de seus acontecimentos miúdos, maneiras de viver que não sejam simplesmente receptivas ou reativas aos desígnios do mercado e do deus carro; mas que propicie o encontro.

Que cidades sobrarão, que cidades teremos que construir? Não sei, mas elas certamente terão que se reinventar, quem sabe, a partir das frestas, das mundanidades, dos cerzimentos e bordados miúdos tecidos nos escombros das megacidades — essas que herdamos e legaremos como o rescaldo da completa submissão da vida ao desencanto do capital. 

Autor: Luiz Antonio Simas - Professor de história, educador popular, escritor, poeta e compositor. Tem mais de 30 livros publicados sobre as culturas populares do Brasil. Foi finalista do Prêmio Jabuti em quatro ocasiões e ganhador do mesmo prêmio na categoria Livro do Ano de 2016, em parceria com Nei Lopes, pelo Dicionário da história social do samba (Civilização Brasileira, 2015). Publicado no Site ICL Notícias.

1 de abril de 2026

Um espetáculo mambembe deplorável no Congresso!

  

Imagem - Sinasefe.

Os políticos bolsonaristas Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS e o senador Carlos Vianna (Podemos-MG) presidente da comissão parlamentar mista de inquérito, mostraram ao país a inutilidade completa dos políticos de direita no Congresso.

Como as evidências apontavam para a participação criminosa de agentes públicos, políticos e empresários de direita nos crimes praticados contra aposentados no INSS que desviaram bilhões, estes elaboraram um relatório esdrúxulo, sem nenhuma consistência onde dispararam contra pessoas inocentes ou sem provas de participação nos crimes.

Ao mesmo tempo, o relatório capenga, deixava de fora os verdadeiros envolvidos na consecução dos roubos perpetrados contra o INSS e os aposentados e pensionistas. A dupla Debi e Loide colocou no relatório o nome do filho do presidente Lula (Fabio Luís Lula da Silva – Lulinha) numa demonstração clara e inequívoca de parcialidade e de demonstração de brincadeira para com a sociedade.

Os políticos dos partidos de extrema direita pediram a CPMI do INSS, porém, ao perceberem que o envolvimento dos colegas de partido era evidente e que toda roubalheira começou na gestão de Jair Bolsonaro, com seus ministros Onix Lorenzone e Paulo Guedes sendo facilitadores do processo, resolveram tentar desesperadamente incriminar pessoas ligadas ao governo.

Entre 2019 e 2022, medidas aparentemente técnicas alteraram profundamente os mecanismos de controle sobre descontos realizados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. A principal delas foi o fim da exigência de revalidação periódica das autorizações para descontos associativos. Na prática, abriu-se uma brecha perigosa: uma vez autorizado - muitas vezes de forma fraudulenta - o desconto poderia seguir indefinidamente, sem qualquer conferência.

O atual mandato da Câmara e do Senado se transformaram numa enorme 5ª série, onde os políticos brincam com as coisas serias do país e da sociedade brasileira. Não há seriedade, não há busca pela verdade, não há decoro, reina a absoluta anarquia baseada em dois pontos: Ideologia barata e Fake news.

Sendo assim, na madrugada deste dia 28 de março, por 19 votos a 12, o colegiado derrubou o relatório que pedia o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE).

Ao final, a Comissão foi encerrada sem relatório aprovado, e o país perdeu tempo e dinheiro e os culpados saíram momentaneamente ilesos. A direita dá gargalhada na cara do povo, o mesmo povo que os elegerá novamente em outubro/26.

Após a rejeição do parecer, o presidente da CPI, senador Carlos Viana, recusou-se a colocar em votação um texto alternativo apresentado por parlamentares da base governista. Com isso, a comissão foi encerrada sem a aprovação de qualquer relatório final — um desfecho incomum para CPIs no Congresso Nacional.

A proposta alternativa dos governistas previa cerca de 170 indiciamentos, incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de organização criminosa, improbidade administrativa e furto qualificado contra idosos. No entanto, esse documento sequer foi analisado pelo colegiado.

Sem consenso político e com forte divisão entre governo e oposição, a comissão encerrou suas atividades sem produzir um documento final aprovado — deixando em aberto as conclusões formais sobre as investigações conduzidas ao longo de seus trabalhos.

Definitivamente não existe chance alguma de CPI ou CPMI prosperar no atual Congresso Nacional, taxado de inimigo do povo, amigo dos criminosos, parceiro do BolsoMaster e dos escândalos no INSS.


Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.