Seguidores

23 de março de 2026

Escândalos no Brasil tem tratamento seletivo!

 

Assim como no caso envolvendo o Banestado (que foi um dos maiores esquemas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro da história do Brasil), ocorrido principalmente nos anos 1990 e início dos 2000. E que se tratava de um esquema que permitia que bilhões de dólares fossem enviados ilegalmente para o exterior, sem declaração ao Banco Central nem pagamento de impostos. O nome vem do Banco do Estado do Paraná (Banestado), que foi usado como canal principal dessas operações.

Hoje temos o caso Banco Master, conhecido como BolsoMaster, devido ao envolvimento de diversos políticos e segmentos da direita bolsonarista. O escândalo que envolve suspeitas de irregularidades financeiras e de gestão relacionadas ao Banco Master, uma instituição financeira brasileira que ganhou notoriedade nos últimos anos.

De forma geral, o caso gira em torno de:

·        Operações financeiras de alto risco: o banco cresceu rapidamente oferecendo produtos com rendimentos elevados (como CDBs com taxas acima da média), o que levantou dúvidas sobre a sustentabilidade dessas operações.

·        Estratégias agressivas de captação: forte atuação para atrair investidores pessoa física, muitas vezes via plataformas digitais.

·        Exposição a ativos problemáticos: suspeitas de concentração em créditos de maior risco ou de difícil recuperação.

Em ambos os casos de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra as finanças do país, tanto a mídia como a Justiça deram um tratamento seletivo. Ou seja, enquanto tinham esperança de que a esquerda estivesse envolvida estavam animados e festivos nas redações e no STF. Bastou os verdadeiros nomes dos envolvidos virem à tona e um silencio constrangedor tomou conta de tudo e de todos.

Nem o Congresso, nem a investigação do Ministro André Mendonça do STF, muito menos os power points da GloboNews vão denunciar e levar a julgamento e condenação os verdadeiros criminosos. Escândalos no Brasil somente prosperam se os envolvidos forem de partidos de esquerda. No mais, muita enrolação, suposições e incriminações falsas para desviar o foco e a atenção dos verdadeiros criminosos.

Em ambos os casos (Banestado e Master) temos juízes incompetentes a frente dos processos (Banestado era Sergio Moro e o Master André Mendonça). Também temos políticos de direita envolvidos até o pescoço na lavagem de dinheiro, corrupção e uso de jatinhos dos donos do Banco. Para completar, temos a suspeita da conivência e participação de próceres da emissora nave mãe da comunicação do país em ambos os casos.

 Em comum nos dois escândalos, não há participação de nenhum político de esquerda. Assim como no caso do INSS, a bandidagem é toda da direita. Iniciaram a roubalheira, usufruíram durante quatro anos da gestão Bolsonaro e foram pegos a partir das investigações da PF a mando do atual governo. O resto é narrativa falsa de criminosos ou de políticos inescrupulosos nas redes sociais. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

19 de março de 2026

Milei levando a Argentina para o caos!

Imagem: Carta Capital.

Enquanto aqui no Brasil bolsonaristas espalham mentiras sobre a economia na Argentina, tentando iludir e desinformar as pessoas sobre o que realmente acontece naquele país governado por um louco extremista de direita, a situação da indústria argentina vive uma das maiores retrações das últimas décadas. Em apenas dois anos sua produção industrial acumulou queda de 7,9%, colocando o país como o segundo pior desempenho industrial entre 56 economias analisadas pela United Cátions Industrial Development Organization. No mesmo período, 2.436 empresas manufatureiras encerraram atividades e 72.955 trabalhadores industriais perderam seus empregos, uma redução de cerca de 6% da força de trabalho do setor.

Os números não mentem e demonstram uma tendência clara de desindustrialização acelerada. A capacidade instalada das fábricas caiu para 57,9% em 2025, o menor nível da última década fora do período da pandemia. Setores tradicionais como metalmecânica, têxtil, couro e calçados registraram alguns de seus piores resultados históricos. Ao mesmo tempo, a queda nas importações de máquinas e bens de capital indica que novos investimentos produtivos também estão recuando, o que dificulta qualquer recuperação no curto prazo.

O contraste regional é evidente. Enquanto a indústria argentina acumulou forte retração, Brasil cresceu cerca de 3,5% e Chile 5,2% no mesmo período. Ou seja, não se trata de uma tendência global inevitável, mas de um processo específico que atinge a estrutura produtiva do país.

Esse processo está profundamente ligado às políticas neoliberais. A abertura comercial acelerada, as privatizações e os cortes no investimento público reduzem a capacidade do Estado de apoiar o desenvolvimento industrial. Sem crédito, planejamento ou proteção diante da concorrência internacional, empresas nacionais passam a fechar ou perder espaço para produtos importados.

Esse modelo também reforça uma lógica histórica do Imperialismo. Países periféricos acabam sendo empurrados para uma posição subordinada na economia global, concentrando-se na exportação de commodities e matérias-primas, enquanto as economias centrais mantêm o controle sobre tecnologia, indústria e cadeias produtivas mais complexas.

O resultado é uma divisão internacional do trabalho, que acumula riquezas em um polo enquanto gera desemprego fome e miséria em outro polo do planeta. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

16 de março de 2026

Eliara Santana: O modus operandi da desinformação!

  

Ilustração Hate Speech, de Edel Rodriguez. 

Há um modo de agir e de instrumentalizar a desinformação que implica a produção e a disseminação de narrativas usando estratégias de comunicação e discurso bem específicas. Esse modus operandi revela padrões na construção dos discursos e nas táticas empregadas.

Portanto, é importante lembrar mais uma vez: quando falamos em desinformação, não estamos falando em “espalhar boatos”, não estamos falando em “algo que sempre existiu”.

Estamos falando em uso estratégico de mentiras, em criação de narrativas que dão outros significados – falsos – à realidade. Estamos falando em produção de mentiras para promover o caos. A desinformação, na perspectiva da realidade brasileira, de um país que se tornou um grande laboratório de realidade paralela, é um processo de produção de conteúdos falsos ou falseados, baseados em dados da realidade, que ganham roupagem de notícia e são intencionalmente criados para prejudicar determinados grupos e beneficiar outros.

Esse processo de produção tem fases distintas: as mensagens são elaboradas, transformadas em produto midiático para poderem circular e, então, são distribuídas massivamente. E o produto final cumpre o papel de direcionar a percepção das pessoas que recebem as mensagens, sendo disseminados sistematicamente por agentes específicos, num esquema de comunicação profissional.

Grande parte do material desinformativo circulante no Brasil hoje tem uma roupagem de notícia, e isso contribui para que as pessoas acreditem.

Esse modo de ação, com as várias estratégias, desenha uma espécie de arquitetura do caos. Vamos a alguns passos:

1) Ressignificação de temas complexos: há a escolha de temas do momento, geralmente mais complexos, e a exploração em vários aspectos, com simplificação das abordagens, diálogo com vários públicos e a construção de novos sentidos, que são falsos.

Não é uma mentira clássica, é a reconstrução de um tema (verdadeiro) por outro viés (mentiroso). Isso é falseamento, e é muito mais “elaborado” do que um simples boato. Exemplo: A “taxação” do Pix. O tema era uma medida da Receita Federal para reforçar a fiscalização de transferências via Pix. Foi transformado em “taxação”, obrigando até a imprensa a desmentir algo que NUNCA existiu.

2) Construção de um jogo de propaganda para minar biografias e desconstruir personalidades: a propaganda aqui compreendida como o uso estratégico de comunicação para moldar uma opinião pública.

Como funciona: Constrói-se um discurso específico para justificar uma pauta previamente colocada. Isso envolve estratégias para minar a confiança em determinados personagens, com ataques à reputação, levantamento de suspeitas infundadas, grande exposição negativa, mobilização de influenciadores para falarem sobre o tema geral. Depois que as narrativas seguem bem consolidadas nas redes e já estão no imaginário comum das pessoas, o tema que era o objetivo de fato volta a ser proposto e debatido. Ou seja, prepara-se o terreno para a narrativa central.

3) Manipulação de medos e crenças: nessa prática da extrema direita de construção de mentiras, o produto fabricado tem uma ligação muito forte com a manipulação dos medos e das crenças das pessoas – medo de perder o emprego, medo de morrer, insegurança, medo de doenças etc.

4) Instrumentalização do ódio e da raiva: as narrativas ligadas à desinformação, além de dialogar com medos e crenças, mobilizam o ódio e instrumentalizam a raiva das pessoas contra aqueles personagens apresentados como os inimigos a serem combatidos.

5) Fabricação de consenso em torno de um inimigo comum: determinados personagens são construídos como “inimigos”, o que implica afirmar que eles desrespeitam valores e crenças e estão vinculados a determinados atos não aceitáveis.

Exemplo: Lula ligado ao crime organizado.

6)  Uso ostensivo de bots para a disseminação em larga escala (o que envolve um imenso aporte financeiro)

7)  Programação de algoritmos das redes sociais (também envolve bastante dinheiro)

8) Mobilização permanente: falas aparentemente idiotas, manifestações bombásticas que circulam pelas várias plataformas e obrigam a imprensa a dar respostas, situações caóticas que explodem, temas que ganham corpo e se sobrepõem a assuntos realmente relevantes, todos esses elementos fazem parte da estratégia de manter uma mobilização constante dos grupos de extrema direita para garantir o engajamento da base, com apelo à emoção e criação de situações de caos e apreensão.

O artífice da desinformação, Steve Bannon, prevê estratégias para mobilização, eu destaco aqui três:

– “Flood the zone” (Inundação): disseminação de um grande volume de questões polêmicas e declarações estapafúrdias para causar confusão e distrair do que realmente interessa;

-  Normalização do absurdo: a partir da disseminação constante de narrativas absurdas, as pessoas vão se acostumando a essas “versões” e passam a considerá-las como verdadeiras, impactando o debate público;

– Manutenção de um “exército digital”: Bannon propõe a organização de “milícias digitais” para atuarem em vários momentos, sobretudo nos processos eleitorais.

O ódio à política

As campanhas coordenadas de desinformação desarticulam e nocauteiam os espaços públicos e as ações públicas e coletivas. E promovem uma ojeriza à política, um ódio que induz o cidadão a buscar um “novo” ator, salvador, meio mítico, gente como a gente que até come farofa.

Assim, por exemplo, numa campanha coordenada, o bombardeio de desinformação em torno do tema “cobrança de impostos” alimenta essa raiva, com narrativas de convencimento e os influenciadores bradando que “o Brasil não aguenta mais pagar imposto”; da mesma forma que o bombardeio em torno do tema corrupção, sempre vinculado a atores e grupos específicos. Essas construções contam sempre com um suporte – ainda que involuntário em alguns momentos – da chamada mídia corporativa, que também alimenta essas narrativas.

Autora: Eliara Santana é jornalista, com pós-doutorado em estudos da desinformação pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp, doutora e mestre em Linguística e Língua Portuguesa. É pesquisadora do Observatório das Eleições. Sua tese de doutorado sobre o Jornal Nacional discute as estratégias de construção da narrativa do telejornal do impeachment de Dilma Rousseff à eleição de Jair Bolsonaro. Publicado no Site VioMundo.