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4 de maio de 2021

Comunismo - Um sistema de governo que nunca tivemos!

 Desde a instituição da República no Brasil, também referida na História do Brasil como um golpe de Estado político-militar, ocorrido em 15 de novembro de 1889, que instaurou a forma republicana presidencialista de governo no Brasil, encerrando a monarquia constitucional parlamentarista do Império e, por conseguinte, destituindo o então chefe de Estado, imperador D. Pedro II, que em seguida recebeu ordens de partir para o exílio na Europa, o nosso país nunca teve um sistema de governo comunista.

O primeiro presidente levado ao poder por um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país, instituindo um governo provisório republicano, que se tornaria a Primeira República Brasileira. Em seguida vieram:

Deodoro da Fonseca (15.11.1889 a 25.02.1891);

Floriano Peixoto (23.11.1891 a 15.11.1894);

Prudente de Moraes (15.11.1894 a 15.11.1898);

Campos Salles (15.11.1898 a 15.11.1902);

Rodrigues Alves (15.11.1902 a 15.11.1906);

Affonso Penna (15.11.1906 a 14.06.1909);

Nilo Procópio Peçanha (14.06.1909 a 15.11.1910);

Hermes da Fonseca (15.11.1910 a 15.11.1914);

Wenceslau Braz (15.11.1914 a 15.11.1918);

Delfim Moreira (15.11.1918 a 28.07.1919);

Epitácio Pessoa (28.07.1919 a 15.11.1922);

Arthur Bernardes (15.11.1922 a 15.11.1926);

Washington Luís (15.11.1926 a 24.10.1930);

*Júlio Prestes (eleito em 1930, não chegou a ser empossado, por conta da eclosão do movimento revolucionário liderado por Getúlio Vargas, quando a Junta Governativa assume o poder).

A partir de 1914, a Primeira República entrou em declínio. Nem o surto de industrialização suportou a crise pela qual passava a produção do café, que teve seu golpe final com a crise econômica mundial capitalista de 1929. A burguesia industrial entrava em conflito com a política econômica voltada preferencialmente à agricultura.

O resultado foi uma instabilidade crescente dos acordos políticos que caracterizaram a Primeira República, e a insatisfação no seio do exército proporcionou a aproximação de vários grupos estaduais que se opunham à política do Governo Federal.

As revoltas tenentistas no Rio Grande do Sul, em 1923, e em São Paulo, em 1924, somadas à insatisfação das oligarquias com a eleição de Júlio Prestes, em 1930, levaram ao impedimento do presidente eleito e, com um golpe militar, teve fim a Primeira República. Os primeiros anos da Era Vargas foram marcados pelo clima de tensão entre as oligarquias e os militares – principalmente no estado de São Paulo – o que provocou a Revolução Constitucionalista de 1932.

Em 1935, a Aliança Nacional Libertadora (ANL) promoveu uma tentativa de golpe contra o governo Getúlio Vargas – a Intentona Comunista. Getúlio aproveitou o episódio para declarar estado de sítio e ampliar seus poderes políticos. Nessa época, Getúlio adotou um discurso nacionalista e começou a articular um movimento pela sua permanência no cargo. Mas, em 1945, o Exército derrubou o presidente.

Junta Governativa (governo provisório – Menna Barreto, Isaías de Noronha e Augusto Tasso Fragoso – 24.10.1930 a 03.11.1930);

Getúlio Vargas:

Governo Provisório (03.11.1930 a 20.07.1934): empossado pela Revolução de 1930.

Governo Constitucional (20.07.1934 a 10.11.1937): eleito indiretamente, nos termos da Constituição de 1934. Observação: no dia 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas deu um golpe de estado, instituindo o Estado Novo, que o manteve no poder, pondo fim à luta sucessória dos candidatos à Presidência da República naquele momento;

Estado Novo (10.11.1937 a 29.10.1945): investidura outorgada. Vargas não assina qualquer termo ao se manter no poder após o golpe de estado de 1937. Foi como se seu mandato tivesse sido automaticamente prorrogado, uma vez que foi cancelada a eleição presidencial prevista. Observação: com o golpe de estado, em 10 de novembro de 1937, e a instituição do Estado Novo, foi dissolvido o Congresso, outorgada a nova Constituição e garantida a permanência de Vargas no poder.

Após a queda de Getúlio, o general Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente. A Assembleia Constituinte criou a quinta constituição brasileira, que estabeleceu os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

José Linhares (29.10.1945 a 31.01.1946): presidente do Supremo Tribunal Federal, exerceu a Presidência por convocação das Forças Armadas, após a deposição de Getúlio Vargas;

Eurico Gaspar Dutra (31.01.1946 a 31.01.1951);

Getúlio Vargas (31.01.1951 a 24.08.1954). Observação: Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954;

Café Filho (24.08.1954 a 11.11.1955);

Carlos Luz (08.11.1955 a 11.11.1955); observação: como Presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz ocupou a Presidência da República apenas por três dias, não constando no Livro de Posse o assentamento de sua investidura, substituindo o titular licenciado para tratamento de saúde.

Nereu Ramos (11.11.1955 a 31.01.1956);

Juscelino Kubitschek (31.01.1956 a 31.01.1961);

Jânio da Silva Quadros (31.01.1961 a 25.08.1961);

Ranieri Mazzilli (25.08.1961 a 08.09.1961);

João Goulart (08.09.1961 a 1º.04.1964);

08.09.1961 a 24.01.1963: fase parlamentarista (observação: assumiu a Presidência da República por força da Emenda Constitucional nº 4, de 22.09.1961, que instituiu o sistema parlamentar de governo).

Entre 1964 e 1985 o país sofreu um novo golpe militar com a instauração de uma Ditadura Militar, que ceifou direitos, calou críticos e a imprensa, matou e torturou brasileiros que não concordavam com o regime militar.

Em 1984, o movimento Diretas Já mobilizou milhões de brasileiros que pediam eleições diretas para presidente. A Câmara dos Deputados, no entanto, não aprovou e o Colégio Eleitoral elegeu o deputado oposicionista Tancredo Neves, que concorria contra Paulo Maluf.

Em 1985 veio a redemocratização que ficou conhecida como Nova República caracterizada pela democratização política e pela estabilização econômica! Tancredo não chegou a tomar posse – falecendo vítima de infecção hospitalar. Assim, o vice José Sarney assumiu. No seu governo, foi promulgada a Constituição de 1988 – o documento que reinstituiu o Estado democrático e a república presidencialista.

A partir de 1989 o brasileiro recuperava seu direito sagrado e alienável ao voto para a escolha dos presidentes da república. Foram eleitos então:

Tancredo Neves: sua posse, marcada para o dia 15.02.1985, não chegou a realizar-se porque o Presidente eleito adoeceu gravemente na véspera, vindo a falecer no dia 21.04.1985;

José Sarney (15.03.1985 a 15.03.1990);

Fernando Collor (15.03.1990 a 02.10.1992);

Itamar Franco (29.12.1992 a 01.01.1995);

Fernando Henrique Cardoso (01.01.1995 a 01.01.2003);

Luiz Inácio Lula da Silva (01.01.2003 a 01.01.2011);

Dilma Rousseff (01.01.2011 a 31.08.2016): mandato da então Presidenta Dilma Rousseff foi interrompido em 31 de agosto de 2016. Assumiu em seu lugar o vice-presidente, Michel Temer;

Michel Elias Temer Lulia (31.08.2016-31.12.2018): por ocasião da interrupção do mandato da então presidenta Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 2016, assume a Presidência do país.

Jair Messias Bolsonaro (01.01.2019-hoje).

Isso é História, isso é a verdade de uma país que nunca teve regime comunista, mas que teve governos de centros, direita na maioria dos períodos desde 1889, a chamada esquerda governou entre 2003 – 2016. Portanto, se reveste de muita ignorância dizer que poderemos ou estamos vivendo um comunismo. Coisa de gente mal instruída, mal intencionada e que ao tentar justificar governos ruins, tentam amedrontar pessoas simples e sem estudo com essa falsa alegação de regime comunista.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O slogan político do Brasil para as eleições presidenciais: “Qualquer um é melhor que Bolsonaro”


  Manifestante carrega bandeira com imagem do presidente Jair Bolsonaro durante caravana em seu apoio em Brasília, no 1º  de Maio. Eraldo Peres - AP

O presidente não precisa inventar inimigos ou culpados da tragédia alimentar e do desemprego que assolam o país. A sociedade está ciente da parte da culpa de seu mandatário nesse massacre

Apesar de faltar um ano e meio para as eleições presidenciais, toda a política brasileira está com os olhos postos nessa data para saber se Jair Bolsonaro será reeleito ou não, e assim se o país conseguirá recuperar a normalidade democrática hoje ameaçada a todo o momento.

Enquanto isso, Bolsonaro segue acalentando o sonho de que, antes da reeleição, as pessoas saiam às ruas para que ele possa recorrer às Forças Armadas, que ele continua chamando de “meu Exército”. E o mais sério é que o que o presidente deseja é que haja tumultos de rua provocados pelos milhões de brasileiros que a cada dia entram no inferno da fome e do desemprego. Seu sonho é que ocorram essas rebeliões para ele usar a força e se vingar dos governadores e prefeitos que, com a fúria da pandemia, se viram obrigados a seguir os lemas da ciência e da medicina, mesmo ao custo de impor o lockdown onde fosse necessário.

O presidente brasileiro precisa de inimigos reais ou inventados contra os quais guerrear. Daí sua insistência em ameaçar usar o Exército se houver tumultos em protestos nas ruas. Quando fala que o remédio amargo contra a pandemia pode levar as pessoas a “saquear mercados e provocar violência”, o que o obrigaria a recorrer aos militares, dá a impressão de estar fazendo uma insinuação para que isso ocorra.

É curioso que acuse governadores e prefeitos de terem causado fome e desemprego no país para combater a pandemia. Sua tese é que essa seria uma forma de culpá-lo por ter quebrado a economia e, assim, enfraquecê-lo diante da reeleição com a qual sonha dia e noite. Mais ainda, parece que todas as suas decisões são destinadas a combater o medo de perder o poder, ao qual chegou apesar de sua insignificância como político e como estadista, e que levou o Brasil a aparecer perante o mundo como um pária que, apesar de ser capaz com sua riqueza de alimentar meio mundo, permite que metade da população passe fome ou sofra de deficiência alimentar.

Se Bolsonaro fosse um chefe de Estado simplesmente normal, o que ele já deveria ter feito —como o presidente dos EUA, Joe Biden está fazendo— é taxar as grandes fortunas e aumentar os impostos dos mais ricos para que ninguém, apesar da crise sanitária, precise passar por dificuldades e se veja obrigado a remexer latas de lixo em busca de restos de comida.

Bolsonaro não precisa inventar inimigos ou culpados da tragédia alimentar e do desemprego que assolam o país. O que ele precisaria, e não tem, é de capacidade política e administrativa para governar um país que, sendo uma das maiores potências do mundo, deixa que milhões passem fome e acumula mortes todos os dias, com a teimosia do presidente ao desprezar a ciência e negar a pandemia.

As mais de 400.000 mortes causadas pela pandemia, que, segundo os especialistas podem chegar a um milhão, representam uma triste e sombria procissão de caixões para os quais não há cemitérios suficientes. A sociedade está ciente da parte da culpa do presidente nesse massacre. Na Câmara continuam a chover petições para destituí-lo do poder enquanto o Senado acaba de abrir uma CPI para investigar sua conduta na gestão da pandemia.

É possível que ante todo esse fracasso do Governo o capitão possa chegar a disputar a reeleição e os militares continuem com ele à custa de manchar a instituição? Triste paradoxo que o Brasil é forçado a suportar. Até quando? Que o mundo do mercado e das finanças não continue a flertar com as loucuras bélicas de Bolsonaro, porque eles poderiam ser os primeiros a pagar o preço por seu desgoverno. Por enquanto, a participação do capital externo na abertura de empresas estrangeiras caiu de 70% para 30% nos últimos anos.

A cada dia que passa, o Brasil deixa impunemente o presidente seguir sua política de sonhos guerreiros e de arrastar o país ao desespero da fome e do desemprego, que já castigam metade da população. É um borrão humilhante que afeta injustamente uma nação que pede pão e trabalho e, em vez disso, lhe oferecem armas e ameaças de guerra civil. Esse não é o verdadeiro Brasil que o mundo já admirou. É a triste caricatura do que foi sua glória e até seu poder.

O Brasil está em uma encruzilhada perigosa, pois o que poderia resgatá-lo da tempestade que o golpeia é exatamente o que Bolsonaro odeia. O país necessita urgentemente de uma reconciliação nacional e internacional. São duas medidas que a cada dia a mais deste Governo, que já é um Governo militar, parecem mais distantes. O Brasil está, de fato, cada vez mais distante de que aqueles que o governam façam com que recupere sua unidade perdida e seu prestígio mundial gravemente comprometidos pelos erros em série da atual política externa, que agora o projeta como um país inimigo das relações com nações que são fundamentais para o comércio e a economia.

Internamente, toda a política do Bolsonaro é a de criar cizânia e inimigos inexistentes e a de colocar os brasileiros uns contra os outros. Hoje, para poder sair do atoleiro bolsonarista, o Brasil precisa de um novo dicionário com palavras perdidas como diálogo, confiança, fraternidade, alegria, desejos de superação, amizade, justiça para os mais necessitados. Precisa resgatar a vontade de viver e superar-se (sim, também os filhos dos porteiros e das empregadas domésticas, geralmente todos negros, ministro Paulo Guedes).

Necessitaria de mais poesia e menos prosa envenenada. Necessita de mais cultura e melhor educação, mais defesa dos diferentes e maior preocupação com os excluídos. Precisa recuperar o orgulho de ser um país continental consciente de seu potencial econômico e humano.

Tudo isso fica a cada dia mais distante com um presidente e um Governo que, ao contrário, têm um vocabulário repleto de palavras negativas. Seu dicionário está cheio de termos como confrontação, guerra, inimigos, ameaças de golpes e ataques à democracia. O vocabulário bolsonarista não é apenas vulgar e até obsceno, está sempre impregnado de negatividade e violência. Tudo isso porque a conduta psíquica do chefe é a de desunir, ameaçar, confrontar e semear a cizânia nas redes sociais, oferecendo a cada dia doses gigantescas de veneno e baixeza.

E que não se iludam aqueles que ainda esperam uma conversão que coloque o trem descarrilado nos trilhos da normalidade e do diálogo pacífico. Isso já ficou claro que é impossível. A chave para a impossibilidade do “mito” de abraçar um vocabulário humano normal foi explicada por um general, falando no anonimato. Segundo ele, Bolsonaro, quando paraquedista do Exército, sempre gostou mais dos “temporais” do que do tempo de calmaria. Amava o perigo e nunca a normalidade. Sempre foi um adorador da morte mais do que da vida, da violência do que da paz. E assim continuou, até chegar ao topo do poder.

Onde o presidente pisa, deixa os vestígios de seu amor ao perigo, de seus sonhos genocidas, mais do que a recuperação da vida e da harmonia. Lembra o aluno que em classe adora semear a discórdia, desafiar a disciplina e, se achar necessário, usar até a violência física. Ele é desafiador e semeador da cizânia.

Que os políticos que apostam na democracia e querem devolver ao país valores que sempre foram tipicamente brasileiros, e que estão sendo pisoteados pelo capitão, não se esqueçam de que, não por acaso, ele e toda a sua família sempre se nutriram das milícias violentas.

Que não sejam levados em consideração os políticos que apostam na receita ilusória de que o melhor seria deixar o presidente “sangrar” para que chegue “debilitado” às eleições, para assim o país recuperar a harmonia e ser resgatado do inferno a que o empurram. Isso é apenas uma quimera. Se não o retirarem do poder, por mais desgastado que chegue, ele acabará ganhando as eleições porque terá toda máquina poderosa do Estado e o apoio do Exército, das forças policiais e dos milicianos que nunca o abandonam, assim como de suas hostes guerreiras, que ainda representam 30% do eleitorado e que são cegas e surdas a qualquer tentativa de converter o capitão em um político dialogante e capaz de renunciar a seus instintos de violência psicopata.

Bolsonaro prefere, como diz o general, as tempestades e a guerra aos valores da democracia e da civilização. Bolsonaro está fazendo o milagre de desejar o retorno à cena política de personagens que pareciam desgastadas para sempre, como o indescritível e acausto Renan Calheiros. E até Lula. O slogan que foi criado hoje no Brasil é: “Qualquer um é melhor que o Bolsonaro”. Nada mais humilhante para um político que tivesse um mínimo de dignidade.

Autor: Juan Arias é jornalista e escritor, com obras traduzidas em mais de 15 idiomas. É autor de livros como Madalena, Jesus esse Grande Desconhecido, José Saramago: o Amor Possível, entre muitos outros. Trabalha no EL PAÍS desde 1976. Foi correspondente deste jornal no Vaticano e na Itália por quase duas décadas e, desde 1999, vive e escreve no Brasil. É colunista do EL PAÍS no Brasil desde 2013, quando a edição brasileira foi lançada, onde escreve semanalmente.

3 de maio de 2021

Paulistano que votou em Bruno elegeu Ricardo Nunes!

 Nas eleições de 2020 para a prefeitura da maior cidade da América Latina, já era do conhecimento dos eleitores paulistanos que Bruno Covas – PSDB/SP estava em tratamento contra um câncer, tendo realizado inclusive quimioterapia no decorrer de seu primeiro mandato (2017-2020).

Seu avô Mário Covas, que faleceu justamente da mesma doença em 06 de março de 2001, também sabia da gravidade da doença e de toda luta que deveria travar com ela nos meses seguintes.

Mesmo assim, a despeito da gravidade da enfermidade e da incompatibilidade de trata-la sendo prefeito de uma cidade com tantos problemas, desafios e adversidades, Bruno não abdicou em nome da sua saúde de sua família.

Insistiu com a campanha e ainda colocou como seu vice na chapa, um cidadão que tem alguns processos de corrupção nas costas sendo investigados pelo MP.

O vereador Ricardo Nunes (MDB), vice-prefeito na chapa de Bruno Covas (PSDB), foi acusado de violência doméstica pela esposa e é investigado por superfaturamento no aluguel de creches conveniadas com a prefeitura. Ele assumirá a prefeitura com o pedido de licença de Bruno Covas a partir de 03 de maio, e terá nas mãos o maior orçamento do país, depois do governo federal.

Várias reportagens do jornal Folha de S. Paulo ligam o vereador Ricardo Nunes e seu grupo político com a chamada Máfia das Creches em SP. A entidade gestora de escolas infantis ligada ao vice na chapa de Bruno Covas (PSDB), utilizou recursos recebidos dos cofres públicos municipais para pagar empresas investigadas na máfia das creches e também a uma dedetizadora pertencente à família do vereador.

Ele mantém uma teia de conexões entre empresas, parentes e indicados políticos com cargos na gestão que envolvem creches contratadas pelo município. Essas conexões têm como pivôs o próprio vice de Covas e a Associação Amiga da Criança e do Adolescente (Acria).

Parece que a predileção dos partidos em SP passou a ser das merendas e creches, depois que exauriram os cofres públicos com desvios em grandes obras através de propinas para empreiteiras.

O esquema envolve ainda empresas ligadas a assessores e servidores indicados por Nunes que fazem negócios entre si e também com as creches. Além disso, há parentesco entre funcionários da prefeitura indicados pelo vereador e donos de empresas e entidades que faturam com o serviço e o aluguel dessas creches.

Essa é a chapa que os eleitores paulistanos elegeram em parte por serem conservadores e por não votarem no candidato adversário que era de um partido de esquerda. Não pesquisam, votam com o fígado e a ignorância e mantém a cidade em que vivem os esquemas de fraudes, roubos e corrupção vivos. Um círculo vicioso que se mantém no Estado há 26 anos com o PSDB no poder.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O oráculo ultraliberal sem fantasia!

O reacionarismo elegante está definitivamente órfão. A elite cheirosa que votou em Jair Bolsonaro “pra tirar o PT” sempre gostou de ostentar desconforto com a porção ogro do atual ocupante do Planalto — uma rejeição meramente estética — e amparava-se em dois “amuletos técnicos” para fazer o descarrego desse abraço à grosseria e ao neofascismo.

O primeiro amuleto era Sergio Moro, o “paladino anticorrupção”. A ruptura de Moro com Bolsonaro e, principalmente, o desmascaramento da farsa judicial da Lava Jato derrubaram o primeiro álibi de quem apertou 17 na urna, mas tinha a ilusão de preservar a aura fragrâncias contemporâneas.

O segundo amuleto era o “brilhante” Paulo Guedes, cujo currículo tinha como ponto alto ter sido um economista secundário durante a ditadura Pinochet, no Chile. Guedes, porém, parece pouco preocupado em preservar o autodeclarado verniz.

Esta semana, por exemplo, fez questão de denunciar ao país o “caráter antipatriótico” da longevidade — segundo o ministro, “as pessoas querem viver, 100, 120 anos”, o que seria insustentável para as contas públicas. Não satisfeito, o responsável pela Economia voltou suas baterias de despautérios contra a presença de filhos de porteiros nas universidades.

É o ódio de classe sem maquiagem. Quem quiser continuar apoiando, vai ter que se virar sem os adereços da camuflagem.

Apontado como “superministro”, o “Posto Ipiranga do governo” — o homem que tinha todas as respostas — Guedes enganou a quem quis ser enganado. Afinal, seu fundamentalismo ultraliberal, onde a realidade é apenas um entrave à aplicação da ortodoxia, tem causado verdadeira razia na vida da população.

O arrocho a qualquer custo, o culto à exclusão social, o salve-se quem puder econômico têm tudo a ver com a Escola de Chicago — não a de Milton Friedmann, que era liberal, mas não era genocida. A falta de empatia lembra mais a Chicago de Al Capone.

Essa política só pode ter como resultados a economia em frangalhos, a volta da fome e da insegurança alimentar atormentando 55% das famílias e o abismo do desemprego e subemprego.

A solução passa, necessariamente, pela ampliação de direitos e oportunidades, onde a educação tem papel decisivo. Para romper a lógica da “Casa-Grande e Senzala” que inspira o bolsonarismo, o Brasil precisa de muitos filhos de porteiros nas universidades.

Um alérgico a investimentos públicos tem dificuldade em compreender. Mas o exemplo já foi dado. Em 13 anos, os governos Lula e Dilma ampliaram significativamente os investimentos em educação. O orçamento do setor, que era de R$ 18,1 bilhões em 2003, saltou para R$ 100 bilhões em 2016.

A criação do Prouni, maior programa de concessão de bolsas para o ensino superior do mundo, assegurou que, até 2015, 2,55 milhões de pessoas tivessem acesso a universidades pagas. Pelo Fies, fundo de financiamento para ensino superior privado, 2,14 milhões de estudantes foram beneficiados.

No período petista, as universidades públicas ampliaram suas vagas e chegaram ao interior do Brasil: foram criados 173 campi universitários e 18 universidades federais. O número de matrículas nessas instituições duplicou, saltando de 505 mil em 2003 para 932 mil em 2014.

Estou convencido de que falta pouco para o Brasil retomar um rumo de otimismo e de superação dos fossos da desigualdade. Pelo caminho, vão ficando as máscaras e os vernizes de quem se emplumou para camuflar o caráter mesquinho de um projeto de destruição nacional.

Autor: Jean Paul Prates é Senador da República pelo PT do Rio Grande do Norte.

Os brasileiros que a escola não alcança!

                 Muitos alunos não conseguem ver vínculo entre a escola e um futuro melhor

Milhões de jovens no Brasil abandonam a escola por "falta de interesse". Acho a definição rasa e perigosa, é preciso olhar as histórias de vida por trás da estatística, escreve o fundador do projeto social Salvaguarda.

"Nunca vi a escola como um negócio que futuramente me daria retorno. Eu ia para a escola quando mais novo, pois era obrigado." Essa é a visão que um ex-estudante da rede pública tinha da escola. Ele agora faz parte da estatística de alunos que não concluíram a educação básica. Dados da PNAD Educação 2019 apontaram que 20% das 50 milhões de pessoas de 14 a 29 anos no país não completaram alguma das etapas da educação básica.

O segundo maior motivo para a evasão escolar foi a "falta de interesse" e correspondeu a 29% do total de alunos que abandonaram a escola – o primeiro motivo é a necessidade de trabalhar (39%). Ao fazermos do diploma do ensino médio um pré-requisito para quase todos os empregos formais atualmente, criamos uma dificuldade de inserção no mercado de trabalho para aqueles que não o possuem. Nesse cenário, esses jovens acabam aceitando qualquer emprego para sobreviver, mesmo aqueles em que podem ser explorados ou não ter acesso a direitos trabalhistas básicos.

Por essa razão, acho o termo "falta de interesse" raso e perigoso, pois ao definirmos 2,9 milhões de jovens assim, estamos, consequentemente, assumindo que eles simplesmente escolheram ter uma vida adulta de dificuldade financeira, falta de oportunidades e sujeita a exploração no mercado de trabalho. Além disso, perdemos a oportunidade de os ouvir para entender o que faltou na escola para eles, se viam sentido nela.

Histórico de reprovação

Para entender um pouco as histórias de vida por trás da "falta de interesse", tive a oportunidade de conversar com quatro estudantes que abandonaram a escola e se enquadram no perfil. Um deles é do Amapá; uma é da Bahia; um, do Rio Grande do Sul; e o outro, de São Paulo.

Por coincidência, todos tinham histórico de reprovação antes de optarem por parar de frequentar a escola. "Na última vez que reprovei, caiu a minha ficha. No primeiro dia de aula quando voltei, pensei que tinha ido para o terceiro ano e não tinha ido. Naquele dia eu chorei tanto, meu Deus do céu", diz o aluno do Sul. Segundo os estudantes, se não tivessem repetido outras vezes, não teriam desistido.

Como os pais lidaram com as reprovações e a desistência? De acordo com os estudantes, de forma um tanto quanto indiferente. Segundo a aluna da Bahia: "Quando eu contei, eles já esperavam. Sabe a cara deles de 'tanto faz para mim, já esperava isso de você'. Aí meu pai disse que não valeria a pena tentar mais, pois iria reprovar novamente. Ali, para mim, meu mundo caiu. Coloquei na cabeça e nem tento mais. Sei que vou fracassar de novo. Foi ali que pensei, realmente devo parar, mas sinto muita falta".

Distante do "mundo real"

O maior motivo das reprovações foram as faltas. Eles simplesmente não tinham vontade de ir para a escola. Não viam sentido nem relação entre a instituição e o "mundo real" que conheciam. Principalmente, não enxergavam a escola como um instrumento de acesso a um futuro com mais oportunidades.

"Eu já tinha um pensamento de que estudo, lá na frente, não faria falta pra mim", diz o aluno de São Paulo. Já o do Amapá disse que "vivia bagunçando, queria ficar jogando bola. Fui expulso de uma escola, até hoje não me querem lá. Fui com alguns amigos. Ai me lasquei, né?"

Talvez a grande dificuldade seja fazer com que esses jovens vejam sentido na escola. Certamente não será tentando os convencer, a qualquer custo, de que é importante ler livros, ter acesso à literatura clássica e aprender matemática. Falta um sentido mais prático. Penso que, primeiro, precisamos buscar formas de tornar o mais visual, óbvio e explícito possível a relação entre escolaridade e mercado de trabalho. Dessa forma, pelo menos, iremos conseguir trazer para a conversa esses alunos "desinteressados". Eles poderão se apropriar mais da escola sabendo que ela terá uma relação direta com os seus sonhos e planos futuros. Pois todos eles têm sonhos, mas não associam a escola como instrumento para os alcançar.

Com eles na conversa e como parte ativa na construção de como a escola deveria ser, poderemos os ouvir e, principalmente, aprender com eles. Quais são as demandas que eles têm, mas que a escola não cobre? Como gostariam que fosse? O que falta para verem sentido nela? Dessa forma, teríamos na construção da educação brasileira também as vozes desses milhões de alunos que atualmente, infelizmente, não se interessam por ela.

Autor: Vozes da Educação é uma coluna quinzenal escrita por jovens do Salvaguarda, programa social de voluntários que auxiliam alunos da rede pública do Brasil a entrar na universidade. Revezam-se na autoria dos textos o fundador do programa, Vinícius De Andrade, e alunos auxiliados pelo Salvaguarda em todos os estados da federação. Siga o perfil do Salvaguarda no Instagram em @salvaguarda1