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7 de maio de 2026

O Homem que Plantava Livros: Um retrato de Afonso Borges

  

Afonso Augusto Borges Filho - Reprodução.

Ao se olhar para a trajetória de Afonso Augusto Borges Fº, a parábola retorna. Não são árvores o que ele planta. São livros. São leitores.

“Para que um personagem seja verdadeiramente grande,
ele deve servir a uma causa maior do que si mesmo.”
 Jean Giono

Há uma parábola francesa que todo o mundo conhece, mesmo quem nunca leu uma linha de Jean Giono. É a história de Elzéard Bouffier, um pastor solitário que, ao longo de décadas, plantou sozinho uma floresta inteira numa região árida da Provença. Uma bolota de cada vez. Sem esperar reconhecimento. Sem anunciar o que fazia. Movido por algo que se confunde com fé, com teimosia ou, quem sabe, com amor.

Quando se olha para a trajetória de Afonso Augusto Borges Filho, nascido em Belo Horizonte em 10 de março de 1962, a parábola retorna com força. Não são árvores o que ele planta. São livros. São leitores. São cidades que descobriram, de repente, que tinham uma vocação literária que ninguém havia cultivado antes.

I. A Semente de 1986

Escreve em jornais desde os 16 anos. Em 1986, com 24 anos, fez a primeira semente cair no chão. Criou o Sempre um Papo, um projeto então modestos, quase artesanal: debates presenciais com autores, seguidos de lançamentos de livros. Nada de palcos suntuosos nem patrocínios vultosos. Apenas um jornalista, um autor e um público que ainda não sabia que precisava daquilo.

Quase quatro décadas depois, o que nasceu como semente é uma floresta: mais de oito mil eventos realizados, público estimado em dois milhões de pessoas, presença em mais de trinta cidades de oito estados brasileiros. Houve até uma temporada na Casa de América, em Madri. A bolota chegou à Europa.

II. O Método do Pastor

Bouffier plantava sem pressa e sem alarde. Afonso Borges tem o mesmo método. Há 26 anos vai ao microfone todos os dias apresentar o Mondolivro, hoje na rádio Alvorada FM — um programa diário sobre livros, numa época em que o rádio é dito moribundo e a atenção humana, fragmentada. A constância, aqui, é forma de resistência. Mas o grande legado do método borgiano está nos festivais. Em 2012, criou o Fliaraxá, em Araxá, Minas Gerais. A cidade não era um centro literário óbvio. Era justamente por isso. Borges sabe que o deserto é onde a floresta faz mais diferença. O sucesso foi tamanho que, em 2018, recebeu o título de cidadão honorário araxaense. Obviamente, as sementes plantadas não tem nenhuma relação com o cidadão araxaense mais conhecido, o ex-governador Romeu Zema, o intelectual do bolsonarismo.

Depois vieram o Flitabira (2021), o Fliparacatu (2023) e o Flipetrópolis (2024). Um mapa de festas literárias que vai crescendo como raízes subterrâneas, conectando cidades que, de outro modo, talvez nunca tivessem uma livraria independente, uma roda de leitura, um escritor negro falando para uma plateia que se reconhece nele.

III. A Floresta que Ele Planta

Para Afonso Borges, festivais não devem ser apenas espaço para venda de livros. Precisam envolver a comunidade de forma profunda — oficinas com artistas locais, músicos da cidade, exposições. A literatura, para ele, não é produto. É ecossistema.

Há ainda uma dimensão política no seu projeto, raramente declarada em alto e bom som, mas presente em cada escolha curatorial. Borges acredita que a literatura brasileira está passando por uma transformação histórica: a chegada de escritores negros — Itamar Vieira Júnior, Jefferson Tenório, entre outros — que contam o Brasil a partir do ponto de vista do oprimido, do escravizado. Dar palco a essas vozes é, para ele, parte essencial da missão.

Quanto à sua obra própria, são seis livros publicados ao longo de quatro décadas: três de poemas — Retrato de Época (1980), Bandeiras no Varal (1983) e Profecia das Minas (1993) —; as Conversas com Frei Betto (1988), traduzidas na Suíça e na Argentina; o infantil O Menino, o Assovio e a Encruzilhada; e Olhos de Carvão (2017), seu primeiro livro de contos, pela Record. Em 2024, lançou Tardes Brancas, pela Autêntica, levando-o até Lisboa para o lançamento europeu. A produção literária de Borges tem algo de paradoxal: é vasta em impacto, contida em volume. Como se o homem que planta livros nos outros reservasse para si uma parcimônia generosa, uma economia de palavra que desconfia da profusão.

IV. As Honrarias e o Silêncio das Raízes

Em 2011, o Ministério da Cultura lhe conferiu a Ordem do Mérito Cultural. Em 2016, a Medalha da Inconfidência. Em 2017, o Prêmio Bom Exemplo, da TV Globo, Fiemg e Fundação Dom Cabral. São reconhecimentos merecidos e, de certa forma, tardios — como costumam ser as homenagens a quem trabalha nos bastidores da cultura. E, agora, o Prêmio Faz a Diferença, das Organizações Globo. Bouffier, na parábola de Giono, nunca foi famoso. Quando as autoridades vieram admirar a floresta que havia crescido espontaneamente, ninguém pensou em atribuí-la a um pastor solitário. Afonso Borges não é anônimo assim. Mas há nele algo da mesma natureza: a floresta que criou é maior do que ele, e é provável que prefira que assim seja.

Coda

Jean Giono termina sua parábola com uma observação simples: quando Elzéard Bouffier morreu, aos 89 anos, em paz, havia recriado a vida onde antes era deserto. Afonso Borges ainda está plantando. Aos 62 anos, criou mais um festival em 2024. Tem, segundo ele mesmo, três filhas — Isabella, Mariana, Manuela — e uma esposa, Iara. A vida pessoal e a vida pública formam, nele, um único projeto de atenção ao outro.

Quando um dia ele parar, a floresta já estará de pé. Dois milhões de pessoas que foram a um evento seu. Dezenas de cidades que descobriram que tinham leitores esperando apenas por uma ocasião. Escritores negros que encontraram palco em cidades do interior de Minas. Crianças que ouviram um autor falar sobre um menino e um assovio e uma encruzilhada. 

Autor: Luis Nassif – Publicado no Site GGN.

6 de maio de 2026

O maior mar interior do mundo está desaparecendo!

  

Estamos, sem dúvida, já no início desse processo, afirma Goodman.
Foto de Rouzbeh Fouladi - Zuma Imago.

O nível do Mar Cáspio, situado entre Europa e Ásia, cai há anos, tendência apontada como irreversível e que tem se intensificado com o aquecimento global e a redução do fluxo do rio Volga, que passa pela Rússia.

A jornalista ambiental iraniana Maryam passou boa parte de sua infância às margens do Mar Cáspio. De sua casa no litoral, na cidade de Rudsar, no Norte do Irã, ela acompanhava as oscilações do nível da água — tão intensas que, nos anos 1990, enchentes forçaram alguns de seus parentes a deixar suas casas. O sobe e desce constante das águas sempre lhe pareceu algo natural. Mas, em uma visita recente à região, após anos longe, ela não reconheceu mais aquele lugar. "Continuei caminhando para dentro do mar, mas a água só chegava aos meus joelhos", contou Maryam, cujo nome verdadeiro a DW optou por não divulgar por razões de segurança. "Para alguém que cresceu junto a esse mar, foi assustador."

O Mar Cáspio, o maior corpo de água interior do mundo, cercado por Irã, Rússia, Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão, está encolhendo rapidamente.

                         A seca tem modificado radicalmente todo o litoral do mar Cáspio.
                                    Foto Hossein Beris Middle East Images Imago

Embora o Cáspio, de águas salobras, tenha passado por flutuações ao longo da história, cientistas afirmam que a atual queda no nível da água, iniciada nos anos 1990, dificilmente será revertida. Projeções apontam para um recuo ainda maior ao longo deste século, com alguns modelos indicando uma possível redução de até 21 metros. "Para se ter uma ideia, uma queda de 18 metros, por exemplo, é maior do que a altura de um prédio de seis andares", explica Simon Goodman, biólogo evolucionista da Universidade de Leeds, no Reino Unido. "Um declínio desse porte teria impactos significativos sobre os ecossistemas, além de afetar a saúde humana, o bem-estar e a atividade econômica."

Por que o Cáspio está encolhendo?

Diversos fatores explicam a retração. Vários rios deságuam no Cáspio, mas cerca de 80% de sua água doce vem do Norte, por meio do rio Volga, na Rússia. Durante décadas, o volume de água que chega ao mar foi influenciado por represas, irrigação e outras formas de manejo hídrico — especialmente na bacia do Volga. Mas, segundo Goodman, o cenário atual é mais complexo. "As projeções para o restante deste século indicam que os declínios contínuos terão um componente muito mais forte relacionado às mudanças climáticas", afirma.

O aumento das temperaturas globais, associado às emissões provenientes da queima de petróleo, gás e carvão, está intensificando a evaporação na superfície do mar. Somado à diminuição das chuvas e do escoamento de água para a bacia do Volga, o resultado é que mais água está saindo do Cáspio do que entrando.

Estoques de peixes em queda, portos bloqueados

Alguns efeitos já são visíveis, especialmente na região norte do Cáspio, entre Rússia e Cazaquistão. Essa área é mais rasa, e a queda contínua do nível da água tem tornado a pesca cada vez menos viável, explica Goodman. Um recuo de dez metros, por exemplo, secaria completamente grandes áreas dessa região, eliminado quase um terço da superfície total do mar. No nordeste do grande lago, uma área que antes servia de abrigo para milhares de focas durante a muda de pelos na primavera hoje é terra seca. "Já estamos perdendo habitats ecologicamente importantes devido à queda do nível do mar", afirma Goodman.

Os efeitos são visíveis também ao longo da costa iraniana, ao sul. Maryam lembra como os mercados eram grandes e movimentados, em contraste com o atual movimento minguado devido ao baque na atividade pesqueira. "O litoral que víamos quando crianças é muito diferente do que vemos hoje", afirma. Um café que antes ficava à beira d'água agora está vários metros para dentro do continente, relata. Em todo o Mar Cáspio, portos exigem dragagens frequentes para manter o acesso de embarcações, explica o biólogo, acrescentando que esses desafios "devem se intensificar nos próximos cinco a dez anos".

Cáspio é o próximo mar de Aral?

Para Goodman, há sinais de que o Cáspio pode seguir o mesmo destino do Mar de Aral, localizado cerca de mil quilômetros a leste. Antes um dos maiores corpos de água interiores do mundo, entre Cazaquistão e Uzbequistão, o Aral praticamente secou após o desvio de seus rios. Além de destruir meios de subsistência e ecossistemas, o desaparecimento do lago teve consequências graves para a saúde humana, incluindo tempestades de poeira tóxica.

Barcos no deserto Mar de Aral, que antes um dos maiores corpos de água interiores do mundo. Foto de Sadat Xinhua Photoshot picture alliance 

"Estamos, sem dúvida, já no início desse processo", afirma Goodman. Se o norte do Cáspio secar, as consequências irão muito além da perda de água. Grandes extensões do leito exposto podem alterar o clima regional e liberar grandes quantidades de poeira na atmosfera, parte dela potencialmente contaminada.

Resposta política não acompanha mudança ambiental

Como o Mar Cáspio se estende por cinco países, qualquer gestão eficaz exigirá coordenação internacional. Segundo Goodman, embora "os governos pareçam estar no início do desenvolvimento de estruturas colaborativas", esse processo ainda é incipiente.

Ele afirma que a adaptação de longo prazo exigirá investimentos contínuos em pesquisa científica e em estratégias que contemplem tanto os aspectos ecológicos quanto os econômicos — e que isso precisa acontecer rapidamente. "O ritmo das políticas públicas precisa acompanhar a velocidade das mudanças ambientais", conclui Goodman. 

Autor: Fatemeh Roshan – Publicado no DW

Haverá sinais e eles estão por toda parte!

 

Para as próximas eleições em outubro deste ano, estarão em jogo muito mais do que elegermos um presidente, governadores, deputados estaduais e federais, além de dois terços dos senadores. A manutenção da democracia, a economia e a vida dos brasileiros deveria estar em primeiro plano antes dos eleitores apertarem os botões nas urnas eletrônicas.

É preciso estar atento aos sinais que estão sendo dados e que com certeza vão chegar até você. As mentiras, as narrativas falsas e as malditas Fake News já começaram a rodas os grupos de WhatsApp e Telegram.

Os inimigos do país dizem que o Brasil com Lula está quebrado. Será? Impossível acreditar que uma economia que sobreviveu ao governo Sarney com inflação em 1989 de 1.972% ao ano. Um país que depois conseguiu passar ileso pela gestão medíocre de Fernando Collor e seu plano de confisco do dinheiro do povo nas contas bancárias e até na poupança.

Neste atual governo, o PIB cresce cerca de 4,5% ao ano. A inflação existe, mas está contida e está na casa de 4,89% ao ano em abril/26. A taxa de desemprego no Brasil no primeiro trimestre de 2026 foi de 6,1%, de acordo com dados divulgados pelo IBGE em 30 de abril de 2026. Apesar da alta em relação ao trimestre anterior, este é o menor índice para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2012.

A safra agrícola de grão é recorde apesar da insistência dos líderes do Agronegócio em ficar ao lado de quem não presta na política e das guerras promovidas por Rússia/Ucrânia e EUA/Irã. A produção e exportação batem recordes seguidos. O acordo entre Mercosul/Mercado Comum Europeu conquistado graças à persistência de Lula, mesmo com a resistência da França, traz novas conquistas aos exportadores nacionais.

Esses números e dados demonstram que o Brasil não está quebrado, longe disso, está vivendo uma grande fase e expandindo suas opções de mercado externo. Tem uma política externa sólida, consolidada e respeitada pelas grandes lideranças do mundo.

Os outros sinais são: extrema-direita bolsonarista tentando impor uma Proposta de Emenda Constitucional em defesa dos bandidos, chamada de PEC da Bandidagem. O senado vetando a indicação de um nome do governo ao STF. O veto veio acompanhado de um grande acordo espúrio entre o Centrão e os bolsonaristas para que a CPI do Banco Master fosse enterrada e não os atingisse civil e criminalmente.

Em todas essas ações estava presente Flávio Bolsonaro, filho do presidiário que comanda a direita nacional da prisão. Articulando a defesa da imoralidade, das organizações criminosas e dos ilícitos praticados pelo Banco Master e seus aliados.

A manobra imoral e ilegal do presidente do senado Davi Alcolumbre para poder anular o veto do presidente Lula ao Projeto de lei denominado Dosimetria que visa reduzir a pena de Bolsonaro e dos demais criminosos no país inclui movimentos que contrariam o rito normal daquela casa de leis.

O último sinal, e o mais importante, são as falas, as intenções e as prováveis ações que o filho do presidiário irá tomar caso seja eleito em outubro.

> Alterar as regras da reforma trabalhista, mantendo escala 6X1 e liberando a jornada de trabalho para até 12 horas por dia;

> Passando o limite para aposentadoria para 70 anos de idade mínima no país;

> Congelamento dos reajustes para os aposentados e pensionistas;

> Congelamento dos reajustes das correções do salário mínimo;

> Fim das férias de 30 dias consecutivos;

> Fim do décimo terceiro salário.

> Congelamento de novos concursos para servidores federais;

Congelamento dos reajustes dos servidores federais;

Não pense que essas coisas não poderão acontecer, porque acontecem. Na Argentina, Milei está promovendo um arrocho na vida dos trabalhadores e dos aposentados. No Mato Grosso, o governador está afastando o uso do Samu e transferindo os serviços para o Corpo de Bombeiros, que não tem efetivo suficiente em todo estado para substituir o Samu. O ex-governador Zema de Minas Gerais prega que menores de 18 anos tem que trabalhar, não os filhos dele que estão morando no exterior e são ricos, mas sim os filhos dos eleitores.

Portanto, haverá ainda mais sinais até as eleições. Eles já estão aparecendo, fique atento, não banque o iludidão, o leva e traz do pastor. Pesquise em quem irá votar, levante a ficha pregressa (capivara) dos políticos. Deixe de acreditar em boatos, em tias do zap, em grupos de igreja, faça você o seu futuro e escolha assim o seu destino.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.