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26 de maio de 2026

O inconformismo da elite contra quaisquer favorecimentos aos mais pobres!

 

Desde que o programa assistencial Bolsa Família foi instituído no país, sofre críticas dos ricos, dos empresários, dos bolsonaristas e de todos cidadãos que “odeiam” Lula e os partidos de esquerda.

Os argumentos são rasos, com pouca ou nenhuma inteligência, esbarrando sempre em narrativas falsas e dados inexistentes na realidade. Claro que, como tudo que é realizado em nosso país, o programa precisa sempre ter ajustes e auditorias, visto que o ato de levar vantagens em tudo é inerente a parcela significativa dos brasileiros.

O escopo principal do programa está baseado no seguinte:

Valores do benefício em 2026

·        Valor mínimo de R$ 600 por família

·        R$ 150 extras por criança de até 6 anos

R$ 50 extras para: gestantes - nutrizes (bebês até 6 meses) e crianças e adolescentes de 7 a 18 anos incompletos

A composição do benefício inclui:

·        Benefício de Renda de Cidadania: R$ 142 por integrante da família;

·        Complementos para atingir o mínimo de R$ 600,00.

Regras de permanência

Para continuar recebendo, a família precisa cumprir condições nas áreas de saúde e educação:

·        frequência escolar de crianças e adolescentes;

·        vacinação em dia;

·        acompanhamento nutricional infantil;

·        pré-natal para gestantes.

Os críticos sem argumentos, como Luciano Hulk dizem que os brasileiros deixam de procurar emprego para receber o Bolsa Família. Se o emprego tiver um salário mínimo, renderá R$ 1.621,00. Logo, fica difícil imaginar que alguém trocaria este valor por R$ 600,00.

Dizem ainda, que o governo tem de arrumar empregos e não promover o assistencialismo. Essa critica vai até a página 2, porque os empresários que recebem Incentivos fiscais, Benefícios fiscais, Renúncia fiscal, Subsídios tributários ou Desoneração tributária não reclamam nem acham isso assistencialismo. Luciano Hulk buscou subsídios no BNDES para comprar um avião. Naquele momento não achou que estava sendo ajudado pelo mesmo governo que critica ao ajudar os mais pobres.

Porque os ricos não se revoltam contra os salários obscenos recebidos por deputados, senadores, desembargadores, juízes e as malditas pensões eternas das filhas de militares da alta patente?

Porque Luciano Hulk e os demais ricos não se revoltam contra os bilhões manipulados no escândalo do Banco Master, da roubalheira do INSS por políticos de direita, e as malditas emendas parlamentares desviadas pelos mesmos políticos que votam contra aumento salarial dos professores, auxílio gás, correção do salário mínimo e desoneração dos impostos na cesta básica?

A resposta é simples, esses calhordas odeiam pobres, querem distancia dos brasileiros que não são ricos como eles, e por este motivo, odeiam todo e qualquer político que ouse tentar ajuda-los. O ódio a Lula e ao PT nada tem a ver com ideologia ou comunismo inexistente no planeta, mas sim com preconceito, que vem de muito longe, desde os tempos da escravidão. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

24 de maio de 2026

O que é roubar um banco diante de uma fraude cinematográfica?

Só Brecht explica a entrega de R$ 61 milhões do Master de Vorcaro ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).

O que é roubar um banco diante de fundar um banco?

Reciclo a pergunta famosa do dramaturgo Bertolt Brecht, na peça “A Ópera dos Três Vinténs”, para entender a generosidade do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao entregar R$ 61 milhões (de R$ 134 milhões prometidos) ao filme da família Bolsonaro.

O que é receber essa grana toda, provavelmente resultado de roubo do Master, sem sequer perguntar a origem?

Por que esconder isso de todo mundo, inclusive dos correligionários políticos, e só assumir diante do flagrante delito do “The Intercept Brasil”?

O que é roubar quem fundou um banco sob o pretexto artístico do cinema?

Essa é para dar um nó no cabeçudo sr. Bertolt.

O que é enganar o Mecenas diante de fundar um banco que engoliu até dinheiro de Previdência?

O pobre ladrão da peça de Brecht, o Jack Navalha, ficaria ruborizado. Por que não pensou nisso antes: um roubo cinematográfico sem precisar gastar uma bala da agulha.

Será arte?

Por que o dinheiro que Vorcaro deu ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) teve que passar por um fundo de investimentos lá do Texas e voltar para uma produtora de São Paulo?

Sobre essa parte do mistério, aliás, quem entende de cinema no Brasil, como o diretor Kleber Mendonça Filho (“O Agente Secreto”), trouxe uma bela curiosidade:

“Fundo Heaven’s Gate”, me chamou a atenção esse título. “Heaven’s Gate” (O Portal do Paraíso) é o título do filme de Michael Cimino (Oscar por The Deer Hunter) lançado em 1980 e que na época foi um dos filmes mais caros feitos até então em Hollywood. Tornou-se o maior desastre financeiro da história de Hollywood e faliu o estúdio United Artists. É uma coincidência insólita abrir um fundo para administrar o dinheiro de um filme brasileiro nos EUA e chamá-lo de “Heaven’s Gate”, um marco (financeiro) negativo na história do cinema”.

O que é um candidato sem saída diante de um fundador de um banco liquidado? 

Autor: Xico Sá - Escritor e jornalista, faz parte da equipe de apresentadores do ICL Notícias. Com passagem por diversas redações e emissoras de tv, ganhou os prêmios Esso, Folha, Grupo Abril e Comunique-se. Participou de programas como Notícias MTV, Cartão Verde (Cultura), Redação SporTV, Papo de Segunda (GNT) e Amor & Sexo (Globo).

20 de maio de 2026

Neymar sempre estraga meu humor!

  

Foto de Lucas Figueiredo da CBF. 

Enquanto o futebol brasileiro tenta reencontrar grandeza, Neymar reaparece como símbolo de decadência, narcisismo e permanente distração da seleção.

Carlo Ancelotti anunciou nesta segunda-feira os 26 convocados da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026.

Ouvi a lista com a autoridade futebolística de quem seria incapaz de distinguir um esquema tático de uma planta hidráulica. Entendo de futebol tanto quanto entendo de meteorologia no Tibete ou de mineração lunar. Habito o pré-sal da ignorância futebolística. Sou um torcedor de Copa do Mundo. Apenas isso.

Mas existe uma razão para essa fidelidade emocional.

México, 1970.

Aquela seleção não apenas venceu. Encantou o planeta. Pelé, Tostão, Rivellino, Carlos Alberto Torres, Gerson, Piazza, Félix e Jairzinho jogavam como quem parecia ter descoberto um segredo reservado apenas aos brasileiros. O futebol ali possuía leveza, inteligência e uma alegria ofensiva que humilhava adversários sem precisar recorrer à violência ou à encenação.

Aquilo ficou gravado na memória da minha geração como uma espécie de patrimônio afetivo.

Depois veio 1982.

E talvez nenhuma seleção derrotada tenha sido tão amada quanto aquela. Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Júnior e Éder jogavam futebol como artistas que desprezavam o medo. Havia arte com a bola, inteligência e ousadia em campo.

Éder chutava de longe como quem tentava derrubar paredes invisíveis. Até hoje considero aquela derrota para a Itália uma das maiores injustiças da história das Copas.

Desde então, assisto à seleção brasileira com o sentimento de quem procura antigos moradores numa cidade que mudou demais. Ancelotti convocou Alisson, Ederson, Marquinhos, Casemiro, Bruno Guimarães, Vinícius Júnior, Raphinha, Endrick, Neymar e outros nomes já esperados.

Foi exatamente no momento em que ouvi o nome de Neymar que desliguei a televisão.

Cansei.

Neymar se transformou numa espécie de usina permanente de desgaste emocional da seleção brasileira. Cai mais do que joga. Reclama mais do que produz. Encena faltas como quem participa de um teste para novela ruim das nove. Mas está seguro de que a emissora pretende ficar com ele.

Nunca consegui admirar jogadores fascinados pelo próprio espelho.

Neymar envelheceu como personagem antes de envelhecer completamente como atleta. Tornou-se prisioneiro de uma caricatura construída por contratos milionários, publicidade excessiva, celebridades vazias, penteados performáticos e uma necessidade quase patológica de permanecer no centro dos holofotes.

Existe algo de muito decadente nessa insistência.

A entrada de Neymar nessa seleção, faltando tão pouco para a Copa, me lembra uma comida preparada com cuidado durante horas, cheia de aroma, equilíbrio e tempero certo — até surgir alguém carregando um pote inteiro de sal e despejá-lo dentro da panela.

Estraga tudo. Ou quase tudo.

O problema nunca foi apenas o futebol de Neymar. Foi tudo aquilo que veio grudado nele como ferrugem emocional: o narcisismo, o teatro permanente, a infantilização reincidente, o excesso de ego e a sensação cansativa de que a seleção brasileira passou anos orbitando um único jogador que jamais conseguiu carregar sozinho metade do peso histórico da camisa que vestia. 

Autor: Washington Araújo – Publicado na Revista Forum.