Esse artigo começa pelo antigo e sábio ditado popular “Pau que nasce torto, morre torto”. Em 2015, a cidade de Bauru foi contemplada com uma verba de R$ 118 milhões, a fundo perdido, pela presidente Dilma Rousseff para a construção da tão sonhada Estação de Tratamento de Esgotos (ETE). Após a aprovação da verba, a prefeitura, na ocasião comandada por Rodrigo Agostinho – MDB-SP, atualmente exercendo o cargo de presidente do IBAMA, fez uma licitação para poder contratar uma empresa que fizesse o projeto da obra. Em seguida, foi realizada a licitação para escolher a empreiteira que realizaria a obra.
Em dezembro de 2016, entregou a cidade para o seu sucessor Clodoaldo Gazzetta, que assumiu a gestão em 01 de janeiro de 2017. Ambos tiveram como origem a carreira de ambientalistas, o que infelizmente não impediu o fracasso de ambos na conclusão da obra.
Isto porque, após quatro anos da gestão de Gazzetta, a obra com custo inicial de R$ 126 milhões, considerada a obra mais cara do interior do Estado de SP, não havia sido concluída. Somando o tempo de Agostinho com o de seu sucessor ambientalista, tínhamos à época, seis anos de total incapacidade gestora.
Em janeiro de 2021, tomou posse a prefeita Suéllen Rosim. Com ela a saga continuou, só que de maneira pior, tendo em vista que, durante a sua gestão ainda em curso, a obra foi paralisada. Os prejuízos são imensos do ponto de vista financeiro, saneamento e de desenvolvimento da cidade, uma vez que a maior parte das grandes empresas não constroem suas unidades em cidades que não tenham tratamento do seu esgoto.
Em 2025, a prefeita aprovou juntos aos seus comandados da Câmara um projeto bilionário que propõe ao consórcio vencedor as obras de drenagem da Av. Nações Unidas. Essas obras somente terão início após o Consórcio entregar a Estação de Tratamento de Esgotos a cidade. O DAE provavelmente será entregue no pacote ao vencedor. Custo de operação de Três ETEs, piscinões e rede em 30 anos = R$ 1,44 bilhões.
Retorno do investimento com Taxa Interna de Retorno (TIR) = 8,49%
Receita final = 3,547 bilhões - Despesa final R$ 2,24 bilhões
Em paralelo, a autarquia do Departamento de Águas e Esgoto (DAE) segue cobrando nas contas residenciais e comerciais o Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) ou CPMF bauruense. Criada no governo de Tuga Angerami (2005-2008), para levantar recursos para a construção da tão sonhada estação de tratamento de esgotos. Mesmo com recursos liberados a cobrança nunca foi interrompida e pelo visto nunca será...
O valor arrecadado nas contas já ultrapassou em março/2026, R$ 390 milhões e não foi utilizada para a sua finalidade original, proposta na Lei 5357/2006. Nenhuma autoridade em Bauru (Prefeita, Vereadores da situação, Ministério Público) diz para a sociedade qual será o destino dessa fortuna.
Justamente numa gestão que não consegue trocar a iluminação pública por Led, não implantou um sistema de vídeo monitoramento, não fez a remodelação e modernização do centro comercial da cidade, não realizou sequer as obras de conclusão do Centro de Atletismo do antigo Distrital Antonio Milagre Filho, conhecido como Milagrão, vai querer que acreditemos que irá fazer essa grande e suntuosa obra?
Uma cidade onde uma reforma de escola fica cinco anos esperando sua conclusão. Onde creches estão em estado de petição de miséria, a saúde pública na UTI, faltam medicamentos para pessoas com diabetes, faltam vagas hospitalares e de UTI e agilização dos exames laboratoriais e específicos de imagem.
É neste cenário que temos a cobrança da taxa do Fundo de Tratamento de Esgotos – FTE na nossa conta do DAE. Algo que o Ministério Público de SP se recusa a mandar interromper e os vereadores da Prefeita não tem interesse nem coragem para fazê-lo. Ou ao menos, discutir abertamente com a sociedade sobre qual seria a melhor destinação para esse recurso e o fim a sua cobrança. Em qualquer lugar do mundo esse valor arrecadado de R$ 390 milhões serviria para construir a Estação de Tratamento de Esgotos e ainda sobraria recursos nos cofres.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.



