20 de maio de 2018

A Educação no país!

Levantamentos da FIESP e do IBGE dão a
medida das dificuldades que o País vem enfrentando
na formação de capital humano, condição indispensável
 para a passagem a níveis mais sofisticados de produção.

Na mesma semana em que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) divulgou uma pesquisa sobre o conceito de Indústria 4.0 e os problemas que precisam ser enfrentados para sua adoção, dentre os quais a necessidade de mão de obra altamente qualificada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2017 que mostram que o cenário da educação brasileira, apesar de alguns avanços pontuais, continua trágico.
Os dois levantamentos dão a medida das dificuldades que o País vem enfrentando na formação de capital humano, condição indispensável para a passagem a níveis mais sofisticados de produção. O conceito de Indústria 4.0 engloba as principais inovações tecnológicas dos campos de automação, controle e tecnologia da informação, aplicadas aos processos de manufatura. Os números da Pnad ajudam a compreender os problemas que as entidades empresariais têm pela frente. Além da falta de mão de obra qualificada para trabalhar com as novas tecnologias, pelo levantamento do IBGE o Brasil não teria nem mesmo mão de obra qualificável, ou seja, com um mínimo de instrução para poder ser treinada e qualificada.
Segundo a Pnad, a proporção de brasileiros com menos de um ano de estudo caiu de 7,8% para 7,2% da população com mais de 25 anos, entre 2016 e 2017. Mas, dos 48,5 milhões de pessoas que tinham entre 15 e 29 anos de idade em 2017, 11,2 milhões – o equivalente a 23% do total – não trabalhavam, não estudavam e não se qualificavam. Em 2016, o índice foi de 21,9%. Em números absolutos, o crescimento desse contingente foi de 619 mil pessoas.
Pela meta nove do Plano Nacional de Educação (PNE), que foi aprovado em 2014, o País deveria ter em 2015 até 6,5% da população com 15 anos ou mais sem saber ler ou escrever um bilhete simples. Os dados da Pnad mostraram que o índice foi de 7,7% naquele ano, tendo baixado para 7% em 2017, não atingindo, portanto, a meta. Em números absolutos, são 11,5 milhões de pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler e escrever. A meta que previa que 85% dos estudantes do ensino médio estivessem na idade esperada nas três séries desse ciclo educacional também não foi atingida. Segundo o IBGE, em 2017 apenas 68% dos alunos desse ciclo de ensino estavam na etapa esperada.
Os dados da Pnad revelam ainda que o número de pessoas com mais de 15 anos matriculadas no sistema de Educação de Jovens e Adultos (EJA) cresceu 3,4% entre 2016 e 2017. Contudo, nos cursos de alfabetização voltados especificamente para adultos, o número de matrículas, que foi de 153 mil em 2016, caiu para 118 mil no ano passado. Em 2017, além disso, 7,2% da população com idade acima de 25 anos não tinha instrução e 33,8% tinham o ensino fundamental incompleto. Na prática, isso significa que 41% da população adulta é analfabeta funcional. São pessoas que sabem escrever o nome, mas não conseguem ler e compreender manuais de instrução para a operação de máquinas e equipamentos.
Os números da Pnad demonstram, mais uma vez, que a qualidade do sistema de ensino do País continua insatisfatória, a maior parte dos estudantes permanece defasada, o tempo médio de estudo é menor que nas economias com maior presença no comércio internacional e as taxas de evasão permanecem altas. Esse cenário sombrio decorre, basicamente, do modo inepto como o sistema educacional foi gerido pelos quatro governos petistas.
Em vez de concentrarem a atenção em objetivos básicos, como o ensino de Português, Matemática e Ciências, eles adotaram políticas marcadas por prioridades erradas e orientadas por modismos pedagógicos e pelo discurso da democratização do ensino, descuidando da formação básica das novas gerações e do fortalecimento do ensino médio, o que resultou nas dificuldades que o País enfrenta para adotar novas tecnologias e modernizar a economia.

Publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo.

16 de maio de 2018

Primeiro roubaram a luz, depois o túnel, agora o nosso futuro!


“Quem se senta no fundo de
um poço para contemplar o céu,
há de achá-lo pequeno"
Han Yu.

Nestes últimos trinta e poucos anos tivemos uma sequência de governantes que deveríamos apagar da nossa história enquanto Nação. Da vitória de Tancredo no colégio eleitoral aos dias atuais, o nosso país perdeu um tempo precioso que jamais será recuperado no sentido de ter se tornado uma potência mundial, ou na pior das hipóteses um dos países mais fortes entre os chamados em desenvolvimento.
Jogamos no lixo todas as possibilidades que tivemos ao não fiscalizarmos nem participarmos ativamente da vida política nacional, nos limitando a votar, cometendo um erro crasso que nos custa justamente o preço do atraso e do subdesenvolvimento em que estamos perante o mundo moderno.
Nossa indústria está atrasada e sucateada, sem condições de competir com os países da Europa, Ásia e América do Norte. Nossas riquezas saem para o exterior a preço de banana. Exportamos matéria prima e depois compramos a preço de diamantes os produtos finais produzidos pelos países ricos.
Não temos controle algum sobre nossas fronteiras em nosso vasto território continental. Nosso setor pesqueiro carece de investimentos e nem no turismo podemos nos orgulhar de algum avanço, mesmo sediando grandes eventos mundiais e tendo belezas naturais incomparáveis.
A violência que é fruto das péssimas gestões e do descaso para com a Educação e a saúde pública, hoje alcançou níveis insuportáveis em toda área urbana do país. Nossas leis são antigas, o código penal é retrógado e mantém penas brandas para crimes hediondos, além de benesses que incentivam a criminalidade em todos os cantos.
Nada que é feito dentro dos governos nas três instâncias do poder executivo (Municipal, Estadual ou Federal) leva em conta o bem estar da sociedade e o futuro da Nação. As privatizações ao invés de reduzirem a participação do Estado serviram apenas para engordar contas de políticos em paraísos fiscais e deixar empresários milionários com as aquisições de grandes empresas por preços subfaturados em editais manipulados e suspeitos.
Prova é que estamos vivendo um colapso no setor elétrico nacional, perdemos muitos recursos minerais e não investimos praticamente nada em Educação, Saúde, Saneamento Básico, Habitação e Segurança Pública com os recursos oriundos das vendas das estatais.
As nossas rodovias são do tempo do império, muitas ainda sem capa asfáltica e intransitáveis por onde passam boa parte do escoamento da nossa safra agrícola. Nossas hidrovias são parte de um projeto tímido, sem os devidos investimentos, talvez por conta da força do setor automobilístico que não quer perder o filão da venda de seus caminhões para as barcaças.
Ainda no setor logístico, vimos depois da posse de FHC em 1995, o completo sucateamento do setor ferroviário no país. Um dos meios mais seguros e econômicos para o transporte de cargas foi destruído pela infeliz estratégia do grão tucanato no período de 1995 – 2001.
Para piorar, nenhum outro país tem a classe política tão ruim, tão corrupta e incapaz como o Brasil. É certo que, nosso povo carente de educação e de informação, não leva a sério a democracia, pensa erroneamente que votar é o começo e o fim do processo. Não cobra, não fiscaliza e a tudo releva. Discute apenas os candidatos a presidência, quando deveria dar valor a todos os cargos eletivos que são colocados em votação.
A cada novo pleito, percebemos que nada muda, os nomes colocados a prova são fruto da maquiavélica máquina partidária engendrada por um grupo grande de interessados em manter as coisas no nível bem baixo e distante da luz e da justiça.

O planeta não suporta mais o egoísmo e a ganância dos líderes mundiais!


Devemos promover a coragem onde há medo,
promover o acordo onde existe conflito,
e inspirar esperança onde há desespero.

Enquanto o tempo passa inexoravelmente assistimos os grandes líderes das maiores e mais ricas nações do planeta discutirem territórios a serem ocupados para conseguir mais petróleo, guerras e muitas outras coisas menores e sem sentido.
O líder americano discute a construção de um muro entre seu país e o México. Israel quer o fim das armas nucleares do Irã, porém, não quer discutir a manutenção de seu armamento bélico. A França e a Grã Bretanha discutem o terrorismo enquanto decidem bombardear a Síria por uma suposta ação que havia envolvido armas químicas, o que nunca foi comprovado.
Quando do ataque às torres gêmeas os EUA seguindo seu líder George Bush, resolver atacar o Iraque de Saddam Hussein, que nada tinha a ver com o ato terrorista de 11 de setembro. Ao invés de contra atacar a Al Qaeda no Afeganistão onde estava Bin Laden, eles preferiram tomar posse do Iraque e de seu valioso petróleo.
Hoje o Oriente Médio está em chamas, assim como a destruída Síria e tantos outros países em diferentes regiões. Enquanto isso, a poluição, a destruição de matas, florestas, fauna marinha e dos nossos rios acontecem sem que nenhum dos líderes mundiais faça algo para impedir. Ao contrário, rasgam acordos importantes para preservação do planeta.
Se os bilhões de recursos investidos em armas, projetos nababescos de viagens a Marte fossem destinados à cura de doenças e a preservação do planeta talvez pudéssemos acreditar no futuro das próximas gerações.
Os recursos minerais são finitos e é notório o esgotamento avançado do planeta. No Brasil o desmatamento não para, e já ameaça destruir a Floresta Amazônica para que latifundiários plantem pastos para seus rebanhos ou gananciosos destruam tudo na busca por ouro e outros minérios de forma irregular.
Os seres humanos desconhecem que não existe outra morada para os bilhões de seres vivos que aqui residem e dependem unicamente da Terra. Ninguém ergue a voz, ninguém luta contra os desmandos dos vilões que contam com a maioria dos governantes corruptos e despreocupados com nosso ecossistema.
É preciso que haja uma reação em todos os cantos do mundo. A humanidade precisa acordar antes que seja tarde demais para qualquer reação e o planeta agonize definitivamente.

Petrobrás - Abaixo do Pré-Sal!


“Somos uma empresa, instituição de inteligência,
que em qualquer época com ou sem crise,
terá lugar assegurado. Os governos passam, nós ficamos”.
Júlio Bozano

Enquanto o país discutia a situação nebulosa em que se encontrava a Petrobrás, sugada pela força do furacão Corrupção o cidadão ao abastecer seu veículo pagava na bomba de combustíveis R$ 2,89 o litro da gasolina. Hoje, passados mais de dois anos, com a empresa voltando ao seu normal, estamos pagando mais de R$ 4,00 o litro da mesma gasolina.
É a lógica reversa da leitura da corrupção a favor da privatização, na prática da corrupção legalizada para pequenos grupos do poder estabelecido.
A existência dos focos de corrupção na empresa é antiga, variando a sua intensidade, talvez nunca como nos últimos anos, conforme apurada em delações dentro da Operação Lava Jato. Em 2002, final do governo FHC e começo da gestão Lula, a Petrobrás tinha um valor de mercado de US$ 15,5 bilhões, saltando para cerca de US$ 104,9 bilhões em 2014. Quando começou a exploração dos poços utilizando o modelo de partilha, o que era muito mais lucrativo para o Brasil, coadunado à lei que previa 75% dos royalties da extração do petróleo para a educação e 25% para o SUS. Sem levar em consideração os ativos da empresa, a descoberta do Pré-Sal, a detenção da tecnologia de perfuração em águas profundas etc., o que tornava o valor da empresa ainda maior. Neste momento a corrupção passou a ser um enorme problema.
Quando a corrupção rolava, mas o grosso do lucro ia para investidores, para a bolsa de valores e para irrigar campanhas do PSDB/PT e PMDB, ela não interessava. Quando a corrupção inverteu a lógica, apareceu a operação lava-jato.
E olha que no Brasil a disputa é até tranquila. Aqui o jogo pelo Petróleo está só criando milhões de desempregos, derrubando governos e prendendo líderes. 
No Oriente Médio ele está dizimando países e praticando genocídios. Ou vocês acreditam mesmo que a guerra na Síria, na Líbia, Iraque e a possível guerra entre Irã e Israel é religiosa?
A primeira coisa que fizeram quando apearam o PT do poder foi colocar na presidência da empresa um homem de mercado, um homem que tinha interesses financeiros pessoais na empresa, o Pedro Parente.
Depois de começarem a repetir em 2014 que a Petrobrás estava quebrada, mesmo sem estar, tendo em vista que seu valor de mercado era seis vezes maior que em 2002, e já tinha atingido um pico, anos antes, entre 2009 e 2012 de cerca de um trilhão de reais, chegando a ser a 10° maior empresa do mundo, as pessoas simplesmente acreditaram cegamente, e a privatização da Petrobrás passou a ser ponto pacífico.
Na década de 60, a Indonésia era um país recém-liberto do domínio holandês que despertava profundos interesses no Ocidente e Austrália pela sua abundância em Petróleo. O primeiro trabalho para a derrubada do governo que lá vigorava, foi à proliferação de escândalos, o segundo foi o investimento ocidental em grupos revoltosos (Síria?), e depois estes grupos foram financiados pelo Ocidente e Austrália e saíram armados, liderados pelo futuro ditador Suharto.
Depois que o Suharto tomou o poder, como primeira ação entregou todo o petróleo nas mãos de empresas destes mesmos países que financiaram seu golpe. Depois, praticou um genocídio que dizimou 500 mil pessoas. E quando menos se percebeu a Indonésia, que antes era uma das grandes exportadoras de petróleo e autossuficiente em energia, se viu obrigada a comprar o que ela mesma produzia pagando quatro dólares a mais por barril do que ganhava em royalties, multiplique quatro dólares por milhões ao dia.
Está aí a mágica das privatizações, o linchamento em cima da Petrobrás, a repetição de que ela opera no prejuízo e é um fardo pesado ao Estado que querem vender a vocês. Não se trata de defender o governo pois estes grupos que saem em defesa da Petrobrás defendiam também todas as indústrias estratégicas do País mesmo na época do regime militar.

14 de maio de 2018

A arte da paciência!


Vivemos em um mundo frenético que 
exige resultados imediatos e ter tudo sob controle. 
Além de irreais, essas pretensões são danosas!


A palavra paciência deriva do latim patiens, ou seja: o que padece. Implica sofrimento: o da espera e o da esperança... ou do desespero. Vivemos em um mundo frenético. Precisamos saber, conhecer os resultados, e sofremos enquanto esperamos. Evitar essa dor é o que nos torna impacientes. A tecnologia em particular as telecomunicações — criaram a expectativa do imediatismo. Mas isso pode se tornar uma ilusão e nos levar a considerar como presente algo que ainda está por vir. A expectativa é um sistema fechado que resulta em frustração. Estamos nos acostumando ao imediatismo, evitando a espera. Este é um dos segredos da paciência: o hábito.
Não se nasce paciente. Os bebês choram quando têm fome. Não toleram a insatisfação imediata de uma necessidade primária: o alimento. Pouco a pouco vão aprendendo que, ainda que demore um pouco mais, finalmente lhe darão de comer. Impacientam-se, mas com o tempo aceitam, sem chorar, o sofrimento da fome, porque sabem que o alimento chegará. A natureza da criança é a impaciência, porque poucas coisas dependem delas, porque quase nada está sob seu controle. Outro segredo da paciência: o controle.
Cada vez conseguimos controlar mais situações. O tempo que vai fazer no lugar remoto ao qual programamos uma viagem ou onde está nossa filha adolescente que demora 10 minutos a mais do que o habitual para chegar em casa. Sem dúvida, grandes avanços, mas habituar-se ao controle fomenta a impaciência. A paciência tem de ser treinada, aprendendo a tolerar o sofrimento causado pelo desconhecimento, a incerteza, o descontrole.
Na sociedade do imediatismo, a satisfação de um desejo de forma quase automática se tornou uma nova droga sem nome. No cérebro, funciona mediante dois mecanismos básicos: de um lado, proporciona prazer, reforça os circuitos de recompensa e fomenta a busca, novamente, da sensação prazenteira oferecida pelo cumprimento do objetivo, quanto antes melhor; de outra, colocam em andamento mecanismos para evitar a dor, como acontece quando algo nos incomoda e mudamos inconscientemente às vezes de postura.
O corpo não está preparado para estar em situação de alerta constante. Se desgasta. O sono repara o desgaste, mas a cada vez dormimos menos e, pior, muitas vezes em nome da impaciência, pois dedicamos mais horas para conseguir do que para descansar. O conceito de necessidade se desvirtuou, tanto de ser como de saber e de ter. É impossível subtrair, evitar ou resistir à verdadeira necessidade. Falamos dela cada vez com mais facilidade, quando na verdade se trata de desejos.
Desejar é mais suportável do que precisar, e a elevação do desejo à categoria de exigência envolve riscos, pois uma carência adiada se torna uma urgência. Boa parte da responsabilidade pelo aumento do uso de fármacos para o tratamento da ansiedade e depressão vem dessa tendência de não cultivar a arte da paciência. Viver nesse contexto da urgência é, na realidade, mais danoso do que o possível fracasso em objetivos que consideramos necessários.
Para evitar cair na armadilha do desassossego, a primeira coisa a fazer é tomar consciência de que somos impacientes; depois, avaliar que fatores fomentam nossa inquietude e quais nos protegem. A necessidade de ser paciente é vista como sinal de fraqueza. Os poderosos não esperam, mas depositam em você a satisfação de sua urgência, a responsabilidade por atingir ou não o objetivo.
Não devemos sucumbir a essa tendência. A paciência não é apatia, nem resignação. Não é falta de compromisso, porque não é estática: quem espera com calma faz isso ativamente, se rebela contra a dificuldade. O sossego é otimista, pois a espera ativa implica esperança.
É coragem, pois fixa o olhar no longo prazo. O impaciente considera que o objetivo é a meta, quando na verdade o objetivo é ponto de partida. A paciência é protetora, pois não fica frustrada diante da eventualidade do imediato: nos permite atravessar situações adversas sem fraquejar. É força, pois é paciente aquele que foi capaz de domesticar suas paixões. Mas precisamos treiná-la.
Nos acostumar a esperar e aceitar que ter tudo sob controle é, além de impossível, perigoso. Recapacitar, reorganizar tanto os tempos como as prioridades, refletir. Dizia santo Agostinho que “a paciência é companheira da sabedoria”. Vamos reservar um tempo para observar que algumas coisas podem esperar sem causar sofrimento, e aprender a saborear o prazer da espera.

Autora: Lola Morón

9 de maio de 2018

Almas gêmeas!


A Cabalá já foi descrita como a matemática dos sentimentos; ela é uma ciência espiritual exata, que estudou cuidadosamente como os seres humanos pensam, aspiram e amam. Ela fornece descrições precisas de cada nuance de pensamento e sentimento; nos ensina a harmonizar mente e espírito e a compreender a complexidade do universo. Uma de suas inúmeras vertentes, baseada em indícios cósmicos, consegue responder quem combina com quem ou, o que faz duas pessoas se encontrarem e se manterem juntas?
Alma gêmea é uma expressão cabalista, por isso recorri a essa milenar tradição para entender o seu significado e procurar responder a essas indagações.
Talvez a resposta esteja em um dos escritos do mestre espanhol Joseph ben Abraham Gikatilla (1248 – 1305): “Quando um ser é criado, forçosamente o seu cônjuge é criado de forma simultânea, porque no Mundo Superior não se produz uma alma que não contenha o masculino e o feminino, como está escrito no versículo”. Gikatilla estava se referindo ao versículo 1:27 de Gênesis: “e o Divino passou a criar o homem à Sua imagem, à Sua imagem o criou, macho e fêmea os criou.”
Então é possível entender que, nessa etapa da Criação – no projeto ou na concepção - este ser espiritual, é Uno como seu Criador. É um andrógino reproduzindo por completo a imagem do Divino com todos os seus componentes. Ao tornar este ser carnal, isto é, ao cobrir seu espirito com o pó da terra e soprar nas suas narinas o fôlego da vida, o Criador resolve separar as duas polaridades: Eva foi retirada do lado de Adão porque era uma das metades daquele ser Uno.
O Sefer Há Zohar (o Livro do Esplendor, básico no estudo da Cabalá) também ensina que a nossa alma é una, contemplando as duas polaridades ou os dois aspectos: o masculino e o feminino que, no entanto, são separados quando aportamos neste nosso mundo físico.
Diz o Zohar: “Todas as almas do mundo, que são fruto das mãos do Todo Poderoso, são misticamente uma, mas quando descem a este mundo são separadas em macho e fêmea”. “Só o Criador e nenhum outro, pode uni-los, pois, Ele é o único a saber o par próprio de cada um. Feliz a pessoa que é reta nas suas obras e caminha na verdade, de forma que estas duas partes da mesma alma possam se encontrar”.

Autor: Paulo Cesar Razuk
Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp – Campus de Bauru

Deus e eu a sós no espaço!


Percebemos o ambiente por meio de estímulos encaminhados aos nossos olhos e a miríade de terminações nervosas ligadas ao tato, paladar e olfato. Essas sensações são subjetivas por natureza, pois, o mesmo estímulo pode produzir sensações diferentes em cérebros diferentes. Portanto, à incompletude de nossos sentidos devemos adicionar a subjetividade de nossos pensamentos.

Podemos dizer que a realidade permanece velada; ninguém a conhece e tudo é interpretação. Estamos “cegos” para o mundo; não estamos olhando para fora, mas sim para dentro de nossa própria cabeça. Estamos lendo o cérebro e assistindo ao filme que ele quer que vejamos. Somos prisioneiros de um mundo interior, de uma máquina que produz uma realidade virtual. O fato é que nós percebemos somente uma porção ínfima do oceano de vibrações em que estamos imersos.

Imagine aumentar o mundo um milhão de vezes, com as bactérias medindo mais de um metro e um fio de cabelo medindo cem metros de diâmetro. Mesmo com esse aumento, não seriamos capazes de ver um átomo de hidrogênio. Se tudo fosse aumentado ainda mais, o suficiente para deixar uma bola de tênis do tamanho da Terra, o mundo seria cem milhões de vezes maior. Nesse ponto o átomo seria visível. Se então aumentássemos o átomo até que o próton se tornasse visível, seu elétron – que ainda não seria visível – estaria orbitando a uma distância de cem metros. O átomo é um abismo preenchido com elétrons e as partículas do núcleo. Quanto mais se vasculha o abismo, mais se dá conta de que a massa em si não existe. Qualquer objeto que supomos sólido é quase completamente vazio e o vazio é de fato a ausência de percepção.

O mundo sem vazio seria uma massa incompreensível de matéria densa. O vazio dá identidade e forma aos corpos; dentro da matéria ele cria intervalos e espaços que moldam átomos e moléculas. O vazio é o responsável por ampliar e separar a matéria.
As partículas, os átomos e as moléculas estão dançando. Uma pedra, um objeto, um prédio, parecem não se mover nem um pouco, mas, na verdade se movem. Nada está imóvel, a não ser no abismo do zero absoluto. Os elétrons viajam a centenas de quilômetros por segundo, os prótons alcançam velocidades de trinta mil bilhões de bilhões de vezes por segundo. Considerando que cargas elétricas em movimento geram campos magnéticos, tais campos constantemente permeiam tudo.

A Mecânica Quântica demonstrou que ondas e partículas são aspectos diferentes da mesma coisa: massa e energia são intercambiáveis. Numa velocidade muito alta, a massa converte-se em energia e a energia também pode se tornar massa, porque na realidade, massa não é massa, mas energia distorcida pelos nossos sentidos, pela nossa percepção.
Estamos lidando com um mundo de representações sugeridas pelos sentidos e imaginações. Nada é uma certeza. A realidade objetiva é inatingível.
Um poeta sufi escreveu sobre a ideia de se encontrar frente a frente com Deus:
Deus e eu a sós no espaço... ninguém mais a vista...“E onde estão todas as pessoas meu Senhor?”, perguntei, “por que não sinto medo encontrando-O aqui neste momento?”. “Será este o dia do julgamento? ”
Ao que Deus respondeu: “Tudo era apenas um sonho, sonho que não existe mais. Não existe. Você... nunca houve Você no passado. Nada existe, senão Eu”.

Paulo Cesar Razuk
Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp – Campus de Bauru

7 de maio de 2018

Alfândega!


‘Não perguntei o que você fazia para não piorar a situação, mas para mudá-la’

“Você tinha noção que a Terra tava aquecendo?”, pergunta o anjo da esquerda. “Tinha”, respondo, sem saber se a consciência da tragédia me deixa mais próximo do céu afinal, eu era dos que acreditavam no problema, não era dos “negacionistas” ou me coloca mais perto do inferno bem, se acreditava, por que não fiz nada? A próxima pergunta, vinda do anjo da direita (vamos chamá-los de AE e AD, daqui em diante), sugere o viés dos meus interrogadores: “Você tinha carro?”. 
Sinto um frio no estômago e tenho medo de que seja um dos últimos frios que sentirei não direi na vida, posto que vida já não há, mas, digamos, na existência. Gaguejo: “Eu, eu, eu separava lixo orgânico e reciclável em casa e quando eu ia pegar tomate no supermercado eu evitava pegar da bandejinha de isopor e –”, “Você ouviu a pergunta”, interrompe o AE, “Tinha ou não tinha carro?”. “Tinha, eu tinha carro”. O AD anota qualquer coisa num retângulo que parece ser um tablet de granito.
AD: “Você tinha consciência de que o Brasil era um dos países mais desiguais e injustos do planeta?”. “Aham”. AE: “E o que você fazia pra mudar essa situação?”. Nessa eu acho que vou me sair bem. “Em primeiro lugar eu não desviava dinheiro, não subornava guarda de trânsito, não–”. O AE se impacienta: “Eu não perguntei o que você fazia pra não piorar a situação, mas pra mudar a situação”. “Bom, eu, eu, eu tentava usar meus textos pra falar desses assuntos todos e contribuía em ‘crowdfunding’ de projetos legais e... Eu doei umas camisetas pros desabrigados do prédio que caiu–”. “Fazia tempo que você queria se livrar daquelas camisetas”, diz o AE. “Que mais?” “Bom, eu, eu tentava votar bem, votar em pessoas que–”, “Em quem você votou pra deputado estadual nas eleições de 2014?”. “É... Pra federal foi na Erundina e–”, “Estadual!”, grita o AE, dando um chacoalhão com as asas que faz umas três penas se descolarem e descerem planando, lentamente, em direção à nuvem. 
“Eu não lembro o nome! Era um cara que prometia lutar pelas escolas da periferia! Não lembro o nome! Eu vou pro inferno por causa disso?!”. Os anjos me encaram por uns segundos. Conferem algo no tablet. “Tô vendo aqui que você tomava cerveja artesanal num bar hipster a seis quadras da cracolândia”. “O serviço era opcional e eu sempre deixava 10%!”. Os anjos me olham feio. “Vinte e cinco reais, um chope?”, diz o AE, balançando a cabeça. 
“Caras, ó, eu podia ter feito mais? Podia! Vendo em perspectiva, agora, parece pouco mesmo, mas a gente tá lá na batalha do dia a dia tem que ganhar dinheiro, pegar criança na escola, dar remédio pra tosse, entregar projeto, recolher o IR... Pô, um pouco de perspectiva, amigo! Eu fui um bom pai, um bom filho, nunca entreguei trabalho nas coxas! Cês tão vendo aí a humanidade! É só ‘trashêra’! Aposto que se pegar aí uma régua com Hitler de um lado e Gandhi do outro, eu tô mais pro lado do Gandhi, não tô?”. 
O AE sorri, mete a mão debaixo da asa. “Foi você quem deu a ideia”. Tira dali uma régua com Hitler de um lado e Gandhi do outro. Meu rosto aparece oscilando entre os dois extremos, procurando seu lugar e num estalo eu penso “Professor Duílio!”, era esse o nome do meu candidato a deputado estadual, “Professor Duílio”, mas agora é tarde, os anjos somem, tudo começa a rodar e.

Autor: Antonio Prata
Escritor, publicou livros de contos e crônicas, entre eles 'Meio Intelectual, Meio de Esquerda'.

Saúde pública em SP funciona apenas na publicidade do candidato a presidência!


“Jornalismo é publicar o que alguém
não quer que seja publicado:
todo o restante é publicidade”
George Orwell

Você consegue imaginar que numa cidade com quase 400 mil habitantes, cuja região tem mais de dois milhões de moradores, no Estado mais rico da Nação num período de 16 meses 117 pessoas morreram à espera de um leito hospitalar? Uma média assustadora de quase oito pessoas por mês.
Isso está acontecendo em Bauru – SP, e não é novidade, o problema infelizmente é recorrente, pois nos últimos dez anos mais de seiscentas pessoas morreram da mesma forma. Sem que o governo do PSDB, cuja gestão completou 24 anos, tenha feito algo para impedir que as mortes continuassem.
A Polícia Civil está investigando as mortes dos pacientes que aguardavam uma vaga em hospitais. Dessas mortes, vinte e cinco foram somente nos primeiros meses deste ano. O problema que se arrasta há anos na saúde pública deve agora ser investigado também pela Polícia Civil.
A Polícia Civil que já havia sido acionada pelo Ministério Público Federal para apurar os casos de pacientes que morreram antes de serem internados. No ano passado, o MPF moveu ação que terminou em condenação do estado e do município em segunda instância pela falta de leitos de internação.
Na época, a Justiça determinou que ambas as partes fossem responsabilizadas com multa diária de R$ 1 mil por paciente que ficasse sem internação. O promotor da saúde em Bauru, Enilson Komono, criticou a postura desses agentes no caso.
Nem mesmo o MPF consegue reverter uma situação que envergonha e entristece o povo paulista. Não há justiça no país que consiga fazer com que o governo estadual (PSDB) no poder desde janeiro de 1995, cumpra com sua obrigação.
No momento em que este artigo é escrito, a cidade tem 38 pacientes esperando no corredor da morte, digo, leitos hospitalares para serem internados. Com o agravante que o mesmo governo estadual fechou o hospital Manoel de Abreu na cidade para uma suposta reforma que não aconteceu mesmo tendo decorrido quase três anos de seu fechamento.
Em visita à região nesta quinta-feira (3), o governador Márcio França (PSB) afirmou que vai investigar os casos de espera prolongada por vagas de internação. O leitor pode perceber que investigações é que não faltam, senão vejamos: MPF, Polícia Civil, Câmara dos Vereadores e agora o próprio governador do Estado dizem que estão ou vão investigar.
A verdade é que as mais de seiscentas mortes nos últimos dez anos não incomodaram as autoridades da cidade e do governo do Estado. Tudo continuou da mesma forma, a sistemática  e cruel espera de vagas pelo sistema CROSS - Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde realizadas em SP, permanecem e a única coisa que se altera são as estatísticas de óbitos.
A eleição será em outubro, esperemos que os demais eleitores façam justiça nas urnas, varrendo os envolvidos da vida pública com seus votos.

2 de maio de 2018

Uma tragédia anunciada por governantes omissos!


Quanto mais corrupção, mais injustiça.
Quanto mais injustiça, mais impunidade.
Quanto mais impunidade, mais violência.
Quanto mais violência, menos felicidade.
Renée Venâncio

O edifício Wilton Paes de Almeida do governo federal foi construído em 1961. Pertenceu a uma empresa privada, que por conta de dividas com a União perdeu seu imóvel. Ali foi instalada a sede da Polícia Federal em SP até ser desocupada em 2001. Aproveitando-se do descaso do Governo Federal para com o dinheiro público, foi invadido por moradores de rua e sem tetos. Esses invasores com certeza não faziam parte das estatísticas habitacionais divulgadas pelo governo estadual (PSDB) nem do governo federal.
Se o Poder Executivo é omisso, o que podemos dizer do poder judiciário? As ações de reintegração de posse tramitam por anos, décadas naquele poder sem que uma solução se encontre para o prédio.
Agora, depois que um incêndio levou o prédio ao seu desabamento, a Prefeitura que até outro dia era ocupada pelo Prefeito Fantasma (João Dória) e o MP procuram causas e “responsáveis” pela tragédia ocorrida em pleno centro da maior cidade do país e da América do Sul.
Com o agravante que o prédio chegou a ser cedido à prefeitura paulistana, que depois veio a devolvê-lo à União, e depois retornou novamente à prefeitura. Atualmente, seu status era “cedido temporariamente” à prefeitura, que buscava há um ano, junto com o Governo federal, uma solução conjunta para retirar as famílias que moravam ali, explicou o prefeito Bruno Covas em coletiva de imprensa. Mas não deu tempo. Havia 372 pessoas vivendo ali. Dessas, 328 confirmaram que saíram com vida.  Ao menos um, que estava sendo resgatado pelos bombeiros por uma corda, caiu junto com o prédio. Há 44 cujo paradeiro é desconhecido. Não se sabe se estavam no interior do edifício. 
tragédia já havia sido anunciada não apenas por moradores e vizinhos do prédio que desabou após um incêndio. O próprio Corpo de Bombeiros já havia relatado oficialmente, em 2015, inúmeras irregularidades que poderiam provocar ou dificultar o combate a incêndios no edifício. De acordo com o porta-voz da Corporação, Marcos Palumbo, um laudo sobre a situação de risco foi encaminhado ao Ministério Público, que seria responsável por tomar providências de prevenção. "A gente verificou que haviam rotas de fuga obstruídas, com lixo e material altamente inflamável, problemas com botijões de gás. Poderiam ser problemas que causassem incêndios e as chamas se espalhassem de maneira muito rápida [...] Nosso papel foi encaminhado ao Ministério Público para que ele promovesse as ações necessárias", afirmou Palumbo em coletiva de imprensa no local do  incêndio.
O MP/SP que não costuma punir governantes da Prefeitura ou do Estado que sejam do PSDB, e muitas vezes se preocupa mais com torcidas organizadas de futebol, informou que o prédio já havia suscitado a abertura de um inquérito civil para apurar possíveis riscos já em 2015, e que de fato não havia um laudo favorável dos bombeiros conhecido como Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
Necessário dizer que por trás de todas as invasões existe uma verdadeira indústria que coordena e extorque os pobres coitados dos necessitados que não tem moradia.
É mais uma tragédia que entrará para os arquivos da história sem ter responsáveis investigados, condenados e punidos pelo descaso, pela omissão, pelas mortes e feridos, além de todo prejuízo causado ao erário, aos terceiros e a cidade.


Medicamentos gratuitos que custam caro ao povo!


"A democracia sobrevive quando
 a inteligência do sistema compensa
a mediocridade dos atores"
Daniel Inneraty

O direito à saúde é resguardado pela Constituição Federal e, em respeito a ela, há medicamentos gratuitamente fornecidos pelo SUS àqueles que não têm como arcar com os custos dos remédios.
É possível que a solicitação seja feita na Justiça, mas antes é recomendável que o cidadão busque direto no posto de saúde ou por via administrativa, com o objetivo de evitar uma demanda desnecessária.
Vale lembrar que portadores de hipertensão, asma e diabetes têm direito a medicamentos gratuitos fornecidos pela Farmácia Popular, bastando dirigir-se a uma delas com documento, CPF e receita médica.
Entretanto, no maior e mais rico Estado brasileiro – São Paulo, há tempos que as pessoas não conseguem os medicamentos. Sejam eles de alto custo ou mesmo aqueles ditos gratuitos, como por exemplo, para portadores de diabetes.
As desculpas fornecidas pelas unidades do governo estadual ou municipal que repassam aquilo que recebem do Estado são sempre as mesmas, já foram decoradas e dizem sempre: “Estes medicamentos que estão em falta aguardam a licitação”.
A palavra licitação é muito utilizada pelos órgãos estaduais para tentar justificar a incompetência de quem tem os recursos, porém, não fazem aquilo que preconizam as leis estaduais e federais.
Outro dia foi divulgado na TVTEM, afiliada da Rede Globo na matéria em que o paciente portador de Câncer na cidade de Marília não estava encontrando o medicamento vital para seu tratamento no órgão que deveria fornecê-lo gratuitamente. A resposta foi que a compra do medicamento estava em processo de “Licitação”.
Os portadores de diabetes em Bauru e bem possivelmente no restante do Estado encontram algumas dificuldades para encontrar os remédios e os insumos.
Os remédios chamados de alto custo fazem um circulo vicioso onde o portador da doença busca junto ao Estado, não consegue, entra na Justiça e consegue liminar ou ordem judicial para que o Estado faça a compra. O Estado brasileiro desrespeita a Justiça e a entrega do medicamento demora tanto que muitas vezes o paciente foi a óbito enquanto esperava a liberação do medicamento.
São muitos os casos, porém, nem a Justiça consegue fazer com que o Estado cumpra seu dever e obrigação para com quem recolhe pesados tributos e tem este direito amparado na Constituição.
Sem contar que em SP, um paciente que requer uma cirurgia ou um exame laboratorial tem de esperar no mínimo dois a três anos para conseguir fazê-lo. Nas propagandas do governo estadual do PSDB tudo na saúde funciona em SP, na prática isso é uma grande mentira.


29 de abril de 2018

Qual é a única coisa que une os brasileiros e que o poder prefere esconder?

Até os mais pobres estão mais preocupados com a corrupção dos poderosos do que com a própria economia, algo que só seria concebível em países com velhas raízes democráticas.

Será verdade que, como injustamente se divulga no exterior, os brasileiros estão divididos em tudo? Que nada é capaz de unir os cidadãos de um lado e do outro do arco político? Há dois brasis irreconciliáveis em tudo? A julgar pelos resultados da última pesquisa nacional do Datafolha, a resposta é não.
De acordo com essa pesquisa, quem aposta em um Brasil dividido em tudo deve se sentir frustrado. Existe um tema que vem incendiando a opinião pública nos últimos anos e que se intensificou com a condenação e prisão de Lula: o apoio à Lava Jato, cuja continuidade é defendida por 84% dos brasileiros. Apenas insignificantes 12% acham que deve terminar.
O Brasil todo parece unido na luta contra a corrupção e contra as tentativas de “estancar a sangria”, sonho de tantos políticos e poderosos e até mesmo de boa parte do Supremo Tribunal Federal. Entre esses 84% que querem que a Lava Jato continue estão, por exemplo, 77% dos eleitores de Lula, algo que o PT, que acusa a Justiça de ser seletiva com seu partido, deveria explicar se de fato a grande maioria de seus eleitores também defende essa cruzada contra a corrupção.
Outro dado importante de uma pesquisa anterior do Datafolha confirma que os brasileiros concordam, quase unanimemente, que a Lava Jato deve seguir seu caminho: em 22 anos, é a primeira vez que a corrupção é a maior preocupação do país. Não é a violência? Não. A corrupção já preocupava quatro vezes mais em 2015. E a educação? Também não. Preocupa quatro vezes menos que a corrupção. Não seria economia, ou o desemprego, a maior preocupação dos brasileiros? Não, a corrupção preocupa cinco vezes mais. E a saúde, a angústia das filas nos hospitais? Nem isso. A corrupção interessa duas vezes mais que a saúde.
Será que os pré-candidatos à presidência tomaram consciência de que a sociedade como um todo, pobres e ricos, continua a favor da luta contra a corrupção? E os governadores, senadores e deputados que pretendem ser reeleitos? Terão percebido excelentíssimos magistrados do Supremo que a única coisa que parece unir os brasileiros é a luta contra a corrupção, e quase 60% defendem a prisão após condenação em segunda instância sem esperar pelos recursos a instâncias superiores? E que a grande maioria é contra o foro privilegiado?
Sabemos que mais de um magistrado disse não entender o que significa a voz das ruas e que lhes interessa mais a letra da lei que no seu espírito, que é o que deve ser levado em conta quando se trata de julgar indivíduos de carne e osso. Não é segredo que, no Brasil, antes da Lava Jato, a Justiça procurava ser humana e respeitosa com os condenados importantes, para quem a presunção de inocência deveria ser sagrada. O condenado sem nome tornava-se, por outro lado, um número frio e sem alma.
Um povo que foi capaz de metabolizar sem dramas nem tumultos a prisão de Lula e dos grandes industriais do país acusados de corrupção talvez seja mais solidamente democrático e socialmente mais saudável do que uma minoria exaltada se esforça para negar. Se for esse o caso, é uma injustiça grave apresentar, no exterior, um Brasil à beira de um descarrilamento democrático, um golpe militar ou uma guerra civil, como vi escrito em jornais sérios. É injusto porque é falso. O que o mundo deve saber é que, no Brasil, até os mais pobres estão mais preocupados com a corrupção dos poderosos do que com a própria economia, algo que só seria concebível em países com velhas raízes democráticas.
Às vezes, chego a pensar que este país pode até dar uma reviravolta na teoria de Murphy, segundo a qual “se algo pode dar errado, dará”. Talvez seja capaz de interpretar essa lei pessimista mudando-a para o lado positivo: “se algo pode dar certo, dará”. E se nas próximas eleições, apesar de todo o pessimismo, acabar, por exemplo, acontecendo o melhor?

Autor: Juan Arias – El País

19 de abril de 2018

Uma guerra inacabável: Guia para entender o que está em jogo na Siría!


Intervenção de Trump dificilmente influirá na divisão territorial consolidada em sete anos de conflito.

conflito da Síria parece estar a um passo de se transformar em guerra mundial, haja vista a internacionalização das forças em confronto, mas ainda não ultrapassou a categoria de contenda regional com múltiplas frentes abertas. 
Depois de sete anos de guerra civil — meio milhão de mortos, a metade da população desabrigada pelos combates e dependente da ajuda exterior —, a intervenção ordenada pelo presidente Donald Trump para castigar Damasco pelo ataque químico de sábado passado dificilmente influirá na divisão territorial do país. O presidente Bashar al Assad controla quase dois terços do território e consolidou sua vitória sobre os rebeldes, aquartelados no norte e em alguns bolsões restritos do centro e do sul, graças ao apoio de Rússia, Irã e seus aliados xiitas.
Os Estados Unidos, que quase deram por concluída a missão contra o Estado Islâmico, se dispõem a deixar à própria sorte os aliados curdos que o ajudaram a enfrentar o EI e que agora dominam outro terço do país. A Turquia irrompeu em solo sírio para se apoderar de um cordão de segurança na fronteira que lhe permita manter a influência sobre os insurgentes do norte. Israel e outros vizinhos observam atentos as mudanças no tabuleiro sírio para reagir em função de seus interesses. Estas são as posições do front depois da represália dos EUA, secundada por França e Reino Unido.
Regime sírio
Domina a chamada Síria útil, as grandes cidades, o litoral e as regiões férteis. Mediante assédios, ofensivas esmagadoras e “pactos de reconciliação” (rendição em troca de uma evacuação segura), está se apoderando dos redutos da oposição. A campanha da Guta Oriental, na periferia da capital, termina exatamente com o recuo dos rebeldes de Jaish al Islam depois do bombardeio químico denunciado em Duma. Al Assad praticamente venceu a guerra, mas mantém-se associado e à mercê de seus aliados de Moscou e Teerã, que o salvaram a três anos de uma derrota iminente.
Rússia
Vladimir Putin reforçou o destacamento de sua melhor aviação de combate na Síria em setembro de 2015. Agiu em defesa de sua única base aeronaval no Mediterrâneo, apesar de que parece ter ocupado aos poucos o espaço abandonado por Washington no Oriente Médio. Cerca de 50.000 militares russos passaram em sucessivas rotações pelo front sírio. Com seus sistemas de mísseis terra-ar S-400 domina o espaço aéreo, de forma que EUA e Israel notificam o país de seus voos para evitar enfrentamentos acidentais. O Kremlin se apresenta como vencedor visível do conflito.
Irã e as milícias xiitas
Os oficiais da Guarda Revolucionária enquadram dezenas de milhares de milicianos xiitas do Líbano (Hezbollah) e Iraque, que constituem a verdadeira tropa de choque — e bucha de canhão — das fileiras governamentais. Teerã tenta erigir uma “ponte terrestre” até o Líbano passando por Iraque e Síria para consolidar sua hegemonia sobre três nações com forte prevalência do ramo muçulmano xiita. Este plano iraniano é visto com preocupação pelo Ocidente.
Oposição sunita
Centenas de milhares de combatentes de milícias islâmicas sunitas foram se reagrupando no norte da Síria, na província de Idlib e em parte da de Alepo, depois de serem expulsos pelo Exército do regime de seus territórios. Tahrir al-Sham, que integra a antiga Frente al Nusra (filial da Al Qaeda) e outros grupos salafistas são as forças preponderantes. A oposição no exílio conseguiu reunir-se em torno de uma plataforma que exige a saída de Al Assad do poder para poder negociar com o regime.
Milícias curdas
Mais de 50.000 combatentes curtidos na luta contra o Estado Islâmico controlam duas terças partes da fronteira com a Turquia e grandes trechos do vale do Eufrates. Tentam uma aproximação do Governo de Damasco e da Rússia depois do anunciado recuo dos EUA, que até agora foram seu principal defensor na contenda.
Estados Unidos
A Casa Branca pretendia retirar os 2.000 a 4.000 militares das forças especiais destacados na Síria para assessorar as milícias curdas, apesar de o Pentágono considerar a ideia prematura ainda. O voo dado por Trump depois das denúncias do ataque químico em Duma pode levar os EUA a reconsiderar a presença militar e seu envolvimento na guerra. Na campanha eleitoral Trump garantiu que o único objetivo era a derrota do Estado Islâmico.
Turquia
O Exército de Ancara se apoderou de uma ampla faixa de território sírio em paralelo à fronteira norte ocidental. Com o apoio de forças rebeldes do Exército Livre da Síria desalojou este ano as milícias curdas do cantão de Afrin e garantiu posições diante de uma divisão territorial depois da guerra.
Estado Islâmico
Centenas de jihadistas vagam ainda pelo deserto que separa a Síria do Iraque, sem serem totalmente erradicados. O califado territorial fundado por Abu Bakr al Baghdadi em 2014 passou para a história. Mas a ameaça de terror jihadista global do EI não desapareceu.
Israel
            Putin telefonou para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para estimulá-lo a não desestabilizar a Síria com uma intervenção como a que foi atribuída à aviação israelense esta semana. Israel rechaça “a qualquer preço” que o Irã se estabeleça como potência militar no vizinho país árabe.

Autor: Juan Carlos Sanz

10 de abril de 2018

Lembrança de Luis Loayza!


Lucho era um escritor esplêndido, mas segredo, de leitores tão lúcidos e sensíveis como ele mesmo. Nunca será “popular”, mas sempre terá seguidores.
Estava tentando lembrar quando havia sido a última vez que tinha vindo ao cemitério de Père-Lachaise antes desta manhã, e acho que foi em 1960, para a cremação dos restos mortais da viúva de Trotski, Natalia Sedova, porque queria ouvir André Breton, que era um dos oradores. Agora estou aqui para uma cerimônia parecida, na qual vamos nos despedir de Luis Loayza, que era um de meus melhores amigos.
Há certa confusão no crematório, porque vários atos fúnebres ocorrem ao mesmo tempo, e um deles, numeroso, reúne muitos paquistaneses, que choram alto. Por fim, distingo entre a multidão Rachel e Daniel, a viúva e o filho mais velho de Lucho. Entristeço-me em vê-los destroçados pela dor, fazendo um esforço extenuante para não chorar também. Há 58 anos exatamente, por Rachel, Lucho Loayza provavelmente cometeu o único ato de loucura em sua vida, do qual, tenho certeza, nunca se arrependeu. Seu pai o havia presenteado com um ano em Paris quando se formasse advogado. O ano estava prestes a acabar e, se bem me lembro, Lucho já tinha a passagem de volta. Mas, como despedida, foi ao Festival de Teatro de Avignon e lá conheceu Rachel, que ainda era estudante. Naquele mesmo dia me escreveu uma carta exagerada, dizendo que havia se apaixonado; não iria mais ao Peru e começaria a procurar trabalho imediatamente em Paris. Pouco tempo depois, casaram-se na prefeitura do Quartier Latin, e fui à única testemunha. Depois, fomos os três comemorar num bistrô da esquina com uma taça de vinho.
A cerimônia começou com música de Bach, em uma salinha ocupada pelos restos mortais do falecido, em um caixão fechado e coberto de flores. Daniel fala em memória do pai, e ele e a neta mais velha de Lucho lê, em francês e espanhol, um fragmento de O Avarento, relacionado com a morte. Quando é minha vez de dizer algumas palavras, sinto angústia e vontade de chorar. Mas aguento, sabendo muito bem que Lucho, sempre tão comedido, acharia tal sentimentalismo intolerável.
Eu o conheci em 1955, em Lima, e desde o primeiro dia falamos sem cessar e sem limites de literatura. Ele me apresentou logo depois a Abelardo (o chamávamos de O Delfim, e eu era chamado de O Sartrezinho Valente), com quem formávamos um inquebrável triunvirato. Nós nos víamos a toda hora, para falar de livros, os que líamos e os que iríamos escrever quando nos tornássemos escritores. Para isso era preciso fugir de Lima e ir para Paris, onde até o ar era literatura. Enquanto planejávamos a viagem, líamos muito e, às vezes, Lucho e eu discutíamos, ele defendendo Borges, e eu, Sartre, até ficarmos sem nos falar. O tranquilo Abelardo nos reconciliava uma hora ou um dia depois. (Lucho tinha razão; ainda continuo relendo Borges e sei que, se tentasse reler Sartre, o livro escorreria das minhas mãos).
Por fim, as coisas ficaram complicadas para Abelardo, e Lucho e eu partimos sozinhos para a Europa, em um barco que saía do Rio e chegava a Barcelona. Na viagem, quando não lia, o que raramente acontecia, Lucho inventava um jogo que chamava de “a contemplação do infinito”. Na pensão onde fomos parar em Madri, ele começou a escrever Una Piel de Serpiente, e eu, A Cidade e os Cachorros. No final do ano, ele foi a Paris, e eu, alguns meses depois. Em um quartinho do Wetter Hotel, onde morávamos, dei a Rachel às primeiras aulas de espanhol. Foi nessa época, quando tentávamos ganhar o que Cortázar chamava de “direito de cidade” para que Paris nos aceitasse, quando nos vimos mais, quase diariamente, e, por carta, Abelardo também participava dessas conversas, discussões e projetos nos quais a literatura continuava sendo a estrela.
Depois, Lucho, Rachel e seus dois filhos foram para Lima, Nova York, Suíça. Desde então, nos vimos menos e, pouco a pouco, paramos de nos corresponder. Mas a amizade e o carinho sempre estiveram presentes e, claro, as lembranças. Nas raras ocasiões em que nos encontrávamos, às vezes com intervalos de anos, a comunicação, os subentendidos, as piadas eram as de sempre. Em uma dessas vezes, ele tinha acabado de ler seu primeiro livro em italiano e estava feliz: abria-se diante dele um universo de novas leituras.
Agora, as pessoas que participam da cerimônia se levantam e se aproximam do caixão e o tocam com respeito. Algumas fazem o sinal da cruz três vezes. Um senhor que trabalha com Daniel no Odeon diz que nunca conheceu Lucho pessoalmente, mas, pelo que ouviu, entende que era admirável e quer prestar sua homenagem. Tenho a impressão de que todas as pessoas que participam são francesas, e que sou o único peruano. Quando éramos jovens, eu era quem falava em “romper com o Peru”; no final, foi Lucho quem rompeu, pelo menos fisicamente. Porque, em seus ensaios e relatos, a presença do peruano e dos peruanos é obsessiva. Mas fazia 30 anos que não pisava em Lima, e as razões que me dava para isso nunca me convenceram completamente.
Suportou sua doença com extraordinária elegância. Lembro-me, há alguns anos, quando essa longuíssima agonia de tratamentos intermináveis começou, como era difícil que falasse algo a respeito. Respondia com duas ou três frases e mudava de assunto, geralmente o livro que acabara de terminar ou o que estava começando. Aquilo que Borges escreveu – “Li muitas coisas e vivi poucas” – o definia melhor até mesmo que seu autor. Era também dificílimo conseguir que falasse sobre algo que havia escrito, estava escrevendo ou pensava em escrever. Tinha um pudor extremo e se recusava a transformar o íntimo e entranhável em tema de conversa, como se esta banalizasse o importante. Por isso, penso eu, quase nunca falamos sobre seus ensaios e histórias, que li e reli muitas vezes. Estou convencido de que era um esplêndido escritor, mas secreto, de leitores tão lúcidos e sensíveis quanto ele próprio, que conseguiu depurar a língua e torná-la tão limpa, precisa e transparente quanto à dos autores que mais admirava, como o sonolento Henry James (estou te provocando, Lucho, agora que você não pode me responder). Por isso nunca será “popular”, mas sempre terá leitores. Era um excelente tradutor: De Quincey, por exemplo, é preferível lê-lo em sua versão em espanhol do que em inglês, onde muitas vezes a prosa se emaranha e obscurece uma prosa que Loayza afinou e tornou esbelta e clara.
A música de Bach parou, e o funcionário do Père-Lachaise que atua como mestre de cerimônias explica, com muito tato, que o culto chegou ao fim e que temos de sair da sala, onde, imagino, será agora realizado um novo funeral. O nosso foi organizado e discreto, como gostaria o “borgiano de Petit Thouars”. Abraço Rachel, Daniel, as duas netas de Lucho que acabo de conhecer e que já falam um espanhol que continuam aperfeiçoando, nada menos do que em Salamanca. Saio e, embora ainda faça frio, o sol aparece. No táxi rumo ao aeroporto de Orly, sem fazer barulho, faço o que evitei fazer toda a manhã: começo a chorar.

Direitos mundiais de imprensa em todas as línguas reservados a Edições EL PAÍS, SL, 2017. © Mario Vargas Llosa, 2018.

Revisão pericial ou crime premeditado contra os beneficiários?


Podeis enganar toda a gente durante certo tempo;
podeis mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo;
mas não vos será possível enganar sempre toda a gente.
             Um pouco antes de ver frustrados seus planos de impor a reforma da previdência sobre os trabalhadores assalariados, o governo Temer impôs uma agenda ao INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social que mais se parece com uma meta a ser alcançada – Trata-se da revisão dos benefícios de Auxilio Doença e Aposentadorias concedidas por invalidez.
Em 2017, os postos do órgão começaram a chamar os beneficiários que possuem os benefícios para passarem por uma Perícia ou Revisão do Benefício.
A princípio seria apenas um direito do INSS, no que tange a revisar e verificar se os dispêndios do governo federal estavam sendo realizados de acordo com a lei e as regras existentes.
Porém, na maioria dos casos, o que está acontecendo é que os peritos ao receberam os beneficiários, mal olham na face deles, fazem uma ou duas perguntas e encerram a conversa cancelando drasticamente o benefício. O cidadão não tem direito a reclamar, questionar ou exigir nada. 
Em alguns casos, os peritos não analisam os laudos médicos nem os prontuários ou quaisquer documentos que sejam fundamentais para que pudessem tomar a decisão final de manutenção ou corte do benefício em questão.
Não há no país a quem recorrer, exceto, entrar com um processo na Justiça Federal, esperar uma nova perícia solicitada pelo juiz e depois rezar durante o período de seis meses a um ano e meio, para que a decisão seja favorável e possa fazer com que o INSS reconsidere o benefício e pague inclusive os atrasados durante o período que a pessoa ficou sem este seu direito adquirido.
Minha funcionária, que trabalhou durante dezessete anos conosco, sofreu um AVC em abril de 2016, ficou três meses na UTI, conseguiu sobreviver e sair viva do hospital. Recebia seu benefício de auxilio doença, quando em dezembro/2017, o mesmo foi cortado sem que o perito do posto de Agudos – SP, tivesse analisado os laudos do neurocirurgião do SUS e todos os documentos de seu extenso prontuário médico.
Ele recebia um salário mínimo de auxílio doença, agora mal consegue pagar o aluguel, a energia e a água da residência, que divide com a única filha, que trabalha numa lanchonete e tenta manter a casa. Mal podem se alimentar corretamente, estão passando necessidades básicas enquanto os peritos felizes atingem suas metas propostas pela direção do órgão.
Em outro, um aposentado por invalidez em Bauru, teve sua aposentadoria cancelada depois de oito anos recebendo normalmente o benefício. Mesmo com trombose, as pernas inchadas e manchadas de sangue pisado, não teve chance de ver seu sustento mantido. A perita ainda disse a ele: “Isso não é nada, tem gente que perde uma perna e nós conseguimos uma prótese para que ele possa continuar trabalhando”.
Enquanto isso, o país segue sua rotina de corrupção, desvios de verbas e desperdício por culpa dos mesmos políticos que mandam no INSS, no Banco Central e nos demais órgãos que deveriam servir ao povo e não o contrário. Os grandes devedores que não precisam passar por pericia continuam sonegando e devendo mais de três bilhões ao INSS com toda tranquilidade do mundo.