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7 de outubro de 2026

A perda de legitimidade e o fim da mídia, por Luís Nassif

Imagem gerada por ChatGPT.
 

A imprensa perde sua razão pública quando ocorre o desequilíbrio final entre a voz do dono e a necessidade de legitimação perante a sociedade. Os jornais começaram a perder sua centralidade com o aparecimento da blogosfera e dos novos modelos de negócio. Mas a crise não foi apenas tecnológica ou financeira. Foi também uma crise de compreensão sobre seu leitor e, mais profundamente, da própria função do jornalismo.

A notícia mudou de ritmo. Os jornais não mudaram de função

No fim dos anos 1990, escrevi sobre a nova lógica da notícia. Até então, o ciclo de atualização dos jornais era predominantemente diário. As revistas semanais selecionavam os acontecimentos mais relevantes — segundo seus próprios critérios — e os reorganizavam, oferecendo contexto e interpretação, sempre embalados em determinada visão de mundo.

Os jornais também funcionavam como comunidades: reuniam interesses na sua organização em editorias, abrigando leitores interessados no tema política, internacional, esportes, cultura. E, em alguns casos, ofereciam até uma variedade de opiniões nas colunas, atraindo público de diversas orientações políticas. Com a internet e a ampliação do jornalismo no rádio, a atualização passou a ocorrer de hora em hora, até chegar ao fluxo contínuo. Caberia aos jornais assumir parte da função que as revistas semanais exerciam no modelo anterior: selecionar os temas decisivos do dia, contextualizá-los, investigar suas causas e acrescentar informações que o noticiário imediato ainda não oferecia. 

Não bastava repetir, na manhã seguinte, aquilo que o leitor já sabia. Era necessário explicar o que ele ainda não compreendia. Os veículos, porém, escolheram disputar velocidade com a internet sem ter sua flexibilidade e, inicialmente, sem explorar sequer as possibilidades dos links. A resposta foi encurtar matérias, multiplicar títulos chamativos e reduzir a densidade da informação. Confundiram concisão com superficialidade e foram atrás da atenção momentânea em vez de perseguir o vínculo duradouro.

Credibilidade e construção de reputações

O grande desafio sempre foi entender quem é o leitor e por que ele deveria confiar no jornal.

Um dos maiores negócios da mídia é construir ou destruir reputações. Mas esse poder depende de uma credibilidade acumulada pelo trabalho dos jornalistas. Reside aí um conflito intemporal – o interesse da casa e a credibilidade jornalística – que, quando não resolvido, destrói o veículo. Ao diretor de redação cabe uma tarefa delicada: responder às demandas da empresa, proteger o trabalho dos jornalistas e preservar a confiança do público. É uma espécie de algodão entre cristais, colocado entre interesses comerciais, pressões políticas e critérios profissionais.

O problema começa quando a qualidade da apuração é usada para conferir aparência de neutralidade a escolhas editoriais orientadas por interesses pouco transparentes.

Objetividade jornalística deveria significar método: conferir documentos, ouvir os envolvidos, distinguir fatos de interpretações, corrigir erros e aplicar critérios consistentes a aliados e adversários. Só depois disso, naquilo que interessa à casa, adaptar conclusões aos seus interesses.

Quando a preferência política substitui o critério jornalístico

Parte do anti lulismo dos grandes veículos não se explica apenas por divergências ideológicas. Tem relação com interesses econômicos concretos, entre eles a preferência por um ajuste fiscal concentrado nas despesas sociais, garantindo espaço para o custo dos juros e os ganhos associados à Selic. Com a disseminação de FIDCs e de precatórios, formou-se uma enorme pirâmide financeira no mercado, sustentada pelos recursos do crime organizado, que garantiram a liquidez adicional necessária à manutenção do jogo.

E aí entra o fator Lula. De um lado, recusa-se a fazer o ajuste fiscal via gastos sociais – embora não tenha definido uma estratégia contra a Selic alta -, de outro passou a investir contra o crime organizado na Faria Lima. Ou seja, prejudicando o mercado nas duas pontas. São esses os interesses claros para atacar Lula. Mas como justificar o apoio a Flávio Bolsonaro e sua extravagante e ampla relação com o crime organizado? Recorreu-se, então, aos estratagemas mais canhestros.

A cobertura das conversas envolvendo Fábio Luís e uma lobista, contraposta ao tratamento dado às denúncias sobre Flávio Bolsonaro, às suas relações com pessoas apontadas como ligadas a milícias e às questões envolvendo o caso Master, mostra o recurso à falsa equivalência levado até o limite de total imprudência jornalística.

Criticar o Supremo não é desmontar a democracia

O ponto mais grave surgiu quando a crítica a ministros do Supremo se converteu em campanha de deslegitimação da instituição. O STF não está acima da fiscalização. Seus integrantes devem responder por seus atos, suas decisões e eventuais conflitos de interesse. Apurar irregularidades fortalece a democracia.

Mas existe uma diferença entre exigir responsabilidade de um ministro e trabalhar para eliminar a independência do tribunal. O critério é simples: a crítica pretende aperfeiçoar os controles ou tornar seus integrantes submissos a um projeto político? Essa ofensiva surge em um momento delicado, em que há ameaça concreta à soberania do país. Há um ciclone mundial, um combate sem quartel das big techs e dos grandes fundos financeiros, para desmontar o conceito de Nação.

Desde o fim da Segunda Guerra, direitos sociais, regras de comércio, avanços ambientais se deram em torno de regulamentos, acordos políticos, pactos entre nações. A ultra financeirização levou à grande crise de 2008 e, com ela, o fim da grande articulação do capital financeiro, em cima da sincronização de políticas monetárias e cambiais entre países. 

Ao mesmo tempo, a criação de criptomoedas e a integração digital entre mercados fez com que o dinheiro do crime organizado saísse de paraísos fiscais e se infiltrasse por todos os poros da economia global. Com a era Trump, a desregulação tornou-se a bandeira principal da geopolítica até chegar ao alvo final da regulamentação: os Estados nacionais. O grande plano em marcha é o desmanche gradual dos Estados nacionais e a subordinação geral do Ocidente ao modelo de negócios do mercado e das big techs, um grande banquete liderado por familiares de Donald Trump.

Num cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, acompanhado de maiorias parlamentares alinhadas a um projeto de concentração de poder, essa subordinação seria ampla. Restaria uma área de resistência, o Supremo Tribunal Federal, justamente o alvo maior do tiroteio da mídia. Consumado esse modelo, a mídia terá exercido papel central na sua consolidação. E – Tenham certeza – será a primeira vítima dessa nova forma de ditadura ampliada.

O fim de qual mídia?

É nesse ponto que a crise dos jornais deixa de ser apenas uma discussão sobre circulação, publicidade e modelos de negócio.

A imprensa perde sua razão pública quando ocorre o desequilíbrio final entre a voz do dono e a necessidade de legitimação perante a sociedade. O fim da mídia, nesse sentido, não ocorre apenas quando um jornal fecha as portas. Ocorre quando ele continua circulando, mas abandona o compromisso que justificava sua existência: oferecer ao cidadão informação confiável para que ele possa compreender o mundo e decidir livremente sobre seu destino. 

Autor: Luis Nassif – Publicado no Site GGN Notícias.

5 de outubro de 2026

Apesar de tantas informações à disposição, milhões de eleitores se mantém na escuridão!

 

Nesta eleição em curso, que estamos vivendo, salta aos olhos a mediocridade de parcela significativa da nossa sociedade com relação à política. Em especial, no que tange ao simples ato de pesquisar, comparar gestões, atos, atitudes e comportamentos dos candidatos à presidência e aos governos estaduais.

No colégio onde votei em Bauru, vi uma mulher trajada com uma roupa alusiva à bandeira dos Estados Unidos da América. Uma patriota americana que pensa que votar em Flávio numa eleição democrática no Brasil, que só foi possível depois de resistir ao golpe de Estado que o pai do candidato tentou impor à nossa democracia, é sinal de subserviência aos americanos.

Essa mulher e tantos outros milhares pelas ruas, redes sociais e internet fazem parte de um enorme exército zumbi. São portadores de esquizofrenia eleitoral (grupo de distúrbios mentais que, basicamente demonstram dissociação e discordância das funções psíquicas, perda de unidade da personalidade, ruptura de contato com a realidade).

Eles dizem acreditar que Lula acabou com o Brasil. Que Lula é ladrão. Que Lula é comunista. Tudo isso sem ter provas ou argumentação válida para sustentar as acusações. Mesmo assim, eles acreditam piamente em tudo que for escrito ou falado contra Lula. Em paralelo, não sabem explicar o áudio de Flávio Bolsonaro pedindo propina de milhões a Daniel Vorcaro, do Banco Master. Assim como se engasgam ao serem perguntados sobre a participação de Flávio em orgias patrocinadas por Vorcaro. Rachadinhas nos gabinetes, nem pensar.

Acreditam apenas naquilo que atinge o adversário, não importa que sejam fake news, que não tenham provas nem consigam sustentar as suas próprias manifestações nas ruas. E não acreditam na verdade dos fatos emanados na mídia, nas redes sociais e nas matérias que são distribuídas para conhecimento de todos.

Desde o surgimento da candidatura de Jair Bolsonaro em 2018, vivemos essa situação de completa dislexia (incapacidade de compreensão do que se lê, devido à lesão do sistema nervoso) cognitiva. Onde vemos pobres defendendo patrões, políticos que não querem alterar a escala 6X1 e, uma vez no poder, vão retirar benefícios e vantagens adquiridas. São aqueles que chamamos de pobres de direita.

Muitos sinais foram dados ao longo dos últimos anos, em particular após o lançamento ou imposição da candidatura do filho de Jair. Basta um pouco de discernimento e informação para saber quais são os planos deste candidato para sua família, seus amigos, os EUA e o nosso povo. Sim, nesta mesma ordem.

Um deles é copiar o desastre chamado Milei da Argentina; outro é entregar terras raras e nossas exportações aos EUA de Trump, um presidente rejeitado por 71% dos americanos.

Ainda é cedo, embora já saibamos que teremos segundo turno e, neste novo embate no dia 25 de outubro, temos de estar atentos e fortes, como disse um dia Caetano Veloso. Por que pelo que tudo indica estamos caminhando para um sui

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

3 de outubro de 2026

Problemas graves no país que prioriza interferir no quintal alheio!

 

A situação energética dos Estados Unidos, em 1º de outubro de 2026, é de forte pressão sobre combustíveis, principalmente diesel e gasolina. Mas não se trata de uma falta generalizada de petróleo ou de eletricidade no país. O problema central é a combinação de petróleo internacional caro, estoques de derivados baixos, mercado de diesel muito apertado e dificuldades logísticas. 

1. Combustíveis: preços elevados

Segundo a U.S. Energy Information Administration, em 28 de setembro:

Local

Gasolina regular

Média EUA

US$ 4,465/galão – R$ 23,17

Califórnia

US$ 6,189 – R$ 32,12

Washington

US$ 5,453 – R$ 28,30

Nova York

US$ 4,405 – R$ 22,86

Flórida

US$ 4,282 – R$ 22,22

Ohio

US$ 4,263 – R$ 22,12

Texas

US$ 3,841 – R$ 19,94

Ou seja, o Texas ainda está abaixo da média nacional, mas isso não significa que o estado esteja sem problemas de abastecimento.

2. O maior problema atualmente é o diesel

O diesel chegou a US$ 6,382 (R$ 33,12) por galão na média nacional em 28 de setembro, contra US$ 3,754 (R$ 18,55) aproximadamente um ano antes. Os estoques americanos estão particularmente pressionados.

No Texas, a situação ganhou caráter emergencial: o governador Greg Abbott declarou estado de desastre por causa dos preços elevados e da escassez de diesel, suspendendo determinadas restrições ao transporte comercial para facilitar a movimentação de combustível e mercadorias. Isso é importante porque o diesel movimenta caminhões, máquinas agrícolas, construção, ferrovias e parte da indústria. Portanto, seu encarecimento tende a chegar também aos preços dos alimentos e de outros produtos.

3. O curioso: os EUA estão produzindo muito petróleo

Não existe atualmente uma queda da produção americana que explique sozinha a crise. Na semana encerrada em 25 de setembro, os EUA produziram cerca de 13,955 milhões de barris/dia, próximo do recorde histórico. O problema está mais adiante na cadeia: petróleo bruto → refinarias → diesel/gasolina → transporte → consumidor.

As refinarias vêm trabalhando em níveis muito elevados, enquanto os estoques de gasolina e principalmente de destilados/diesel estão apertados. Na semana de 25 de setembro, a utilização das refinarias caiu para 92,5%, enquanto a produção de petróleo continuava próxima do recorde.

4. Por que o Texas é especialmente importante?

O Texas é o coração energético dos EUA.

Ele concentra enormes volumes de: petróleo; gás natural; refino; petroquímica;               exportação de combustíveis e geração elétrica.

Por isso, uma crise internacional de petróleo afeta o Texas de maneira peculiar: o estado produz muito petróleo, mas os preços internos continuam ligados ao mercado mundial. A produção elevada não significa que o texano necessariamente compre gasolina barata.

5. E a eletricidade no Texas?

Aqui existe outro problema, diferente do combustível.

A rede elétrica texana, administrada principalmente pelo ERCOT, sofreu uma pressão muito forte durante o verão. Em 22 de julho de 2026, a demanda atingiu um recorde histórico de 91,1 GW, impulsionada pela onda de calor.

E há uma questão estrutural: o Texas está recebendo enormes investimentos em data centers, inteligência artificial, indústria e mineração, aumentando a necessidade de eletricidade.

Portanto, o desafio texano é duplo: combustíveis caros + demanda elétrica crescente.

6. E os outros estados?

A situação varia bastante. A gasolina é particularmente cara na Costa Oeste, especialmente na Califórnia. Em 28 de setembro, a média californiana chegou a US$ 6,189/galão (R$ 32,12), contra US$ 3,841 (R$ 19,94) no Texas.

A Califórnia inclusive antecipou a utilização da gasolina de inverno para aumentar a oferta e tentar reduzir a pressão sobre os preços. A EPA também renovou medidas temporárias relacionadas às especificações dos combustíveis na Califórnia, Arizona e Texas.

Vários outros estados também estão adotando medidas temporárias, como suspensão ou redução de impostos sobre combustíveis e flexibilização de determinadas regras.

7. Qual é a causa principal?

O fator externo mais importante neste momento é a guerra envolvendo EUA e Irã e seus efeitos sobre o comércio mundial de petróleo e derivados.

Em 30 de setembro: Brent: US$ 103,50/barril (R$ 537,17) - WTI: US$ 90,42/barril (R$ 469,28). O Brent acumulava alta de aproximadamente 14% no mês. Isso ocorre apesar de os EUA produzirem volumes recordes de petróleo.

A situação atual pode ser representada assim: Guerra e instabilidade no Oriente Médio > petróleo internacional mais caro > combustíveis refinados mais caros > estoques de diesel muito baixos > fretes e agricultura mais caros > pressão sobre alimentos e inflação.

E, paralelamente:

Texas → demanda elétrica recorde + crescimento de data centers/indústria → pressão sobre ERCOT e necessidade de ampliar geração e transmissão. Portanto, não é correto dizer simplesmente que "os Estados Unidos estão sem energia". O quadro atual é mais específico: há abundância de produção de petróleo e gás, mas forte aperto no mercado de combustíveis refinados, sobretudo diesel, enquanto a eletricidade enfrenta desafios regionais de capacidade e demanda, especialmente no Texas.

Desde que tomou posse pela segunda vez na presidência dos EUA, Donald Trump, do Partido Republicano, priorizou interferir na guerra entre Rússia/Ucrânia, ajudar Israel no genocídio da Faixa de Gaza e entrar numa guerra sem sentido algum contra o Irã, além de interferir diretamente na Venezuela para roubar petróleo e outras riquezas daquele país, por trás de um discurso mentiroso sobre democracia. Sem contar que está investindo pesado para tumultuar a eleição brasileira.

O preço a ser pago é um país com sérios problemas estruturais no que tange à água, energia e combustíveis, além dos números impressionantes de rejeição ao seu presidente. Segundo os dados da CNN/SSRS, o índice é de cerca de 67% de rejeição e apenas 33% de aceitação. Os números não mentem.

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.