Depois do final das eleições e da possível volta à normalidade político-administrativa no país, é preciso que seja feita uma profunda reflexão por diversos segmentos da nossa sociedade sobre os episódios recorrentes que denotam um aumento expressivo do fascismo no seio da nossa sociedade.
A tragédia ocorrida na cidade de Catanduva, no interior de São Paulo, é um sinal evidente do fascismo entre nós, brasileiros. Naquela cidade, um médico colecionador de armas (provavelmente credenciado no governo do presidiário) ameaçou a esposa (tentativa de feminicídio) e foi fuzilado pela PM (letalidade policial) após ser abordado pelos policiais.
Mais revoltante: é assustador como a mídia e a sociedade normalizam esses episódios, cada vez mais comuns e constantes. A multiplicação de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CACs), as ameaças contra mulheres e os assassinatos cometidos por pessoas de farda são alguns aspectos inerentes ao fascismo.
Mesmo com eventual vitória no segundo turno e a reeleição de Lula, nossa democracia continuará correndo riscos diante do aumento das bancadas da extrema direita bolsonarista, seio da intransigência, do preconceito aos pobres e da política beligerante.
Para superarmos o fascismo, é fundamental que possamos afastar a política de ódio e recuperar a possibilidade de que as pessoas vivam com dignidade. Adversário político não é inimigo; hegemonia partidária é ditadura militar, um regime autoritário sem democracia sendo exercida.
Os segmentos de direita e esquerda precisam rapidamente retomar o espaço devido na política, afastando de vez essa seita que prega a destruição da economia, congelamento de salário mínimo, arrocho salarial aos aposentados e pensionistas, sem, no entanto, reduzir benesses concedidas a empresas, políticos e banqueiros neste país.
Os extremistas não mencionam cortes para redução do número de políticos, salários pagos a milhares de cargos de apadrinhados, assessores e toda camarilha que sugam bilhões dos cofres públicos. Não querem implantar imposto sobre grandes fortunas, nem cortar os abusivos e imorais subsídios e reduções fiscais que os ricos possuem para suas empresas e os pastores para suas Igrejas lucrativas.
O candidato do PL – Partido Liberal odeia tanto os pobres que, numa reunião, disse textualmente que iria acabar com o “Bolsa Farelo” quando tomasse posse do governo brasileiro, numa alusão ao Bolsa Família.
Falas e atitudes como essas demonstram cabalmente o ódio e o preconceito que essa escória política tem para com o nosso povo.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.



