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22 de outubro de 2026

'A Lista' na ciência e na política

A Lista' foi composta e cantada primeiramente por Oswaldo Montenegro, um carioca genial.

Uma das músicas mais impactantes que já ouvi foi “A Lista” de Oswaldo Montenegro. Na primeira vez que escutei, confesso que chorei. Aproveito e lanço um desafio. Depois de escutar a música, faça uma lista das 10 melhores descobertas científicas e tecnológicas quanto a mudança de qualidade vida. Depois, faça outra lista com as 10 melhores ideias políticas que fizeram a humanidade avançar.

Seguem algumas ideias das descobertas científicas. Dois séculos atrás não havia anestesia. E nem remédios para a dor. Sem contar que não se tinha antibióticos.

Para não ficar apenas no mundo da medicina, lembremos do celular, da internet e do computador e lá se foi a máquina de escrever e o fax. Se colocar a descoberta da energia elétrica ninguém vai questionar, assim como se incluir os carros. E como seriam os banheiros sem papel higiênico e vasos sanitários. Sem contar os aviões, elevadores, fio dental, dentifrício e escova. Não podemos deixar de lado a descoberta da roda e dinamite.

REALIZAÇÕES POLÍTICAS

Talvez estejas encabulado agora com a lista das realizações políticas. As relações humanas nas cidades ou “polis” receberam o nome de “política”. Estas relações serviram para estabelecer consensos na organização da vida em comum, pois a barbárie não poderia imperar pela falta de ética, mentira, enganações e mortes em massa.

A falta de cultura e de conhecimento da história da humanidade faz com que muitas pessoas não saibam ou ignorem as realizações e decisões políticas que mudaram nossa forma de viver, melhoraram a vida. Isto faz as pessoas tomarem posições imediatas e achar que fazer política é igual torcer para um time de futebol.

E olhe que uma decisão política influencia todas as gerações depois de você. Não é só a ciência que faz a humanidade avançar, a política também melhora a vida das pessoas, especialmente, se usar a ciência e tecnologia para fundamentar suas decisões, haverá progresso para todos.

Olhem só esta lista de realizações políticas:

1) Democracia pela Grécia,

2) Revolução francesa com os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade,

3) Combate ao racismo com a paz de Nelson Mandela,

4) Democratização do Brasil por Ulisses Guimaraes com a constituição de 1988,

5) Revolução dos cravos em Portugal,

6) Criação do SUS como um exemplo para o mundo,

7) Independência da Índia com Gandhi,

8) Globalização que deu a oportunidade à China se desenvolver,

9) Criação da USP e da Fapesp que fizeram São Paulo se transformar no que é hoje,

10) A formação do Canadá e

11) A revolução industrial na Inglaterra.

TRÊS REFLEXÕES FINAIS

1.    Na ciência se patenteia para garantir o aproveitamento das ideias e premiar a criatividade. As ideias políticas deveriam ser patenteadas ou será que não se conseguiria por falta de ineditismo?

2.    Seria por isto que a tendência dos políticos é acabarem com a universidade e a ciência? Talvez os políticos ruins não tenham ideias boas para patentear e preferem detratar a ciência e a universidade para que as comparações não sejam feitas e todos fiquemos ignorantes e rasos no pensamento. A ciência tem como lema a busca da verdade!

3.    Política é coisa boa e necessária quando exercida com serenidade e visando o bem comum. Temos muitas realizações políticas a nos orgulhar. Quando uma pessoa combate e fala mal da política, é porque está faltando cultura e história nesta forma de pensar. Serenos, tenhamos paciência e reflitamos para assumir a responsabilidade das decisões com as próximas gerações.

4.    E como seriam as suas listas? 

Autor: Drº Alberto Consolaro | Professor titular da USP e colunista de Ciências do JC.
 

21 de outubro de 2026

Um crime contra a humanidade!

                                                                     Charge: Latuff

O embargo comercial imposto pelos Estados Unidos contra Cuba é um crime contra a humanidade. Uma atrocidade que tem a ONU e os países que a compõem como cúmplices covardes.

O início deste processo começou em 1959 – A Revolução Cubana levou Fidel Castro ao poder, derrubando Fulgencio Batista. Em 1960, o governo dos EUA, então presidido por Dwight D. Eisenhower impõe as primeiras restrições comerciais após Cuba nacionalizar empresas americanas na ilha.

Em 1962, o presidente John F. Kennedy oficializa o embargo total, proibindo quase todo comércio entre os dois países. Portanto, o embargo começou gradualmente em 1960 e se tornou pleno a partir de 1962.

Essa situação perdura há mais de sessenta e seis anos, impedindo que Cuba possa ter relações comerciais com o restante do mundo. Um ato que sufoca sua economia e impede seu processo de desenvolvimento industrial. Os americanos, que se acham donos do mundo, podem invadir militarmente países em busca de petróleo, terras raras e outras vantagens comerciais, porém mantêm o povo cubano estrangulados.

Os americanos justificavam sua atitude pelos seguintes motivos:

1️: Nacionalizações em Cuba

O governo de Fidel Castro nacionalizou refinarias, usinas de açúcar, bancos e outras empresas — muitas pertencentes a cidadãos e empresas dos EUA — sem compensação considerada adequada por Washington;

2️: Alinhamento com a União Soviética

Cuba aproximou-se da União Soviética, principal rival dos EUA na Guerra Fria, adotando um regime socialista. Esse, sim, o maior motivo à época;

3️: Conflito ideológico

Os EUA buscavam conter a expansão do socialismo na América Latina (política de “contenção”);

4️: Crise dos Mísseis (1962)

A descoberta de mísseis soviéticos em Cuba levou à Crise dos Mísseis de Cuba, agravando ainda mais as tensões. Como se os americanos não tivessem instalações militares espalhadas pelo mundo.

A guerra fria entre URSS (Rússia) e os EUA acabou, o muro de Berlim caiu, o mundo passou pela globalização e estamos vivendo uma imensa evolução tecnológica, no entanto, os americanos mantém o embargo criminoso contra Cuba. Não há justificativa que se sustente diante das mudanças ocorridas, inclusive políticas, naquela ilha.

Nos anos 1990, leis como a Lei Helms-Burton (1996) tornaram o embargo mais rígido. Durante o governo de Barack Obama (2014–2016), houve reaproximação e flexibilizações. O governo de Donald Trump voltou a endurecer as sanções. O governo de Joe Biden manteve grande parte das restrições, com ajustes pontuais.

Ou seja, não importa o partido que esteja no poder nos EUA, tanto democratas como republicanos agem da mesma forma em relação ao embargo, mantendo-o criminosamente à luz das leis e da civilidade.

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública. 

Escrevendo à esmo pelas beiradas da vida!

 

Como disse um dia o filósofo e linguista búlgaro Tzvetan Todorov, agraciado com o Prêmio Príncipe de Astúrias de Ciências Sociais. “Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente”.

A literatura entrou cedo em minha vida, por meio da leitura de centenas de livros, revistas e jornais. Um hábito que perdura até os dias atuais. Depois de trabalhar por trinta e oito anos consecutivos, me aposentei do escritório e, em casa, comecei a adentrar de corpo e alma na literatura de uma forma completa.

Um ano depois veio o primeiro livro; cheguei a pensar que ele seria filho único de pai solteiro. Entretanto, um ano depois veio o segundo livro, me deixando com a sensação de quero mais. Começava então um período de mudança no meu estilo e no que eu iria desenvolver dali para frente em termos de produção literária.

Depois de um hiato de cinco anos ou de um breve tempo para refletir, repensar e me reposicionar, veio o terceiro livro. Este período sabático foi positivo; este novo livro me fez adentrar no campo da política, história e questões socioeconômicas do nosso imenso país.

Para minha sorte, "De Sarney a Temer" – nossa incipiente democracia teve seu lançamento na Bienal do Livro de São Paulo em 2018. Obteve boa aceitação e alcançou uma segunda edição.  

Nos anos seguintes, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025, lancei os demais livros, completando dez lançamentos até o momento.

Para minha felicidade, no meio dessa trajetória literária, fui agraciado com o aceite para ser membro da Academia Bauruense de Letras na cidade de Bauru. Fiquei com a cadeira de número 33 – cujo patrono é o poeta Mário Lago.

Continuo escrevendo à esmo, sem compromisso com a chegada, sem a pretensão de encontrar respostas definitivas para perguntas que talvez nem tenham sido formuladas corretamente.

Escrevo porque a vida, às vezes, transborda por dentro, e as palavras são uma maneira de impedir que tudo isso se perca no silêncio.

Escrevo nas beiradas da estrada da vida, onde quase ninguém olha, onde os holofotes não alcançam, onde os aplausos não chegam e as grandes manchetes não se interessam pelo que acontece. É ali que encontro histórias, personagens, dores, esperanças e contradições. É ali que a humanidade se revela sem maquiagem.

Nas beiradas estão os esquecidos, os inconformados, os que envelhecem sem perceber que o mundo mudou depressa demais. Estão os que trabalham a vida inteira e pouco conseguem acumular, os que carregam sonhos adiados, os que aprenderam a sorrir para esconder as próprias feridas. Estão também aqueles que, apesar de tudo, ainda oferecem a mão, repartem o pão e acreditam que a bondade não se tornou uma espécie em extinção.

Observar a vida é descobrir que nem sempre o centro das coisas é o lugar onde a verdade se encontra. Muitas vezes, é nas margens que a realidade se apresenta com maior nitidez.

Vivemos tempos curiosos. Nunca tivemos tanta informação à disposição e, paradoxalmente, parece cada vez mais difícil compreender o mundo. A tecnologia encurtou distâncias, mas não necessariamente aproximou as pessoas. Podemos conversar com alguém do outro lado do planeta enquanto ignoramos a tristeza de quem está sentado ao nosso lado.  

 Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.