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13 de abril de 2026

A elitização do futebol!

Desde a Copa do Mundo de 2014 realizada no Brasil e com a consequente construção de Arenas esportivas para os jogos daquele evento, os preços dos ingressos dispararam. E o pior, clubes pequenos ou com estádios antigos cobram preços para os torcedores visitantes como se estivessem jogando em Wembley na Inglaterra.

No recém terminado campeonato paulista, as torcidas dos clubes grandes reclamaram sobre o custo obsceno que os chamados clubes pequenos cobravam de seus torcedores. Os jogos tinham entradas a preço de R$ 300,00 (trezentos reais). Locais sem cadeiras confortáveis, a céu aberto e no concreto sujo.

Os jogos em São Paulo, na Neo Química Arena do Corinthians, ou no Allianz Parque da WTorre, os preços são muito altos, com valores que fogem do poder aquisitivo da maior parte dos torcedores.

Num país cujo salário mínimo é de R$ 1.621,00 (Um mil seiscentos e vinte e um reais), cobrar para assistir uma partida de futebol R$ 250,00 a R$ 500,00 é um escândalo. Quando os jogos são pela Libertadores da América os preços são majorados e os torcedores pagam ainda mais para assistir as partidas.

Para se ter uma ideia do absurdo dos preços, em Bauru, um jogo do Noroeste pela quarta divisão do futebol brasileiro tem cadeiras cobertas sem conforto custando R$ 200,00 (inteira) R$ 100,00 (meia entrada).

Essa elitização do futebol fica ainda mais clara quando se trata de jogos da seleção brasileira, onde os ingressos são vendidos por valores estratosféricos. Um ingresso de numerada passa a custar R$ 800,00 a R$ 1.200,00.

E por falar em seleção, os valores dos ingressos para a próxima Copa do Mundo de 2026 (EUA, Canadá e México) variam muito de preço — dependendo do jogo, fase e localização no estádio — e ainda podem mudar por causa de preço dinâmico (tipo passagem aérea: sobe conforme a demanda).

O Preço mínimo (mais barato) começa a partir de US$ 60 (cerca de R$ 300–350). Essa categoria é bem limitada e geralmente reservada a torcedores de seleções classificadas.

Em geral os preços médios por fase são os seguintes: Fase de grupos - aproximadamente: US$ 60 a US$ 200 ou cerca de R$ 365 a R$ 1.100.  

Nas Oitavas / mata-mata inicial – os preços passam para cerca de: US$ 220 a US$ 890 ou R$ 1.210,00 a R$ 4.895,00

Nas Quartas de final para aproximadamente: US$ 295 a US$ 1.690 ou R$ 1.622,50 a R$ 9.295,00.

Nas Semifinais os valores sobem para cerca de: US$ 455 a US$ 2.780 ou R$ 2.502,50 a 15.290,00.

Os ingressos para a grande Final da Copa (o mais caro) serão comercializados por: US$ 2.000 a US$ 6.300 ou R$ 11.000,00 a R$ 34.650,00. Mas com preço dinâmico e alta demanda, esse valor poderá ser comercializado por até US$ 10.000 ou R$ 55.000,00.

Em resumo, o futebol já foi há muito tempo o esporte popular, praticado e visto por pessoas simples, sendo chamado de esporte do povo. Hoje no que tange ao custo o futebol para ser visto em suas arenas se compara a Fórmula 1, circuito internacional de tênis ou ao golfe. 

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Legislativo apodreceu e sobrevive do fisiologismo!

 

No Sistema Político brasileiro o poder legislativo está apodrecido pela corrupção, inoperância e o desvio de finalidades em sua atuação nas três esferas de poder (municipal, estadual e federal). Os políticos do legislativo possuem janela partidária, fundo eleitoral e emendas impositivas configurando o reinado do fisiologismo.

A janela partidária é um período específico em que políticos eleitos podem trocar de partido sem perder o mandato. No Brasil, isso existe por causa da regra da fidelidade partidária, definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Fora desse período, um político que muda de partido pode perder o cargo.

Como temos eleições a cada dois anos (Municipais e Geral) a mudança pode ocorrer a cada eleição, normalmente seis meses antes do pleito, e dura cerca de 30 dias. Ou seja, os eleitores votam no candidato do Partido “X”, porém, dois anos depois ele já passou para o “Y” e na eleição seguinte está no “W”.

Pesquise no Congresso Nacional quais candidatos estão no mesmo partido desde a primeira eleição? São raros e normalmente em partidos de esquerda. Essas mudanças se traduzem pelo toma lá dá cá entre partidos, onde o que mais importa aos políticos é o dinheiro do fundo eleitoral e das negociatas.

O fundo eleitoral (Fundo Especial de Financiamento de Campanha – FEFC) é um dinheiro público destinado a financiar campanhas eleitorais no Brasil. Ele foi criado em 2017, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu doações de empresas a candidatos, decisão tomada no julgamento da ADI 4650.

Entretanto, como não há fiscalização severa, os recursos bilionários do Fundo são usados para pagar aluguel de ex-presidente, para sustentar a ex-primeira dama e uma série de despesas que nada tem a ver com as atuações dos partidos. A quantia obscena de R$ 4,9 bilhões foi o montante aprovado pelo Congresso e distribuído pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições municipais de 2024.

Em 2026 (em discussão/aprovação): a proposta também gira em torno de R$ 4,9 bilhões para as eleições gerais de outubro/2026. Um valor astronômico diante da incapacidade dos partidos e políticos de fazerem algo em prol da sociedade que pudesse ao menos justificar essa dotação orçamentária.

Não bastassem essas excrescências, ao longo do mandato eles ainda possuem as degeneradas emendas impositivas que são um tipo de emenda ao orçamento em que o governo é obrigado a executar o gasto indicado por parlamentares (deputados e senadores).

No Brasil, o orçamento é aprovado pelo Congresso, mas pode ser alterado por parlamentares por meio de emendas.
As chamadas impositivas tornaram-se obrigatórias após mudanças na Constituição, como a Emenda Constitucional 86 de 2015.

O valor varia a cada ano, mas hoje gira aproximadamente em: R$ 45 bilhões e R$ 55 bilhões por ano. Dividido mais ou menos assim:

·        Emendas individuais: cerca de R$ 25 bilhões

·        Emendas de bancada: cerca de R$ 20 bilhões.

Os vencimentos de um deputado federal alcançam cifras acima de R$ 140 mil por mês se somados todos os auxílios diversos e estão inclusos. Some-se a esses, valor designado pelo Fundo Eleitoral e mais as emendas impositivas que são usadas como moedas de trocas e favores políticos e teremos explicações para tanta corrupção e desvios de finalidade na nossa política. 

                                                                        Imagem: Estado Net.
 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

8 de abril de 2026

Tratamento VIP para Tenente Coronel assassino de sua esposa!

O silencio constrangedor dos deputados bolsonaristas da Assembleia Legislativa de São Paulo – Alesp, com relação a concessão de benefício de aposentadoria integral em tempo recorde ao Tenente Coronel da Polícia Militar de SP, investigado pelo assassinato da esposa (também soldado da corporação) revela a ausência de caráter e a má índole desses deputados.

O oficial agiu cometendo um crime gravíssimo de feminicídio com o agravante de tentar usar sua patente junto aos colegas para modificar a cena do crime brutal. Foi recebido no Presidio Romão Gomes com abraços, tapinhas nas costas e outras reverências que não combinam com a recepção a um assassino.

Assim como os deputados de direita estão calados, nada se ouve do governador Tarcísio de Freitas sobre a aposentadoria integral em tempo recorde ao assassino. Nenhum comentário. Silêncio igual a omissão em relação a vítima que pertencia a corporação. Imaginem se a vítima fosse uma mulher que trabalhasse na iniciativa privada?

A Polícia Militar de São Paulo oficializou no dia 02 de abril a transferência do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso após a morte da esposa PM Gisele Alves Santana, para a reserva da corporação. 

De acordo com a portaria de Diretoria de Pessoal da corporação, Geraldo Neto tem direito a se aposentar pelos "critérios proporcionais de idade", com vencimentos integrais.

Isso significa que, mesmo aposentado, o homem tem o direito de receber os valores equivalentes ao último salário antes da prisão, que girou em torno de R$ 28 mil bruto. A informação consta no site da Transparência do Governo de São Paulo. 

Porém, com alguns critérios de proporcionalidade estabelecidos, o salário de aposentado de Geraldo deve ficar em cerca de R$ 20 mil. O pedido de aposentadoria à corporação foi feito pelo próprio tenente-coronel.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que autorizou a instauração de um conselho de justificação em relação ao tenente-coronel Geraldo Neto, que pode resultar em demissão, perda do posto e da patente. Segundo a pasta, a instrução continua a valer mesmo após a transferência do oficial para a reserva.

Quanto tempo e quais são os caminhos que um trabalhador com mais de 40 anos de prestação de serviços e idade avançada percorre para conseguir a sua aposentadoria junto ao INSS? Qual o benefício que irá receber depois de aposentado? Certamente, muito menos do que os R$ 20 mil reais que o assassino receberá do Estado de SP.

Os bolsonaristas nos grupos de WhatsApp e Telegram não abrem a boca para criticar essa excrescência. Onde estão aqueles que viviam criticando o auxílio reclusão, que afirmavam ter sido criado por Lula, mas que na verdade foi incorporado à legislação atual pela Lei nº 8.213/1991 (governo de Fernando Collor). 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.