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1 de agosto de 2026

O provável risco de uma interferência dos EUA nas eleições do Brasil!

Prédio do Congresso dos EUA, em Washington - Crédito Jonathan Ernst da Reuters.

Em conversa com meu filho mais velho que é formado em Marketing, concluímos que até outubro Trump irá tentar intervir no resultado das eleições do Brasil. Ou seja, os americanos vão interferir de forma mais pesada nas eleições brasileiras. Isso porque ninguém duvida de que já estão interferindo, ainda que o tiro, por enquanto, parece ter saído pela culatra.

Isso nada tem a ver com Eduardo ou Flávio Bolsonaro, figuras distantes e patéticas no contexto político americano. Nada tem a ver com Lula ou sua ideologia mais à esquerda, afinal Trump não liga para isso, nem liga para o que acontece no Brasil. Mas os EUA querem manter a implementação de sua doutrina de segurança e não aceitam um país na América Latina que integra os Brics e que possa liderar uma posição independente do Sul Global.

A discussão, portanto, não é se os EUA vão intensificar a interferência aqui, mas sim de que forma ela se dará. Algumas possibilidades levantadas:

1) Um escândalo envolvendo o governo no estilo Mensalão ou Lava Jato, que explodiria em agosto, no máximo início de setembro;

2) Ataque à economia brasileira, com fuga de capitais, desvalorização do real e inflação, com repercussão na mídia acima do estrago real. A taxação já é um movimento neste sentido;

3) Ações espetaculosas contra traficantes;

4) Apoio financeiro a um candidato que se venda como “de fora do sistema” (com ou sem aval explícito de Trump, algo que no Brasil pode ser encarado de forma negativa);

5) Ação direta contra Lula – hipótese bastante improvável, mas que não pode ser descartada.

Não está na lista a atuação das redes sociais; estas já interferiram, continuam interferindo e devem aumentar a interferência daqui até o final das eleições, ainda mais se não forem obstruídas com (uma improvável) celeridade pelo Supremo.

Ainda que uma ou mais dessas ações não impeçam a vitória do candidato que não interessa a Washington, pode ser semeado um campo para repetição do 8 de janeiro, desta vez sem que os militares brasileiros recebam recados contrários dos EUA.

Vale lembrar que o filho 01 de Bolsonaro, em reunião com diplomatas estrangeiros nesta terça-feira, voltou a levantar a fake news das urnas eletrônicas. Achar que foi um erro de Flávio é ingenuidade que pode custar caro adiante.

Falando sobre a imposição de tarifas pelos EUA, a economista brasileira Mônica De Bolle, alertou para o custo de não fazer nada. “A moderação brasileira não foi vista como uma forma de cooperação, mas sim como um convite a mais ataques. É como o governo Trump opera.” O alerta serve também para a política. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

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