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1 de setembro de 2026

O ocaso do planeta em andamento!

 

Os fatos e tragédias recentes, quase cotidianas, nos dão a certeza de que o Planeta Terra está esgotado e começa a colapsar. Chuvas torrenciais, terremotos de grande proporção, ventos acima da velocidade normal contrastando com seca e calor acima da média.

Estamos num colapso, com a terra reagindo ao que a humanidade fez ao longo de milhares de anos. O homem mesmo sendo avisado pelos cientistas, se portou de forma irresponsável diante da necessidade de preservação do nosso meio ambiente.

Com o passar dos anos, décadas e séculos, o homem se tornou uma espécie predadora de si mesmo, agindo de forma deplorável. O planeta simplesmente não nos suporta mais. Estamos colhendo o que plantamos. O mundo enfim, nos expulsando.

O que aconteceu na Venezuela em 24 de junho, com a ocorrência de dois terremotos de grande magnitude atingiram o país com grande intensidade: Magnitude 7,2 e Magnitude 7,5.

O Estado de La Guaira, especialmente Caraballeda, foi uma das regiões mais devastadas. Cerca de 190 edifícios desabaram segundo balanços divulgados posteriormente. 6.509 mortos, segundo o governo venezuelano. Além disso, 226.696 pessoas haviam sido atendidas em hospitais até 25 de agosto. Cerca de 60.785 imóveis residenciais foram inspecionados, dos quais 11.001 apresentavam danos classificados como de alto risco.

Agora em agosto, uma enorme massa de gelo, rochas e lama desceu das montanhas na região da fronteira entre Nepal e Tibete, atingindo o rio Lhende/Bhote Koshi. O material teria provocado o bloqueio do rio e, posteriormente, uma gigantesca enxurrada de detritos.

Até este momento, mais de 350 mortos já foram contabilizados no Nepal e no Tibete. E mais de 1.300 pessoas estão desaparecidas. As imagens da lama e pedras descendo e destruindo tudo que havia pela frente é chocante.

Mesmo assim, alguns líderes mundiais de extrema direita e ignorância mantêm posicionamento de que essas tragédias não são motivadas pela destruição da natureza.

Porque existe uma combinação de fatores psicológicos, políticos, econômicos e de desinformação. Mas é importante fazer uma distinção: questionar a causa específica de uma tragédia não é necessariamente negacionismo. Negacionismo ocorre quando evidências robustas são rejeitadas de forma sistemática, geralmente por razões ideológicas ou identitárias.

Pelo visto, não há mais tempo para reverter o colapso total do planeta em que vivemos, só um milagre ou uma intervenção divina. De resto é apenas e tão somente questão de tempo e forma. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Ficção científica

A folha em branco aceita qualquer impressão, qualquer registro, e ficar quieta, à espera de ser molestada para suportar o peso do grafite, da tinta da caneta ou dos pixels luminosos transferidos do teclado para a tela. Desta vez, o primeiro impulso foi escrever sobre ficção científica, paixão adolescente que envelheceu comigo. Júlio Verne, H.G. Wells, Arthur C. Clarke e Edgard Allan Poe são os mais evidentes culpados dessa jornada a despontarem na memória. Houve outros. A série de ficção científica alemã Perry Rhodan foi um presente que alimentou sonhos juvenis. Iniciada nos anos 1960, com seus 536 livros lançados no Brasil até 1991 pela Tecnoprint (que virou a Ediouro), tinha seus exemplares vendidos em banca de jornais e foi interrompida abruptamente. A série voltou a ser publicada pela SSPG em 2001, com retomada de onde parou e com a continuação da saga. Divulgo o site da revista para saudosistas e futuros interessados:  https://www.perry-rhodan.net.br/loja/. É considerada a série ficcional mais longeva, passando da edição 3400 na Alemanha. Uma das pessoas com que tive contato à época da volta da série foi Ruben Zevallos, pela internet. A rede mantém muita coisa, mas não divulga fatos importantes. Descubro somente agora que o Ruben faleceu há quase 14 anos. Ou seja, as informações não fluem como pensamos ou queremos.

A decisão foi a de falar de ficção, mas não falar de economia. Interessante, pois ambas lidam com o imaginário, mas somente aquela é explicitamente assumida como não existente. As duas preenchem páginas espraiadas por vários cenários e gostos e até capturam os desavisados como se realidade fossem. Viagem no tempo é um dos temas mais adorados pelos ficcionistas, dada a sabida impossibilidade da empreitada, ainda que o filme Interestelar, de 2014, dirigido por Christopher Nolan (o mesmo diretor do atual Odisseia), dá uma solução muito criativa para romper essa barreira. Assisto a ele sempre que posso. Não é inverossímil como o enredo da trilogia De Volta para o Futuro (lançados de 1985 a 1990, todos dirigidos por Robert Zemeckis), outro clássico amado. A economia não deixa de ser uma forma de viagem no tempo, uma vez que consegue - ou tenta - fazer uma previsão do passado, com muita imprecisão, dizendo-se científica para tanto. Procuro não polemizar com os economistas, mas é tentador criticá-los por usar fórmulas equivocadas do passado para prever e propor alternativas e formas de administrar as riquezas das pessoas e das nações no futuro. A ficção que tem o qualificativo 'científica' não passa a se tornar ciência pelo uso da palavra.

Esta nota nostálgica não agrada a todos, sabemos. A ficção científica é tratada em algumas esferas literárias como obra menor. Ou melhor, sequer é tratada por não ser considerada literatura. Em altas rodas culturais pouca matéria criativa é verdadeiramente tratada que não seja limitada a regurgitar medalhas e medalhões. Os puristas dirão que literatura são os clássicos, sem espaço para novidades. Os humanistas dirão que é aquilo que trata das mazelas e vicissitudes. Os modernos, talvez, afirmarão que literatura é tudo aquilo que o leitor ou o escritor diga que é literatura. Até concordo, desde que acompanhada de uma xícara de café ou uma caneca de chá. Mas, particularmente ao recorte literário destas linhas, tratar da economia, da magia ou do fantástico não é mais nem menos ficção do que dizer que apoia as artes, a cultura, a doce língua portuguesa e, daqui a uns 40 dias, vai apertar botões do mal, correspondentes àqueles que sempre desprezaram e quiseram acabar com tudo isso. Ah, mas e a moral e os bons costumes? Um pouco de bom senso e uma canja de galinha, ainda que requentada, seriam providenciais e não ficcionais.

Autor: Professor Adilson Roberto Gonçalves – Publicado no Blog dos Três Parágrafos.

Nunca o voto consciente foi tão importante

  

Urna eletrônica Crédito TSE - IA - Brasil 247.

Não é hora de aventurar, é tempo de avançar.

O que está em jogo na eleição de 2026, só não vê quem não quer: de um lado, um Brasil soberano, senhor do seu destino, inclusivo e democrático; já a outra opção, uma republiqueta controlada à distância, sem alma e sem futuro. A escolha é nossa, sem fraude, através de um sistema eleitoral consolidado e reconhecido no mundo todo. Por que, então, tanto confronto e pouco debate? Para os distraídos, a resposta seria “são os novos tempos”. Para os mais atentos, fica evidente que os dois principais postulantes ganham em não se expor. Um por ser alvo de todos e o outro pelo despreparo, sua visível insegurança e uma história de vida obscura.

O debate no primeiro turno, com todos, dificilmente vai acontecer. O que, para nós, cidadãos e eleitores, é muito ruim. Se isso se confirmar, o bate-boca nas redes sociais vai tomar conta da eleição. A esperada renovação da Câmara e do Senado ficará muito aquém das nossas expectativas; todos perdem. O nosso país está passando por um momento histórico único e não pode perder essa oportunidade. Não é hora de aventurar, é tempo de avançar. Pensem nisso. VOTE CONSCIENTE! 

Autor: Mauro Passos - Engenheiro, ex-deputado federal pelo PT/SC, e presidente do Instituto Ide. Publicado no Site Brasil 247.

Autoestima política: por que tanta gente desiste de discutir o país em que vive!

  

Magnific. 

Polarização, medo da divergência e insegurança diante da desinformação afastam brasileiros do debate justamente quando o país volta às urnas.

Você já esteve numa roda de amigos, numa mesa de jantar de família ou num grupo de WhatsApp e sentiu aquele nó na garganta quando o assunto virou política? A vontade de falar algo, mas a insegurança de não saber exatamente como se posicionar, ou o medo de que sua opinião contrarie a de todo mundo ali? Isso tem nome, e vale a pena entendê-lo com mais precisão: autoestima política.

O conceito é simples de descrever e difícil de admitir. Discutimos com desenvoltura aquilo que conhecemos e no que acreditamos. Quando o tema foge do nosso domínio, quando não sabemos como nos posicionar ou quando o que está em jogo contraria nossas convicções, a tendência não é buscar entender — é recuar. Silenciar. Sair do grupo, mudar de assunto, fechar o aplicativo. E quanto mais isso se repete, menos preparados ficamos para a próxima conversa difícil. A autoestima política, como qualquer outra, se fortalece com exercício e se corrói com a fuga.

Os números mostram que esse recuo deixou de ser exceção e virou regra. Um levantamento do Instituto Locomotiva em parceria com o projeto Despolarize e a Fundação Tide Setúbal encontrou que 79% dos brasileiros consideram a sociedade extremamente dividida, e mais da metade (51%) já desistiu de falar sobre política em algum momento, por acreditar — como 73% dos entrevistados acredita — que o diálogo com quem pensa diferente simplesmente não é mais possível. O dado mais revelador do estudo é justamente esse: a polarização que sentimos como ambiente não vem de todo mundo gritando. Apenas 31% da população se identifica fortemente com um lado. A maioria é uma plateia silenciada, que preferiu sair da sala.

A pesquisa "O que esperar do Brasil?", da Quaest, dá contorno a esse silêncio. Mais da metade (54%) afirma conhecer alguém que rompeu uma relação por causa de política, e um a cada quatro diz se sentir mal por isso — sinal de que o afastamento não é indiferença. Mais de um terço (35%) admite preferir um canal de TV que só reforce o que já pensa. Quase um em cada três (32%) reprovaria o casamento de um filho com alguém que votou diferente. São escolhas que blindam a vida contra a divergência — e uma vida blindada contra a divergência é uma vida que já decidiu, antes mesmo do debate começar, que não vale a pena se expor.

Esse cenário já seria preocupante sozinho, entrando em um ano eleitoral. Mas há uma camada nova que o agrava: a inteligência artificial. Uma pesquisa do Projeto Brief mostrou que a maioria dos brasileiros topa consultar ferramentas de IA para ajudar a decidir o voto, mas menos da metade consegue identificar corretamente quando um vídeo foi gerado artificialmente — entre pessoas acima de 60 anos, a taxa de acerto cai para pouco mais de um em cada cinco. Quando a dúvida sobre o que é real se soma à insegurança de não saber se posicionar, o caminho de menor resistência é o mesmo de sempre: confiar em quem já concorda com você, porque pelo menos ali não há o risco de errar em público.

É essa combinação — insegurança pessoal, isolamento social e informação cada vez mais difícil de verificar — que corrói o debate público antes mesmo de ele começar. Ideias novas só circulam quando alguém se dispõe a defendê-las diante de quem discorda, e cada vez menos gente está disposta a isso. A democracia não se sustenta só com gente convicta gritando os mesmos argumentos para a própria torcida. Ela precisa de gente insegura, mas disposta a aprender em público — e é justamente esse tipo de coragem que estamos deixando morrer.

Cuidar da própria autoestima política é se permitir errar, perguntar, mudar de ideia sem que isso vire motivo de vergonha ou de corte de relação. É, sobretudo, resistir ao conforto de só falar com quem já concorda com a gente. Num ano em que o Brasil volta às urnas, essa pode ser a pauta mais urgente de todas: recuperar a confiança de que não apenas dá, como é urgente, sermos capazes de discutir política. 

Autora: Carol Luck – Publicado no Site Congresso em Foco.