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1 de agosto de 2026

Estamos vendo o futuro ficar cada dia mais distante!

 

Enquanto países como a Finlândia, Noruega, Suíça, Alemanha, China, Japão, Dinamarca, olham para o futuro desenvolvendo a educação, a ciência e a tecnologia, nós na América do Sul estamos tentando sair da Idade Média. Nossos governadores impondo escolas militares com apoio da sociedade, onde militares violentos, as vezes assassinos, são os professores escolhidos. Enquanto jovens europeus assimilam novas tecnologias e seus países evoluem no tratamento de doenças importantes nossa geração está nas praças públicas no "Farmar Aura".

A gíria "farmar aura" surgiu da mistura de dois termos populares na internet: Farmar: vem dos jogos e significa "acumular" ou "ganhar" algo repetidamente (como experiência, dinheiro ou itens).

Aura: nas redes sociais, especialmente no TikTok e no X, significa o "carisma", a "presença", o "respeito" ou a imagem de alguém. Assim, "farmar aura" significa fazer algo que aumenta sua reputação, faz você parecer mais estiloso, confiante, misterioso ou admirável aos olhos dos outros.

Não é a gíria que incomoda, é a atitude de desprezo para com a educação, cultura e o conjunto da sociedade. Debiloides agindo como se estivessem drogados ou possuídos por doses altas do Chá do Santo Daime. Essa é a geração brasileira de jovens que não se interessam por política, por nenhuma coisa que seja importante. Não leem e vivem alhures ao mundo que não para e se desenvolve celeremente. Estamos vendo o futuro ficar cada vez mais distante, mesmo com tanta tecnologia, inteligência artificial por que convivemos com pessoas desinteligentes na política e nas ruas.

Esses jovens fazem parte da geração #nemnem no Brasil, ou seja, nem trabalham nem estudam. Um risco concreto para o futuro do país na medida em que além de improdutivos estes jovens não estão verdadeiramente conectados com a educação que é fundamental no crescimento individual e de toda geração da qual eles fazem parte.

A adoção de escolas militares e a busca do senado federal pela aprovação do sistema de Homeschooling são muito preocupantes. Até porque, muitos governadores abandonaram a educação em seus Estados, deixaram de investir em novas unidades e na manutenção e desenvolvimento das atuais unidades. Não investem em tecnologia, treinamento e na infraestrutura das unidades educacionais. Um verdadeiro desmonte.

Se somarmos tudo isso (Farmar Aura, Geração #nemnem, Escolas Militares, Homeschooling e o desmonte do sistema educacional nos estados) entenderemos o por que nosso país anda para trás a passos largos na direção do atraso, da ignorância e escuridão. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O provável risco de uma interferência dos EUA nas eleições do Brasil!

Prédio do Congresso dos EUA, em Washington - Crédito Jonathan Ernst da Reuters.

Em conversa com meu filho mais velho que é formado em Marketing, concluímos que até outubro Trump irá tentar intervir no resultado das eleições do Brasil. Ou seja, os americanos vão interferir de forma mais pesada nas eleições brasileiras. Isso porque ninguém duvida de que já estão interferindo, ainda que o tiro, por enquanto, parece ter saído pela culatra.

Isso nada tem a ver com Eduardo ou Flávio Bolsonaro, figuras distantes e patéticas no contexto político americano. Nada tem a ver com Lula ou sua ideologia mais à esquerda, afinal Trump não liga para isso, nem liga para o que acontece no Brasil. Mas os EUA querem manter a implementação de sua doutrina de segurança e não aceitam um país na América Latina que integra os Brics e que possa liderar uma posição independente do Sul Global.

A discussão, portanto, não é se os EUA vão intensificar a interferência aqui, mas sim de que forma ela se dará. Algumas possibilidades levantadas:

1) Um escândalo envolvendo o governo no estilo Mensalão ou Lava Jato, que explodiria em agosto, no máximo início de setembro;

2) Ataque à economia brasileira, com fuga de capitais, desvalorização do real e inflação, com repercussão na mídia acima do estrago real. A taxação já é um movimento neste sentido;

3) Ações espetaculosas contra traficantes;

4) Apoio financeiro a um candidato que se venda como “de fora do sistema” (com ou sem aval explícito de Trump, algo que no Brasil pode ser encarado de forma negativa);

5) Ação direta contra Lula – hipótese bastante improvável, mas que não pode ser descartada.

Não está na lista a atuação das redes sociais; estas já interferiram, continuam interferindo e devem aumentar a interferência daqui até o final das eleições, ainda mais se não forem obstruídas com (uma improvável) celeridade pelo Supremo.

Ainda que uma ou mais dessas ações não impeçam a vitória do candidato que não interessa a Washington, pode ser semeado um campo para repetição do 8 de janeiro, desta vez sem que os militares brasileiros recebam recados contrários dos EUA.

Vale lembrar que o filho 01 de Bolsonaro, em reunião com diplomatas estrangeiros nesta terça-feira, voltou a levantar a fake news das urnas eletrônicas. Achar que foi um erro de Flávio é ingenuidade que pode custar caro adiante.

Falando sobre a imposição de tarifas pelos EUA, a economista brasileira Mônica De Bolle, alertou para o custo de não fazer nada. “A moderação brasileira não foi vista como uma forma de cooperação, mas sim como um convite a mais ataques. É como o governo Trump opera.” O alerta serve também para a política. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

A bola rolou, as bets avançaram e a conta fica com os mais pobres!

    

Bets se tornaram uma questão de saúde pública Crédito Joedson Alves da Agência Brasil.

A Copa acabou. A propaganda de apostas, não. Ela entrou por todas as frestas nesses dias. Nos intervalos, durante a transmissão, na tv, no celular, no computador. E, em Belo Horizonte, num lugar que diz tudo sobre o tamanho do problema: o encosto da poltrona do ônibus. Quem viajava para o trabalho passou o percurso inteiro encarando um anúncio de bets a vinte centímetros do rosto. A cidade demonstrou sua indignação à sua maneira: os passageiros rasgaram os QR Codes.

Rafael Borges Amaral tinha 26 anos e trabalhava num lava jato em Uberlândia. Tenho acompanhado a luta e o testemunho de sua mãe, Vânia, professora. Ela conta que ele era alegre, generoso, cercado de amigos. Depois passou a se trancar no quarto. Foi ficando cada vez mais isolado. Vendeu a moto. Perdeu o emprego, virava a noite nas plataformas de apostas. Na madrugada em que morreu, em 2024, fez uma última transferência para uma plataforma de jogo. Vânia procurou a promotoria, procurou a polícia. Ouviu que nada podia ser feito. Em maio de 2025, o caso foi arquivado: foi suicídio, ninguém o induziu.

Ninguém o induziu. É essa a discussão que Vânia pede que façamos.

Porque o transtorno do jogo é doença reconhecida, e o modelo das bets não convive com ela por acidente. Na verdade, o modelo das bets conta com o adoecimento. A publicidade tem o papel de capturar quem vai perder ou já perdeu o controle. E, no ônibus, e em outros espaços públicos, o alvo inclui quem o Estatuto da Criança e do Adolescente manda proteger com prioridade absoluta: crianças e adolescentes. A situação que Vânia enfrenta é o mais cruel dos efeitos nocivos das bets, e não é o único. Os efeitos são estruturais: entre janeiro de 2023 e março de 2026, R$143 bilhões deixaram de circular no varejo brasileiro por causa das apostas, e cerca de 270 mil famílias foram parar na inadimplência severa por conta das apostas, calcula a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Aqui, começa a ruir o discurso do setor de apostas. As bets se apresentam como quem traz arrecadação para o país, mas, na verdade, operam uma transferência da receita. Esse dinheiro não apareceu do nada. Não estamos falando de um dinheiro que estava sobrando no bolso do trabalhador: ele saiu da padaria, do supermercado, da loja de material de construção, do salão da esquina. Saiu de lugares que contratam, que compram de fornecedor, que movimentam cadeia produtiva e recolhem imposto em cada etapa, e foi para uma plataforma onde o dinheiro simplesmente evapora e não gera valor: não virou salário, não virou bens de necessidade, não virou patrimônio. 

A boa notícia é que, nas cidades, o cerco começou a se fechar na última semana. A Defensoria Pública de Minas recomendou a retirada dos anúncios dos ônibus, e a Justiça mineira também determinou a retirada das propagandas. A decisão afirma o que, no senso comum, é básico: saúde pública e proteção das infâncias valem mais que receita publicitária. Veio, então, o decreto da prefeitura de Belo Horizonte, proibindo anúncios de bets no mobiliário urbano, nos eventos da cidade e num raio de cem metros das escolas. 

A Prefeitura do Rio de Janeiro já tinha tomado decisão similar. A nossa luta agora é afirmar que o que está valendo nessas duas capitais precisa valer para o país inteiro. O Ministério da Fazenda publicou portarias regulamentando a publicidade das bets. Todo anúncio de aposta vai ter de informar, em pelo menos 10% da peça, que apostar causa dependência, faz perder dinheiro e não é investimento. A ideia é tolher a propaganda que vende aposta como sucesso garantido e o comentarista que usa a própria autoridade para sugerir apostas. 

É importante que se diga que nada disso é inovação. O Brasil já fez isso uma vez, com a Lei Antifumo, e deu certo, mesmo com a resistência da indústria do tabaco. O país tinha 34,8% de fumantes em 1989; em 2023, caiu para 9,3%, de acordo com Boletim da Organização Mundial de Saúde. A lei quebrou a normalização do hábito de fumar vendida pela publicidade, e é disso que estamos falando quando a propaganda chega à poltrona dos ônibus. Quando fui ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, disse numa audiência no STF que estávamos deixando instalar um cassino no bolso de cada brasileiro. Era 2024. Continuo dizendo o mesmo, agora, em Minas.

Decretos, portarias e decisões judiciais são passos importantes. Temos que aprofundar a discussão de política pública de fôlego: educação financeira, crédito responsável, renegociação de dívida, saúde mental de verdade e freio completo nas práticas predatórias. Exigir que a responsabilização chegue à cadeia inteira, da plataforma ao influenciador. Exigir que nenhuma outra mãe ouça que não há nada a fazer em relação à morte do seu filho. Quando uma atividade econômica produz um estrago desse tamanho, proteger quem está vulnerável é um dever.

Autora: Macaé Evaristo é deputada estadual (PT-MG) e ex Ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania. Publicado no Site Brasil de Fato.