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9 de março de 2019

Cem anos de atraso e andando para trás!

A dificuldade não está nas novas ideias,
mas sim em escapar as antigas.
John Maynard Keynes

O Brasil sempre teve dificuldade em ter no seu comando lideres visionários, estadistas que enxerguem além do Lago Paranoá no Distrito Federal, ou que ainda, sejam determinados a promover a igualdade com liberdade, desenvolvimento e muito investimento em Educação.
Se voltarmos no tempo perceberemos que nossa frágil democracia sempre prescindiu de um líder com estofo moral para deixar de lado apoios partidários, convenções imorais de segmentos sectários em favor do povo brasileiro. Alguns avanços tímidos em uma ou outra gestão e nada mais que possamos comemorar desde que a proclamação da nossa República em 1889.
Sem contar que neste período de cento e trinta anos, perdemos muito com ditaduras, intervenções militares, golpes e gestões medíocres que atrasaram sobremaneira o país.
Hoje, em pleno decorrer do século XXI, no Brasil nossos governantes estão preocupados com identidade de gênero, ideologia, filmar alunos cantando o hino nacional ou bizarrices como golden shower. Enquanto os países desenvolvidos estão com o foco voltado para discutir e ensinar seus jovens sobre inteligência artificial, machine learning, big data.
Nosso atraso não está ligado à gestão deste ou daquele partido como querem nos fazer engolir o atual governo, nosso atraso político, econômico e educacional está ligado a nossa classe política e dominante desde o descobrimento em 1500. A troca dos espelhinhos feita pelos portugueses com nossos índios era um sinal claro de que nossa pátria seria moldada em propinas, corrupção e atraso cultural e cientifico por séculos.
Há muito tempo precisamos de governantes que promovam a discussão de uma revolução no nosso sistema educacional, diante de uma população que tem quase 70% de analfabetos funcionais e precisa dar um basta nesta situação de calamidade. Nossa juventude não pode acreditar que sem estudo e dedicação máxima conseguirá alcançar algo além de salários mínimos em funções operacionais.
O país precisa ditar as estratégias para o futuro da educação, planejando suas necessidades de acordo com a direção assumida pelo governo. A tecnologia não vai cair do céu, será preciso muito investimento em nossa Educação, nosso parque industrial, gerando com isso um crescimento sustentável calcado em educação eficiente, profissionais altamente capacitados dentro de um ambiente de evolução tecnológica.
Nos EUA jovens estão estudando Business, Management e Tecnologia em suas universidades de ponta. Aqui nossos jovens cursam humanas, sem noção alguma da importância daquele curso para seu futuro numa Uniskina qualquer. Os cursos superiores foram amplamente criados sem critérios de qualidade e completamente fora de um planejamento estratégico do governo.
Precisamos de cursos que gerem valor agregado a nossa economia, cursos devidamente aprovados pelo MEC, com critérios mais rígidos. Assim, em alguns anos poderemos deixar de fabricar tantos profissionais de Direito, Psicologia, Administração, Marketing, Sociologia que são subempregados em funções aquém daquilo que estudaram.
A China, Finlândia, EUA, Alemanha, Noruega, e tantas outras nações estão muito adiantadas em relação a nossa sociedade, em boa parte por culpa de nossos medíocres gestores, que na verdade são políticos de quinta categoria travestidos de gestores públicos a serviço de empreiteiros, banqueiros e demais empresários interessados apenas sem seu lucro e crescimento pessoal.
É preciso urgentemente uma revolução na educação brasileira, uma reciclagem completa do conteúdo programático e da capacitação dos nossos professores. Precisamos atualizar o ensino e modernizá-lo se quisermos deixar de ser uma nação de postadores de idiotices em Facebook para entrarmos no mundo competitivo que está a nossa frente cerca de cem anos. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Gestor Público.

7 de março de 2019

Além do portão da informação!

O Produto Interno Bruto – PIB...mede tudo...
 exceto aquilo que faz a vida valer a pena.
Robert F. Kennedy

O mundo ocidental, chamado primeiro mundo, gasta algo em torno de U$ 135 bilhões de dólares por ano, U$ 11,2 bilhões de dólares por mês ou U$ 4.274 dólares por segundo em ajuda para o desenvolvimento de países pobres segundo dados da OCDE. Nos últimos 50 anos, isso gerou um investimento de aproximadamente cinco trilhões de dólares.
Parece muito, mas na verdade apenas a titulo comparativo as guerras do Iraque e Afeganistão custaram praticamente à mesma coisa. Sem contar que os países desenvolvidos gastam duas vezes mais por ano em subsídios à agricultura doméstica do que em ajuda externa.
Percebemos que recursos financeiros existem em boa parte do mundo, portanto, falta vontade política e combate a corrupção que promove o desvio de uma parcela considerável destes recursos.
No Brasil, o vilão para explicar a pobreza, a falta de saneamento básico, desemprego, fome ou qualquer mazela que afete uma parte da população não é a escassez de recursos financeiros. Temos recursos, falta chegarem ao destino final e serem empregados em projetos que se baseiem em planejamento e execução do começo ao final.
Às vezes os recursos ou parte deles são desviados de sua finalidade inicial, em outras situações, é mau empregado e deixa de resolver os problemas para os quais foram destinados. Na maioria das vezes o dinheiro desaparece na indústria da corrupção que está entranhada na máquina burocrática do Estado brasileiro. Motivo pelo qual temos milhares de obras inacabadas espalhadas pelo país, equipamentos comprados a peso de ouro encostados enquanto apodrecem.
Não importa os motivos alegados pelo poder público, bilhões de reais são desperdiçados à revelia das leis e da Justiça brasileira, que além de ser morosa, privilegia que os corruptos fiquem impunes através de seus inúmeros atalhos legais, criados pelos políticos para justamente dificultar o cumprimento das leis.
Enquanto a sociedade brasileira não deixar de ser coadjuvante e exercer seu papel de ator principal neste elenco que envolve poucos personagens, onde o cidadão comum é roubado diariamente sem nada fazer para mudar este estado de coisas, pouco poderá ser alterado no país.
É preciso que o povo brasileiro acorde, exerça seus direitos, reclame, cobre, fiscalize o cumprimento das promessas de campanha e do exercício dos mandatos dos eleitos no legislativo e no executivo. Uma eleição não termina no ato de votar, mas sim, no acompanhamento dos mandatos por todos.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Gestor Público.

Democracia - Algumas pessoas ainda não entenderam!

Quanto mais corrupção, mais injustiça.
Quanto mais injustiça, mais impunidade.
Quanto mais impunidade, mais violência.
Quanto mais violência, menos felicidade.
Renée Venâncio

As eleições presidenciais terminaram em outubro de 2018, a posse do candidato eleito aconteceu em janeiro de 2019. Parece algo simples de entender, mas boa parte do eleitorado ainda não entendeu que estamos com sessenta dias decorridos da posse do candidato eleito. Sendo assim, não existe mais campanha eleitoral, discussão sobre quem é melhor ou comparações sobre gestões anteriores.
É fato, o presidente tem obrigação de governar para o país, não apenas para quem votou em sua chapa (38% dos eleitores). O presidente tem compromisso com todo conjunto da sociedade brasileira e não somente para com as pessoas identificadas com sua ideologia.
Assim também, podemos entender que a sociedade brasileira tem a obrigação de fiscalizar os atos do governo, cobrar dele e dos seus ministros aquilo que foi prometido e que está em seu programa de governo:
O presidente, seus ministros e todos os governadores eleitos além dos deputados e senadores são empregados do povo, pagos com nossos recursos oriundos de impostos que recolhemos direta e indiretamente ao longo do ano, portanto, temos o direito de criticar, cobrar, exigir independentemente de nossa opção de voto.
O brasileiro pensa de forma errônea que protestar e ser cidadão atuante é postar criticas a governos passados ou a políticos que estão fora do poder há anos no Facebook. Não estão contribuindo com nada para a democracia.
No regime democrático ocorre, ou ao menos deveria ocorrer exatamente o contrário do que se apresenta no regime autocrático, pois o governante não é titular do poder político, não atua por conta própria, mas como mero representante ou mandatário do titular do poder político, que é o povo.
        Assim, quando o governante democrático atua, o faz de modo impessoal, em nome do povo, sempre com a inadiável e necessária finalidade de assegurar a vontade, os interesses e o bem comum do titular do poder político: o povo. Diz-se, por isso, que a democracia é o governo do povo, tal como sugere a etimologia grega da palavra: demos (povo) + Kratos (governo).
        No Brasil, conforme pode ser extraído do art. 1º da Constituição Federal, o titular do poder político é o povo, razão pela qual o regime político é o democrático. Logo, formalmente falando, quem exerce o poder político no Brasil não é o governante, é o povo brasileiro, titular do poder. O governante é mero instrumento de realização prática do exercício do poder político.
      Todavia, se do ponto de vista formal a democracia existe para que o povo exerça o poder político que titulariza e governe a si mesmo por intermédio de representantes eleitos, do ponto de vista material, prático, fático, de nada adiantará a Constituição assegurar essa prerrogativa se o povo espontaneamente se afastar da vida política, não participar das decisões do governo, não se informar acerca de suas próprias necessidades e das providências adotadas para supri-las. Em outras palavras: não existe democracia de ausentes.
A democracia só se realiza na prática cotidiana da participação política, não na teoria, não na letra fria do texto constitucional. É necessário, portanto, que o povo assuma suas responsabilidades de participação, com o intuito de exercer o poder político que titulariza para construir e manter o bem comum a que tem direito, sob pena de viver em uma democracia apenas do ponto de vista formal, mas em uma autocracia se for considerado o nível de participação popular nas decisões políticas adotadas pelo governo. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Gestor Público.
Fonte bibliográfica: Programa Àgora!

6 de março de 2019

Bolsonaro e os pobres!

O discurso altamente ideologizado do presidente tem feito com que categorias como professores, ambientalistas, sindicalistas, ativistas e artistas sejam automaticamente associados ao PT e estigmatizados por aliados e por ele próprio.
A parcela da esquerda que não está presa à armadilha autoimposta de passar os dias bradando “Lula Livre” nas redes sociais e defendendo a ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela vai, aos poucos, detectando um flanco para enfrentar o governo de Jair Bolsonaro: a falta de projetos voltados aos mais pobres. O caminho, diga-se, foi mostrado pelo próprio presidente e seu entorno. 
O discurso altamente ideologizado de Bolsonaro tem feito com que categorias como professores, ambientalistas, sindicalistas, ativistas de organizações não governamentais e artistas sejam automaticamente associados ao PT e estigmatizados – quando não xingados de larápios de dinheiro público, canalhas e outros adjetivos – por aliados do presidente, ministros e quando não pelo próprio. O exemplo mais recente foi o entrevero entre Bolsonaro e artistas no carnaval. Na visita de Juan Guaidó a Brasília, Bolsonaro brincou que a esquerda gosta tanto de pobres que acaba por “multiplicá-los”. Mas o que o governo propõe para reduzir a pobreza?
Por ora não se sabe. A agenda liberal do governo tem levado a mudanças como as referentes ao Benefício de Prestação Continuada e à aposentadoria rural na reforma da Previdência, à redução de repasses para as faixas mais populares do Minha Casa Minha Vida e à suspensão da reforma agrária. 
Já há setores do governo preocupados com essa balança social desequilibrada. O próprio presidente deu mostras de que pode não bancar a proposta de “focalização” do BPC defendida pela equipe econômica, justamente pelo peso do programa junto aos mais pobres, principalmente nos Estados do Nordeste.
Na campanha eleitoral, Bolsonaro tinha feito uma inflexão em seu discurso histórico contra o Bolsa Família (sempre associado por ele à compra de votos pelo PT) ao dizer que iria manter e ampliar o programa, instituindo inclusive um 13.º para os beneficiários. Parecia entender que, para ampliar sua base social, precisaria falar aos mais necessitados da pirâmide social. Os primeiros meses não trouxeram um conjunto de iniciativas voltadas a esse público, e a oposição, que mostrou na eleição que não tem um projeto que fale ao conjunto da sociedade, percebe a lacuna e começa a se reorganizar para atuar nela.
Fora do radar. Pobres apareceram em discurso, não em projetos. Foto: Dida Sampaio - ESTADÃO
CINZAS - Articulação da reforma em marcha lenta pós-carnaval
A equipe da Secretaria Especial da Previdência só retoma na quinta-feira a mobilização em prol da reforma. Deputados só retornam em massa a Brasília a partir da semana que vem, e os dias pós-folia serão usados para coordenar o discurso. A pausa carnavalesca foi comemorada por articuladores do governo, que avaliam que será benéfica para mitigar o efeito das declarações de Bolsonaro na semana passada, quando admitiu graciosamente negociar aspectos do texto.
“Vamos voltar com a defesa do texto que foi enviado”, me disse ontem um dos negociadores da reforma. As atenções estarão voltadas para a composição da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão Especial que analisará o mérito da proposta. O nome do jovem Fernando Franceschini (PSL-PR) para presidir a CCJ foi recebido com ceticismo na área técnica do governo, que prefere a deputada Bia Kicis (PSL-DF), considerada mais firme e mais madura para uma comandar a principal comissão da Câmara.

Autora: Vera Magalhães, O Estado de São Paulo.

A farsa do Guru!

“A preocupação com a administração da vida
parece distanciar o ser humano da reflexão moral”.
Zygmunt Bauman

Antes e durante as eleições um nome ganhou fama entre os adeptos do candidato Bolsonaro, o filósofo autodidata Olavo Luiz Pimentel de Carvalho representante da extrema direita e do conservadorismo no país, reconhecido por seu discurso de ódio.
Na juventude esse mesmo conservador foi militante comunista, tendo sido filiado ao Partido Comunista Brasileiro - PCB entre 1966 a 1968. Hoje é anticomunista e articulador do novo governo, tendo indicado dois ministros ao presidente Bolsonaro – Ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo e o Ministro da Educação – o colombiano Ricardo Velez.
Olavo defende os princípios metafísicos das antigas civilizações e combate a perda do sentido simbólico do universo. Sua visão da cultura articula-se com a teoria da história. Ele não avalia o mundo contemporâneo como uma realização do progresso, mas como um ocaso, expressão de uma crise da civilização que, segundo sua linha de pensamento, seria o adentrar na barbárie. Isso seria o resultado de um processo de fortalecimento da consciência coletiva, iniciado no Renascimento que atinge seu ápice na Revolução Francesa com a prevalência da “opinião pública”.  
A tônica de sua obra é a "defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia "científica". Segundo Olavo, "somente a consciência individual do agente dá testemunho dos atos sem testemunha, e não há ato mais desprovido de testemunha externa do que o ato de conhecer".
Agora, estranho mesmo é o fato de que sessenta dias após a posse do novo governo brasileiro, surge na mídia e nas redes sociais um pedido de “vaquinha” ou ajuda financeira para cobrir despesas médicas do Guru Olavo de Carvalho nos EUA.
O pedido se parece muito com o que foi usado na campanha eleitoral denominado de Fake News, ou seja, mentira. Tudo que envolve o pedido está confuso, cercado de nuances que nos levam a pensar até em fraude.
O pedido de ajuda é o seguinte: “Acossados por uma rede internacional de caluniadores e difamadores, recebemos ainda uma cobrança monstruosa de despesas médicas e impostos, e vamos precisas DESESPERADAMENTE da ajuda dos nossos amigos. Aqui estão os canais bancários pelos quais vocês podem contribuir. Nada poderemos oferecer em retribuição exceto exemplares autografados dos meus livros e a nossa profunda gratidão. Deus abençoe a todos. Conta no Brasil – Banco Itaú – Agência: 4080 – C/c: 02968-1 – CPF: 043.909.388/00 – Conta nos EUA: Roxane de Carvalho – SunTrust Bank – Swfit Code SNTRUS3A – Routing number 051000020 – Account number: 1000209729358 ou ainda Paypal > odecarvalho@gmail.com
Tudo que cerca este pedido de SOS está muito estranho e controverso, começando pelo fato da citação “Acossados por uma rede internacional de caluniadores e difamadores, recebemos ainda uma cobrança monstruosa de despesas médicas e impostos”. Quem são esses caluniadores e difamadores? O que eles tem a ver com despesas médicas? Qual o motivo da internação e quais os procedimentos realizados?
Sem contar que recentemente o motorista do filho do presidente Senador Flávio Bolsonaro se internou no Hospital Albert Einstein, reconhecidamente um dos mais caros do país. Se um motorista teve condições, como o Guru do presidente não conseguiu?
Outro fato citado são os tais impostos atrasados que deveriam ter sido pagos, de forma que não seriam cobrados pelo governo americano. Se o autor sonegou impostos tem de pagar ou será pego pelas leis rigorosas dos EUA.
O pedido não esclarece a doença, o hospital, o motivo da cobrança dos impostos, nem os valores devidos ao hospital e ao governo americano. Como pode o homem que criticou Einstein, Giordano Bruno, Stephen Hawking, jornais brasileiros e a tanta gente, não saber que era preciso ter recursos antes de se internar num hospital americano. Se vive nos EUA como não possuí Green Card? E por último, como não saber que vivendo nos EUA tem de recolher impostos?
Ele vive nos EUA há muitos anos, mesmo assim não tem uma conta bancária em seu próprio nome naquele país? Motivo pelo qual apresentou a conta da sua esposa no pedido de ajuda.
Sinceramente, torço para que o pedido de ajuda chegue aos ouvidos do Assessor do Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, e este, possa ajudar o guru da extrema direita neste momento constrangedor pelo qual está passando. Se é que isso é mesmo verdade e não fake news...

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Gestor Público.

5 de março de 2019

A tragédia da Ucrânia!

Anne Applebaum relata a fome premeditada por Stalin para subjugar a população da Ucrânia, frear qualquer tentativa de nacionalismo e liquidar as organizações que resistiam a integrá-la à URSS.
            FERNANDO VICENTE
Em 1928, Stalin fez uma viagem pela Sibéria que durou três semanas. Tinha derrotado seus adversários dentro do Partido Comunista e já era o amo supremo da União Soviética. Os cereais começavam a escassear no imenso território e, depois do que viu e ouviu naquela viagem, Stalin tirou as conclusões ideológicas pertinentes. Segundo a doutrina marxista, a culpa era dos camponeses retrógrados, que, graças à expropriação dos latifúndios e à liquidação dos kulaks, tinham se tornado pequenos proprietários de terra e contraído as taras características da burguesia. A solução? Obrigá-los a ceder suas granjas e a se incorporar às fazendas coletivas que os tornariam proletários, a força poderosa e renovadora que substituiria sua mentalidade burguesa pelo fervor solidário dos bolcheviques.
Essa é a origem, segundo Anne Applebaum, em seu extraordinário livro Red Famine: Stalin’s War on Ukraine (fome vermelha: a guerra de Stalin contra a Ucrânia), do colapso da agricultura em todos os domínios da URSS, mas que golpearia principalmente, com ferocidade inigualável, a Ucrânia, causando, nos anos de 1932 e 1933, vários milhões de mortes e cenas arrepiantes de suicídios, assassinatos de crianças, saques e canibalismo.
A pesquisa realizada pela autora revela ao mundo, em sua dimensão apocalíptica, um acontecimento que, pelo menos em suas características reais, tinha sido ocultado pela censura stalinista, apesar dos esforços isolados de alguns historiadores como Robert Conquest, em The Harvest of Sorrow (a colheita do sofrimento), para divulgá-lo. Mas só agora, com a independência da Ucrânia, os documentos e testemunhos relativos àquele holocausto podem ser consultados e Anne Applebaum, que domina plenamente o russo e o ucraniano, tem feito isso com meticulosidade e objetividade escrupulosa.
Segundo ela, a fome foi premeditada por Stalin e seu séquito de cúmplices – Molotov, Kaganovich, Voroshilov, Postishev, Kosior e alguns outros − para subjugar a Ucrânia, frear qualquer tentativa de nacionalismo em seu seio e liquidar as organizações que resistiam a integrá-la à URSS sob o açoite de Moscou. Ela cita como prova o fato de que, naqueles mesmos anos, o Politburo soviético reduziu drasticamente a publicação de livros e jornais em ucraniano, assim como o ensino dessa língua nas escolas e universidades, e impôs o russo como idioma oficial do país.
Seja como for, em 1929 é iniciada a dissolução das pequenas propriedades agrícolas a fim de incorporá-las às fazendas coletivas. Os camponeses, que tinham visto com simpatia a revolução, resistem a entregar suas terras e seu gado, e a se associar às enormes empresas coletivas que, dirigidas por burocratas do partido, costumam ser pouco eficientes. As instruções de Stalin são rigorosas: aquela resistência só pode vir dos inimigos de classe que querem acabar com o socialismo, e deve ser esmagada sem piedade pelos revolucionários.
As brigadas comunistas percorrem os campos confiscando propriedades, gado, ferramentas agrícolas e sementes, e mandando para a prisão quem não colabora. Um dos chefes do Gulag, na Sibéria, envia um telegrama a Moscou pedindo que não lhe enviem mais detidos porque já não tem como alimentá-los. Ao mesmo tempo, um prisioneiro escreve para sua família: “Que maravilha! Eles me dão um pãozinho por dia!”.
As colheitas começam a encolher, os roubos e ocultação de alimentos se multiplicam por todo lugar, Stalin insiste que o partido deve ser “implacável” em sua luta contra os sabotadores da revolução, e a fome entra em cena com suas terríveis sequelas: roubos, assassinatos, suicídios, aldeias que desaparecem porque todos os seus habitantes fugiram para as cidades na esperança de encontrar trabalho e alimentos. Os cadáveres já são tão numerosos que ficam estendidos nas ruas e estradas porque não há gente suficiente para enterrá-los.
Os testemunhos reunidos por Anne Applebaum são de arrepiar: há pais que matam seus filhos com as próprias mãos para que não sofram mais e, os mais desesperados para se alimentar com eles. Já comeram todos os cães, cavalos, porcos, gatos e até ratos que conseguiam pegar, e os comunicados que chegam à Ucrânia vindos de Moscou são cada dia mais urgentes: negar a fome e, principalmente, o canibalismo e os suicídios, e punir sem dó os verdadeiros causadores dessa catástrofe: os inimigos de classe, os fascistas, os kulaks, os responsáveis reais pelas calamidades que se abatem sobre a Ucrânia.
Quantos morreram? Cerca de cinco milhões de ucranianos, pelo menos. Mas não há como saber com exatidão, porque as estatísticas eram forjadas pela disciplina partidária que assim exigia ou pelo medo dos burocratas do partido de ser punidos como responsáveis pela fome. O Kremlin impôs, além disso, uma versão oficial dos acontecimentos que era reproduzida não só pela imprensa comunista, mas também pela capitalista, que fazia isso por meio de jornalistas vendidos ou covardes, como o repulsivo Walter Duranty, então correspondente do jornal The New York Times, que, comprado com casas e banquetes por Stalin, dava um jeito, em artigos que pareciam redigidos por um Pôncio Pilatos moderno, de apresentar um quadro de normalidade e desmentir os exageros de certos testemunhos que conseguiam vazar para o exterior sobre o que realmente ocorria na URSS e, principalmente, na Ucrânia. Uma das exceções foi o britânico Gareth Jones, quem conseguiu percorrer a pé o coração da fome durante várias semanas e contar aos leitores ingleses do jornal The Evening Standard os horrores vividos na Ucrânia.
Ler um livro como o de Anne Applebaum não é um prazer, e sim um sacrifício. Mas obrigatório, se queremos conhecer os extremos a que podem levar o fanatismo ideológico, a cegueira e a imbecilidade que o acompanham, e a irremediável violência que, mais cedo ou mais tarde, vem como consequência. A fome e as mortes na Ucrânia ajudam a entender melhor o terrorismo jihadista e a bestialidade irracional que consiste em se tornar uma bomba humana e explodir em um supermercado ou uma discoteca, pulverizando dezenas de inocentes. “Ninguém é inocente!” era um dos gritos do terror anarquista segundo Joseph Conrad, que descreveu melhor do que ninguém essa mentalidade em O Agente Secreto.
Se ler o livro de Anne Applebaum provoca calafrios, como terão sido os anos que sua autora levou para escrevê-lo? Posso imaginá-la muito bem, imersa horas e horas em arquivos empoeirados, lendo informes, cartas de suicidas, sermões, e descobrindo de repente que está com o rosto encharcado de lágrimas ou que está tremendo da cabeça aos pés, como uma folha de papel, transubstanciada por aquele apocalipse. Ela deve ter sentido mil e uma vezes a tentação de abandonar essa tarefa terrível. No entanto, continuou até o fim, e agora esse testemunho atroz está ao alcance de todos. Aconteceu há quase um século lá na Ucrânia, mas não nos enganemos: não é coisa do passado, continua ocorrendo, está ao nosso redor. Basta ter a coragem da Anne Applebaum para ver e enfrentar isso.

Autor: Mario Vargas Llosa - Direitos mundiais de imprensa em todas as línguas reservados a Edições EL PAÍS, SL, 2019. © Mario Vargas Llosa, 2019.

1 de março de 2019

O que você esqueceu continua lá!

Cada detalhe da sua vida digital é uma gota no oceano do ‘big data’ Você confia inocentemente que ninguém vai bisbilhotar ali! 

Cristina Erre
“Funes não só se lembrava de cada folha de cada árvore de cada montanha, mas de cada uma das vezes que a percebera ou imaginara". Um dia, o jovem Ireneo Funes caiu do cavalo, perdeu a consciência e, quando se recuperou, "o presente era quase intolerável de tão rico e nítido, e também as recordações mais antigas e triviais".
Ele é o personagem de Funes o Memorioso, um dos melhores contos de Jorge Luis Borges, incluído em Ficções (1944). Essa mente prodigiosa — a do protagonista da história, não a de Borges — se vê sufocada pelo acúmulo dos mínimos detalhes. Era capaz de reconstruir um dia inteiro, mas levava um dia inteiro para fazer isso. "O que foi pensado apenas uma vez não podia mais ser apagado". Parece um dom milagroso, mas é uma desgraça. Porque Ireneo Funes é incapaz de ter ideias gerais. Borges conclui: "Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes só havia detalhes, quase imediatos”.
Os humanos comuns tendem a esquecer mais do que a reter cada detalhe da folha de uma árvore. Isso nos permite manter o equilíbrio, simplificar a complexidade e não sofrer tanto como Funes, que não conseguia dormir. Também esquecemos, consciente ou inconscientemente, coisas de nós mesmos que não queremos reter, e assim vamos construindo um eu em parte real e em parte fictício.
De vez em quando, o Facebook te assalta com memórias. Há dois anos você escreveu isto, quer compartilhar novamente? Talvez algo te arranque um sorriso, talvez te envergonhe. Talvez apareça a imagem daquela pessoa amada e perdida ou do companheiro que te deixou. Talvez uma piada de mau gosto, rótulos em fotos de uma noite louca. Qualquer coisa que você não queria que perdurasse.
Os seus rastros digitais são extenuantes. Em algum canto do big data estão todas as mensagens que você trocou, os caminhos que seguiu todos os dias, as suas buscas, as fotos de que você gostou, sua lista de amigos, seus cookies(sim, aceito). Muito poucos se preocupam em apagar o rastro de seu passado, o que exigiria tanto tempo quanto dedicaram ao longo do dia mexendo no celular. Esperamos que nesse oceano de dados ninguém vai remexer, só mesmo os algoritmos que tiram proveito disso. A menos que você se torne uma figura pública, é claro, e os trolls se empenhem em fuçar nos seus antigos tuítes para descobrir indiscrições. Mas não é preciso ser famoso. Em qualquer site ou aplicativo, não só os seus dados te acompanham, mas os seus metadados, um perfil que você não escreveu.
Ireneo Funes "achava que na hora da morte ainda não teria terminado de classificar todas as memórias da infância". Para nós, cidadãos do século 21, chegará a hora sem termos podido apagar tudo o que desejaríamos que não continuasse ali.

Autor: Ricardo de Querol – Publicado no El País

Como enfrentar o medo de mudança!

Nosso cérebro foi projetado para a sobrevivência, não para a felicidade.
A vida é mudança, mas a mudança nos assusta. Às vezes, dá vontade de fazer coro à reflexão de Mafalda: pare o mundo que eu quero descer. A origem desse mal-estar está na biologia. Segundo o arqueólogo espanhol Eudald Carbonell, codiretor das escavações de Atapuerca (Espanha), nosso cérebro é o resultado de 2,5 milhões de anos de evolução.
Levamos muito tempo vivendo em cavernas e pouco tempo em cidades. Isso significa que temos “codificadas” respostas automáticas para responder com sucesso às ameaças daquela época. Se agora vemos um leão solto passeando pela rua, nosso cérebro não perderá tempo tentando saber de que subespécie ele é; simplesmente nos mandará sair correndo para sermos mais rápidos – não mais do que o felino, e sim de quem está ao nosso lado (também temos outra alternativa: a de ficarmos congelados, esperando que o leão não nos veja).
No entanto, esses circuitos tão maravilhosos, que nos permitiram chegar até aqui como espécie, não estão preparados para enfrentar ameaças mais sutis, como a digitalização, as mudanças de regulação de um setor ou a possibilidade de ficarmos sem emprego. Esses medos são novos, evolutivamente falando, e por isso nem sempre nos damos bem com a transformação. Recordemos uma máxima importante: nosso cérebro foi projetado para a sobrevivência, não para a felicidade. Diante de mudanças, portanto, temos que encontrar uma forma de navegar por elas, entendê-las como oportunidades e aprender com as suas possibilidades. E isso não é automático como sair correndo ante uma ameaça. Exige esforço, treinamento e capacidade de superar os medos que nos afligem.
A gestão da mudança é hoje mais difícil do que nunca, mas também mais fácil do que no futuro. Por um motivo simples: a velocidade. Para se ter uma ideia da magnitude, há 10 anos tínhamos 500 milhões de aparelhos conectados à Internet. Em 2020, estima-se que serão 50 bilhões; em uma década, um trilhão. Ou seja: estamos só no começo.
Isso sem falar do que virá por meio da inteligência artificial, da criopreservação de nossos corpos, dos avanços genéticos e das viagens espaciais. Estamos apenas no início de um tsunami que transformará a forma como nos relacionamos, trabalhamos e vivemos. Portanto, vêm aí mais e mais mudanças. A boa notícia é que nosso cérebro, embora provenha da época das cavernas, tem uma enorme plasticidade que lhe permitiu chegar até aqui e construir toda uma tecnologia que está revolucionando o mundo.
Por isso, temos uma margem de manobra. Vejamos como podemos começar com dicas muito simples.
Primeiro, precisamos de treinos diários da nossa mente. Assim como existem academias para o corpo, devemos colocar em forma o músculo do cérebro. Todos os dias – todos – fazer algo diferente. Ler fontes de informação variadas, ir ao trabalho por outro caminho, experimentar um sabor exótico... o que for. Mas aceite o desafio de fazer algo novo diariamente. A aprendizagem é o melhor antídoto contra o medo.
Segundo, precisamos relativizar o que nos acontece. Um bom método é, paradoxalmente, ler história. Devemos perceber que, embora vivamos no tsunami da mudança, foram justamente todos esses avanços que nos permitiram aumentar nossa esperança de vida e não sofrer por possíveis epidemias ou por guerras mundiais. Na medida em que tivermos perspectiva, poderemos entender a parte benéfica.
Terceiro, devemos buscar a “desdigitalização”. Apesar da velocidade que nos rodeia, precisamos encontrar a conexão com nós mesmos e com o próximo. Se vivermos sempre expostos aos impactos da Internet, não teremos tempo para integrar a aprendizagem e encontrar os oásis necessários a certa tranquilidade. Por exemplo, você pode abrir mão do celular no fim de semana ou deixá-lo no modo avião.
Por último, precisamos confiar. Afinal, tudo tem solução – melhor ou pior, mas tem. O que nos asfixiava anos atrás, como a prova do colégio ou um conflito difícil, agora não nos parece tão terrível. E se fomos capazes de driblar situações difíceis, por que não poderemos fazer isso com o que temos agora?
Por isso, na medida em que confiarmos, mantivermos a curiosidade e a aprendizagem, soubermos relativizar e criarmos espaços de paz, poderemos encontrar recursos para contemplar a mudança de maneira mais positiva e construtiva.

Autor: Pilar Jericó – Publicado no Diário El País

Gente que fala demais!

"O Brasil é o pior país da América do Sul para se criar meninas". Foi a mais recente das muitas declarações polêmicas de Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos. E ainda deu um conselho a quem tem filhas em casa: "foge do Brasil". Aqueles que têm dinheiro para viver em Miami, provavelmente já se foram. A imensa maioria tem que ficar por aqui mesmo, e torcer para que as autoridades combatam a pedofilia. A ministra prevê, alicerçada em estudos acadêmicos, que "uma em cada três meninas no país, sofrerá algum tipo de abuso até completar 18 anos. "
Motivos para deixar o Brasil não faltam. A comunidade LGBT , na sua totalidade, é vulnerável a crimes de homofobia. Provavelmente todos os homossexuais, lésbicas, bi e transexuais já sofreram algum tipo de violência ou aversão. Ainda no final de semana, o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, criticava a frase da mesma Damares que invoca a velha convenção - "meninos vestem azul e meninas vestem rosa".
A ideia conduzida no bojo desta expressão, para o jurista, contraria o direito à liberdade sexual resguardada pela Constituição. Em seu voto, cobra também do Congresso Nacional a aprovação de projetos que por lá tramitam, tipificando o crime de homofobia. O relatório do ministro Celso de Mello, discute a criminalização de atos praticados por conta de orientação sexual. A sua leitura tomou uma sessão inteira, por cerca de quatro horas. A outra metade do seu voto ficou para a próxima quarta-feira.
Veja que o Brasil tem problemas de toda ordem. Um deles pode ser chamado de ativismo judicial. Dependendo da boa vontade dos ministros, o tribunal levará, pelo menos, três sessões plenárias para discutir duas ações sobre o mesmo assunto. Hoje, há 32 mil processos à espera de sentença na Suprema Corte. Quase três mil tramitam há dez, quinze anos. Uma das hipóteses para tanto falatório seria a presença de câmeras de televisão transmitindo para todo o país, em tempo real.
Em suma: a vaidade de esbanjar erudição elastece as justificativas de voto tornando-as verborrágicas. Estudos com métodos econométricos de Felipe de Mendonça Lopes, demonstram que, antes da tevê, os votos tinham 37 páginas, em média. Depois que passaram a transmitir as sessões, a papelada passa das 85 laudas. Há decisões famosas, como a do caso da reserva indígena Raposa Serra do Sol, que ultrapassaram 500 páginas. Esse negócio de transmissão das sessões dos tribunais, pela tevê, é coisa criada aqui.
Nos Estados Unidos, sequer os fotógrafos entram com suas câmeras nas galerias. Lá, um único juiz escreve a decisão vencedora e os demais a subscrevem. Os que discordam assinam também uma única decisão discordando. Aqui, na cabeça dos ministros, a qualidade dos votos é medida pelo tamanho do calhamaço. A formatação e as pesquisas doutrinárias e teóricas, são produzidas com a ajuda de muitos juízes, requisitados para trabalharem junto aos gabinetes dos ministros.
Ainda bem que os ministros do STF se mostram recatados no uso das redes sociais. Diferente dos políticos. Um tuite do filho do presidente Jair Bolsonaro derrubou o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria Geral da Presidência. Acontece num momento em que se busca consolidar as bases do governo, para aprovação da reforma previdenciária. Bebianno foi presidente do PSL, partido seu e de Bolsonaro. Suspeita-se que tenha criado uma candidata laranja, em Pernambuco, para ficar com R$ 400 mil do Fundo Partidário.
Apuradas as urnas, a candidata teve apenas 274 votos. Cada voto custou 46 mil reais. Na reeleição de Dilma aconteceu a mesma coisa. Os modelos de roubalheira eleitoral se repetem, agora com fundos públicos. Para o PSL, partido que amealhou votos em cima de um discurso anticorrupção, o potencial de confusão é enorme.
As velhas raposas da política preferiam que Bebianno fosse fritado em fogo baixo. O vereador Carlos Bolsonaro, o zero2 no jargão de caserna da família, foi afoito. Chamou o ministro de "mentiroso". Os militares que se encontram no primeiro escalão do governo, estão preocupados com a possibilidade de os rumos do Palácio serem ditados pelos filhos do presidente. O vice Hamilton Mourão foi claro: "Que os pais segurem seus filhos e ponham ordem na casa".
Autor: Jornalista Zarcilio Barbosa – Publicado no JC – Bauru - SP

A importância da mentira!

Já são bem estabelecidos os estudos do psicólogo norte-americano Jerald Jellison que afirmou que estamos sujeitos a centenas de mentiras todo dia, além de cada um de nós também dizermos mentiras nessa mesma proporção. São dados de algumas décadas atrás, devidamente documentados, mas pelo ativismo atual de tais estudos e reincidência de menções ao tema, parece que a essência dos números não se alterou.
O filósofo e colunista da Folha de S. Paulo Hélio Schwartsman é um dos que rotineiramente trazem o assunto à discussão com exemplos perturbadores. A natureza humana é mais desumana do que pensamos ou que gostaríamos que fosse. Sem desespero, há que se concluir que a mentira é uma necessidade.
No âmbito fisiológico - e pensando primeiramente a fisiologia de nossos corpos e, não ainda, a política - a arte da mentira e da enganação é sinônimo de sobrevivência. Analgésicos, por exemplo, em sua maioria têm por princípio ativo mentir para o cérebro para não sentir a dor. São substâncias que bloqueiam a informação que se origina no foco de dor (um impulso elétrico) para não chegar ao centro neurológico, bloqueio quase sempre por meios químicos de impedir algum 'informante' (íons, por exemplo) de seguir em frente.
A fonte do desconforto continua lá, mas como o cérebro não sabe, nada sente. A mentira política é, por sua vez e como conclusão, apenas mimetismo de funções biológicas.
E qual a importância da mentira na vida política atual? A mentira elegeu o presidente e mantém o governo no poder. O principal meio de propagação dessa mentira política não são neurônios, mas o WhatsApp. Há grupos desse tipo de mensagem nos quais nem o "bom dia" é verdadeiro! Não é justificativa nem explicação para o que está acontecendo, mas é um excelente exemplo da dimensão a que pode chegar a prática do nariz grande. Narizes esses que estarão sendo torcidos por quem teve a paciência de ler até aqui, já exarando impropérios e xingamentos ao autor, como sói ser.
Mente-se sobre acordos oficiais, rombos fiscais e orçamentários e ideologias praticadas ou pressupostas; quando os órgãos agora oficiais são questionados sobre essas falsidades, os questionadores são chamados de comunistas, anarquistas, oportunistas ou outro ista qualquer.
Devaneios e alucinações de ministros podem até ser compreendidos, face ao que cada um vivenciou, mas quando a ignorância e a mentira passam a ser política pública, elas acendem o sinal vermelho da governabilidade. Os ininterruptos escândalos frutificam e apenas corroboram os pressupostos aqui discutidos.

Autor: Adilson Roberto Gonçalves é químico, pesquisador da UNESP – Campus de Rio Claro.

Principais pontos do Projeto para Reforma da Previdência!

O governo Bolsonaro enviou para a aprovação do Congresso Nacional o Projeto de Reforma da Previdência, que é na verdade um misto de ideias do projeto fracassado de Michel Temer com novas pinceladas da equipe econômica do novo governo.
Este assunto vem sendo debatido desde os tempos da primeira gestão do PSDB com FHC. Porém, como não há mais tempo para postergar as mudanças coube ao atual governo propor aos parlamentares a análise do projeto.
Claro que no escopo do projeto enviado por Bolsonaro, estão ausentes os Militares, a cobrança bilionária dos devedores e sonegadores (Grandes Empresas) e as mudanças necessárias sobre a utilização dos recursos da previdência para outras finalidades do governo. Algo que sempre foi realizado e contabilizado na conta da previdência social.
Outra questão que precisa ser esclarecida são os 20% da DRU – Desvinculação de Receitas da União subtraídas da Previdência. A aplicação de recursos a serem utilizadas para pagamentos do INSS é aplicada em outros setores do governo. Se imaginarmos a inclusão da corrupção nesse mecanismo veremos que o buraco é profundo e negro. 
Abaixo ressalto as principais alterações propostas no Projeto enviado ao nosso Congresso Nacional e que a partir de agora começam a ser discutidas com a sociedade brasileira: 
Idade mínima para se aposentar
Como é hoje: Não existe idade mínima de aposentadoria no setor privado (INSS), desde que o trabalhador cumpra um tempo mínimo de contribuição no sistema. A partir dos 60 anos, no caso de mulheres, e 65 para os homens, é possível se aposentar contanto que se tenha no mínimo 15 anos de contribuição. No serviço público, que tem sistema diferenciado, a idade mínima  é de 60 anos para homens e 55 anos para mulheres.
Como pode ficar: Para todos os setores, a idade mínima passa a ser de 65 anos para homens, e 62 anos para mulheres, que irão subindo gradativamente. Deixa de haver a possibilidade de aposentadoria apenas por tempo de contribuição. 
As regras de transição para o novo sistema
Para os trabalhadores em geral (INSS): 
Transição 1 - tempo de contribuição + idade
A regra é semelhante à atual, estabelecida na fórmula 86/96: o trabalhador deverá alcançar uma pontuação que resulta da soma de sua idade somada ao tempo de contribuição. A fórmula tem esse nome porque hoje, para homens, essa pontuação é de 96 pontos, e, para mulheres, de 86 pontos, respeitando o mínimo de 35 anos de contribuição para homens e 30 para mulheres. A transição prevê um aumento de um ponto a cada ano, chegando aos 105 pontos para homens em 2028, e aos 100 pontos para mulheres em 2033. 
Transição 2 – tempo de contribuição + idade mínima
A idade mínima para se aposentar chegará a 65 anos para homens e 62 para mulheres, após o período de transição que vai durar 10 e 12 anos, respectivamente. 
Transição 3 – Tempo de contribuição
Quem estiver a dois anos de completar o tempo mínimo de contribuição, de 35 anos para homens e 30 para mulheres, pode pedir a aposentadoria por essa nova regra, se for aprovada. O valor do benefício será reduzido pelo fator previdenciário, um cálculo que leva em conta a expectativa de sobrevida do segurado medida pelo IBGE. Quanto maior a expectativa, que vem aumentando a cada ano, maior a redução do benefício. 
Regra de transição para o setor público:
Para os servidores públicos, a transição é feita por meio de uma pontuação que soma o tempo de contribuição com a idade mínima, começando em 86 pontos para mulheres e 96 pontos para homens. A nova regra prevê aumento de um ponto por ano, ao longo de 14 anos para mulheres e de nove anos para homens. O período de transição termina quando a pontuação alcançar 100 pontos para as mulheres, em 2033, e 105 para homens em 2028. 
Aposentadoria rural
Como é hoje: a idade mínima para se aposentar é de 55 anos para mulheres e 60 para homens, com tempo mínimo de atividade rural de 15 anos em ambos os casos.
Como pode ficar: a idade mínima passa a ser 60 anos, com 20 anos de contribuição para homens e mulheres.  
Professores
Como é hoje: Não há idade mínima para se aposentar, mas é estabelecido um tempo de contribuição de 25 anos para mulheres e 30 anos para homens.
Como pode ficar: Passa a haver idade mínima de 60 anos e o tempo de contribuição sobe para 30 anos tanto para homens quanto para mulheres. 
Para policiais civis, federais, agentes penitenciários e socioeducativos.
Como é hoje: Não há idade mínima. Apenas tempo de contribuição de 30 anos para homens e 25 anos para mulheres ou tempo mínimo de exercício de 20 anos para homens e 15 anos para mulheres. Agentes penitenciários e socioeducativos não têm regra diferenciada.
Como fica: Esses servidores passarão a ter uma idade mínima para aposentar-se que é de 55 anos, tanto para homens quanto para mulheres, ou tempo de contribuição de 30 anos para homens e 25 anos para mulheres. O tempo de exercício para policiais se mantém, e para agentes penitenciários e socioeducativos passa a ser de 20 anos. 
Aposentadoria por incapacidade permanente
Como é hoje: 100% da média dos salários de contribuição para todos os casos.
Como pode ficar: se mantém esses 100% para acidentes de trabalho, doenças profissionais e doenças do trabalho. Fora desses casos, o valor será reduzido para 60% até 20 anos de contribuição – se a pessoa ficar incapaz com cinco anos de contribuição ou com 25 anos recebe os mesmos 60%, por exemplo. Mais 2% por ano de contribuição que exceder esses 20 anos.  
Pensão por morte
Como é hoje: 100% para segurados do INSS, respeitando o teto de 5.839,45 reais. Para os servidores públicos, além desse percentual, o segurado recebe 70% da parcela que superar o teto.
Como pode ficar: O valor da pensão ficará menor. Tanto para trabalhadores do setor público, quanto do privado, o benefício será de 60% do valor, mais 10% por dependente adicional. Se o beneficiário tiver apenas um dependente, receberá os 60%, se tiver dois dependentes, receberá 70%, e assim até o limite de 100% para cinco ou mais dependentes. 
Assistência – Benefício de Prestação Continuada
Como é hoje: O BPC é, por lei, a garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção da família.
Como pode ficar: No caso dos deficientes, nada muda. No caso de aposentadoria por idosos sem ter como se manter, entre 60 e 70 anos eles receberiam uma renda de 400 reais (o índice de reajuste não ficou claro) e, a partir de 70 anos, o benefício ficaria em um salário mínimo 
Limitação de acumulação de benefícios
Como é hoje: é permitida a acumulação de diferentes tipos entre diferentes regimes e não há limitação.
Como pode ficar: Permite o acúmulo, mas o benefício mais vantajoso é pago integralmente e o adicional é pago parcialmente, calculado pelo salário mínimo. As exceções são as que já existem hoje, aposentadorias acumuláveis no serviço público como médico e professor.
O governo nega que esteja punindo idosos pobres com diminuição do valor pago pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC) e diz que é o contrário: "A medida vai no sentido de proteger os mais vulneráveis", disse Bruno Bianco, secretário especial adjunto da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. Ele afirmou que esse é um dos poucos pontos da reforma da Previdência em que a despesa do governo irá aumentar em relação ao que é gasto hoje.  A nova regra antecipa a idade de benefício para idosos pobres, mas também reduz o valor inicial a menos da metade. Hoje o BPC é pago a partir de 65 anos, mas com a proposta passa há 60 anos. O valor atual é de um salário mínimo (R$ 998 em 2019) e passaria a R$ 400 a quem tem 60 anos, chegando a um salário mínimo somente para quem tiver 70 anos. A redução no valor inicial causou protestos nas redes sociais.
Como conhecemos bem o perfil dos nossos deputados e senadores, muito provavelmente serão propostas muitas mudanças no atual projeto, caberá ao governo aceitá-las ou discutir por mais tempo com o Congresso até que se chegue a bom termo e possa implantar essa que pode ser a reforma que impedirá muitos brasileiros de um dia conseguirem se aposentar.

Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Blogger e Gestor Público

O espectro do populismo!

São cada vez mais evidentes os sinais de que Bolsonaro, como governante, toma suas decisões estimulado pela perspectiva do aplauso fácil e imediato.
O “bolsonarismo” é, por enquanto, apenas uma caricatura mal-ajambrada de movimento populista, desses que de tempos em tempos assombram o Brasil, mas isso não significa que o País possa tranquilizar-se. Ao contrário: a esclerose precoce do governo de Jair Bolsonaro parece ter despertado no presidente o demagogo que ele sempre foi e que se encontrava apenas anestesiado em razão de conveniências políticas. Caso isso se confirme, a recuperação do País, repleta de obstáculos, será seriamente prejudicada, com consequências graves para a solvência do Estado e para a retomada do desenvolvimento. Nem é preciso enfatizar o perigo que um cenário desses representa para a estabilidade do País e mesmo para a ordem social.
São cada vez mais evidentes os sinais de que Bolsonaro, como governante, toma suas decisões não por razões de Estado ou como parte de alguma estratégia política de longo prazo, e sim estimulado pela perspectiva do aplauso fácil e imediato, este que brota de suas fanáticas hostes nas redes sociais – meio de comunicação caótico e irresponsável que Bolsonaro escolheu para se dirigir à sociedade, a título de estabelecer uma “relação direta entre o eleitor e seus representantes”, como disse em seu discurso ao ser diplomado como presidente. Desse modo, Bolsonaro equipara os atos de governo a tuítes tolos e a “memes” engraçadinhos. Nem é preciso mencionar os riscos institucionais que essa prática acarreta – basta lembrar a recente confusão criada pelo presidente e por um de seus filhos no Twitter a respeito de um dos ministros de Bolsonaro, demitido como consequência do imbróglio.
Para os propósitos de Bolsonaro, no entanto, as redes sociais são o meio ideal para confundir a opinião pública, criando uma realidade paralela na qual a gritante falta de traquejo do presidente para o exercício de tão importante cargo seja convertida em qualidade de “homem simples”. Nesse mundo bolsonarista, a falta de um programa claro de governo, em que haja firme compromisso com o progresso consistente e sadio do País, é compensada pela espetacularização das decisões do presidente e de seus ministros. Foi com esse espírito demagógico, por exemplo, que Bolsonaro anunciou recentemente nas redes sociais uma devassa no Ministério da Educação. “Daremos início à Lava Jato da Educação!”, exclamou o presidente no Twitter, para compreensível delírio dos bolsonaristas mais animados, que acham que todos os problemas do País se resumem à corrupção.
A ninguém, contudo, é dado o direito de surpreender-se. Em 1999, este jornal publicou uma entrevista com Bolsonaro na qual o então deputado federal declarou sua admiração por Hugo Chávez, então recém-eleito presidente da Venezuela, dizendo que “gostaria muito que sua filosofia chegasse ao Brasil”. Chávez conquistara o poder denunciando a hegemonia das oligarquias políticas, a degradação dos partidos, a corrupção desenfreada e a falência das instituições – e sobre essas bases ideológicas construiu uma ditadura populista tão sólida que sobreviveu a ele.
Não se pretende, com esse paralelo, sugerir que Bolsonaro possa reencarnar Chávez, mas é importante observar que o presidente brasileiro se elegeu com um discurso semelhante ao do falecido caudilho venezuelano e apresenta a mesma preocupante falta de compromisso com as liberdades democráticas. Seu histórico de defesa da ditadura militar e de supressão de direitos em nome de uma certa “ordem” fala por si, mas é preciso acrescentar ainda o fato de que Bolsonaro pretende resumir seu governo a uma luta do “bem” contra o “mal” – situação que inviabiliza a democracia. Foi assim que, recentemente – pelo Twitter, é claro –, Bolsonaro avisou que haverá “dificuldade” para “tentar consertar tudo isso”, pois “o sistema não desistirá”. Esse “sistema”, presume-se, engloba todos aqueles que discordam de Bolsonaro.
Assim, contando ainda com formidável concentração de poder político, econômico e cultural, resultado de uma vitória eleitoral acachapante e da ausência de uma oposição digna do nome, Bolsonaro e seu entorno parecem ter decidido acelerar sua marcha populista – receita certa para o desastre.

Autor: Notas & Informações, O Estado de São Paulo.

A queda do alpinista!

Gustavo Bebianno não tem passado, perdeu o presente e o único futuro, se houver, é de homem-bomba da República. 
Brasília é o Monte Everest da política. Muitos chegam ao acampamento base, a uma altitude de 5.364 metros.  Não deixa de ser um feito.  Alcançar os 8.848 metros do cume é coisa para “fora de série”.  Só os “super-humanos” conseguem manter-se no topo por muito tempo.
Gustavo Bebianno não tem passado, perdeu o presente e o único futuro, se houver, é de homem-bomba da República. Chegou perto do pico graças ao seu faro de empreendedor. Viu um iaque selvagem subindo a montanha sozinho e resolveu apostar no animal. 
Circula na capital federal que o ex-ministro foi o responsável por reunir 15 milhões de argumentos para convencer Luciano Bivar a “emprestar” o PSL para o Capitão. Seu lugar no Palácio do Planalto cumpriria a suposta missão de monitorar o “payback” da empreitada.
Bolsonaro já vinha revelando aos mais próximos três preocupações: a inabilidade política de Paulo Guedes, a fúria indomável de seus meninos e a “verve empreendedora” de Bebianno.
Guedes se adaptou rápido a altitude estabelecendo uma parceria com Rodrigo Maia. O filho Carlos parecia um problema insolúvel. Até a Folha de SP revelar os laranjas do PSL.
A queda de Bebianno pode resolver dois problemas do governo. Primeiro, retira da “Capela Sistina” um habitante devoto do Exu Caveira, a entidade das coisas materiais. É difícil construir governos imunes aos “adoradores da carne”. Mas dentro do Vaticano, não dá.
Em segundo lugar, o episódio enche de argumentos os que querem ver os filhos afastados.
Ao expor seu ministro, o presidente atirou no próprio pé. Ao ameaçar publicamente o Capitão, Bebianno deixou o presidente sem opção. Pior do que ser injusto é demonstrar fraqueza.
Se olhasse para história recente, o presidente teria refletido antes desta trapalhada. Dilma Roussef se pautava pela imprensa. Uma simples nota numa revista era suficiente para ela pegar o telefone e cobrar explicações de seus ministros.
É a típica ilusão-classe média da mídia como expressão da “sacro santa” opinião pública. Bolsonaro parece morder a mesma isca da petista. A Folha não atirou em Bebianno. O alvo dela é o presidente, corroer sua autoridade e governabilidade.
Existem duas maneiras de enfrentar situações como essa. A mais fácil é jogar o auxiliar aos leões. Resistir aos ataques pode sempre cobrar um preço de popularidade no curto prazo. No longo prazo, sinaliza para o exército que o general é fiel à tropa e vai com ela para a guerra.
Dilma escolheu o primeiro caminho. A cada nova denúncia defenestrava seus auxiliares no Jornal Nacional. Parecia dar certo. Atingiu uma popularidade impressionante. Para o povão era a “mulher do Lula”, para a classe média, a “faxineira implacável”.  Uma soma imbatível.
Acabou isolada. Brasília virou um mar de ressentimento e desconfiança. Quando Cunha abriu o processo de impeachment o destino da presidenta já estava traçado.
A novela da demissão deixará marcas. O sinal de instabilidade e desequilíbrio deixará o Congresso ressabiado. O custo da reforma da previdência pode ter subido.
A oposição vai comemorar a queda, mas é bom não perder o foco. Três pilares sustentam o governo: o grupo militar da dupla Heleno-Mourão, o núcleo econômico de Paulo Guedes e a aliança Moro-Globo.
Tirando alguns técnicos qualificados e um ou outro político experiente que ocupa posição em função de acordos pontuais, todos os outros são coadjuvantes. Estão ali para distrair a plateia enquanto o jogo principal do momento – a reforma da previdência – é jogado.
Bebianno era um destes. Chegou a ocupar um pequeno espaço em função do temperamento de Onyx. Exonerado, pode soltar a bomba que quiser. Se a reforma for aprovada voltará para a planície e será o que sempre foi: ninguém.

Autor: Ricardo Cappelli