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6 de outubro de 2020

Vacina para o coronaZap!

O artigo Zaptiqueta do escritor e roteirista genial Antonio Prata, publicado na Folha de S. Paulo, em 19 novembro de 2019, trouxe a necessidade de editar um Manual de Etiqueta do envio e recebimento de mensagens no WhatsApp e já precisa de uma versão 2.0, em quase oito meses de pandemia de covid-19, que obrigou geral a sair do casulo do escritório e trabalhar em casa.

Segundo Pesquisa Gestão de Pessoas na Crise covid-19, elaborada pela Fundação Instituto de Administração (FIA), publicada em julho deste ano, a estratégia do trabalho em casa foi adotada por 46% das empresas durante a crise na saúde pública. O estudo coletou dados de 139 empresas brasileiras em três níveis: pequenas, médias e grandes.

Recentemente, a Revista Você/SA divulgou outro estudo interessante sobre os impactos da pandemia nas empresas, na matéria "Covid-19: gestão de pessoas estratégica e transformadora faz a diferença". A revista repercutiu o estudo da Mercer, consultoria que atua nas áreas de recursos humanos, previdência, saúde, benefícios e investimentos, que ouviu mais de 130 empresas e mostrou que a covid-19 se tornou a grande aceleradora das mudanças: 72% dos entrevistados dizem que o novo coronavírus foi a razão efetiva para adotar transformações na companhia e, para 40% dos executivos, as empresas foram altamente provocadas a adotar a transformação digital por conta da crise.

Voltando ao estudo publicado pela FIA, 67% das companhias ouvidas relataram dificuldades em implantar o sistema de home office, e a familiaridade com as ferramentas de comunicação foi apontada como obstáculo por 34% das empresas, assim como o comportamento dos funcionários ao acessarem os ambientes virtuais (34%).

Mas, e agora? Em quase oito meses de trabalho em casa, o “novo normal”, clichê do momento, parece estar menos assustador e já demonstra que veio para ficar. E para fazer um pequeno comentário dessa nova fase marcada pelo uso expressivo das redes sociais na labuta diária, recorro-me ao velho bordão de um dos programas jornalísticos mais antigos da TV brasileira, o Globo Repórter, com o “Como vivem? Do que se alimentam?”, com a seguinte adaptação: como estamos nos comportando no WhatsApp no trabalho?

Para responder a essas perguntas, o mais indicado é voltar uma casa, digo, ao primeiro parágrafo deste artigo, retomando o gênio Antonio Prata (ah, o que uma solitária leitora-fã é capaz de fazer). Ele cita, dentre os conflitos provocados pela ferramenta de comunicação: mensagens de voz intermináveis, mas justificáveis, especialmente se o assunto for rápido; áudios longos, nada de gravar podcasts; a inclusão em diversos grupos de trabalho da firma, sem pedir a permissão no privado da vítima; os “oi” solitários, sem respostas etc. Ao final, o autor defende lindamente a urgente necessidade de editar o Manual de Etiqueta do app, desde que não se crie um grupo para isso. Bravo!

Após breve reflexão sobre o comportamento de usuários na ferramenta que, aliás, também se tornou minha grande aliada, especialmente quando se trabalha em um federação, com um chefe em cada canto deste país continental, tomo a liberdade de acrescentar alguns itens à lista do Prata: sair de grupo sem avisar e sumir da conversa, enviar textões,  falar de alguém no grupo como se a pessoa não estivesse lá (oi?),  deixar de responder ou finalizar as conversas (evite o ghosting), enviar mensagens para a mesma pessoa com o mesmo assunto em várias plataformas, mensagens de trabalho fora de hora e nos finais de semana, são alguns dos acréscimos.

Também procure não ficar ansioso(a) por resposta: se não tiver sido respondido em tempo real, acalme-se, sua hora vai chegar! Figurinhas? melhor evitar para relações profissionais ou assuntos formais. E, agora, a pior de todas: compartilhar prints de conversas, privadas ou em grupo, assim como mensagens de texto e áudio de terceiros. Esta última merece o cartão vermelho da etiqueta social. Um horror!

Assim, seguindo essas regrinhas de etiqueta básica de convívio virtual, quando a pandemia terminar estaremos vacinados contra a covid-19 e o uso irracional de WhatsApp. Assim esperamos.

Autora: Francisca Azevedo é jornalista, assessora de imprensa, especialista em Gestão da Comunicação nas Organizações, já compartilhou print de conversas no WhatsApp, mas se arrepende.  

3 de outubro de 2020

A corrupção cria um novo genocídio no Brasil!

 Os abutres estão se aproveitando da dor da pandemia para engordar suas barrigas. Quantas vidas poderiam ter sido salvas com esse dinheiro?

Instalação da ONG Rio de Paz na praia de Copacabana em memória aos mortos por coronavírus no Brasil, agosto de 2020. Ricardo Moraes - Reuters

Não é só o coronavírus que está criando um genocídio no Brasil, pecado do qual o próprio chefe de Estado, Jair Bolsonaro, é acusado por seu comportamento negacionista diante da epidemia. Outro genocídio não menos importante é o da corrupção que infestou todas as instituições do Estado, da política à Justiça, começando pelas próprias igrejas.

Os abutres estão se aproveitando da dor da pandemia para engordar suas barrigas. Quantas vidas poderiam ter sido salvas com esse dinheiro? A corrupção cria morte e dor como um vírus da alma. Quem se apropria do dinheiro público dedicado a criar vida é um genocida.

Dias atrás vi se encherem de lágrimas os olhos de uma mãe de duas meninas, desempregada, ao receber uma cesta básica. E veio aos meus olhos, como um pesadelo dantesco, a fila de políticos, empresários, juízes e até religiosos em uma dança de morte de milhões roubados dos pobres.

Ao mesmo tempo, com dor, vejo aflorarem os pecados dos maiores responsáveis pela Lava Jato chamados a exigir justiça. Vejo a dança de alegria dos corruptos diante do colapso da cruzada contra a corrupção e não sei qual crime é pior.

A verdade é que os pecados daqueles que foram aclamados por terem tido a coragem de desafiar os corruptos poderosos não podem servir de detergente para limpar a sujeira dos corruptos.

É preciso dizê-lo em voz alta: a corrupção que move milhões e até bilhões em um país onde correm rios de dor de milhões de pobres que sofrem porque não podem alimentar seus filhos deve ser punida como assassinato e genocídio.

E são sempre os mesmos, na pandemia e na corrupção, os que mais sofrem e morrem: os negros e afrodescendentes herdeiros da escravidão; os que cresceram sem uma educação que os preparasse para a vida, os indígenas cada vez mais massacrados, os idosos e os doentes incapazes de sobreviver por conta própria.

Durante a pandemia, dois demônios se juntaram no Brasil para criar morte e dor, o do vírus e o da corrupção nascida no próprio coração da tragédia. Um trabalhador que recebe salário mínimo me perguntou: como podem ter alma aqueles que roubam até o dinheiro destinado a salvar vidas? Fiquei me perguntando como podem dormir tranquilos.

E não apenas não parecem ter remorso, mas dançam felizes vendo desabar alguns dos pilares da luta contra a corrupção. Na verdade, observar hoje o regozijo de alguns políticos sobre os quais recai até uma dúzia de processos de corrupção e que continuam em liberdade por sua cumplicidade com magistrados e procuradores ou por suas chantagens a eles é algo que não deixa de causar indignação e repulsa.

Este Brasil que a corrupção está corroendo não é aquele com que os brasileiros sonharam e pelo qual se empenharam e lutaram —um país onde ninguém passasse necessidade, pois é atravessado por rios de riquezas naturais. E que, além disso, tem um povo criativo e capaz, se o deixarem de produzir riquezas para que todos possam ter o que precisam sem ter de ver a fome aflorar nos olhos de seus filhos.

Sou exagerado? Não. Ainda fico aquém porque nem eu nem a maioria dos meus leitores conhecemos por dentro as entranhas dos dramas da pobreza e até da miséria de milhões de pessoas expostas ao mesmo tempo à violência cruzada do crime organizado e da ausência do Estado.

E enquanto isso, onde estão as vozes dos justos que não ouvimos seus gritos de condenação a tanto genocídio? Onde está aquele punhado de políticos e líderes decentes e não corruptos que não levantam a voz? Onde estão aqueles que foram escolhidos para fazer justiça e defender os mais fracos e que vivem de mãos dadas com os outros poderosos, defendendo mutuamente seus privilégios?

Às vezes me vêm à memória as vozes do Deus da Bíblia quando, na cidade corrupta de Sodoma e Gomorra, não encontrava um único justo capaz de salvar os demais. Ou me lembra o lamento daquele profeta dos descartados e abandonados à própria sorte quando dizia: “Tenho compaixão por eles porque são como ovelhas sem pastor”. Onde estão no Brasil os pastores, os governantes, os políticos, os juízes e até os religiosos capazes de proteger os mais expostos sempre à patada dos lobos?

Se os pecados da Lava Jato não redimem os corruptos, tampouco uma vitória nas urnas autoriza a tirania e a perseguição aos diferentes e mais expostos a serem escravizados. A classe brasileira que está em boa situação, a que nunca passou necessidades e pôde até dar caprichos aos seus filhos, os políticos e juízes corruptos, nunca compreenderá a imensidão da dor acumulada no coração dos que trabalham e não conseguem nem uma vida digna.

É triste para o Brasil, como país, se distinguir por ser um dos países mais corruptos do mundo ao mesmo tempo em que é um dos povos mais religiosos do planeta.

Os evangelhos cristãos dizem que o demônio, para tentar Jesus, o levou ao alto da cidade e, mostrando-lhe todos os reinos a seus pés, lhe disse: “Tudo isso te darei se, prostrando-te, me adorares”; o Brasil aparece hoje rendido à tentação dos demônios da corrupção diante dos quais todas as instituições parecem de joelhos.

E o pior e o mais sarcástico é que este é um país que chegou a ser invejado de fora porque se dizia que “Deus era brasileiro”. Será que voltará a ser algum dia? Recursos não faltam. O que falta é decência aos responsáveis pelo seu destino.

Autor:  Juan Arias

2 de outubro de 2020

O Brasil é o país que mais preserva suas florestas no mundo?

 NÃO, o Brasil é o país que mais desmata florestas tropicais!

Foto Pixabay

O presidente Jair Bolsonaro já repetiu pelo menos 15 vezes desde o início de seu mandato que “o Brasil é o país que mais preserva suas florestas no mundo”.

A afirmação é falsa. Segundo dados da ONU reunidos pelo Banco Mundial, há 29 países com proporção de cobertura florestal maior que a do Brasil – mesmo em termos absolutos, o país com maior extensão do território coberta por florestas é a Rússia, e não o Brasil, como mostramos aqui.

Segundo relatório de 2020 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), florestas cobrem quase um terço (30,8%) da área terrestre do planeta e mais da metade delas estão em cinco países: Rússia (20,1% das florestas do mundo), Brasil (12,2%), Canadá (8,5%), EUA (7,6%) e China (5,4%).

Outro critério é o de áreas protegidas. O Brasil é o 34° em proporção de áreas protegidas, segundo dados do Programa da ONU para Meio Ambiente. Em termos absolutos, o país tem a maior extensão de terras públicas protegidas legalmente, mas essas áreas não estão sendo preservadas: sob Bolsonaro, o desmatamento aumentou 40% em unidades de conservação e 80% em terras indígenas.

Em 2019, o Brasil foi o país que mais desmatou florestas primárias no mundo: concentrou mais de um terço de toda a perda de florestas tropicais úmidas, segundo dados da Global Forest Watch.

O argumento de Bolsonaro, repetido por ministros e pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que coordena o Conselho da Amazônia, é baseado em números divulgados pelo chefe da Embrapa Territorial, o agrônomo Evaristo de Miranda.

Em suas apresentações, Miranda afirma que o Brasil tem tanta área protegida (29% do território) que ficou sem espaço para a agropecuária, o que é falso. Ele usa um dado correto, de que o país mantém 66% do território coberto com vegetação, para afirmar que o Brasil é o que mais preserva. No entanto, análise do Mapbiomas mostra que pelo menos 9% dessa vegetação é secundária – ou seja, são áreas que já foram desmatadas e voltaram a crescer. Não estão, portanto, protegidas nem preservadas.

Pesquisadores já rebateram o que classificam de “estatística criativa” usada por Miranda para chegar ao que ele chama de taxa de vegetação “protegida e preservada”.

As conclusões da Embrapa Territorial sobre a preservação da flora brasileira em propriedades rurais também foram questionadas no estudo “Os dados confirmam que Brasil lidera o mundo em preservação ambiental?”, publicado em junho de 2019 na revista Environmental Conservation, da Cambridge University Press.

Ao afirmar falsamente que o Brasil é o que mais preserva, Bolsonaro acusa países europeus. “Não preservaram nada”, afirmou em julho. No entanto, análise divulgada pelo Fórum Econômico Mundial mostra que entre 1990 e 2015 a Europa ganhou 90 mil quilômetros quadrados de cobertura florestal, o equivalente a um Portugal. No mesmo período, o Brasil perdeu, apenas na Amazônia, mais de 370 mil quilômetros quadrados, ou quatro Portugais.

A cobertura florestal na União Europeia chega hoje a 42% do território. Três países europeus, a Suécia (69%), a Finlândia (73%) e a Eslovênia (62%), têm mais florestas que o Brasil (59%) como proporção do território.

Em 1975, o desmatamento acumulado na Amazônia era de 27 mil quilômetros quadrados, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em apenas 45 anos chegamos a 800 mil quilômetros quadrados, o equivalente às áreas somadas de Espanha e Itália. Foi apenas em 1988 que o Brasil criou uma política nacional de preservação da Amazônia e somente neste século que conseguiu reduzir a velocidade do desmatamento (a partir de 2004). Esse esforço perdeu eficiência a partir de 2012, quando o desmatamento voltou a acelerar, e foi cancelado em 2019, quando o presidente Jair Bolsonaro engavetou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm) e o desmate cresceu 34%, a maior alta em onze anos.

Cheque você mesmo:

Aos Fatos

FAO: State of forests

Estadão

Jornal Nacional

Global Forest Watch

Palestra Evaristo de Miranda

Mapbiomas

WWF

Environmental Conservation: ​Do Data Support Claims That Brazil Leads the World in Environmental Preservation?

UOL

World Economic Forum

Raoni Rajão/UFMG

Our World in Data

Inpe

Inpe

Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia

Foto divulgação - Neo Mondo

Autor: Neo Mondo

1 de outubro de 2020

Tratado sobre Bauru!

 Nascida em 1896, no início do século XX Bauru começou a ganhar infraestrutura e viu sua população crescer com a chegada da ferrovia e, mais tarde, das rodovias. O café ganhou força no município no início do século, porém se desvalorizou e aos poucos cedeu lugar ao processo de industrialização, sendo que, esta foi a principal responsável pela urbanização do município. E foi justamente as margens da ferrovia que graças ao entroncamento ferroviário que proporcionou o desenvolvimento econômico e o crescimento da cidade que se tornaria “A cidade sem limites”.

Difícil entender que uma cidade com este início pujante na década de ’80, tenha sido cogitada para ser a nova Capital do Estado, tenha chegado a esse ponto em pleno Século XXI, sem um parque industrial moderno, sem desenvolvimento, sem as ferrovias, sem uma agricultura forte e dinâmica e resistindo ainda graças ao comércio e ao setor de serviços.

Nos últimos trinta anos a cidade vem patinando, escorregando para trás em movimentos circulares, mas sem capacidade de se reerguer, como se estivesse sendo sugada por um grande ímã embaixo de seus limites. A cidade de Bauru parece estar presa a uma armadilha de um interminável show circense do “Globo da Morte”, no qual os atores (políticos e empresários), cada vez mais exaustos, voltam à cena para mais um giro, numa dança tediosa e imutável.

Foi se o tempo das grandes conquistas, como a construção de Hospitais, Campus da Unesp e duplicação da Rodovia Mal. Rondon. Hoje um mero e simples prolongamento de avenida é motivo de festa por parte dos políticos e de pequena parcela da sociedade.

O déficit habitacional gira em torno de 25 mil residências, o que não é pouco numa cidade que possui uma autarquia (Cohab) que não constrói nada há décadas e tem uma dívida milionária em litígio, além de ter sido palco recente de uma operação (João de Barro) do GAECO que descobriu fraudes milionárias da ordem de R$ 57 milhões desviados pelo seu ex-presidente em conluio com gente que ainda permanece protegida pelo segredo de justiça. O prejuízo da cidade foi gigante, sem limites, tanto financeiramente como moralmente.

A rede de distribuição de água feita pela autarquia do DAE depende do Rio Batalha e é realizado numa Estação de Tratamento antiga, quase obsoleta. Os períodos de estiagem cada vez maiores fazem 40% da população de 386 mil habitantes terem calafrios. A mesma autarquia cabe a coleta de esgotos da cidade que recebeu a fundo perdido R$ 129 milhões para a construção de uma Usina de Tratamento de Esgotos em 2015, cinco anos depois, ainda não foi concluída. Essa situação além de manter o esgoto de toda cidade sendo jogado no Rio Tietê, afasta investimentos e contribui para a manutenção da cidade com IDH baixo.

A saúde que depende do Hospital Regional (Estadual) atende pacientes de diversas cidades da região, vivendo um drama sem fim, com o déficit de leitos hospitalares e de UTIs que o Estado não revolve há muitos anos. Realizar um exame de qualquer especialidade é sinônimo de espera de ao menos dois anos para os pacientes do SUS. O governo do Estado nada faz além de contribuir com o caos, pois fechou em 2017 o Hospital Manoel de Abreu para uma suposta reforma, algo que decorridos três anos ainda não aconteceu.

A cidade não possui rede informatizada para os serviços de saúde, medicamentos e afins. Tudo funciona sem que haja controle que possibilitem aos servidores, médicos e usuários terem respostas rápidas para suas necessidades. Pensar num APP que facilite a marcação de consultas e a busca por remédios nem em sonho.

O asfalto que já foi utilizado em campanhas eleitorais pelo atual prefeito e seus antecessores, nunca chega aos bairros mais distantes. As grandes avenidas que cortam o município com fluxo intenso de veículo, ônibus e caminhões, estão sempre aguardando manutenção, duplicação e iluminação decente. Por falar em iluminação, a cidade é uma das mais mal iluminadas do Estado. A CPFL que já foi uma estatal, depois de privatizada abandonou a iluminação pública. As lâmpadas antigas não servem para iluminar nem a casa da dinda ou da luz vermelha como eram chamadas antigamente. Nem prefeitura, nem CPFL, respondem do porquê dessa situação vergonhosa que coloca em risco a vida dos munícipes, que pagam impostos em dia.

De 1990 até hoje a cidade teve por conta das reeleições apenas oito prefeitos eleitos:

01/01/1989 a 31/12/1992 - Antônio Izzo Filho.

01/01/1993 a 31/12/1996 - Antônio Tidei de Lima.

01/01/1997 a 27/08/1998 - Antônio Izzo Filho – (Cassado).

27/08/1998 a 02/12/1998 - Assumiu o Vice Nilson Costa.

02/12/1998 a 03/02/1999 - Antônio Izzo Filho reassume mediante liminar. Em seguida, cai a liminar e ele é preso.

03/02/99 a 31/12/2000 - Nilson Costa reassume mediante liminar.

01/01/2001 a 20/09/2003 - Nilson Costa – (Cassado pela da Justiça)

20/09/2003 a 13/10/2003 - Assume o vice Dudu Ranieri.

13/10/2003 a 31/12/2004 - Nilson Costa reassume mediante liminar.

01/01/2005 a 31/12/2008 - Tuga Angerami.

01/01/2009 a 31/12/2016 - Rodrigo Agostinho.

01/01/2017 a 31/12/2020 - Clodoaldo Gazzeta.

01/01/2019 a 31/12/2024 - Suellen Rosim

 A turbulência é notória na vida pública da cidade, com cassações, retornos, liminares e prisão de prefeito. Isso tudo influencia se somarmos ao fato de que neste período a cidade andou para trás. A administração pública se comportou como se estivesse num atoleiro ou num campo de areia movediça. O poder é concentrado nas mãos de poucos empresários, assim como os donos da riqueza. Poucas famílias detêm mais de 90% do PIB da cidade, que sofre com a desigualdade social e com o fato de que esta elite não permite o desenvolvimento da cidade. Colaboram com a fuga das grandes empresas e impedem que novos negócios se abram na cidade. Uma das teses muito ventiladas na cidade é de que os empresários locais não querem grandes indústrias com medo de que os salários pagos por estas entrem em choque com a miséria que destinam aos seus colaboradores. Essa elite se comporta como se fossem os “kennedys’ de Bauru, um patriarcado que pensa exclusivamente em seus umbigos, em seus negócios e nada mais. São extremamente conservadores no que tange à política e aos seus negócios. Isso prejudica e retira da cidade a possibilidade de nos transformarmos numa grande São José do Rio Preto, numa Maringá ou qualquer outra cidade progressista.

A população precisa acordar, não apenas votando com seriedade, mas sim, cobrando resultados efetivamente a gestão inteira, por mudanças, por promessas de campanha e pelo cumprimento exato daquilo que foi proposto no caderno de realizações de cada candidato eleito na cidade. É preciso pôr fim aos cargos de confiança que geram despesas, injustiças e dependência política, visto que vereadores indicam seus afilhados aos cargos e depois ficam nas mãos do prefeito.

É preciso cobrar a reestruturação das autarquias, com o fechamento da Cohab em definitivo. Da modernização da Emdurb que trata de assuntos por demais importantes na cidade e nada faz para administrá-los com zelo e eficiência, como, por exemplo, o Tratamento do Lixo. O DAE, que presta serviço caro, ineficiente e precisa ter de uma vez por todas uma discussão sobre seu destino – Modernizar a autarquia ou privatizá-la?

Cabe ao povo pressionar e exigir dessa gente, pois se forem esperar que eles o façam, teremos apenas despesas, prejuízos e insatisfação. A cidade e os recursos são do povo, cabe ao povo então fiscalizar, cobrar e exigir.

Autor: Rafael Moia Filho: Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

A possível volta da CPMF disfarçada com outro nome!

Na campanha em 2018 do atual presidente não constava aumento de impostos, muito menos a volta da CPMF. Ou seja, caso venha a tentar implantá-la estará configurada uma mentira, estelionato eleitoral e principalmente desrespeito ao eleitor e a sociedade.

Perguntado desde a sua posse sobre esta possibilidade, Bolsonaro sempre a negou veementemente. Isso deixa translúcido que neste país não se pode confiar em hipótese alguma em políticos, que de manhã são contra, à tarde a favor e a noite se abstém.

Como surgiu e o que é a CPMF? A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) substituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), que havia sido criado em 13 de julho de 1993, durante o governo de Itamar Franco, cujo ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso com uma alíquota de 0,25% sobre quaisquer movimentações financeiras.

Em 1996, como resultado das discussões sobre criação de receita para financiamento da Saúde, o governo FHC – PSDB instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), com as mesmas características do IPMF e reduziu a alíquota para 0,20%. No mesmo governo FHC, a alíquota foi elevada a 0,38% no ano de 2000.

Desde 1994, o imposto rendeu ao governo um total de R$ 258 bilhões – em valores atualizados. Dos 0,38% cobrados no imposto, 0,20% foram para a Saúde, 0,10% para a Previdência e 0,08% para o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza.

Ou seja, para o setor da Saúde, o motivo alardeado para a criação do imposto, o governo destinava apenas pouco mais de metade do que arrecadava. A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi uma cobrança que incidiu sobre todas as movimentações bancárias — exceto nas negociações de ações na Bolsa, saques de aposentadorias, seguro-desemprego, salários e transferências entre contas correntes de mesma titularidade — e vigorou no Brasil por 11 anos.

A primeira experiência com esse tipo de contribuição foi feita com o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), aplicado apenas no ano de 1994. Em 1996, o governo voltou a discutir a possibilidade de instituir novamente uma cobrança sobre movimentação financeira, com o objetivo de direcionar a arrecadação desse tributo para a área da saúde. No ano seguinte, começou a ser cobrada a CPMF.

No final de 2000, o governo decidiu permitir o cruzamento de informações bancárias com as declarações de Imposto de Renda dos contribuintes, de modo a poder identificar discordâncias entre valores declarados à Receita Federal e a movimentação de dinheiro em bancos e possíveis fraudes. A contribuição foi prorrogada diversas vezes. Em outubro de 2007, a Câmara aprovou proposta que estendia a cobrança da CPMF até 2011, mas a iniciativa foi derrotada no Senado dois meses depois.

Apesar de ter sido criada para financiar a saúde, não havia essa obrigação na lei, acabou sendo usada para financiar outros setores. O desvio de parte dos recursos da CPMF ocorre devido à Desvinculação de Receitas da União, a chamada DRU. Trata-se de um mecanismo que permite ao governo realocar 20% do Orçamento (com exceção do Fundo de Combate à Pobreza), conforme sua conveniência.

Agora em 2020, surge Paulo Guedes um incipiente ministro da economia, sem projeto e sem conteúdo, querendo reimplantar a CPMF. O imposto será batizado como Imposto sobre Transações Eletrônicas, e a desculpa dessa vez é a “desoneração” da folha de pagamento das empresas. Uma mentira, uma fraude, um desrespeito ao cidadão brasileiro que já possui uma carga tributária obscena enquanto o andar de cima sonega impostos sem serem incomodados pela Receita Federal.

          Um governo que cogita isentar os templos religiosos do pagamento de mais de R$ 1 bilhão, quer que o povo pague por uma suposta ajuda aos empresários?

Autor: Rafael Moia Filho: Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Uma conta impossível de bater e matematicamente Insustentável❗️

O povo brasileiro sustenta com seus impostos ultrajantes uma estrutura de políticos sem precedentes no mundo em que vivemos. O custo dessa classe extrapola qualquer análise salarial que se faça em comparação com o mercado de trabalho. Sem contar que possuem benefícios que o cidadão comum nem sonha e jamais terá em sua vida profissional.

E o retorno que eles dão a sociedade beira a zero em todas as camadas dessa categoria privilegiada de marajás que a nossa democracia “impõe” a sociedade brasileira.

São os seguintes os membros dessa casta de marajás:

1 Presidente da República - 1 Vice-presidente da República

1 Presidente Câmara federal - 1 Presidente Senado Federal 

81 Senadores e 513 Deputados federais

27 Governadores - 27 Vice-governadores

27 Câmaras estaduais e 1.049 Deputados estaduais

5.568 Prefeitos - 5.568 Vice-prefeitos

5.568 Câmaras municipais - 57.931 Vereadores

Total: 70.794 políticos (não estamos falando de nenhum partido de forma específica). E ainda temos os famosos “aspones”:

12.825 - Assessores parlamentares Câmara Federal (sem concurso)

  4.455 - Assessores parlamentares Senado (sem concurso)

27.000 – Assessores parlamentares Assembleias Estaduais (sem concurso – estimado/por falta de transparência)

600.000 – Assessores parlamentares Câmaras Municipais (sem concurso – estimado/por falta de transparência).

Total Geral:  715.074 funcionários não concursados.

Gasto aproximado: R$ 248 mil por minuto; R$ 14,9 milhões por hora; R$ 357,5 milhões por dia; R$ 10,7 bilhões por mês;

Gasto Total: Acima de 128 Bilhões por ano + 6 Bilhões do Fundo Partidário. 

Além disso, devemos computar o rombo na previdência social com suas aposentadorias alienígenas. São ao todo 35 Partidos registrados no TSE + 73 partidos em formação. E o pior, mas muito pior é ter com todo esse gasto uma governança zero!

A redução dessa máquina improdutiva deveria começar com um corte radical na quantidade de vereadores nos 5.570 municípios do país. Aproveitando para cortar 50% dos cargos comissionados a eles ligados.

Depois uma redução de 513 deputados federais para 256 com o respectivo corte de assessores e demais cargos comissionados na mesma proporção. Diminuir de 81 para 54 senadores. Por fim, efetuar o mesmo corte nas assembleias estaduais passando dos atuais 1.049 deputados estaduais para algo em torno de 550.

As perguntas cabíveis diante dessa situação são as seguintes:

- Como é que nós deixamos chegar a esse ponto?

- E até quando?

#Reformapolíticajá

Autor: Rafael Moia Filho: Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Fonte: Texto publicado na internet de autoria desconhecida.