O Brasil ainda é um país com maioria católica, com quase 57% de seus habitantes se declarando católicos apostólicos romanos. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro, diz que pretende transformar o Brasil em país de Jesus, com isso, indica tacitamente que haverá mudança e que Nossa Senhora Aparecida não será mais considerada Padroeira do Brasil a partir de sua posse.
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Religião / condição |
Percentual |
Aproximadamente |
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Católica apostólica romana |
56,7% |
100,2 milhões |
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Evangélicas |
26,9% |
47,4 milhões |
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Sem religião |
9,3% |
16,4 milhões |
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Outras religiosidades |
4,0% |
7,1 milhões |
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Espírita |
1,8% |
3,3 milhões |
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Umbanda e Candomblé |
1,0% |
1,8 milhão |
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Tradições indígenas |
0,1% |
cerca de 190 mil |
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Não sabe/sem declaração |
0,2% |
cerca de 295 mil |
Fonte: IBGE, Censo 2022.
Embora bolsonaristas covardemente estejam desmentindo o que disseram e o que fizeram, fato é que, o ex-deputado federal Victório Galli, autor de um projeto de lei que propunha retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, integrou o governo de Jair Bolsonaro como assessor especial da Presidência da República. A informação voltou ao debate em meio à repercussão de publicações que associaram a proposta ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O texto propunha alterar a Lei 6.802/1980, responsável por estabelecer o feriado nacional de 12 de outubro, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A proposta também previa mudar a referência a “culto público e oficial” para “homenagem oficial”.
O argumento apresentado por Galli era de que, por ser um Estado laico, o Brasil não deveria ter uma padroeira oficial. O projeto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e acabou arquivado em agosto de 2008.
Agora, em plena campanha eleitoral, Flávio querendo ou necessitando desesperadamente manter o curral volta ao assunto. O mesmo Flávio que não disse uma só palavra sobre como seu governo iria ajudar aos mais necessitados, quais obras estariam em seu plano de governo. Limitou-se a dizer que faria tudo que seu pai fez e copiaria o que Milei está fazendo na destruição da economia e do povo argentino.
Portanto, a última coisa com que o candidato de extrema direita deveria se preocupar é com questões religiosas. Afinal de contas mexer com a fé das pessoas não é algo produtivo e inteligente. De um candidato à presidência os eleitores esperam propostas para saberem qual será o rumo do país caso ele vença nas urnas.
Pensar em jogar os católicos e demais religiões contra os evangélicos é falta de caráter, sensibilidade religiosa e inteligência de Flávio Bolsonaro. Seu pai liberou armas que nos anos seguintes ainda matam milhares de pessoas inocentes. Atrelar isso a uma guerra religiosa é querer transformar o estado laico num Evangelistão ou Bolsonistão.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.






