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1 de novembro de 2026

Estão esquecendo daquilo que é inerente aos cargos no Congresso!

 

A oposição ao governo Lula conseguiu nas urnas aumentar suas bancadas na Câmara e no Senado para a legislatura que começa em 2027. Os analistas correm para fazer conjecturas sobre a relação entre o presidente Lula em seu quarto mandato e o novo Congresso Nacional.

A base política de Lula, a princípio, poderá ter em torno de 163 deputados, dependendo das negociações e coligações. A oposição teria cerca de 350 deputados.

O que precisa ser ressaltado e ficar bem claro para a sociedade brasileira é que o papel dos deputados é representar a sociedade brasileira, atender aos pleitos dos seus estados e municípios, além de fiscalizar o poder público. Não está no rol das atribuições dos deputados disseminar fake news, recusar o diálogo com o Poder Executivo nem tampouco votar contra propostas que venham a favorecer a sociedade brasileira.

Neste sentido, é vital que os eleitores façam o seu papel de fiscalizar a atuação dos deputados de seu estado. O voto na eleição é apenas uma pequena parte do processo de participação política do cidadão. Não podendo os brasileiros ficarem quatro anos esperando uma nova eleição para então imaginar que estão participando do processo político nacional.

Ninguém dá cheque em branco nem senha de cartão para deputados. É preciso acompanhar, cobrar e fiscalizar o trabalho realizado pelos que foram eleitos em 2026 e vão cumprir seus mandatos entre 2027 e 2030.

Afinal de contas, os pais não olham o boletim ou as notas dos seus filhos na escola apenas ao final do ciclo (fundamental ou ensino médio). Com os políticos, tem de ser da mesma forma ou até com mais rigor, visto que a atuação destes envolve recursos preciosos que afetam nossas vidas no país.

Em meio a tantas coisas erradas, num país que raramente leva a sério suas leis, regras e regulamentos, fica sempre difícil falar sobre coisas importantes como a democracia, voto e participação política na vida pública do nosso enorme país tão desigual. Mas, obviamente, não podemos nos furtar a conversar, escrever e tentar levar a mensagem do que é certo ao maior número de pessoas possível. Temos obrigação de insistir naquilo que objetiva a melhoria, a consciência político-partidária e o crescimento do nosso povo enquanto agentes de transformação cotidiana.

Neste sentido, não podemos, por mais que tenhamos motivos e justificativas plausíveis, permanecer à margem da vida política nacional. Pois, por trás do cenário político-partidário, há uma grande massa de interessados no afastamento do cidadão das urnas, da participação política, da democracia incipiente do nosso país.

São aqueles que levam vantagens financeiras, usufruindo de cargos e de poder imensurável, aproveitando-se justamente do desinteresse da grande massa que, embora pagando pesados tributos, não cuida do seu quintal quando se trata de política, desde a sua cidade, passando pelo seu Estado, até chegar ao destino maior da nação, que é a presidência da república. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Membro da Academia Bauruense de Letras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O erro das pesquisas, por Luís Nassif

Lula - Vitória - foto de Paulo Pinto - Agência Brasil. 

As pesquisas procuravam medir a disposição de comparecer. Nas ruas e nas redes, essa disposição estava sendo transformada. O grande problema das pesquisas eleitorais — e, sobretudo, de sua interpretação — tem várias facetas.

A primeira é a tendência dos analistas, especialmente dos mais burocráticos, a interpretar o presente com base em disputas passadas. Tornou-se um exemplo clássico dessa miopia a previsão do cientista político Alberto Carlos Almeida, em 2018: assim que começasse o horário eleitoral gratuito, Geraldo Alckmin dispararia em direção ao segundo turno. O tempo de televisão não produziu o efeito esperado, e Alckmin terminou longe da disputa final.

A segunda é a dependência exclusiva dos levantamentos, sem atenção às mudanças de humor e aos movimentos de mobilização que podem ocorrer ao longo da campanha.

Tome-se o erro generalizado das pesquisas que apontavam Flávio Bolsonaro numericamente à frente no segundo turno, embora em situação de empate técnico. O resultado final mostrou Lula com uma vantagem de 3,52 pontos percentuais. 

O que aconteceu nesse intervalo? O que escapou aos levantamentos?

O Datafolha procurou estimar a propensão efetiva ao comparecimento, considerando fatores como a participação no primeiro turno e a distância até o local de votação. No levantamento de 24 de outubro, entre os eleitores classificados como de alta propensão a comparecer, Flávio tinha 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Entre aqueles com propensão média ou baixa, a relação se invertia: 52% para Lula e 48% para Flávio.

Estava aí uma variável decisiva: a capacidade de transformar intenção de voto em comparecimento às urnas. No mundo real, via-se um fenômeno extraordinário que mostrava o oposto: uma enorme mobilização espontânea de pessoas que haviam encarado a boca do dragão — a possibilidade de entregar a democracia brasileira a uma candidatura identificada com forças antidemocráticas.

As manifestações na Avenida Paulista e o movimento nos locais de votação revelavam duas forças. De um lado, um enorme contingente de jovens descobrindo a política. De outro, idosos que, mesmo de bengala, muletas ou cadeira de rodas, faziam questão de votar. Já se sabia que o resultado dependeria, em boa medida, da redução da abstenção. E ela caiu 9,1%, levando às urnas mais de 3 milhões de eleitores adicionais.

É verdade que houve o efeito Janones. Mas, antes dele, mesmo diante das restrições atribuídas à Meta, as redes sociais já estavam tomadas pelo ativismo de pessoas dos mais variados perfis. Uns tocavam músicas em defesa da democracia; outros sapateavam; os mais tímidos gravavam suas declarações de apoio. Sobre essa diversidade de manifestações pairava a força simbólica de Lula: um mito que, naquele momento, parecia alcançar uma dimensão maior do que a do próprio personagem.

Esse é o ponto que uma leitura burocrática das pesquisas não alcança. A disposição de votar não é uma característica imóvel do eleitor. Pode mudar com o medo, a esperança, a percepção de risco e o sentimento de responsabilidade coletiva. Quem ontem parecia pouco propenso a sair de casa pode decidir que seu voto se tornou indispensável.

O país renasceu nessa mobilização. De todos os cantos surgiram jovens dispostos a defender a democracia e idosos indignados com a ruptura dos padrões mínimos de civilidade, muitos deles com a memória dos horrores da ditadura.

As pesquisas procuravam medir a disposição de comparecer. Nas ruas e nas redes, essa disposição estava sendo transformada. 

Autor: Luis Nassif – Publicado no Site GGN - Notícias.

A queda nos mercados e o jogo do mico preto, por Luís Nassif

 

Não se assuste com a queda nos mercados futuros de índices de bolsa e dólar. Faz parte do jogo de apostas do mercado de derivativos. 

O jogo é simples.

O investidor A vende um contrato se dispondo a adquirir determinado volume de ativos no vencimento. Na outra ponta, o Investidor B compra o contrato. No vencimento, se o valor dos ativos for superior ao do contrato, quem vendeu tem que pagar a diferença. E vice-versa. Nesse jogo não entram ativos reais. As cotações do mercado à vista servem apenas como referência para os contratos de derivativos.

A jogada é simples:

1.    Define-se o momento de corte, ou o vencimento dos contratos ou alguma data com significado econômico. Em outros tempos, fizeram isso com a votação de um projeto sobre Previdência Social.

2.    Na fase inicial, os profissionais saem comprando os contratos, elevando suas cotações. Os amadores vão atrás.

3.    Quando vai se aproximando o desfecho da operação – o dia da votação do projeto -, os profissionais começam a se desfazer de suas posições. Como os amadores continuam comprando, os índices sobem mais um pouco.

4.    Chegando o dia, seja qual for o resultado da votação, o mercado desaba, porque os últimos profissionais saem correndo e, com a queda, há a debandada dos amadores, aprofundando ainda mais o prejuízo. Quem sai por último, morre com o mico – uma imagem do mercado em torno do baralho do Mico Preto.

É o que está acontecendo agora. Fosse qual fosse o resultado das eleições, haveria queda das cotações, menos com Flávio Bolsonaro, mais com Lula.

O jogo se comportou assim:

1.    Na semana anterior ao fim do primeiro turno, os estrangeiros passaram a vendas e as pessoas físicas a comprar.

2.    Após o primeiro turno, os estrangeiros compraram fortemente, especialmente em 5 de outubro, quando registraram saldo positivo de R$ 10,06 bilhões.

3.    Já os investidores individuais brasileiros fizeram o movimento contrário, com vendas líquidas de R$ 5,40 bilhões naquele mesmo dia.

4.    Na semana anterior ao segundo turno, houve a inversão. Os estrangeiros passaram a vender e as pessoas físicas a comprar

5.    No período de 19 a 22 de outubro, saíram R$ 1,87 bilhão de recursos estrangeiros e entraram R$ 2,59 bilhões de pessoas físicas. Que morreram com o Micro Preto.

Ou seja, parte expressiva da queda representou a desmontagem de posições especulativas, e não necessariamente uma avaliação fundamentada de deterioração econômica ocorrida em poucas horas. 

Autor: Luis Nassif – Publicado no Site GGN Notícias.