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18 de outubro de 2026

A derrocada do nosso sistema eleitoral numa democracia que agoniza!

                                                            Chargista Cláudio

Os eleitores brasileiros ficaram vinte e cinco anos sem poder eleger o presidente da república. Com o fim da ditadura militar e a chamada redemocratização, isso voltou a ocorrer em 1989. Neste ano, os eleitores puderam novamente eleger, por meio do voto livre e direto, o presidente da república.

A partir deste momento, tivemos eleições em 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, até que chegamos ao pleito de 2014. De um lado, Dilma Rousseff tentava a sua reeleição contra Aécio Neves. Dilma venceu no segundo turno por uma diferença de 3.459.963 de votos, ou 3,28%.

O candidato Aécio, inconformado com sua derrota, questionou a lisura da eleição e do sistema eleitoral brasileiro pela primeira vez desde a redemocratização. Naquela eleição já estavam em uso as urnas eletrônicas implantadas em 1996 e que nunca tiveram nenhuma fraude sequer comprovada até 2026.

Aquele movimento de Aécio indo ao TSE levar reclamações de supostas fraudes, sem ter nenhuma prova, serviu anos depois para motivar Jair Bolsonaro a questionar as urnas eletrônicas sem ter jamais uma prova sequer. Usando apenas de maledicência, fez insinuações para que os seus eleitores tivessem uma justificativa para uma possível derrota.

Acabou eleito e tomou posse em 2019, sem comprovar as acusações. Entretanto, passou quatro anos repetindo o mantra das urnas eletrônicas aos seus interlocutores e apoiadores.

Esse é apenas um lado do que se transformou o sistema eleitoral após o surgimento do bolsonarismo, uma seita sectária formada por pessoas intolerantes, cidadãos armados e políticos inescrupulosos. Esse grupo de pessoas arrasta milhões de apoiadores que se informam exclusivamente dentro dos grupos de mensagens, redes sociais e algumas igrejas.

Não aceitam debater ideias, em parte porque são desprovidos de inteligência para discutir com seriedade, com base em fatos reais e não suposições falsas. Não aceitam o contraditório, rejeitam pessoas de religiões afrodescendentes, homossexuais, e estendem a sua intransigência a diversos campos da nossa sociedade.

Não aceitam a ciência, fazem parte do movimento antivacina que nasceu nos EUA. Questionam as campanhas de vacinação e deixam de vacinar seus filhos. O que já trouxe reflexos graves com a volta de doenças antes erradicadas no país.

Os bolsonaristas andam como zumbis nas manifestações promovidas pelo partido, com bandeiras de Israel, acreditando que aquele seja o país de Jesus Cristo. Idolatram Trump e os EUA, que possuem na atual gestão uma dívida pública de R$ 5 trilhões. Adotam todos os políticos extremistas de direita, sem, no entanto, se aprofundarem nos dados de suas gestões. Na América do Sul, veneram Milei, um aloprado que está destruindo a Argentina.

Aqui no Brasil, não existem mais debates saudáveis dentro de nosso sistema democrático, visto que os políticos bolsonaristas não conseguem discutir ideias e projetos de governo, preferindo espalhar mentiras sobre os adversários. Usam a religião e o discurso fascista como armas na ausência de argumentos que possam justificar a seita bolsonarista.

O bolsonarismo roubou a política tradicional da direita brasileira, dando espaço a um grupo extremista que se utiliza da disseminação de fake news nas redes sociais e aplicativos de mensagens para sobreviver por meio do ódio aos seus oponentes.

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

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