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10 de fevereiro de 2017

MPE/SP investiga fraude na Linha 4 do Metrô paulista

 O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo investiga um esquema de fraude e superfaturamento em dois trechos das obras da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo que teria desviado ao menos R$ 47,8 milhões. Os promotores identificaram pagamentos milionários feitos pela estatal paulista ao consórcio espanhol Corsan Corviam durante meses em que a construção ficou completamente paralisada, entre 2014 e 2015.
O contrato foi rescindido unilateralmente pelo Metrô em setembro de 2015, por causa dos sucessivos atrasos na obra. Um novo negócio foi fechado para concluir a extensão da Linha 4 com mais quatro estações até a Vila Sônia, zona sul, elevando o custo do empreendimento em 55% e prorrogando o prazo de entrega para 2019, cinco anos depois do prometido. O Metrô afirma que todos os pagamentos "foram liberados somente mediante confirmação dos serviços realizados" e o consórcio nega as irregularidades.
A investigação, contudo, reúne uma série de documentos sobre as fraudes, como comprovantes de pagamentos feitos pelo Metrô por serviços não prestados, papéis que indicam sonegação de impostos, provas de saques em dinheiro na boca do caixa, além de e-mails trocados entre os gerentes da estatal e do consórcio que indicam o superfaturamento nas medições da evolução física da obra. Parte da documentação foi obtida a partir de uma denúncia anônima, que também motivou a abertura do inquérito.
Um relatório produzido pelos promotores Cássio Conserino e Fernando Henrique de Moraes Araújo, responsáveis pela investigação, lista 29 irregularidades e 50 funcionários do Metrô e da Corsan Corviam que devem ser investigados. Para os promotores, houve crime de fraude em licitação, peculato (corrupção praticada por funcionário público), corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, falsificação de documentos, apropriação indébita previdenciária, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Fraudes
Em um dos casos, a investigação aponta que as obras do trecho 2 da Linha 4 (Estação Vila Sônia e extensão) pararam totalmente a partir de novembro de 2014, mas já não tinham nenhuma evolução física desde agosto daquele ano. Mesmo com o canteiro completamente paralisado, foram repassados pelo Metrô ao consórcio R$ 12,6 milhões, segundo os promotores. O contrato com a Corsan Corviam foi assinado em 2012. De acordo com o MPE, desde novembro de 2013 o trecho 2 "andou" apenas 3%, mas o Metrô desembolsou R$ 55,3 milhões, valor que correspondia a 14,3% do custo total.
Já na Estação São Paulo-Morumbi, as obras pararam em março de 2014, mas continuaram recebendo repasses por mais de um ano, ainda segundo o relatório da Promotoria. "Foram feitas 16 medições após a interrupção. Constatamos pelo menos 11 repasses que totalizaram R$ 8,5 milhões. No mês de março de 2015, houve um pagamento de mais de R$ 1,4 milhão para obras no trecho - parado há mais de um ano."
Outra irregularidade foi constatada na Estação Oscar Freire, nos Jardins. Um relatório de maio de 2015 diz que as obras estavam praticamente paradas, sem nenhum avanço físico. O Metrô, porém, executou sete pagamentos que totalizaram R$ 377,6 mil após a interrupção dos trabalhos. No terminal e no pátio de manobra da Vila Sônia, o relatório diz que, apesar de "ausência de atividades e baixa mobilização de mão de obra", foram repassados R$ 338 mil e depois R$ 743 mil com base em medições fraudadas.
Aparelhos. Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi que, um mês antes do cancelamento do contrato com o consórcio, o Metrô autorizou a compra de dez aparelhos de mudança de vias, enquanto o contrato previa a aquisição de apenas um equipamento desse tipo. Foram gastos quase R$ 5,9 milhões, embora o previsto fosse pagar apenas R$ 509 mil por uma unidade.
"O fato, além de ser suspeito, se constituiu no segundo maior pagamento feito em três anos de obra nesse trecho", afirmam os promotores no relatório que foi encaminhado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para avaliar se a competência da investigação é estadual ou federal, uma vez que a obra recebeu financiamento de instituições internacionais, como o Banco Mundial, e a empresa investigada é uma multinacional com sede na Espanha.
Segundo Conserino, há indícios claros de desvio de recursos públicos. "Seria o mesmo que fazer um orçamento com um pintor, ele cobrar R$ 1 mil e você pagar R$ 4 mil. Só que no caso do Metrô isso foi feito com dinheiro público." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Publicado em 10/02/2017 no Jornal Estadão

6 de fevereiro de 2017

O mundo precisa de Pontes, não de Muros!

"A democracia sobrevive quando a inteligência
do sistema compensa a mediocridade dos atores"
Daniel Inneraty
A queda do muro de Berlim em novembro de 1989, parecia naquele momento ser o símbolo do fim das separações ideológicas e políticas no mundo em que vivemos. Entretanto, vinte e oito anos depois em pleno século XXI, ainda persistem separações, guerras e todo tipo de intransigências entre povos e nações.
A situação do Oriente Médio continua fervendo na Cisjordânia com a quase impossível convivência entre judeus e palestinos. Um cenário que parece não mudar desde a passagem de Jesus por aquelas terras.
Para complicar ainda mais essa situação, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, resolveu proibir a entrada nos EUA de pessoas de sete nacionalidades distintas: Irã, Iraque, Iêmen, Líbia, Síria, Somália e Sudão. Não bastasse essa atitude desumana e insensata aos olhos da humanidade, ele ainda sugeriu ao México a construção de um Muro separando a fronteira dos dois países.
A Coréia permanece dividida entre o progresso do Sul e o atraso e ranço do povo do Norte, comandados por generais tão medíocres quanto violentos. Um verdadeiro barril de nitroglicerina a céu aberto, em condições de explodir a qualquer momento.
Aqui na América do Sul, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, mesmo tendo tantas coisas por fazer em seu país, resolveu imitar o bufão americano e publicou no Diário Oficial, medidas que impõem maior rigor para os estrangeiros que pretendem entrar naquele país e maior celeridade na extradição de estrangeiros que cometam crimes em solo argentino.
Exemplos não faltam no mundo contemporâneo de intransigência religiosa, política, e principalmente ideológica na convivência entre os povos, que ao contrário deveria ser harmônica, pelo bem do próprio planeta.
Os líderes mundiais, representantes dos países ditos desenvolvidos, deveriam estar construindo pontes e não muros para afastar ainda mais a difícil possibilidade de um futuro de paz e desenvolvimento entre os povos.
A manutenção do planeta depende da compreensão destes lideres para com o fim das guerras, a redução drástica da poluição e para que juntos possamos salvar o que resta do nosso habitat antes que seja tarde demais.
É preciso que lutemos em todas as frentes para evitarmos a disseminação do ódio, respeitando diferenças ideológicas, de raças e culturas, pondo fim ao desrespeito que transita livremente nas ruas e nas redes sociais e o que é ainda pior, nos palácios dos governantes das grandes potências.
Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

29 de janeiro de 2017

Como está o sistema prisional em SP?

De que adiantam leis quando há
miséria interior e esplendor externo?
Chuang Tzu

O Estado de São Paulo está sendo governado pelo mesmo partido há 22 anos, o PSDB vem se sucedendo no poder desde janeiro de 1995. O atual governador Geraldo Alckmin, está no poder dentro do Palácio dos Bandeirantes boa parte deste período, sendo vice ou governador.
Este tempo que não é pouco, poderia representar a implantação de grandes transformações no cenário do Estado, mas ao contrário, mesmo com a entrada de bilhões de reais após a privatização do Banespa, Nossa Caixa, Comgás, Cesp, Cteep, CPFL, Eletropaulo e terceirização das estradas para empreiteiras o dinheiro sumiu e a saúde, educação, habitação e segurança não receberam os investimentos que foram propagandeados.
No caso específico da segurança pública o Estado vem sucateando ao longo do tempo que governam São Paulo, Estado mais rico e industrializado do Brasil a Policia Civil, Militar e os Agentes Penitenciários.
E como os tucanos fazem isso? O efetivo das três unidades de segurança não recebem novas contratações, incluindo neste grupo os Bombeiros e a Polícia Rodoviária Estadual. Não recebem treinamentos nem armamentos adequados para o combate cada vez mais crescente da criminalidade.
A única coisa que o Estado garante são veículos importados distribuídos nas delegacias e quartéis da Polícia Militar passando a impressão aos leigos que o governo investe pesado na segurança do Estado.
Faltam investigadores, peritos, datiloscopistas, agentes penitenciários, policiais militares e rodoviários para ocuparem estes carros importados que o governador lícita e compra com grande frequência.
Os militares, segundo os policiais nas ruas, não recebem correção salarial em São Paulo desde 2013, ou seja, a corporação está há três anos sem receber ao menos a reposição inflacionária de seus salários. O governador Alckmin se aproveita do fato da corporação não poder fazer greves, e os castiga, ao mesmo tempo em que beneficia os criminosos com este sucateamento das forças policiais paulistas.
O efetivo dos agentes penitenciários gira em torno de 23.000 profissionais para atuar em 166 unidades prisionais no Estado. Eles são responsáveis por 240 mil presos e recebem em início de carreira R$ 2.414,00. Entretanto estão há dois anos sem que o governo negocie a reposição salarial destes profissionais. O governo trata seus servidores com tremendo descaso e além de não corrigir salários, simplesmente não senta à mesa para negociar com os sindicatos das categorias que representam os agentes e policiais civis e militares.
Infelizmente, assim também acontece com os 202 mil professores da rede estadual de ensino paulista. Estes, desde 1995 sofrem nas mãos deste partido que governa o Estado de SP. Não há um ano sequer que não haja greve, paralisações e protestos dos servidores da segurança e da educação em nosso Estado.
O governador está em campanha presidencial e não esconde seu interesse em ser candidato à Presidência, pelo seu partido se Aécio permitir, ou, por outra legenda a ser escolhida.
Que o povo brasileiro fique atento, se precisar de uma segunda opinião, consulte um professor da rede estadual de ensino ou um agente de segurança, (Penitenciário, Civil ou Militar) para então decidir seu voto. O país não merece passar pelo que passamos em SP. O que sai em forma de publicidade tenta enganar os eleitores no restante do país e é digno de receber um prêmio “Pinóquio” pelo conjunto da obra mentirosa.

26 de janeiro de 2017

Tribunal de Justiça do RJ, dá exemplo de imoralidade!

“A dúvida é o começo da sabedoria"
Segurs

O Estado do Rio de Janeiro, falido em virtude das criminosas gestões de Sérgio Cabral nos últimos anos. O país reclamando de uma crise econômica que o governo federal não tem capacidade de sanar. Alhures a tudo isso e às negociações do programa de recuperação fiscal para os estados, no qual o Rio de Janeiro terá que apresentar contrapartidas para reduzir seus gastos, o Tribunal de Justiça (TJ) fluminense decidiu autorizar pagamentos que beneficiam diretamente juízes, desembargadores e seus demais servidores.
Em completa dissonância com a dura realidade dos servidores públicos cariocas, que mal recebem seus salários surge um despacho publicado no Diário Oficial do TJ, onde o desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho determinou repasses neste semestre de R$ 33 milhões para cobrir gastos referentes ao auxílio-educação e de R$ 26,5 milhões para o auxílio-locomoção.
Os valores não serão incorporados aos salários — limitados a um teto de R$ 33.763, definido constitucionalmente com base nos ganhos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) —, mas recebem a classificação de “indenizações”.
O povo brasileiro não pode nem no acerto com o Imposto de Renda receber o que gastou com educação em sua plenitude, enquanto os membros do Judiciário recebem “Auxílio-Educação”. Isso é um escárnio, uma aberração nessa nossa democracia de fachada.
Com base na folha de janeiro de 2017, o auxílio-educação — concedido a quem tem até três filhos com idade entre oito e 24 anos — será pago a 225 magistrados e 3.172 servidores. No fim do ano, todos terão que comprovar as despesas.
A assessoria de imprensa do tribunal informou que as indenizações são previstas em lei e custeadas pelo Fundo Especial do TJ, cujo dinheiro é proveniente de taxas judiciárias. O órgão ressaltou que se trata de uma verba própria do Judiciário. Ainda segundo o TJ, o auxílio-locomoção equivale ao vale-transporte da iniciativa privada.
O poder judiciário paga muito mal a grande maioria de seus servidores, porém, dispensa tratamento de marajás indianos aos seus funcionários de alto escalão. Ministros, Desembargadores, Juízes recebem salários com acréscimos nababescos num país onde o salário mínimo é menor que mil reais.
Um levantamento feito em cima de dados do site do TJ mostra que, foram pagos R$ 55.266.627,62 em indenizações para juízes e desembargadores. Este valor seria suficiente para quitar as folhas dos servidores das secretarias estaduais de Saúde (R$ 37.860.227,05) e Segurança (R$ 2.379.694,86), tomando por base os salários do mês de novembro. Além dos auxílios para educação e locomoção, o TJ oferece aos seus 848 magistrados ajuda para gastos com moradia, alimentação e creches.
As bondades são estendidas também aos integrantes do Ministério Público Estadual. De janeiro a novembro do ano passado, o órgão gastou R$ 154.454.803,65 em indenizações para servidores ativos e inativos. Há casos que saltam aos olhos: alguns servidores chegam a ganhar mais com os benefícios do que com os próprios vencimentos. Em maio do ano passado, um procurador da Justiça, com salário de R$ 30.471,10, chegou a receber R$ 83.820,43 de indenizações de uma só vez.

24 de janeiro de 2017

Justiça diferente para algumas pessoas que tem poder e recursos!

Os problemas significativos que enfrentamos
não podem ser resolvidos no mesmo nível de
pensamento em que estávamos quando os criamos.

Um jovem rapaz milionário, futuro herdeiro de um grande grupo industrial, estabelecido na Paraíba e também de uma afiliada da Rede Globo naquele mesmo Estado, é acusado de atropelar e matar um agente de trânsito, ao fugir de uma Blitz realizada durante Operação Lei Seca na madrugada de 21 de janeiro (sábado), em João Pessoa – PB.
Além dos agentes envolvidos na operação, testemunhas presenciaram o atropelamento de Diogo Nascimento de Sousa de 34 anos, e a fuga do motorista sem prestar socorro a vitima, que após ser levada ao hospital, não resistiu aos ferimentos e veio a falecer.
O motorista Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva é neto do Ex-Senador e Ex-Vice-Governador da Paraíba José Carlos da Silva Junior. Ele dirigia um veículo Porsche em alta velocidade e foi identificado pelos policiais que perseguiram seu veículo, que teve na fuga uma das placas arrancadas do automóvel. O caso gerou uma grande revolta em todo o Estado devido a suspeita de favorecimento por parte da justiça ao acusado.
Ele teve a prisão preventiva decretada por estar dirigindo alcoolizado, ter fugido de uma operação policial, atropelado e matado um agente do DETRAN. Entretanto, a prisão foi revogada pelo Desembargador Joás de Brito Pereira Filho, horas depois, tão rápido que o acusado nem havia sido preso ainda (Como nossa Justiça é ágil?)
A ordem de prisão aconteceu às 20h00min horas de sábado, às 03h00min horas de domingo (madrugada) surgiu à decisão que libertava o jovem que nem estava preso ainda. Ou seja, um Habeas Corpus foi assinado em sete horas entre a noite de um sábado e a madrugada de uma domingo. Que agilidade impressionante!
Nada a ver com o fato do garoto ser filho de gente rica e neto de gente poderosa. Nada mesmo, não façam ilações precipitadas. Esse desembargador deve trabalhar noites e madrugadas para atender o povo, mesmo os mais humildes... Que vergonha!
Em entrevista à rádio Band News, Joá disse que a prisão de Rodolpho Carlos era desnecessária, porque ele é réu primário e tem bons antecedentes criminais. Segundo o magistrado, sua decisão foi eminentemente técnica. “Eu analisei a prisão temporária, não preventiva, onde verifiquei que não haveria necessidade da prisão por ele ser primário e ter bons antecedentes. O advogado dele apresentou uma petição onde disponibilizou o carro, e o suspeito se propôs a comparecer para prestar esclarecimentos”, declarou.
“A decisão não foi apenas no sentido de liberá-lo. Eu condicionei a apresentação dele em 72h, apliquei medidas cautelares para evitar prisões desnecessárias. O fato foi grave, mas será apurado e a justiça tomara as medidas”, acrescentou.
Em nota, os agentes de policiamento de trânsito do DETRAN da Paraíba cobraram justiça e tratamento isonômico ao acusado. “Não se espera, de maneira alguma, o cerceamento do direito de defesa do acusado, mas também, não se espera nenhum grau de parcimônia por parte do poder judiciário com relação à conduta criminosa por ele praticada. Sendo assim, os agentes de policiamento do DETRAN-PB e todos os envolvidos direta e indiretamente com a Operação Lei Seca na Paraíba, clamam para que o caso seja tratado de maneira isonômica, e que o cidadão Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva, independente de classe, cor, raça ou condição financeira, responda por suas condutas como estão sujeitos todos os cidadãos brasileiros”, diz o comunicado.
O promotor Marinho Mendes Machado atacou a decisão do desembargador, a quem acusou de favorecer o acusado por ser de uma família rica e tradicional. “Se fosse o filho de um pobre, de uma pessoa comum, o senhor nunca teria acordado às 3h da madrugada para soltá-lo, não. E isso quem paga é a instituição, que por essas e outras vai ficando sem fé no senhor, pois quem manda é o dinheiro, somente o dinheiro e o poder”, criticou em nota no Facebook.
A fala do Promotor Público não deixa dúvidas quanto ao pensamento da maioria da população brasileira. Leis existem aos montes, porém, as decisões judiciais, muitas vezes olham para a cor, o tipo, a classe social e a condição financeira do acusado.
De que adianta os agentes policiais e de trânsito atuarem em respeito à Lei Seca, se depois, desembargadores mal intencionados agem contra a mesma lei e seus agentes?  

23 de janeiro de 2017

Em que momento nós deixamos de gostar do que é simples?

            Há algumas semanas, tirei uma tarde de quinta-feira para passear com a minha enteada, que estava em férias. Cheguei em casa e perguntei o que ela queria fazer. Imaginei alguns pedidos: cinema, zoológico, algum parque de diversões. E ela disse: podemos andar de ônibus? Eu disse que sim e perguntei para onde. Ela não entendeu a pergunta, uma vez que para ela o programa divertido era andar de ônibus, simplesmente. Foi o que fizemos.
Isso me lembrou um sábado há quase dez anos, no qual levei minha sobrinha mais velha a uma sorveteria lindíssima, que tinha sido aberta no bairro. Havia uma linda varanda, mesas coloridas, trocentos sabores para escolher. Entrei na fila, fiquei um pouco horrorizada com os preços, mas perguntei a ela o que iria querer. Ela respondeu sem pestanejar “picolé de uva”. Eu expliquei que ali não havia picolé de uva, mas, sim, outras coisas bem mais gostosas. O ar de decepção dela fez com que eu não pensasse duas vezes para atravessar a rua a caminho da padaria, terminado nossa tarde tomando sorvete de palito.
Na mesma linha, veio a minha sobrinha caçula de um ano e meio que, em meio a seus tantos brinquedos coloridos e sonoros - que estão muito longe de custar pouco -, elegeu como seu favorito um frasco de plástico vagabundo dentro do qual há alguns grãos de feijão. Na concepção dela, nada pode ser mais interessante do que aquilo, nem Fisher-Price, nem Chicco, nem nada.
Depois foi o meu afilhado de oito anos, que disse que ainda não sabe se, quando crescer, vai ser “aquelas pessoas que cuidam de tartarugas marinhas antes de elas voltarem pro mar” ou lixeiro, para poder andar pendurado no caminhão à noite. O que eu deveria dizer para ele? Que ser advogado como eu seria bem mais divertido?
Comecei a me perguntar em que momento da vida nós deixamos de ter tanto apreço pela simplicidade. Não me parece que tenha somente a ver com a necessidade de ganhar dinheiro, com as novas experiências ou com o paladar apurado. Parece-me que tem muito mais a ver com a preocupação que passamos a ter com os olhares alheios e com os hábitos que nos são “impostos” por aqueles com quem convivemos.
O carro, o restaurante, o vinho, a bolsa. Quanto disso nós escolhemos genuinamente, por puro e simples gosto ou prazer? Não sei, sinceramente. Será que o que nos incentiva (ou nos amarra, ou nos obriga) não é a importância que passamos a dar para a opinião daqueles que nos cercam? O famoso “mas o que vão pensar de mim?”, que nós temos de forma tão intensa e as crianças simplesmente não têm.
Num dado momento, já não sabemos, dentre as coisas que temos e a rotina que vivemos, o que está ali porque nos agrada e o que está ali porque, supostamente, faz bem para a nossa imagem. Outro dia, alguém me disse “você ainda vai aprender a gostar de ostras”. Eu não quero aprender a gostar de ostras. Por que eu deveria aprender a gostar de ostras? Minha cota não pode ser em cachorro quente? Ou em coxa de frango? Será que não pega bem?
Talvez, nós possamos investir num exercício diário de resgate da simplicidade. Isso é muito útil para a vida - sobretudo em cenário de crise. Redescobrir nossos prazeres sem custo, exercitar nossa capacidade de não ligar para o que os outros pensam, bem como de não julgar as decisões da vida alheia.
Sair a pé, deixar o carro na garagem - ou até se desfazer dele, tomar cerveja no balcão da padaria, encontrar um amigo sem precisar de um belo jantar à frente de ambos, comprar roupa sem marca, sentar na grama, comer milho na espiga. A vida deveria ser mais simples do que é. Há quem consiga concretizar esta proeza. E nós, adultos, estamos sempre a tentar mostrar-lhes o que há de bom no mundo. Mas são esses pequenos que sabem viver muito melhor do que nós. Só nós que não percebemos.

Autora: Ruth Manus – Colunista do Jornal Estadão

20 de janeiro de 2017

Teoria da Conspiração tupiniquim!

As ilusões são certamente prazeres dispendiosos,
mas a destruição delas é mais dispendiosa ainda.

As investigações nem começaram, o avião nem foi retirado das águas do oceano em Parati, enquanto os ávidos construtores de teorias conspiratórias já começam a inundar as redes sociais com posts, teses e outras bobagens sem sentido à luz dos acontecimentos.
O Ministro Teori Zavaschi estava entre os quatro passageiros mais o piloto que sofreram um acidente aéreo quando a aeronave com prefixo PR-SOM, modelo Hawker Beechcraft King Air C90 caiu muito perto do local de pouso na cidade de Parati-RJ.
O avião de pequeno porte com capacidade para até oito passageiros estava segundo a ANAC, com sua documentação em dia, com o certificado válido até abril de 2022 e inspeção da manutenção (anual) válida até abril de 2017.
Em menos de vinte e quatro horas do acidente eu mesmo já li três teses que tentam induzir o leitor que o acidente aéreo foi uma manobra proposital e que os passageiros foram vitimas de um ato criminoso. Assim como fizeram no caso da queda do avião de Eduardo Campos em Santos em 2014.
Entre as declarações e teses patéticas, chama a atenção para a fala da advogada e atual chefe da inspeção dos banheiros do Parque Ibirapuera Janaina Paschoal: “Tem que investigar a queda do avião sim! Queremos investigação transparente, feita por equipe formada por membros de vários órgãos”.
Pobre Janaina, todos os acidentes aéreos são investigados sim! E todos por técnicos experientes formados pela Aeronáutica e não pelo Congresso Nacional ou pelo MBL...
Infelizmente dezenas de aviões de pequeno porte sofrem acidentes no Brasil e sempre são investigados com o mesmo rigor pelos investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – CENIPA.
Seus relatórios são transparentes e possuem um site específico para que pessoas desinformadas ou mal intencionadas como Lobão ou Drª Janaína possam acessar as informações de quaisquer acidentes aéreos no Brasil - https://pilotos.org.br/relatorios-finais-cenipa/
As mortes de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Eduardo Campos e agora do Ministro Teori Zavaschi foram cercadas de teorias que não condizem com os fatos da história. E revelam que falta às vezes inteligência, conhecimento e muita informação para os apressados que sempre querem aparecer em cima de acidentes e mortes de autoridades e personalidades brasileiras.
Fato é, que a aeronave era de pequeno porte, as condições climáticas eram péssimas, entretanto o avião chegou próximo do local de pouso (Se alguém tivesse cometido um crime na aeronave ela teria caído durante o voo, não minutos antes de avistar a cabeceira da pista onde deveria ter pousado).
O dono do avião estava a bordo, logo, não era avião de carreira nem de empreiteiras ou políticos que pudessem estar interessados na queda da mesma. Aos plantonistas das teorias de conspiração sugiro leitura, muita leitura e discernimento antes de querer aparecer em cima de fatos tristes, como este acidente trágico ocorrido em Parati - RJ.
http://www.boatos.org/politica-2/sargento-marcondes-aviao-teori.html

9 de janeiro de 2017

Discurso de Meryl Streep no Globo de Ouro


"Se expulsarmos os estrangeiros, só sobra futebol e MMA na TV", diz Streep. Em uma noite marcada por críticas e até piadas sobre Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, a atriz Meryl Streep foi responsável por um dos momentos mais emocionantes do Globo de Ouro 2017.
Homenageada com o prêmio Cecil B. DeMille pelo conjunto de sua carreira, ela subiu ao palco para um discurso duro sobre a diversidade que Hollywood representa, a responsabilidade dos artistas e a irresponsabilidade do futuro mandatário do país mais poderoso do mundo.
"Obrigada, Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Vocês e todos nós nessa sala pertencemos aos segmentos mais vilanizados na sociedade americana hoje. Pensem nisso. Hollywood, estrangeiros e a imprensa. Mas quem somos nós? E o que é Hollywood? Só um bando de pessoas de outros lugares. Eu nasci, fui criada e educada nas escolas públicas de Nova Jersey; Viola nasceu em uma cabana em uma plantação na Carolina do Sul; Sarah Paulson nasceu na Flórida e foi criada por uma mãe solteira no Brooklyn", lembrou ela, com a voz quase sumindo, antes de citar outros artistas que vieram de partes diferentes do mundo, como Natalie Portman (Israel) e Ryan Gosling (Canadá).
E continuou, referindo-se aos planos de Trump de expulsar estrangeiros do país: "Hollywood está cheia de forasteiros e estrangeiros, e se expulsarmos todos eles, vocês não vão ter nada para assistir além de futebol americano e Artes Marciais Mistas (MMA), que, aliás, não é arte".
Em seguida, ela se referiu ainda mais diretamente a Trump. Leia o restante do discurso de Meryl, que ainda lembrou a morte de Carrie Fisher, e assista ao vídeo abaixo:
O único trabalho de um ator é entrar nas vidas de pessoas que são diferentes de nós e fazer vocês sentirem como é isso. E tivemos muitas interpretações poderosas esse ano que fizeram exatamente isso. Trabalhos de tirar o fôlego e cheios de compaixão. Mas houve uma interpretação esse ano que me deixou atordoada, afundou suas garras no meu coração, mas não porque fosse boa --não havia nada de bom nela. Mas foi eficaz e cumpriu sua função. Fez seu público-alvo rir e colocar as garras de fora. Foi aquele momento em que a pessoa pedindo para sentar no lugar mais respeitado do nosso país, imitou um repórter deficiente, alguém a quem ele [Trump] superava em privilégio, poder e capacidade de revidar. Partiu meu coração quando vi isso, e ainda não consegui tirar da minha cabeça, porque não era um filme.
E esse instinto para humilhar, quando é demonstrado por uma figura pública, por alguém poderoso, afeta as vidas de todo mundo, porque dá permissão para que outras pessoas façam o mesmo. Desrespeito convida a mais desrespeito, violência incita violência. Quando os poderosos usam sua posição para fazer bullying, nós todos perdemos.
O que me traz à imprensa. Precisamos que uma imprensa de princípios que cobre os poderosos, que os condene por cada ofensa. Foi para isso que nossos fundadores garantiram liberdade à imprensa em nossa Constituição. Então eu somente peço que a famosa e afluente Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood e todos em nossa comunidade para apoiar um comitê para apoiar jornalistas, porque vamos precisar deles agora e eles vão precisar de nós para proteger a verdade.
Uma vez em que eu estava no set, reclamando sobre algo como trabalhar na hora do jantar ou longas horas de filmagem, Tommy Lee Jones disse para mim: 'Não é um privilégio enorme, Meryl, ser ator?'. Sim, é, e temos que lembrar uns aos outros do privilégio e responsabilidade do ato de empatia. Devemos ficar muito orgulhosos do trabalho que Hollywood honra esta noite.
Como minha amiga, a querida falecida princesa Leia me disse uma vez: 'Pegue seu coração partido e transforme em arte'. Obrigada.

5 de janeiro de 2017

É perceptível que o planeta está mais quente!

"Você é livre para fazer suas escolhas,
mas é prisioneiro das consequências.”.
A Agência Espacial americana NASA registrou que o ano de 2014 foi o mais quente já registrado desde 1980, de acordo com relatórios de seus cientistas e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA. Em média, a temperatura do nosso sofrido planeta aumentou 0,8 graus Celsius, desde que os registros oficiais começaram a ser pesquisados há 134 anos.
Essa onda de aquecimento aumentou nos últimos 30 anos, o que se percebe pelo fato de que os 10 anos mais quentes da história já registrados, com exceção de 1998, ocorreram desde o ano 2000. Como indicam as pesquisas na área, esta tendência de aquecimento está relacionada diretamente com o aumento de emissões de dióxido de carbono jogados impunemente na atmosfera e de outros gases poluentes de efeito estufa liberados, principalmente, nas atividades humanas.
Os relatórios e análises incorporam medições de temperatura em mais de 6.300 estações meteorológicas em todo planeta, além de dados de temperaturas coletados a partir de medições nos oceanos e nas estações científicas da Antártida.
Além da questão crucial do aumento das temperaturas, essa onda de calor produz outros efeitos não menos preocupantes e cujo custo é altíssimo. A agricultura pode recuar 2% a cada dez anos até o final do século que vivemos. Ao mesmo tempo, que a demanda por alimentos deve crescer 14% até o ano de 2050.
A incidência de tufões, grandes tempestades, tsunamis demonstra que já estamos mergulhados num cenário terrível e nossa geração, incluindo os líderes mundiais, não pode ignorar o fato de que nossos filhos e netos herdarão uma situação ainda pior se nada for feito imediatamente.
No Brasil, nossos governantes ignoram completamente esses problemas, permitindo que aconteça um desmatamento constante em todas as nossas matas e na Floresta Amazônica. A impunidade, aliada à ganância dos ruralistas e latifundiários não dão trégua a esperança de mantermos nossas reservas verdes por muitos anos.
As principais causas do Aquecimento Global estão relacionadas, para a maioria dos cientistas, com as práticas humanas realizadas de maneira não sustentável, ou seja, sem garantir a existência dos recursos e do meio ambiente para as gerações futuras. Assim, formas de degradação ao meio natural como a poluição, às queimadas e o desmatamento estariam na lista dos principais elementos causadores desse problema climático.
O ser humano polui rios e nascentes, não planta e recompõe áreas de vegetação nativa ao redor dos mananciais, que em sua grande maioria, produzem água para o consumo de milhões de pessoas.
A sensação nesse começo de 2017 é que o calor demasiado não é uma impressão corriqueira, mas sim uma dura realidade que deveria fazer o homem repensar seus atos. O futuro será muito complicado se não houver ação conjunta da humanidade.

4 de janeiro de 2017

Com os três poderes corrompidos, o país perdeu o rumo!

“Não existe um governo corrupto numa
Nação ética, nem há uma Nação corrupta
onde exista um governo ético e transparente”
Leandro Karnal

A sensação que temos no Brasil é que as coisas funcionam por osmose, nunca pelas regras, leis e regulamentos vigentes. Os empresários honestos cuidam de seus negócios, e evitam ao máximo chegar próximo ao poder político, tanto no Legislativo como no Executivo. Procuram não se utilizar dos mecanismos de financiamentos públicos, nem dos órgãos de comércio exterior, nem com os apaniguados pelos políticos, para evitar o contágio com essa escória que nos impõe a pior crise ética da história do nosso país.
O povo segue fazendo sua parte, pouca é verdade, vivendo sem dar à devida importância a busca pelo conhecimento, a informação e a educação para suas vidas. Não levam a sério o voto, com isso seguem alhures ao que acontece nas três estâncias do poder executivo (Municipal, Estadual e Federal) além de desconhecer os Três Poderes (Executivo, Judicial e Legislativo).
Nos últimos três anos, foram derramados pela mídia, centenas de notícias sobre a participação direta e indireta da grande maioria dos políticos, que exercem cargos públicos no Executivo e Legislativo, afastando ainda mais a participação popular da política nacional. Boa parte confunde fazer política com partidos políticos, o que necessariamente não é verdadeiro.
Para completar o estrago, o poder judiciário além de lento e omisso, mantém entre seus pares os maiores salários da república. Adicionais nababescos e vencimentos de verdadeiros marajás que afrontam os ganhos miseráveis da maior parte dos trabalhadores da nação.
Exemplos de juízes e desembargadores vendendo sentenças e fabricando Habeas Corpus, infelizmente são comuns nos dias atuais em nossos tribunais. Claro que, como em todas as profissões, esses que envergonham a classe jurídica não são a maioria. Porém, sinalizam que o Poder Judiciário deveria passar por profunda reestruturação.
O poder executivo está definitivamente manchado pela marca da corrupção em quase toda a sua estrutura nos três poderes constituídos no país. Raros são os exemplos de probidade e ética no poder executivo nacional.
Para nossa maior decepção, o pior de todos os poderes é o legislativo (Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional), onde desfilam milhares de políticos sem alma, sem amor à pátria, sem amor ao povo que eles representam e sem a mínima preocupação com a honestidade em suas ações nas casas de leis onde atuam.
A eles compete legislar, fazer nossas leis, nos representar junto ao poder executivo, fiscalizando em nosso nome aqueles que administram a cidade em que vivemos, nosso Estado e o país.
Se contarmos todas as instâncias públicas, o Brasil joga no lixo anualmente bilhões de reais em corrupção, desperdício, burocracia desnecessária e outras formas de prejuízo explicito, que matam completamente a esperança do nosso povo de termos um futuro melhor, mais justo e seguro em nosso país.
Lembrando, que cabe ao povo não somente nas eleições, mas diariamente, agir com lisura no trânsito, no trabalho e na sua vida, pois não há como exigir dos políticos, se o cidadão comum não fizer seu dever com ética e honestidade. Boa parte do povo brasileiro só pensa em levar vantagens em tudo que coloca as mãos, é preciso dar um basta nesse modo incorreto de vida, antes de exigir direitos, urge a necessidade de cumprir com todos os seus deveres.

29 de dezembro de 2016

Mensagem de Final de ano aos leitores do Blog

Como sempre tento fazer a cada final de ano, venho mais uma vez agradecer as milhares de pessoas, que acessaram o conteúdo do Blog, nos mais diversos locais desse nosso mundo gigante fisicamente, mas pequeno do ponto de vista digital.
Neste ano de 2016 foram aproximadamente 15.500 acessos mensais perfazendo um total de 260 mil acessos desde que o Blog foi lançado. 
Agradeço aos amigos que compartilham nas redes sociais, levando a mais pessoas os textos, artigos que escrevo e que também posto de articulistas renomados de diversos canais de comunicação do nosso país.
Espero sinceramente que todos tenham um 2017 melhor do que 2016, 2015 e 2014. E que possamos rir mais, ler mais, ouvir cada dia mais e nos informar sempre para que nosso alicerce de informações e cultura nos faça mais fortes perante os problemas que enfrentamos em nosso cotidiano.
Sejamos felizes, pratiquemos o bem e façamos com que a Corrente inquebrantável do Bem seja estendida a todos que estejam ao nosso redor.

Obrigado

Rafael Moia Filho - Autor dos Livros O tempo na varanda e O humor no trabalho.



16 de dezembro de 2016

ANAC - Legislando sempre em favor das empresas aéreas!

A corrupção não é uma invenção brasileira,
mas a impunidade é uma coisa muito nossa.
Agência reguladora é uma pessoa jurídica de Direito público interno, geralmente constituída sob a forma de autarquia especial, ou outro ente da administração indireta, cuja finalidade é regular e/ou fiscalizar, a atividade de determinado setor da economia de um país, a exemplo dos setores de energia elétrica, aviação civil, telefonia, etc.
No papel cumprem tarefas de grande relevância, pois sua função é essencialmente técnica, e sua estrutura é constituída de tal forma a se evitar ingerências políticas na sua direção.
Suas atribuições principais são: a) Levantamento de dados, análise e realização de estudos sobre o mercado objeto da regulação; b) Elaboração de normas disciplinadoras do setor regulado e execução da política setorial determinada pelo Poder Executivo, de acordo com os condicionamentos legislativos (frutos da construção normativa no seio do Poder Legislativo); c) Fiscalização do cumprimento, pelos agentes do mercado, das normas reguladoras; d) Defesa dos direitos do consumidor; e) Incentivo à concorrência, minimizando os efeitos dos monopólios naturais, objetivando a eliminação de barreiras de entrada e o desenvolvimento de mecanismos de suporte à concorrência; f) Gestão de contratos de concessão e termos de autorização e permissão de serviços públicos delegados, principalmente fiscalizando o cumprimento dos deveres inerentes à outorga, à aplicação da política tarifária, etc. g) Arbitragem entre os agentes do mercado, sempre que prevista na lei de instituição.
O grande problema destas agências é o fato de que se tornaram grandes cabides de emprego, e trabalham contrariando suas próprias atribuições acima designadas.
Num caso recente, a ANAC – Agência Nacional da Aviação Civil deixou claro para todo país, especialmente os consumidores que ela trabalha com afinco para a satisfação e o lucro das empresas aéreas brasileiras.
O caso é o seguinte: A ANAC aprovou na manhã de 13/12, novas normas relativas a direitos e deveres dos consumidores de serviços aéreos. Entre as mudanças aprovadas pela diretoria da agência, está a permissão para que as empresas passem a cobrar pelas bagagens despachadas. As novas regras começam a valer em 90 dias, a partir de 14 de março.
Com isso, a exemplo do que ocorre em outros países, às companhias aéreas poderão criar políticas próprias para despachar bagagens. Atualmente, as empresas são obrigadas a oferecer gratuitamente uma franquia de 23 quilos para passageiros domésticos e de duas malas de 32 quilos para voos internacionais.
A comparação com o que acontece no exterior é enganosa pelos seguintes motivos: a) A qualidade dos serviços prestados pelas empresas estrangeiras não pode ser comparada com aquilo que as empresas que aqui operam oferecem aos usuários; b) O custo de uma passagem entre Dublin e Londres está em torno de vinte euros ou R$ 71,00 aproximadamente. O custo da bagagem, nesse exemplo, gira em torno de vinte euros. Ou seja, o passageiro vai ter um custo final de quarenta euros ou R$ 142,00 reais neste trecho citado; c) Só para efeito comparativo uma viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro custa R$ 580,00 ou cento e sessenta e quatro euros. Simplesmente nossa passagem custa oito vezes o exemplo do Reino Unido;
No exterior pode acontecer de uma mala ser extraviada, enquanto aqui no Brasil é praticamente certeza que isso vá acontecer. Pois, as gangues possuem elementos trabalhando dentro dos nossos aeroportos, com a conivência Infraero, das empresas aéreas e da ANAC.
As empresas aéreas conseguiram (não sabemos a que custo) “convencer” a ANAC, para que esta embutisse em sua nova regra uma ajuda extra para aliviar o caixa das empresas aéreas que aqui operam em nossos aeroportos.
Aos passageiros usuários do sistema resta a má qualidade do atendimento, filas imensas, o custo obsceno das passagens e agora o custo da sua bagagem. Tente dormir (Ou voar) com um barulho desses...


A corrupção faz parte do DNA e do Currículo dos nossos políticos!

A corrupção não é uma invenção brasileira,
mas a impunidade é uma coisa muito nossa.

O povo brasileiro definitivamente não leva o ato de votar a sério, nem a responsabilidade de fiscalizar independente de quem tenha sido eleito. Afinal de contas, a eleição não termina no ato de votar nas urnas, mas sim, na eleição seguinte.
Outra característica de nossa gente é querer levar vantagem em tudo. Nas filas, nas passagens dos semáforos no vermelho, nas provas escolares, no trabalho, enfim, em tudo que possa lhe render dinheiro, poder ou levar de vencida o próximo.
Para coroar esse comportamento obtuso, temos seguramente a pior classe política do planeta, motivada pela maior sensação de impunidade que algum país possa ter em seu sistema judiciário.
Aliás, temos três poderes legalmente constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário), que trabalham apenas para satisfazer seus desejos internos na busca de maiores remunerações, cargos e todo tipo de vantagens financeiras ou pessoais que o dinheiro possa comprar.
Eles usam e abusam da péssima memória do povo brasileiro, principalmente no legislativo. Alguns corruptos são eleitos e reeleitos seguidas vezes e podem com isso, roubar milhões dos cofres públicos, além de conseguirem arrumar empregos e mordomias para familiares, amigos e correligionários. 
Além de tudo, sonegam impostos, desviam verbas públicas, não executam as obras prometidas, enviam recursos ilícitos para paraísos fiscais como se estivessem transferindo dinheiro entre dois bancos brasileiros.
A corrupção no país começou na colonização, quando em seu desembarque os portugueses deram como propina, espelhos e outros presentes aos índios. Naquele momento, perceberam que a abordagem correta para conseguir levar nossas riquezas passava pela tentativa de corromper os nativos daquela linda terra.
Nos tempos do Império não foi diferente, pois a corrupção, o tráfico de influências grassou pelas ruas do Rio de Janeiro, sede do Império, também por garimpos mineiros, plantações de café paulistas, etc.
Veio à República, e quem leu a história sabe como ela foi concebida e por quem. O modus operandi deu o tom para que os seus defensores à época derrubassem o Imperador para poder assumir o poder em nome da instauração da República.
Não caberia nesse texto a quantidade de exemplos de corrupção ocorridos de 1888 até os dias atuais em nossa república. Os atuais casos de propinas, desvios de verbas, sonegação fiscal e má conduta política em detrimento do crescimento da nação e de nossa gente, demonstra que a corrupção, está no sangue dos nossos políticos.
Se fosse possível identificar através de exame de DNA, com toda certeza, poderíamos previamente definir o Currículo Vitae dos candidatos a cargos em todos os nossos poderes. Somente o fim da impunidade pode alterar essa triste situação, aliada a maior seriedade do nosso povo nas eleições e na fiscalização dos nossos políticos eleitos.

15 de dezembro de 2016

Operação salva Temer a toda!

O movimento para salvar Michel Temer anda frenético. Não importa o que sobre do governo. É o plano, mesmo nestes dias de boatos de degola de todos os homens do presidente, que vão sendo dizimados por delações. Mesmo neste mês em que, se a revolta não está nas ruas, ruge nas redes.
Trata-se de estabilizar a ponte para o futuro até 2019. De não deixar a pinguela cair, de evitar um colapso econômico e de colocar na conta da transição temeriana o custo mais intragável de mudanças econômicas, como agora deveria ser bem sabido.
A operação inclui um contra-ataque aos avanços do Ministério Público, que não se deve confundir com as meras tentativas de solapar a Lava Jato ou de salvar procurados pela polícia no Parlamento.
A palavra é "estabilizar", "segurar os radicais" do MP, conter o tumulto. Mas há um ponto comum entre quem pretende fugir da polícia e quem quer conter o Comitê de Salvação Pública da Lava Jato: alguma lei de abuso de autoridade ou outro tipo de pressão. Em outra crise grave, um projeto de lei caiu nesta quarta (14), por liminar do Supremo. Deve reencarnar em outro corpo, no ano que vem.
Se ainda havia dúvida, o PSDB assumiu a relação com Temer como se não houvesse um amanhã de cassação no TSE ou trauma ainda maior. O movimento continua entre membros de tribunais superiores e antigos companheiros de viagem de PSDB e PMDB, como o homem dos três Poderes, Nelson Jobim, e outras eminências dos corredores da elite.
A algazarra e os escândalos abafam o som do trator no Congresso, que aprova uma esteira de leis importantes, muitas delas sérias, as quais seriam saudadas em público não fosse o vexame terminal do Congresso.
Além do mais, deve passar a lei de intervenção branca nos Estados quebrados, uma espécie de lei de falência que pode dar um destino à crise mais teratológica, como a do Rio, embora não deva acalmar o povo.
Note-se ainda que está para passar lei que pode dar fim ao escândalo dos salários extrateto, muito comuns no Judiciário. Passou uma reforminha do ISS, que limita a guerra fiscal entre os municípios. O caso da Previdência deve voltar a entrar nos trilhos previstos pelo governo, pelo menos até o povo se revoltar.
Aécio Neves fez nesta quarta-feira outro anúncio formal de renovação de votos da união com Temer: "Continuaremos ao lado deste governo até o final desta travessia". Senadores do PSDB, José Aníbal e Tasso Jereissatti na comissão de frente, fazem uma rede de debates na elite a fim de juntar ideias econômicas.
Henrique Meirelles refez as pazes com o tucanato, ontem em almoço. Houvera estranhamento do ministro da Fazenda com o PSDB.
No momento em que bateu certo desespero na elite, o partido pareceu avançar sobre o governo, na economia em particular, enquanto gente do próprio Planalto fritava Meirelles de leve. Não pegou bem. Ontem, pareciam todos no mesmo barco.
Meirelles está ainda mais exposto na política, dadas às baixas no Planalto, tendo até procurado pacificar o centrão, que ameaça avacalhar a reforma da Previdência. Temer, de resto, vai tentar apaziguar o centrão com cargos, numa mexida no ministério que deve vir em fevereiro. Bateu um desespero na elite. Que tenta se mexer. 

O Autor Vinicius Torres Freire está na Folha de SP desde 1991. Em sua coluna, aborda temas políticos e econômicos. Escreve de quarta a sexta e aos domingos.


28 de novembro de 2016

Descriminalização da Corrupção, ao invés da maconha!

Nada é permanente neste mundo cruel,
nem mesmo os nossos problemas.
Charles Chaplin

Há muito tempo ouvimos falar da possível descriminalização da maconha, como um antídoto para minimizar os efeitos do tráfico de drogas em nosso país. Como todos sabem o governo brasileiro, perdeu o controle há muito tempo sobre a criminalidade, e viu neste período o crime organizado se fortalecer saindo dos morros e entrando nos condomínios de luxo.
A luta política pela legalização da maconha começou a ganhar força no começo da década de 80 com advento de atores, músicos e políticos liberais, tais como Fernando Gabeira, que levantou esta bandeira (entre outros assuntos progressistas) em sua campanha presidencial pelo PV em 1989, com projetos que são debatidos atualmente, tal qual a implementação do cultivo da maconha para fins medicinais e industriais.
Recentemente, políticos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, membro da Comissão Latino-Americana de Drogas e Democracia, apoiaram a legalização, descriminalização da posse de pequenas quantidades para uso pessoal de maconha e comungam com a ideia que a repressão apenas resulta no aumento da violência e não diminuiu o consumo que vem crescendo de maneira exponencial, defendendo que devemos criar mecanismos que desestimulem o uso das drogas, como um problema de saúde pública e não de repressão.
No Brasil, com a efetivação da Lei 11.343/2006, de 23 de agosto de 2006, já não existe mais a pena de prisão ou reclusão para o consumo, armazenamento ou posse de pequena quantidade de drogas para uso pessoal, inclusive maconha. As penas previstas são: advertência sobre os efeitos das drogas (saúde, família e etc.); prestação de serviços à comunidade ou medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
Com o avanço dos debates e de políticas liberais pelo globo, vem à tona a iniciativa popular pelas redes sociais e projetos de leis que buscam a descriminalização e legalização da maconha, o que pode colocar o Brasil em meio a tantos outros países que já adotam políticas liberais com o entorpecente. Este trabalho aponta conceitos sociológicos e políticos, com a visão jurídica das possibilidades e vantagens que a legalização trará para as instituições democráticas.
Porém, enquanto este debate prossegue timidamente no seio da nossa sociedade, percebemos que outra droga, muito pior, muita mais destruidora se estabeleceu sem que a maioria pudesse dar conta do seu perigo.
É a droga da Corrupção – Segundo o Dic. Aurélio - Ato ou efeito de corromper (-se); decomposição. 2. Devassidão, depravação. 3.Suborno; peita.
São tantos os efeitos da corrupção para a economia, que não poderíamos quantificar o que nosso país já perdeu nos últimos 30 anos. Sem dizer do envolvimento da classe política e de todos aqueles setores, que agem como corruptores para levarem vantagens econômicas ao praticarem suborno e a propina para pessoas com cargos importantes nos três poderes.
A droga é algo nocivo que pode ser tratada eventualmente, embora a maconha tenha efeito medicinal para alguns cientistas que defendem sua utilização em pequenas doses.
Já a corrupção não tem cura, seu tratamento é a prisão com a devolução daquilo que foi roubado. Porém, os corruptos no Brasil tem um forte aliado, que é a impunidade facilitada pela nossa fraca, omissa e péssima justiça.
O juiz Sérgio Moro, em Curitiba no Paraná, tem tentado mostrar ao país que existem condições de atacar este mal, que nos atinge há tanto tempo. Isolado, ele ainda é apenas uma esperança tênue neste intrincado jogo de xadrez do bem versus mal.
Quem sabe se descriminalizarmos de uma vez a corrupção, possamos ter uma redução na quantidade de golpes, fraudes, que nossos políticos e uma parcela considerável da nossa gente praticam diariamente onde quer que haja recursos públicos.