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1 de julho de 2026

Falso patriotismo da família Bolsonaro repete roteiro usado na ditadura!

 

Enquanto os herdeiros do bolsonarismo celebram o tarifaço dos EUA, a história se repete: uma extrema direita que prega soberania, mas atua como linha de frente dos interesses de Washington nas Américas.

Em 1852, Karl Marx publicou um pequeno livro sobre um personagem que parecia convencido de que carregar um sobrenome ilustre era credencial suficiente para governar uma das maiores nações da Europa. Um ano antes, em 1851, Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão Bonaparte, eleito unicamente pelo prestígio de sua família, recorria ao expediente favorito dos políticos com ambições totalitárias para se manter no poder: o golpe de estado. E, para que ninguém deixasse de perceber a referência nostálgica, escolheu fazê-lo, justamente, no aniversário da coroação do próprio tio como imperador, autoproclamando-se Napoleão III.

Foi observando esse espetáculo que Marx formulou uma de suas frases mais conhecidas da literatura política. A história, escreveu, parecia condenada a reprodução de seus personagens e dramas particulares, “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. A provocação era evidente: Napoleão havia sido um protagonista de uma história; Luís Bonaparte era apenas alguém tentando reencená-la. 

Nada de novo, nada de único, quase uma estrutura atemporal da política, algo que, inclusive, observamos com frequência no cenário brasileiro, onde o passado e a nostalgia se tornam ativos eleitorais. Algumas vezes de forma sutil, outras de forma explícita. Mas quase sempre de forma caricata

Versão do pai

Vide, por exemplo, o que se passa com a candidatura de Flávio Bolsonaro, cujo único trunfo eleitoral até o momento é o próprio sobrenome. Não por outro motivo frequentemente – isto é, quase todos os dias – fale sobre como foi o escolhido para dar continuidade a missão de seu pai. Flávio se vende não como um político único, com história e motivações próprias, mas como uma versão de seu pai na esperança de replicar o acontecimento, a grande onda conservadora, que o levou à presidência da República em 2018. 

Como na imagem que ostenta em suas redes sociais, Flávio é apenas uma sombra do patriarca da família Bolsonaro

E aqui tem um detalhe muito importante, pois o próprio ex-presidente Bolsonaro, por sua vez, também passou a vida surfando no nome de outros, mais especificamente, nos generais da Ditadura Militar. Foi assim que vestiu a fantasia dos antigos ditadores, prometendo levar a nação rumo aos supostos tempos de glória dos anos de chumbo e as benesses do milagre econômico; que, diga-se de passagem, nunca existiram fora da propaganda da caserna. 

Fez história às avessas, ao contrário de seus ídolos, conseguiu a façanha, um feito inédito, de ser preso no Brasil por atentar contra o estado democrático de direito. 

O filho reivindica a herança do pai que, por sua vez, reivindicava a herança dos generais. Ambos fracassaram em seu intento. 

A tragédia de outrora transformada em farsa

E a farsa se transforma em uma tradição familiar.

Estruturas de poder

Mas a repetição, infelizmente, não ocorre somente no plano dos personagens caricaturais. Ela também aparece nas estruturas de poder que esses personagens buscam reproduzir. A história não avança apenas por meio de impostores históricos. Ela se move através de instituições, interesses econômicos e relações de força que não apenas antecedem, como sobrevivem aos seus protagonistas.  

Autor: Orlando Calheiros – Publicado no Intercept Brasil.

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