Que as emendas parlamentares são um dos maiores focos de corrupção do país muitos brasileiros já sabem. Que o PL – Partido Liberal é o partido mais corrupto muitos também já sabem. O que poucos sabem é que um presidente de partido tem autonomia e direito a transacionar R$ 120 milhões destinando emendas parlamentares que são de exclusividade de deputados eleitos pelo povo.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, mandou bloquear R$ 119 milhões em bens e investigar o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de direcionamento de emendas parlamentares mesmo sem ele ter mandato no Congresso. A decisão tem como base investigações da Polícia Federal que apontaram que as emendas foram “forjadamente encaminhadas e desviadas”, inclusive para beneficiar o próprio presidente do PL. De acordo com a PF, R$ 104 milhões já teriam sido pagas.
Esses recursos são para enriquecimento ilícito, campanhas eleitorais do PL e servem também para retroalimentar a corrupção que o partido banca desde sua fundação.
A maioria dos municípios que recebeu supostamente as verbas são de São Paulo, mas também há cidades do Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Pará; destes, R$ 104 milhões já foram pagos. A Polícia Federal identificou ao menos 21 emendas parlamentares destinadas de maneira irregular por Waldemar.
Deste total, que somados chegam a cerca de R$ 119 milhões, 11 são para cidades paulistas. Além de São Paulo, cidades do Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Pará também foram citadas.
Outros municípios tiveram repasses mais de uma vez, como o caso de Suzano, no valor de R$ 26.835.199, em junho de 2024. Para Caraguatatuba, foram feitos dois no mesmo mês, que somam R$ 23 milhões. Já em Santa Fé do Sul havia três destinações, no total de R$ 9.575.004,15, em dezembro de 2024.
Vejam a lista completa:
Mogi das Cruzes (SP) - R$ 3 milhões da comissão de saúde em novembro/25;
Guaimbê (SP) - R$ 280 mil da comissão de turismo em dezembro/25;
Macedônia (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo em dezembro/25;
Cafelândia (PR) - R$ 290 mil da comissão de turismo em março/26;
Iepê (SP) - R$ 500 mil da comissão de turismo em dezembro/25;
Ilha Solteira (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo em dezembro/25;
Morro do Chapéu (BA) - R$ 4,7 milhões da comissão de cidades em dezembro/24;
Santa Fé do Sul (SP) - R$ 9,5 da comissão de turismo em dezembro/24;
Itaguaçu da Bahia (BA) - R$ 2,3 da comissão de turismo em dezembro/25;
Suzano (SP) - R$ 26,8 milhões da comissão de saúde em junho/24;
Ubatuba (SP) - 7 milhões da comissão da saúde em julho/24;
Rio de Janeiro (RJ) - R$ 6 milhões da comissão da saúde em julho/24;
Bebedouro (SP) - R$ 9 milhões da comissão da saúde em junho/24;
Caraguatatuba - R$ 23 milhões da comissão da saúde em junho/24;
Porto Seguro (BA) - R$ 24,9 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;
Presidente Venceslau (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo em outubro de 2025;
Dom Eliseu (PA) - R$ 300 mil da comissão de turismo em outubro de 2025.
A corrupção está no fato de que as emendas foram destinadas por um presidente de partido e inexistem obras ou o motivo real para o uso destas nas localidades citadas. Não há transparência, assim como não há obras, serviços, construções ou nada que possam justificar o envio de milhões do erário.
Essa prática criminosa da destinação de emendas parlamentares já deveria ter sido abolida há muitos anos. Primeiro porque não se pode confiar em políticos, segundo porque não se pode confiar nos prefeitos que são políticos, terceiro porque não se pode confiar nos presidentes de partidos e por último porque as cidades na maior parte do tempo nunca viram a cor do dinheiro.
Nossa Justiça é tão conivente que Valdemar Costa Neto foi preso em flagrante pela última vez no dia 8 de fevereiro de 2024, durante a Operação Tempus Veritatis da Polícia Federal. Ele foi detido por posse ilegal de arma de fogo e usurpação de matéria-prima da União (por guardar uma pepita de ouro). Ele foi solto dois dias depois por decisão do ministro Alexandre de Moraes.
O presidente do PL também foi preso e condenado no escândalo do Mensalão, com sua prisão decretada pelo STF em 5 de dezembro de 2013, após condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Se fosse pobre ou negro estaria atrás das grades até os dias atuais, porém, mesmo condenado e preso em 2013, cinco anos depois estava livre para praticar crimes de corrupção a vontade. Se tornou amigo de Michelle Bolsonaro, virou amigo do presidiário e presidente do maior partido de corruptos que o Brasil já teve um dia, e olha que a concorrência é muito grande...
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

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