Todos sabemos que manter os deputados federais em Brasília custa muito caro. São ao todo 513 deputados eleitos para mandatos de quatro anos. Essa afirmação verdadeira sempre aparece em discussões sobre salários, benefícios e privilégios da classe política brasileira. Mas, para entender quanto custa um deputado federal, é preciso olhar além da remuneração mensal.
O funcionamento desta engrenagem que consegue moer milhões de reais anualmente envolve salários de assessores, estrutura de gabinete, passagens aéreas, deslocamentos, comunicação institucional e recursos destinados à atividade parlamentar. Além disso, deputados também participam da distribuição de emendas parlamentares, que movimentam bilhões de reais do Orçamento da União.
Embora a maioria dos brasileiros não utilize, essas informações estão à disposição de todos para consulta pública. Nos últimos anos, a transparência sobre gastos parlamentares, emendas e execução orçamentária se tornou tema central de debates entre Congresso, Executivo, órgãos de controle e Supremo Tribunal Federal.
É vital entender quanto gastam os deputados e quanto eles custam aos cofres públicos, já que são bancados pelos recursos de nossos impostos. Cada deputado federal recebe atualmente um salário bruto de R$ 46.366,19 por mês, conforme informações da Câmara dos Deputados no ano de 2026.
Apesar de ser um salário aviltante se compararmos com os vencimentos dos professores, médicos, engenheiros e demais profissões esse custo não se limita apenas à remuneração de cada parlamentar. Além do salário, cada gabinete dispõe de recursos destinados à contratação de assessores parlamentares. A Câmara disponibiliza uma verba mensal de R$ 227.000,00 para custear a equipe de apoio ao mandato. Com esse valor, os deputados podem contratar entre 5 e 25 secretários parlamentares, responsáveis por atividades legislativas, atendimento à população, comunicação e acompanhamento de projetos.
A justificativa dada pelos políticos é que essa estrutura existe porque a atuação parlamentar vai além das sessões realizadas em Brasília. Deputados participam de comissões, acompanham políticas públicas, recebem demandas de municípios e realizam atividades em seus estados de origem. Isso é obviamente muito discutível e carece de informações que as comprovem.
Então, já sabemos que cada deputado federal recebe R$ 46.000,00 + R$ 227 mil de verba de gabinete, somados, fazem com que o valor mensal destinado à remuneração de um deputado chegue a obscena casa dos R$ 273 mil. Em um ano, esse valor supera R$ 2,5 milhões. Como a Câmara possui 513 deputados representantes dos nossos Estados esse gasto anual salta para R$ 1.680.000.000 (Um bilhão, seiscentos e oitenta milhões de reais). Como o mandato dura quatro anos o custo aproximado seria de R$ 6.723.000,00 (Seis bilhões e setecentos e vinte três milhões aproximadamente.
Esse cálculo, porém, não inclui outras despesas vinculadas ao exercício do mandato, como recursos da cota parlamentar, passagens aéreas, auxílio-moradia em situações previstas pelas regras da Câmara e demais estruturas administrativas disponibilizadas pela instituição.
O que são as cotas parlamentares?
Outro componente importante dos gastos parlamentares é a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), conhecida como cota parlamentar ou, até mesmo, “cotão”.
Esse recurso é destinado a despesas relacionadas ao exercício do mandato, incluindo:
· passagens aéreas
· aluguel de escritórios de apoio
· hospedagem
· combustível
· serviços postais
· divulgação da atividade parlamentar
· contratação de consultorias
· despesas de transporte
O valor da cota varia de acordo com o estado representado pelo deputado, considerando fatores como distância de Brasília e custos logísticos. A utilização desses recursos precisa ser comprovada por meio de notas fiscais e documentos apresentados à Câmara dos Deputados. Nem sempre isso é garantia de probidade, tem parlamentar que apresentas NFs de combustíveis em dois estados ao mesmo tempo.
O deputado pode gastar o dinheiro como quiser?
Não. As despesas precisam estar relacionadas ao exercício do mandato e obedecer às regras estabelecidas pela Câmara dos Deputados. Os gastos devem ser comprovados por documentação fiscal e ficam sujeitos à análise administrativa.
No entanto, existem questionamentos sobre reembolsos de passagens, locação de veículos e despesas vinculadas ao exercício dos mandatos. Essas suspeitas já motivaram operações da Polícia Federal investigando supostos desvios envolvendo recursos da atividade parlamentar, além de pedidos de apuração encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Senado.
Essas informações deveriam servir de alerta aos eleitores que votam e elegem ou reelegem políticos que ao longo de quatro anos não cumprem suas promessas, não trabalham pela sociedade, fingem lutar por pautas que dizem ser relacionadas a família, enquanto na verdade estão enriquecendo suas próprias famílias as nossas custas.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.


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