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2 de julho de 2026

BAURU: A Área Azul e a prefeita Suéllen Rosim que descobriu o diálogo depois da revolta da população.

  

Arte: Fernando Redondo.

A fala da prefeita Suéllen Rosim sobre a ampliação da Área Azul tenta vender equilíbrio, técnica e modernização. O problema é que a cidade não está reagindo contra a ideia de organizar vagas rotativas. Está reagindo contra a forma como tudo foi feito: primeiro se contrata, depois se amplia, depois se multa, depois se chama de diálogo.

A Prefeitura insiste que o sistema resolve um problema antigo da cidade. É verdade que Bauru precisa organizar melhor suas vagas, especialmente em áreas comerciais, clínicas, bancos, escolas e serviços. Ninguém sério defende a bagunça urbana como política pública. Mas transformar essa necessidade real em um contrato de fiscalização automatizada, com carro leitor de placas, ampliação abrupta das áreas e cobrança sem debate prévio suficiente é outra história.

A prefeita diz que governa ouvindo, mas o que se viu foi a escuta chegando atrasada. A população só entrou no processo quando as placas já estavam nas ruas, quando o carro de fiscalização já circulava e quando a multa virou ameaça concreta. Isso não é participação popular. É comunicação pós fato consumado.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru - Emdurb contratou o Consórcio Park Bauru em um contrato de R$ 14,3 milhões por 60 meses para gerir o novo sistema de estacionamento rotativo. A própria Câmara registrou que o contrato envolve veículos com tecnologia OCR, capazes de identificar placas automaticamente. A CEI nasceu justamente para apurar essa contratação, sua execução e seus impactos.

A vereadora Estela Almagro foi precisa ao apontar o centro do problema: multa não pode ser tratada como arrecadação. Fiscalização de trânsito deve ter função pedagógica, organizar a cidade e garantir mobilidade. Quando a tecnologia aparece primeiro como instrumento de punição, e não como parte de uma política pública bem explicada, o cidadão desconfia. E com razão.

Agora a prefeita fala em aperfeiçoar, ouvir e manter critérios técnicos. Ótimo. Mas técnica sem transparência vira escudo. E diálogo depois da pressão popular vira tentativa de administrar desgaste. Se havia estudo, por que ele não foi amplamente debatido antes? Se havia necessidade de ampliar as vagas, por que a cidade só entendeu isso depois da instalação das placas? Se o modelo é tão bom, por que precisou de CEI para abrir a caixa-preta?

O mais revelador é que Suéllen deixa claro que não pretende recuar. A Prefeitura admite analisar ajustes, mas mantém a fiscalização com OCR nas áreas já consolidadas. Ou seja: escuta, mas não volta atrás. Dialoga, mas preserva o núcleo da decisão. Chama de equilíbrio aquilo que, na prática, é insistência.

Governar não é empurrar política pública na marra e depois pedir compreensão. Governar é explicar antes, debater antes, testar antes e corrigir antes de punir. Quando a população só é chamada depois que a máquina já está funcionando, o nome disso não é modernização. É imposição com verniz tecnológico.

A Área Azul poderia ser uma política de mobilidade. Nas mãos deste governo, virou mais um caso típico de Bauru: contrato milionário, comunicação ruim, debate atrasado, Câmara pressionada e população pagando para descobrir, na prática, o que não lhe explicaram no papel.

Autor: Fernando Redondo - Jornalismo Independente. Publicado no Facebook.

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