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8 de julho de 2026

Até quando o brasileiro irá acreditar que somos o país do futebol?

 

Os campos de várzea nas marginais da extensão dos rios Tietê e Pinheiros em São Paulo não existem mais, foram engolidos pela exploração imobiliária que apelidaram de “progresso”. Logo, nossos jovens não tem mais espaço para jogarem o futebol raiz, da várzea para os clubes, como antigamente eram formados nossos craques.

As bases dos clubes estão em sua maioria nas mãos de empresários ou de pessoas sem qualificação e profissionalismo, isso afasta os pais dos garotos dos grandes clubes brasileiros. Dá para contarmos nos dedos das mãos os clubes que ainda mantém uma estrutura minimamente profissional.

A nossa juventude aos poucos foi se desinteressando pelo esporte do povo, pelo futebol, optam pelo imediatismo pensando que podem enriquecer facilmente, o que nunca foi uma verdade em nosso país.

Somos o país dos feminicídios, onde jovens matam suas esposas, namoradas quando estas encerram os relacionamentos, porque simplesmente não foram educados em seus lares para saber e respeitar um “Não”. Formamos uma geração de homens violentos, agressivos e que matam por motivos torpes e fúteis.

Somos o país dos golpes, onde milhares de jovens se infiltram em gangues, quadrilhas e as organizações criminosas para roubar a sociedade. Promovendo golpes diversos diariamente na internet, nas ruas e nas empresas. A criatividade a serviço da bandidagem e da criminalidade para obtenção de dinheiro “fácil”, outra mentira.

Somos o país das fakes news, onde cerca de oito por cento da população sabe interpretar um texto, onde apenas 6% sabe diferenciar fato de opinião. Um país onde 29% das pessoas adultas são analfabetos funcionais (leem, mas não entendem). Isso explica porque políticos desprezíveis conseguem se eleger ou até se manter no poder por mandatos consecutivos.

Somos o país dos grandes golpes e escândalos que abalam estruturas, porém, não colocam atrás das grades os seus envolvidos. Nossa justiça motiva os criminosos e a impunidade. Raros são os políticos, médicos, empresários e ricos que cometem crimes, que são julgados, condenados e presos em regime fechado.

Portanto, somos um enorme país de terceiro mundo que usa o termo em desenvolvimento para poder esconder que na verdade está mais perto do quarto mundo do que do primeiro. Ainda temos riquezas que não forma roubados ou subjugadas pelos corruptos, ainda temos belezas naturais resistindo a destruição do meio ambiente pelos empresários gananciosos. Temos tudo, menos futebol.

O nosso futebol não vence uma Copa do Mundo há 24 anos porque a entidade que comanda o futebol é um antro de corruptos desde 1966. São sessenta anos de amadorismo, roubalheira e ausência de profissionalismo e gestão em prol do esporte. Já tivemos presidentes da CBF presos nos EUA, no Brasil, vários afastados do cargo pela justiça. Só não temos uma entidade que atue em favor do futebol, dos clubes e dos atletas.

A atual gestão tem um presidente que brotou do desconhecido estado de Roraima, sem nunca ter dado um chute numa bola de futebol ou participado de um time de futebol. Empossado chega à Copa do Mundo sob acusação de gastos com recursos da CBF para levar amantes ao Catar e a Nova Iorque. Dispensa maiores comentários...    

           

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

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