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5 de fevereiro de 2020

Destruição sem fim!

Apesar das inúmeras denúncias realizadas pelo povo Munduruku para alertar sobre a presença de milhares de garimpeiros em seus territórios, a situação está se agravando sem que atitudes sejam tomadas pelo governo federal.
Sobrevoo registra destruição causada pelo avanço do garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Munduruku, no Pará, em setembro de 2019. © Christian Braga Greenpeace
O garimpo que destrói a Terra Indígena (TI) Munduruku já foi denunciado inúmeras vezes pelas lideranças indígenas para os órgãos competentes e para a imprensa. No entanto, ele segue se espalhando e destruindo o bem-estar social deste povo, os rios e as vastas florestas da terra indígena localizada no alto Rio Tapajós, no Pará.
Enquanto isso, o governo assiste inerte ao avanço criminoso dos milhares de garimpeiros que invadem a região, especialmente no Norte da TI Munduruku e, mais recentemente, na TI Sai Cinza.
Alertas não faltaram e, ainda assim, mesmo depois de ter sido denunciada em rede nacional de televisão, a exploração garimpeira não foi alvo de repressão, conforme prevê a lei.
A omissão do Estado está contribuindo para o etnocídio de um povo indígena e para a contaminação do Rio Tapajós e seus afluentes e a destruição da floresta. “Apesar de toda a resistência dos guerreiros e lideranças do povo Munduruku, os milhares de garimpeiros que hoje ocupam e destroem a terra indígena contam com a omissão criminosa do governo, que desde sua posse, não se deu ao trabalho de cumprir o dever constitucional de proteger e promover os direitos indígenas, abandonando os Munduruku à própria sorte”, afirma Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil.
Sobrevoo registra destruição causada pelo avanço do garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Munduruku, no Pará, em setembro de 2019. © Christian Braga Greenpeace
Do lado errado da história
Ao contrário do que se espera de um chefe de Estado, as declarações do Presidente da República e de outros membros do alto escalão do governo sugerem apoio e promessas de legalização dos garimpeiros, prejudicando o equilíbrio ecológico e os direitos indígenas.
Agravando ainda mais a situação, no último dia 11 de janeiro, o governo anunciou que está finalizando um projeto de lei a ser enviado ao Congresso Nacional, com o objetivo de abrir as terras indígenas para a exploração mineral e outros empreendimentos, sem sequer conceder a estes povos o direito de veto a essas atividades, demonstrando o forte potencial destrutivo desta intenção, que atenta contra os direitos desses povos e contra o meio ambiente.
Entre 14 e 17 de janeiro, 450 lideranças indígenas de 45 povos se mobilizaram e realizaram um encontro para manifestar seu repúdio às ameaças que estão enfrentando. “Somos contra tudo aquilo que destrói nossas florestas e nossos rios”, afirmaram em um manifesto.
Invasão generalizada
Segundo estudo da Raisg, a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada, cerca de 18 terras indígenas da Amazônia estão sob ataque garimpeiro, entre as a TI Munuduruku e TI Yanomami, onde cerca de 20 mil garimpeiros colocam em risco a sobrevivência dos Yanomami.
Brasileiros se dizem contra a exploração das terras indígenas
Publicada em agosto de 2019, uma pesquisa de opinião revelou que 86% dos brasileiros discordam da abertura de terras indígenas à exploração mineral. Porém, o governo Bolsonaro demonstra ignorar a vontade popular e se associar aos interesses privados que querem lucrar com a exploração das terras indígenas.
O que não dizem as mineradoras?
Tão grave quanto a retórica antiambiental e integracionista do governo Bolsonaro é o silêncio das principais mineradoras do país, que, ao ignorarem suas políticas de responsabilidade social e ambiental, assumem o risco de se tornarem cúmplices do genocídio que se esconde por trás de tal medida. Por isso, é urgente que as empresas mineradoras assumam publicamente as graves ameaças que decorrem da abertura das terras indígenas à exploração mineral.
Sobrevoo registra destruição causada pelo avanço do garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Munduruku, no Pará, em setembro de 2019. © Christian Braga Greenpeace

Autor: Escrito por Neo Mondo.

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