Uma das tarefas de início de ano em tempos cibernéticos é limpar a enxurrada de mensagens de boas festas recebidas, a maioria de caráter impessoal, réplicas de outras. Nos tempos dos cartões de Natal e Boas Festas em papel, o custo do material impresso e dos selos para remeter pelos Correios limitava - e muito - a seleção de destinatários. Selos e remessas que contam belas histórias, não nos esqueçamos, como bem nos lembra o confrade José Antônio Bittencourt Ferraz em seu blog (https://lorenafilatelia.blogspot.com/). Hoje enviamos mensagens a quem não conhecemos e, da mesma forma, recebemos respostas. As dos amigos e conhecidos são mantidas, claro, criando um histórico digital de como caminhamos ao longo do tempo em termos de desejos e aspirações. A saúde e a paz continuam no topo da lista, ainda que uma dependa muito de nós, a outra, dos nós a serem desatados internacionalmente. A prosperidade passou a figurar em mensagens, influenciada pela plutoteocracia, provavelmente. Religiosos de várias matizes passaram a pregar a importância de um reino terreno, concreto, prévio a um divino, suposto. É, o dinheiro não trai a felicidade.
O ano começa quente em vários sentidos e hoje, junto ao Dia do Leitor, se dá o início da gestação das eleições gerais deste ano. Daqui a nove meses poderemos ainda não saber o nome de presidente e governadores, devido a eventual segundo turno, mas os deputados e senadores estarão eleitos. Pela movimentação já em curso, monotonia é que não haverá. Movimentações não apenas nos bastidores, mas físicas e de domicílio eleitoral, com migração de títulos daqui para ali ao balanço das ondas orçamentário eleitorais e do xadrez político que se delineia. Quando o maranhense José Sarney, saído da presidência do país, foi concorrer a senador pelo Amapá, um misto de desprezo, crítica e espanto circulou pelas orbes políticas e jornalísticas. Hoje é comum um fluminense apitar em São Paulo, sem nunca ter vivido aqui, ou condenados espalharem suas crias biológicas e ideológicas por tantos estados quanto sejam os eleitores fãs de um bigodinho e uniforme caqui.
À parte dos desvarios políticos, "O Agente Secreto" começa bem o ano, ganhando o Critics' Choice Awards de melhor filme estrangeiro, um prenúncio do que pode vir no Oscar 2026. Especialistas dizem que não se pode usar essa primeira premiação do ano como parâmetro para as demais; outros, também especialistas, atestam que o filme e o protagonista Wagner Moura têm grande chance de levar outras estatuetas para "nossa" casa. O brasileiro Adolpho Veloso foi também premiado pela fotografia do filme "Sonhos de trem", além do próprio Wagner Moura ter sido indicado em outras categorias. Fato é que o cinema nacional vive um renascimento com boas produções em curso. Sim, há também coisas estranhas sendo filmadas por aí, com atores até bons, mas cujo enredo ficcional e extremista não condiz com quem já interpretou Jesus Cristo. Atores são gente e todos temos boletos para pagar, compreensível, mas a inexistente alma parece ser de baixo valor para alguns, vendida a preço baixo.
Autor: Professor Adilson Roberto Gonçalves – Publicado no Blog dos Três Parágrafos.
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