A elite que financia e manda nos jornalões pode roubar impunemente que o PIG os protege.
Neste final de ano, O Globo, O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo, principais órgãos de imprensa da elite da financeirização, formaram fileiras para atacar Alexandre de Moraes com acusações sem provas. A repórter lavajatista Malu Gaspar, da Globo, esconde fontes, mas não esconde a motivação: o velho golpe da imprensa brasileira de acusar sem provas, criar um escândalo midiático, e, independente de tribunais e provas, como se corrupta não fosse, precisamente, a imprensa corporativa, atacar pessoas ligadas de alguma maneira ao campo democrático.
É claro que pode ter provas, e toda situação muda, nesse caso, então as ponha na mesa. A acusação leviana do PIG reunido — como dizia o saudoso Paulo Henrique Amorim o Partido da Imprensa Golpista, daí PIG, — é o trabalho sujo que a imprensa brasileira faz, e sempre fez, pelo menos nos últimos cem anos, de usar a suposta corrupção dos inimigos políticos da elite que a controla, como bala de prata para destruir reputações e, com isso, enfraquecer o campo popular.
No exemplo da lava jato, a acusação maldosa e sem provas a Lula, levou a que, mesmo com a exposição pública da máfia da Lava Jato, e com sua absolvição, tanta gente ainda o liga à corrupção. Este é o método de uma das imprensas mais canalhas e subservientes que existem neste planeta. Não precisa ser verdade, desde que o público seja levado a acreditar. O resultado compensa tudo. Esse pessoal nunca fez autocrítica.
Seria engraçado se não fosse trágico perguntar para que serve essa estigmatização de presidentes, ministros, partidos inteiros quando tem a ver com participação popular e aprofundamento da democracia. Esses são os inimigos da imprensa canalha, porque são os inimigos dos seus patrões.
Quando os patrões e seus negócios escusos estão em jogo, não há qualquer menção nos jornalões do PIG. O escândalo das americanas de João Paulo Lehmann e seus amigos, não teve nada nem ninguém pedindo para o bilionário ir para a prisão. Ele sequer foi ouvido ou investigado. Nada. Silêncio absoluto. Lehmann sequer foi mencionado.
O caso do banco Master idem. A elite que financia e manda nos jornalões pode roubar impunemente que o PIG os protege. Nunca saiu uma linha sequer contra a elite que explora e despreza o próprio povo.
Roubo de rico sequer é visto como corrupção. Corrupção, no Brasil, exceto Collor no contexto da redemocratização, foi sempre um crime fabricado midiaticamente contra, exclusivamente, políticos que lutavam pelas causas populares. Os verdadeiros inimigos da elite do saque que o PIG defende com unhas e dentes. Obediência canina, de jornalistas oportunistas, e estes não são poucos, com o fito de criminalizar qualquer política popular.
Tipos como o “imortal” — posso ver Machado de Assis se revirando no túmulo — Merval Pereira, o cãozinho de estimação da família Marinho e ventrículo oficial do órgão de imprensa, já escandaliza com seu falso moralismo de sempre e pede “impeachment” sem provas, como aliás sempre fez na vida. Sua atuação na Lava Jato me causa nojo até hoje.
O mais impressionante é que essa turma só tem um trunfo: o falso moralismo da corrupção política fabricada por eles mesmos. O tema da corrupção — desde que nunca seja da elite que saqueia todo mundo — é a única bala de prata da imprensa antipopular. Sem isso não tem mais nada para fabricar a violência simbólica da elite sobre o resto da população. O falso moralismo é seu único trunfo. Daí que a crítica da farsa da corrupção seja tão fundamental.
Eu desenvolvi uma nova interpretação da sociedade brasileira na medida em que demonstrei, por exemplo, cabalmente, que a farsa da corrupção é a verdadeira legitimação da “cultura de golpes de Estado” que vigora até hoje entre nós. Desvia causas, inverte causalidades, omite o principal, e constroem um Brasil onde o problema são os pobres e quem os defende. É hora de botar o dedo na ferida. O tema da corrupção só serve para imbecilizar o povo e invisibilizar o assalto real: dos verdadeiros donos da imprensa brasileira.
Autor: Jessé Souza é escritor, pesquisador e professor universitário. Autor de mais de 30 livros dentre eles os best-sellers “A elite do Atraso”, “A classe média no espelho”, “A ralé brasileira” e “Como o racismo criou o Brasil”. Doutor em sociologia pela universidade Heidelberg, Alemanha, e pós doutor em filosofia e psicanálise pela New School for Social Research, Nova Iorque, EUA.

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