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17 de janeiro de 2026

A Polícia Federal começa a chegar aos pontos-chave do escândalo Master, por Luís Nassif.

A estratégia dos advogados do Master não será a de tentar ressuscitar o banco, mas tentar provar que o BC impediu sua sobrevivência. Agora de manhã, a Polícia Federal está cumprindo 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

As notícias nos jornais mencionam um novo (para eles) personagem, sem muito destaque: Nelson Tanure. Os que acompanham o Jornal GGN sabem que trata-se de um personagem central, suspeito de ser o verdadeiro controlador do Master. Tanure estava no Aeroporto Internacional do Galeão, indo para o exterior. Teve o passaporte e o celular apreendidos.

Sua participação foi dissecada nos artigos “As Participações Cruzadas e o Esquema Nelson Tanure” e “O modelo Nelson Tanure e o controle da Gafisa”.

Ontem, também, foram noticiados problemas de liquidez da Fictor, a empresa que tentou articular com Vorcaro a venda do Master. No dia 19.11.2025, os leitores do GGN foram apresentados a dados que, provavelmente, nem a própria Polícia Federal ainda levantara, através da matéria “Os negócios obscuros da Fictor, que pretendia adquirir o Master”. Ainda falta a PF chegar em Ibaneis Rocha, o governador do Distrito Federal, cuja conduta foi divulgada na reportagem “Ibaneis Rocha”, o governador acima de qualquer suspeita”, e analisar a conduta da Planner, descrita na reportagem “Planner, falta alguém no caso Master”.

Com todas essas peças na mesa, ai a mídia corporativa entenderá os mecanismos de um dos maiores golpes contra o sistema financeiro, exposta no “Xadrez do Master, a maior crise institucional da história do mercado”.

A estratégia do Master

A estratégia dos advogados do Master não será a de tentar ressuscitar o banco, definitivamente morto – mas ainda insepulto. Será tentar provar que o Banco Central impediu sua sobrevivência através de duas medidas:

1.    Quando definiu um teto de 100% do CDI para captações do banco. Até então, o desespero com o desfecho do esquema Ponzi fazia o banco oferecer até 140% do CDI para seus clientes. Era uma taxa absurda porque, para ser financiável, teria que encontrar clientes dispostos a tomar créditos acima de 150% do CDI. Mas a medida será utilizada pelos advogados do Master.

2.    A intervenção no banco, quando Vorcaro prometia cobrir o rombo trazendo de volta recursos desviados do próprio Master.

3.    Tentar mostrar que o Master não tinha nenhuma relação com o esquema Raeg, a empresa da qual brotavam os fundos, constituídos de ativos sem valor, que recebiam os recursos do Master.

A defesa do Banco Central será comprovar que deu todas as oportunidades para o Master, e ele estava quebrado desde o momento em que passou a recorrer ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em meados de 2025, por exemplo, o FGC estendeu uma linha de cerca de R$ 4 bilhões para ganhar tempo na reestruturação.

Ao contrário do que supõe o Ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União, a inspeção das operações pelo corpo técnico não melhorará a situação dos acionistas do Master. O TCU tem um histórico de Ministros polêmicos, mas tem um corpo técnico sério.

A fiscalização se estenderá ao período Roberto Campos Neto e constatará que os fiscais do BC acompanharam e reportaram, passo a passo, a agonia do Master. Dependendo do nível da fiscalização, poderão identificar as flexibilizações na regulação bancária, impostas por Campos Neto, que permitiram ao sistema financeiro abrigar uma constelação de fintechs e fundos operando nos esquemas Ponzi, além de abrigar o dinheiro do crime organizado. 

Se a investigação se estender à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) haverá a possibilidade do TCU montar um conjunto de recomendações para enquadrar minimamente o mercado financeiro acabando com a terrível ciranda criada pelo padrão Campos Neto. 

Autor: Luis Nassif – Publicado no Site GGN.

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