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31 de agosto de 2018

Déjà vu

O resultado mais sublime da
educação é a tolerância.
Helen Keller

O significado da palavra Déjà vu é quando nós vemos ou sentimos algo pela primeira vez e temos a sensação de já ter visto ou experimentado aquela sensação anteriormente. Diversas teorias errôneas, como intenção, vidas passadas ou visões sobrenaturais, surgiram para explicar o fenômeno.
Pois é exatamente esta sensação que sinto no decorrer desta eleição que será realizada em 2018, e cuja campanha, já começou há tempos nas redes sociais, com agressões, defesa do insustentável, falta de ideias, projetos e muita intolerância em todos os sentidos da palavra.
Já senti essa mesma sensação em relação principalmente aos eleitores do candidato que estava na frente na década de oitenta quando os defensores de Maluf eram inflexíveis e não adiantava dizer que ele estava superfaturando as obras e roubando o dinheiro do cidadão paulista.
Como não havia redes sociais nem internet, bastava entrar num táxi em SP para ouvir o motorista dizer:
_Em quem você vai votar?
Se ouvisse algo diferente de Paulo Maluf, pronto: O sujeito desancava a falar em favor do “Seo Paulo” como eles gostavam de chamá-lo. Eram elogios às suas obras, sua formação, etc.
Em 1989, porém, em âmbito nacional aconteceu à mesma coisa com os defensores da candidatura do então desconhecido Fernando Collor de Melo pelo ainda mais desconhecido partido, o PRN – Partido da Reconstrução Nacional, hoje extinto.
Com ajuda da Rede Globo, que hoje os incautos chamam de comunista, o candidato enganou a todos com seu discurso firme, forte e jovial em defesa do fim das mordomias, da extinção dos marajás do serviço público, da privatização das estatais, etc.
As únicas coisas que fez foi iludir seus eleitores que meses depois desapareceram do mapa. Confiscou o dinheiro de todos, inclusive da poupança e não conseguiu nada com seu falido Plano Collor. Foi defenestrado num processo de Impeachment. Ainda hoje responde por processos de enriquecimento ilícito, e outros artigos do código penal brasileiro e se vale da imunidade de senador da república.
Em 2014, Aécio Neves virou o jovem salvador da pátria, embora com discurso fraco, sem um currículo de gestor público e o ônus de uma gestão fraca a frente do governo de Minas Gerais por oito anos, sem ter construído Hospitais, investido na Educação e deixado o Estado com as piores estradas do sudeste do país, conseguiu com seu discurso enganar seus eleitores e por pouco não vence as eleições marcadas pelo ódio nas redes sociais.
Todos os políticos citados anteriormente estão presos ou respondendo a processos por corrupção, formação de quadrilha, desvio de verbas. Todos enganaram, iludiram e frustraram seus eleitores e defensores ávidos. Hoje em comum existe o fato de que não conseguimos identificar com facilidade um eleitor de Maluf, Collor, ou Aécio Neves nas ruas ou redes sociais.
E o que isso tem a ver com meu Déjà vu? Basta acompanhar as eleições na Internet, WhattApp, Redes Sociais e perceberá com facilidade que o mesmo modus operandi utilizado no passado recente está sendo empregado para defender o candidato Jair do PSL. Agressões, respostas sem conteúdo lógico, e uma prática comum na época do Macartismo americano na década de ’50, imputar aos que não gostam do seu candidato à pecha de “comunistas”, “esquerdistas”, etc. 

Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Blogger e Gestor Público.

26 de agosto de 2018

Morro do Chapéu, um belo exemplo a ser seguido!

Morro do Chapéu é uma cidade da Bahia, da região da Chapada Diamantina, conhecida pela delícia de sua temperatura média, pela beleza do “Ferro Doido” e pelo Centro de Pesquisas Ufológicas de “seu” Alonso.
Recentemente, outra façanha de “Morro” me encantou mais ainda: há cinco anos, um empresário da cidade, Luciano da Casa do Pão, resolveu dar uma pequena mostra de solidariedade para ajudar estudantes da rede pública no seu desempenho escolar. Começou doando um computador para o aluno que tivesse o melhor aproveitamento ao longo do ano. Isso já deixou a comunidade estudantil atenta e empenhada em ganhar o cobiçado prêmio.
No ano seguinte, outros empresários e profissionais liberais juntaram-se a Luciano e ampliaram o leque das premiações: notebooks, motos, uma agência bancária local ofereceu uma poupança de R$ 2.000,00 (dois mil reais), a dentista do lugar entrou com tratamento ortodentário por um ano. Além disso, aos melhores das séries finais do fundamental e médio, garantiram cestas básicas por um ano.
O movimento foi crescendo com a participação entusiasmada de mais pessoas da cidade. Hoje, premiam, principalmente, o desempenho escolar (notas boas) e a assiduidade.
Primeiro resultado: existem alunos, há dois anos, sem uma falta sequer e as “supermédias” chegam a atingir a nota 9,75, levando em conta todas as matérias.
Segundo resultado: a elevação da média do IDEB dos alunos do município. A entrega dos prêmios é feita em noite de gala, com a comunidade presente, em clima de verdadeiro “Oscar da Educação Morrense”.
Não à toa, num distrito de Morro do Chapéu chamado Fedegosos, conheci a escola pública Edigar Dourado Lima, que me fez parecer estar entrando em algum colégio suíço, dada a organização, limpeza e alto padrão de civilidade entre professores, servidores e alunos. O diretor, Professor Edinho, tem tratamento de pop-star pela sua comunidade.
Pergunto à Bahia e ao Brasil: será que só Morro do Chapéu consegue fazer isso? Que tal pegarmos esse extraordinário exemplo e espalharmos pelo restante do país?
Morro do Chapéu: copiem sem moderação!
Autor: Jorge Portugal é poeta, letrista, professor universitário (Língua e Literatura)

23 de agosto de 2018

Vai ou fica? Entendendo o "Bolsa Refrigerante"!

"Coca-Cola ocupa 61% do mercado de refrigerantes. AmBev ocupa uma parcela de 19%. E é justamente o diferencial de concorrência causado por uma tributação desigual que tem ampliado o monopólio das gigantes."
Grandes empresas do setor de bebidas vêm concentrando esforços para a derrubada do Decreto 9.394/18. A medida reduz de 20% para 4% a alíquota de IPI do concentrado para refrigerantes.
O mais confuso nessa história é compreender o porquê de grandes empresas brigarem por altas alíquotas de impostos. É justamente isso que acontece com os insumos para refrigerantes produzidos no Polo Industrial de Manaus (PIM).
As fábricas do Polo são isentas do IPI. Por isso, a alíquota que incide sobre o concentrado define o volume dos créditos de impostos repassados às fábricas que o adquirem.
Quando essa alíquota era alta, altos também eram esses créditos. Para cada R$ 100 de concentrado adquirido do PIM, R$ 20 em descontos fiscais eram repassados adiante. Com a alíquota a 4%, esse valor é reduzido. E é aí que mora a insatisfação das multinacionais.
As engarrafadoras da Coca-Cola instaladas no Sul do País, como a CVI e a Vonpar, são abastecidas com o concentrado produzido em Manaus. São 4.300 km de distância entre o PIM e engarrafadora da Coca-Cola em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
Essa lógica só é vantajosa pelo que a Receita Federal chamou de "planejamento tributário abusivo" no seu Plano Anual de Fiscalização de 2018. O documento está disponível na seção de Auditoria Fiscal do órgão.
Destaco abaixo um trecho:
É a partir desse arranjo que essas empresas conseguiram R$ 2 bilhões em créditos fiscais em 2016 para serem abatidos em IR e CSLL (Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Foi o que apresentou o subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, Jung Martins, em audiência pública no Senado para debater a tributação dos concentrados.
Monopólio e influência
Há 13 anos, a Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras) identificou essas fraudes e propôs a união de indústrias regionais de bebidas em prol de uma entidade que pudesse representar uma contrapartida legítima ao poder econômico e político dessas grandes empresas.
Nunca pensamos que seria uma luta fácil, mas o cenário que nos levou a assumir uma postura propositiva e combativa aos benefícios descabidos das multinacionais há mais de uma década é hoje ainda pior. A Afrebras apurou, com dados da Relação Anual de Informações Sociais/Ministério do Trabalho, que 160 fábricas de refrigerantes de pequeno e médio porte fecharam de 2006 a 2016.
No país da Tubaína, Coca-Cola ocupa 61% do mercado de refrigerantes. AmBev ocupa uma parcela de 19%. E é justamente o diferencial de concorrência causado por uma tributação desigual que tem ampliado o abismo entre o monopólio das gigantes e o encolhimento da indústria regional.
A história que os gigantes de bebidas decidem contar para reaver esses créditos é cheia de alarmismos e números flutuantes. Escondem, inclusive, os esforços da Receita Federal em barrar as práticas de superfaturamento do concentrado, com autuações que chegam à ordem dos bilhões.
Falam dos 15 mil empregos diretos ameaçados. Desafio à comprovação de tal número. Esse balanço de empregos diretos não condiz com qualquer dado oficial. Nem da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), nem do IBGE, nem de qualquer outro órgão.
Falam também que o decreto que reduziu a alíquota do concentrado extrapola a competência do Poder Executivo. O que não é verdade. A medida não criou nem majorou imposto. Apenas reajustou o IPI do concentrado. Não havendo, portanto, desrespeito ao Código Tributário Nacional, nem à Constituição.
Diante dessa inconsistência de argumentos, levanta-se outro debate urgente: a falta de estudos detalhados e de gerenciamento dos incentivos fiscais concedidos.
Como comprovar uma contrapartida eficiente para os R$ 2 bilhões em créditos fiscais concedidos às fábricas de concentrado instaladas na Zona Franca de Manaus?
Em um país onde a tributação pesa justamente no consumo, no bolso do consumidor, não é responsável - para se dizer o mínimo - conceder tamanha vantagem concorrencial a empresas que desequilibram o mercado (forçando empresas menores a fecharem ou a se venderem às gigantes) e que direcionam os seus lucros para Atlanta, nos Estados Unidos.
O desejo da indústria regional de refrigerantes, representada pelo Guaraná Mineiro, Grapette e Laranjinhas espalhadas pelo Brasil, não é a debandada de empresas estrangeiras do solo nacional.
A diminuição dos créditos de IPI dessas gigantes é uma questão de justiça e de isonomia, tanto para o setor de bebidas quanto para os cofres públicos.
Com o mínimo de cuidado e de responsabilidade para com a coisa pública, é fácil compreender que a "bolsa refrigerante" da Coca-Cola e da AmBev não cabe no orçamento de um país que tem como maior desafio de gestão o fim de uma grave crise fiscal.

Autor: Fernando Rodrigues de Bairros, presidente da Afrebras. 
**Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/temer-cede-a-pressao-e-restitui-parte-do-beneficio-a-refrigerantes-em-2019.shtml

15 de agosto de 2018

As eleições do desencanto e do medo!

Quase 60% dos cidadãos com direito a voto ainda não sabem se irão às urnas ou anularão
As eleições brasileiras desde 2018, que despontavam como as de uma redenção da velha política para dar lugar a um novo ciclo de maior democracia e participação popular, aparecem, a menos de dois meses de ir às urnas, como as do desencanto e até do medo. E da maior incerteza desde os tempos da ditadura.
O desencanto dos brasileiros tem números: quase 60% dos cidadãos com direito a voto ainda não sabem se irão às urnas ou anularão. Até os candidatos que aparecem com maior consenso nas pesquisas apresentam, a começar por Lula, uma rejeição de 60%. É a primeira vez que, sem ele, que certamente não poderá disputar as eleições por estar condenado em segunda instância, quem lidera a corrida é um extremista de ultradireita, ex-capitão do Exército que escolheu como vice um general da reserva defensor da ditadura militar e da tortura. E pela primeira vez disputarão as eleições mais de cem militares.
A esquerda, que tinha esperanças de recuperar o poder, depois do inferno do impeachment de Dilma e do desastre do Governo Temer, encontra-se incapaz de se unir, paralisada pela incógnita de Lula ao não desistir da candidatura, o que impediu seu partido, o PT, de apostar num candidato progressista de outra agremiação, apoiado desta vez pelos seguidores de Lula. A ordem é ou ele ou ninguém.
O centro e a centro-direita se apresentam contaminados pela rejeição da sociedade, por se tratarem dos partidos mais sacudidos pela corrupção e alvo das condenações da Lava Jato, que de esperança de limpeza política se tornou uma incógnita e até fator de desestabilização da política.
Se as eleições de 2018 se apresentavam como esperança de início de um novo ciclo político que restabelecesse a economia e abrisse novos espaços para as reformas que nenhum Governo no passado teve a coragem de enfrentar, por serem impopulares, os brasileiros já olham para 2022, ao darem por perdido este pleito.
Mais ainda, sobre estas eleições se abatem já as nuvens negras de um novo impeachment caso Lula seja impedido de participar, já que foi cunhado o slogan “eleição sem Lula é fraude”, porque impediria 30% da população, a parcela que declara voto nele, de escolher o seu candidato. Na outra margem, ecoa também slogan inverso: “Eleição com Lula é fraude”, já que a lei da Ficha Limpa o impede de concorrer.
O máximo que os analistas políticos se atrevem a profetizar é que nunca, nos últimos 20 anos, uma eleição foi, semanas antes de ser disputada, tão incerta e com tanto desencanto e até medo, dois componentes dos quais o Brasil não necessita neste momento, com mais de 14 milhões de desempregados, uma economia fragilizada e o recrudescimento da violência com um triste balanço de 63.000 homicídios anuais, a maioria de jovens negros e pobres.
Tudo perdido? Não. A sociedade brasileira, apesar da crise política que a sacode, é viva e conta com uma democracia ameaçada, mas consolidada, e não perdeu a esperança de dar vida a uma substituição que, se não parecer possível desta vez, continua em germinação, porque junto com o desencanto pelos políticos não morreu a vontade por uma renovação que acabe com a velha república dos privilégios e das castas, para dar à luz uma nova primavera de democracia e bem-estar.

Autor: Juan Arias – El País

Impensável imaginar que viveríamos estas situações no século XXI!

Há muita gente infeliz por não saber tolerar
com resignação a sua própria insignificância.
Marquês de Maricá

A expectativa da grande maioria era viver uma era de transformações a partir do início do século XXI. Novas tecnologias superando tudo que o homem já tinha inventado e experimentado. Novas formas de comunicação com a utilização de meios que só apareciam em filmes futuristas.
A sensação era de que teríamos novas formas de contato e uma evolução do ser humano em todos os sentidos com a chegada do século XXI. Isso fazia muitos sonharem com mudanças benéficas em suas vidas.
Constatamos incrédulos que após transcorrermos dezoito anos do novo século, não temos carros voando pelas nossas cidades. Sequer dispomos de veículos elétricos para amenizar a poluição e o consumo de petróleo.
Não temos transportes coletivos utilizando tecnologia de ponta como o VLT, e percebemos que a população ainda sofre em velhos ônibus barulhentos, desconfortáveis e sujos.
No Brasil a única tecnologia que evoluiu foi a dos celulares e smartphones que inundam as lojas e estão em toda parte, nem sempre sendo utilizados para fazer jus ao seu preço e importância na comunicação.
Estamos vivendo numa situação que não condiz com o tempo presente, doenças antes erradicadas voltam a assombrar a saúde pública por falta de ações do governo federal e estaduais, bem como, pela ignorância dos intelectuais do Facebook, que resolveram crucificar as vacinas e assim, permitir que as doenças proliferem novamente.
A violência urbana no Brasil supera a de países em guerra, chegando ao descalabro de atingirmos 63 mil mortes por assassinato ao ano. Um número que mostra a situação de descontrole e desgoverno que o povo brasileiro está entregue, sem políticas públicas, com 14 milhões de desempregados e com as facções criminosas nadando na impunidade do nosso fraco sistema judiciário.
Não bastasse tudo isso, ainda temos em pleno século XXI falsos médicos matando mulheres que buscam aumentar ou corrigir aspectos de seus corpos, sem, no entanto, se atentarem para a inteligência ao buscar clínicas especializadas em cirurgias estéticas ou plásticas. A virada do milênio não produziu nada daquilo que imaginávamos na leitura dos textos produzidos no século passado, dando conta de avanços da humanidade. Ao contrário, estamos regredindo no Brasil a passos largos.
Os antigos trotes telefônicos viraram #Boatos nas redes sociais e se transformaram numa febre chamada Fake News, ajudando a desinformar ainda mais, se é que seja possível, o povo brasileiro.
A ciência sem recursos suficiente caminha vagarosamente na direção da cura de doenças que matam milhões ao redor do planeta. Os recursos estão sendo gastos em guerras, construções de naves e equipamentos para chegar ao planeta Marte, enquanto a Terra agoniza e pede socorro.
A poluição dos rios no Brasil e as queimadas das matas e da Amazônia para que gananciosos latifundiários capitaneados por políticos inescrupulosos possam instalar pastos e plantações, definem o perfil de um país que em breve não vai ter alimentos suficientes para por no prato de sua gente.
Ainda estamos no começo, claro que muitas coisas podem mudar e evoluir, mas confesso cético, que não consigo enxergá-las no atual momento em que vivemos. Ver uma mãe esclarecida, com formação universitária recusar-se a dar as vacinas a sua filha me levam a ser pessimista.
Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Blogger e Gestor Público.

3 de agosto de 2018

Nós temos democracia - Uma critica literária

#SOSEducacao


“Indicar amigos de confiança não é democracia. Indicar pessoas sem qualificação administrativa não é democracia (...).”
O restante da citação de Stephen Kanitz,
na página 122, da obra abaixo citada;

Conclui, sedento, a leitura da obra, recém lançada, do meu amigo Bauruense e Paulista Rafael Moia Filho – De Sarney A Temer – Nossa Incipiente Democracia.
O título e pós-título já me aguçou o paladar de quando me vem a ansiedade de ler “coisas boas” – algo raríssimo nesses tempos de Brasil desencontrado, dele mesmo.
Quando me presentearem com livros, já mandem-no nú, sem pacotes, pois se fizerem pacotes, bonitos, para presente, vou deixá-los sem jeito, pois minha ânsia jamais será o externo e sim o conteúdo.
Meu amigo, virtual – sim de redes – mas amigo/irmão desses que a gente encontra, raramente na vida, está comigo, seguindo juntos nessa batalha por um Brasil melhor, desde o 2013 logo após ter adentrado na rede mundial Twitter.
E o marido da Célia Moia, vem com tudo em sua terceira obra lançada.
Com um detalhe: Rafael não é jornalista.. Mas, escritor. Decidiu após seu tempo de serviço em empresa (e aposentou-se somente do trabalho) e virou um jornalista com “J” maiúsculo. Se ele fez faculdade?
,,,risos altos.... Claro que não... Mas é melhor jornalista que muitos de carteirinha que andam solto por ai. Prefiro chamá-los de “escrevinhadores”.
Rafael não. E é honesto, deixa clarissimo, no inicio de sua nova obra, que remete tudo o que escreve para que sua esposa Célia – Esta mestra em Letras – corrija tudo. Para nada sair errado.
Ah, nosso #SOSEducacao e o respeito a língua pátria. Nobre Casal.
E a obra de Rafael?
Bem não é um livro simplesmente narrado de fatos acontecidos. É um livro histórico do pós-governo de exceção ou militar (como queiram chamar), hoje todos já sabem que nao tivemos ditadura e sim um regime de exceção.
Rafael faz citação no início de sua obra. Abre o prefácio com Max Webber (nunca confundir com Karl Marx, por favor) quando pega emprestada a frase:
“Porque todo mundo quer viver à custa do governo, o governo acaba vivendo à custa de todo mundo...!”
Rafael começa a mostrar, históricamente, com dados, com bibliografia, com fontes fidedignas lá com Tancredo Neves e a posse de Sarney e chega a Temer, nosso atual Presidente da República.
Nesse periodo todo, nada foi esquecido por Rafael: A inflação, os salários, as moedas, os congressos, os partidos, as alianças...
Todo brasilês deveria ler essa obra do Bauruense, antes de votar nessas eleições que estão próximas. Espero que haja.
Nada vai mudar. Não importa. Continuemos na obra de Rafael – De Sarney a Temer -, eis o que importa agora.
Na dedicatória voce poderá estranhar ter duas citações:
A primeira de Eduardo Galeano, o jornalista e escritor Uruguaio que morreu em 2015 famoso por sua obra “As Veias Abertas da América Latina”, considerado por muitos como socialista. Mas você entende, logo em seguida por que Rafael coloca Winston Churchil como segunda citação. Pronto está formado o inicio e o final do livro, assim como seu título faz referência.
A continuidade da frase (utilizada no inicio) de Stephen Kanitz continua ...(...)  Nós administradores, colocamos os melhores profisionais mesmo nao os conhecendo, e colocamos auditores internos e externos e ainda sistemas de segurança para nao sermos pegos de surpresa. Nem sempre isso funciona, mas tente despedir um amigo que se mostra incompetente que voce conhece  há 20 anos.....!” Conclui a frase do autor, citada por Rafael.
Com essa frase, na página 122, Rafael faz um clara referência com advertência do que acontece nos meios públicos, principalmente o federal, com os amigos e os amigos dos amigos, todos literalmente sendo muito bem tratados pelo Estado, para não haver, digamos traição.
Rafael foi feliz. Não deixa opiniõesinhas baratas na obra. Mostra a história política recente para quem quiser ver. E creiam-me a grande maioria dos Brasileses precisa ver, ler, estudar e saber o que está acontecendo nesse periodo da obra, com a política nacional.
Não se preocupe, não é uma enciclopedia, é um volume de 140 páginas. A grande maioria vai necessitar ler duas vezes para entender.
Uma pequena maioria vai ler, reconhecer (se viveu nesse periodo) ou então conhecer se é além do periodo inicial.
Rafael teve um prefácio magnifico escrito por Paulo Cesar Razuk. Professor Titular aposentado da UNESP – campus de Bauru.
A análise inicial da obra é clarissima e dotada de um espírito profundo de cidadania e civilidade.
De Sarney A Temer – Nossa Incipiente Democracia É a obra atual brasilesa, que, repito, todos deveriam ler, antes das eleições.
Valeu guerreiro paulista e bauruense, amigo, sobretudo, pela brilhante reflexão histórica de nosso atual Brasil político.
Eis tua ajuda, guerreiro, para a juventude atual entender o processo após os Militares no Brasil.
E está tão bem explicado que até os alfabetizados funcionais entenderão, não se preocupe.

Pois para Rafael, afinal, Pensar não dói...


PS: Gratidão com bênçãos gaúchas pelo presente.

Transpirado da obra
De Sarney a Temer
Nossa Incipiente Democracia
De Rafael Moia Filho
Bauro – São Paulo – Brasil –
Editora Grupo Scortecci – SP – 2018
José Carlos Bortoloti é
jornalista, professor de Comunicação, 
escritor, cronista, articulista, crítico literário.
Passo Fundo - RS


30 de julho de 2018

Brasil: Um país sem futuro!

Ao se estudar a história particular de cada país se verá uma variedade de situações e de circunstâncias que aproximam algumas e distanciam outras. Uma dessas situações diz respeito ao fato de que alguns países são inovadores, conseguem superar as condicionalidades de um passado difícil e se modernizam com igualdade, justiça e progresso, enquanto que outros não conseguem se desenvolver e permanecem prisioneiros das determinações do passado e se tornam cativos da desigualdade, das injustiças e do atraso. O Brasil, certamente, é do segundo tipo. Aqui o passado determina o presente e bloqueia o futuro e os mortos governam os vivos.
O mais provável é que existam muitas razões para o triunfo do atraso e das determinações  do passado no Brasil. Aqui, apontar-se-á apenas uma: o problema da fundação, da gênese. Maquiavel, ao estudar o grande historiador de Roma antiga, Tito Lívio, assevera que as repúblicas mal fundadas tendem a permanecer extraviadas ao longo dos séculos, como que buscando um caminho na escuridão, e procuram encontrá-lo através da promulgação de um cipoal infindável de leis, pensando que estas podem consertar a realidade, mas que sequer entram em vigor. As décadas e os séculos passam sem que esta república encontre a sua verdade, sem que o povo esteja ao abrigo das misérias humanas e sem que a justiça, a igualdade e a liberdade sejam frutos acessíveis para a generalidade das pessoas.
Ainda de acordo com Maquiavel, com base em Tito Lívio, as repúblicas bem fundadas são aquelas que nascem de um ato de terror fundante, no qual, o arbítrio dos mais fortes é passado no fio da espada para fundar a validez da lei originária, alicerçada nos princípios da igualdade e da justiça. De tempos em tempos, esse ato precisa ser renovado com a punição exemplar daqueles que tentam violar ou corromper estes princípios. Sem este ato, os mais fortes não terão freios e exercerão o arbítrio, a dominação e a violência sobre os mais fracos.
Maquiavel vê atos de terror fundante exemplares em Moisés, quando desceu do monte Sinai e mandou passar no fio da espada 22.200 homens por terem implantado a desordem; em Ciro, ao se revoltar contra os medas e fundar o império Persa e em Rômulo, ao matar Remo para garantir a fundação e a segurança de Roma. Modernamente podemos ver esses atos nas Guerras de Independência e de Secessão dos americanos, na Revolução Francesa, na Revolução Cubana e assim por diante.
Na história do Brasil, o poder político e suas formas constitucionais e jurídicas sempre foram produtos do trabalho usurpador das elites econômicas e políticas e expressão de seus interesses. Em nenhum momento dos processos fundantes desse poder o povo foi partícipe enquanto sujeito e sempre teve seus interesses e direitos excluídos dos arranjos legais e constitucionais que se efetivaram ao longo do tempo. Notadamente, a Independência se revestiu de uma transformação perpetrada por segmentos que representavam os interesses da metrópole e a Proclamação da República assumiu o caráter de um golpe do qual, o povo, bestializado, nos termos de Aristides Lobo, não participou e sequer compreendeu o seu significado.  
No Brasil, o povo nunca foi soberano, a lei nunca foi igual, a democracia nunca existiu para a grande maioria das pessoas pobres. As tentativas de refundar o fundar o Brasil, primeiro com Getúlio Vargas e, depois, com Lula, foram atacadas pela ação corrosiva das elites, por guerras políticas sem escrúpulos e sem quartel, pela violência, pela traição e por golpes que visaram perpetuar a ordem da dominação do passado, manter o presente do povo na miséria e interditar o futuro.
Se o Brasil é um país sem presente por conta de todos os males que assolam o povo - desemprego, falta acesso aos serviços de saúde, falta de educação, salários baixos, falta de cultura e de lazer, pobreza, preconceitos, falta de direitos, violência etc. - os dados da Revisão 2018 da Projeção da População do Brasil, divulgados na semana passada pelo IBGE, confirmam que o país não terá futuro.
O presente do Brasil é trágico, sem dúvida. Mas o seu futuro poderá ser ainda mais trágico. O país está envelhecendo de forma mais rápida do que se pensava. Em 2039, o número de pessoas com mais de 65 anos será superior ao número de crianças e jovens com menos de 15 anos. Em 2060, uma de cada quatro pessoas terão mais de 65 anos.
O problema é que o bônus demográfico evaporou: os jovens de hoje envelhecerão sem oportunidades, sem emprego, sem qualificação, sem poupança e, provavelmente, uma previdência razoável. Serão velhos, pobres e sem assistência e sem direitos. Os jovens de hoje e o sistema de trabalho de hoje não estão nem bancando sequer a previdência de hoje. O Brasil ocupa o sétimo lugar entre os países que mais matam jovens no mundo. Em todos os sentidos, o Brasil está queimando, dissipando, o seu futuro. Os jovens mesmo estão dominados pela ideologia do consumo. Não poupam e não se previnem. Não imaginam que amanhã poderão cair e que ninguém lhes dará a mão para se levantarem.
O Brasil está envelhecendo sem a  infraestrutura adequada para o progresso e sem a infraestrutura para a velhice. As cidades, os transportes, o sistema de saúde, o sistema previdenciário, a mobilidade urbana, as estruturas de comércio, nada está preparado para um país com forte presença de pessoas idosas. Sequer níveis satisfatórios de saneamento básico existem.
O pior de tudo é que, a partir do golpe, o Brasil está andando para trás. O governo e o Congresso golpistas estão empenhados em destruir políticas e programas que vinham contribuindo com a redução da pobreza e com a sustentabilidade ambiental. Governo e Congresso estão dominados por grupos criminosos, a exemplo do agronegócio, grupo que não tem nenhuma consideração com a dignidade humana e com a sustentabilidade ambiental, com o futuro dos brasileiros e com os brasileiros do futuro.
As diferenças entre ricos e pobres se tornam cada vez mais abissais, tenebrosas, terríveis. As exclusões históricas, de raça, de gênero etc., se aprofundam e políticas inclusivas, ou são extintas ou têm os recursos calcinados. Se as pessoas pobres já não tinham acesso a hospitais, hoje não têm acesso a médicos. Vivem doentes e morrem sem atendimento. Estamos entre os países mais violentos e desiguais do mundo. O Brasil está sob a égide de elites econômicas e políticas criminosas, perversas, cruéis.
Um dos poucos brasileiros que tem a força, a coragem e a sensibilidade para bloquear esse processo de destruição do presente e do futuro do Brasil está preso em Curitiba. Os interesses que prenderam Lula e que querem impedir que ele seja candidato à presidência da República são os interesses que massacram o povo, que espezinham a sua dignidade, que decepam o seu presente e o seu futuro.
O povo precisa alimentar um temor terrível dessa monstruosidade que está sendo feita contra ele. Este temor, que deve ser o temor pela vida desgraçada que leva à morte, precisa despertar a clarividência da razão. Da razão que ilumina e que desperta a consciência de que não há motivo para não lutar. Aliás, de que o principal motivo da vida, agora, é lutar. E aqueles que têm consciência precisam fazer apelos por corações irados, por organizações de irados, pela força de gente irada. As lideranças precisam fazer apelos pela indignação e pela fúria. É preciso organizar a fúria. Não dá para tratar com bons modos uma elite que trata o povo com brutalidade.
Os métodos tradicionais de luta não comportam mais a urgência de um agir mais contundente e corajoso. A vastidão da tragédia do povo brasileiro deve ser o metro das novas lutas. E que essas lutas, entre outras coisas, sejam capazes de arrancar Lula dos calabouços de Curitiba. É preciso consolidar a ideia de que se não querem deixar que o governo legitimamente eleito de Lula dê ao povo o que é direito seu, o povo tem o direito de buscar o que é seu com suas próprias mãos.

Autor: Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).

26 de julho de 2018

Por que nos esquecemos dos livros que lemos!

Lembramos onde lemos aquela obra ou como era a capa. Mas costumamos ter mais dificuldade em evocar o argumento

É muito frequente lembrar os lugares onde lemos: na esteira da praia, à sombra das árvores; em um parque de diversões; em um apartamento minúsculo onde dava para ouvir o trem; na mesa da cozinha de casa. Mas é um pouco mais difícil se lembrar de qual livro foi lido em que lugar, quem era o autor, ou o enredo. Mesmo que às vezes se lembre que tinha capa vermelha ou que era uma edição de bolso.
Ou seja, guardamos lembranças da sensação física da leitura, mas menos do que foi lido. “Quase sempre me lembro de onde estava e me lembro do livro. Lembro-me do objeto físico”, disse Pamela Paul, editora do New York Times Book Review, a Julie Beck em uma reportagem na The Atlantic. Ela continua: “Eu me lembro da edição, da capa e, geralmente, de onde comprei ou quem o deu para mim”.
O que não lembro e isso é horrível é todo o resto. O que mais me lembro sobre a coleção de contos de Malamud O Barril Mágico é a luz morna do sol na cafeteria às sextas-feiras, onde eu o lia antes de ir para o colégio. Faltam os pontos mais importantes, mas já é alguma coisa.
A leitura tem muitas facetas, uma delas pode ser a mistura indescritível, e naturalmente fugaz, de pensamento e emoção, e as manipulações sensoriais que ocorrem no momento e logo desaparecem. Quanto da leitura é, então, uma espécie de narcisismo, um marcador de quem você era e sobre o que estava pensando quando se encontrou com um texto?”, escreve Ian Crouch na The New Yorker sobre ler e esquecer o que se leu.
Há sortudos capazes de lembrar os enredos de filmes, séries e livros, mas para a maioria, como escreve Beck, é “como encher uma banheira, entrar nela e ver a água descer pelo ralo: pode deixar uma fina película na banheira, mas o resto não está mais lá”. Existem algumas razões científicas para explicar isso e têm a ver com a chamada “curva do esquecimento”, que é a velocidade com a qual nos esquecemos de algo, mais intensa durante as primeiras 24 horas depois que aprendemos alguma coisa, a menos que se faça uma revisão.
Isso explicaria por que os livros lidos em um fôlego só, ou as séries devoradas em uma sentada, são esquecidos mais facilmente: não se pôs a memória da recuperação para trabalhar.
De fato, sabe-se que quem consome uma série assistindo um capítulo por semana ou um por dia se lembra dela melhor do que quem a vê inteira em um único dia. Ler um livro de uma só vez, às vezes, significa esquecê-lo mais cedo, porque só foi ativada a memória de trabalho, não há revisão.
Em parte, sempre foi assim, mas de acordo com Jared Horvath, pesquisador da Universidade de Melbourne, citado por Beck, “a forma como se consome informação e entretenimento hoje mudou o tipo de memória que valorizamos”. A memória de recuperação se tornou menos necessária em parte graças à internet, agora a memória de reconhecimento é mais importante, afirma Horvath.
A possibilidade de ter acesso à informação significa que não é necessário memorizá-la. Está disponível na internet, a grande biblioteca global, mas também em alguns de seus predecessores, como livros, cassetes ou VHS. De fato, Sócrates já era contra o “uso das letras” como uma espécie de memória externa que dificultaria a memorização. Hoje conhecemos a relutância do filósofo contra a letra escrita, e todo o seu pensamento, graças aos diálogos de Platão, que foram registrados por escrito.
Em The Solitary Vice: Against Reading [O Vício Solitário: Contra a Leitura], a professora e ensaísta Mikita Brottman recupera este fragmento de O Tempo Redescoberto, de Proust, um grande explorador da confluência entre leitura e memória: “Um livro que lemos não permanece unido para sempre apenas ao que havia em torno de nós; continua fielmente unido também ao que éramos então, e só pode ser sentido de novo, concebido, através da sensibilidade, através do pensamento, pela pessoa que éramos então”. Brottman também cita as memórias de Azar Nafisi, Lendo Lolita em Teerã, onde o autor escreve: “Se um som pudesse ser guardado entre as páginas da mesma forma que uma folha ou uma borboleta, diria que, entre as páginas do meu Orgulho e Preconceito, o romance mais polifônico de todos... está escondido, como uma folha de outono, o som daquela sirene [antiaérea].” Essa relação com os livros lidos e às vezes esquecidos explica a existência das memórias bibliófilas. O livro de Brottman pertence, em parte, a esse gênero, e Lendo Lolita em Teerã, completamente. É um gênero que tem seu próprio acrônimo: Bob, book of books.
Pamela Paul mantém o seu diário de leituras desde os 17 anos e foi com base nele que escreveu My Life with Bob: Flawed Heroine Keeps Book of Books, Plot Ensues [Minha Vida com Bob: a Heroína Defeituosa Mantém o Livro dos Livros, a Trama Continua].
De acordo com um artigo no Financial Times, estamos em um bom momento para bibliomemórias. Lucy Scholes escreveu sobre o gênero: “A bibliomemória é um convite aberto para olhar as prateleiras da biblioteca de outra pessoa; uma oferta que eu, e claramente muitos outros, acho difícil recusar”.
O capítulo do expurgo da biblioteca de Dom Quixote sempre foi lido como uma crítica literária mais ou menos camuflada, e como uma declaração das fontes do Quixote, mas também é uma lista de livros lidos, ou seja, uma bibliomemória.
O desejo de registrar sua biblioteca essencial foi o primeiro impulso que levou Ismael Grasa a escrever La Hazaña Secreta [A Façanha Secreta], um livro que, entre muitas outras coisas, é um diário de leituras. Alberto Manguel cultivou o gênero com resultados brilhantes. Em Packin’ My Library [Encaixotando Minha Biblioteca], ele escreve que escritores e leitores sempre se perguntaram se a literatura tem algum papel na formação de um cidadão. Lucy Scholes responde que “em sua exploração da relação simbiótica entre vida e literatura, a bibliomemória parece ser um grito de guerra afirmativo”.

Autora: Aloma Rodríguez é escritora e membro da redação de Letras Libres.

10 de julho de 2018

Nuvens negras sob a Casa Branca!

É uma boa coisa exigir liberdade
para nós mesmos e para aqueles
que concordam conosco, mas é uma
coisa ainda melhor e mais rara dar 
liberdade a outros que discordam de nós.
Franklin Roosevelt

Nem bem conseguiu se livrar das denúncias sobre as investigações do FBI e da Justiça americana com relação à interferência da Rússia durante a campanha eleitoral em 2016, outra ameaça jurídica paira sobre à Casa Branca: a denúncia da Procuradoria-Geral de Nova York contra a Fundação Donald J. Trump, num processo de natureza civil.
O jornalista do renomado Washington Post, David Farenthold revelou antes da eleição de 2016, uma matéria onde descobriu que o dinheiro da fundação foi utilizado em reformas de hotéis de Trump, na compra de pinturas com a imagem dele e para financiar atividades da campanha eleitoral. A reportagem valeu um prêmio Pulitzer ao jornalista.
Em audiência no final de junho, a juíza Saliann Scarpulla afirmou aos advogados que a família Trump deveria aceitar imediatamente as sanções propostas pela procuradora Barbara Underwood, tamanhas são as evidências de uso do dinheiro da fundação para enriquecimento privado e fins eleitorais.
Entre as testemunhas essenciais para desvendar as falcatruas está Allen Weisselberg, executivo que cuida há décadas das finanças da família e é considerado o melhor conhecedor dos negócios de Trump.
Mais uma vez o discurso moralizador de um político situado no espectro da direita americana não condiz com a sua prática político e empresarial. Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, deveria ser o lema da campanha de Donald Trump.
Além de impor uma agenda extremamente agressiva para com o meio ambiente, os imigrantes, e ter a obsessão pela construção de um muro na fronteira que separa o México dos EUA, Trump tem muito que explicar ao povo americano, começando pela justiça.
Enquanto esses processos correm na justiça, o presidente precisa se esquivar de acusações de sexismo. Dois dias antes do segundo debate presidencial, uma gravação de 2005 apareceu, feita em um ônibus de estúdio enquanto se preparava para filmar um episódio de Access Hollywood. Na fita, Trump se vangloria com o então coadjuvante Billy Bush, por forçar beijos e toques em mulheres. Ele afirma que "eu só começo a beijá-las... eu nem espero, e quando você diz que é uma estrela, elas deixam você fazer isso, você pode fazer qualquer coisa...". Ele também fala de seus esforços para seduzir uma mulher casada, dizendo que "vou para cima dela com força."
Após a divulgação da gravação de 2005, pelo menos 15 mulheres apresentaram novas acusações de má conduta sexual, incluindo beijos e toques indesejados, o que resultou em ampla cobertura da mídia.
As posições políticas de Trump são amplamente descritas pela mídia como "populistas". Ele descreveu suas posições políticas de várias formas, muitas vezes contraditórias ao longo do tempo. Trump afirmou: "Eu evoluí em muitas questões, há algumas questões que são muito iguais, eu tenho sido constante em muitas questões, mas evoluí em certos assuntos".
O PolitiFact.com escreveu que é difícil de determinar a postura de Trump sobre várias questões, dadas as suas frequentes mudanças de posição e "a sua propensão para usar linguagem confusa, vaga e até contraditória". O PolitiFact.com contou pelo menos 17 vezes em que Trump disse algo e depois negou ter dito.
Triste pensar que este cidadão é o líder de uma das maiores nações do planeta, com uma economia importante e uma indústria bélica muito forte no cenário mundial. Pelo visto, votar de forma equivocada não é privilégio dos brasileiros.
Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Blogger e Gestor Público.

A culpa com certeza não é dela!

A corrupção não é uma invenção brasileira,
mas a impunidade é uma coisa muito nossa.
Jô Soares

A cada quatro anos, sempre no mês de junho acontece à realização da Copa do Mundo de Futebol entre seleções. Este evento começou a ser realizado no distante ano de 1930 no Uruguai e é até hoje organizado pela FIFA – Federação Internacional de Futebol.
Teve interrupções no período da II Guerra Mundial de 1942 a 1950, quando retornou com o Mundial realizado no Brasil e vencido pelo Uruguai.
Nos últimos anos, sempre que acontece esse evento, e com maior intensidade depois que foram implantadas as redes sociais, alguns brasileiros resolvem criticar sua existência e o fato de milhares de pessoas ao redor do mundo, incluindo os brasileiros, acompanharem seu desenrolar por trinta dias.
O esporte nunca foi motivo de qualquer problema no primeiro mundo, onde eventos de diversas atividades esportivas acontecem anualmente sem que isso cause qualquer tipo de transtorno.
Eu mesmo sempre acompanhei as Copas de Futebol, as Olimpíadas e outros eventos esportivos de grande magnitude sem deixar de cumprir minhas obrigações, de exercer meus direitos e de levar minha vida pessoal e profissional normalmente.
Nestas ocasiões continuo lendo e me informando normalmente sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, não deixo de ver os noticiários, ler os portais e acompanhar o que demais importante julgo necessário para minha vida. Nunca atrapalhou meus estudos nem minha carreira profissional.
Aqui no Brasil, por sorte ou azar, no mesmo ano da realização das Copas do Mundo de Futebol, acontecem às eleições para Presidente, Governador, Senador e Deputados Estaduais e Federais. Nunca deixei de votar ou de acompanhar o andamento das notícias e dos candidatos por conta do evento futebolístico.
A eleição ocorre em outubro, portanto, de 16 de julho quando termina a Copa até o dia da realização das eleições todos os brasileiros tem muito tempo para analisar, pensar, escolher e votar com consciência.
Aliás, mais importante ainda seria após as eleições fiscalizar, cobrar e acompanhar aqueles que foram eleitos, algo que o brasileiro não faz durante os quatro anos que separam as eleições. Portanto este falso patriotismo praticado por pseudos intelectuais de redes sociais não contribuem com absolutamente nada nem antes nem depois da Copa do Mundo e das Eleições.
Sendo assim, vejo como uma tremenda bobagem e falta do que fazer ficar postando coisas inúteis nas redes sociais e no Whatsapp sobre as diferenças entre os países e o Brasil durante a Copa do Mundo.
Não é o esporte a cada quatro anos que atrapalha o Brasil, mas sim, os brasileiros que não levam a sério suas obrigações, praticam a Lei de Gerson (Levar vantagem em tudo) e ficam distantes dos jornais, revistas especializadas, sites e portais com informações importantes.
Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Blogger e Gestor Público.

Dezoito mil sindicatos!

A corrupção não é uma invenção brasileira,
mas a impunidade é uma coisa muito nossa.

A quantidade de farmácias nas grandes cidades brasileiras impressiona qualquer cidadão do mundo. Também chama a nossa atenção a proliferação de igrejas de fundo de quintal em nosso país. Agora, nada supera a existência de aproximadamente 18.000 sindicatos em todo país.
Quais são as exigências para se abrir e registrar um sindicato? Quem eles representam? São muitas perguntas sem respostas. Principalmente quando sabemos que isso não acontece no resto do mundo.
África do Sul – 191 sindicatos - EUA – 190 sindicatos - Reino Unido – 168 sindicatos - Dinamarca – 164 sindicatos - Argentina – 91 sindicatos.
Notem a disparidade entre estes países citados e o nosso pobre Brasil na quantidade obscena de entidades cujo objetivo de seus dirigentes é lucrar com o trabalho dos seus representados.
Assim como as Igrejas espalhadas pelo país, os sindicatos passaram a ser um grande negócio. Uma boa parte deles chamados de “sindicatos de gaveta”, pois recebem o registro sindical do Ministério do Trabalho e os guardam na gaveta. Não fazem nada por nenhum trabalhador, exceto checar mensalmente o extrato da Caixa Econômica onde o governo federal deposita o imposto sindical da categoria.
As recentes operações da PF junto ao Ministério do Trabalho desnudaram alguns esquemas de corrupção naquela pasta. Uma delas envolvendo a concessão de registros sindicais em troca de propinas. A partir dessa descoberta fica claro um dos motivos para a existência de tantos sindicatos espúrios, com gente desonesta e despreparada para representar quem quer que seja em qualquer segmento profissional do país.
Vale lembrar que quase cinco mil destes sindicatos são patronais, outra excrescência que vigora em raros países do mundo. Percebemos que estes sindicatos são inócuos na medida em que o governo propôs uma reforma trabalhista e estes 18.000 sindicatos ficaram calados, não opinaram, não discutiram, não representaram junto ao Congresso Nacional a voz dos seus representados sindicais.
Uma das formas de explicarmos essa quantia absurda de entidades sindicais é o fato de que ano após ano, na calada da noite no Distrito Federal, o governo repassa para entidades sindicais, sindicatos, federações e confederações uma montanha de recursos que é arrecadado de forma compulsória, junto às empresas de todos os setores.
Este ano a soma alcançou R$ 1.082 bilhões e em 2014 a brincadeira ficou em torno de R$ 1.013 bilhões. Este dinheiro “fácil” chega aos cofres do Fundo do Amparo ao “Trabalhador” – FAT e é depois repassado pela Caixa às entidades sindicais patronais. A operação é cercada de sigilo e de completa ausência de transparência, tanto pelo governo como pelos responsáveis pelos sindicatos.
Precisamos de geração de empregos, desenvolvimento sustentado, uma economia dinâmica e que possa enfim, gerar riquezas, só não precisamos desta imunda “indústria” de pelegos que nada fazem pelo país ou sequer pelos seus representados.
Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Blogger e Gestor Público.

Ministros da tropa de elite da corrupção nacional!


A tortura de uma consciência
culpada é o inferno do ser vivo.
John Calvin

A vocação do presidente Michel Temer para escolher pessoas desqualificadas para cargos em seu ministério é impressionante. Ele convoca apenas os mais enlameados com a sujeira da corrupção. Uma lama que não tem tratamento nem saneamento e corre a céu aberto em todo território nacional.
No final de 2017 e começo de 2018 o país assistiu incrédulo a tentativa de Roberto Jefferson – PTB, de emplacar sua filhinha, a deputada Cristiane Brasil como ministra do trabalho. A pressão popular e da justiça impediu que ela fosse empossada. Porém, o partido indicou novo integrante ao cargo.
Eis que em plena Copa do Mundo, acontece uma nova fase de uma operação da Polícia Federal que elevou para oito o número de ministros de Michel Temer investigados por supostos delitos. Nesta quinta-feira, Helton Yomura (PTB), o desconhecido ministro do Trabalho, e Carlos Marun (MDB), responsável pela Secretaria de Governo, viram seus nomes serem citados em uma investigação policial onde são suspeitos de concessão irregular de registros sindicais.
O primeiro foi afastado do cargo por uma decisão judicial de Edson Fachin, ministro do Supremo Tribunal Federal. O segundo foi apontado pela polícia como um dos beneficiários do esquema delituoso, mas o mesmo Fachin seguiu a recomendação da Procuradoria Geral da República e não acatou o pedido de busca e apreensão em seu gabinete. As investigações contra ambos continuam. Tanto Yomura quanto Marun negaram qualquer participação nos delitos.
Em uma Esplanada dos Ministérios com 29 ministros, a situação dos homens de confiança do presidente Temer já foi pior. Ele já chegou a ter mais de dez ministros com inquéritos abertos no Judiciário. O próprio Temer é alvo de ao menos dois inquéritos e de três denúncias criminais. Agora, em um período pré-eleitoral, a maioria dos políticos que ocupava cargos no primeiro escalão deixou a função para poder disputar as eleições.
Os que ficaram, ou são desconhecidos do meio partidário, como Yomura, ou desistiram de concorrer a qualquer cargo neste ano, que é o caso de Marun. Assim, com o afastamento de Yomura, até figuras desconhecidas ou pouco relevantes politicamente começam a aparecer nos escândalos de Brasília. No início da noite, o Planalto afirmou que Yomura pediu exoneração do cargo e o pedido foi aceito pelo presidente. A oficialização da demissão deve ser publicada no diário oficial desta sexta-feira. De acordo com os jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, Eliseu Padilha foi escolhido por Temer para assumir interinamente o órgão, acumulando o cargo com a Casa Civil. Padilha é um dos oito nomes do Governo investigados por suspeita de corrupção. 
A terceira fase da operação batizada de Registro Espúrio também investiga o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP). Resultou ainda na prisão de três pessoas: o chefe de gabinete do ministério do Trabalho, Júlio de Souza Bernardes, o superintendente do ministério no Rio de Janeiro, Adriano José Lima Bernardo, e Jonas Antunes Lima, assessor de Marquezelli. Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão. A suspeita é que o grupo cobrava propinas e pedia apoio em troca da concessão de registros sindicais.
Em sua defesa, Carlos Marun vociferou aos berros que é alvo de uma campanha difamatória. “O Judiciário analisou [o pedido de mandado de busca e apreensão contra mim] e diante do absurdo que se pretendia, não deu guarida a essa sanha vingativa dos que apresentaram esse pedido”. O ministro disse que vai apresentar uma queixa-crime contra os policiais que vazaram a informação de que ele era investigado. Caracterizou o vazamento como “direcionado, seletivo, pusilânime, canalha e vagabundo” que tinha como único objetivo o constranger.
Os fatos comprovados das denúncias anteriores contra Geddel, Henrique Alves e tantos outros membros deste governo imundo e completamente desmoralizado indicam que Marun terá que se esforçar muito para provar que é inocente e que seu chefe “não sabia de nada”...
Autor: Rafael Moia Filho - Escritor, Blogger e Gestor Público.