O criminoso Fernando Henrique Dardis, que agia como falso médico, acusado pela morte de uma paciente e de forjar a própria morte, foi absolvido durante julgamento na cidade Sorocaba (102 km da Capital).
Fernando respondia por homicídio, exercício ilegal da medicina e falsificação de documento público. Em maio de 2025, a Justiça havia decretado sua prisão, mas ele tentou encerrar o processo com uma certidão de óbito falsa, fingindo estar morto. Um mês depois, ele se entregou à polícia e estava detido desde então.
O seu julgamento durou mais de 10 horas conforme informou o TJ/SP, a sessão aconteceu no Fórum de Sorocaba, cidade onde os crimes teriam ocorrido. O júri popular ouviu cinco pessoas, além do réu. O homem foi interrogado e outras cinco testemunhas também deram seus depoimentos.
O júri decidiu, por maioria, absolver o réu de suas três acusações. A maior parte dos jurados entendeu não haver relação causal entre a atuação dele e a morte da paciente. Além disso, achou não haver provas suficientes a respeito dos outros dois supostos crimes.
Parece que há uma contaminação em nossa sociedade, que faz com que boa parte das pessoas finja desconhecer a gravidade dos crimes e as suas reais consequências. Embora a decisão de um júri seja soberana, este caso precisa ser revisto porque as evidências contra o réu eram enormes, não deixavam dúvidas sobre os vários crimes que havia cometido.
A sentença de absolvição foi lida pelo juiz Emerson Tadeu Pires de Camargo ao final do julgamento. Em seguida, a Justiça expediu ainda um alvará de soltura ao réu, que estava preso desde o ano passado.
O Promotor de Justiça deve recorrer da decisão. O Ministério Público informou que Antonio Farto Neto, que faz a representação da família da paciente que morreu, "está estudando e avaliando a possibilidade de recorrer". O falso médico era acusado pela morte da paciente Helena Rodrigues, 71. O filho da vítima, ouvido pela acusação, diz que a mãe esteve no hospital Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba em outubro de 2011, mas foi dispensada por Fernando.
A mulher teria dado entrada na unidade com sintomas de infarto. A idosa, que tinha histórico de problemas cardíacos e que já havia sido atendida pelo falso médico um mês antes, falou estar com dor no peito, vômito e falta de ar. Apesar disso, foi medicada com remédio para dor muscular e autorizada a ir embora.
A idosa morreu no dia seguinte em casa. Depois disso, o filho da vítima reconheceu o réu como sendo a pessoa que a atendeu no dia anterior à morte.
O falso médico também afirmou anteriormente que não imaginava se tratar de um princípio de infarto (Claro, nunca concluiu o curso de medicina, como saberia?) Segundo ele, após a triagem pela enfermagem, não havia qualquer reclamação que indicasse ser problema cardíaco. Além disso, falou que recebia somente a ficha de triagem e não o prontuário do paciente.
À Justiça, ele confessou que atuava como médico sem autorização e usava carimbo com CRM de Ariovaldo Diniz Florentino. Em esclarecimentos prestados em outra ocasião à Justiça, o homem disse que cursou medicina até o terceiro ano por pressão de sua família. Também alegou que apenas fazia o primeiro atendimento médico e que era acompanhado por outros profissionais.
Fica praticamente impossível acreditarmos na Justiça, na lisura de um julgamento quando nos deparamos com resultados absurdos como este no Forum de Sorocaba. Um sujeito exerce uma profissão para a qual não está licenciado, falsifica documentos e presta falso testemunho à justiça e ainda assim, é considerado inocente pelo júri, não há mais nada que se fazer no Brasil.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.



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