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15 de março de 2026

Os meandros das privatizações pouco divulgados!

 

Todos sabemos que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem bom trânsito com o pessoal da Faria Lima (Mercado Financeiro). As privatizações da Emae e Sabesp estão em alta consideração pelos investidores da Faria Limers. Ele, na verdade, tem conexões profundas com o berço do mercado financeiro do Brasil. Aos poucos, vai se desvelando a teia que relaciona o governador bolsonarista de São Paulo ao maior escândalo do país envolvendo um banco — neste caso, o Banco Master.

É de conhecimento público e geral que em 2022 na campanha eleitoral, Tarcísio recebeu R$ 2 milhões do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que foi preso pela Polícia Federal durante investigação da fraude bilionária. Também Jair Bolsonaro recebeu doação do empresário: R$ 3 milhões.

Porém, Zettel não se limita à doação política: ele era operador financeiro ligado a fundos e empresas do conglomerado Master, como a Moriah Asset e a Super Empreendimentos, um vínculo direto entre o governador e a cúpula do banco investigado.

A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) foi privatizada no segundo ano da gestão de Tarcísio, vendida ao Fundo Phoenix FIP por R$ 1,04 bilhão. Entretanto, estudos do próprio governo paulista haviam apontado para um valor potencial de R$ 10 bilhões em caso de venda da companhia.

Após a privatização, a estatal aplicou R$ 160 milhões em CDBs do Letsbank, banco ligado ao conglomerado do Banco Master, representando 5,88% do ativo consolidado da Emae, cujo investidor de referência era Nelson Tanure. Logo após ser privatizada, a EMAE comprou R$ 160 milhões em debêntures do Banco Master. Antes da privatização, a EMAE tinha R$ 400 milhões em caixa. Um ano depois, o caixa estava zerado. Tarcísio viabilizou a venda da empresa e o assalto ao seu caixa pelos novos donos. Fica no ar suspeita de que o esvaziamento do caixa possa ser referente há muita propina nesta negociata criminosa.

A operação expõe um interesse indireto de recursos privatizados justamente no banco do cunhado de um grande doador da campanha, criando uma situação delicada para a reputação do governo. Embora a Emae afirme que os CDBs aplicados não impactam suas operações, a associação entre doações, laços familiares e movimentações financeiras do conglomerado gera risco político e abre espaço para investigações e críticas de opositores.

A teia que conecta Tarcísio ao Banco Master revela um circuito de relações financeiras e políticas complexas envolvendo doações milionárias, privatizações estratégicas e fundos suspeitos de fraude.

Já a Sabesp acabou ficando com a Equatorial, única que entregou proposta pela companhia de saneamento, e posteriormente também comprou a Emae (em meio a um imbróglio com Tanure).

Ao lado de Tanure, estava nas reuniões Reinaldo Hossepian, diretor do Master que teve bens bloqueados após a liquidação determinada pelo Banco Central. Também estava presente Karla Maciel, que na época atuava como assessora da área de fusões e aquisições do Master, depois virou CEO da Emae e conselheira da Light –empresa de energia que tem Tanure como acionista.

São muitas coincidências envolvendo as privatizações e o Banco Master e seus sócios, amigos numa ação que tirou do Estado duas grandes empresas de serviço essencial por um custo muito abaixo de seus valores de mercado. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

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