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1 de março de 2026

Dados da ditadura militar pouco lembrados

  

Ninguém pretende que democracia
seja perfeita ou sem defeito.
Tem-se dito que a democracia
é a pior forma de governo,
salvo todas as demais formas que
têm sido experimentadas de tempos em tempos.
Winston Churchill

 

A ditadura militar brasileira começou em 31 de março de 1964, ou 01 de abril de 1964, conforme alguns historiadores relembram. Como este é o dia consagrado à mentira, os generais determinaram a data anterior para comemorar o golpe militar na democracia brasileira.

Muitas lendas e mentiras já foram desmistificadas ou desmentidas ao longo dos anos através dos livros de história, mas algumas ainda permanecem sendo alimentadas por fake news dos partidos de extrema-direita no país.

No período entre a campanha eleitoral das eleições de 2018 até pouco tempo atrás, adeptos do bolsonarismo clamaram nas portas de quartéis por Intervenção Militar, ditadura militar e golpe de estado em favor do candidato derrotado nas urnas. Uma turba de alienados que desconhecem a própria história pela qual o país passou por 21 anos entre 1964 e 1985.

Durante este período nefasto comandado por militares o país teve a prática de torturas, mortes, prisões ilegais, corpos que desapareceram por completo sob ordens dos militares, 5.785 sanções políticas em virtude dos atos institucionais.

1.174 trabalhadores demitidos de suas empresas;

1.167 funcionários aposentados forçadamente;

1.062 cidadãos perderam seus direitos;

127 brasileiros banidos do país;

565 mandatos cassados.

Apenas durante os dez anos após a promulgação do Ato Institucional Nº 5, a censura militar mutilou 500 filmes, 500 letras de músicas, 450 peças de teatro, 200 livros, 100 revistas, dezenas de telenovelas e documentários. O que por si somente mostra o quão danoso é o regime de exceção democrático para as pessoas, imprensa, e a cultura.

Ainda assim, com fatos irrefutáveis, dados à disposição de todos em livros de história em diversas bibliotecas, milhares de brasileiros permanecem enaltecendo o que não viveram, o que não leram, por absoluta incapacidade cognitiva. Essas pessoas acreditam em mensagens disseminadas por políticos e partidos extremistas de direita, que buscam enganá-los desinformando-os e procurando mantê-los na escuridão da história.

Conheço várias pessoas que nasceram e viveram no interior do estado de SP. Estas dizem que não viram a ditadura militar praticar nenhum mal contra a sociedade na época. Eu nasci em São Paulo, meu pai trabalhava durante a ditadura no jornal Folha da Manhã, depois Folha de S. Paulo, ele nos passava o terror que era voltar para casa de madrugada e enfrentar PM e Exército nas ruas encarando qualquer trabalhador como se fossem bandidos.

A democracia pode não ser o melhor dos mundos, mas seguramente ainda é a melhor opção que temos para viver em sociedade. Aqueles beócios que ficaram nas portas dos quartéis pedindo intervenção militar, queriam na verdade, além do golpe de estado, uma forma de se livrarem do ato de votar, porque odeiam o voto livre, amam viver sendo subordinados ao poder militar. 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

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