Seguidores

25 de setembro de 2008

Mais uma doação a fundo perdido

"Só o erro é que precisa apoio do governo,
A verdade, essa fica de pé por si própria"
Thomas Jefferson

O primeiro Ministro da Noruega Jens Stoltenberg, assinou ontem um memorando de entendimento com o governo brasileiro para a doação de U$ 1 bilhão, ao Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia. O primeiro repasse em 2008, será da ordem de U$ 130 milhões, sendo que o restante da verba será completada até o ano de 2015.
O compromisso brasileiro e outros detalhamentos de como serão feitas as reduções de desmatamento ainda estão sendo negociadas entre as chancelarias do Brasil e da Noruega. O gesto norueguês mostra que aquele país está preocupado com o que pode vir acontecer com a floresta amazônica se algo não for feito imediatamente.
Entretanto, fica muito difícil acreditar que as duas coisas possam acontecer. Primeiro que a verba seja integralmente utilizada para a finalidade ao qual está proposta. Segundo, que o governo brasileiro consiga mesmo utilizando essa verba obter êxito no controle daquela região do país.
É sabido por todos que o governo brasileiro não tem vocação alguma para planejamento, muito menos para fiscalização e monitoramento de suas terras e águas. A Floresta está sangrando há anos e ninguém do governo consegue ao menos uma medida que possa dar esperança ao povo brasileiro de que a floresta sobreviverá à ganância privada e ao descaso público.
São milhares de hectares desmatados mensalmente, toneladas de vegetação queimadas todos os dias sem que ninguém seja preso, sem que haja um esforço concentrado do governo, congresso e judiciário para que medidas enérgicas sejam colocadas em prática contra quem está tirando a vida do planeta.
A floresta está virando pasto sob o nariz entupido do Ibama e demais órgãos fiscalizadores ambientais. Dizer que o dinheiro será repassado a ONG’s é o mesmo que pedir ao pessoal do PCC para cuidar do Banco Central. Existem entidades do terceiro setor preocupados e centradas em ajudar a nossa sociedade. Porém, sabemos que não são todas as organizações não governamentais confiáveis, havendo inúmeros casos de desvios de verbas, apropriação indébita de recursos públicos e fraudes de toda natureza.
As forças armadas estão com seus equipamentos sucateados, defasagens salariais e absoluta falta de apoio para que possam se desenvolver tecnicamente e tecnologicamente como as demais forças armadas da maioria dos países.
É notório que nos arredores da floresta amazônica estão concentrados diversos tipos nefastos como madeireiros irregulares, bandidos travestidos de mineradores, além da posse irregular de milhões de hectares por assassinos que roubam e matam para poder passar para seus nomes a posse das terras que ocupam de forma irregular.
Seria preciso um governo com muita coragem (coisa que não temos) para implementar em conjunto com o Legislativo e o Judiciário medidas de aplicação imediata, inclusive de exceção se necessário, para a limpeza da região. Devolvendo assim a Floresta a floresta, banindo os usurpadores e colocando na cadeia os criminosos de toda espécie que lá se encontram.
O dinheiro norueguês é um excelente sinal passado pelo primeiro mundo, mas será recebido no terceiro mundo e consumido sem que seja alcançada a nobre finalidade idealizada para sua utilização.
Salvar a Floresta Amazônica é colocar para fora dela, inclusive os estrangeiros que lá estão de forma irregular sugando nossas ervas e levando-as para seus países para a produção de medicamentos que depois serão comprados pelo Brasil. Ser otimista é muito bom, mas vivendo no Brasil e convivendo com nossa classe política não podemos nos dar ao luxo de acreditar que algum dinheiro será poupada do roubo ou da ganância de nossa gente de colarinho branco.

19 de setembro de 2008

Alguns aspectos dessa eleição

Ao longo dos últimos anos quando assisto aos programas obrigatórios eleitorais, me pergunto em silêncio: Qual o motivo que levam tantos candidatos despreparados a enfrentarem aquela situação perante a sua comunidade? O que pode mover essa gente? Dinheiro? Ascensão social? Prenúncio de dias melhores para eles e seus familiares?
Chego a uma conclusão que não tem valor matemático e muito menos estatístico de que esses candidatos se dividem em três subgrupos, a saber:

1. Aqueles que lá estão e querem desesperadamente se reeleger para poderem continuar a “ajudar” a cidade em que vivem e atuam como parlamentares. A nossa Constituição deveria proibir mais do que dois mandatos para quaisquer cargos. Pelo que fazem e pelo que deixam de fazer principalmente oito anos é tempo de mais;

2. Aqueles que representam à maioria maciça dos candidatos, ou seja, inexperientes, despreparados, com o claro objetivo de poderem descolar uma “boquinha” para ajudar a si e a seus familiares. Não sabem concatenar duas frases seguidas, são péssimos na língua pátria, não entendem de leis e mal sabem o nome da cidade onde vivem;

3. Um grupo que reflete a minoria absoluta dos candidatos aos cargos de vereadores nessas eleições. São preparados, possuem nível excelente de cultura e conhecimentos gerais. Tem formação escolar adequada, sabem o que querem e seus objetivos vêm de encontro às necessidades da comunidade.

Claro que ao final das eleições quase sempre a composição final será desfavorável aos integrantes desse último grupo. Lógico que resguardadas algumas condições normalmente aconteceria o seguinte: Grupo 1 – 70% - Grupo 2 – 20% - Grupo 3 – 10%.
Teríamos então uma formação conservadora onde a turminha da casa poderia manter suas panelinhas, seus grupos e comissões sem objeções para manutenção do status quo. Os despreparados logicamente não estariam lá para questionar, discutir ou mudar seja lá o que for, mas sim para se ajeitarem durante aqueles próximos quatro anos.
Os 10% restantes que numa situação hipotética de uma Câmara com 21 vagas corresponderiam a dois candidatos por certo iriam ficar isolados e mesmo sendo preparados, inteligentes e honestos não teriam muito como brigar contra a realidade existente.
Essa situação ocorre em maior ou menor proporção nas Assembléias Legislativas e no Câmara Federal, onde já ouvi Deputados dizerem que os novatos sucumbem sempre por falta total de conhecimento do funcionamento da casa e também das regras impostas pelos grupos antigos que são majoritários.
Nessas horas, os novatos são excluídos das comissões que dão visibilidade, das lideranças dos partidos e governo, ficando quase sempre apenas para votarem naquilo que os mais antigos decidiram em salas fechadas com ar condicionado e um bom whisky.
Portanto concluo que, votar é fácil, eleger não é difícil agora acertar é tarefa hercúlea se levarmos em conta que não há renovação obrigatória, o que impediria de certa forma essa vergonha que hoje presenciamos em nosso país.

11 de setembro de 2008

Uma seleção que não é mais a do povo

Estão conseguindo acabar com uma das poucas coisas em que nosso país era o melhor e uma referência mundial – O Futebol. A gestão Ricardo Teixeira na CBF vendeu a seleção aos patrocinadores e a Rede Globo, pior ainda, vendeu a alma da seleção canarinho que tantas alegrias deu ao povo brasileiro nos últimos cinqüenta anos.
Começou esse declínio quando deu a Globo absoluta exclusividade para transmissão dos seus jogos, dando aos seus repórteres toda a primazia de terem imagens, entrevistas e até convocações com antecedência sobre a imprensa esportiva do restante do país.
Depois o declínio passou a ser da qualidade técnica da seleção que começou a ser convocada em sua maioria com jogadores que atuam no exterior. Ou seja, jogaram no lixo a premissa de que a seleção deve contar com os melhores jogadores na hora da sua convocação, é assim no mundo todo, inclusive na Seleção de Basquete Campeã dos EUA (Dream Team).
Essa mudança tem uma explicação na boca do povão, todos desconfiam que os empresários ligados a CBF, induzem a convocação de seus jogadores, que após jogarem umas poucas partidas na seleção ganham o selo ISO 14001 da CBF para poderem se transferir para clubes europeus a preço de ouro. Uma vez no exterior passam a ter passaporte único para as futuras convocações.
A verdade é que há muito tempo nossa seleção deixou de encantar o povo brasileiro, culpa da CBF que organiza um jogo no Rio de Janeiro e quer que o povão que ganha salário mínimo pague R$ 100,00 por um ingresso. E depois ainda estranham o por quê do Estádio estar vazio. Virou mercantilismo, virou uma seleção de mercenários ricos que não tem amor pela camisa da seleção, talvez não tenham nem amor próprio.
A escolha do técnico Dunga é uma das piores brincadeiras de mau gosto que já fizeram contra a seleção de futebol do povo. Ele foi um jogador de técnica apenas razoável, violento e sem nenhum carisma junta a torcida. Virou treinador num passe de mágica com o condão da varinha do Tio Ricardo Teixeira, talvez fruto de um acordo que passe pela valorização do Dunga para que seja depois técnico de clubes de segunda linha na Europa, dando ao poderoso Ricardo um tempo até a Copa de 2010 na África, para então ele contratar um treinador de verdade.
O futebol brasileiro é adorado em boa parte do mundo, mas a CBF não sabe sequer se aproveitar dessa relação e permite que a nossa equipe se transforme num bando de antipáticos e arrogantes que pensam que são os Deuses do Olimpo esportivo. A empáfia desse Ronaldinho Gaúcho é algo indescritível, a presunção de Dunga e sua comissão técnica beiram o hilário.
A torcida brasileira prefere ver seus clubes e acompanhar os campeonatos nacionais do que perder tempo com uma seleção que não tem qualidade. Um amontoado de jogadores que perderam a fibra e deixaram a alma no vestiário de algum estádio qualquer na Europa.
A seleção pode ser do Ricardo Teixeira, pode pertencer a Rede Globo, influenciada ou não pela Nike e até por empresários do mundo da bola, menos do povo brasileiro, isso é uma verdade que até o Presidente Lula sabe. E olha que tem muita coisa que ele não sabe!

5 de setembro de 2008

Afinal, quem manda nos morros do RJ?

“Conscientizar-se da própria ignorância
é um grande passo para aprender"
Disraeli
.


Nas mais de trezentas favelas cariocas, carinhosamente chamadas de “Comunidades” pelo pessoal do samba no Rio de Janeiro, ninguém sabe ao certo quem manda nas suas ruelas sem infra-estrutura urbana. Os moradores sabem que pagam impostos a fundo perdido aos governos federal, estadual e municipal. Conhecem os traficantes que lhes cobram submissão e silêncio. E temem os “milicianos” que matam em nome deles próprios.
Recentemente os chamados milicianos invadiram uma comunidade e sem dizerem uma só palavra fuzilaram dez pessoas inocentes que voltavam de seus trabalhos e não souberam por que morreram. Seus corpos foram enterrados em covas simples e agora fazem parte das estatísticas cruéis da criminalidade carioca.
Os traficantes matam inocentes dentro da comunidade em que dominam coma força do tráfico e das armas que contrabandeiam com auxilio luxuoso da omissão governamental. Vez por outra invadem favelas vizinhas e assassinam o que chamam de rivais. Assim é o cotidiano de um povo sofrido e que ao invés de segurança pública tem a expectativa de ver sua cidade sediar uma Olimpíada.
Só pode ser piada de mau gosto, não se pode imaginar outra coisa senão a ganância desmedida de meia dúzia de aproveitadores que em nome da corrupção querem se locupletar com o dinheiro público. O Brasil já está no pódio há mais de quarenta anos e não é por nenhuma modalidade esportiva, mas sim, pela sua participação ativa no bloco dos países mais corruptos do planeta.
Não existe lugar assim no mundo civilizado, onde a justiça é para poucos e não consegue rigor algum contra os poderosos dos colarinhos brancos. Onde a força policial está debilitada graças à falta de investimentos e estrutura mínima para o combate a criminalidade.
A sociedade precisa gritar e fazer o seu Estado ouvir suas súplicas, evitando a continuidade de tantos gastos absurdos com projetos megalomaníacos e pretensiosos para sediar jogos olímpicos. O povo precisa de segurança, empregos, saúde pública, educação e habitação. Favela não é condomínio de luxo, chega de tanta desfaçatez.

Lagosta à moda da pizza brasileira

“O poder da observação cuidadosa é chamado
cinismo por aqueles que não o possuem”
G. Shaw .

Dentro da unidade prisional Bangu na cidade do Rio de Janeiro existe uma ala que abriga os detentos com formação universitária e policiais. Em tese uma ala mais tranqüila e com menos periculosidade por metro quadrado que as demais sete alas daquele imenso presídio carioca.
Segundo denúncias que estão sendo apuradas através de uma sindicância interna aberta pela direção daquele complexo prisional, alguns detentos estariam fazendo pressão para alterar o cardápio existente em troca de um rico em frutos do mar e outras iguarias que normalmente não estão nos pratos dos presos e nem dos trabalhadores brasileiros.
A revolta da lagosta como imagino deva ser chamado esse movimento reivindicatório do pessoal da nata recolhido aquele xadrez, pode fazer escola e transformar a alimentação nos demais presídios de norte a sul em nosso país.
Ao invés de arroz, feijão, bife e batata frita, cardápio que faria milhares de brasileiros que passam fome delirarem à mesa de alimentação entra a lagosta a termidor, com aspargos, molho francês e um bom vinho porque ninguém é de ferro.
Essa é a dura vida de quem comete crimes do colarinho branco nesse país. Desviam milhões dos cofres públicos, são presos, às vezes condenados, mas nunca presos, pois fogem do país como Cacciola ou ainda impetram hábeas corpus para ficarem impunes no seio da nossa sociedade.
Mas quando são obrigados a ficar mesmo que temporariamente em celas no chamado regime fechado, conseguem burlar a regra, burlar a burocracia e impor um status quo que causa arrepios a toda sociedade. Só não incomoda a nossa justiça e aos nossos governantes, pois esses nunca se incomodaram em fiscalizar e banir do sistema carcerário brasileiro todo tipo de acinte e imoralidade vigentes.
Juntemos a lauta refeição dos magnatas às visitas obscenas que recebem em salas conjugais. As saídas denominadas “indultos” a cada novo feriado independente do motivo do mesmo. A aceitação do poder público em permitir visitas que introduzem celulares, drogas e armas para facínoras que a partir de então passam a comandar o tráfico da própria cadeia.
Nosso sistema prisional seja no complexo de Bangu, de onde recebemos ligações de bandidos nos intimidando com falsos seqüestros de parentes ou em qualquer outro menos conhecido, é falido e precisaria de uma reforma moral, estrutural e científica para que pudéssemos enfim ter a certeza de que uma vez presos, os criminosos teriam o que merecem, nada mais do que isso.
Provavelmente o governador do Rio de Janeiro que estava tentando conseguir apoio para trazer a olimpíada de 2016 para seu Estado não soubesse dessa e de outras imoralidades que acontecem à luz do dia em seu Estado. Assim fica fácil ser governante ou criminoso, duro é ser operário, aposentado e cidadão honrado.

29 de agosto de 2008

Zapeando o noticiário

Indiciamento dos responsáveis
A mãe do bebê que caiu acidentalmente do terceiro andar e sobreviveu graças à piedade divina e a sua fralda que enroscou no muro e teve sua queda amortecida, evitando-se assim sua morte. Pois o Delegado de plantão no bairro de Boa Viagem em Recife vai agir com o rigor da lei e do Estatuto do Menor e do Adolescente. Engraçado, pois em São Paulo um jovem de 11 anos, já roubou dez carros, motos, e ninguém da polícia ou dos direitos humanos responsabilizou civil e criminalmente seus pais. Uma mãe cujo bebê sofre um acidente é tratada como criminosa e os pais que fingiram que o filho era normal enquanto ele roubava nas madrugadas paulistanas é um pobre coitado à luz da lei.

Serra anuncia que vai aumentar o ICMS sobre o álcool combustível em SP.
Uma coisa que nenhum economista consegue explicar é o por que quando um produto sofre diminuição de encargos e taxas sua redução é demorada e muitas vezes nem ocorre, enquanto que quando o mesmo produto recebe um acréscimo mesmo que imperceptível no seu custo de produção o consumidor é penalizado imediatamente, antes até do mesmo chegar às prateleiras ou estoque para consumo? Se o ICMS diminui para o Usineiro, o combustível não abaixa um centavo na bomba para o motorista, mas se o ICMS subir 0,5% para o ganancioso produtor, na mesma hora o produto sobe, inclusive aquele estoque que já havia sido comprado anteriormente ao aumento.

Contratações
Para acabar de vez com o desemprego, o governo federal anunciou a contratação de noventa mil novos funcionários para o ano de 2009. São vagas em diversos órgãos e sempre plenamente justificadas pelo staff do Presidente Lula. Enquanto isso, para não ficar por baixo mais uma vez, o Judiciário conseguiu a aprovação no Senado, na calada da noite para a criação de quase mil cargos para o TST, TCU, STJ e outras siglas mais que não vem ao caso. Esse pessoal do executivo nunca faz remanejamentos, reengenharia ou uma profunda reestruturação em seus quadros inchados. Isso é coisa para a iniciativa privada, no paraíso da vida pública prevalece o nepotismo, a contratoterapia e a farra do boi gordo.

Isonomia – Uma palavra mágica em Brasília
É incrível como a palavra isonomia é usada nos corredores e esquinas do Distrito federal. Isonomia segundo o Dic. Aurélio significa: “Igualdade de todos perante a lei, assegurada como princípio constitucional”. Ela é usada da seguinte forma com freqüência: O Poder Legislativo aumenta os vencimentos e o Poder Judiciário requer a isonomia para seus membros. Ou vice versa, não importa a ordem, o que importa é que enquanto o povão fica com o salário mínimo, a classe média com o “imposto máximo” a realeza (Poder Executivo, Judiciário e Congresso Nacional) ficam nadando em águas claras na “nababia” de Brasília. Como os salários estão convenientemente atrelados estima-se que a brincadeira ficará na casa dos R$ 153.759.667,62 para o Poder Judiciário e R$ 71.024.943,00 para o Ministério Público, pois a isonomia entre os poderes está sendo solicitada retroativa a 13 meses de 2007 e 10 meses de 2008. Que lindo! Esse valor seria suficiente para construir a Linha amarela do Metrô em SP.

22 de agosto de 2008

Racismo, indiferença ou modismo

“A história dos grandes acontecimentos do mundo
não é mais do que a história dos seus crimes “
Voltaire

Muitos países ao redor do mundo ainda sofrem com a fome, a doença e a ascensão ao poder de tiranos absolutistas ou de grupos terroristas que se dizem revolucionários enquanto matam e inserem crianças em seu mundo de criminalidade banal.
Na África, principalmente, mas também na Ásia e até na América Central esses regimes ditatoriais se espalham com o vento e conseguem se manter graças ao desprezo vindo da ONU e dos países ricos do primeiro mundo.
Nesse sentido nos chama a atenção o enorme “desespero” dos cidadãos do mundo afora em favor da liberdade do Tibet. Sou a favor de toda e qualquer democracia que garanta a liberdade de fato e de direito aos mais variados povos do nosso mundo. Mas como explicar que alguns somente são a favor daquelas minorias que garantam holofotes gigantes ao seu redor?
A proximidade dos jogos de Pequim em mais uma edição das Olimpíadas enfureceu os militantes “Pró-Tibet”. Pena que nunca os tenha visto enfurecidos com relação à morte de milhões de africanos por fome, guerras e assassinatos cruéis sem que a mídia tenha sido mobilizada como estão fazendo em relação aos monges tibetanos.
Qual a diferença entre exigir liberdade para singelos monges tibetanos e negros da Mãe África? Qual a diferença em salvar o Tibet em relação a devolver a dignidade aos Haitianos na América Central?
Por que recebemos centenas de mensagens em nossos computadores repassadas aos milhões pelo mundo afora pedindo intervenção na poderosa China comunista sem que os mesmos signatários o façam em relação aos pobres espalhados pelo resto do mundo, terceiro mundo, diga-se de passagem?
Seria apenas um modismo passageiro e sem consistência política e ideológica ou seria o desprezo pela luta verdadeira contra os abusos que partem dos neoliberais que vendem armas e munições para abastecer os guerrilheiros e ditadores do fim do mundo? Contra Cuba, China e Rússia estão todos, mas a favor da proliferação das armas americanas, francesas e inglesas somente alguns?
Certo seria o Tibet ter a sua oportunidade de permanecer em paz e desfrutando de sua cultura milenar, sem a pressão militarista dos comunistas chineses.
Certo seria que todos pudessem também lutar e exigir o fim das tiranias praticadas por governantes travestidos de bandidos contra africanos indefesos e esfomeados.
Certo seria que houvesse pressão mundial contra a política imperialista americana, que sufoca países, rouba petróleo em nome da democracia e da paz, vende armas para ditadores aliados e ainda desrespeita tratados ambientais que poderiam equilibrar o futuro do planeta. Pratica atos que ferem os direito humanos em nome da luta contra o terrorismo que eles mesmos alimentam.

16 de agosto de 2008

Tirando as algemas


“Quando o dinheiro fala, a verdade cala”.
Provérbio Chinês
O STF está mesmo impossível, depois de optarem em aceitar que candidatos com nomes sujos na praça, cobertos de lama até o pescoço possam participar livremente das eleições a cargos públicos, agora resolveram abolir as algemas para não “intimidarem” aqueles que não tiveram nenhum pudor de cometerem toda sorte de crimes contra os honestos que pagam impostos aos montes na nossa sociedade.
É mais uma demonstração cabal e inequívoca de que a nossa justiça está voltada aos interesses de uma minoria sórdida e que as leis e todas as suas inúmeras armadilhas processuais ficam para o povo. Pasmem, até o traficante Fernandinho Beira Mar pôde ficar no tribunal sem algemas!
Ser político num país como o Brasil é mesmo um grande negócio, salários de marajás indianos, benefícios que crescem mais que capim, oportunidades para grandes maracutaias e ainda o amparo sempre servil da justiça brasileira.
Como pode o órgão máximo da justiça enveredar pelo caminho da subserviência aos criminosos do colarinho branco? Como pode essa mesma justiça dar tratamento VIP para aqueles que em tese são os maiores criminosos do país. Os banqueiros Dantas, Cacciola juntos com alguns empresários perpetuaram golpes na nossa sociedade em valores que passam da casa dos bilhões de reais.
É por isso que a nossa classe abastada tem ojeriza dos países como Cuba, Rússia e principalmente a China, pois naqueles países a justiça não perdoa crimes contra as finanças públicas e os criminosos ficam apodrecendo nas cadeias.
Então ficamos assim, os criminosos do colarinho branco se forem presos pela competente Polícia Federal, não poderão ser algemados, de preferência não deverão ser filmados sendo transportados para a sede da PF. Ficarem presos nem pensar, pois o STF providenciará a soltura através do primeiro Hábeas Corpus que lá chegar.
Assim é o Brasil, país de milhões de pessoas honestas sendo governados por ineptos, falastrões e fanfarrões de toda ordem. A educação é fictícia e ajuda a manter os mais pobres longe da cultura e do conhecimento, facilitando e muito a eleição dos mesmos sempre. A justiça é para os mais ricos e poderosos e as leis para o povo pobre e sofrido.

12 de agosto de 2008

Momento olimpíco

Longe de Pequim/2008
Definitivamente o espírito olímpico está longe, mas muito distante do chamado mundo civilizado. No Iraque, os americanos capitaneados pelo beócio George W. Bush mantém seus pobres soldados numa frente de batalha que não existe em termos de guerra.
Na verdade o que mantém os americanos e seus aliados naquele país é a ganância pela exploração de barris de petróleo. A guerrilha urbana, a doença, a terra arrasada e seu povo desnutrido e sem saída parecem não comover nenhum habitante da terra, que nesse momento preferem ficar preocupados com a estranha culinária chinesa.

Perto de Pequim/2008
Seguindo os passos de Bush o primeiro ministro russo Putin, resolve atacar civis na Geórgia por conta de uma disputa pela Ossétia do Sul. Um pequeno território dentro da própria Geórgia, mas que pertence à Rússia toda poderosa. Somente no primeiro ataque os russos conseguiram ceifar duas mil vidas de civis inocentes enquanto estavam em suas casas.
Não importa a quem pertença o território insignificante da Ossétia do Sul, em pleno século XXI, existem dezenas de formas de negociação que deixem de lado métodos medievais e sanguinários de apropriação de territórios.
Lamentável que tanto o governo da Geórgia quanto o Russo não tenham discernimento suficiente para evitarem derramamento de sangue inocente de crianças e idosos que sequer carregavam uma arma nas mãos.

Discursos patéticos
Diante dos olhos e ouvidos do mundo o presidente dos EUA – George W. Bush em seu discurso antes de adentrar a China para assistir a grandiosa festa de abertura dos jogos olímpicos, chama a atenção para a sua enorme desfaçatez.
Nesse quesito seria com certeza medalha de ouro se a modalidade fizesse parte dos jogos olímpicos. Pois não é que Bush chamou a atenção da China para a falta de liberdade existente naquele país? Como se o embargo comercial imposto pelos americanos a Cuba fosse digno de um prêmio Nobel da paz há mais de quarenta anos.
Não se segurando o mesmo homem que mandou invadir o Iraque baseado em mentiras e pensando somente nos interesses mais escusos possíveis, vem repreender Vladimir Putin da Rússia por sua invasão a Geórgia. Claro que Putin está errado, mas o roto jamais deveria falar do rasgado tendo seu rabo preso a atrocidades que mereceriam julgamento como crimes de guerra.

8 de agosto de 2008

Dois lados de um grande projeto

“No meio de qualquer dificuldade
“encontra-se a oportunidade.” Albert Einstein.


Existem situações e opiniões sobre certos fatos que podemos aceitar duas vertentes e ambas podem estar corretas dependendo do interlocutor que as está ouvindo ou lendo. Na China existe uma fábrica de atletas olímpicos que engloba diversos esportes e basicamente levam as crianças ao treinamento constante desde os seis anos até os vinte e poucos anos. Formando medalhistas e cidadãos para o futuro.


As crianças são obrigadas a deixar suas famílias, pois ficam em tempo integral treinando, estudando e dormindo nesse centro de treinamento avançado. As visitas aos pais são realizadas aos finais de semana dependendo de uma liberação dos treinadores.

A escolha dos predestinados é feita por olheiros espalhados pela República Chinesa. Muitos são os candidatos, demonstrando à priori que aquela forma de se submeter ao treinamento em tempo integral é uma espécie de sonho de consumo da gurizada e de seus familiares.
Os resultados práticos são plenamente favoráveis ao governo chinês, pois são muitos os atletas que já conseguiram o lugar mais alto do podium em Mundiais e Olimpíadas, tendo nascido para o esporte nesse centro de treinamento chinês.

Entretanto, duas são as análises que podemos fazer sobre a aplicabilidade e a forma de fazê-lo pelo governo ditatorial da China, se quiséssemos implantar o projeto em solo tupiniquim:

A favor teríamos o fato de que poderíamos tirar das ruas e das drogas milhares de crianças e com isso incluí-las no ensino buscando sua formação educacional e ao mesmo tempo podermos formarmos alguns atletas que se juntariam aos cidadãos que sairiam dessa “fábrica” de atletas.

E contra esse método teríamos o argumento de que não devemos tirar a criança do convívio da sua família, robotizando e transformando-a num meio para se alcançar um fim esportivo. A criança é no caso da China praticamente “estatizada”, passando a ser tratada como um militar em regime de guerra.

O treinamento exaustivo, a formação escolar podem ser aplicadas sem que a criança perca por todo o sempre o convívio familiar ao final de cada dia, ficando em regime fechado apenas aqueles que fossem órfãos.

Como no Brasil nossas crianças crescem nas favelas muito longe de uma religião, distantes às vezes até da própria escola, vitimas da massificação do tráfico de drogas e da ausência constante do poder público, é normal que aceitemos o exemplo da China como correto para o Brasil, desde que, é claro, façamos as devidas adaptações ao nosso modo de vida ocidental.

1 de agosto de 2008

Ministro cantor termina sua turnê

O cantor Gilberto Gil cover de ministro da cultura saiu do governo Lula deixando a clara sensação de que nunca assumiu tal responsabilidade. Viajou muito, cantou bastante e até deu um up-grade em sua carreira musical, mas não deixou projeto visível que tenha possa ser lembrado nessa sua passagem por Brasília.
Não foi a primeira e nem será a última vez que uma celebridade é escolhida para ser ministro e decepciona. O jogador Pelé foi um péssimo Ministro dos Esportes e ninguém tem saudade alguma de sua mais famosa e controversa Lei, criada para amparar os jogadores de futebol e que na verdade é hoje uma das responsáveis pelo êxodo de jogadores no país.
A escolha de um artista para ocupar um cargo deveria passar pelo mesmo critério que a escolha de qualquer membro de uma equipe de governo. Conhecimento, capacidade, projeto político deveriam ser analisados antes de colocar uma estrela numa cadeira na qual o escolhido terá ojeriza em sentar. Gilberto Gil viajou pelo mundo inteiro e pouco ou nada fez pela cultura do Brasil.
Se era para levar a sua música, a sua arte aos povos que o fizesse como cantor e compositor, não precisaria ocupar um cargo público remunerado para fazê-lo. Sem contar que ao aceitar o cargo, o ministro tem direito a escolher assessores diretos e indiretos, além de abocanhar alguns cargos em estatais ligadas ao seu ministério. Quanto dinheiro jogado fora.
O Brasil precisa de gente séria, de pessoas altamente qualificadas e o que é mais importante, totalmente identificadas com o desafio que terá pela frente ao assumir um ministério. Chega de experiências, chega de nomes de apelo popular, mas sem capacidade alguma de tocar um ministério.
Não podemos nos dar ao luxo de jogarmos fora o tempo, pois esse não retorna mais, o dinheiro público tem de ser respeitado e não pode ser jogado fora por nossos governantes, com escolhas equivocadas. O que dizer para Gilberto Gil? Esquece a burocracia governamental e volta as suas origens artísticas, de onde nunca deveria ter saído.
Nossos ministérios se resumem a dois tipos de ministros infelizmente. A maioria indicada por deputados, senadores e aliados políticos da base do presidente. Quase todos sem a mínima qualificação para ocupar tão importante cargo. A minoria são como Gilberto Gil, nomes de apelo popular nacional e até internacional que não fazem nada daquilo que sua trajetória indicaria que fizesse.
Resumindo, conta-se nos dedos de uma só mão, os verdadeiros ministros competentes, técnicos de qualidade, profissionais de alto gabarito. Esses, aliás, são os primeiros a serem torçados quando surgem necessidades de remanejamento na base aliada do governo.

25 de julho de 2008

O governador imune as leis de trânsito

De que adianta a nova lei seca para punir motoristas que venham a dirigir após consumirem qualquer bebida alcoólica se ainda temos de conviver nos noticiários e no trânsito com casos de fragrante desrespeito por parte de quem deveria dar o exemplo.
No Rio de Janeiro, ninguém menos que o governador do Estado Sr. Sérgio Cabral já soma 34 pontos na carteira de motorista esse ano e mesmo assim não teve a sua habilitação suspensa como aconteceria aos cidadãos normais em todo país.
O Governador barbeiro teve multas por excesso de velocidade, conversões proibidas, avanço de sinal vermelho, dirigir usando celular e pasmem, ele conseguiu transpor barreira da polícia sem ser alvejado ou admoestado pela autoridade no local.
O Governador voador conseguiu contabilizar 23 multas e 69 pontos na CNH se computados o período de 2005 até o momento. Sendo que dessas apenas 18 multas foram pagas.
Engraçado, quando vamos recorrer de uma multa, nos dizem que é necessário pagar primeiro e depois recorrer. No caso do governador ele conseguiu com muita sorte deixar de pagar as multinhas sem que tivesse de enfrentar toda aquela burocracia.
A lista negra na cidade maravilhosa inclui alguns outros políticos famosos, Jandira Feghali (PC do B), Filipe Pereira (PSC), Marcelo Crivela (Bispo e Político profissional) do PRB, entre outros menos conhecidos.
Claro que não somos ingênuos para achar que somente no Rio de Janeiro existam políticos e demais autoridades na mesma situação. Devem ter e muitos espalhados pelo Brasil afora, onde o cargo que exercem ou o sobrenome da família conseguem sobrepujar a lei, seja ela seca ou molhada não importa.
E tem motoristas que tomam uma única multa e por ser em classificadas como gravíssimas ficam sem a CNH por três meses, pagam multa pecuniária e ainda tem de freqüentar curso no Detran.
Isso prova mais uma vez que as leis no Brasil não são feitas para punir infratores, mas sim arrecadar dinheiro para o Estado, que não investe em educação e segurança e ainda por cima tal qual o governador carioca sequer se preocupam em dar o exemplo.

22 de julho de 2008

Sede para arrecadar, mas só para arrecadar!

Os professores da rede estadual de ensino do Estado mais rico da nação vivem reclamando que seus vencimentos e o piso da categoria são menores que boa parte dos demais Estados da confederação. Esta situação vergonhosa de desrespeito à categoria dos educadores paulistas já vem de muitos anos, e só tem piorado nos últimos quatorze anos, desde que, o PSDB tomou posse de SP.
Como podemos ter um ensino de qualidade se nossas escolas estão caindo aos pedaços? Como podemos exigir qualidade se as verbas para treinamento e qualificação dos mestres são escassas? A maioria das escolas não tem segurança alguma, alunos agridem professores e funcionários amedrontados. Roubos de equipamentos são tão comuns quanto assalto à mão armada nas imediações das escolas.
Em Bauru, foi instituída uma taxa anual para que a população possa custear a manutenção dos equipamentos do Corpo de Bombeiros, que até provem em contrário é pertencente a Policia Militar e faz parte do Estado de SP. Nada contra essa instituição valorosa, que conta com homens sempre apostos a nos encher de orgulho em todos os cantos do país, mas a sociedade já paga impostos demais da conta.
Os policiais civis do Estado de São Paulo em assembléia decidiram que irão deflagrar uma greve a partir de Agosto/08, em virtude dos parcos salários que recebem do Estado de SP.
É triste perceber que um Estado que é uma locomotiva para arrecadar age como se fosse uma Maria Fumaça na hora de pagar seus parceiros e colaboradores. O IPVA e o ICMS aqui é maior que no país inteiro, só para ficar em dois itens.
Essa característica ao lado da sede de privatizações são as piores facetas do PSDB. É abominável à forma como destratam, humilham e querem apunhalar pelas costas seus servidores públicos. Se os professores, bombeiros e policiais têm problemas com salários, é dispensável falar dos demais funcionários públicos do Estado.
Foto de Mastrangelo Reino/Folha Imagem.

21 de julho de 2008

Os viajantes

Lula e sua aeronave
Segundo alguns dados estatísticos que não posso atestar a veracidade, o nosso Presidente Luís Inácio Viajandão Lula, ficou aproximadamente 82% do seu mandato fora do seu gabinete de trabalho (sic), entre viagens pelo Brasil e para o exterior.
Raramente ouvimos falar desde 01/Jan./2003 até ontem 20/Jul./2008, em exatos 2.027 dias sobre reuniões ministeriais, planejamentos setoriais, estratégias discutidas em grandes fóruns com pessoas e setores interessados. Apenas e tão somente ficamos sabendo que Lula está fora de seu gabinete em Brasília.
Ficou mais fora do que dentro de Brasília, o que a essa altura já nem sei dizer se é benéfico ou não para o país, pois quando está em seu gabinete não produz nada que chame a atenção do país. Que continue viajando então, tal qual FHC o fez com maestria durante oito anos igualmente perdidos.

Outro que viaja, mas somente na maionese!
Temos visto e lido nos jornais alguns posicionamentos por demais estranhos do Presidente do STF. Não à toa em Mai/2002, o brilhante jurista Dalmo de Abreu Dallari alertava a sociedade para o erro que seria a indicação de Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal.
A trajetória do Sr. Gilmar é tortuosa, pois foi assessor próximo de Collor, depois habitou o Palácio do Planalto auxiliando FHC e agora está na presidência do STF, acusando juízes e tribunais, chegando a afirmar que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”. Opinou favoravelmente aos candidatos com processos e nome sujo na praça ao invés de defender que os mesmos tenham o nome limpo antes de se candidatarem a cargos públicos. É preciso que a comunidade jurídica esteja alerta para acompanhar as decisões de tão importante peça da Justiça nacional.

Viajando nos legumes
Desde que foi empossado como Ministro da Agricultura, o ex-Ministro da Previdência tem demonstrado, ou melhor, não tem demonstrado nenhuma intimidade com o setor que agora ocupa. É uma pena, pois a produção de alimentos nunca foi tão importante como agora para a humanidade.
Um homem que entende de previdência ser colocado à frente da pasta de agricultura é o mesmo que pedir a um engenheiro que conduza uma cirurgia num hospital. Incoerente, prova disso, desde que tomou posse não tivemos por parte daquele ministro nenhuma ação que possa desmentir sua pífia atuação.
Não temos planejamento nenhum, não temos estoques reguladores, o preço dos insumos e fertilizantes disparou e o governo fica alhures completamente sem exercer nenhuma pressão que venha a equilibrar a difícil tarefa dos agricultores em manter a produção com preços compatíveis com seus custos.

10 de julho de 2008

Coisas que não tem desculpas

O assassinato do menino João Roberto de três anos de idade nas ruas do Rio de Janeiro por policiais inaptos, totalmente despreparados para o exercício da função é uma das coisas nesse país para as quais não se espera desculpas, a morte não tem desculpa e sim responsáveis diretos e indiretos.
Os pais e familiares do menino morto de forma absurda quando estava dentro do carro da família, no banco traseiro ao lado de um irmão com meses de vida é um desses atos abomináveis que ferem a lógica da profissão daqueles que na rua estão justamente para proteger a vida do cidadão comum.
Os culpados diretos são os policiais que dispararam suas armas a esmo, sem um mínimo de inteligência, deixando de levar em conta todos os fatores próprios para a situação. Esqueceram como num passe de mágica o treinamento que tiveram na academia e se colocaram no lugar dos bandidos que fazem isso com constância em nossas ruas.
Os culpados indiretos pela barbárie cometida pelos soldados é o Comando da PM carioca e em primeiro plano o Governo Estadual do Rio de Janeiro. Ao invés de brincar de fazer jogos pan-americanos e sonhar com a realização de Olimpíadas, deveriam estar trabalhando noite e dia pela segurança da sociedade daquele Estado.
A falta de investimento nas policias civil e militar aliada a falta de coragem dos governantes para executar uma limpeza nos porões daquelas instituições são os maiores responsáveis por mais esse crime. Claro que vão se somar ao crime do seqüestro do ônibus, aos inúmeros atentados contra a vida cometidos por policiais iguais ou até piores que os que cometeram esse crime bárbaro e sem justificativas.
O Governador deve sim, pedir desculpas, mas não para a família do menino João Roberto, deve pedir desculpas de joelhos a toda sociedade do Estado do Rio de Janeiro, pois está no poder há mais de 18 meses e ainda não disse ao que veio no que tange a segurança pública.
Enquanto não houver uma reestruturação séria nas policias civis e militares em todos os Estados, em particular no Rio de Janeiro, ficará difícil acreditar que o Estado vencerá a criminalidade em nosso país.
Essa reestruturação passa pela unificação dos comandos, pelo investimento pesado em alta tecnologia e o uso da ciência em prol do combate ao crime organizado, compras de novos equipamentos de uso (armas, coletes, munição pesada) bem como, a estruturação completa desde a aceitação do soldado até a sua formação e liberação para atuação nas ruas.
É preciso que o Estado faça uma revisão nos salários pagos, seguros de vida, benefícios e principalmente dotar as corporações de condições para aquisições de casas próprias e veículos para deslocamento de suas casas aos quartéis. É inimaginável que um soldado entre num trem cheio de marginais para chegar ao quartel.
Para isso seria necessário à abertura de linhas de crédito através do Banco do Brasil, CEF ou BNDES, afinal jogam dinheiro fora todos os dias para financiarem absurdos, então por que não dotarem as forças policiais de condições decentes para poderem exercer suas nobres funções?

A chacina na Santa Casa de Belém - PA

Em contraste absoluto com a fortuna arrecadada mensalmente com impostos em todo país a saúde pública do Pará agoniza e vê a Santa Casa de sua capital fornecer números assustadores e dignos de um país de terceiro mundo. O difícil é aceitar depois que números favoráveis sejam divulgados levando em consideração o bom desempenho do sudeste, o que faz com que a média seja regular no âmbito do país.
Desde o início do ano até ontem morreram duzentas e sessenta e duas crianças recém nascidas na Santa Casa de Belém do Pará. Um número assustador que faz com que tenhamos um óbito a cada dezessete horas aproximadamente.
O governo estadual que está nas mãos do partido do presidente Lula desde 2006, deve explicações imediatas à sociedade brasileira e desculpas ao povo paraense. Não adianta dizer que as coisas estavam assim ou assado, pois impossível à governadora dizer que não tinha tomado conhecimento da situação antes ou durante esse período.
Quantas crianças terão de morrer até que Lula e a Governadora do PT do Estado do Pará consigam fazer alguma coisa de concreto e inteligente para evitar que mais um óbito aconteça por falta de profissionais competentes, higiene e uma administração digna de um hospital público?
De janeiro a julho praticamente uma criança recém nascida morreu por dia no interior imundo dessa Santa Casa, sem que nenhum medico, nenhum burocrata medíocre ou algum político tenha tomado alguma providência. Claro, a morte não era de nenhum de seus parentes e sim do povo pobre do norte do Brasil.
Nessas horas eu pergunto, por onde andam os membros daquele movimento natimorto coordenado pela OAB apelidado de “CANSEI”? Aliás, será que ao menos um advogado trabalhará gratuitamente para os pais que perderam seus filhos poderem processar o Estado?
Aos ricos o Incor aos pobres a Santa Casa de Belém do Pará, pois é assim que se viram os políticos que passam mal, pegam um jatinho fretado pelo governo ou empreiteiras e voam para SP, para poderem se cuidar no melhor hospital do coração do Brasil. Enquanto isso o povo vê seus recém nascidos morrerem no meio da sujeira e da hipocrisia de um sistema falido de saúde.
O povo paga imposto compatível com países do primeiro mundo e recebem em troca saúde de países africanos, habitação em palafitas, segurança parecida com a do Haiti. Enquanto isso Lula viaja pelo Vietnã e faz discursos incompatíveis com a nossa realidade. Será que algum burocrata federal esteve em Belém de janeiro a julho para relatar ao presidente a chacina que está em curso na Santa Casa?
A cadeia é pouco para os responsáveis diretos e indiretos por tal descaso e pela omissão, pois se não fizeram nada desde a primeira morte ocorrida no início do ano, são criminosos e deveriam responder pelas mortes de 262 crianças em solo paraense.

9 de julho de 2008

Expandindo a tolerância zero

Como nosso governo federal resolveu dar um basta na violência no trânsito, transformando um chope em algo com alto teor alcoólico sujeito a multa pesada, suspensão da CNH e até prisão, acredito que o mesmo governo federal poderia estender essa tolerância para outros segmentos da nossa sociedade.
Que tal começarmos pela corrupção em órgãos públicos ou envolvendo pessoas ligadas ao poder público? Seria interessante que todo aquele servidor público, preso pela Polícia Federal fosse obrigado a devolver antes mesmo do julgamento aquilo que roubou do erário. Afinal o motorista suspeito não tem de pagar à multa primeiro e recorrer depois?
Em seguida deveria o governo acabar com a prática absurda de não utilizar verbas disponíveis no orçamento da união. Ou seja, após a aprovação do orçamento da união, todo valor deveria ser repassado ao fim a que se destina, evitando-se que muitas obras importantes e segmentos fiquem sem verbas para realizar seus projetos e programas nos Estados e Municípios da Nação.
Tolerância zero para os presidiários brasileiros que a exemplo de São Paulo, conseguem negociar com o poder estabelecido através de suas agendas ocultas. Ex. O presídio de segurança máxima de Pres. Bernardes tem 250 vagas, mas só é ocupado por 35 presos. Por quê? O mesmo governo que não ouve os reclamos de professores e demais funcionários públicos honestos e trabalhadores. Um governo que tem medo do PCC ou do CV não pode em hipótese alguma ser legitimado no poder.
Da mesma forma que um motorista não pode beber uma cerveja, nenhum homem público pode impedir que uma investigação do MP seja levada a diante, usando manobras sórdidas através de um bando de subservientes chamados de aliados. É fácil instituir leis que proíbem o consumo de bebidas quando se tem um motorista para dirigir seus veículos oficiais pagos com dinheiro do povo.
É preciso tolerância zero para quem não consegue dar ao povo o direito de sonhar com a moradia própria. É preciso à mesma tolerância para aqueles que não constroem presídios federais, para aqueles que não duplicam nossas estradas, para aqueles que não tem um projeto educacional que mude a estória da educação em nosso país.
É preciso tolerância zero e cartão de ponto magnético para todos os políticos em todas as instâncias do poder no Brasil. Para que sejam multados em dez salários mínimos sempre que chegarem atrasados ou faltarem às seções. É muito fácil instituir multas quando elas nunca lhe atingem, quando o elemento é imune ou ao menos age como se assim o fosse.

7 de julho de 2008

Meu voto por algumas respostas

Em outubro próximo estaremos votando no país inteiro para elegermos os vereadores e prefeitos para mais um mandato de quatro anos. Essa gente toda estará legislando e administrando as nossas ruas, bairros e enfim, nossas cidades.
Precisamos como sempre tomar muito cuidado ao colocarmos nossos votos na urna eletrônica, para não nos arrependermos mais uma vez pelos próximos quatro anos. Aliás, se arrependimento eleitoral matasse não haveria mais Brasil.
Por exemplo, na cidade de São Paulo haverá uma disputa intensa, não pelos votos tão somente, mas pelo poder que se reveste aquela eleição na maior cidade do Brasil. Os postulantes se candidatam pensando em ser governadores e até o próximo presidente em 2010. O povo, bem o povo que espere a sua vez.
Se fosse votar em São Paulo iria fazer a seguinte pergunta imaginária aos principais candidatos à Prefeito, para que eles respondessem sem subterfúgios, sem enrolação, sem meias palavras ou desculpas normalmente usadas na televisão quando dos enfadonhos programas eleitorais:

Geraldo Alckmin: Meu voto será teu desde que:
O senhor explique a toda população paulistana o porquê não permitiu junto com seu partido que nenhuma investigação fosse realizada com relação à Nossa Caixa, Caso Alstom, Privatizações do Setor Elétrico Paulista e muitas outras que somadas chegariam a setenta CPI’s? O senhor poderia esclarecer se pretende privatizar alguma empresa ou segmento do nosso município se eleito? O senhor faria novamente um contrato de Turn Key idêntico aquele do Metrô que culminou na morte de sete pessoas inocentes em Pinheiros quando do desabamento? O senhor vai fazer o quê em relação ao transporte público urbano? Por que o seu partido não conseguiu em 14 anos concluir o Rodoanel?

Gilberto Kassab: Meu voto será teu desde que:
O senhor explique quais serão verdadeiramente suas ações para conter o caos no trânsito paulistano sem que, no entanto adote pedágios ou outras saídas punitivas aos motoristas que circulem pela cidade. O senhor finalmente vai fazer algo concreto para acabar de vez com as enchentes na cidade? O senhor tem um projeto para reurbanização total da cidade? Em sua atual gestão o senhor pouco fez pela Educação, se eleito qual o seu Projeto Educacional para São Paulo?

Marta Suplicy: Meu voto será teu desde que:
A senhora conseguiria explicar o porquê não fez entre 2002 e 2005, o que agora promete fazer se eleita? Como poderemos ter certeza que em seu novo mandato teremos ações concretas e não promessas vazias como da primeira passagem pelo poder em SP? E qual será a solução que a senhora vislumbra para resolver o caos no trânsito e o problema gravíssimo da educação em SP? A cidade precisa de um choque de gestão, com soluções modernas e práticas, qual o modelo que pretende empregar?
São muitos os problemas na cidade de São Paulo, a maioria já conhecida dos candidatos, mas a cada novo mandato a cidade fica relegada ao esquecimento, os candidatos passam a sonhar com a eleição para Governador e Presidente, deixando os problemas se agravarem cada vez mais na cidade.
E por último faria a todos os candidatos uma pergunta comum para que ambos me respondessem:
Senhores candidatos a Prefeito de São Paulo:
Se eleito você conseguiria em nome dos eleitores da cidade jurar sob a bíblia sagrada que iria fazer três coisas?
1. Não aumentar, não criar e não apoiar nenhum novo imposto?
2. Não permitir, sob quaisquer hipóteses que seu ego o leve a pensar em trocar a prefeitura por outro cargo em 2010?
3. Transformar seu mandato no mandato do povo, com tal transparência, que nenhum ato pudesse ser realizado sem a total consciência da sociedade que o elegeu?

5 de julho de 2008

O que o Bafômetro não mede?

A polemica lei que está considerando embriagados aqueles que ingerirem um copo de vinho e depois forem pegos ao volante de seus automóveis irá se juntar em breve a tantas outras leis que embora rigorosas não conseguiram o efeito que imaginavam os seus autores.
Hoje temos algumas estradas e avenidas de certas cidades que estão sitiadas com tantos radares móveis e estáticos, por outro lado faltam rodovias em condições de tráfego na maior parte do país. As multas são rígidas e equivalem a dois e até três salários mínimos vigentes, mas não evitam menores ao volante, malucos na contra-mão nas auto-estradas e caminhoneiros sedados sem dormir nas nossas estradas.
Isso em resumo fez com que a arrecadação aumentasse para os nossos governantes, mas em
nenhum momento diminuiu a violência no trânsito brasileiro e o motivo é simples. De que adianta radares, multas e bafômetros se nenhum desses instrumentos consegue parar a corrupção daqueles que teriam em tese que dar o exemplo? As leis do trânsito sempre foram severas, bastaria cumpri-las com rigor e sem o maldito jeitinho brasileiro.
Os casos de corrupção registrados no Detran do Rio Grande do Sul e a quadrilha que atuava em São Paulo, onde quatorze delegados de trânsito foram afastados por terem autorizado aproximadamente 200 mil CNH’s sem que os motoristas tivessem sequer realizado os exames, dão o tom da ópera bufa que ouvimos no Brasil. Imaginem como estão os procedimentos em alguns outros Estados da Nação?
Antes de pensar em multas, radares ultramodernos que multam o motorista até dentro de sua garagem, precisávamos inventar um sistema fotográfico que multasse os corruptos e pudéssemos expor suas fotos na multa para serem exibidos em rede nacional. Ou que as fotos aparecessem nas urnas quando da votação.
Não existe em solo brasileiro algum órgão que manipule dinheiro que não tenha sido, esteja ou vai ser alvo de desvio de verbas, adulteração ou qualquer outro ato de corrupção.
Antes de pensarmos em usar o bafômetro para ver se o motorista tomou ou não um chope ou ficar na dúvida se ele ingeriu um perigoso bombom de chocolate com Rum, eles deveriam inventar um bafômetro para auferir o teor concentrado de corrupção em nossos servidores.
Precisamos urgentemente de um “corruptômetro” para percorrermos nossas seções e órgãos públicos varrendo aqueles que estiverem com uma dose mínima de vontade de roubar, desviar ou se locupletar com dinheiro público. Por motivos óbvios a operação teria de começar em Brasília – DF.

4 de julho de 2008

Distríto Federal - Um mundo a parte

Em Brasília sede do governo federal e dos poderes judiciário e legislativo do Brasil, temos um mundo à parte, quase sempre não correspondente à realidade que vivemos em nosso cotidiano. Enquanto enfrentamos um batente de sol a sol nossos representantes no Congresso Nacional, trabalham (sic) de terça a quinta quando muito e ainda podem usufruir um sem número de desculpas esfarrapadas para faltarem ao trabalho.
Não satisfeitos os exaustos parlamentares que não produzem nada pelo povo há muito tempo agora entram no melhor ano de seus mandatos. O ano de eleições municipais, quando podem escolher se ficam na solidão do planalto central ou se partem para uma aventura em suas cidades natais como candidatos a prefeito.
Para aqueles de bom senso que preferem cumprir seus mandatos conforme vontade expressa pelo povo, as coisas ficam melhores ainda, pois nesse período até as eleições em Outubro/08, eles terão 95 dias a contar de hoje para fingir que trabalham naquilo que se convencionou chamar de recesso branco (Deveria ser Recesso Negro).
Mas a cor não importa, o que fica claro é a imoralidade desse sistema dito democrático, onde um operário trabalha sob condições inadequadas muitas vezes sem qualquer benefício extra para receber um mísero salário mínimo.
O custo de cada parlamentar é obsceno, é aviltante, mas nem assim ocorre uma mudança de postura a cada novo mandato, toda legislatura começa e termina da mesma forma que as anteriores, improdutivas, imorais e sem que a sociedade tenha um único mísero motivo para comemorar.
O recesso branco não vai descontar um único centavo nos salários indecentes dos nossos parlamentares, o melhor salário do mundo se compararmos carga horária, benefícios diretos e indiretos, com a produtividade dos nossos políticos. É um acinte sem igual, que perpetua a falência moral de uma instituição secular que deveria honrar sua tradição de casa do povo.
Se computarmos de primeiro de janeiro até o dia cinco de outubro desse ano, teremos férias e recesso de Janeiro/Fevereiro + Férias de Julho + Recesso Branco até Outubro/08 + Finais de semana + Segundas e Sexta Feiras não trabalhadas = 50 dias possíveis de trabalho.
Façam as contas e vejam o quão estão cansados nossos Marajás de Brasília.