Fomos informados nesta data que o custo da energia para a região atendida pela empresa CPFL Paulista será reajustado da seguinte forma: energia residencial: 9.15% e energia industrial: 18,75% de aumento. A justificativa da empresa é que repassou o custo inflacionário. Mentira na medida em que o IPCA acumulado em 12 meses: é de cerca de 4,1%.
Ou seja, os clientes residenciais estão recebendo um aumento que representa mais que o dobro da inflação no período de 12 meses, enquanto a indústria recebe quase quatro vezes mais do que a inflação.
A antiga estatal, CPFL Paulista, foi privatizada pelo governo sob o comando do PSDB em 1997 por R$ 3,015 bilhões. Os compradores: consórcio VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa), Previ e fundos. Cerca de dez anos depois a empresa foi repassada para a estatal chinesa State Grid Corporation of China por aproximadamente R$ 25 bilhões pelo controle total estimado.
O consórcio VBC vendeu por oito vezes o valor pago ao Estado de SP, mostrando de forma cabal que a empresa foi privatizada por um preço muito aquém do seu real valor de mercado. Aliás, prática comum em todas as privatizações realizadas em São Paulo pelos tucanos do PSDB.
A empresa que era modelo do setor elétrica paulista passou a prestar um serviço de qualidade duvidosa e muito aquém daquilo que oferecia enquanto estatal paulista. Fruto das demissões em massa, extinção de departamentos e divisões espalhadas em sua área de atuação, reduzindo corpo técnico e equipamentos a disposição da população.
Essa realidade é enfrentada pelos habitantes da área da CPFL sempre que ocorre chuvas fortes e desligamentos forçados por ventanias e tempestades. Moradores ficam dias sem energia a espera do atendimento dos empregados da empresa, em sua maioria atendidas por empresa contratadas (pequenas empreiteiras).
Agora, na hora de reajustar os valores da conta de energia elétrica, a empresa cresce e aplica reajuste cem por cento acima da inflação do período.
Esse é o script das privatizações em SP, que se estende para as concessionárias que conseguiram os contratos para manutenção das estradas paulistas. Onde os reajustes dos pedágios fazem com que viagens curtas tenha custos encarecidos. Com a novidade da cobrança via Free Flow, onde as empresas concessionárias dos amigos do rei Tarcísio de Freitas não gastam mais nem para construir praça dos pedágios, apenas colocam torres com radares, enquanto os cofres ficam abarrotados com dinheiro dos consumidores que passam por seus pontos de arrecadação.
Privatização não é solução para os consumidores, é lucro certo para quem compra e depois promove demissões em massa, e as vezes, vende a empresa para grupos estrangeiros com lucros altíssimos.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.


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