No Brasil, as privatizações de empresas estatais sempre foram acompanhadas do seguinte: 1º Desmonte completo da empresa; 2º Venda por preço muito abaixo do valor real da empresa; 3º O edital não contempla as obrigações futuras da empresa privada em relação as suas obrigações naturais; 4º Após a venda a empresa que adquiriu demite milhares de trabalhadores fazendo processos de saídas voluntárias; 5º Por último, começa a prestar um serviço abaixo do que era realizado pela estatal, com funcionários terceirizados sem o mesmo conhecimento e experiência profissional. Resultado: O povo paga pela aventura que rendeu milhões e sumiu no ralo da ineficiência e corrupção do país.
Neste sentido a Companhia Energética de Minas Gerais -Cemig lidera ranking do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - Dieese com 86,5% de trabalhadores indiretos; modelo se firmou após privatizações dos anos 1990
Um levantamento recente do Dieese mostra que a terceirização se tornou dominante em parte dos maiores grupos do setor elétrico brasileiro. Em empresas analisadas pelo estudo, trabalhadores indiretos já representam mais de 80% da força de trabalho, enquanto balanços recentes das companhias registram receitas e lucros bilionários. Com a terceirização vem a inevitável precarização das empresas e a queda da qualidade dos serviços.
· Cemig: 86,5% de trabalhadores indiretos;
· EDP Brasil: 83%;
· Enel: 80,6%;
· Equatorial: 78,5%;
· Neoenergia: 62,7%;
· Light: 62,4%;
· Copel: 60%;
· Celesc: 49,9%;
· Energisa: 28,2%;
· Eletrobras: não informou dados sobre trabalhadores indiretos.
O avanço ocorre em empresas com resultados expressivos. Em 2025, a Enel Brasil registrou receita líquida de R$ 49,05 bilhões e lucro líquido de R$ 2,98 bilhões. A Cemig informou receita de R$ 42,75 bilhões e lucro de R$ 4,9 bilhões. A EDP Brasil, no dado mais recente divulgado, referente a 2024, teve receita de R$ 15,4 bilhões e lucro líquido de R$ 2,28 bilhões.
O motivo da aposta na terceirização começa a ser entendido com a análise dos salários dos trabalhadores do setor. Segundo o Dieese, no fim de 2025, o rendimento médio dos empregados do setor elétrico público era 84% maior do que o registrado no setor privado. Na prática, isso significa que os trabalhadores fora do setor público recebiam pouco mais da metade, em uma atividade que exige formação técnica, experiência acumulada e operação em ambientes de alto risco.
Na cidade de São Paulo, e em parte da chamada Grande São Paulo, em várias ocasiões de chuvas acompanhadas de ventos fortes, milhares de consumidores ficaram vários dias sem energia em suas residências e empresas. Prejuízo enorme para todos.
No interior de São Paulo, a demora para o atendimento das equipes terceirizadas da Companhia Paulista de Força e Luz – CPFL é algo que irrita profundamente os consumidores atendidos pela empresa. São fatos recorrentes e que exemplificam o desmonte que ocorreu nas privatizações do setor elétrico paulista, antes, ainda como estatal, exemplo de eficiência.
E não é somente no setor elétrico que o problema reside, a venda da Sabesp trouxe aumento de tarifas, queda no fornecimento de água potável, redução de investimento em tratamento de esgotos, e na semana passada uma das empreiteiras contratadas perfurou um cano de gás e causou uma explosão, derrubando diversos imóveis com duas vítimas fatais.
As privatizações no Brasil têm como pressuposto maior, negócios com agendas ocultas, direcionamento, e o afastamento completo do objetivo da transferência da empresa estatal para privada, mantendo emprego ou gerando novas oportunidades, além de ampliação do negócio.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.



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