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20 de maio de 2026

Neymar sempre estraga meu humor!

  

Foto de Lucas Figueiredo da CBF. 

Enquanto o futebol brasileiro tenta reencontrar grandeza, Neymar reaparece como símbolo de decadência, narcisismo e permanente distração da seleção.

Carlo Ancelotti anunciou nesta segunda-feira os 26 convocados da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026.

Ouvi a lista com a autoridade futebolística de quem seria incapaz de distinguir um esquema tático de uma planta hidráulica. Entendo de futebol tanto quanto entendo de meteorologia no Tibete ou de mineração lunar. Habito o pré-sal da ignorância futebolística. Sou um torcedor de Copa do Mundo. Apenas isso.

Mas existe uma razão para essa fidelidade emocional.

México, 1970.

Aquela seleção não apenas venceu. Encantou o planeta. Pelé, Tostão, Rivellino, Carlos Alberto Torres, Gerson, Piazza, Félix e Jairzinho jogavam como quem parecia ter descoberto um segredo reservado apenas aos brasileiros. O futebol ali possuía leveza, inteligência e uma alegria ofensiva que humilhava adversários sem precisar recorrer à violência ou à encenação.

Aquilo ficou gravado na memória da minha geração como uma espécie de patrimônio afetivo.

Depois veio 1982.

E talvez nenhuma seleção derrotada tenha sido tão amada quanto aquela. Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Júnior e Éder jogavam futebol como artistas que desprezavam o medo. Havia arte com a bola, inteligência e ousadia em campo.

Éder chutava de longe como quem tentava derrubar paredes invisíveis. Até hoje considero aquela derrota para a Itália uma das maiores injustiças da história das Copas.

Desde então, assisto à seleção brasileira com o sentimento de quem procura antigos moradores numa cidade que mudou demais. Ancelotti convocou Alisson, Ederson, Marquinhos, Casemiro, Bruno Guimarães, Vinícius Júnior, Raphinha, Endrick, Neymar e outros nomes já esperados.

Foi exatamente no momento em que ouvi o nome de Neymar que desliguei a televisão.

Cansei.

Neymar se transformou numa espécie de usina permanente de desgaste emocional da seleção brasileira. Cai mais do que joga. Reclama mais do que produz. Encena faltas como quem participa de um teste para novela ruim das nove. Mas está seguro de que a emissora pretende ficar com ele.

Nunca consegui admirar jogadores fascinados pelo próprio espelho.

Neymar envelheceu como personagem antes de envelhecer completamente como atleta. Tornou-se prisioneiro de uma caricatura construída por contratos milionários, publicidade excessiva, celebridades vazias, penteados performáticos e uma necessidade quase patológica de permanecer no centro dos holofotes.

Existe algo de muito decadente nessa insistência.

A entrada de Neymar nessa seleção, faltando tão pouco para a Copa, me lembra uma comida preparada com cuidado durante horas, cheia de aroma, equilíbrio e tempero certo — até surgir alguém carregando um pote inteiro de sal e despejá-lo dentro da panela.

Estraga tudo. Ou quase tudo.

O problema nunca foi apenas o futebol de Neymar. Foi tudo aquilo que veio grudado nele como ferrugem emocional: o narcisismo, o teatro permanente, a infantilização reincidente, o excesso de ego e a sensação cansativa de que a seleção brasileira passou anos orbitando um único jogador que jamais conseguiu carregar sozinho metade do peso histórico da camisa que vestia. 

Autor: Washington Araújo – Publicado na Revista Forum.

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