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16 de junho de 2023

Discurso mentiroso que esconde preconceito e ódio!

É habitual lermos na grande mídia um discurso pessimista sobre o atual governo federal no Brasil. É até normal pensarmos que os jornalistas e a editoria das emissoras e empresas jornalísticas estejam numa espécie de “torcida” contra ou ao menos esperando que as coisas deem errado.

Ocorre que o comportamento pessimista é muito pior do que isso. Os pessimistas são aliados da política de juros altos e do aprofundamento das desigualdades sociais. Quem insiste em apontar supostos erros no governo é porque defende uma política econômica totalmente oposta à que está em vigor desde o início deste ano.

Os profetas do caos e do apocalipse que ficaram calados durante o descalabro da gestão Bolsonaro limitam o país a instituições comandadas por pessoas como o Arthur Lira. 

Essa mídia é a mesma que passou a mão na cabeça de crimes cometidos contra a economia, das motociatas custeadas por cartão corporativo da presidência, dos desvios de finalidades das emendas parlamentares, se omitindo em todos os aspectos quando o governo era de direita. A mídia mediocrizou-se em gênero, número e grau. Não há mais repórter e o interesse público virou coisa do passado nas suas modernas redações.

Claro que boa parte destes órgãos de imprensa ainda se mantém vivos graças ao suporte financeiro advindo de empresas e empresários que odeiam a esquerda, estes, são justamente os que mais se locupletam na lama da corrupção, nos benefícios fiscais, nos refis com 240 parcelas.

São aqueles que criticaram e muito o Bolsa Família quando este era comandado pelo Partido dos Trabalhadores, porém, misteriosamente e de forma conivente se calaram quando o mesmo benefício foi usado vergonhosamente para comprar votos para Jair Bolsonaro. Quando até mortos estavam na lista de cadastro dos beneficiários.

Temos um combo conservador e atrasado que funciona como relógio suíço: Mídia Conservadora + Elites falidas + Mercado Financeiro + Eleitores sem consciência do voto = Direita sem argumentos, que vive das fake news e da ajuda dos citados anteriormente.

E tem dado certo em alguns casos, como por exemplo na eleição de 2018 do Mito e na eleição de diversos governadores em vários Estados brasileiros. Quando você pesquisa e verifica os números referentes à educação, estes não estão nos Estados governados por figuras atrasadas da direita nacional como Zema (MG), Castro (RJ), Tarcísio (SP) ou Ronaldo Caiado (GO), mas sim no Ceará governado pelo PT.

Tudo que a mídia criticou nos primeiros seis meses do governo Lula, coincidentemente foram aquelas coisas para as quais eles se calaram covardemente nos quatro anos de governo do inútil.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

12 de junho de 2023

Os ruralistas e o futuro do Brasil!

Juca Ferreira Aos poucos as contradições do ruralismo com o futuro do país vão ficando perceptíveis e expostas e as ilusões vão se dissolvendo. Foto Reprodução.

A ficha aos poucos vai caindo e as contradições do ruralismo com o futuro do país vão ficando perceptíveis e expostas e as ilusões vão se dissolvendo…

Os ruralistas, o chamado agronegócio, foi uma das principais bases políticas do golpe que afastou a Dilma da presidência e emprestaram todo apoio a Temer e Bolsonaro.

Historicamente são uma força conservadora e reacionária e conspiram sistematicamente contra o futuro e a grandeza do país.

Fizeram parte desses governos oriundos da ruptura com nossa democracia e usaram sua força nesses governos para ampliar e liberar criminosamente o uso de venenos, os chamados agrotóxicos; para aprovar leis que legalizam e ampliam o armamento no campo e praticam sistematicamente a violência contra líderes dos pequenos agricultores e povos indígenas, inclusive com assassinatos de muitos desses líderes; estimularam e alimentaram as iniciativas golpistas e foram os principais estimuladores e financiadores dos acampamentos nas portas dos quartéis e da patética tentativa de golpe do dia 8 de janeiro.

Agora, estão usando o parlamento para inviabilizar o governo do presidente Lula através de táticas para fazer do Congresso uma barreira oposionista e golpista.

Estão abrindo uma CPI contra o MST e buscam criar o clima de instabilidade e polarização no país.

Nunca tiveram interesse na consolidação de uma democracia no Brasil.

Não manifestam compromisso com nossa soberania e preferem o Brasil à imagem e semelhança de uma das suas fazendas, sem direitos sociais, sem cidadania, onde impera a lei do mais forte.

Ainda vivem a nostalgia da abolição da escravidão e são o principal setor social que possibilita a resiliência das práticas escravistas.

São inimigos da sustentabilidade e são um dos principais predadores da natureza, desmatando, botando fogo nas florestas, contaminando os rios e os peixes, usando de forma predatória os recursos hídricos, reduzindo irresponsavelmente a biodiversidade e praticando o uso abusivo do solo.

Estão sempre conspirando contra as leis que protegem o meio ambiente e destroem as florestas para substituí-las por fazendas de gado e soja e estão destruindo o Cerrado brasileiro, bioma fundamental para o equilíbrio hídrico do país e se dedicam a concluir a obra criminosa de acabar de devastar a mata Atlântica.

São, junto com o garimpo e os madeireiros, os principais algozes das florestas, dos rios e dos povos indígenas em todo o território nacional.

Como setor social são impermeáveis à nação e não demonstram nenhuma tendência de vir a tomar tenência e afinar a viola com o Brasil.

Autor: Juca Ferreira é sociólogo e ambientalista. Desde março de 2023, cuida da área de economia criativa do BNDES. Foi ministro da Cultura nos governos Lula e Dilma.

Por uma Comissão da Verdade para investigar as graves denúncias sobre a Lava Jato!

Respondendo a uma pergunta do apresentador Gustavo Conde em programa de entrevista do portal Brasil 247 [8/6], discordei da hipótese de se instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as graves denúncias sobre a Lava Jato.

Não porque a CPI não poderia eventualmente cumprir um papel relevante na elucidação desse escândalo que manchou o judiciário e o sistema político brasileiro, mas porque a Comissão Parlamentar pode ser contraproducente devido ao risco de espetacularização das investigações.

Além disso, e mais importante, porque é preciso ir além no encontro de contas com a verdade; trata-se de um imperativo histórico de outra natureza. É preciso avançarmos na perspectiva de um processo de memória, verdade, justiça e reparação.

Para isso, é necessário que o governo, o Congresso e o Judiciário entrem em consenso sobre a instalação de uma Comissão da Verdade sobre a Lava Jato, conforme traduziu um arguto espectador da entrevista referida acima quando defendi a ideia de ir-se além da CPI e das investigações policiais e processos judiciais já em andamento ou por serem instauradas.

A apuração plena desse que é o maior escândalo de corrupção judicial da história, como caracterizou a mídia internacional, é crucial para a reconstrução da democracia brasileira.

A Comissão da Verdade poderá examinar em profundidade o que aconteceu, com serenidade e imparcialidade dos seus integrantes e especialistas, para produzir as conclusões necessárias.

As revelações sobre as imundícies da Lava Jato cobram da justiça e da democracia brasileiras muito mais que processos penais para responsabilizar os culpados e obrigá-los às reparações pelos danos causados, o que em si mesmo será muito relevante, se de fato acontecer.

Apesar de disfarçada como uma força-tarefa nacional “exclusiva” do compromisso e do combate “heroico” contra a corrupção, e fortemente incensada pela mídia hegemônica, empresariado, políticos e militares, na realidade a Lava Jato foi um empreendimento criminoso, organizado em moldes semelhantes aos de gangues mafiosas.

A brutalidade da Lava Jato contra aqueles que eram seus alvos centrais – o presidente Lula e o PT –, tem equivalência histórica com o famoso caso Dreyfus, em que o fascismo judicial francês no final do século 19 procedeu a uma condenação ilegal, criminosa e descaradamente mentirosa daquele capitão do Exército francês de ascendência judaica.

Aquele fascismo judicial, combatido no manifesto Eu Acuso, do escritor Émile Zola, serviu de base para os estudos posteriores de Hannah Arendt sobre o nazismo, que originaram a notável obra As origens do totalitarismo.

A Lava Jato desperta interesse mundial. Em grande medida porque estabeleceu conexões internacionais, sobretudo na América Latina, para proliferar o lawfare como arma política e ideológica da extrema-direita em inúmeros países.

Mas não só por isso; mas também porque é um modelo a ser combatido em todos os cantos do planeta, pois o fascismo judicial ameaça de morte as democracias e os Estados de Direito.

A gangue de Curitiba corrompeu o sistema de justiça, destroçou a economia nacional, criou sequelas dolorosas no tecido social brasileiro e influenciou decisivamente os rumos trágicos que o país tomou nos últimos anos, que culminaram com o ascenso do fascismo e dos militares ao poder.

Aquela estrutura que Gilmar Mendes caracterizou como uma “organização criminosa”, era o epicentro de uma engrenagem mais abrangente, que implicava inclusive governo estrangeiro, como é o caso dos EUA, que operou por meio dos seus Departamentos de Estado e de Justiça.

É urgente e inadiável, portanto, passarmos a limpo tudo o que aconteceu nesses tenebrosos anos de ação nefasta daquela gangue.

O Brasil ainda precisará de muitos anos – senão de décadas – para se recuperar da tragédia, da destruição e da barbárie legadas pela Lava Jato.

A instalação da Comissão da Verdade sobre a Lava Jato é um imperativo ético, histórico e democrático da luta antifascista, para que o Brasil possa se reconciliar, reconstruir sua democracia e seu sistema de justiça e finalmente se encontrar com a memória, a verdade, a justiça e a reparação. Para, enfim, “que não se esqueça; para que nunca mais aconteça”.

Autor: Jeferson Miola – Publicado no Site Viomundo.