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20 de janeiro de 2026

A volta do nazismo sob a bandeira dos EUA!

 

O Serviço de Imigração e Alfândega - ICE está no centro dos mais de mil protestos que tomaram as ruas dos Estados Unidos (EUA) nos últimos dias.

Os atos são uma reação da sociedade à ação dos agentes da imigração que resultou no assassinato da estadunidense Renee Nicole Good, morta a tiros no último dia 7 de janeiro por funcionários do ICE. Criada em março de 2003, no contexto da invasão do Iraque, a agência uniu os antigos serviços de alfândega e imigração dos EUA com a missão de combater a imigração ilegal que ameaçaria a segurança do país.

Sob o comando de Donald Trump, o orçamento do ICE triplicou, chegando a US$ 29,9 bilhões ao ano, segundo cálculos do Conselho Americano de Imigração, que fornece apoio a imigrantes nos EUA. O valor destinado a fiscalização e deportação de imigrantes supera as Forças Armadas de quase todas as nações do mundo, com exceção de 16 países, segundo dados de despesas militares da SIPRI Fact Sheet, referência mundial no tema.

A instituição ainda contratou mais 12 mil agentes no primeiro ano do governo Trump, chegando a 22 mil policiais, aumento de 120% em relação ao efetivo anterior. Outros US$ 45 bilhões foram destinados à construção de centros de detenção para imigrantes. “Isso representa um aumento de 265% no orçamento anual do ICE para detenção. É um orçamento 62% maior do que todo o sistema prisional federal”, afirma o Conselho Americano de Imigração.

O ICE é responsável direto por cumprir uma das principais promessas de campanha de Trump: a de deportar, em média, um milhão de imigrantes sem documentos por ano. Ao todo, estão vivendo irregularmente nos EUA aproximadamente quatorze milhões de pessoas, segundo cálculos da Pew Research Center. Manter ou não imigrantes em situação irregular dentro do país é uma decisão interna do governo americano, o grande problema é a forma e os métodos utilizados pelos agentes do ICE para bater esta meta. Eles agem como uma milícia nazista e são considerados agressivos por organizações de direitos humanos, em especial em bairros de população não branca.

As denúncias de violações de direitos vêm aumentando e incluem, para além da agressividade nas ações, deportações sem o devido trâmite do processo legal. Os agentes parecem soldados alemães da Gestapo (polícia secreta da Alemanha nazista). Muitas vezes, as operações são realizadas com carros sem identificação e com agentes mascarados, que prendem pessoas no meio da rua ou em escolas, igrejas ou locais onde haja a suspeita de que vivam ou trabalhem imigrantes sem documentos.

“Eles usam máscaras, e essa truculência para assustar as pessoas para que cedam e se entreguem, pensando que não tem outra opção. Agora, há um grande movimento nos EUA para educar as pessoas sobre os seus direitos.

O assassinato a tiros da estadunidense Renee Nicole Good por agentes da ICE gerou uma onda de comoção pelo país. A ação truculenta do ICE faz as comunidades se mobilizarem para proteger imigrantes.As pessoas estão indo para as ruas para denunciar o ICE e ajudar os ilegais para se esconderem e não serem presos. É uma solidariedade nunca vista, onde pessoas brancas, defendem imigrantes, em especial, os latino-americanos e as pessoas de outros países.Ao comentar a situação em Minnesota, onde Renee foi assassinada, o ICE lamentou que manifestantes tentem interferir no trabalho da agência.

A narrativa do ICE e do presidente Trump é a de que estão deportando ilegais criminosos, como estupradores, pedófilos, assassinos e traficantes. Quando na verdade o ICE está matando americanos em solo dos EUA.A ação do ICE tem gerado críticas de políticos democratas, organizações de direitos humanos e especialistas.A organização não governamental Represent Us, dos EUA, avalia que a agência atua com poucos controles, na comparação com outras agências. O ICE é obrigado a seguir a Constituição dos EUA e a lei federal. No entanto, quando a agência foi criada, após o 11 de setembro, recebeu carta branca e ampla liberdade para aplicar as leis de imigração e apoiar os esforços antiterroristas do FBI com menos transparência e menos salvaguardas do que outras agências de aplicação da lei.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

https://www.brasil247.com/cultura/springsteen-homenageia-renee-good-e-ataca-ice-em-recado-duro-ao-presidente-trump

A direita precisa estudar a história e o povo pesquisa-la!

 

Sempre ouvi pessoas sem argumentos e sem conhecimento da história e da política nacional vociferarem absurdos sem terem provas ou argumentação consistentes para referendar aquilo que diziam em tom solene.

Uma dessas frases repetidas à exaustão é a seguinte: “A esquerda acabou com o Brasil”, ou ainda, “A corrupção começou com o PT”. São afirmações mentirosas e sem nenhum lastro na história do nosso país.

Senão vejamos no quadro abaixo:

1500-1822 – Direita 1823-1889 – Direita 1890-1946 Direita

1947 a 1960 – Direita 1961-1964 – Esquerda 1964-1985 Direita

1986 a 2002 – Direita 2003-2016 – Esquerda 2016-2022 Direita

2023 a 2026 – Esquerda.

Fica difícil supor que durante quinhentos e cinco anos da existência do Brasil, governados por alguém de direita, não houve corrupção sistemática, não tivemos inflação, escravidão, atraso da participação da mulher na vida política nacional, privatizações danosas a economia, desmontes e déficit escolar. Porém, insistem que nos vinte e um anos em que alguém de esquerda esteve no poder, conseguiu destruir o país, arruinar a economia, sem deixar nenhum legado positivo para a população?

Os políticos de partidos de direita e extrema direita sabem que não possuem legado em seus munícipios, estados e no país quando governados por políticos de direita. Certa ocasião um economista, numa rádio de Bauru, me perguntou sobre Tarcísio de Freitas, então candidato ao governo de SP. Respondi que o candidato não possuía legado algum, não havia realizado nada pelo país nem por seu próprio estado (RJ). O economista ficou nervoso e prontamente o defendeu dizendo que: “Mas ele privatizou portos e aeroportos”.

Sim, na cabeça dos conservadores, dos políticos de direita e do empresariado, privatização é mais importante do que a construção de Hospitais, Universidades, Rodovias, Ferrovias, Escolas, Creches, etc. Querem pelo simples motivo de que a privatização rende muito dinheiro, enquanto nas mãos do Estado eles não podem intervir.

Infelizmente, o brasileiro comum, em especial, os eleitores deveriam saber diferenciar os políticos que trabalham em prol deles daqueles que nada fazem enquanto estão no poder. Se os brasileiros elegessem bons vereadores, deputados e senadores, com toda certeza, os partidos políticos iriam melhorar a qualidade dos seus candidatos, elevando o nível daqueles que terão, caso eleitos, o dever de legislar, fiscalizar o executivo e representar o povo brasileiro.

Enquanto tivermos eleitores acreditando em Fake News ou dizendo que não querem o “comunismo” de volta, um sistema de governo que nunca existiu no país, não teremos chance alguma de evolução e desenvolvimento para o Brasil. Quando pensar sobre isso, recorde os anos de 2016-2022, pesquise neste período o que foi realizado no Brasil. Simples assim! 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

19 de janeiro de 2026

O que o banco Master nos ensina sobre corrupção?

O caso do banco Master é muito ilustrativo de como “realmente” funciona a corrupção entre nós.

O caso do banco Master é muito ilustrativo de como “realmente” funciona a corrupção entre nós. O país (des)aprendeu, com seus pensadores mais importantes e influentes até hoje, que o “problema do Brasil” é o patrimonialismo. A tese do patrimonialismo burocrático, significando que os servidores e operadores do Estado criam um estamento autorreferido que parasita a sociedade, é a resposta da elite à questão essencial de um país desigual como o nosso: explicar como o povo é pobre num país rico. A culpa é do Estado e da política. De uma tacada só se estigmatiza o Estado, única instituição capaz de limitar e regular o mercado, deixando-o frágil para ser tomado pelo mercado, e se desmoraliza a política vista como saque da população desmoralizando a participação popular.

Como acontece corriqueiramente com as ideologias, ocorre aqui uma inversão absoluta entre causa e efeito. Na verdade, a elite de proprietários do mercado é a que deixa todo mundo pobre. Mas para este desiderato ela tem que “comprar” o Estado e seus operadores. O Estado é muito mais do que o fisco e o orçamento publico. O Estado é também administração da justiça, o que envolve o controle policial e o monopólio da violência legitima. O Estado também é a produção de leis de interesse da mesma elite, controle dos preços macroeconômicos por meio do banco central, dentre outros inúmeras dispositivos de poder e comando.

No Brasil, a sanha do saque elitista sobre a população indefesa sempre exigiu o controle do Estado e de seus mecanismos. Na realidade o monopólio do Estado é o verdadeiro negócio das nossas elites. Desde o século XIX as estratégias familiares de acumulação de patrimônio exigem que um filho siga tocando os negócios, enquanto os outros vão ser políticos e juízes. Passa a existir uma blindagem política e jurídica para que os negócios, muito especialmente os escusos, progridam.

Com a modernização e industrialização, os suportes jurídicos e políticos da acumulação de riquezas, não necessariamente precisam ser da própria família. A dominação se torna então “impessoal”. O que eles precisam é respeitar o mesmo esquema vigente há séculos, agora acrescido de um elemento novo fundamental para qualquer dominação econômica e social moderna: a imprensa.

O caso do banco Master mostra esse esquema funcionando à luz do dia. Primeiro as relações com deputados e governadores para privatizar a riqueza publica. Depois, a compra de juízes – que não precisam estar em contrato, basta que seja uma gorda conta em um paraíso fiscal – e terceiro a compra da imprensa para uma cobertura favorável. O banco Master é o resumo fiel de como a real corrupção funciona. Juízes, políticos e jornalistas não são os protagonistas. Eles são os “aviãozinho do tráfico”, os paus mandados da corrupção real que ficam com um pedagio, uma propina que é sempre uma fração relativamente pequena do patrimônio privado construído ilegalmente.

Ao inverter a causalidade social real, e aqui entra o real trabalho da imprensa, se invisibiliza o saque dos donos do mercado. É essa invisibilização que garante a continuação “ad infinitum” do esquema secular de exploração dominante. Sem este dado estrutural fundamental o que resta é a acusação abstrata ao Estado e à política, o que faz, curiosamente, com que todo o esquema funcione de modo renovado todo os dias. O mercado quando rouba sequer é percebido como roubo pela população. Só a corrupção política é percebida, para que se crie o bode expiatório perfeito que torna o esquema real invisível e eterno. E a invisibilidade é o principal dispositivo de poder. Se é invisível não existe crítica possível, então a prática social continua infinitamente sem barreiras. O que a elite precisa é de juízes, políticos e jornalistas que possam ser comprados. O banco Master não é, portanto, uma exceção, mas muito ao contrário a norma. Ele espelha as entranhas do mecanismo real de poder secular no nosso país que mantêm alguns poucos na riqueza e o resto da população na miséria. 

Autor: Jesse Souza - Escritor, pesquisador e professor universitário. Autor de mais de 30 livros dentre eles os best-sellers “A elite do Atraso”, “A classe média no espelho”, “A ralé brasileira” e “Como o racismo criou o Brasil”. Doutor em sociologia pela universidade Heidelberg, Alemanha, e pós doutor em filosofia e psicanálise pela New School for Social Research, Nova Iorque, EUA. Publicado no Site ICL.