Seguidores

22 de dezembro de 2025

A fábula dos onze ratinhos e seu presidente.

 

Durante todo o ano de 2025, Bauru foi palco de um curioso fenômeno político. Não daqueles barulhentos apenas pela maioria, mas também pelos poucos que tentavam fazer barulho contra ela. Havia uma pequena oposição que chiava, gritava, batia o pé e tentava alertar que algo estava errado na despensa institucional. Faziam ruído, incomodavam a colônia, atrasavam o relógio. Mas, como acontece nas fábulas menos otimistas, o cansaço chegava antes do resultado. Quando já sem fôlego, esses ratinhos dissidentes corriam em direção às grandes portas das instituições, pedindo socorro, explicando a urgência, mostrando as migalhas do queijo público sendo levadas. Voltavam quase sempre do mesmo jeito: com a porta na cara e o eco seco da burocracia como resposta.

Enquanto isso, a colônia majoritária seguia seu trabalho com disciplina exemplar. Os ratinhos bem posicionados no plenário não precisavam combinar nada. Bastava um olhar, um gesto discreto, um silêncio bem calculado. Haviam aprendido que pensar demais atrasa, questionar incomoda e fiscalizar dá trabalho. O caminho mais curto entre o pedido e a aprovação era a obediência. E obedecer, naquele ambiente, não era visto como fraqueza, mas como virtude institucional.

A prefeita não precisava levantar a voz. Sua vontade circulava como cheiro conhecido, facilmente identificado pelos bigodinhos dos ratinhos atentos. Projetos chegavam e eram acolhidos com a naturalidade de quem reconhece o dono do queijo. Grandes números, prazos longos, compromissos futuros, tudo isso era tratado como detalhe técnico, algo que não deveria atrapalhar o bom funcionamento da engrenagem. A pressa era sempre apresentada como responsabilidade. A ausência de debate, como eficiência.

Ao longo do ano, o roteiro se repetiu com pequenas variações. Quando alguém ousava pedir mais informações, lembrava pareceres ausentes ou sugeria cautela diante de decisões irreversíveis, logo surgia o desconforto coletivo. O dissenso era visto como atraso. A crítica, como má vontade. O plenário aprendia, sessão após sessão, que a harmonia não nasce do diálogo, mas do silêncio bem comportado.

Assim, o Legislativo foi se transformando. Já não era espaço de confronto democrático, mas uma espécie de corredor administrativo, onde decisões chegavam prontas e saíam carimbadas. A pluralidade foi sendo substituída por unanimidades apressadas. O mandato, por sua vez, passou a ser tratado menos como representação popular e mais como função operacional. Cada ratinho conhecia bem seu lugar na colônia e cumpria seu papel com zelo.

Do lado de fora, a cidade assistia como quem observa uma fábula estranha. Alguns percebiam o enredo cedo demais e tentavam alertar. Outros só reclamavam quando a conta chegava. Muitos preferiam acreditar que tudo aquilo fazia parte do jogo, que era assim mesmo, que política não se entende. Enquanto isso, concessões avançavam, taxas surgiam, contratos se estendiam por décadas, sempre com o mesmo discurso técnico e a mesma sensação de inevitabilidade.

Ao final de 2025, já não era possível fingir surpresa. O que se viu não foi um tropeço ocasional, mas um método. Um jeito de governar em que o Executivo manda e o Legislativo confirma. Em que a fiscalização vira incômodo e o debate, obstáculo. Uma democracia roída aos poucos, com cuidado suficiente para não fazer barulho demais.

Mas toda fábula honesta precisa romper a ilusão de que a culpa mora apenas nos personagens visíveis. Os ratinhos não surgiram por acaso, nem se infiltraram no plenário durante a madrugada. Foram eleitos. Um a um. Com voto, com nome, com número digitado na urna. Fizeram exatamente aquilo para o que foram escolhidos pelo grupo da prefeita: obedecer, alinhar, confirmar. O ponto mais incômodo da história não está apenas neles, mas em quem os colocou ali e depois virou o rosto. Cada patinha levantada no plenário passou antes pela mão de um eleitor. Às vezes veio acompanhada de um tapinha nas costas, de uma indicação do pastor da igreja, de um favor prometido, de uma graninha para ajudar a família, de uma cesta básica, de um churrasquinho no fim de semana, de uma cervejinha oferecida como gesto de amizade. Pequenos agrados, aparentemente inofensivos, que agora se revelam caríssimos. Porque o preço desse voto não ficou no domingo da eleição. Ele está sendo pago todos os dias, com juros, taxas, concessões e silêncio. Não há roedor sem permissão prévia quando a democracia é entregue sem vigilância.

Talvez seja esse o aprendizado que 2025 deixa. O Legislativo não se enfraquece sozinho. Ele é enfraquecido quando a sociedade aceita pouco, cobra menos ainda e se acostuma ao silêncio como se fosse normalidade. Democracia não apodrece de uma vez. Ela vai sendo roída devagar, enquanto muitos fingem não ouvir o barulho.

E o calendário não perdoa distrações. 2026 está logo ali, trazendo junto o velho espetáculo do pão e circo. Virão as promessas de asfalto que não chega, de obra que não sai do papel, de solução milagrosa anunciada em carro de som e culto de domingo. Virão os tapinhas nas costas, os favores de ocasião, a foto sorridente, a conversa fácil dizendo que agora vai.

A diferença é que desta vez já sabemos o roteiro. E quem conhece o roteiro não pode fingir surpresa no final. Se insistirem em nos tratar como desavisados, talvez seja hora de inverter o jogo. Pegue o que oferecem, ouça o que prometem, sorria se for preciso — mas vote com memória. Vote com critério. Vote pensando na cidade, não no agrado.

Bauru não precisa de ratinhos obedientes nem de presidentes de colônia. Precisa de representantes que não confundam mandato com favor, nem o plenário com despensa. A próxima fábula ainda pode ter outro desfecho. Mas isso depende menos dos personagens que se apresentam e muito mais de quem decide, lá na urna, se o poder continuará sendo roído ou finalmente defendido. 

Autor: Fernando Redondo - Jornalismo Independente.

19 de dezembro de 2025

Por que a verdade não incomoda tantas pessoas?

  

Imagens da internet.

A operação Lava Jato, a prisão de Lula e a atuação de Sergio Moro na Operação Banestado foram coisas que aconteceram à revelia da lei e deixaram marcas profundas que precisam por demais serem esclarecidas e os culpados responsabilizados.

Somente agora, 21 anos depois, ficamos sabendo oficialmente que o então Juiz Moro mandava gravar autoridades com foro privilegiado contra a lei para obter vantagens futuras em chantagens obscenas e ilegais.

Este mesmo juiz que se passava como “herói” nacional, acima de quaisquer suspeitas, ao lado de promotores que cometiam crimes e sabiam da extensão destes atos criminosos.

Até desembargadores do TRF4, que era justamente o que julgava os processos enviados por Sérgio Moro, foram gravados com escutas ilegais e até gravações em orgias praticadas num hotel em Curitiba.

Muito já se falou sobre estes assuntos, mas o que causa estranheza é que o JN da Globo, os telejornais da Globonews, Bandnews, Record, Folha e Estadão tenha ficado em silêncio constrangedor por todos estes anos sem nunca investigar ou divulgar aquilo que vinha sendo falado na mídia independente a exaustão.

Também é muito estranho que em nosso país tenhamos tanta gente de direita que se arvora contra o Supremo Tribunal Federal, mas aceita hipocritamente os fatos acima descritos por um juiz corrupto, criminoso que praticava a antítese que preconizam as leis em seu tribunal de exceção em Curitiba.

Enganou muita gente, mas estas pessoas permanecem acreditando no agora senador Sergio Moro pelo Paraná, e, não estranhem se em 2026, derem seus votos a este sujeito inescrupuloso, vil e canalha novamente.

No Congresso Nacional, o silêncio dos abutres é algo surreal. Nem na Câmara ou no Senado, casas inimigas do povo brasileiro, uma só palavra foi dita contra este sujeito. Ele vem participando de todas as comissões, entrevistas com ministros e autoridades no senado como se fosse um grande jurista idôneo e que preza pela ética.

A imoralidade de tudo que aconteceu no Brasil a partir de 2013, movimentos falsos nas ruas contra aumento de passagens de transporte coletivo, golpe contra Dilma Rousseff alegando pedaladas fiscais inexistentes para um impeachment vergonhoso e golpista. Entrando na gestão do traidor e golpista Temer, andando por Curitiba no golpe de Moro e seus moleques contra Lula sem nunca ter uma única prova para condená-lo, até chegar na eleição do vagabundo das motociatas, culminando com a tentativa de golpe de estado após sua derrota nas eleições de 2022.

Este foi o caminho que teve o auxílio de Sergio Moro, que virou ministro da Justiça, sonhava ser Ministro do STF, mas foi descartado por Bolsonaro e aceito pelos eleitores indigentes, alienados e mal informados que o levaram ao Senado em 2022.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

17 de dezembro de 2025

Quando um juiz engana milhões para favorecer um projeto político

  

Imagem Revista Piauí.

A mando do STF na figura do Ministro Dias Toffoli, finalmente a sociedade brasileira poderá ter acesso em breve aos desmandos promovidos pelo então Juiz Sérgio Moro e seus promotores subservientes. A Polícia Federal descobriu, durante busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, a prova documental de que o ex-juiz Sergio Moro grampeou autoridades com foro de prerrogativa de função usando delatores no Paraná.

O material apreendido pela PF, que inclui relatórios de inteligência cuja síntese a mídia teve acesso, estava omitido nas gavetas da Vara e traz a transcrição de escutas a desembargadores do TRF-4 e políticos com foro privilegiado, sustentando as queixas de delatores de que o ex-juiz os usava para monitorar autoridades fora de seu alcance legal.

Assim como desembargadores, o presidente do Tribunal de Contas do Paraná só poderia ser investigado mediante autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A gravação ocorreu em fevereiro de 2005. Cinco meses depois, Moro determinou formalmente que o delator repetisse a tentativa de escuta.

Além desse material, a Polícia Federal apreendeu registros de gravações envolvendo desembargadores que integravam à época o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), responsável por revisar decisões da Justiça Federal no Paraná.

Hoje, 20 anos depois dos fatos ocorridos que mudaram as eleições de 2018, com a prisão irregular de Lula, favorecendo o candidato Bolsonaro, as prisões e o julgamento dos que planejaram um golpe de Estado tem os políticos desesperados clamando por anistia ou redução de penas. Os mesmos políticos e uma parcela significativa da grande mídia que vociferavam impropérios contra Lula, quando este estava preso, hoje pedem clemência ao líder golpista preso.

Uma boa parte da sociedade desinformada e despreocupada com a verdade, sempre perdida no seu preconceito contra a esquerda por esta ajudar aos pobres, chamou este juiz ladrão de “Herói”. Ele foi reverenciado em matérias, entrevistas e shows como um ícone da justiça.

Sergio Moro e seus promotores se achavam intocáveis, pensavam serem Eliott Ness na luta contra al Capone, quando na verdade eles eram os bandidos que além de pender Lula tinham o objetivo de desviar bilhões para um fundo criado exclusivamente para esta finalidade – enriquecimento ilícito.

A operação Lava Jato ou Lava Toga ou ainda Vaza Jato prejudicou a economia nacional, empreiteiras e custou milhões de empregos. Tudo orquestrado com os interesses americanos das grandes corporações que tinha interesse enorme no desmonte das empresas nacionais.

Um juiz que achava ser polícia, promotor e magistrado, marcou a história como um oportunista barato, que saltou da magistratura para um ministério contando como certa sua nomeação ao STF por Jair Bolsonaro. Foi enganado, traído e nem assim aprendeu a lição, permanece agora como Senador defendendo a direita aquilo que é indefensável, os crimes por eles cometidos.


Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.