Seguidores

17 de setembro de 2026

O diabo veste Toga!

O Supremo Tribunal Federal - STF sempre foi respeitado e sempre foi o guardião da Constituição Federal e dos três poderes constituídos da república brasileira. Como qualquer órgão oficial, nunca foi unanimidade, porém, caminhou pela democracia em momentos turbulentos de ditadura militar, no processo de redemocratização e nos anos que se seguiram.

Porém, bastou um único governo de extrema direita, negacionista, corrupto e as coisas mudaram no âmbito do Supremo. A partir das indicações de Kassio Nunes e André Mendonça por Jair Bolsonaro em 2020 e 2021, as coisas mudaram e para muito pior.

A indicação de dois evangélicos, terrivelmente bolsonaristas, levou aquela corte a viver dias conturbados, decisões estranhas, liberação e arquivamento de processos de pessoas ligadas a família Bolsonaro.

O Ministro André Mendonça foi escolhido para tomar a frente dos processos da roubalheira do INSS que começou e prosperou no governo Bolsonaro, com diversos Ex ministros como participantes da roubalheira. E do escândalo do Banco Master, conhecido como BolsoMaster pelo envolvimento direto de Flávio, Eduardo Bolsonaro, Mário Frias e outros políticos proeminentes do bolsonarismo.

Como esperado, o processo foi sendo direcionado para poder ser arquivado ou esquecido em alguma gaveta do STF. Ao invés de dar celeridade, Mendonça resolveu investigar quem nada tinha a ver com ambos os processos. Prejudicou as ações da Polícia Federal, escondeu o celular de Daniel Vorcaro alegando que continha coisas que não poderiam ser divulgadas, tentou afastar o diretor da PF das investigações.

Porém, simultaneamente foi deixando vazar aquilo que interessava a Flávio Bolsonaro e demais membros da quadrilha bolsonarista. Escondeu que os filhos de Luiz Fux e Kassio Nunes eram beneficiários de Vorcaro. Escondeu ou fez vista grossa a ligação de Dias Toffoli com empreendimento financiado pelo Banco Master em resorts.

Porém, aproveitou para atacar o colega Alexandre de Moraes, ministro odiado pelo bolsonarismo, por ter julgado Jair e caterva no processo de planejamento de golpe de estado e tentativas de assassinatos.

No caso, a esposa de Alexandre, advogada, trabalha num escritório que tinha entre seus clientes o Banco Master. Por este motivo está sendo atacado, julgado e demonizado. Ao mesmo tempo, André Mendonça, Rede Globo, e demais membros da mídia vira lata da extrema direita fingem não saber do envolvimento de André Mendonça com Daniel Vorcaro. O que deveria ter levado ao veto de sua participação nos julgamentos dos processos contra aquele banqueiro criminoso.

No Brasil, atualmente as coisas funcionam da seguinte forma: Se qualquer coisa possa ser utilizada contra Lula nas eleições ela será exaustivamente colocada em pauta. Porém, se crimes forem cometidos por Flávio Bolsonaro e aliados bolsonaristas, incluindo ministros do STF; silencio, cumplicidade e poucas linhas na mídia.

Se os envolvidos em escândalos no Brasil tivessem suas vidas esmiuçadas como foi a do Lulinha, filho do presidente, com certeza não haveria pedra sobre pedra no sistema. O André jamais deveria pedir investigação para um cidadão que sequer possui foro privilegiado, ao mesmo tempo que deveria ter investigado à exaustão todos os reais envolvidos nos escândalos citados.

Ele poupou o Deputado Federal Mário Frias, o Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB/SP), Eduardo Bolsonaro foragido nos EUA, cujas suspeitas são enormes de ter recebido milhões desviados do filme Dark Horse e tantos outros que estavam nas festas, orgias e reuniões com Daniel Vorcaro e foram por ele beneficiados com milhões. Sem esquecermos dos pastores evangélicos da Igreja (Lavanderia) da Lagoinha e do Deputado Fake News Nicolas Ferreira, beneficiário da utilização de aviões de Vorcaro.

O objetivo de André Mendonça é destruir Alexandre de Moraes e interferir no processo eleitoral, onde Lula disputa com o filho do presidiário as eleições para a presidência da república.

Em 14 de março de 2025, Daniel Vorcaro esteve na sede do Instituto Iter, em São Paulo, para uma reunião com André Mendonça. O próprio ministro confirmou que recebeu Vorcaro. A reunião teria sido articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado Cezinha de Madureira, segundo as informações obtidas a partir das mensagens apreendidas pela Polícia Federal.

Por fim, uma alfaiataria é mencionada no caso envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro André Mendonça por causa de uma suspeita de que o banqueiro teria pago ternos caríssimos para o magistrado. Um advogado ligado a Vorcaro teria afirmado, em áudio, que levou André Mendonça a uma alfaiataria em São Paulo para fazer um terno. Com certeza “O diabo veste Prada...ops, toga!

 

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Os Ministros do STF não deveriam ser escolhidos pelo Executivo

  

Charge de Renato Aroeira - Brasil 247.

Desde há muito tempo que os ministros do STF ganham destaque nas discussões políticas no país. Entretanto, nenhum partido político ousou propor que os ministros passassem a ser indicados em lista tríplice pelo próprio Supremo Tribunal Federal, sem interferência e indicação política, muitas vezes espúria.

A direita e a extrema direita reclamam apenas dos ministros que os investigam, e a esquerda daqueles que tentam proteger os políticos e empresários ligados à direita.

A escolha dos ministros do STF pelo Presidente da República não começou com a Constituição de 1988. Ela existe desde a criação do Supremo Tribunal Federal, no início da República. Esse modelo foi estabelecido na Constituição de 1891, a primeira Constituição republicana do Brasil.

O STF havia sido criado pelo Decreto nº 848, de 11 de outubro de 1890, e começou a funcionar em 28 de fevereiro de 1891. A Constituição de 1891 estabeleceu que seus ministros seriam nomeados pelo Presidente da República, com aprovação do Senado. Na época, eram 15 ministros.

Esse modelo foi mantido, com algumas mudanças pelas Constituições brasileiras posteriores e chegou à Constituição de 1988.

A ideia de o presidente escolher os ministros está relacionada ao modelo de separação e equilíbrio entre os Poderes. O que na prática não tem lógica, uma vez que, as escolhas acabam sendo partidárias ou ideológicas de acordo com o partido do presidente.

O STF exerce uma função extremamente importante: é o principal responsável pela guarda da Constituição, podendo declarar inconstitucionais atos do próprio Presidente, do Congresso e dos governos estaduais. Por isso, o sistema brasileiro não atribuiu a escolha exclusivamente ao Judiciário. A lógica é criar uma participação de diferentes instituições.

Atualmente, são necessários 41 votos dos 81 senadores, ou seja, maioria absoluta, para aprovar uma indicação. E por que não são escolhidos diretamente pelo Judiciário? Essa questão foi bastante discutida durante a Constituinte de 1987/1988. Houve propostas para modificar o sistema e distribuir as indicações entre Executivo, Legislativo e Judiciário. A Constituinte, porém, manteve o modelo histórico.

Atualmente, a sociedade tem sido bombardeada com denúncias, suspeitas diretas ou indiretas da participação de Ministros na vida de criminosos investigados pelo STF. Filho de Luiz Fux e de Kassio Nunes supostamente beneficiados. Esposa de Alexandre de Moraes com escritório beneficiado por criminosos. Mendonça encobrindo ações de políticos e empresários. Dias Toffoli aparece como sócio de resort com envolvidos em investigação. Enfim, são muitos os casos e as suspeitas sobre alguns ministros.

A composição atual e os presidentes que os indicaram são os seguintes:

 

Ministros

Indicado por:

Ano

Gilmar Mendes

Fernando Henrique Cardoso

2002

Carmem Lúcia

Lula

2006

Dias Toffoli

Lula

2009

Luiz Fux

Dilma Rousseff

2011

Edson Fachin

Dilma Rousseff

2015

Alexandre de Moraes

Michel Temer

2017

Kassio Nunes Marques

Jair Bolsonaro

2020

André Mendonça

Jair Bolsonaro

2021

Cristiano Zanin

Lula

2023

Flávio Dino

Lula

2023

Cadeira vaga

 

 

Passou da hora de o Brasil mudar essa forma de indicação que está vigente há 135 anos. A importância de um Ministro do STF, aliado a necessidade de sua competência e conhecimento jurídico, exigem que a escolha não seja pessoal de um presidente da república, mas sim fruto de uma escolha baseada nas carreiras dos pretendentes, afunilando para uma lista tríplice a ser escolhida pelo conjunto do STF/STJ.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.