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2 de fevereiro de 2021

Impeachment à brasileira: cai quem as elites querem que caia!

Primeira lição da história: a “pressão das ruas” não define nada. Um impeachment, no Brasil, pode ocorrer em resposta ao que a maioria da população deseja ou acontecer sem que essa sequer saiba o porquê.

                                                                  Foto Diap

Em 30 anos, o sistema político lidou com 4 situações de impeachment, o que é, provavelmente, um recorde mundial. Desses, 2 foram concluídos, com as destituições de Fernando Collor e Dilma Rousseff. Um foi rapidamente abortado, quando Michel Temer sobreviveu à uma denúncia de extrema gravidade, pior que as enfrentadas por seus 2 antecessores. Nem Collor havia sido flagrado armando jogadas com um corruptor confesso.

O outro é o que estamos vivendo agora, com a crescente pressão pelo impedimento do capitão Bolsonaro. Um presidente lastimável, à frente de um governo, se é que se pode assim chamá-lo, que boa parte do País considera o pior que tivemos.

Fiquemos com os casos de Dilma e Bolsonaro. O primeiro se transformou em um processo que terminou com a deposição da presidente, com todos os salamaleques ao ritualismo. O atual não vai dar em nada e seu resultado será a manutenção do capitão no poder, com o que daí decorre.

Por que a diferença?

A resposta é simples: cai quem as elites querem que caia, fica quem essas querem que fique. Quaisquer que sejam as justificativas públicas e os motivos secretos.

Comparando o impeachment de Collor com o de Dilma, vemos que o componente “pressão das ruas”, em si, pouco explica. Em relação ao primeiro, o processo nasceu fora do sistema político e estava assentado em algo que dispensava interpretações e explicações: uma suspeita de desonestidade pessoal. A maioria do País convencera-se de que ele era um ladrão e, antes de qualquer CPI ou julgamento no Congresso, Collor estava condenado por um pecado capital.

A ausência desse elemento na deposição de Dilma é tão óbvia que dispensa demonstração. Basta lembrar que a articulação que a derrubou teve que mandar fabricar um motivo, achando-o na denúncia de “pedaladas fiscais”, algo que quase ninguém sabia o que eram e que aqueles que as conheciam concordavam que nada tinham de criminosas. Todos os presidentes que a antecederam “pedalaram” na gestão do orçamento e nenhum depois deixou de fazê-lo.

Vemos, portanto, que a “gravidade dos crimes” atribuídos aos presidentes tampouco tem a ver com o desfecho do processo. As culpas de Collor eram claras e ele caiu. As de Temer também, mas ele ficou. Dilma foi derrubada apesar de culpas tão obscuras que, até hoje, os agentes do golpe precisam recorrer à tese do “conjunto da obra” (os “fatos indeterminados”) para justificá-lo.

Primeira lição da história: a “pressão das ruas” não define nada. Um impeachment, no Brasil, pode ocorrer em resposta ao que a maioria da população deseja ou acontecer sem que essa sequer saiba o porquê. É perfeitamente possível criar ou dirigir sentimentos e transformá-los em “exigência popular”.

Segunda lição: haver ou não “crimes de responsabilidade” é irrelevante. Presidentes virtuosos caem, criminosos permanecem.

O capitão Bolsonaro, em matéria de crimes de responsabilidade, é um criminoso serial. Os que entendem do assunto listam mais de 50 exemplos de ofensas à legislação que cometeu, qualquer uma dessas mais grave que as tais “pedaladas”. O “conjunto” de sua “obra” é calamitoso, somando a mortandade à debacle administrativa de um governo incapaz.

Mas ele não cai, pois nossas elites não querem que caia.

Engana-se quem supõe que Bolsonaro sobrevive por sua adesão oportunista à agenda neoliberal. Seu vice, tão lastimável quanto ele, estaria pronto a rezar por catecismo idêntico.

Ele não caiu e, pelo que temos hoje, não vai cair, por outra razão. Daqui a 1 ano e pouco, vamos fazer (parece) uma nova eleição, que, outra vez, tende a ser entre direita e esquerda. Vimos, em 2018, no auge da campanha contra Lula e o PT (e enfrentando um adversário que se beneficiava de ser pouco conhecido), que Fernando Haddad só foi derrotado mediante trapaças. Em 2022, o mais provável candidato da esquerda voltará a ser do PT.

Nossa elite topa tudo de Bolsonaro porque ganha dinheiro, mas, principalmente, porque não sabe se poderá prescindir dele para permanecer no poder. Teme, com razão, que os candidatos que se oferecem para representá-la sejam ruins demais. Se o capitão conseguiu vencer o PT, quem sabe não conseguiria de novo?

Ninguém gosta de Bolsonaro, salvo meia dúzia de idiotas. Mas nossa elite desconfia que pode precisar dele. Enquanto pensar assim, Bolsonaro fica. E que se danem a democracia e os interesses da coletividade.

Autor: Marcos Coimbra – Sociólogo. Presidente do Instituto Vox Populi.

1 de fevereiro de 2021

Fatos sobre tratamento preventivo para a Covid-19!

Alvo de polêmica, o ‘tratamento precoce’, que inclui medicamentos como hidroxicloroquina, Azitromicina, Remdesivir, Anitta e Ivermectina, não é apenas ineficaz contra a Covid-19, como atesta a Sociedade Brasileira de Infectologia. Os ‘'Kits Covid'’ também têm feito com que pacientes cheguem aos hospitais com complicações decorrentes do uso das medicações. 

A infectologista Clarissa Guedes, responsável pela enfermaria Covid no Hospital São Francisco, em Concórdia, diz que pelo menos metade dos pacientes que chegam para internação fizeram uso do ‘tratamento precoce’. Os kits têm receita médica e uma parte é de receituário controlado, como os antibióticos. As formulações também contêm corticoides e complexo vitamínico, com algumas variações. Nenhum desses medicamentos tem eficácia comprovada contra a Covid-19 - nem como uso preventivo, nem como tratamento de sintomas iniciais.

O paciente tem a ilusão de que está protegido, seguro, de que não precisa de acompanhamento médico, ou de que não está mais transmitindo. Essa falsa sensação de segurança pode levar a um pior desfecho. São muitos os pacientes na enfermaria e UTI do hospital que fizeram uso dessa medicação sem nenhuma melhora clínica, e evoluindo para a doença mais grave. – diz a médica.

Alguns dos medicamentos incluídos no ‘tratamento precoce’ podem ter efeitos adversos, como o agravamento de problemas cardíacos no caso da cloroquina, ou pancreatites causadas pelo abuso da ivermectina. O que mais preocupa, no entanto, são os corticoides:

Vários pacientes que usaram o tratamento precoce têm efeito colateral importante, como imunossupressão pela prednisona (corticoide que faz parte do 'Kit Covid'). São pacientes que provavelmente tiveram uma pior evolução pela corticoterapia precoce, com risco de pior prognóstico de progressão para doença moderada a grave.

A politização em torno do ‘tratamento precoce’, que foi recomendado pelo governo federal e respaldado por um grupo de médicos no Brasil, fez com que os especialistas que se recusem a adotar os coquetéis, por falta de evidências de eficácia, sejam atacados. Há relatos de ameaças virtuais e também reclamações em consultas, de pacientes que exigem o ‘tratamento precoce’.

Em 18 anos de infectologia, nunca havia passado por uma situação em que, em 10 meses, tratei 750 pessoas de uma única doença infecciosa. São 24 horas em função desse trabalho para receber esse tipo de comentário, de que somos assassinos, negacionistas, queremos ganhar dinheiro com a internação ou a morte das pessoas – desabafa Clarissa.

Remédios como a hidroxicloroquina e a ivermectina, ‘estrelas’ do ‘tratamento precoce’, foram alvo de pesquisas desde o início da pandemia. O médico Eduardo Campos, infectologista da Diretoria Estadual de Vigilância Epidemiológica (Dive), lembra que elas chegaram a ser testadas em Santa Catarina. Mas não tiveram resultado.

- Nossa expectativa era que alguma dessas medicações pudessem ser úteis para Covid. Todas falharam. Nós chegamos a prescrever, dentro de protocolos de estudo no Hospital Nereu Ramos e no Regional, de São José, cloroquina, azitromicina. Nenhum deles ao final mostrou efetividade.

A crença na cloroquina começou com uma hipótese levantada pelo médico Didier Raoult, na França - mas acabou questionada pelos cientistas. Ao redor do mundo a medicação, originalmente usada para tratar um tipo específico de malária, ganhou a companhia de outros medicamentos como a azitromicina, a ivermectina e as vitaminas. Era o que ficaria conhecido como 'Kit Covid'. 

Na política, a cloroquina ganhou força quando foi defendido pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que acabou abandonando a estratégia tempos depois. A essa altura, já havia sido abraçada pelo governo Bolsonaro.

Com relação ao médico francês citado Doutor Didier Raoult, um dos principais defensores da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, mudou de posição e admitiu pela primeira vez que o medicamento não reduz a mortalidade da doença. As informações foram publicadas no site do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia, da França, e divulgadas pelo jornal Le Figaro.

Não há nenhum tratamento profilático com eficácia e segurança comprovada cientificamente para a Covid-19. De acordo com instituições internacionais e brasileiras, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NHI, na sigla em inglês) e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, não existem, até o momento, medicamentos que comprovadamente reduzam o risco de infecção.

Muitos medicamentos vêm sendo testados como opção de tratamento preventivo e pós exposição da Covid-19. No entanto, nenhum teve benefício confirmado. É o caso da hidroxicloroquina. 

Um estudo recente, conduzido pela Escola de Medicina Perelman, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, testou o efeito profilático da hidroxicloroquina para aqueles que ainda não foram expostos à Covid-19. O ensaio clínico randomizado, duplo -cego e controlado por placebo analisou 125 profissionais de saúde que atuam na linha de frente de combate ao coronavírus. Os pesquisadores concluíram que a ingestão diária da droga não reduziu o risco de infecção pelo novo coronavírus. A pesquisa foi publicada em 30 de setembro na JAMA Internal Medicine, revista médica da American Medical Association.

Em agosto, um outro estudo clínico, publicado no The New England Journal of Medicine, mostrou que essa medicação, fornecida por quatro dias, não foi capaz de reduzir a taxa de infecção por Covid-19 nos 14 dias subsequentes ao seu uso, quando comparada com placebo.

A insistência no Brasil se deve a uma questão político partidária de cunho rasteiro, raso e não científico. Inconformados pelo fato de Bolsonaro insistir com o uso da Cloroquina, seus seguidores começaram a espalhar vídeos falsos, levando desinformação a um nível impressionante, enquanto ao mesmo tempo se opunham a vacinação obrigatória.

Nunca em tempo algum, um político conseguiu “lavar” tantos cérebros com suas ideias absurdas emanadas em Lives no Twitter e nas suas aparições na porta do Palácio do Planalto. 


Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Fontes: NSC Total; Sociedade Brasileira de Infectologia; Agência Lupa; OMS

IR sem correção é crime contra classe média!

 Os governantes brasileiros usam a tabela de abatimentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) como forma de aumentar a arrecadação do imposto da classe média brasileira. Nem os governos de esquerda nem os de direita fizeram quaisquer menções de alterar essa injusta forma de cobrança.

            De acordo com um estudo da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), a tabela do Imposto de Renda deveria ser reajustada em 7,39% para evitar o aumento de carga tributária para os brasileiros em 2021. Ao todo, o custo da correção seria de R$ 13,5 bilhões.

Com a inflação acumulada em 2020, de 4,52%, a defasagem da tabela do Imposto de Renda chegou a 113,09% desde 1996. Na prática, isso significa que o governo terá aumentado impostos em 2021, caso não corrija a tabela do IR.

A informação é de um estudo do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco). A inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), soma 346,69% entre 1996 e 2020. Esse valor supera os reajustes nas faixas de cobrança do IR, que ficaram em 109,63%. Daí a defasagem de 113,09%, acordo com os cálculos do Sindifisco.

Percebam que embora o Ministro da Economia discurse como se isso fosse um enorme prejuízo ao governo, na prática ele está defendendo o massacre da classe média, que na verdade é quem recolhe este imposto no país, visto que as grandes fortunas não pagam impostos e os que fazem parte das classes “C,D e E” não tem a sorte de terem vencimentos que possam recolher impostos.

A tabela do IR não sofre correção desde 2015. Durante as eleições de 2018, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em mais uma de suas mentiras, prometeu corrigir a tabela, mas até agora não cumpriu isso. Na semana passada, justificou a não correção afirmando aos apoiadores que não podia fazer nada, porque o Brasil está "quebrado".

Ao contrário do que prega o governo, a correção da tabela do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) injetaria em torno de R$ 60 bilhões na economia do País, por meio de mais recursos diretamente nas mãos das pessoas, aponta um estudo realizado pela FecomercioSP. Ainda que seja um montante do qual o governo dificilmente abriria mão neste momento de déficit orçamentário crescente, esta seria uma forma de amenizar a atual queda na renda da população, causada pelo desemprego. 

A defasagem de longa data na tabela é um indicativo da urgência de uma Reforma Administrativa que reorganize o Estado, melhore a eficiência do setor público e possibilite a alocação das receitas tributárias de forma mais justa. É necessário, também, repensar o edifício tributário, inclusive no sentido de se evitar extração contínua e indevida de renda do contribuinte, como ocorre atualmente no caso do IRPF. 

              Até 2022 continuaremos pagando IR sem as devidas correções, visto que Bolsonaro não possui inteligência e Paulo Guedes possui, mas infelizmente nunca a utilizou em favor da sociedade, aplicando-a sempre para o mercado financeiro e o grande empresariado. 


Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Nada muda o perfil do brasileiro de querer levar vantagem em tudo!

 Quando começou o isolamento social no Brasil em março/2020, muitos autores e a mídia cogitaram à época que nada seria como antes e que os brasileiros iriam mudar a forma de agir e pensar.

Me lembro bem que minha sábia esposa me disse: Duvido que haverá qualquer alteração no comportamento geral do povo brasileiro, vão continuar egoístas, gananciosos, pensando apenas em si e vivendo a plenitude do famoso e execrável “jeitinho brasileiro de levar vantagem em tudo”.


             Durante a pandemia isso já era notado em vários aspectos da nossa vida cotidiana. Com pessoas entrando em estabelecimentos sem o uso da máscara e até chegando à força física ao serem questionados ou tentando convencer outros brasileiros de que medicamentos inúteis para o tratamento a Covid-19 significavam cura.

Os superfaturamentos de aparelhos respiradores e outros insumos adquiridos por prefeituras e governos estaduais mostraram ao país que a corrupção habita e não somente aparece de vez em quando para solapar os recursos públicos.

A venda de álcool em gel foi outra aberração que aconteceu no momento em que mais se precisava do produto. Ao invés de manter os preços ou quando muito aumentar um pouco diante da enorme procura, estabelecimentos comerciais e industriais elevaram seus preços em 200 ou 300%.

Porém, o ápice da ausência de caráter destes brasileiros aflorou quando foi dado o início a vacinação dos profissionais da linha de frente da saúde no Brasil. As mesmas pessoas que criticavam em redes sociais a vacina chinesa CoronaVac, foram as primeiras a furar a fila para serem vacinados mesmo não sendo da linha de frente.

Secretários de Saúde municipais, diretores de clinicas, dentistas, filhos e esposas de políticos entre outros passaram à frente de médicas (os), enfermeiras (os) e demais profissionais da chamada linha de frente a Saúde, em claro desrespeito a sociedade.

Um dos casos mais emblemáticos aconteceu na cidade de Pires do Rio no interior de Goiás. Onde o então secretário municipal da saúde, Assis Silva Filho, autorizou a vacinação da sua esposa a frente dos que estavam na fila. A justificativa foi bizarra: “preservar a vida e a saúde da mulher da minha vida”. Ficou claro que ele não tem amor pela profissão nem pela sociedade de sua cidade. Um gesto imoral que aponta além da falta de caráter o jeitinho brasileiro de burlar leis e regras no país.

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) teve medida cautelar acolhida pelo juiz José dos Reis Pinheiro Lemes, para determinar o afastamento do cargo deste cidadão.

Uma clínica de saúde de Belo Horizonte registrou casos de médicos afastados ou aposentados que além de terem sido vacinados a frente de quem está na ativa ainda levaram filhos, sobrinhos e esposas para furarem a fila da vacinação.


 São vários casos no país inteiro, mas estes são suficientes para ilustrar a forma como essa gente encara a honestidade a ética e as regras na vida. Passar a frente custe o que custar, levar vantagem em tudo e depois com certeza criticar políticos e partidos nas redes sociais como se fossem exemplos com suas atitudes.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Algumas coisas sobre o arquivamento dos pedidos de impeachment pendentes?

 Até o começo deste ano, mais de 63 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro estavam acumulados na Presidência da Câmara. Destes, 59 ainda não foram sequer apreciados (os demais foram arquivados por questões burocráticas).

Muitas pessoas na sociedade questionam essa situação, principalmente quando se lembram da celeridade com que foram tratados os pedidos de Impeachment de Collor e Dilma. Se os juristas têm apontado fartas evidências de que Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade, por que nenhum dos processos foi aberto pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia?

Entre os crimes apontados para justificar os pedidos de Impeachment são vários: Descontrole da saúde pública, Interferência pessoal na Polícia Federal, Apoio a ações antidemocráticas pedindo fechamento do Congresso e STF, etc. A lei que dá base para a maioria dos pedidos apresentados é a 1.079, de 1950, que discrimina os crimes de responsabilidade. Segundo a lei, são considerados crimes de responsabilidade os atos do presidente da república que atentarem contra a Constituição Federal, e especialmente contra: a existência da União, o livre exercício dos poderes, a segurança interna do país, o direito político dos indivíduos, a probidade administrativa, a lei orçamentária e o cumprimento das decisões judiciais.

Talvez as respostas estejam nas condições políticas que os políticos julgam necessárias para que qualquer pedido do tipo prospere. Uma vez que qualquer pedido é autorizado a tramitar pelo presidente da Câmara, a Casa constitui uma comissão especial para apurar se houve o cometimento de crimes e o relatório dessa comissão – contrário ou a favor do impedimento – vai a plenário e precisa de 342 votos a favor. Apenas se for aprovado, na Câmara, o processo vai para o Senado, onde é julgado.

No momento, parece prevalecer o entendimento de que a oposição não tem número suficiente sequer para influenciar os rumos de uma comissão especial que elabora o relatório, e é composta por 65 deputados, mas mantém a mesma proporção das bancadas atuais. Isso deixa claro que supostamente só a oposição está vendo o descalabro que levou a receber 63 pedidos de impeachment? Os pedidos partiram de várias áreas da sociedade civil, inclusive religiosas.

No processo aberto contra Dilma houve um acordo (Golpe) que reuniu cerca de 13 partidos PP, PR, PTB, PSD, PSC, PHS, PRB (atual Republicanos), PSB, PSDB, DEM, PPS, PV e SD, que rapidamente passaram por cima de tudo e de todos para alcançar o grande objetivo de afastar a presidente eleita pelo povo dois anos antes. Atualmente, o número de partidos favoráveis ao impeachment e com representação na Câmara são os seguintes: Rede, PSB, PT, PCdoB, PDT e PSOL. Além disso, a executiva nacional do Cidadania, aprovou na semana passada a defesa do impeachment de Bolsonaro. Somadas, as bancadas dessas agremiações na Câmara somam apenas 133 parlamentares.

Como os nomes favoráveis ao impeachment não chegam a 342, o relatório da comissão especial que seria formada para avaliar a situação, no caso da abertura de um processo, provavelmente seria contra o impedimento, de acordo com um deputado da oposição ouvido pelo Estadão. Ou seja, o relatório diria que o presidente não cometeu crimes de responsabilidade, afastando a possibilidade de impeachment ainda mais.

Agora, o Congresso está em recesso e, ao voltar, escolherá no dia 2 de fevereiro o novo presidente da Câmara. Caso o nome do Centrão e aliado de Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL), vença a disputa entre os deputados, a aceitação de um pedido de impedimento do presidente fica mais distante, pois dependerá do rompimento entre o presidente e o bloco de Lira.

De acordo com um levantamento realizado pela BBC Brasil, que analisou o resultado das 393 votações nominais ocorridas em 2020, o apoio a Bolsonaro na Câmara dos Deputados ao longo do ano de 2020 teria sido suficiente para barrar a aprovação de um pedido de impeachment. O Planalto conseguiu, em média, o apoio de 305 deputados. Para barrar um processo de impedimento, bastam 171 votos.

Para chegar aos 342 dos 513 votos, avaliam políticos, é necessário ter vastas manifestações de rua contrárias ao governo federal – como aconteceu no caso do impeachment de Dilma Rousseff e de Fernando Collor –, requisito dificultado pela pandemia. No protesto anti-Dilma realizado em 13 de março de 2016, por exemplo, compareceram 500 mil pessoas na Avenida Paulista, de acordo com levantamento do Instituto Datafolha na época. A instituição classificou o ato como a maior manifestação política da história de São Paulo. Em setembro de 1992, um ato anti-Collor também lotou a mesma avenida.

No entendimento da esquerda, tem crime de sobra cometido pelo Bolsonaro. Isso está muito claro, principalmente em relação à pandemia. Há um ar crescente de impeachment nas redes sociais e nas ruas, mais forte que em qualquer outro momento. Mas nós sabemos que, nesse momento, esse debate do impeachment está muito vinculado ao debate da (eleição para) Presidência da Câmara.

Resta então a sociedade civil enfrentar o risco da contaminação e partir para cima do Congresso Nacional nas ruas e avenidas do país. Ou tentar organizar carreatas que feche completamente as avenidas do planalto central demonstrando claramente que uma boa parte do povo brasileiro está cansado desta inércia de Bolsonaro, dessa falta de ação em prol da saúde, educação e tantas outras pastas paradas há dois anos.

É preciso criminalizar esse presidente negacionista, genocida que brinca diariamente com as mais de 215 mil mortes pela covid-19 e não adquiriu até esta data nem vacinas, nem seringas e agulhas suficientes para imunizar o povo brasileiro. Entre 50 países que estão imunizando seus povos, estamos na posição 48º.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Austeridade e seriedade zero!

 O governo federal conduzido por Jair Bolsonaro mais uma vez vira notícia, não pelo que faz, mas sim pelo que não deveria estar fazendo. O vazamento de uma lista de compras efetuadas para o governo federal em 2020, deixou muitos brasileiros assustados.

Os gastos alimentícios do governo federal somaram mais de R$ 1,8 bilhão em 2020. O total gasto em alimentos em 2020 é 20% maior que em 2019, apesar da limitação de atividades presenciais em razão da pandemia.

Os altos valores das compras do Executivo entraram na mira da oposição. Parlamentares formalizaram uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a abertura de investigação sobre as compras do Executivo.

Em meio a uma grave crise econômica e sanitária, o aumento de gastos é absolutamente preocupante, tanto pelo acréscimo de despesas como pelo caráter supérfluo de muitos dos gêneros alimentícios mencionados.

Claro que, muitos brasileiros lembraram de imediato de duas coisas: 1º Da omissão do governo federal que não auxiliou o Estado do Amazonas na compra de cilindros de oxigênio. 2º A fala debochada de Bolsonaro de que o país estava quebrado...

Estes valores demonstram ainda que Governo gastou mais com alimentos do que com os recursos destinados ao Ibama, ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ao Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

Algumas comparações mostram o tamanho do gasto do governo federal com supérfluos como leite condensado que foi cinco vezes maior que tudo que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) recebeu para fazer o monitoramento por satélite de toda a Amazônia, Pantanal e demais regiões do País - R$ 3,2 milhões no mesmo período, segundo dados levantados pela consultoria Rubrica.

Além do escárnio com a compra do leite condensado também tivemos os gastos absurdos com os seguintes produtos:

- R$ 2,5 milhões em vinhos;

- R$ 32,7 milhões com Pizzas e Refrigerantes;

- R$ 16,5 milhões com pacotes de batatas fritas;

- R$ 14 milhões na compra de Molho Shoyo, Inglês e Pimenta;

- R$ 5 milhões com uva passas;

- R$ 2,2 milhões com chicletes;

- R$ 45,2 milhões com embutidos;

- R$ 123,2 milhões com sobremesas (sorvetes, frutas em caldas, etc.)

Passados alguns momentos da divulgação na mídia, governo e apoiadores alucinados começaram a passar pano e tentar justificar estes dados vazados. Invocando o número de pessoal atingidos pelas compras, os motivos para tanto leite condensado e tal e coisa.

Para um governo que não apresentou resultados palpáveis em dois anos de gestão, e que antes, durante e depois da posse crítica à exaustão quem não está mais no poder, deveria dar exemplo de seriedade e austeridade.

O governo Bolsonaro não tem nenhuma das duas premissas, além de cercear a transparências das informações ao público. Um presidente que exige que sua carteira de vacinação e seus exames laboratoriais fiquem por cem anos em sigilo não precisa de maiores análises.

Autor – Rafael Moia Filho: Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Sem vacina a população terá que aprender a conviver com o Corona!

A população do Brasil está ameaçada a passar muitos anos a conviver com o vírus Covid 19. Simplesmente porque não vai ser fácil alcançar a imunidade de rebanho que começa com, pelo menos, 80% da população vacinada.

Esta observação é do médico veterinário Akira Homma, de 82 anos, ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que trabalhou durante 53 anos neste Centro de Pesquisas. O Dr. Akira Homma disse que está perplexo com a disposição das pessoas que, estimuladas por líderes sociais importantes, recusam se vacinar contra o vírus mortal. O cientista disse que nunca testemunhou no Brasil tanta resistência à vacinação como nos dias atuais e explicou que a vacina é a única providência válida para enfrentar a Pandemia.

Segundo o pesquisador científico, há grande escassez de vacinas no mundo porque todos os países procuram, ao mesmo tempo, vacinar a população local. Por isto não há no mundo agora, vacinas disponíveis para atender à enorme demanda. O cientista também informou que a Fiocruz e outros laboratórios nacionais esperam pelo IFA – um ingrediente farmacêutico ativo para fabricar vacinas, hoje predominantemente produzido na China. É por falta dessa substância que a produção de vacinas da Oxford AstraZeneca está atrasada no Brasil.

Segundo o Dr. Akira, a população do Brasil vai ficar muito tempo convivendo com o vírus Covid 19 porque não terá, facilmente, em pouco tempo, vacinas para todos. E, por via de consequências, a produção de bens econômicos e serviços e o ensino presencial não voltarão à normalidade enquanto, pelo menos, 80% da população não for vacinada.

O pesquisador alertou para o risco de o Brasil não alcançar a imunidade de rebanho para formar barreiras contra a doença virótica enquanto mais de 20% da população não se vacinar. As lideranças nacionais que desestimulam a vacinação em massa contribuem para que o vírus Corona continue a ameaçar a população. Assim prejudicam também a economia e o bem-estar social.

Autor: Jornalista Ivan Santos – Blog Uberlândia Hoje!

Brasil perde 50 mil vidas por ano por falta de políticas públicas de controle da poluição do ar!

                                                      Foto – Pixabay

A sistematização mais abrangente de estudos sobre a qualidade do ar no país acaba de ser lançada e traz dados preocupantes! 

Segundo o estudo O Estado da Qualidade do Ar no Brasil, elaborado por renomados cientistas e especialistas no tema, como o físico Paulo Artaxo e a dra. Evangelina Vormittag, entre outros, sob coordenação do WRI Brasil, o país possui uma política nacional de controle da poluição do ar que não é implementada, tem fragilidades jurídicas e não conta com um cronograma claro de redução dos poluentes que levam à morte mais de 50 mil brasileiros por ano. Como grande parte da base normativa que sustenta o Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar (PRONAR) é infralegal, em resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente, há ainda o risco de retrocesso.

“A pandemia da Covid-19 poderá ser interrompida com a vacina, mas a poluição do ar continuará matando se nada for feito. Estamos falando de um problema sistêmico, profundo e extremamente letal, para o qual a vacina são políticas públicas adequadas”, alerta Carolina Genin, diretora do programa de Clima do WRI Brasil. “A má qualidade do ar foi apontada como o segundo maior perigo ambiental global à vida humana, perdendo apenas para a Covid-19, e voltará ao topo do ranking quando o vírus for combatido. Para piorar ainda mais este cenário, estudos correlacionam o ar tóxico como um fator de agravamento da Covid-19 e de sua letalidade”, explica Evangelina Vormittag, Diretora Executiva do Instituto Saúde e Sustentabilidade, médica e representante da Coalizão Respirar, uma das autoras do estudo. O trabalho privilegiou fontes nacionais, evidenciando um relevante acúmulo de produção científica na área, em especial na interface com a saúde.  “Apesar disso, o setor de saúde é notoriamente ausente da governança da gestão da qualidade do ar em nível nacional. O combate à poluição do ar é transdisciplinar, deve ter a gestão compartilhada”, ressalta Evangelina.

No Brasil, a poluição do ar é tratada como um problema ambiental, ignorando seus impactos na saúde pública e na economia. Em apenas seis regiões metropolitanas brasileiras, onde vivem 23% da população total do país, ela matará quase 128 mil pessoas entre 2018 e 2025. É como se toda Sertãozinho, no interior de São Paulo, Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, ou Guarapari, no Espírito Santo, simplesmente fossem riscadas do mapa em apenas sete anos.  Sem esse contingente de pessoas, as perdas de produtividade seriam da ordem de R$ 51,5 bilhões. Mas não se trata apenas de mortes: serão quase 70 mil internações públicas que custarão quase R$ 130 milhões ao Sistema Único de Saúde.

Estima-se que os custos associados a mortes prematuras equivaleram a 3,3% do PIB brasileiro em 2015, mas os impactos da poluição do ar sobre a economia também abrangem a perda de produtividade de trabalhadores, menor aquisição de habilidades cognitivas relevantes e perdas na produtividade agrícola. Além disso, o ozônio troposférico é responsável por perdas consideráveis na produção agrícola, em especial em regiões peri-urbanas e as afetadas por queimadas associadas a mudança de uso do solo.

Segundo o estudo, os índices de qualidade do ar estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde não são atendidos na maioria das grandes cidades brasileiras, e não existem penalidades se a legislação não é cumprida pelos órgãos competentes. “Há uma grande lacuna entre as responsabilidades estabelecidas pelo PRONAR e a implementação de ferramentas em nível estadual. Embora o programa nacional exija a implementação de uma série de ferramentas e políticas em nível estadual, estas não se traduzem em realidade”, informa o estudo.

Atualmente, com a pandemia de Covid-19, a poluição do ar é considerada a segunda maior causa ambiental de doenças e mortes prematuras em todo o mundo. Os impactos da poluição do ar na saúde humana estão conectados com doenças pulmonares, cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, disposição ao câncer e ao diabetes, prejuízo no desenvolvimento cognitivo em crianças e demência em idosos. Segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde, mais de 90% da população mundial não respira ar de qualidade aceitável e está exposta a riscos diários, resultando em 7 milhões de mortes anuais, ou cerca de 11,6% de todas as mortes no planeta. Desse total, 600 mil são crianças. Esses números são 15 vezes maiores que o número de mortes causadas por guerras e outras formas de violência.

Poluentes como ozônio, metano e carbono negro contribuem tanto para a poluição do ar quanto para a mudança do clima. Essa sobreposição é importante e aponta áreas onde ganhos no controle destes poluentes, conhecidos como poluentes climáticos de vida curta, geram benefícios tanto em termos de qualidade do ar quanto para a mitigação das mudanças climáticas.

O Brasil não dispõe de inventários nacionais completos e atualizados das emissões de poluentes atmosféricos pelas diferentes fontes. Porém, a compilação de dados aponta que as principais fontes de poluentes atmosféricos são o setor de transportes, os processos industriais e queima de biomassa – neste último caso, com poluentes que viajam de norte a sul do país pelas correntes de ar.

                                               Foto – Divulgação

Poluição de Norte a Sul do Brasil

Queimadas e incêndios florestais são a principal fonte de poluição do ar no Brasil Central e na Amazônia. Os níveis da poluição do ar gerada pelas queimadas na região amazônica chegam a atingir valores de PM10 de 500 micrograma/m3, o que representa cerca de 25 vezes mais poluição do que a média normal da região (20 micrograma/m3). O desmatamento da Amazônia é também a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil.

A queima de biomassa decorrente das áreas desmatadas e da manutenção de pastos também libera grandes quantidades de material particulado. Ele tem sido um dos principais causadores de doenças do aparelho respiratório que ocorrem no período de seca na Amazônia. Apenas entre julho e outubro de 2019, foram mais de duas mil internações por doenças respiratórias diretamente relacionadas a queimadas, sendo que os mais afetados foram bebês (21%) e pessoas com mais de 60 anos (49%). Em agosto de 2019, quando foi registrado um dos maiores picos no número de focos de calor no mês desde 2010, cerca de três a quatro milhões e meio de pessoas foram expostas ao material particulado fino gerado pelas queimadas além dos limites estabelecidos como nocivos para a saúde. A poluição do ar relacionada às queimadas e ao desmatamento implicou um custo para o SUS de cerca de US$ 1,5 milhão em 2019.

Esse material particulado se movimenta, afetando a qualidade do ar em outras regiões. Ele segue as correntes de ar que atuam na Amazônia e que levam a umidade da região para o Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil, conhecidas como rios voadores. Além disso, o material particulado aumenta a disponibilidade de partículas na atmosfera que interferem na formação das gotículas de chuva, de forma que elas acabam demorando mais para atingir o tamanho ideal, ou para evoluírem como gotícula e precipitar como chuva, gerando um ciclo vicioso entre queimadas e seca.

Cresce uso do fogão a lenha

No Brasil houve uma diminuição do uso de gás para preparação de alimentos em função do aumento da pobreza. Dois agravantes do aumento do uso de diferentes produtos para substituir o gás, como madeira, resíduos de poda de plantas, lixo e outros produtos, é que eles são ineficientes na queima, gerando muitos poluentes, e atingem mais mulheres, crianças e idosos, que passam mais tempo em casa. Dados da Empresa de Planejamento Energético (EPE) estimam que quase um quarto de toda a energia residencial no país vem do uso de lenha. Segundo o IBGE, em 2018 foram 14 milhões de famílias usando lenha ou carvão para cozinhar, um aumento de 3 milhões em relação a 2016.

Transporte de cargas e passageiros

Outra importante fonte de poluentes do ar é o transporte rodoviário de cargas e pessoas. Cerca de 63% dos deslocamentos urbanos em cidades com mais de 1 milhão de habitantes em 2018 e 65% da movimentação de cargas em 2015 se deu sobre quatro rodas. Nos últimos dez anos, o segmento de transportes apresentou a maior taxa média de crescimento de consumo de energia, tornando-se a partir de 2018 o principal consumidor de energia do país.

Não se trata apenas de quantidade, mas de (má) qualidade. Ou melhor, de ineficiência energética: os automóveis, que representam apenas 25% do total de viagens no país, consomem 60% do total de energia destinada à mobilidade urbana. O mesmo se aplica ao transporte de carga, no qual o consumo de combustível para transportar uma tonelada de carga por caminhões é 2,7 vezes maior do que o consumo dos trens.

                                                     Foto – Pixabay

Autor: Artigo publicado no Neo Mondo.

Dez anos após Primavera Árabe, Egito é sinônimo de desesperança!

Uma década atrás, revolta, esperança e sonhos de um futuro melhor varreram as ruas da capital egípcia. Hoje não há mais nada além de memórias desbotadas.

Dez anos após a revolução no Egito, os raios de esperança praticamente se dissiparam

No dia em que o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak deixou o cargo, em fevereiro de 2011, eu fui embora da Praça Tahrir tarde da noite, enquanto as comemorações continuavam. Fui de micro-ônibus para casa. O motorista queria aumentar o preço da passagem, explorando os passageiros que viajavam àquela hora.

A euforia era palpável. Os passageiros pediram ao motorista que não aumentasse a tarifa. Eles defendiam um novo Egito sem avareza e sem favoritismo; um Egito onde a justiça prevalecesse. O motorista obedeceu, e nós não pagamos a mais. Eu também acreditei que a esperança nascera naquele dia. Eu sonhava em sair da jaula da corrupção. A Primavera Árabe havia chegado – mas não durou muito.

Em 2013, num dia quente de verão no Cairo, Abdel Fattah el-Sisi – então ministro da Defesa – apareceu na TV pedindo aos egípcios que tomassem as ruas e o incumbissem de lutar contra a potencial violência. Sisi se referia ao governo de Mohammed Morsi e sua Irmandade Muçulmana. Todos estavam vidrados em seus aparelhos televisivos, ouvindo o general. Era a calmaria antes da tempestade.

Como mulher que acredita na liberdade individual e como jornalista que acredita na liberdade de expressão, eu não apoiava o governo da Irmandade Muçulmana. Eles restringiam nossas liberdades e empurravam o país para o extremismo. As palavras de Sisi foram as precursoras do regime militar.

A repressão continua

Alguns meses depois, passei por um posto de controle a pé com meu filho. O oficial me revistou completamente. Meu filho olhou para o policial com um sorriso amedrontado e perguntou: "O que você está procurando? Uma bomba?"

Era apenas a imaginação do meu filho. Eles estavam interessados em outras coisas em vez de bombas. Era uma câmera na minha bolsa. O policial me questionou sobre a câmera. Ele examinou as fotos nela. E então me lançou um olhar sarcástico e me deixou ir para casa.

Para muitos egípcios, a Praça Tahrir simbolizava a esperança de um futuro melhor

A cena, que durou vários minutos, me aterrorizou. Eu imaginei todos os possíveis cenários que alguns de meus colegas haviam vivido, muitos dos quais acabaram presos. Um deles foi colocado em um micro-ônibus, espancado e levado para interrogatório. Outro foi detido enquanto fazia seu trabalho de fotojornalista. Ainda assim, essa situação não é nada comparada aos muitos casos de desaparecimentos forçados, tortura e prisão.

Eventos como esse voltaram a se repetir recentemente. A polícia verifica os telefones das pessoas nas ruas. Eles conferem suas redes sociais, fotos privadas e contatos, em busca de qualquer indicação de dissidência. Pessoas vão para a prisão por uma postagem no Facebook, um vídeo no Tik Tok ou uma camiseta com as palavras "Sem tortura". O governo regulamenta as notícias que deseja ler por meio de mensagens de texto aos jornalistas. O jornalismo sério está morto. No Egito de Sisi, a vida em si foi fortemente censurada, e cada egípcio é uma presa em potencial.

Fantasmas da Primavera Árabe

Em cada conversa com amigos que ainda moram no Egito, eu pergunto: "Como está o Egito?"

Essa pergunta sempre desencadeia respostas sentimentais. Nada é como antes. A política é mais uma vez um tabu. Parece que o Egito está sofrendo de uma depressão coletiva. A maioria dos egípcios não tem nada pelo que ansiar. Para mim, a resposta mais difícil é a de que o Egito está muito pior agora do que antes da revolução.

Cada traço da revolução foi extirpado. A famosa Praça Tahrir não é mais o símbolo de antes. Qualquer memória visual de nossa luta foi apagada. Na narrativa do Estado, a revolução de 2011 é a origem de todo o mal: somos traidores e criminosos. Eles estão apagando e reescrevendo a história. Quanto a nós, tudo que nos resta são nossas memórias. Não podemos esquecer.

O 10º aniversário dos protestos é uma dolorosa lembrança do nosso fracasso. Nenhum dos objetivos que perseguimos foi concretizado: nada de pão, liberdade ou justiça social. Em vez disso, vivemos com austeridade, opressão e injustiça.

Ilusões destruídas

Ao sair do país, fui forçada a deixar uma parte de mim para trás. Deixei o Egito angustiada, carregando a minha própria derrota e a derrota de todos nós dentro de mim. Mas eu sou uma das mais sortudas. Os azarados estão mortos ou na prisão.

Alaa Abdel-Fattah, o ativista preso, foi quem melhor nos descreveu ao escrever: "Sou o fantasma da primavera passada." Isso foi em março de 2019, após sua libertação da prisão, onde havia passado os últimos cinco anos. Seis meses depois, ele foi preso e encarcerado novamente.

Eu não tinha mais sonhos quando parti. Nenhuma ilusão de uma pátria estável, ou de poder trabalhar como jornalista, ou de viver sob um Estado de direito que se aplica a todos. A crítica não é tolerada; a sátira é um crime, e ter uma opinião é um pecado.

O Egito agora é sinônimo de desesperança. A memória do que poderia ter sido está desaparecendo e, sim, Abel-Fattah acertou em cheio: somos fantasmas de uma primavera passada.

Autora: Farida Layl - Para proteger a identidade da autora, foi usado um pseudônimo. O texto reflete a opinião pessoal da autora, e não necessariamente da DW.

BolsoDória – Em comum eles têm a ineficiência no trato da saúde pública!

 Desde há muito tempo a cidade de Bauru vive um drama sem fim na questão da disponibilidade no atendimento médico hospitalar com carência de vagas de leitos hospitalares, de UTI, demora para a realização de exames laboratoriais e de especialidades.

Para complicar ainda mais, o Hospital Regional é Estadual e atende toda as cidades que compõe a região de Bauru, dificultando o acesso aos próprios moradores de Bauru. O Hospital Manoel de Abreu está fechado desde 2016 para reformas. Estas começaram apenas de forma lenta em 2020.

Com a pandemia da covid-19 a situação que era grave se tornou ainda pior, com uma demanda maior por leitos e vagas em UTI. O governo estadual com muito custo abriu o que denominou como hospital de campanha onde seria o Hospital das Clínicas da cidade.

Entretanto este prédio está praticamente vazio, com alas inteiras sem uso embora com materiais e camas a disposição para serem abertas. No local seriam possíveis mais de 20 leitos de UTI, porém o governo Dória não quer “gastar” nada de seu orçamento em favor do povo de Bauru.

O hospital de Base teve dezessete leitos fechados pelo Estado, mesmo com toda a demanda existente para cirurgias, exames e atendimento a pacientes que não são da covid. Para completar o governo federal negacionista e omisso não está mais habilitando leitos para tratamento da covid para custeio da doença nesta fase aguda nos munícipios.

É o mesmo governo federal que não resolve adquirir vacinas, seringas e agulhas em número suficiente para imunizar a população brasileira. Até o momento o Brasil recebeu apenas dois milhões de vacinas da Oxford AstraZeneca oriundas da Índia e as doses fabricadas pelo Instituto Butantã. Quantidade muito aquém do que já deveria ter sido adquirida pelo governo Bolsonaro.

No Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sul e Sudeste a situação se repete na Saúde Pública sem que o governo tenha tomada alguma providência ou ao menos tenha um plano emergencial. Ao designar um general sem conhecimento de medicina e saúde, Bolsonaro sinalizou a todos que não tinha nenhuma preocupação com a covid-19, com a saúde nem com a população brasileira.

Esta chapa eleita em 2018, a famigerada e nociva BolsoDória iludiu muitos eleitores que agora vociferam impropérios contra um ou contra os dois, percebendo que foram enganados. A população perdida, sem empregos suficientes, com as restrições impostas pela pandemia vê cada dia mais corpos sendo enterrados, empregos e empresas sendo fechadas e suas condições financeiras piorando a olho nu.

Os dois, Bolsonaro e Dória, não estão nem um pouco preocupados como a população, enquanto gastam tempo, recursos e a nossa paciência esperando as eleições de 2022.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Fonte: Site Contraponto e Congresso em Foco.