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1 de fevereiro de 2021

Nada muda o perfil do brasileiro de querer levar vantagem em tudo!

 Quando começou o isolamento social no Brasil em março/2020, muitos autores e a mídia cogitaram à época que nada seria como antes e que os brasileiros iriam mudar a forma de agir e pensar.

Me lembro bem que minha sábia esposa me disse: Duvido que haverá qualquer alteração no comportamento geral do povo brasileiro, vão continuar egoístas, gananciosos, pensando apenas em si e vivendo a plenitude do famoso e execrável “jeitinho brasileiro de levar vantagem em tudo”.


             Durante a pandemia isso já era notado em vários aspectos da nossa vida cotidiana. Com pessoas entrando em estabelecimentos sem o uso da máscara e até chegando à força física ao serem questionados ou tentando convencer outros brasileiros de que medicamentos inúteis para o tratamento a Covid-19 significavam cura.

Os superfaturamentos de aparelhos respiradores e outros insumos adquiridos por prefeituras e governos estaduais mostraram ao país que a corrupção habita e não somente aparece de vez em quando para solapar os recursos públicos.

A venda de álcool em gel foi outra aberração que aconteceu no momento em que mais se precisava do produto. Ao invés de manter os preços ou quando muito aumentar um pouco diante da enorme procura, estabelecimentos comerciais e industriais elevaram seus preços em 200 ou 300%.

Porém, o ápice da ausência de caráter destes brasileiros aflorou quando foi dado o início a vacinação dos profissionais da linha de frente da saúde no Brasil. As mesmas pessoas que criticavam em redes sociais a vacina chinesa CoronaVac, foram as primeiras a furar a fila para serem vacinados mesmo não sendo da linha de frente.

Secretários de Saúde municipais, diretores de clinicas, dentistas, filhos e esposas de políticos entre outros passaram à frente de médicas (os), enfermeiras (os) e demais profissionais da chamada linha de frente a Saúde, em claro desrespeito a sociedade.

Um dos casos mais emblemáticos aconteceu na cidade de Pires do Rio no interior de Goiás. Onde o então secretário municipal da saúde, Assis Silva Filho, autorizou a vacinação da sua esposa a frente dos que estavam na fila. A justificativa foi bizarra: “preservar a vida e a saúde da mulher da minha vida”. Ficou claro que ele não tem amor pela profissão nem pela sociedade de sua cidade. Um gesto imoral que aponta além da falta de caráter o jeitinho brasileiro de burlar leis e regras no país.

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) teve medida cautelar acolhida pelo juiz José dos Reis Pinheiro Lemes, para determinar o afastamento do cargo deste cidadão.

Uma clínica de saúde de Belo Horizonte registrou casos de médicos afastados ou aposentados que além de terem sido vacinados a frente de quem está na ativa ainda levaram filhos, sobrinhos e esposas para furarem a fila da vacinação.


 São vários casos no país inteiro, mas estes são suficientes para ilustrar a forma como essa gente encara a honestidade a ética e as regras na vida. Passar a frente custe o que custar, levar vantagem em tudo e depois com certeza criticar políticos e partidos nas redes sociais como se fossem exemplos com suas atitudes.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

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