10 de janeiro de 2018

Apenas recursos não são suficientes para alguns governantes!

“Se governar fosse fácil, não seriam
necessários espíritos iluminados”
Bertold Brecht.

 Em apenas uma semana três motins aconteceram no complexo prisional Aparecida de Goiânia (GO) tomando espaço na mídia, causando mortes e destruição. Os dois primeiros motins aconteceram no regime semiaberto e o terceiro no regime fechado.
No primeiro motim o saldo foi de nove mortos e fuga de 242 presos. No segundo motim os presos colocaram fogo em vários objetos, mas conseguiram ser contidos pelo grupo tático de agentes da DGAP. Havia dentro do presídio além de armas de fogo, facas e uma granada.
O terceiro motim não deixou vitimas nem houve fugas, pois foi contido rapidamente pelos agentes do DGAP. Mesmo assim, alguns focos de incêndio tiveram que ser debelados.
Chama ainda mais a atenção o fato de que órgãos goianos alertaram o governo estadual para o risco eminente de rebeliões no presídios de Aparecida de Goiânia.
Enquanto tudo isso acontecia o governador do Estado de Goiás usufruía de férias na praia. Não se deslocou, não tomou providências, nem mesmo falou com a imprensa que o procurou insistentemente durante toda semana.
O governador talvez não quisesse ou não soubesse explicar como seu governo recebeu R$ 32 milhões para construção e reforma de presídios e nada fez ao longo de 2017. Talvez não pudesse explicar porque sua gestão tenha transformado casebres em ala prisionais.
Desde 2015, promotores goianos ingressaram na Justiça com uma série de ações cíveis públicas em que pedem reformas emergenciais e, até mesmo interdições de prisões em vários pontos do Estado.
Percebe-se que a situação vem se agravando e o governo Marcondes Perillo nada fez ao longo de seus mandatos que somam em 2018, oito anos de gestão.
Recursos existem, em 2017 o governo Perillo usou apenas 18% dos valores repassados pelo governo federal, logo, faltou planejamento e ação para que as verbas fossem utilizadas como a população espera.
O governador sabe com certeza que seu Estado é o sétimo com maior taxa de ocupação prisional do país. Existem em média 24 presos num espaço compatível para dez condenados.
Várias cadeias e presídios de Goiás já foram acionadas pela promotoria goiana no sentido de serem interditadas por falta absoluta de condições de abrigar presos.
A sociedade tem sua parcela de culpa, na medida em que reelegeu o governador, sem verificar e checar se ele estava utilizando os recursos públicos para corrigir os problemas que são antigos no Estado.
Cabe salientar que desde 2011 o governador promete a construção de cinco novos presídios que, apesar de possuírem recursos disponíveis não foram construídos até o momento.
Enquanto o país assiste a mais um episódio da crise penitenciária, Marcondes Perillo com certeza vai investir em publicidade, algo que os tucanos amam de paixão e esperar que a promotoria, a mídia e a sociedade esqueçam os fatos lamentáveis ocorridos no sistema prisional de Goiás. 

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