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1 de agosto de 2008

Ministro cantor termina sua turnê

O cantor Gilberto Gil cover de ministro da cultura saiu do governo Lula deixando a clara sensação de que nunca assumiu tal responsabilidade. Viajou muito, cantou bastante e até deu um up-grade em sua carreira musical, mas não deixou projeto visível que tenha possa ser lembrado nessa sua passagem por Brasília.
Não foi a primeira e nem será a última vez que uma celebridade é escolhida para ser ministro e decepciona. O jogador Pelé foi um péssimo Ministro dos Esportes e ninguém tem saudade alguma de sua mais famosa e controversa Lei, criada para amparar os jogadores de futebol e que na verdade é hoje uma das responsáveis pelo êxodo de jogadores no país.
A escolha de um artista para ocupar um cargo deveria passar pelo mesmo critério que a escolha de qualquer membro de uma equipe de governo. Conhecimento, capacidade, projeto político deveriam ser analisados antes de colocar uma estrela numa cadeira na qual o escolhido terá ojeriza em sentar. Gilberto Gil viajou pelo mundo inteiro e pouco ou nada fez pela cultura do Brasil.
Se era para levar a sua música, a sua arte aos povos que o fizesse como cantor e compositor, não precisaria ocupar um cargo público remunerado para fazê-lo. Sem contar que ao aceitar o cargo, o ministro tem direito a escolher assessores diretos e indiretos, além de abocanhar alguns cargos em estatais ligadas ao seu ministério. Quanto dinheiro jogado fora.
O Brasil precisa de gente séria, de pessoas altamente qualificadas e o que é mais importante, totalmente identificadas com o desafio que terá pela frente ao assumir um ministério. Chega de experiências, chega de nomes de apelo popular, mas sem capacidade alguma de tocar um ministério.
Não podemos nos dar ao luxo de jogarmos fora o tempo, pois esse não retorna mais, o dinheiro público tem de ser respeitado e não pode ser jogado fora por nossos governantes, com escolhas equivocadas. O que dizer para Gilberto Gil? Esquece a burocracia governamental e volta as suas origens artísticas, de onde nunca deveria ter saído.
Nossos ministérios se resumem a dois tipos de ministros infelizmente. A maioria indicada por deputados, senadores e aliados políticos da base do presidente. Quase todos sem a mínima qualificação para ocupar tão importante cargo. A minoria são como Gilberto Gil, nomes de apelo popular nacional e até internacional que não fazem nada daquilo que sua trajetória indicaria que fizesse.
Resumindo, conta-se nos dedos de uma só mão, os verdadeiros ministros competentes, técnicos de qualidade, profissionais de alto gabarito. Esses, aliás, são os primeiros a serem torçados quando surgem necessidades de remanejamento na base aliada do governo.

25 de julho de 2008

O governador imune as leis de trânsito

De que adianta a nova lei seca para punir motoristas que venham a dirigir após consumirem qualquer bebida alcoólica se ainda temos de conviver nos noticiários e no trânsito com casos de fragrante desrespeito por parte de quem deveria dar o exemplo.
No Rio de Janeiro, ninguém menos que o governador do Estado Sr. Sérgio Cabral já soma 34 pontos na carteira de motorista esse ano e mesmo assim não teve a sua habilitação suspensa como aconteceria aos cidadãos normais em todo país.
O Governador barbeiro teve multas por excesso de velocidade, conversões proibidas, avanço de sinal vermelho, dirigir usando celular e pasmem, ele conseguiu transpor barreira da polícia sem ser alvejado ou admoestado pela autoridade no local.
O Governador voador conseguiu contabilizar 23 multas e 69 pontos na CNH se computados o período de 2005 até o momento. Sendo que dessas apenas 18 multas foram pagas.
Engraçado, quando vamos recorrer de uma multa, nos dizem que é necessário pagar primeiro e depois recorrer. No caso do governador ele conseguiu com muita sorte deixar de pagar as multinhas sem que tivesse de enfrentar toda aquela burocracia.
A lista negra na cidade maravilhosa inclui alguns outros políticos famosos, Jandira Feghali (PC do B), Filipe Pereira (PSC), Marcelo Crivela (Bispo e Político profissional) do PRB, entre outros menos conhecidos.
Claro que não somos ingênuos para achar que somente no Rio de Janeiro existam políticos e demais autoridades na mesma situação. Devem ter e muitos espalhados pelo Brasil afora, onde o cargo que exercem ou o sobrenome da família conseguem sobrepujar a lei, seja ela seca ou molhada não importa.
E tem motoristas que tomam uma única multa e por ser em classificadas como gravíssimas ficam sem a CNH por três meses, pagam multa pecuniária e ainda tem de freqüentar curso no Detran.
Isso prova mais uma vez que as leis no Brasil não são feitas para punir infratores, mas sim arrecadar dinheiro para o Estado, que não investe em educação e segurança e ainda por cima tal qual o governador carioca sequer se preocupam em dar o exemplo.

22 de julho de 2008

Sede para arrecadar, mas só para arrecadar!

Os professores da rede estadual de ensino do Estado mais rico da nação vivem reclamando que seus vencimentos e o piso da categoria são menores que boa parte dos demais Estados da confederação. Esta situação vergonhosa de desrespeito à categoria dos educadores paulistas já vem de muitos anos, e só tem piorado nos últimos quatorze anos, desde que, o PSDB tomou posse de SP.
Como podemos ter um ensino de qualidade se nossas escolas estão caindo aos pedaços? Como podemos exigir qualidade se as verbas para treinamento e qualificação dos mestres são escassas? A maioria das escolas não tem segurança alguma, alunos agridem professores e funcionários amedrontados. Roubos de equipamentos são tão comuns quanto assalto à mão armada nas imediações das escolas.
Em Bauru, foi instituída uma taxa anual para que a população possa custear a manutenção dos equipamentos do Corpo de Bombeiros, que até provem em contrário é pertencente a Policia Militar e faz parte do Estado de SP. Nada contra essa instituição valorosa, que conta com homens sempre apostos a nos encher de orgulho em todos os cantos do país, mas a sociedade já paga impostos demais da conta.
Os policiais civis do Estado de São Paulo em assembléia decidiram que irão deflagrar uma greve a partir de Agosto/08, em virtude dos parcos salários que recebem do Estado de SP.
É triste perceber que um Estado que é uma locomotiva para arrecadar age como se fosse uma Maria Fumaça na hora de pagar seus parceiros e colaboradores. O IPVA e o ICMS aqui é maior que no país inteiro, só para ficar em dois itens.
Essa característica ao lado da sede de privatizações são as piores facetas do PSDB. É abominável à forma como destratam, humilham e querem apunhalar pelas costas seus servidores públicos. Se os professores, bombeiros e policiais têm problemas com salários, é dispensável falar dos demais funcionários públicos do Estado.
Foto de Mastrangelo Reino/Folha Imagem.

21 de julho de 2008

Os viajantes

Lula e sua aeronave
Segundo alguns dados estatísticos que não posso atestar a veracidade, o nosso Presidente Luís Inácio Viajandão Lula, ficou aproximadamente 82% do seu mandato fora do seu gabinete de trabalho (sic), entre viagens pelo Brasil e para o exterior.
Raramente ouvimos falar desde 01/Jan./2003 até ontem 20/Jul./2008, em exatos 2.027 dias sobre reuniões ministeriais, planejamentos setoriais, estratégias discutidas em grandes fóruns com pessoas e setores interessados. Apenas e tão somente ficamos sabendo que Lula está fora de seu gabinete em Brasília.
Ficou mais fora do que dentro de Brasília, o que a essa altura já nem sei dizer se é benéfico ou não para o país, pois quando está em seu gabinete não produz nada que chame a atenção do país. Que continue viajando então, tal qual FHC o fez com maestria durante oito anos igualmente perdidos.

Outro que viaja, mas somente na maionese!
Temos visto e lido nos jornais alguns posicionamentos por demais estranhos do Presidente do STF. Não à toa em Mai/2002, o brilhante jurista Dalmo de Abreu Dallari alertava a sociedade para o erro que seria a indicação de Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal.
A trajetória do Sr. Gilmar é tortuosa, pois foi assessor próximo de Collor, depois habitou o Palácio do Planalto auxiliando FHC e agora está na presidência do STF, acusando juízes e tribunais, chegando a afirmar que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”. Opinou favoravelmente aos candidatos com processos e nome sujo na praça ao invés de defender que os mesmos tenham o nome limpo antes de se candidatarem a cargos públicos. É preciso que a comunidade jurídica esteja alerta para acompanhar as decisões de tão importante peça da Justiça nacional.

Viajando nos legumes
Desde que foi empossado como Ministro da Agricultura, o ex-Ministro da Previdência tem demonstrado, ou melhor, não tem demonstrado nenhuma intimidade com o setor que agora ocupa. É uma pena, pois a produção de alimentos nunca foi tão importante como agora para a humanidade.
Um homem que entende de previdência ser colocado à frente da pasta de agricultura é o mesmo que pedir a um engenheiro que conduza uma cirurgia num hospital. Incoerente, prova disso, desde que tomou posse não tivemos por parte daquele ministro nenhuma ação que possa desmentir sua pífia atuação.
Não temos planejamento nenhum, não temos estoques reguladores, o preço dos insumos e fertilizantes disparou e o governo fica alhures completamente sem exercer nenhuma pressão que venha a equilibrar a difícil tarefa dos agricultores em manter a produção com preços compatíveis com seus custos.

10 de julho de 2008

Coisas que não tem desculpas

O assassinato do menino João Roberto de três anos de idade nas ruas do Rio de Janeiro por policiais inaptos, totalmente despreparados para o exercício da função é uma das coisas nesse país para as quais não se espera desculpas, a morte não tem desculpa e sim responsáveis diretos e indiretos.
Os pais e familiares do menino morto de forma absurda quando estava dentro do carro da família, no banco traseiro ao lado de um irmão com meses de vida é um desses atos abomináveis que ferem a lógica da profissão daqueles que na rua estão justamente para proteger a vida do cidadão comum.
Os culpados diretos são os policiais que dispararam suas armas a esmo, sem um mínimo de inteligência, deixando de levar em conta todos os fatores próprios para a situação. Esqueceram como num passe de mágica o treinamento que tiveram na academia e se colocaram no lugar dos bandidos que fazem isso com constância em nossas ruas.
Os culpados indiretos pela barbárie cometida pelos soldados é o Comando da PM carioca e em primeiro plano o Governo Estadual do Rio de Janeiro. Ao invés de brincar de fazer jogos pan-americanos e sonhar com a realização de Olimpíadas, deveriam estar trabalhando noite e dia pela segurança da sociedade daquele Estado.
A falta de investimento nas policias civil e militar aliada a falta de coragem dos governantes para executar uma limpeza nos porões daquelas instituições são os maiores responsáveis por mais esse crime. Claro que vão se somar ao crime do seqüestro do ônibus, aos inúmeros atentados contra a vida cometidos por policiais iguais ou até piores que os que cometeram esse crime bárbaro e sem justificativas.
O Governador deve sim, pedir desculpas, mas não para a família do menino João Roberto, deve pedir desculpas de joelhos a toda sociedade do Estado do Rio de Janeiro, pois está no poder há mais de 18 meses e ainda não disse ao que veio no que tange a segurança pública.
Enquanto não houver uma reestruturação séria nas policias civis e militares em todos os Estados, em particular no Rio de Janeiro, ficará difícil acreditar que o Estado vencerá a criminalidade em nosso país.
Essa reestruturação passa pela unificação dos comandos, pelo investimento pesado em alta tecnologia e o uso da ciência em prol do combate ao crime organizado, compras de novos equipamentos de uso (armas, coletes, munição pesada) bem como, a estruturação completa desde a aceitação do soldado até a sua formação e liberação para atuação nas ruas.
É preciso que o Estado faça uma revisão nos salários pagos, seguros de vida, benefícios e principalmente dotar as corporações de condições para aquisições de casas próprias e veículos para deslocamento de suas casas aos quartéis. É inimaginável que um soldado entre num trem cheio de marginais para chegar ao quartel.
Para isso seria necessário à abertura de linhas de crédito através do Banco do Brasil, CEF ou BNDES, afinal jogam dinheiro fora todos os dias para financiarem absurdos, então por que não dotarem as forças policiais de condições decentes para poderem exercer suas nobres funções?

A chacina na Santa Casa de Belém - PA

Em contraste absoluto com a fortuna arrecadada mensalmente com impostos em todo país a saúde pública do Pará agoniza e vê a Santa Casa de sua capital fornecer números assustadores e dignos de um país de terceiro mundo. O difícil é aceitar depois que números favoráveis sejam divulgados levando em consideração o bom desempenho do sudeste, o que faz com que a média seja regular no âmbito do país.
Desde o início do ano até ontem morreram duzentas e sessenta e duas crianças recém nascidas na Santa Casa de Belém do Pará. Um número assustador que faz com que tenhamos um óbito a cada dezessete horas aproximadamente.
O governo estadual que está nas mãos do partido do presidente Lula desde 2006, deve explicações imediatas à sociedade brasileira e desculpas ao povo paraense. Não adianta dizer que as coisas estavam assim ou assado, pois impossível à governadora dizer que não tinha tomado conhecimento da situação antes ou durante esse período.
Quantas crianças terão de morrer até que Lula e a Governadora do PT do Estado do Pará consigam fazer alguma coisa de concreto e inteligente para evitar que mais um óbito aconteça por falta de profissionais competentes, higiene e uma administração digna de um hospital público?
De janeiro a julho praticamente uma criança recém nascida morreu por dia no interior imundo dessa Santa Casa, sem que nenhum medico, nenhum burocrata medíocre ou algum político tenha tomado alguma providência. Claro, a morte não era de nenhum de seus parentes e sim do povo pobre do norte do Brasil.
Nessas horas eu pergunto, por onde andam os membros daquele movimento natimorto coordenado pela OAB apelidado de “CANSEI”? Aliás, será que ao menos um advogado trabalhará gratuitamente para os pais que perderam seus filhos poderem processar o Estado?
Aos ricos o Incor aos pobres a Santa Casa de Belém do Pará, pois é assim que se viram os políticos que passam mal, pegam um jatinho fretado pelo governo ou empreiteiras e voam para SP, para poderem se cuidar no melhor hospital do coração do Brasil. Enquanto isso o povo vê seus recém nascidos morrerem no meio da sujeira e da hipocrisia de um sistema falido de saúde.
O povo paga imposto compatível com países do primeiro mundo e recebem em troca saúde de países africanos, habitação em palafitas, segurança parecida com a do Haiti. Enquanto isso Lula viaja pelo Vietnã e faz discursos incompatíveis com a nossa realidade. Será que algum burocrata federal esteve em Belém de janeiro a julho para relatar ao presidente a chacina que está em curso na Santa Casa?
A cadeia é pouco para os responsáveis diretos e indiretos por tal descaso e pela omissão, pois se não fizeram nada desde a primeira morte ocorrida no início do ano, são criminosos e deveriam responder pelas mortes de 262 crianças em solo paraense.

9 de julho de 2008

Expandindo a tolerância zero

Como nosso governo federal resolveu dar um basta na violência no trânsito, transformando um chope em algo com alto teor alcoólico sujeito a multa pesada, suspensão da CNH e até prisão, acredito que o mesmo governo federal poderia estender essa tolerância para outros segmentos da nossa sociedade.
Que tal começarmos pela corrupção em órgãos públicos ou envolvendo pessoas ligadas ao poder público? Seria interessante que todo aquele servidor público, preso pela Polícia Federal fosse obrigado a devolver antes mesmo do julgamento aquilo que roubou do erário. Afinal o motorista suspeito não tem de pagar à multa primeiro e recorrer depois?
Em seguida deveria o governo acabar com a prática absurda de não utilizar verbas disponíveis no orçamento da união. Ou seja, após a aprovação do orçamento da união, todo valor deveria ser repassado ao fim a que se destina, evitando-se que muitas obras importantes e segmentos fiquem sem verbas para realizar seus projetos e programas nos Estados e Municípios da Nação.
Tolerância zero para os presidiários brasileiros que a exemplo de São Paulo, conseguem negociar com o poder estabelecido através de suas agendas ocultas. Ex. O presídio de segurança máxima de Pres. Bernardes tem 250 vagas, mas só é ocupado por 35 presos. Por quê? O mesmo governo que não ouve os reclamos de professores e demais funcionários públicos honestos e trabalhadores. Um governo que tem medo do PCC ou do CV não pode em hipótese alguma ser legitimado no poder.
Da mesma forma que um motorista não pode beber uma cerveja, nenhum homem público pode impedir que uma investigação do MP seja levada a diante, usando manobras sórdidas através de um bando de subservientes chamados de aliados. É fácil instituir leis que proíbem o consumo de bebidas quando se tem um motorista para dirigir seus veículos oficiais pagos com dinheiro do povo.
É preciso tolerância zero para quem não consegue dar ao povo o direito de sonhar com a moradia própria. É preciso à mesma tolerância para aqueles que não constroem presídios federais, para aqueles que não duplicam nossas estradas, para aqueles que não tem um projeto educacional que mude a estória da educação em nosso país.
É preciso tolerância zero e cartão de ponto magnético para todos os políticos em todas as instâncias do poder no Brasil. Para que sejam multados em dez salários mínimos sempre que chegarem atrasados ou faltarem às seções. É muito fácil instituir multas quando elas nunca lhe atingem, quando o elemento é imune ou ao menos age como se assim o fosse.

7 de julho de 2008

Meu voto por algumas respostas

Em outubro próximo estaremos votando no país inteiro para elegermos os vereadores e prefeitos para mais um mandato de quatro anos. Essa gente toda estará legislando e administrando as nossas ruas, bairros e enfim, nossas cidades.
Precisamos como sempre tomar muito cuidado ao colocarmos nossos votos na urna eletrônica, para não nos arrependermos mais uma vez pelos próximos quatro anos. Aliás, se arrependimento eleitoral matasse não haveria mais Brasil.
Por exemplo, na cidade de São Paulo haverá uma disputa intensa, não pelos votos tão somente, mas pelo poder que se reveste aquela eleição na maior cidade do Brasil. Os postulantes se candidatam pensando em ser governadores e até o próximo presidente em 2010. O povo, bem o povo que espere a sua vez.
Se fosse votar em São Paulo iria fazer a seguinte pergunta imaginária aos principais candidatos à Prefeito, para que eles respondessem sem subterfúgios, sem enrolação, sem meias palavras ou desculpas normalmente usadas na televisão quando dos enfadonhos programas eleitorais:

Geraldo Alckmin: Meu voto será teu desde que:
O senhor explique a toda população paulistana o porquê não permitiu junto com seu partido que nenhuma investigação fosse realizada com relação à Nossa Caixa, Caso Alstom, Privatizações do Setor Elétrico Paulista e muitas outras que somadas chegariam a setenta CPI’s? O senhor poderia esclarecer se pretende privatizar alguma empresa ou segmento do nosso município se eleito? O senhor faria novamente um contrato de Turn Key idêntico aquele do Metrô que culminou na morte de sete pessoas inocentes em Pinheiros quando do desabamento? O senhor vai fazer o quê em relação ao transporte público urbano? Por que o seu partido não conseguiu em 14 anos concluir o Rodoanel?

Gilberto Kassab: Meu voto será teu desde que:
O senhor explique quais serão verdadeiramente suas ações para conter o caos no trânsito paulistano sem que, no entanto adote pedágios ou outras saídas punitivas aos motoristas que circulem pela cidade. O senhor finalmente vai fazer algo concreto para acabar de vez com as enchentes na cidade? O senhor tem um projeto para reurbanização total da cidade? Em sua atual gestão o senhor pouco fez pela Educação, se eleito qual o seu Projeto Educacional para São Paulo?

Marta Suplicy: Meu voto será teu desde que:
A senhora conseguiria explicar o porquê não fez entre 2002 e 2005, o que agora promete fazer se eleita? Como poderemos ter certeza que em seu novo mandato teremos ações concretas e não promessas vazias como da primeira passagem pelo poder em SP? E qual será a solução que a senhora vislumbra para resolver o caos no trânsito e o problema gravíssimo da educação em SP? A cidade precisa de um choque de gestão, com soluções modernas e práticas, qual o modelo que pretende empregar?
São muitos os problemas na cidade de São Paulo, a maioria já conhecida dos candidatos, mas a cada novo mandato a cidade fica relegada ao esquecimento, os candidatos passam a sonhar com a eleição para Governador e Presidente, deixando os problemas se agravarem cada vez mais na cidade.
E por último faria a todos os candidatos uma pergunta comum para que ambos me respondessem:
Senhores candidatos a Prefeito de São Paulo:
Se eleito você conseguiria em nome dos eleitores da cidade jurar sob a bíblia sagrada que iria fazer três coisas?
1. Não aumentar, não criar e não apoiar nenhum novo imposto?
2. Não permitir, sob quaisquer hipóteses que seu ego o leve a pensar em trocar a prefeitura por outro cargo em 2010?
3. Transformar seu mandato no mandato do povo, com tal transparência, que nenhum ato pudesse ser realizado sem a total consciência da sociedade que o elegeu?

5 de julho de 2008

O que o Bafômetro não mede?

A polemica lei que está considerando embriagados aqueles que ingerirem um copo de vinho e depois forem pegos ao volante de seus automóveis irá se juntar em breve a tantas outras leis que embora rigorosas não conseguiram o efeito que imaginavam os seus autores.
Hoje temos algumas estradas e avenidas de certas cidades que estão sitiadas com tantos radares móveis e estáticos, por outro lado faltam rodovias em condições de tráfego na maior parte do país. As multas são rígidas e equivalem a dois e até três salários mínimos vigentes, mas não evitam menores ao volante, malucos na contra-mão nas auto-estradas e caminhoneiros sedados sem dormir nas nossas estradas.
Isso em resumo fez com que a arrecadação aumentasse para os nossos governantes, mas em
nenhum momento diminuiu a violência no trânsito brasileiro e o motivo é simples. De que adianta radares, multas e bafômetros se nenhum desses instrumentos consegue parar a corrupção daqueles que teriam em tese que dar o exemplo? As leis do trânsito sempre foram severas, bastaria cumpri-las com rigor e sem o maldito jeitinho brasileiro.
Os casos de corrupção registrados no Detran do Rio Grande do Sul e a quadrilha que atuava em São Paulo, onde quatorze delegados de trânsito foram afastados por terem autorizado aproximadamente 200 mil CNH’s sem que os motoristas tivessem sequer realizado os exames, dão o tom da ópera bufa que ouvimos no Brasil. Imaginem como estão os procedimentos em alguns outros Estados da Nação?
Antes de pensar em multas, radares ultramodernos que multam o motorista até dentro de sua garagem, precisávamos inventar um sistema fotográfico que multasse os corruptos e pudéssemos expor suas fotos na multa para serem exibidos em rede nacional. Ou que as fotos aparecessem nas urnas quando da votação.
Não existe em solo brasileiro algum órgão que manipule dinheiro que não tenha sido, esteja ou vai ser alvo de desvio de verbas, adulteração ou qualquer outro ato de corrupção.
Antes de pensarmos em usar o bafômetro para ver se o motorista tomou ou não um chope ou ficar na dúvida se ele ingeriu um perigoso bombom de chocolate com Rum, eles deveriam inventar um bafômetro para auferir o teor concentrado de corrupção em nossos servidores.
Precisamos urgentemente de um “corruptômetro” para percorrermos nossas seções e órgãos públicos varrendo aqueles que estiverem com uma dose mínima de vontade de roubar, desviar ou se locupletar com dinheiro público. Por motivos óbvios a operação teria de começar em Brasília – DF.

4 de julho de 2008

Distríto Federal - Um mundo a parte

Em Brasília sede do governo federal e dos poderes judiciário e legislativo do Brasil, temos um mundo à parte, quase sempre não correspondente à realidade que vivemos em nosso cotidiano. Enquanto enfrentamos um batente de sol a sol nossos representantes no Congresso Nacional, trabalham (sic) de terça a quinta quando muito e ainda podem usufruir um sem número de desculpas esfarrapadas para faltarem ao trabalho.
Não satisfeitos os exaustos parlamentares que não produzem nada pelo povo há muito tempo agora entram no melhor ano de seus mandatos. O ano de eleições municipais, quando podem escolher se ficam na solidão do planalto central ou se partem para uma aventura em suas cidades natais como candidatos a prefeito.
Para aqueles de bom senso que preferem cumprir seus mandatos conforme vontade expressa pelo povo, as coisas ficam melhores ainda, pois nesse período até as eleições em Outubro/08, eles terão 95 dias a contar de hoje para fingir que trabalham naquilo que se convencionou chamar de recesso branco (Deveria ser Recesso Negro).
Mas a cor não importa, o que fica claro é a imoralidade desse sistema dito democrático, onde um operário trabalha sob condições inadequadas muitas vezes sem qualquer benefício extra para receber um mísero salário mínimo.
O custo de cada parlamentar é obsceno, é aviltante, mas nem assim ocorre uma mudança de postura a cada novo mandato, toda legislatura começa e termina da mesma forma que as anteriores, improdutivas, imorais e sem que a sociedade tenha um único mísero motivo para comemorar.
O recesso branco não vai descontar um único centavo nos salários indecentes dos nossos parlamentares, o melhor salário do mundo se compararmos carga horária, benefícios diretos e indiretos, com a produtividade dos nossos políticos. É um acinte sem igual, que perpetua a falência moral de uma instituição secular que deveria honrar sua tradição de casa do povo.
Se computarmos de primeiro de janeiro até o dia cinco de outubro desse ano, teremos férias e recesso de Janeiro/Fevereiro + Férias de Julho + Recesso Branco até Outubro/08 + Finais de semana + Segundas e Sexta Feiras não trabalhadas = 50 dias possíveis de trabalho.
Façam as contas e vejam o quão estão cansados nossos Marajás de Brasília.

1 de julho de 2008

Uma estranha sensação de déjà vu

Paira no ar uma estranha sensação de déjà vu no ar, um arrepio que cresce à medida que vamos avançando na leitura dos jornais pela manhã. E fica cada vez mais concreto e se transforma em medo quando assistimos aos telejornais noturnos. A inflação voltou a assombrar a classe média brasileira, alimentos com preços malucos, serviços subindo sem parâmetro e o governo, aliás que governo? Sumiu? Viajou? Onde estará a equipe econômica de Lula? Disney ou seria num circo mambembe na zona leste de São Paulo?
Com o prenúncio de novos velhos dias sombrios de convivência com a inflação chegam também, por que desgraça pouca é bobagem, as greves em vários setores da nossa complicada estrutura de prestação de serviços. Ontem começaram as passeatas justíssimas dos professores da rede estadual, hoje estão em greve os corretos profissionais dos correios, amanhã serão outros e mais outros, até que tenhamos os mesmo discursos nas portas de fábricas e a única diferença é que nessas portas de fábricas não estarão dois personagens por demais conhecidos, o PT e o Lula.
Agora no poder, eles estarão do outro lado da rua com a mesma velha polícia e seus métodos violentos de combater, ou melhor, conter os reclamos de uma sociedade que se acomodou demais e que hoje paga por seus erros, seus votos e seus sonhos de um país melhor e mais justo. Utopia juvenil que jamais sairá do papel de bala, balas perdidas que nos perseguem nas ruelas do Rio de Janeiro e que nos buscam nas favelas paulistanas sem que possamos ao menos fugir para o primeiro aeroporto sem crise aérea.
O caos do transporte urbano já chegou à maior cidade da América Latina, o individual venceu o coletivo sem medo e agora vive apavorado sem saber que caminho seguir, a verdade é que não há mais caminho, tudo não passa de um enorme congestionamento. O trânsito está completamente parado assim como estão parados os nossos governantes há vinte anos. Soluções existem, mas estão todas nas gavetas dos burocratas que insistimos em eleger a cada quatro anos.
A inflação volta depois de vencer o plano real, entretanto temos de admitir que tudo venceu a inflação menos os nossos reajustes salariais. Essa perversa fórmula neoliberal que perpetua o crescimento dos contratos com empreiteiras acima dos nossos vencimentos, do aluguel, dos alimentos, dos combustíveis, dos serviços, dos preços do governo, tudo enfim, subiu acima dos índices oficiais da inflação no plano real, mas agora é real, ela voltou e veio para ficar pois não terá combatente a altura no planalto central.
Lula vai alegar que estava viajando e que não sabia de nada. Inflação? Que inflação? Isso é coisa da cabeça do povo, esqueçam isso.
O mundo evolui, a China se torna uma potência econômica, até Cuba dá sinais de evolução política e econômica, só o Brasil anda para trás, dispara tiros de festim para comemorar o nada e perde a chance de aniquilar seus medos de um passado que se pensava distante.

29 de junho de 2008

Nova lei velhos hábitos

Mais uma lei entrou em vigor no Brasil e para não perdemos o costume ela chega cheia de imperfeições e ao invés de trazer mais segurança ao trânsito, comete equívocos absurdos. A Lei foi sancionada pelo presidente Lula e considera embriagado aquele que vier a dirigir após ingerir um copo de vinho ou dois copos de chopes.
É natural que sou a favor de uma fiscalização severa, de uma lei severa e do fim da impunidade, mas a medida é demonstra que aqueles que a redigiram ou não entendem de consumo de bebidas ou jamais dirigiram em suas vidas. Seria muito mais inteligente que tivessem solicitado ajuda de especialistas no trânsito e profissionais da área médica para que a lei fosse redigida dentro de um mínimo de bom senso.
Sem contar que nossas estradas continuaram em estado de calamidade, esburacadas e com pistas sem sinalização alguma exceto São Paulo. Sem levar em consideração que o maior Estado da nação não tem bafômetros suficientes para utilizar em suas fiscalizações, imaginem os demais estados do país.
Um país que mal consegue colocar na cadeia seus criminosos agora vem querer fazer a população acreditar que irá por atrás das grades os terríveis bárbaros que ingerirem um copo de vinho? São essas leis absurdas que são editadas às pencas e nos fazem ser a nação com mais leis no mundo.
Leis inócuas, que serão burladas tais quais outras muitas que acabaram caindo em descrédito absoluto no seio da nossa sociedade. O trânsito está violento e está matando mais do que graves doenças, mas não será essa lei mal redigida que nos trará a paz as nossas estradas.
Seria simples se os nossos governantes quisessem por fim aos inúmeros acidentes em nossas estradas:
1. Recuperação das nossas estradas, com a duplicação imediata de boa parte delas pelo país adentro;
2. Modernização das pistas, colocação de sinalização adequada e a instalação de novos radares e sensores ao longo das vias;
3. Recuperação completa das Polícias Rodoviárias Federal e Estaduais, unindo esforços e usando de sinergia absoluta entre essas corporações. Equipamentos de ponta em termos de tecnologia, salários condizentes e investimento em treinamento;
4. Estipular multas com valores altos e a duplicação dos valores em caso do motorista estar portando bebidas ou ter ingerido-as conforme teste de bafômetro. Em caso de reincidência aplicar multas mensais durante dois ou três anos;
5. Colocar parâmetros médicos condizentes com as verdadeiras condições de dirigibilidade dos motoristas em relação ao consumo de bebidas alcoólicas;
6. Acabar com a impunidade e interagir com a justiça no sentido de haver total sintonia entre a aplicação das leis e o real cumprimento delas nos tribunais;
7. Penas mais severas para quem estiver dirigindo sem a CNH, crime inafiançável para quem for pego dirigindo sem nunca ter tirado a CNH, idem para quem estiver com menores ao volante e/ou permitir que o mesmo venha a dirigir seu veículo. Nesse caso prisão para o responsável e a proibição para que aquele menor infrator possa tirar sua CNH antes dos 25 anos de idade. Assim o menor pensaria mil vezes antes de sentar ao volante de um veículo.
É isso ou continuaremos assistindo a esse espetáculo ridículo típico de uma republiqueta latino americana em pleno século XXI.

27 de junho de 2008

O fim da trajetória de um tirano

Está chegando ao fim à trajetória de um verdadeiro tirano do futebol brasileiro, o quase eterno presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama do Rio de Janeiro Eurico Miranda, cuja permanência á frente dos destinos do clube sempre foi contestada e controversa devido a seu temperamento explosivo e sua arrogância, além de inúmeras acusações contra sua pessoa em todos os setores de atividade que exerceu.
Nos vinte e dois anos à frente da direção do clube colecionou algumas vitórias que acabaram sendo esquecidas no meio de tantas confusões criadas por seu estilo grotesco de conduzir os assuntos do esporte. Foi marcado também pela suspeita de corrupção tanto no clube como na sua vida real como deputado e antes disso quando ainda trabalhava em empresa privada.
Quando começou sua carreira no Vasco, trabalhava numa concessionária de veículos, quando foi demitido sumariamente acusado de ter quitado a parcela de 286 clientes sem que os automóveis tenham sido entregues aos mesmos. Em 1990, como já poderia se imaginar tratou de enveredar sua carreira para a política, berço puro de pessoas com seu perfil político e pessoal. Teve de esperar a eleição de 1994, quando então foi eleito ao cargo de Deputado Federal, reeleito em 1998.
No período de 1990 a 1998, foi investigado pelos colegas da Câmara que o colocaram como alvo de uma CPI que tratava de apurar sonegações de impostos praticados por clubes, dirigentes e empresários de atletas. Sua ligação com o Vasco fez com que o clube tivesse manchada sua página de glórias esportivas em detrimento de sua inclusão em 60 páginas do processo na CPI.
Entre outras coisas foi acusado de efetuar operação de câmbio não autorizada, evasão de divisas do País, irregularidades na direção do Vasco. Seus processos culminaram com a decretação de sua prisão por faltar ao julgamento de crimes contra a ordem tributária e outras irregularidades. Foi condenado a seis meses de prisão por agredir um jornalista. A truculência sempre foi sua marca registrada.
A pena foi revertida para multa, o que não impediu o dirigente de mais uma vez ser suspeito de desviar dinheiro na venda do jogador Paulo Miranda em 2007. Seus bons relacionamentos e a fraqueza de nossa justiça possibilitaram sempre sua atuação e o deixaram livre apesar dessa ficha negra em sua trajetória.
O clube ficou refém de sua truculência e passou a falsa impressão de que o apoiava incondicionalmente, fato que não é de todo verdadeiro, na verdade as eleições no clube sempre foram comandadas pelo ditador vascaíno, fato que o manteve 22 anos dentro do clube como se essa fosse sua sala de estar.Num país em que o presidente da CBF irá completar em 2014 vinte e cinco anos à frente da entidade fica fácil entender a longevidade dos dirigentes de federações e clubes de futebol, apenas um mero exemplo que vem de cima.

26 de junho de 2008

A Ilha

O anúncio do afastamento de Fidel Castro do governo ditatorial de Cuba, trouxe à tona varias divagações sobre o futuro, daquela ilha localizada no Caribe, muito próxima dos EUA, que somado ao seu regime político, explica ser o alvo de um embargo comercial criminoso a mais de trinta anos.
Ideologia à parte, o que mais me chama a atenção é a suposta preocupação de políticos, jornalistas e de uma parte da nossa imprensa em geral com esse fato que a rigor diz muito pouco ao povo brasileiro. Recriminam atitudes de Fidel Castro, mas esquecem de olhar para dentro do nosso país e verificarem quanto estamos atrasados apesar de nossa democracia.
Nossa saúde pública provoca calafrios e deixam expostas situações como a ocorrida em Goiânia num Hospital Público onde a equipe médica retirou por “engano” o útero de uma mulher. Ou nas muitas mortes de aposentados e doentes em filas de espera inaceitáveis. Não me recordo de ter visto notícias assim ocorridas em Cuba.
Nossa educação é um emaranhado de boas intenções, nossos governantes desrespeitam os professores, não tem projeto consistente para o ensino médio e fundamental e uma boa parte nossas faculdades são uma multiplicação de pequenas minas de ouro para meia dúzia de espertalhões que normalmente financiam campanhas governamentais. Nos Estados e Municípios a situação é triste, quanto mais ao norte caminharmos mais indignados ficaremos com o que os políticos chamam de ensino público
A violência com que Fidel e a revolução trataram seus inimigos sempre é lembrada, mas os críticos esquecem de nossa ditadura militar e as mortes ocorridas aqui em menor número talvez, mas que na época jamais tiveram eco na nossa grande mídia. Hoje morrem no Brasil aproximadamente 35 mil brasileiros vitimas da violência e da falta absoluta de segurança pública, será que estamos bem no quesito violência?
O fato de a revolução cubana ter expulsado seus inimigos e parte deles terem se alojado em Miami, cerca de 140 km de distância de Cuba, explica em parte o desejo tácito do governo “democrata” americano em querer minar seu inimigo ideológico Fidel.
Não me recordo de ter visto algum dia criticas contundentes por parte da nossa imprensa a invasão absurda dos americanos ao Iraque. Isso pode? Matar inocentes em paises distantes pode? Invadir para se apossar de petróleo com a desculpa esfarrapada de que está combatendo o terrorismo pode?
Outra questão complexa é para com o fato de haver na Ilha cubana um regime que não permite eleições diretas, não permite liberdade de expressão, mas aqui na terra brasilis nós temos tudo isso e estamos contentes? Nosso sistema político é um modelo a ser copiado no exterior? Nossa desigualdade social foi algum dia minimizada por termos uma democracia? Temos escolas de medicina ao alcance de todos os alunos da rede pública? Temos ensino de qualidade? Nossos professores, policiais e médicos da rede pública são valorizados?
Fidel não permite que seus conterrâneos saiam de Cuba, mas o que queriam os seus críticos? Que ele desse passaporte e pagasse as passagens para que todos fossem morar em Miami?
Deixem a Ilha de Cuba e os cubanos em paz, para que possam resolver seus problemas em paz, critiquem um pouco quem impôs uma barreira comercial ignóbil, violenta e abusiva ao povo cubano. E não tem coragem de retirá-la mesmo depois do fim da guerra fria, da queda do muro de Berlim e do comunismo soviético.

25 de junho de 2008

A conta dos pedágios paulistas

Todos os motoristas e demais usuários das estradas paulistas ficam contentes em poder utilizar estradas com boa sinalização, asfalto em ordem e recursos policiais e de segurança à disposição, entretanto é lamentável que tenhamos de pagar um preço tão escancaradamente obsceno para ter a disposição esse recurso que a bem da verdade pagamos quando de sua construção.
Mas como o Estado tucano é demasiadamente “bonzinho” com seus fornecedores, empreiteiros e demais parceiros além de não ter exigido planilhas reais de custos na época da terceirização das estradas, colocou um índice muito favorável aos administradores das rodovias paulistas. Melhor impossível.
Para quem não mora em São Paulo é fácil fazer uma comparação que explique a situação. Os professores e demais funcionários públicos ou de empresas estatais que normalmente exercem atividades vitais ao cidadão comum sofrem (é isso mesmo!), um reajuste baseado no IPC – FIPE, o menor dos índices que medem a inflação.
Enquanto isso, os empreiteiros que administram o sistema de pedágios altamente lucrativos têm seus contratos remunerados pelo IGP-M da FGV, o mais alto entre todos os índices que medem a inflação. A passagem pela Rodovia dos Imigrantes passará a custar R$ 17,00 (Dezessete reais), ou seja, 4,1% do salário mínimo vigente no país. As pessoas que são obrigadas a viajar todos os dias úteis de São Paulo à Santos gastam mensalmente R$ 340, ou seja, o equivalente a 82% do salário mínimo.
Os funcionários públicos são tratados com o rigor da lei e como dizemos na gíria “A pão e água, mas sempre em bebedouro distante” enquanto nossos companheiros próximos ao poder além de administrarem negócios altamente rentáveis ainda recebem o melhor tratamento que um fornecedor poderia imaginar.
Faltam policiais na nossa Policia Rodoviária Estadual, faltam aparelhos de bafômetro em todas as rodovias, faltam professores em salas de aula e salas de aula para alunos nas grandes cidades. O sistema de saúde estadual é pífio e a segurança pública então nem se fale. Mas os pedágios são de primeiro mundo e os empreiteiros riem à toa, pois rico sempre ri à toa não é mesmo?
É claro que queremos boas estradas, desde que tenham pedágios dentro de um parâmetro honesto baseados em planilhas de custos auditadas pelo Ministério Público e por entidades representativas da sociedade civil.

24 de junho de 2008

Uma das raízes dos nossos problemas

Por trás de muitos dos grandes problemas da humanidade sempre conseguimos visualizar a ganância em quase todos eles como sua raiz principal. Quer seja nos golpes aplicados contra o povo, contra o erário ou em ações isoladas sempre idenficamos a ganância como mãe das causas que levam o cidadão comum ou os grandes criminosos do colarinho branco a praticarem delitos.
Como poderíamos explicar a participação de homens públicos normalmente com situação financeira estável e ótimos vencimentos a se jogarem de cabeça em falcatruas em busca de maiores fortunas, arriscando o seu nome e a sujar de lama a dignidade de sua família?
Como poderíamos entender que empresários venham a sonegar impostos, justo eles que normalmente investem pesado nas campanhas milionárias de políticos para depois aplicarem golpes na receita federal e nos tributos que os mais simples não o fazem.
Claro que a ganância não é fator exclusivo de explicação para a alta taxa de criminalidade em nosso país, mas tem uma participação muito grande nessa imensa teia de corrupção, desmandos e golpes aplicados diariamente em nosso Brasil.
Nesse país tão imenso tanto quanto generoso, não existe um só órgão que manipule verbas onde não foi praticado um ato ilícito ao menos durante os últimos anos. Veja a listinha recente: Roubo ao Banco Central, desvio de verbas do PAC, emissão de CNH falsa em São Paulo, corrupção no Detran do RS, golpe da adulteração do combustível em postos de SP, golpe das aposentadorias e benefícios falsos na Bahia, desvio de verbas, envio de fortunas irregulares para contas em paraíso fiscais, enfim, ficaria noite e dia listando golpes praticados no nosso Brasil.
Tudo isso por falta de investimento em Educação, cultura, justiça social, igualdade de oportunidades e o fomento por parte das autoridades de novos empregos com carteira assinada. Além de eliminarmos a impunidade do nosso território, pois ela é também a responsável por boa parte de todos os crimes ocorridos em nossa sociedade. Desde a pichação de logradouros públicos até um homicídio.
Senão fosse assim, como explicar o elevado número de motoristas (pretensos) dirigindo sem habilitação ou completamente embriagados por nossas estradas? A junção da ganância com a impunidade é letal para os destinos de uma nação. É preciso que a sociedade civil exija de seus representantes o fim dessa situação que nos envergonha, preocupa e aflige desde sempre.
Como? Cobrando com seriedade nossos políticos, incomodando-os com mensagens, telefonemas, abaixo-assinados, envio de matérias para rádios, televisões e jornais. Temos de nos unir, em nossa família, condominio, rua, bairros, enfim, exercermos nossa cidadânia de forma plena.

23 de junho de 2008

Leishmaniose em Bauru

Essa doença é grave, mas ainda mais perigosa é a omissão dos governos municipal e estadual na questão do combate ao mosquito, da limpeza dos terrenos, começando é claro por aqueles afetos a administração municipal e a ação educativa junto à população da nossa região.
Entretanto a julgar pela imundície que está à cidade, inclusiva nas regiões nobres sob o ponto de vista imobiliário, fica mais fácil acreditar que isso jamais irá acontecer.
Desde que o primeiro caso da doença ocorreu na cidade não percebemos nenhuma ação mobilizadora, nenhuma grande campanha educacional, usando principalmente as escolas como grandes fontes de inspiração e ajudando a transformar nossas crianças em agentes multiplicadores da prevenção e dos cuidados básicos a serem tomados contra a doença.
Os rios que cortam a cidade estão imundos nas suas margens, os terrenos dentro do perímetro urbano refletem o abandono da gestão Tuga. As praças e demais logradouros públicos são fontes de sujeira e não recebem nenhuma atenção do poder público. Assim é fácil ser Prefeito, elege-se, criticam-se os antecessores, reclama-se da falta de recursos e depois passam quatro anos cobrando impostos sem fazer nada.
A leishmaniose visceral é uma doença terrível, considerado por especialistas como o segundo maior assassino parasitário do mundo, ficando atrás apenas da malária. Chegando a matar sessenta mil pessoas ao ano no mundo e deixando milhões infectados.
Nem assim, com esse cartão de visitas as nossas autoridades se mexem da cadeira para agir, limpar, matar as larvas, orientar, multar, trazer para a sociedade o retorno para tantos impostos pagos.
Em Bauru, talvez seja mais fácil negociar com o mosquito a sua saída para outras regiões do que conseguir assistir uma ação concreta ao menos do nosso representante máximo na cidade. Esse estado de abandono destoa de certas manchetes e da esperança de novos investimentos na nossa região, pois quem em sã consciência ira trazer sua empresa e seus negócios para uma cidade que tem a iminência de uma grave situação de saúde pública em seu município?
De acordo com a OMS – Organização Mundial de Saúde a leishmaniose visceral é o problema emergente da co-infecção HIV-LV, onde sua taxa de mortalidade chega próxima a cem por cento. Desde 2003, a nossa cidade passou a registrar a doença de forma endêmica qual a ocorrência de óbitos, inclusive neste ano em curso.
A leishmaniose é considerada como uma doença extremamente negligenciada, assim como a doença do sono e o mal de chagas. Isso porque, em razão da extrema pobreza dos pacientes, não há interesse por parte da indústria farmacêutica, em desenvolver novos medicamentos para essas doenças. Esse panorama em Bauru contrária em parte essa tese na medida em que os pacientes da doença não é exclusividade das classes pobres.
Espero que nas próximas eleições tenhamos ao menos um candidato sério, que consiga fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, ou seja, pensar e agir na direção dos anseios da sociedade de Bauru com firmeza, honestidade e grandeza de espírito, coisa rara nos últimos vinte anos nesta cidade.
Perder vidas humanas em detrimento do ataque de um mosquito é muito triste e nos deixa em sinal de alerta máximo, pois temos crianças, idosos e milhares de pessoas vivendo inclusive com esgoto a céu aberto. O combate a esse transmissor da leishmaniose deve ser prioridade zero a partir de amanhã.

Esse artigo é dedicado ao meu amigo Kazuo Ioneda, vitima dessa doença aos 55 anos de idade.

22 de junho de 2008

A ditadura do catupiry

Antigamente o catupiry era usado basicamente em algumas pizzas e em poucos pratos nos restaurantes mais famosos, com o tempo algumas pizzarias começaram a incluir o dito cujo nas bordas das pizzas, bem como a acrescentá-lo em diversos sabores de seus cardápios. Até esse momento nada contra, quem não gosta do creme branco opta então por pizza sem o mesmo.
Na cidade de Bauru, temos notado um fenômeno estranho, o uso do catupiry, que muitas vezes não passa de um requeijão de quinta categoria, passou a ser utilizado em tudo quanto é iguaria. Da pizza, passou para o recheio do bolinho, para a coxinha de frango e pasmem, outro dia estava dentro de um bolinho de bacalhau, sim, ao invés de sentirmos o parco gosto do pouco bacalhau que contém a fritura ainda temos de engolir o tal catupirão (Requeijão+Catupiry).
Claro que existe uma parcela substancial da sociedade que adora catupiry, lógico, assim como tem gente que gosta de jiló, de berinjela e outros pratos e sabores. O que não tem lógica é pedirmos um cachorro quente e sem que ninguém lhe avise entre a salsicha e o pão venha o tal molho branco a base de queijo chamado por eles de catupiry.
Poucos são os salgados que não tem catupiry hoje em dia. O que não deixa de ser estranho sob o ponto de vista econômico, pois o custo do produto fica mais alto na medida em que o comerciante insere um queijo ou uma pasta ou um requeijão que seja. Ou eles ficaram bonzinhos da noite para o dia e resolveram agradar colocando um plus a mais em suas guloseimas? Deixando com isso sem opções as pessoas que não gostam de catupiry.
Em 28 de Setembro de 2007, foi publicado no Jornal Valor Econômico, uma notícia que põe em cheque o acima citado. Senão vejamos na integra o que dizia a matéria desse respeitado jornal:
“A empresa catupiry vai processar todos os estabelecimentos que usarem o nome catupiry no cardápio e o usar o ingrediente genérico, pois cansada de receber 1,5 mil reclamações por ano de gente que comeu "catupiry" e não gostou ou até passou mal, a Catupiry resolveu acionar judicialmente quem usa outro ingrediente, mas coloca o seu nome no cardápio. Depois de notificadas, as redes Mister Sheik, Habib's e Montana Grill acabaram se tornando clientes da marca verdadeira. "Não podemos assistir de braços cruzados marcas 'talibãs' colocando a credibilidade do nome Catupiry em risco", diz Francisco Protta, executivo à frente da nova fase da empresa fundada em 1911 pela família Silvestrini.”.
Portanto não é só em Bauru que estamos sendo enganados e muitas vezes entupidos de um molho branco que está muito longe de ser o verdadeiro catupiry, faltando por parte daqueles que o comercializam o devido respeito aos que não querem ingerir esse “genérico” em seus alimentos.

21 de junho de 2008

Uma unanimidade nacional

Apesar da frase antológica dita por Nelson Rodrigues, afirmando que toda unanimidade era burra, tenho de levar em consideração que o poeta maldito não conheceu o técnico Dunga da nossa seleção. Se o conhecesse e tivesse viso um dos três últimos jogos da nossa seleção com certeza iria repensar essa frase. Pois Dunga é a unanimidade tosca entre os técnicos de futebol para o povão.
Sua arrogância característica o impede de enxergar suas limitações, pois jamais havia treinado um time de futebol de botão quanto mais uma seleção que é referência mundial para os amantes do futebol. A CBF parece que gosta dessa situação, pois além de ter inventado o nome de Dunga para treinador, ainda apóia, mantém e enaltece seus erros infantis a frente da nossa seleção.
O futebol da equipe brasileira é tão pequeno e sofrível que a torcida que lotou o Mineirão em Belo Horizonte no jogo contra a Argentina, cansou de pedir a entrada de alguns jogadores no time, como não foi atendida e o time continuava jogando mal, passou a entoar o coro uníssono de “burrooooooooooooo”. Não contente começaram então a aplaudir os jogadores argentinos, numa heresia que não tem tamanho no mundo da bola.
Difícil entender como pode a seleção nacional de futebol convocar sempre os mesmos, como se fosse jogo de solteiros contra casados do condomínio CBF na Barra da Tijuca. Existem mistérios que jamais serão entendidos por quem ama o futebol. E eles não passam pela simples escolha ou pela qualidade dos jogadores, mas sim por fatores que se estendem pela representação do jogador e seu poder de “persuasão” junto a CBF.
Com isso jovens valores e os verdadeiros craques perdem a oportunidade de vestir a camisa da seleção em detrimento de meia dúzia de jogadores que possuem cadeira cativa nas convocações de Dunga. A bem da verdade, assim foi com Parreira, Zagallo e quase todos que ocuparam o cargo de técnico da seleção desde que Telê Santana formou a melhor seleção de todos os tempos em 1982. Ganhou? Não, foi eliminada pela seleção Italiana. Mas será eternamente lembrada pelos amantes do futebol como uma das melhores de todos os tempos. Dunga é teimoso, um tanto quanto arrogante e às vezes míope, mas aos olhos da CBF é cordeiro, educado e obediente. Vaia nele gente!!!!

20 de junho de 2008

Vaias para a seleção do Ricardo Teixeira

O povo mineiro inovou durante a sonolenta apresentação da pífia seleção brasileira de futebol no estádio do Mineirão contra a seleção Argentina. Ao invés das tradicionais vaias e xingamentos normais nessas ocasiões o povo mineiro entoou com maestria e bom humor gritos como: “Adeus Dungaaaaaaaa” “Jumentoooooo” e aplaudiu os jogadores argentinos ao final da partida ou quando de suas substituições.
Nossos pretensos e arrogantes craques ficaram indignados pelo fato de que aqueles cidadãos que pagaram uma fortuna para ver o jogo, depois de enfrentarem filas e muitas confusões tivessem a petulância de ainda os vaiarem por terem jogado pedra em santo? Não bastassem eles terem perdido da Venezuela de Chaves, tomado uma surra do Paraguai das muambas ainda por cima jogaram sem alma contra a Argentina, fato mais do que imperdoável e digno de vaias.

A seleção há muito é monopólio de um condomínio no qual se incluem a Rede Globo, Ricardo Teixeira da CBF, alguns empresários do mundo da bola e um bando de jogadores com cadeira cativa independente do que estejam jogando. O futebol deixou de ser um esporte para ser um negócio, isso é uma realidade perigosa em se tratando de um país onde os negócios escusos são milhares. Por analogia passamos a desconfiar da lisura com a qual é tratado esse “negócio” chamado futebol.
As convocações passam por aspectos que não levam em consideração o momento vivido pelo jogador, suas atuações, seu potencial e talento. Hoje jogador é sócio de carteirinha e aqueles que não fazem parte do "grupinho" e são convocados não jogam ou ficam fora da lista na hora das partidas.
Outro fato que estranhamos é que os craques que jogam no Brasil são deixados de lado em detrimento dos que atuam nos grandes clubes europeus e por coincidência possuem os empresários muito próximos ao poder emanado pela CBF.
Não aceitar as vaias, não aceitar que jogadores argentinos sejam aplaudidos é o mesmo que querer impedir que torcedores estrangeiros do mundo inteiro possam aplaudir e até venerar nossos craques de verdade quando estes resolvem colocar sua arte e dom a serviço do esporte nos campos de futebol pelo mundo.
O presidente perpétuo da CBF, bodas de prata em 2014, senhor Ricardo Teixeira e todos os seus comandados sem exceção deveriam fazer uma profunda reflexão sobre o quanto lucram jogando na seleção e ao mesmo tempo perceberem o quanto é a distância abismal entre seus vencimentos e o salário mínimo do nosso povo. Não vai devolver a qualidade do futebol que eles apresentam, mas por certo será um bom começo.