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4 de junho de 2021

O passo largo do golpismo!

   

(Foto- Paulo Whitaker - Reuters)

"Bolsonaro subjugou o Exército, que não punindo o general Pazuello, assumiu-se como partido armado de Bolsonaro, e não como instituição de Estado. Mas não são apenas as Forças Armadas. O bolsonarismo está dominando as PMs, a PRF e a PF", aponta Tereza Cruvinel

Mais tarde será tarde, se já não for. Bolsonaro respondeu aos protestos populares, à CPI, ao panelaço e ao fracasso de seu governo com um passo vigoroso em seu projeto golpista. Subjugou o Exército, que não punindo o general Pazuello, assumiu-se como partido armado de Bolsonaro, e não como instituição de Estado.  Mas não são apenas as Forças Armadas. O bolsonarismo está dominando as PMs, a PRF e a PF.

O ativismo político-militar foi liberado, a pouco mais de um ano de uma eleição que Bolsonaro parece fadado a perder, mas dá sinais de não aceitar a derrota.  Não foram os políticos, como disse o marechal Castelo Branco que, "como vivandeiras alvoroçadas", foram "aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar". Só existe uma vivandeira, que é Bolsonaro, e o bolsonarismo é fruto da voluntária associação dos militares com ele para voltarem ao poder. Voltaram e vão marchar com Bolsonaro se o poder civil não reagir. Acreditar que a complacência do alto comando para com Pazuello, pela participação em ato político vetada pelo regulamento, foi apenas um recuo tático para evitar crise militar é uma ilusão. 

A repressão violenta da PM nos protestos de Recife foi um sinal do ativismo político da PM. A prisão do professor petista em Goiânia, porque exibia no carro um adesivo "Bolsonaro genocida" foi outro. Há dois dias, Bolsonaro prestigiou a solenidade de formatura de uma turma da PM do Distrito Federal, em que o comandante da Academia e também o comandante geral da PM, coronel Márcio Cavalcante de Vasconcelos, encerraram seus discursos com o lema bolsonarista "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

O Governo, através do Ministério da Justiça, fará uma pesquisa com todos os PMs do país sobre questões salariais e operacionais, a pretexto de colher elementos para a política de segurança. E com isso, disporá de um banco de dados sobre todos os policiais brasileiros, uma arma poderosa para a mobilização de quem tem o poder das armas.

Ontem mesmo, num passeio a Formosa, congratulou-se com os policiais rodoviários e foi por eles aplaudido.

Bolsonaro está se armando. Mais tarde será tarde, se já não for.

Autora: Tereza Cruvinel e colunista/comentarista do Brasil247, fundadora e ex-presidente da EBC/TV Brasil, ex-colunista de O Globo, JB, Correio Braziliense, RedeTV e outros veículos.

1 de junho de 2021

O eclipse da razão!

 Ainda antes da primeira morte pela Covid-19 no Brasil, percebíamos que o governo não faria nada para conter uma possível contaminação em massa. Aliás, tivemos em fevereiro de 2020 carnaval e muitas festas antes da primeira morte e do começo do isolamento social em 15 de março daquele ano.

O governo federal não atuou no sentido de fazer as testagens em massa para detectar os possíveis casos e mapear área e regiões que pudessem ter o vírus se alastrando. Igualmente, não colocou barreiras sanitárias nos portos, aeroportos e demais entradas do país, permitindo assim que a doença chegasse facilmente da Ásia, Europa e América.

Sem a contenção e sem a testagem, o governo na figura patética de Bolsonaro passou um ano criticando isolamento social, para o qual propôs o inócuo isolamento vertical. Não aceitou o uso de máscaras e, assim, passou a ser o porta voz do negacionismo em meio a pandemia.

A busca pelas vacinas começou cedo em boa parte dos países do mundo, exceto no Brasil, onde a voz da ignorância e da prepotência bolsonarista encampada por Bolsonaro e seus ministros receitavam o ineficaz “Kit Covid” com a Hidroxicloroquina como carro chefe do receituário do governo.

Em meio a frases estúpidas como “isso é apenas uma gripezinha” entre outras sandices, as mortes foram se acumulando sem que o Brasil adquirisse vacinas dos laboratórios internacionais. Chegando ao cúmulo de o presidente dizer numa de suas inúteis lives: “Para que pressa? Os laboratórios tem de vir oferecer-nos as vacinas e não o contrário.

Claro que isso era uma forma de não adquirir as vacinas, afinal de contas o mundo estava errado, e só o Bolsonaro estava coberto de razão. A covid enquanto isso agia, mesmo com diversos governadores e prefeitos tomando medidas com base na ciência e nos protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Brasil tem mais de 450 mil mortos pela Covid-19 sem que o presidente em momento algum tenha declarado ou escrito algo aos familiares destes milhares de brasileiros mortos sem a chance de terem se vacinado.

Estamos no final de maio de 2021 e uma Comissão Parlamentar de Inquérito foi formada no Senado para investigar e apurar os absurdos cometidos pelo governo de Jair Bolsonaro. São muitos os erros, as omissões e até os crimes cometidos contra o povo brasileiro antes e no decorrer da pandemia.

A simples troca de três ministros da Saúde em plena pandemia demonstra o descaso com que o presidente trata a saúde e o povo brasileiro. Ao tentar justificar, ele e seus apoiadores dizem uma coisa que em hipótese alguma releva os fatos: “Os governadores e os prefeitos são culpados por desviarem recursos e por implantarem isolamento social e até lockdown”.

Se existem desvios, por que seu governo não os apurou, enviou à justiça para que fossem condenados se ficasse provada a culpa? Como um governante pode ser acusado de agir em defesa do povo? Isolamento e o lockdown são ferramentas usadas no mundo inteiro em vários países.

Desde sua posse Bolsonaro promove um eclipse total da razão, do bom senso, da inteligência no uso da gestão pública e da negação da ciência, da medicina e das ferramentas que são usadas por diversos presidentes em vários países do mundo.      

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

A hipocrisia sem limites!

 Os seguidores de Bolsonaro (Não confundir com os eleitores, que exerceram seu voto em 2018 e já perceberam em quem votaram) não queriam uma CPI da Saúde que investigasse os atos do governo durante a pandemia, mas uma vez que ela foi formada e aprovada, queriam vetar nomes de relatores e presidentes da comissão.

Algo que não fizeram há pouco tempo, quando da formação da comissão para analisar o Impeachment da Dilma. Estavam naquela comissão Paulo Abi Ackel, Osmar Terra, Paulo Maluf, Rodrigo Maia, Jovair Arantes, Paulinho da Força, Eduardo Bolsonaro, Marcos Feliciano, entre outros indefectíveis deputados com vários processos de corrupção nas costas.

Agora acusam Renan Calheiros de coisas que esquecem de fazer com relação a quem é aliado de Bolsonaro como Roberto Jefferson, Arthur Lira, Fernando Collor, Michel Temer, Eduardo Cunha e tantos outros políticos com processos de corrupção na Justiça.

Não me lembro de nenhuma manifestação desse mesmo pessoal que agora se arvora contra a CPI da Saúde após mais de 430 mil mortos no país. São os hipócritas que amavam o STF quando o processo era do Mensalão, mas que querem fecha-lo quando as investigações envolvem Flávio Rachadinha Bolsonaro ou os aliados do presidente. Odeiam os ministros daquela corte, porém quando investigados ou em apuros como Pazuello, pedem Habeas Corpus a este mesmo Supremo.

São os hipócritas que em SP nas eleições de 2018, votaram na chapa BolsoDória, alguns até usaram a camiseta com a foto de ambos e a singela inscrição “BolsoDória” e agora xingam o governador porque ele seria um provável adversário do presidente em 2022.

Hipócritas que odiavam o Congresso Nacional quando Rodrigo Maia era presidente da Câmara, porém nada falam depois que o ultra suspeito de corrupção Arthur Lira foi guindado ao mesmo cargo.

São os hipócritas que convivem com a corrupção em todas as esferas do poder executivo e do conjunto da sociedade, são aqueles que furam fila da vacina, pagam propinas e tentam burlar normas e regras diariamente. São os mesmos que fingem não ver a destruição da floresta amazônica, os desmandos na economia, a interferência absurda de Bolsonaro para proteger os filhos de investigações na Polícia Federal e das mais de 430 mil mortes pela Covid por falta de vacinas. Hipócritas!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O Mito circula entre o Brasil fictício e o Brasil real!

O presidente da República está em campanha permanente pela reeleição. Esta disposição foi reafirmada domingo passado com um passeio de motos na cidade do Rio de Janeiro seguido de um comício com apoiadores para louvar o Mito Presidente.

Para os apoiadores do Mito o Brasil vai bem e a pandemia do coronavírus está passado. Tudo está bem e o povo está feliz com o governo que se prepara para pedir votos em 2022 para continuar a governar para os brasileiros. Este é o Brasil fictício visto pelo bolsonarismo.

No Brasil real a situação é diferente. A inflação de alimentos cresce e aparece, o desemprego atingir 14,4 milhões de brasileiros segundo o IBGE e a quede de renda dos trabalhadores intensifica-se de um mês para outro. A inflação cresce, já ultrapassou à meta fixada pelo governo (3,75%) e está em 7,4% no acumulado em 12 meses.

O aumento de preços dos alimentos hoje sacrifica os trabalhadores de baixos salários e os desempregados. Os preços de produtos básicos da alimentação como arroz e feijão subiram 51% A carne bovina subiu 35%. A vida dos pobres com renda baixa ou sem renda piorou muito.

O governo oferece hoje um auxílio emergencial parcial de R$ 230,00 para cada família pobre. Isto é insuficiente para garantir uma vida digna. Com uma situação caótica como está e com a mortandade causada pela pandemia perto de registrar 500 mil mortes, a prioridade do governo é a reeleição do Capitão Mito que segue participando de comícios promocionais. Isto parece brincadeira de mau gosto.

Autor: Ivan Santos – Jornalista e responsável pelo Blog Uberlândia Hoje!

O hipócrita e falso dilema de Bolsonaro entre a vida e a liberdade!

Do “não matarás” das Tábuas da Lei até as democracias modernas, tenta-se conjugar esse direito inviolável à vida com o direito à liberdade.

   Bolsonaro acena para apoiadores no Rio de Janeiro, no domingo. Bruna Prado - AP

Enquanto a CPI da Pandemia no Senado está sendo qualificada como a da mentira, cientistas e especialistas em medicina anunciam uma terceira onda da epidemia, mais grave e perigosa que as anteriores. E isso quando o Brasil está chegando a meio milhão de vidas sacrificadas, 100.000 a mais que em 10 anos de guerra na Síria entre civis e militares.

A pandemia da covid-19 está apresentando um problema filosófico e teológico antigo, mas frente a uma realidade nova. Trata-se de discutir se a vida vale mais que a liberdade. Sem dúvida, o ideal é poder conjugar as duas realidades: viver em liberdade. A covid-19, entretanto, rompeu essa utopia, e os países tiveram que escolher entre salvar vidas ou sacrificar algumas liberdades.

Até agora, a maioria dos países civilizados preferiu impor o isolamento para salvar vidas. O Brasil está sendo uma exceção com Bolsonaro, como foram os Estados Unidos com Trump. O Brasil poderia ter salvado milhares de vidas se tivesse tido um governo que preferisse preservar a vida a renunciar temporariamente a algumas liberdades.

O Brasil tem hoje um dos chefes de Estado mais radicalmente negacionistas, alguém que desde o primeiro momento contestou as medidas restritivas da liberdade, o que levou o Brasil a se tornar o epicentro mundial da pandemia por semanas. Enquanto no resto dos países os governos preferiram sacrificar algumas liberdades para salvar vidas, Bolsonaro não só se mostrou contrário às medidas desagradáveis impostas pela pandemia como ridicularizou aqueles que optaram por defender a vida, qualificando-os de “covardes” e “frouxos”.

Agora que o Brasil poderia estar às vésperas de uma terceira onda da covid-19 mais grave que as anteriores, volta a ser discutida falsa tese de que a liberdade vale mais que a vida.

É fato que, visto de forma abstrata, o dilema existe e é tão antigo como o mundo. Entretanto, diante do grito de “liberdade ou morte”, as sociedades modernas preferiram a vida, renunciando a certas liberdades.

E continua de pé a tese de que nada vale mais que a vida, nem sequer a liberdade. Existe um consenso mundial de que a vida é o valor supremo. Até um dos argumentos contra a pena de morte é que é preferível a prisão perpétua a perder a vida.

Até perante uma doença grave preferimos aceitar restrições a nossa liberdade para continuarmos vivos. É verdade que alguns, num ato de heroísmo, às vezes sacrificam a própria vida para evitar a morte do próximo. Por isso são considerados heróis, porque não existe nada mais precioso que a vida.

Dias atrás, Bolsonaro propôs a seus fiéis e fanáticos seguidores esse eterno dilema sobre a vida e a morte. Afirmou que seus partidários estão dispostos a sacrificar a própria vida para defender a liberdade, que está dando armas à população para defender essa liberdade, e que “seu Exército” não permitirá que ninguém imponha restrições à liberdade para defender a vida.

E, como o presidente é incapaz, mesmo filosoficamente, de conceber o valor real da vida, já que é um cultor contumaz da morte e da violência, voltou a defender que a liberdade de ir e vir, eventualmente restringida por causa da pandemia, vale mais que a vida.

Seria cômico se não fosse trágico o fato de que alguém como ele, que sempre se declarou a favor das ditaduras castradoras das liberdades, apareça hoje como paladino da liberdade. Justo ele que odeia a democracia e os direitos humanos. Sua única filosofia é manter um poder autoritário, inimigo de qualquer tipo de liberdade, mesmo que à custa de produzir um genocídio.

A CPI que apura eventuais responsabilidades pelo genocídio brasileiro nesta pandemia é a demonstração de que Bolsonaro e seu Governo apostaram descarada e criminalmente em sacrificar vidas humanas em nome de um falso e interessado conceito de liberdade, defendido na verdade por medo de perder o poder. Na filosofia bolsonarista, não existe um diálogo possível entre a vida e a liberdade. O poder absoluto se ergue forte e covarde ao mesmo tempo, à custa de ampliar a triste caravana de mortes e dor que podia ter sido evitada com um Governo que, em lugar de cultuar a morte, fosse um responsável defensor da vida.

A humanidade que se move entre os instintos de vida e de morte sempre procurou formas éticas e políticas de tentar conjugar esses instintos básicos. Desde o início das civilizações, os povos tentaram defender a vida como valor supremo. Do “não matarás” das Tábuas da Lei até as democracias modernas, tenta-se conjugar esse direito inviolável à vida com o direito à liberdade.

Nasceram assim as leis e as constituições que impõem restrições à liberdade absoluta para defender o valor supremo da vida. É um difícil equilíbrio destinado, no entanto, a proteger a vida.

E é essa primazia de sacrificar vidas em nome de uma falsa liberdade, símbolo do negacionismo do presidente brasileiro, que deve ser freada a tempo, afastando-o de um poder suicida, o que poderia devolver o país à normalidade de saber sacrificar algumas liberdades individuais para evitar uma hemorragia de vidas humanas. O Brasil aposta na vida, por isso está em sua grande maioria desobedecendo ao presidente em sua postura contra a vacina. Segundo as últimas pesquisas nacionais, apenas 5% dizem que não pretendem se vacinar.

Esse é o ridículo exército de seguidores dos quais o genocida se gaba ―ele que está cada dia mais sozinho e começa a ser abandonado até por uma parte de seus fiéis admiradores, como os evangélicos. O capitão que costuma aparecer arrogante montando um cavalo, desafiando a morte, se revela diariamente como uma pura e patética ficção que começa a se dissipar como uma bolha de sabão.

O capitão da reserva, afinal, não se importa nem com a vida nem com a liberdade. Seu único sonho e sua única obsessão são manter seu poder, mesmo que à custa de aparecer como um novo e triste tirano da história.

Autor: Juan Arias é jornalista e escritor, com obras traduzidas em mais de 15 idiomas. É autor de livros como Madalena, Jesus esse Grande Desconhecido, José Saramago: o Amor Possível, entre muitos outros. Trabalha no EL PAÍS desde 1976. Foi correspondente deste jornal no Vaticano e na Itália por quase duas décadas e, desde 1999, vive e escreve no Brasil. É colunista do EL PAÍS no Brasil desde 2013, quando a edição brasileira foi lançada, onde escreve semanalmente.

A mentira como método de governar!

O governo Bolsonaro foi eleito a partir do disparo em massa das chamadas fake news. Após eleito, a mentira e o ódio tornaram-se métodos políticos para manter sua base social radical organizada.

Essa nova forma de governar fundada na “mitomania”, ou seja, numa compulsão por mentir, ganhou novos episódios grotescos envolvendo a Caixa. Em evento recente em Manaus, Jair Bolsonaro, acompanhado do presidente do banco, Pedro Guimarães, teve a desfaçatez de dizer que a instituição lucrou mais em seus dois anos e meio de governo do que na soma dos governos Lula e Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Mas não parou por aí. Disse, ainda, que nos seus quatro anos de governo (ninguém sabe se vai conseguir concluir o mandato), a Caixa terá lucro maior que em seus 158 anos anteriores.

Em outro evento, desta vez em Alagoas, o presidente afirmou que no governo Lula, a Caixa só deu prejuízo. São afirmações absolutamente mentirosas que não se sustentam nem resistem a uma singular apuração. Mentiras que partem do medo e do desespero de Bolsonaro com o fato de Lula estar liderando em todos os cenários para a corrida eleitoral de 2022.

Antes de entrarmos nos balanços da Caixa nos últimos anos, vale mencionar que a instituição, em 2001 (governo FHC), deu prejuízo de mais de R$ 4,6 bilhões. Nem mesmo a ajuda do governo federal de R$ 9,3 bilhões foi capaz de melhorar o resultado do banco. Em 2002, o lucro da Caixa foi de pouco mais de R$ 1 bilhão.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) concluiu um levantamento que atesta que a Caixa registrou lucros em todos os anos, desde 2003. O estudo foi realizado a pedido da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) e detalha os resultados do banco público ao longo de quase duas décadas.

Nos governos do PT, começando pelo primeiro ano do mandato do presidente Lula, em 2003, o lucro foi de R$ 1,6 bilhão. Atualizado (corrigido pelo IPCA) o valor chega a mais de R$ 4 bilhões. Nos oito anos de Lula (2003 a 2010), o lucro da Caixa foi de mais de R$ 20,3 bilhões. Corrigindo-se pelo IPCA, o valor ultrapassa os R$ 41,3 bilhões.

Já no governo da presidenta Dilma, o lucro da Caixa foi de R$ 50,3 bilhões (corrigido pelo IPCA). Se somarmos os quatro mandatos do PT, mesmo com a ruptura democrática de 2016, a soma dos lucros da Caixa foi de mais de R$ 91,6 bilhões.

Agora vamos aos números da instituição no governo Bolsonaro, com a Caixa sob o comando de Pedro Guimarães. No primeiro ano, em 2019, o lucro foi de R$ 22 bilhões, sendo que aproximadamente R$ 15,5 bilhões foram resultado de vendas de ativos da Petrobras, IRB, Banco Pan, etc.

Em 2020, o lucro de R$ 13,2 bilhões foi fortemente impactado por ganhos não recorrentes. A Caixa obteve com a Caixa Seguridade, pelo Método de Equivalência Patrimonial, R$ 5,9 bilhões. Acontece que essa galinha dos ovos de ouro não existe mais, pois Pedro Guimarães acabou de vender parte da participação da Caixa.

Ou seja, os números dos lucros da Caixa no governo Bolsonaro não são oriundos da atividade bancária, mas da venda de ativos estratégicos do banco e da redução criminosa do papel de desenvolvimento econômico e social que a Caixa desempenha. Além de ser um lucro circunstancial, é menor que o verificado nos governos do presidente Lula, quando corrigidos pela inflação.

Um exemplo inequívoco desse esvaziamento da Caixa por dentro está justamente na questão habitacional.

De 2003 a 2010, anualmente, foram construídas e financiadas, em média, cerca de 500 mil unidades habitacionais. De 2011 a 2015, a média passou para 1,1 milhão de unidades habitacionais. Isso com recursos da União, FGTS e da própria Caixa. Essa política de governo teve foco nas pessoas de baixa renda, o que foi fundamental para a redução do déficit habitacional e contribuição efetiva na geração de mais de 20 milhões de empregos diretos.

No governo Bolsonaro/Pedro Guimarães, o programa Minha Casa Minha Vida foi desmontado. O que eles têm para apresentar além do fatiamento da Caixa? Nada!

Autora: Erika Kokay é deputada federal pelo PT do Distrito Federal e bancária aposentada da Caixa. Publicado no Site Congresso em Foco.

Assessor de Salles é acusado pela PF de interceder no Ibama!

 

                                                                   Foto Felipe Werneck

A investigação da Polícia Federal (PF) que resultou na busca e apreensão em endereços do ministro Ricardo Salles nesta quarta-feira (19/05) revelou a interferência direta de um assessor de Salles em autuações contra criminosos ambientais.

O advogado Leopoldo Penteado Butkiewicz trabalha com Salles no Ministério do Meio Ambiente desde março de 2020. Assessor especial do ministro desde fevereiro, ele antes ocupou os cargos de diretor do Departamento de Meio Ambiente e América Latina e de secretário-adjunto da Secretaria de Qualidade Ambiental do MMA.

Na decisão em que autorizou a operação da PF e o afastamento de Butkiewicz e de outros nove investigados no Ibama, o ministro do STF Alexandre de Moraes relata que, segundo uma testemunha, o assessor do ministro “tem acesso livre a inúmeros documentos, processos e dados de pessoas físicas e jurídicas autuadas pelo órgão, além do que, segundo noticiado pela autoridade policial, tem intercedido diretamente nesses processos, dando ordens diretamente aos técnicos do órgão”.

Moraes acrescenta que a PF localizou no celular dessa testemunha “diversos diálogos onde a atuação do referido assessor exorbita claramente a esfera de suas atribuições, situação que configuraria patrocínio direto de interesses privados de autuados perante a administração pública”.

A interferência de Butkiewicz no Ibama ocorre desde janeiro, segundo o relato. A testemunha afirmou à PF que nunca tinha visto um assessor do ministro do Meio Ambiente atuar dessa forma no Ibama. “A autoridade policial juntou conversas entre a testemunha e o mencionado agente público (Butkiewicz) que demonstram que ele, de ofício, teria acessado processos no SEI (Sistema Eletrônico de Informações) e, em determinado caso concreto, dito que deveriam ‘levantar o embargo’ e ‘dar prosseguimento’, embora o caso concreto estivesse com autorização vencida, além de ter sugerido a criação de e-mails para a juntada de ofícios, mesmo sendo orientado pela testemunha que o e-mail não seria o canal adequado, haja vista que o SEI já disponibilizaria tal ferramenta”, destacou o ministro do STF.

Na sexta-feira à noite, a Folha de S. Paulo revelou uma troca de mensagens no WhatsApp na qual Butkiewicz aparece tentando desembargar uma fazenda autuada por desmatamento ilegal em Mato Grosso.

A decisão de Moraes relata ainda que a testemunha foi intimidada e teve o computador apreendido pelo assessor de Salles após ter assinado um documento em que relata a paralisação da cobrança de multas provocada por uma medida imposta por Salles, a conciliação ambiental.

Segundo relatos de servidores, Butkiewicz recebeu acesso privilegiado aos sistemas do Ibama que reúnem informações sobre o julgamento de multas e sobre o planejamento de operações de fiscalização. Ele também teria participado de reuniões relacionadas à conciliação ambiental, criada por Salles, em que infratores podem obter desconto de até 60% nas multas.

Butkiewicz é formado em direito pela PUC de São Paulo. Em seu perfil no LinkedIn, o assessor de Salles destaca sua atuação por nove anos, antes de assumir os cargos no MMA, como advogado na empresa Ambienta Soluções, de São Paulo, “em ações judiciais em face da Administração Pública para o resguardo do direito de propriedade e da livre iniciativa”, entre outras atividades, como “prospecção de novos negócios em meio ambiente, urbanismo e inovação”.

Delegado na cola de Salles tem histórico

A investigação da Polícia Federal que resultou na inédita busca e apreensão contra um ministro do Meio Ambiente (a gente não se cansa nunca dessa frase) e no também inédito afastamento do presidente do Ibama é comandada por um delegado com longo histórico de investigação de crimes ambientais. Em 2005, Franco Perazzoni liderou uma operação inédita que foi responsável pela prisão de 47 servidores públicos envolvidos com madeira ilegal em Mato Grosso.

A Operação Curupira desmontou na época um esquema de corrupção no Ibama e na secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso, levou o secretário e o superintendente do Ibama para a cadeia e deu início de um período de sete anos de queda do desmatamento na Amazônia. Um ano depois da Curupira, em 2006, outra operação da PF prendeu 24 dos 87 fiscais do Ibama no Rio de Janeiro. Esta operação foi coordenada pelo delegado Alexandre Saraiva, que agora acusa Salles de favorecer madeireiros em queixa-crime apresentada em abril ao STF. As reações a Perazzoni e Saraiva não tardaram. O Poste… quer dizer, Procurador-geral da República, Augusto Aras, entrou com ação no STF para barrar investigações da PF que não tenham aval da PGR, informou O Globo. E o homem de Jair Bolsonaro na PF, o diretor-geral Paulo Maiurino, agora quer tirar a autonomia dos delegados para investigar autoridades com foro privilegiado e conceder a prerrogativa a si próprio, segundo a Folha.

 

                                                            Foto – Divulgação

Autor: Site Neo Mondo