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12 de julho de 2012

As toalhas suspeitas

Vivemos tempos de insegurança total, quer seja nas ruas, em nossas residências, estabelecimentos comerciais, não importa, o medo nos acompanha sempre. O Estado brasileiro há muito não nos protege nem nos dá segurança mínima.

Com isso cresceu assustadoramente a procura por empresas e segmentos que trabalham com segurança pessoal ou residencial, transformando as casas e pontos de comércio e indústria em verdadeiras fortalezas.

Câmeras de visão noturna, cercas eletrificadas, alarmes de todo tipo e espécie inundaram o mercado de segurança transformando-se num enorme filão para alguns empresários do ramo.

Outro dia ouvi um amigo relatar uma tentativa de invasão à sua residência em bairro nobre na cidade onde reside com sua família. O marginal subiu ao muro de seu vizinho dos fundos, forçou a cerca eletrificada da sua casa, provavelmente achando que a mesma estivesse desligada e tomou um enorme susto quando sentiu que a mesma estava ligada.

A empresa de segurança foi até o local onde o alarme havia disparado. Consertaram o dano nas hastes que foram entortadas pelo meliante e resolveram o problema, que não deixou de ser um grande susto para o interlocutor e sua família.

Tempos depois me conta o mesmo amigo de uma segunda tentativa de invasão, ou ao menos de um novo disparo de alarme em sua residência.

Desta vez, o alarme foi detectado pela empresa que comunicou o proprietário lhe dando a indicação de que os sensores próximos às portas do fundo da casa haviam notado alguma presença.

Sendo assim, ligou para a polícia militar e voltou para casa com seus familiares assustados com o que podiam encontrar ao retornar ao lar. Ao chegar ao local, duas viaturas da PM já estavam no local. Os policiais de armas em punho adentraram a casa junto com ele e o rapaz da empresa de monitoramento.

Sensação de filme policial americano acompanhada da angústia por não saber o que iria encontrar ao chegar ao ponto de suposta invasão. Vidros quebrados, objetos furtados, enfim, o que encontrariam?

Chegando aos fundos da residência policiais vasculharam tudo e procuraram evidências que pudessem justificar o disparo do sistema de alarme da casa. Nada encontraram e já estavam desistindo quando um policial mais experiente perguntou ao rapaz do monitoramento:

_ Estes sensores são de presença ou calor?

_ O jovem disse que eram sensores de presença.

Momento ao qual o policial fez uma segunda e última pergunta ao rapaz:

_ Estas toalhas de banho no varal poderiam disparar o alarme?

_ Meio inseguro, mas sem pestanejar o rapaz disse que sim, elas poderiam fazer o sistema disparar, afinal eram toalhas de banho, grandes, com a força do vento poderiam levar o sensor ao disparo.

Os policiais deram graças a Deus por não ser nada mais do que isso e saíram da residência acompanhada do constrangido dono que se desculpou e foi buscar a família aflita que aguardava noticias na casa da vizinha.

Ao chegar à casa da vizinha, esposa e filhos perguntaram a ele:

_Pai o que aconteceu? Roubaram alguma coisa? Tinha alguém nos fundos da casa?

_ Não filha, os policiais não encontraram nada suspeito, ninguém entrou na casa.

_Então por que o alarme disparou pai?

_ Foram as toalhas que sua mãe colocou para secar ao vento ao lado dos sensores de presença...

6 de julho de 2012

O dia da redenção Corinthiana!


“Tanto vencedores quanto derrotados, ambos,
tropeçam e caem; a diferença é que
os vencedores se levantam rapidamente".
Peter George

O Sport Clube Corinthians Paulista foi fundado por operários em São Paulo no bairro pobre do Bom Retiro em 01 de setembro de 1910. Nascia ali numa esquina mal iluminada o clube de futebol do povo, fundado por gente simples do povo, mas como nome inglês de seu homônimo inglês, terra aonde o futebol nasceu.


Não demorou para que o time crescesse, sua torcida oriunda de bairros pobres da Capital paulistana começou a seguir os jogos da equipe, não tardou a vencer seu primeiro jogo, seu primeiro campeonato da Liga, até chegar ao primeiro título estadual. Na época aquilo era o máximo que uma equipe poderia alcançar em termos de conquistas no futebol ainda incipiente e amador no país.

Os anos se passaram e em 1953, o Corinthians já havia conquistados vários títulos estaduais, então, arriscou jogar o que foi denominado pela organização como “Pequeno Mundial de Clubes na Venezuela”. Foi campeão invicto contra Barcelona, Roma e Seleção Venezuelana em turno e returno, ganhando um título internacional.

No ano seguinte começava nova etapa, vencia o estadual pela 16ª vez, sobre o arquirrival Palmeiras, ficando depois disso 22 anos sem conquistar mais nada. Por mais contraditório que possa parecer, sua torcida cresceu demais neste período, passou a ser uma religião para os fanáticos que sofriam sem vencer um campeonato sequer.

Quando veio a noite da redenção em 13 de outubro de 1977, uma noite quente em São Paulo, sua fiel torcida soltou o grito pelo país afora, uma grande festa messiânica tomou as ruas de SP e de várias cidades. Porém, os rivais começaram a dar importância ao Campeonato Brasileiro, que havia começado em 1971 (seis anos), diziam os infelizes que nosso time era “regional”.

Até o dia 16 de dezembro quando no Morumbi contra o dono da casa e de uma das torcidas que nos chamavam de time regional vencemos o Campeonato Nacional daquele ano, com duas vitórias por 1x0 no mesmo estádio. Começava ali a redenção nacional, com títulos em 1998, 1999, 2005 e 2011.

Sem contar que a Copa do Brasil, torneio nacional, fora vencido em 1995, 2002 e 2009. Sendo assim, aquele time “regional” tem hoje oito conquistas a nível nacional.

Os rivais desesperados começaram a partir de 1992, pois até então nunca haviam ganhado nada internacional, a dizer que éramos um time “Nacional”, sem passaporte, sem a Libertadores, sem conquistas internacionais, etc.

Desde então, nestes últimos anos passaram a atormentar os corinthianos com a tal Libertadores da América. Ou seja, vinte anos (1992 – 2012) de gozações e discussões em torno apenas de um torneio. Desprezaram até o 1º Título Mundial de clubes organizado pela FIFA no Brasil em 2000. Para piorar a situação em 2007 caímos para a Série B do Campeonato Brasileiro. Em 2008 com nova direção, mais profissional e honesta, conseguimos o seguinte:

2008 > Campeão da Série B (Retorno a Série A) - Vice-Campeão da Copa do Brasil

2009 > Campeão Paulista Invicto - Campeão da Copa do Brasil

2011 > Campeão Brasileiro.

Mas faltava algo, para “Eles” (Os Anti-Corinthianos) e a redenção internacional para nós, mas como? O presidente ditou a forma, jogar várias vezes a mesma competição e então com experiência vence-la.

Feito isso, o time participou em 2010, 2011 e 2012, desacreditado como sempre, lutou contra tudo e contra todos que tinham medo de que ele triunfasse no torneio. Passou a primeira fase em segundo lugar entre os trinta e dois competidores. Enfrentou e derrubou um a um seus oponentes até a tão sonhada final, começando pelo Emelec do Equador, Vasco da Gama, San7os e chegando às finais contra o temido e badalado Boca Juniors da Argentina, seis vezes campeão do mesmo torneio que os rivais tanto idolatravam.

No primeiro jogo dia 27 de junho, uma quarta feira de frio em Buenos Aires, o Corinthians enfrenta o time argentino em seu temido estádio. As estatísticas que não ganham jogo fizeram parte do café, almoço e janta dos comentaristas esportivos e dos torcedores rivais. Sempre apontando para a vitória do time argentino.

O jogo acabou empatado em 1x1, com um gol corinthiano de Romarinho aos 40 minutos do segundo tempo, quando o jogador deu seu primeiro toque na bola. Tudo ficava em aberto, agora seria o Pacaembu o palco da grande final.

O imbatível time portenho contra a melhor defesa da história da Libertadores, o time invicto e sua fiel torcida num estádio desconhecido para o Boca Juniors. O jogo nervoso e a angústia duraram exatamente metade da partida, no segundo tempo o Timão atropelou o Boca Juniors, mostrou raça, superioridade técnica e capacidade física superiores ao adversário.

A torcida enlouquecida não arredou pé do Pacaembu (38.000 mil fanáticos), enquanto a cidade e o país aguardavam a maior de todas as festas, a redenção da América. Todos os times tem uma torcida, é obvio, por menor que sejam ou por mais numerosas que possam ser. A diferença no nosso caso, é que nós (Nação Fiel) temos um time, gritamos, exigimos, cobramos e fazemos em alguns jogos ele jogar por nós corinthianos.

Salve a América, Salve o Corinthians, campeão de todos os torneios já disputados no Brasil e fora dele, dos quais participou.

1 de julho de 2012

Lições da Eurocopa 2012


“Na vida intelectual, o passado,
assim como é centro poderoso de resistência,
é débil princípio de atividade." Angel Ganivet

A UEFA – União Europeia de Futebol organiza a cada quatro anos em seu continente um torneio de seleções chamado de Eurocopa. Este ano a realização está sendo dividida entre a Polônia e a Ucrânia.

São dezesseis seleções divididas em quatro grupos após uma fase classificatória longa que dura quase dois anos antes de cada evento. No mesmo molde da Copa do Mundo de Futebol organizada pela FIFA, exceto pelo fato de que a UEFA utiliza 16 e não 32 seleções.

Ao observarmos os jogos podemos perceber que a qualidade dos estádios europeus são infinitamente superiores aos da América do Sul, incluindo o Brasil. Estádios com conforto, tecnologia de ponta, gramados em condições excelentes. Pontualidade exemplar e segurança feita sob responsabilidade dos organizadores, sem policiamento militar.

A entrada dos times em campo precedida de danças típicas e com os dois times entrando juntos em campo de forma civilizada é outra enorme diferença para nosso futebol mambembe e amador. Não há sinalizadores espalhando fumaça, nem bandeiras ou qualquer artefatos sendo utilizados pelas torcidas, que ao invés disso dão show de civilidade e alegria.

O horário dos jogos é outro fator que chama a atenção, pois no Brasil a Rede Globo impõe horários esdrúxulos prejudicando ao máximo o torcedor de futebol nas grandes cidades. Partidas acabando em torno de meia noite sacrificam aqueles que residem na periferia destas cidades.

Na Eurocopa os horários privilegiam os torcedores dos países sedes e turistas e não uma ou outra emissora de televisão que se acha dona do futebol no país.

Ao assistirmos estes eventos percebemos o quão longe estamos da organização propiciada pelos países de primeiro mundo. Aqui no Brasil os dirigentes e autoridades acham que profissionalismo é movimentar milhões de reais em torno do esporte. Na Europa, profissionalismo é dar ao público conforto e qualidade nos espetáculos. Uma sutil diferença!

23 de junho de 2012

Paraguai – O retrato de uma América atrasada!

Alguns homens não sabem e não sabem que não sabem. São idiotas... Evite-os
Alguns homens não sabem e sabem que não sabem. São os simples... Ensine-os
Alguns homens sabem e não sabem que sabem. Estão adormecidos... Desperte-os
Mas alguns homens sabem e sabem que sabem. Estes são os sábios... Siga-os

A constituição paraguaia permitiu na noite de ontem (22/06/12) que o congresso nacional daquele país a utilizasse como se fosse uma lista telefônica descartável. Fazendo uso de uma brecha proposital incrustrada naquela carta magna, senadores destituíram o presidente do país em rito sumário, incompatível com a justiça e o direito de defesa de qualquer cidadão.

Oposição e antigos aliados do Presidente Fernando Lugo fizeram uma aliança e deram um golpe branco em seu mandatário máximo, deixando o poder livre para que o vice-presidente Federico Franco pudesse assumir a direção daquele país.

Num continente marcado por golpes militares, ditaduras e tantas máculas à democracia o que ocorreu ontem no Paraguai é mais um casuísmo que se utilizou de ferramentas legais para dar um golpe letal na própria democracia frágil do país.

Um país que não possui um parque industrial, não tem força na prestação e serviços nem no seu comércio e se notabilizou por contrabandear sempre ou permitir a entrada de produtos falsos e às vezes roubados dos países vizinhos como o Brasil por exemplo.

Em suas ruas mal asfaltadas rodam milhares de veículos furtados no Brasil, andando livremente e com documentação falsa conseguida nas delegacias paraguaias. A pirataria mundial tem em Ciudad del Este na fronteira com Foz do Iguaçu o marco de sua realização.

A partir de hoje pela manhã o mundo civilizado questiona o novo governo paraguaio sobre as supostas violações aos mais simples princípios democráticos. A comunidade internacional olha com bastante preocupação para Assunção capital do país, tentando entender a validação deste impeachment relâmpago perpetrado por senadores ávidos por poder e cargos no futuro governo a ser formado.

Para o Brasil fica no ar a dúvida sobre as futuras decisões a serem tomadas por Federico Franco em relação ao nosso país. O Brasil tem milhares de brasileiros vivendo naquele país, conhecidos como “brasiguaios” que em sua maioria dedicam-se à agricultura. Além da Usina Hidrelétrica de Itaipu ponto de constantes discussões entre os dois países.

O certo é que independentemente das razões para a destituição de Lugo serem ou não legais, o Paraguai é o retrato fiel de uma república atrasada, oligárquica e cuja democracia é ainda incipiente e muito frágil na América do Sul. Podendo ser alvo fácil de golpes civis ou militares para favorecer interesses de uma minoria corrupta e nefasta.

16 de junho de 2012

Rio+20 = Esforço inútil

“Nada há de permanente,
exceto a mudança.”
Heráclito (450 A.C.)

A reunião denominada Rio+20 teve seu início na cidade do Rio de Janeiro e pelo caminhar das primeiras discussões pode chegar a lugar algum. Ou ainda, seguir um padrão que vem acontecendo em eventos a favor da natureza – Todos batendo cabeça e os poderosos governantes dos países altamente poluidores dizendo NÃO!
A simples elaboração de uma carta de intenções ganha contornos complicados e demonstra a dificuldade que se encontra em chegar a um denominador comum na defesa do planeta em que vivemos. Os países denominados ricos (G8) não querem deixar de lado a ganância nem abrir mão de suas riquezas para salvar o planeta. Os países em desenvolvimento querem ser ricos e, portanto, não vão abrir mão de nenhuma estratégia que venha a impedi-los.
Para começar China, EUA e Rússia não enviaram seus mandatários e já esvaziaram a plenária na medida em que são os três maiores poluidores do mundo em que vivemos. Assim como aconteceu no Tratado de Kyoto, não vão assinar nada que possa comprometer o fluxo financeiro de seus governos.
Mesmo o Brasil, sede do evento, não está fazendo sua lição de casa. Um país com tremenda extensão territorial usa caminhões fedendo óleo diesel ao invés de ferrovias limpas e não poluidoras. Nossos veículos que são milhões nas ruas e estradas usam mistura de álcool e gasolina, privilegiando consumo e não economia.
No Brasil florestas e matas estão sendo destruídas em troca de pastos e plantações pertencentes a latifundiários com direito à bancada no Congresso Nacional. Nada passa contra eles, nada pode ser feito contra esta casta incrustrada de forma disfarçada na agroindústria nacional. No pensamento deles dane-se o meio ambiente, pois eles preferem matar ou mandar matar quem os confronta a dialogar em favor da natureza e do uso criterioso do solo do país.
A realidade do campo é muito diferente daquela dos corredores civilizados do Congresso Nacional. No norte do país morrem dezenas de pessoas por ano assassinadas por defenderem o direito à propriedade e o meio ambiente.
Na Rio+20 com certeza estes heróis anônimos não estarão presentes, para relatar em alto e bom som, tudo pelo qual passam em suas distantes comunidades, esquecidas pelo poder público onde andam nas ruas como se fossem alvos móveis.
O Brasil não é modelo, nem deveria ser sede de um evento no qual estão devendo explicações, punições a assassinos e mandantes. Onde o pequeno e médio agricultor está desaparecendo e jamais teve apoio de qualquer setor do governo federal.

11 de junho de 2012

Haiti – Desperdício de dinheiro público!


“O erro acontece de vários modos,
enquanto ser correto é possível apenas de um modo”.
Aristóteles

A aventura brasileira no paupérrimo Haiti completa oito anos e carrega em suas costas despesas da ordem de quase dois bilhões de reais. Uma quantia que no mínimo poderia estar sendo utilizada para reequipar, treinar, dotar de alta tecnologia e até remunerar decentemente nossas forças armadas que há décadas estão sendo sucateadas.
Por que o exército brasileiro tem de estar naquela ilha distante de nosso povo e tão perto dos americanos? Por que um país de economia carente e onde milhões sentem falta de moradia, saneamento básico e saúde pública decente têm de gastar tantos recursos financeiros?
A resposta é fácil e clara: Esta ajuda ou socorro emergencial que se tornou permanente foi ideia de Lula e seus asseclas geniais. Queriam chamar a atenção do mundo, em particular da ONU, para que o Brasil pudesse agradá-los e em seguida alcançar a tão sonhada tanto quanto desnecessária cadeira no conselho de segurança daquela organização.
Acontece que os demais países e a ONU não são movidos por esta paixão ou comoção que Lula supôs em seu plano estapafúrdio de ajuda militar. Ficaram gratos, mas deram graças a Deus que erámos nós e não eles que tinham de torrar bilhões nesta sandice sem precedentes.
Não tenho nada contra o Haiti, país imerso em problemas de toda ordem e cujo comando quase sempre esteve nas mãos de ditadores financiados pelo mesmo capitalismo que pede “ajuda” e tem respaldo em Lula.
Se ficarmos apenas na questão da segurança, o valor investido naquela aventura nababesca chega a seis vezes o valor investido com a Força de Segurança Nacional no mesmo período. Convenhamos muito mais importante e necessário para nosso povo. Dados revelados pelo jornal Folha de SP mostram conforme gráfico abaixo a evolução dos gastos do Brasil com o Haiti.
O governo petista tem se caracterizado por várias coisas nefastas como não combater a corrupção, não promover as reformas políticas necessárias e ajudar com nosso dinheiro republiquetas pelo mundo afora com empréstimos, perdão de dividas ou ajuda militar como neste caso do Haiti.


8 de junho de 2012

Gastos da Copa/2014 e Olimpíadas/2016 são obscenos!

“A maioria das pessoas não planeja fracassar,
fracassa por não planejar.” John L. Beckley


Ao afirmar perante o mundo que poderia organizar uma Copa do Mundo de Futebol em 2014 e uma Olimpíada em 2016, o governo brasileiro se inflou de ufanismo e bateu no peito dizendo em alto e bom som que nosso país teria condições técnicas, financeiras e organizacionais para provar ao mundo sua capacidade.

Ao fazê-lo mostrou aos organizadores e ao país quais seriam seus gastos em ambos os eventos, sendo que a Olimpíada no RJ envolve diversas modalidades e participantes do mundo inteiro. Enquanto a Copa do Mundo atraí as atenções do planeta para a bola e terá 31 países participando além do anfitrião.

Enquanto a Olimpíada envolve bilhões de investimentos numa única cidade, carente de mobilidade urbana, habitação e segurança para fica no mínimo. A Copa do Mundo envolve doze cidades que foram escolhidas sem critérios técnicos para serem sedes do grandioso evento.

A maior e mais severa crítica naquele momento era de que a corrupção iria grassar solta nas obras e serviços a serem realizados no país. Aproveitando dois pilares: Governo vulnerável + Obras emergenciais.

No caso específico da Copa do Mundo isto está bem claro, nenhum estádio está pronto, nenhum estádio está ao menos dentro do cronograma das obras. Nenhuma obra de infraestrutura nem de mobilidade urbana foi realizada e a maioria sequer foi licitada. Na data em que escrevo este artigo estamos a menos de dois anos do evento e nem assim percebemos nas autoridades brasileiras algumas rugas de preocupação, deixando a entender que os críticos estavam certos.

Segundo Romário, tudo será feito do “jeitinho” brasileiro, entregue em cima da hora e feitos de qualquer jeito para que se possa realizar o evento. Dane-se qualidade, dane-se comprometimento com o evento e a sociedade e acima de tudo dane-se o erário.

A Olimpíada RJ/2016 transformou a cidade do Rio de Janeiro num imenso canteiro de obras, aumento da oferta de energia, mobilidade urbana, infraestrutura, tudo andando em conformidade com as rigorosas exigências do Comitê Olímpico Internacional.

Entretanto dois problemas saltam aos olhos naquela cidade. O primeiro é que as arenas (Locais) onde serão realizadas as quase trinta modalidades olímpicas ainda não estão prontas e sequer estão adiantadas, muitas não licitadas. O segundo grande problema é o elevado custo desta brincadeira de meia dúzia de autoridades cariocas que vão levar o Estado e talvez o país ao caos. Somados os dois eventos poderemos ter algo perto de R$ 500 bilhões.

Nem o chamado legado dos jogos (Copa do Mundo e Olímpiadas) pode ser levado em consideração. No caso da Copa de futebol isto não existirá, pois não haverá obras significativas em aeroportos, hotelaria e muito menos em mobilidade urbana. No caso da RJ/16 ainda pode ser que a sociedade se beneficie de algumas vantagens.

O caos financeiro que hoje atravessa a Europa deveria servir de lição para governantes que não planejam, não prezam pelo dinheiro do povo e sequer se importam com suas pobres reputações. Para eles a carreira política é o jogo e não a Copa de Futebol ou os jogos olímpicos.

2 de junho de 2012

Um homem e seu destino

Nada era mais importante na vida daquele pobre homem simples do que sua família. Em segundo lugar num degrau de honra vinha a música, que era sua segunda paixão e por quem vivia nas noites e madrugadas frias de São Paula. Para a família vivia todos os dias, para a música quase todas as noites de sua vida.

O violão, seu inseparável companheiro que quem executava seus acordes e deixava fluir suas canções, preces e gemidos nas grandes bebedeiras que às vezes tomava conta de suas noites com os amigos e às vezes com estranhos que mal conhecia.

O mundo globalizado levou seu emprego numa das muitas privatizações em SP e o deixou a fazer bicos em empresas terceirizadas, sem carteira assinada, sem presente e com futuro duvidoso, vivia às vezes do passado, quando era empregado de uma grande empresa pública.

O mundo branco também lhe impingia um desconforto a mais em razão de sua negritude afro brasileira, fazendo com que em certas ocasiões temesse pelo futuro de seus filhos. Mas a morena que tanto amava não lhe deixava cair em depressão e o empurrava para cima quase sempre, fazendo-o enxergar estrelas cadentes em pleno céu de tempestades.

E de bico em bico, de bar em bar a vida passava pela soleira do seu barraco na periferia, e a cada novo amanhecer a esperança enchia seus pulmões novamente ajudando a disfarçar suas olheiras pela noite na roda de samba no Bar do Eustáquio lá na vila.

Era uma pessoa simples de gestos e costumes que combinavam com sua origem pobre desde a pacata cidade de Lorena no interior paulista até a periferia de São Paulo naqueles dias. E a música e a cachaça que eram seus maiores amigos nas noites das rodas de samba acabaram selando de forma trágica seu próprio destino.

Foi numa noite de festa com seus velhos amigos da CMTC, antiga empresa municipal de transporte urbano de São Paulo que havia sido privatizada, jogando no mercado de trabalho centenas de desempregados. A música se estendia pela madrugada afora quando o “negrão”, como era carinhosamente chamado pelos velhos amigos resolveu mudar seu destino ao sair contra a vontade de todos que ali estavam na festa.

Alguns insistiram e pediram para ele ficar, ou quem sabe, ir de taxi para casa naquela madrugada que seria de despedida entre ele, sua amada, seus filhos e seu violão.

E os sorrisos viraram lágrimas em questão de minutos, o violão despedaçado não mais daria seus acordes dissonantes e os amigos não mais poderiam contar com o amigo que em plena marginal Tietê acabara de virar mais um número nas estatísticas do trânsito paulistano.

Morreu um amigo sambista cujo destino fora levar alegria a tantos desconhecidos, morreu um pouco da alegria retratada em tantas festas e pagodes, morreu meu amigo Gilberto.

26 de maio de 2012

Onde você guarda seus olhos?

Recebi esta mensagem em minha caixa de e-mails, em meio a tantas outras, quem me enviou foi o grande amigo Rui Carvallio, pessoa amiga, sensível e muito querida. O texto de Rubens Alves é primoroso e cabe neste espaço com certeza absoluta. Pois aqui neste Blog cabem os meus e os teus olhos sempre!

Faz uns dias, eu fui para a cozinha, para fazer aquilo que já fizera a centenas de vezes: cortar cebolas! Ato banal sem surpresas. Mas cortada à cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz refletindo neles... Tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica.
De repente a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista. E o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora tudo o que vejo me causa espanto...
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica á física óptica de uma máquina fotográfica. O objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence á física.
William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Uma mulher que vivia perto da minha casa, decretou a morte de um Ipê que florescia á frente de sua casa, porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza, só viam o lixo...
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem. "Não é bastante não ser cego para ver as arvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios". Escreveu Alberto Caeiro. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da Educação deveria ser a de "ensinar a ver".
O zen-budista concorda e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "Satori", a abertura do "terceiro olho", a terceira visão... Onde se pode ver a aura das pessoas, plantas e animais.
Então a diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário, mas é muito pouco, muito pobre...
Quando os olhos estão na caixa de brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que veem, olham pelo prazer de olhar...
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossos mestres.

Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".
Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

Texto de Rubem Alves

23 de maio de 2012

Brasil ainda não chegou ao século XXI

"Você é livre para fazer suas escolhas,
mas é prisioneiro das consequências."
Pablo Neruda

Às vezes me pego pensando se realmente o nosso relógio do tempo está mesmo em sintonia com o restante do planeta. São algumas situações não tão pontuais, mas sim, recorrentes que me fazem sentir medo, preocupação com gerações futuras e na maioria das vezes vergonha de ser brasileiro.

Um cidadão entra numa aeronave para fazer um vôo regional no aeroporto de Confins em Minas Gerais e ao ver uma mulher como comandante do avião que o matuto iria fazer sua viagem, começa a gritar e diz que não viajaria enquanto não tirassem “aquela” mulher da cabine de comando.

Sim, ele não viajou mesmo, foi tirado pela segurança do Aeroporto e a aeronave seguiu seu voo tranquilamente sem que nenhum problema houvesse pelo fato de ter uma mulher ao seu comando. Da onde surgiu este ser Neandertal? Seria um fóssil vivo do século XVI? Último machista a gritar em defesa da sua espécie em extinção?

Uma boa parcela das mulheres brasileiras sofre preconceito profissional, tem salários inferiores aos praticados para com os empregados do sexo masculino e ainda são agredidas e mortas como se estivéssemos na idade média.

Outro fato que revolta e entristece a maioria dos brasileiros é o racismo que ainda sobrevive na vida do nosso país multirracial. Num bar no bairro paulistano do Brás, três rapazes e uma moça de Angola, conversavam até que alguns anencéfalos resolveram agredi-los verbalmente e depois fisicamente os jovens angolanos.

Eles foram chamados de “macacos” e outros adjetivos racistas, até que um deles sacou uma arma e atirou para matar a estudante inocente que estava com os rapazes.

Que intolerância racial é essa numa nação formada por negros africanos, brancos europeus, índios e asiáticos num arco-íris de rara beleza mundial? Que violência gratuita é esta que faz de uma mesa de bar um risco à vida? Quanta impunidade, ignorância e desperdício de vidas.

O Brasil precisa se reinventar a partir de seus erros e acertos, urgem que país invista recursos em educação de qualidade e punições rigorosas transformando as penas em espelhos de uma sociedade que não pode mais tolerar tanta agressão, violência e intolerância em seu seio.

15 de maio de 2012

Esperança no país – Artigo cada vez mais raro


“Conscientizar-se da própria ignorância
é um grande passo para aprender" Disraeli

Até outro dia lutávamos e achávamos que o câncer maior da nossa sociedade se restringia apenas a nossa classe política, tempos depois fomos percebendo que havia empresários inescrupulosos do outro lado da corrupção, favorecendo sua perpetuação (Corruptores).

Andando um pouco mais vimos que as entidades sindicais e estudantis, outrora forças democráticas e combativas, estavam sob o efeito sedativo de milhões de reais. Não havia mais caminhadas, greves nem protestos. Os partidos um a um foram caindo como um dominó gigante tocado de leve pela sombra da ética e da honestidade. Confiar em quem?

Restava-nos apenas e tão somente a Justiça, aquela que não havia vergado jamais e que resistirá a tempos difíceis em nosso país, ditadura Vargas, período da ditadura militar, desgovernos Collor e Sarney, etc. Enfim, era uma esperança.

Eis que aos poucos nossa sociedade está vendo diariamente que esta frágil esperança precisa ser tratada com ácido e muita lavagem química, pois está igualmente assim como os partidos políticos corroída pela corrupção, ganância e todo tipo de sujeira que assola nossa pátria e nos desqualifica como Nação perante o chamado Primeiro Mundo.

Nosso Supremo já nos causa asco, já não confiamos nas suas decisões e em seus magistrados, o povo é sempre o último, a saber, e com certeza vaga pelas ruas sem saber o que é STF ou STJ. Para a maioria que caminha por nossas ruas, são apenas siglas.

Porém, para a parcela que paga pesados tributos e tem o poder da informação e de ser formador através dela a situação é horrível, vemos no horizonte nuvens carregadas e densas pairando sobre aqueles edifícios que eram até tempos atrás habitados por grandes "Arautos" defensores da ética, da moral e da resistência jurídica de nosso povo.

Não consigo ver uma saída para um país governado por um bando de petralhas, cuja oposição chafurda na lama de cachoeiras e fontes de esgoto e cuja sociedade não tem respaldo da sua justiça que deveria ser soberana para colocar ordem e organizar o combate aos que contra as leis e a constituição se colocam como criminosos.

12 de maio de 2012

Discurso do Embaixador Guaicaípuro Cuatemoc

Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, defendendo o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Européia. A conferência dos chefes de Estado da União Européia, Mercosul e Caribe, em maio de 2002 em Madri, viveu um momento revelador e surpreendente: Os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e de exatidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.
Eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos”. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país - com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento de juros.

Consta no "Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América. Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão. Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos. Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização. Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos? Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo.

No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar.

Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça.
Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessária expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... Quanto pesaria se calculado em sangue? Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas. Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica...

Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a Verdadeira Dívida Externa. Agora resta que algum Governo Latino-Americano tenha a dignidade e coragem suficiente para impor seus direitos perante os Tribunais Internacionais.
Os europeus teriam que pagar por toda a espoliação que aplicaram aos povos que aqui habitavam, com juros civilizados.

6 de maio de 2012

Por que não buscar exemplos lá fora?

Aqui no Brasil vários segmentos da nossa sociedade copiam com certa frequência coisas boas ou nem tanto que existem nos países ditos de primeiro mundo. A administração, engenharia, marketing, medicina, televisão principalmente vivem buscando exemplos bem sucedidos para aplicar no nosso país.

Existem duas exceções para isto no Brasil.

Uma delas é a nossa classe política que procura passar sempre ao largo dos exemplos de políticos no exterior, que atuam em prol do povo, ganham salários á altura dos serviços prestados à comunidade que os elege. E não possuem mordomias de quaisquer naturezas, sendo presos e condenados como qualquer cidadão comum se cometer crimes de corrupção.

A outra exceção fica por conta dos nossos governantes (também políticos) e demais autoridades dos três poderes constituídos que não copiam, não buscam alternativas para melhorar ou em alguns casos diminuir a imensa lacuna que existe entre àqueles países e o Brasil.

Copiar o quê? São muitos os exemplos, mas nossa gente bronzeada prefere enaltecer alguns programas e iniciativas tupiniquins do que efetivamente adentrar no mundo civilizado e com milhares de anos de experiência.

Justiça americana, inglesa ou japonesa. São inúmeros os exemplos de que nestes países os criminosos não fogem, não tem benesses nem regalias além das convencionadas pela ONU e organismos de direitos humanos.

Sequestradores, assassinos, terroristas são tratados de forma dura e idêntica pelos tribunais e presídios de segurança máxima dos países que se preocupam com a segurança de seu povo.

A pena de morte ou prisão perpétua pode ser discutida, porém não se pode permitir que o Congresso Nacional e a Justiça admita que praticantes de crimes hediondos sejam agraciados com redutores de penas, saidinhas e outras imoralidades exclusivas desta nossa Justiça ignóbil.

Outro detalhe importante, penas devem ser cumpridas e não termos uma situação onde 90 anos sejam transformados em 30 após o criminoso ser julgado e sentenciado por uma corte. A quem interessa ver nas ruas monstros como Nardeli, Suzana Richthofen e outros psicopatas?

Vou ficar apenas na justiça, entretanto administração pública, licitações e obras que não são superfaturadas, organizações de eventos, educação sem vestibulares e com qualidade, investimentos em pesquisas e ciências, polícia atuante e com utilização de alta tecnologia na repreensão ao crime e principalmente na apuração dos crimes.

Falta competência, interesse e, sobretudo inteligência por parte das nossas autoridades para saírem do lugar comum, terem visão de futuro e compreenderem que o poder deles passa, mas o legado de suas administrações será julgado por muitos anos.

O mal feito a nós (Miriam Leitão-06/05/2012)


Texto interessante para um reflexão de todos nós brasileiros!

Os escândalos passam pelo noticiário numa procissão infindável, uma cachoeira de escândalos. Tenebrosas transações vão surrupiando recursos públicos, esgarçando a confiança nas instituições, consolidando a sensação de que os políticos são assim mesmo; todos iguais. No ano passado foi um dominó que derrubou sete ministros e consumiu o ano inteiro. Este ano, a CPI que começa é outra que tem o nome de CPI do fim do mundo.
Onde é que estão os riscos e como entender essa avalanche? A imprensa é apenas a mensageira da notícia. Ela divulga. Não é a responsável pelo ambiente de cansaço e apreensão diante de tanto fato que ofende o país.
O problema alcançou uma dimensão que vai além do evento em si, vai além da política, e compromete ganhos importantes que o país conquistou nas últimas décadas. Cada evento tem que ser apurado, e seus responsáveis, punidos. Mas seria normal que a esta altura dos malfeitos houvesse algum temor entre os corruptos. Eles parecem, fita após fita, diálogo após diálogo, ter a mesma sem cerimônia, a mesma incorrigível desfaçatez.
Políticos com posições de destaque, com ambições ainda maiores, são capazes de exibições de espantosa falta de noção do conflito de interesses e dos limites que devem reger as relações entre o público e o privado. Se colocassem apenas as suas carreiras em risco, vá lá. Mas o perigo se abate também sobre políticas públicas que esses políticos colocaram em marcha, e para as quais contribuem pessoas e servidores sinceramente convencidos da sua qualidade.
Tudo isso desanima. Abate. Confunde. O brasileiro honesto diante de tanta recorrência pode achar que é assim mesmo, é da natureza da política. Pode considerar que o melhor é aderir a esse padrão moral nas suas próprias relações. Ou pode simplesmente se afastar de tudo, não querer mais perder tempo em entender tanto organograma dos esquemas criminosos, ouvir trechos de tantos diálogos tortuosos.
A generalização, a perda de valores, ou a alienação, qualquer dessas reações é perigosa para o país. A primeira vai minar o apoio à democracia, porque a conclusão pode ser: se todos os políticos são iguais, melhor não tê-los. A segunda porque ela tornará a corrupção endêmica, parte da cultura nacional. A terceira, essa do abandono do navio aos ratos, é a renúncia à busca de um país decente.
Um escândalo é apenas um escândalo. Todos eles juntos vão formando a cachoeira que pode nos arrastar para longe do objetivo que o Brasil tinha quando lutou suas lutas recentes.
Na conversa da redação, quando a equipe da Globonews preparava a reportagem sobre Rubens Paiva, nos demos conta de que a maioria dos brasileiros não tinha nascido quando o deputado foi preso e desapareceu em 1971. Fui verificar no IBGE, e o número era espantoso: 68% dos brasileiros têm menos de 41 anos. O Brasil tem uma população jovem. Isso é um bônus, mas o risco aumenta. Os que na minha geração entenderam a dor vivida pelo país durante a ditadura estão dispostos a tudo para manter o Congresso aberto. Mas e os jovens? Os que nada daquilo viveram? Até quando tolerarão a sequência de escândalos sem serem capturados por algum vendedor de poção mágica e autoritária para os males nacionais?
Na economia, a corrupção é devastadora. O que normalmente se tem em mente é o volume de recursos desviado dos cofres públicos através das estratagemas de sempre: empresas fantasmas que não prestam o serviço para o qual são pagas; sobre preço na compra de bens e serviços pelo governo; compras aprovadas por políticos e funcionários que receberam a sua parcela do dinheiro sujo; desperdício de obras inacabadas.
Há muitas outras perdas. As empresas fornecedoras do governo adotam normas de organização gerencial que promovam o funcionário que sabe o caminho, ou descaminhos, do cofre. Como o Estado é o grande comprador, se a má prática se dissemina, todos os milhares de fornecedores do Estado serão colocados em algum momento diante do dilema: aceitar ou não a regra vigente. Hoje, já se vê no Brasil o desdobramento disso, que é a corrupção nos negócios entre empresas privadas.
Grandes investidores podem considerar que o Brasil não é um país para o qual se deva ir. A corrupção de tão frequente pode estar neste momento desanimando alguma diretoria a tentar voos maiores para o Brasil. Ou então desembarcam com a orientação de adotar padrões éticos mais flexíveis para se adaptar à cultura local.
A democracia corre riscos evidentes a cada nova pancada que a opinião pública recebe. A economia vai se viciando, encontrando os atalhos, perdendo sua eficiência, atraindo apenas os piores, os que sabem se movimentar em ambiente tão degradado.
O Brasil tem sonhos altos e nesse momento tem mais confiança de que pode alcançá-los. Quer estar entre os primeiros países do mundo, mesmo sabendo que o sexto lugar em PIB só será efetivo quando houver o mesmo grau no desenvolvimento humano. Ninguém desconhece que há uma lista grande de tarefas por fazer. A dúvida é quanto do nosso destino está sendo diariamente sabotado pela corrupção no momento em que temos tantas chances.

22 de abril de 2012

Médicos ou monstros?

A humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhe dadas pela sociedade, não pela natureza. Charles Chaplin

Alguns meses atrás em São Paulo e Sorocaba entre outras cidades foram descobertos um esquema onde médicos famosos burlavam, ou melhor, fraudavam suas presenças em hospitais públicos, enganando pacientes e o Estado, que os remunera mediante suas horas trabalhadas.

O processo foi instaurado, confesso que não tenho certeza se os manganões safados foram demitidos e se tiveram que devolver aos cofres públicos os valores roubados dos contribuintes paulistas. Difícil neste caso não imaginar o que ocorre nos Estados mais distantes da Nação, sem os recursos de informática e controle que SP dispõe em seus Hospitais.
Não estamos falando de estagiários, mas de médicos formados e preparados em tese para agir com honestidade, probidade e ética a favor da sociedade que pagou na maioria dos casos suas formações em Universidades Públicas.
Ontem veio a notícia estarrecedora que alguns médicos espertalhões (Tipo político) usam outros profissionais em seus lugares na hora de realizarem cirurgias. Eles comparecem ao hospital, falam com os pacientes, mas na hora do procedimento cirúrgico, que o paciente a eles confiou, caem fora e deixam o paciente nas mãos de um profissional desconhecido.

Por enquanto eles estão usando outros médicos para enganar os pacientes e os Hospitais. Mas não vai demorar muito até que criem coragem de utilizarem outros profissionais (Enfermeiros, residentes, faxineiros) etc.

Estes hipócritas pensam que são Deuses, ou melhor, tem certeza, abusam da fragilidade e da impunidade que corre solta em nosso país. Se houvesse demissões por justa causa, penas duras para estes abusos com certeza estes imbecis de branco não iriam por em risco a sua credibilidade.
O Conselho Regional de Medicina no âmbito nacional deveria imediatamente tomar providência severas contras estes pseudoplasmódios da medicina brasileira.

Os Hospitais devem ficar atentos e coibirem estes procedimentos nefastos destes médicos que enojam com este comportamento que não combina com esta nobre e digna profissão, afinal, o Brasil tem muitos profissionais da medicina que são orgulho para esta Nação.

21 de abril de 2012

Copa no Brasil - Tempo passa e o vexame se aproxima!

Os políticos acham que suas promessas resistem ao tempo incólume e podem a qualquer momento serem cumpridas, geralmente de forma parcial, porca e miseravelmente. Lula viajou no seu último mandato e pleiteou junto à FIFA na Suíça que o Brasil sediasse a Copa do Mundo de futebol de 2014.

Muitos não acreditaram, mas como o sistema de votação daquela entidade ultrapassada e cheia de vícios adota um modelo de votação similar aos que nossos políticos adoram – vencemos. Diria que, fomos (sociedade civil) derrotados.

Os investimentos em estádios ultrapassam a soma de bilhões de reais a serem desperdiçados por obras superfaturadas, desnecessárias na medida em que alguns estádios não terão jogos suficientes para sustentarem seus gastos com manutenção. Obras que ainda não ultrapassaram no geral a 30% de sua totalidade em pleno 2012.

As obras de infraestruturas viárias, aeroportuárias, hotelaria, saneamento básico que eram chamadas de ultra importantes e que seria o maior legado pós realização da Copa, inexistem por completo. Não houve nem em SP a construção de nada que de longe lembre que iremos ou pretendemos sediar uma Copa do Mundo.

Não sabemos se o motivo é pelo fato de que o MP está atento aos desmandos e superfaturamentos ou se os governantes dos partidos que não são aliados ao PT não querem dar a Dilma obras que seriam usadas na sua campanha à reeleição em 2014. Que é o caso do PSDB em SP e MG.

Certo é que, o povo brasileiro está a menos de dois anos de passar uma vergonha incrível, com a realização de um evento mundial, onde os olhares de todo planeta estarão voltados para o nosso país. Isto se a FIFA não fizer o mais correto e cancelar em 30 de junho nossa (deles) pretensão de realizar a Copa do Mundo, passando o evento de 2014 para uma Nação séria, de homens públicos sérios, corretos e competentes.

Esta montanha de dinheiro gasto em estádios e fanfarronices é um dos maiores desperdícios que já se viram no Brasil, desde os tempos do império, quando o ouro sai livremente em navios de países europeus ditos do primeiro mundo. Que nos colonizaram e forjaram esta gentalha que hoje habita nossa vida pública.

16 de abril de 2012

Uma cachoeira de lama!

Todos sabem que no planalto central não tem mar, porém existem várias cachoeiras incrustradas em áreas daquela região, em Goiás principalmente. Nas últimas semanas muito se falou no país da Cachoeira de Carlinhos, um bicheiro, empresário, lobista, corruptor de governantes e pessoas ao lado do poder.

Uma cachoeira que ao invés de água limpa, deixa correr muita sujeira, lama e detritos que invariavelmente atingem seus frequentadores. Embora o dono da cachoeira esteja preso sob os cuidados da Polícia Federal, diariamente temos novidades nos telejornais sobre pessoas que chafurdaram na lama de Carlinhos Cachoeira.

Governador de Goiás, do Distrito Federal, assessores, deputados, senadores, chefes de polícia e muitos outros ainda não investigados estão no rol de quem se banhou na grana da corrupção paga por Carlinhos Cachoeira, proprietário de empresas que ganhavam licitações e até serviços sem que houvesse o processo licitatório.

Um banho de água fria e suja em todo povo brasileiro que paga os maiores tributos no planeta e não recebe nada exceto notícias deste quilate diariamente nos telejornais de todo país.

Cadeia? Cachoeira ficará preso por um tempo é bem verdade, porém já constituiu advogados a peso de diamante bruto e com certeza terá todo amparo legal que se pode ter num país que preza por ajudar seus bandidos e criminosos com a “melhor” justiça do mundo.

Os envolvidos em gravações dificilmente serão envolvidos em inquéritos que os levem à prisão ou ao menos as barras dos tribunais. Alguns como Demóstenes conseguiram se safar pedindo exoneração, demissão, ou seja, lá qual mecanismo for para evitar perda de mandato e arranhões em suas ilibadas reputações de bandidos travestidos de parlamentares.

O pior é termos certeza que esta não é nem nunca será a única fonte de água suja que corre no país, existem milhares de cachoeiras podres como esta que presenciamos no planalto central espalhadas pelos nossos Estados e Munícipios.

6 de abril de 2012

Um livro, um agradecimento e uma parte do meu coração!

"... quando explicamos a poesia ela torna-se banal. Melhor do que qualquer explicação é a experiência direta das emoções, que a poesia revela a uma alma predisposta a compreendê-la." Pablo Neruda)

Escrever um livro não é fácil nem difícil, mas é preciso ter conhecimento do assunto a ser abordado, que pode ser técnico, biográfico, simples relato de ideias, conto, crônicas ou poemas. Depois é preciso ter dom, paciência para buscar a melhor alternativa de custo editorial e assim moldar sua forma final.
Eu acabo de realizar meu primeiro sonho, que era colocar em livro meus poemas, havia muitos, tive que seleciona-los e passar por todo processo acima citado. Ao final de muita espera deu tudo certo, ao menos fiz chegar aos amigos à possibilidade de visitarem no papel um pouco do meu coração.
Ver o livro na livraria após seu lançamento em Bauru foi algo que me deixou emocionado, bem como, o carinho dos amigos no dia do lançamento na cidade que vivo. Depois receber a notícia da sua disponibilidade numa grande rede de vendas online por todo território continental de nosso país é muito gratificante.
Penso em tentar outros projetos dentro de alguns meses e para isso quero agradecer cada um dos amigos e familiares que me ajudaram neste momento, quer seja estando presentes ou mesmo à distância divulgando, torcendo e vivendo cada momento de magia que vivo agora.
Estes poemas como diz sabiamente o poeta Pablo Neruda de quem sou assíduo leitor e fã não tem explicação, pois a experiência direta das suas emoções que revelam as almas predispostas a compreendê-la. Ou como disse o escritor José Saramago:
“Escrever é traduzir, mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua. Transportamos o que vemos e que sentimos para um código convencional de signos, a escrita... e deixamos às circunstâncias e aos acasos da comunicação a responsabilidade de fazer chegar à inteligência do leitor, não tanto a integridade da experiência que nos propusemos transmitir... Mas uma sombra, ao menos, do que no fundo do nosso espírito sabemos bem ser intraduzível, por exemplo... A emoção pura de um encontro, o deslumbramento de uma descoberta, esse instante fugaz de silêncio anterior à palavra que vai ficar na memória como o rasto de um sonho que o tempo não apagará por completo.”
Obrigado de coração aos amigos que leem meus escritos neste Blog e o divulgam, fazendo com que tenha atingido a marca mais de doze mil visitas em menos de dois anos. Aos amigos que compraram e estão divulgando meu Livro O Tempo na Varanda. Fiquem com Deus.

19 de março de 2012

Burocracia emperra, dificulta e joga contra!


Dificilmente teremos um país no planeta onde a burocracia seja tão dominante e atrapalhe tanto quanto no Brasil. Abrir ou fechar uma empresa no país é uma missão para poucos, tem de ter paciência, tempo, dinheiro, muita paciência e mais tempo.

Ninguém tem mais cartórios, nem tanta necessidade de autenticar, confirmar, copiar, assinar, presenciar, do que o povo brasileiro. Outro dia mesmo com original nas mãos, uma funcionária da Emdurb – Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru pediu que eu fosse até o cartório para tirar cópia autenticada, sendo que ela como agente público poderia fazê-lo à luz da lei.

Perda de tempo, transtornos, despesas desnecessárias e uma conivência subliminar do poder público para com a “Máfia da Burocracia” são alguns dos dissabores que o brasileiro enfrenta cotidianamente quando precisa de algum documento ou depende de alguma ação do poder público. Sem que isso reflita em segurança das transações e praticidade

O falecido Hélio Beltrão que no Governo de João Figueiredo ocupou o cargo de ministro, na pasta da Desburocratização teria uma sincope fatal se vivesse nos dias atuais e percebesse que todo seu esforço de desburoctarizar o país foi completamente em vão.

Nenhuma autoridade dos governos nas três estâncias de poder fizeram, fazem ou irão um dia discutir o assunto em sua esfera de poder. Estes burocratas do poder querem mais é confusão para o povo, quanto mais difícil melhor para eles.

Não interessa a esta nossa classe política que as coisas sejam feitas à luz da transparência e com custo zero para que a sociedade se locomova pelos corredores das exigências documentais.

Temos na verdade uma muralha maior que a da China em extensão e altura quando tentamos tirar um documento para importar, exportar, abrir ou fechar empresas, mover ações e fiscalizar os mesmos. A dificuldade é proporcional à ausência de transparência de quem nos governa porca e miseravelmente.

A aprovação da Lei de Acesso a Informação Pública (Lei n.12.527, de 2011) foi uma vitória significativa, ainda que tardia, para a transparência pública, essencial à democracia brasileira. Porém como sempre, depende da divulgação da mídia, da cobrança da sociedade civil e da Justiça no sentido de punir quem não a obedecer. Burocracia excessiva é ferramenta para corruptos e ajuda a cegar a sociedade civil.

9 de março de 2012

Maranhão - O paraíso da iniquidade

A democracia... É uma constituição agradável,
anárquica e variada, distribuidora de igualdade
indiferentemente a iguais e a desiguais.
Platão

Os quarenta e dois deputados estaduais do Maranhão recebem ao contrário do conjunto dos trabalhadores da iniciativa privada e pública dezoito salários por ano, ou seja, além dos doze meses do ano e do décimo terceiro salário, esses gênios ainda recebem mais cinco remunerações mensais.

Com um agravante ainda mais imoral, em 2010 o benefício foi estendido aos suplentes de deputados que, provisória ou permanentemente assumissem o mandato parlamentar.

No decreto que originou o pagamento dos 18 salários de número 331/06, a justificativa ignóbil e infeliz para conceder benefício dos cinco salários a mais no bolso dos deputados, era de que serviriam para compensar as “despesas de transporte e outras imprescindíveis para o comparecimento à sessão legislativa ordinária”.

Estes políticos são na verdade muito ordinários e vagabundos da pior espécie, pois sabem que a desculpa não tem fundamento e lesa os cofres do erário, pagos pelo suor de gente humilde justamente do Estado mais pobre da nação.

Além de salários nababescos os políticos brasileiros de norte a sul, incorporam vantagens que somente eles possuem depois por ironia do destino estes mesmos sacripantas são aqueles que decidem cortes de verbas orçamentárias, privatizações, redução de aposentadorias, enfim, cortam da carne dos outros enquanto engordam as suas contas.

Os deputados maranhenses caras de pau quando confrontados pela imprensa alegaram aquilo que todo bom político safado diz: “Recebo como todos os demais, desde que cheguei aqui já havia esta verba” ou “É uma verba legal, por isso não vejo mal em recebê-la assim como todos os demais”.

Realmente não é de se estranhar que a maior parte da população do Brasil tem nojo, asco e ojeriza de políticos, que se constituem da pior espécie de ratazanas. Daquelas que quando mordem infectam de forma mortal a economia e os vencimentos de todo conjunto honesto de trabalhadores do país.

2 de março de 2012

Passando a limpo a Lei da Ficha Limpa

O processo de redemocratização do Brasil é lento, porém caminha de forma célere e constante, com pequenos avanços, porém sem retrocessos, onde podemos ressaltar sempre o valor inquebrantável das instituições democráticas que ao longo do tempo se consolidaram.

Embora com alguns percalços, tempo perdido e muita discussão, inegável discutir o valor da Lei Federal da Ficha Limpa, que pode ao longo do tempo oxigenar a vida pública, evitando que alguns candidatos a cargos políticos venham a se candidatar sem ter o devido estofo moral e com dividas pendentes junto à justiça.

A Batra – Bauru Transparente desde o princípio das discussões em torno desta lei, sempre enfatizou a importância da aplicação dela além dos muros do legislativo, atravessando as fronteiras e podendo também se instalar no seio do poder executivo.

Aqui em nosso munícipio podemos nos orgulhar de sermos uma das poucas cidades do país, onde foi implantada a Lei da Ficha Limpa Municipal com extensão para os cargos de confiança do executivo e da própria Câmara.

Um significativo avanço, que traz em seu bojo esperança de tempos melhores, escolhas de profissionais com passado limpo e consciência tranquila para exercer cargos que afetam a administração do erário.

Nas próximas eleições municipais em outubro deste ano, teremos pela primeira vez um teste nas urnas com a aplicação integral e sem subterfúgios da Lei da Ficha Limpa Federal, sendo que, no caso da lei da ficha limpa municipal a mesma continua defendendo os princípios éticos e morais após as escolhas dos candidatos eleitos.

Pois quando estes forem nomear seus assessores e os demais cargos de confiança na cidade terão pela frente a sombra constante da Lei da Ficha Limpa Municipal. Melhor para a cidade, sua administração e a nossa sociedade.