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13 de agosto de 2021

Fumaça dos blindados velhos da Marinha é a imagem da futilidade de Bolsonaro!

As instituições estão cercando cada vez mais as pretensões autoritárias e farsescas do presidente e por isso o seu mau humor e desespero aumentam a cada dia.

Um tanque participa do desfile militar ocorrido em Brasília no último dia 10.DPA vía Europa Press - Europa Press

O recente desfile patético dos blindados velhos da Marinha lançando fumaça em Brasília foi objeto de uma série de memes e piadas nas redes sociais ao mesmo tempo em que causa preocupação no exterior. A verdade é que aquela fumaça se tornou a imagem da futilidade e da debilidade do presidente Jair Bolsonaro, que se vê como dono do Exército e tenta usá-lo para intimidar as instituições. Na realidade, era apenas fumaça que se desfaz. Uma banalidade política, um anúncio de futilidade e debilidade.

A fumaça costuma ser o prenúncio de fogo que devora. No entanto, o fumo exalado por tudo o que envolve o presidente brasileiro, insignificante e ruidoso, está mais para paranoia, alimentada por seus alucinados seguidores com o fumo exalado por seu espírito destrutivo. No final, aquela fumaça dos blindados velhos do Exército não poderá cegar a visão das instituições que com todos os seus defeitos e fragilidades são a garantia de que o Brasil não renunciou a seus valores democráticos que são o fundamento de uma vida pacífica vivida em liberdade.

Como escreveu o ministro Bruno Dantas, do TCU: “Os ataques à democracia podem ser barulhentos. Ao desfilar, podem parecer vistosos, mas não passam de fumaça: pode ser escura e amedrontadora, mas se dissipa na atmosfera cristalina dos ares democráticos. Blindado é o nosso regime de liberdades, blindados são os nossos valores democráticos, blindado é o nosso plexo de garantias fundamentais, blindado deve ser o nosso compromisso irrenunciável com a Constituição que juramos respeitar, cumprir e fazer cumprir”.

A paranoia do presidente brasileiro, que tenta comprar a cumplicidade do Exército em seus sonhos violentos, pode atemorizar porque a história nos faz recordar tempos sombrios e sangrentos. Porém, depois de analisar a banalidade de um presidente que não só é incapaz de governar, como também até de falar sem cumplicidade com a linguagem vulgar do submundo das latrinas, não é difícil imaginar o seu fim. Sobretudo em um país que ainda conta no mundo e onde as instituições não parecem dispostas a rir de suas provocações e, sim, defender a qualquer preço a democracia e a fidelidade à lei.

A repercussão que a pantomima das forças da Marinha desfilando em frente ao Congresso teve no exterior é, no entanto, o melhor sinal de que o Brasil preocupa e conta no mundo, e que as bravatas golpistas de Bolsonaro começam a preocupar. O Brasil não está sozinho e o personagem que o preside é visto antes como um arremedo de uma ópera cômica.

Resta saber se a loucura do personagem não passa de caricatura e extravagância de mau gosto ou se ele pode acabar não se conformando com a fumaça dos blindados militares e levar a sério seus instintos de morte e devastação. Melhor, então, que as instituições não esperem para ver o fim do drama e busquem a forma mais eficaz e democrática de frear a tempo o que poderia ser impossível amanhã porque sua loucura não tem volta. Loucura que já produziu milhares de vidas que poderiam ter sido salvas, que está fazendo desmoronar uma economia que já foi a quinta maior do mundo, que está envenenando a convivência e destruindo o santuário da Amazônia, uma das maiores glórias e orgulho do país.

É verdade que a votação na Câmara que derrotou as pretensões e obsessões de Bolsonaro pelo voto impresso nas urnas também revelou que hoje o déspota ainda tem apoiadores suficientes no Congresso para impedir um processo de impeachment contra ele. No entanto, a verdade é que as instituições estão cercando cada vez mais as pretensões autoritárias e farsescas do presidente e que por isso o seu mau humor e desespero aumentam a cada dia.

Como escreveu Maria Hermínia Tavares em sua coluna na Folha de S. Paulo, Bolsonaro o colecionador de derrotas: “Quem vê no impeachment a única alternativa para o desastre em curso talvez não perceba que a sociedade organizada e as instituições democráticas estão impondo limites ao candidato tirano”.

É a melhor prova de que as instituições democráticas decidiram armar um cerco às loucuras golpistas do capitão complexado que, além do mais, está manchando o prestígio que as Forças Armadas sempre tiveram, depois da ditadura, na sociedade civil. Prestígio que a fumaça dos tanques desfilando no coração político do Brasil pode acabar sujando.

Autor: Juan Arias – Publicado no El País.

11 de agosto de 2021

O ocaso de um réquiem insólito!

 
“O Brasil é o único país do mundo em que
os ratos conseguem pôr a culpa no queijo”
Millôr Fernandes

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) produziu neste dia de agosto, mês do desgosto, como diz antigo dito popular, uma peça burlesca, envolvendo as forças armadas do país. Desprestigiado, acompanhou hoje, ao lado dos chefes militares, a passagem de tanques pelo Palácio do Planalto, em Brasília.

As imagens foram exibidas em uma live transmitida pelo Facebook de Bolsonaro e durou menos de 9 minutos. O evento inédito gerou protestos, principalmente da oposição, já que ocorreu no mesmo dia em que a Câmara pautou a votação da proposta de emenda à Constituição que institui o voto impresso.

                Fumaça de veículos da década de '70 em Brasília chamou atenção

Ontem, Bolsonaro usou as redes sociais para convidar autoridades para o desfile. Nenhuma compareceu. Entre eles estavam o presidente do STF, ministro Luiz Fux, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Mesmo que não nominalmente, o chefe do Executivo estendeu o convite aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), do Tribunal de Contas da União (TCU), ministra Ana Arraes, do STJ, ministro Humberto Martins, e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministra Maria Cristina Peduzzi. Também convidou deputados e senadores, dizendo que se "honraria" com a presença de cada um deles.

Ninguém em sã consciência quer figurar ao lado do natimorto presidente, cuja popularidade despenca a cada novo pronunciamento, a cada nova live ou a cada dia em que a sociedade assiste o país afundar.

Em vez deles, estavam ao lado do chefe do Executivo, na porta do Palácio, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, aquele que ameaçou a democracia caso o voto impresso não fosse aprovado no Congresso e os chefes militares da Aeronáutica (Carlos de Almeida Baptista Júnior), Exército (Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira) e Marinha (Almir Garnier Santos).

O presidente acenou durante a passagem do comboio, enquanto seguidores (Seu fiel gado matuto gritavam ao fundo). Enquanto durou o desfile, nem o presidente, nem os comandantes militares usavam máscara. O Brasil já ultrapassou mais de 564 mil mortes em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

Nosso exército de Brancaleone (Na Itália do século 11, o maltrapilho Brancaleone forma um exército de mortos de fome e parte em direção a terras a que julga ter direito. Percorrendo a Europa medieval em um pangaré, ele se depara com a peste negra, com bruxas e bárbaros) aceitou o pedido de Bolsonaro que quer desesperadamente cooptar as forças armadas para em caso de derrota fragorosa nas urnas em 2022, virar a mesa, dar um golpe e se manter no poder.

A maior parte do alto comando provavelmente não concorda com essa aventura farsesca que levará o país ao isolamento com a União Europeia e as grandes nações do G20. Um golpe na nossa democracia em pleno século XXI terá consequências extremamente danosas a economia, ao país e ao próprio exército.

Porém, não se pode descartar essa possibilidade, afinal de contas vários fatos apontam para esse final dantesco. Senão vejamos:

     1.   A invasão do Capitólio nos EUA após derrota de Trump;

     2.   A insistência de Trump em denunciar fraudes eleitorais que jamais aconteceram;

    3.   Decretos de Bolsonaro liberando armas em grande quantidade sem exercer nenhum controle;

     4.   Cooptação de pessoal de baixa patente do exército, policiais militares e milícias;

     5.   As pesquisas que indicam iminente derrota de Bolsonaro para Lula em 2022;

     6.   Com sua gestão desastrosa, sem nada para poder justificar sua presença na presidência por mais quatro anos, resta apenas a virada de mesa.

Portanto, o que aconteceu hoje em frente ao Palácio do Planalto foi ridículo, desnecessário, oneroso, mas indica com toda certeza o ocaso de um réquiem insólito de um sujeito raso, insolente e despreocupado com a Nação e nosso povo.

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

9 de agosto de 2021

Dissimulado, beligerante e improdutivo!

 Quem tem o hábito da leitura, faz pesquisas e procura estar sempre bem informado conhecia muito bem o ex-deputado medíocre que virou candidato à presidência em 2018, Jair Bolsonaro. Sua campanha inteira foi baseada em disparos ilegais de mensagens de Fake News e em agressões diversas sobre os adversários.

Evasivo, aproveitou o episódio mal explicado da facada em Juiz de Fora para poder se ausentar dos debates, algo que sempre temeu. O fato rendeu internações, supostas cirurgias, mas com o candidato sempre sorrindo, andando pelos corredores do hospital sem aparentar jamais a gravidade que foi imputada ao caso.

Foi eleito pelos votos nas urnas eletrônicas sem que houvesse uma só urna com problema de fraude ou a necessidade doentia do voto impresso naquela ocasião. Não reclamou, tomou posse e de lá para cá, simplesmente nada fez pelo país, nem pelo povo brasileiro.

Não cumpriu seu programa pífio de governo, e raramente dedicou seu tempo a se preocupar com desemprego, retomada da economia, evitar as mortes pela covid-19 com a compra das vacinas, redução dos gastos da máquina federal, combate à corrupção, estabelecimento de uma política diplomática, respeito as minorias e decência no trato da coisa pública.

Em dois anos trocou mais de ministros do que muitos governantes o fizeram em quatro anos. Na saúde foram quatro trocas, na educação foram três e assim por diante, sempre priorizando atender o Centrão, nunca a eficiência e a pasta. Avesso ao expediente no Planalto, permaneceu nestes dois anos e sete meses empenhado apenas na sua reeleição, fazendo todos os finais de semana atos políticos com seus apoiadores.

Deliberadamente deixou de trabalhar e passou a ameaçar a segurança das instituições democráticas e a própria democracia com seus arroubos beligerantes. Sua opção se baseou em duas coisas que aprendeu nos 28 anos como deputado federal: primeiro, agredir adversários enquanto faz campanha política à reeleição. Segundo, transformar o Supremo Tribunal Federal (STF) em inimigo da nação.

Mentiu descaradamente aos seus apoiadores de que não conseguia trabalhar, por culpa dos políticos. Quando na verdade entregou o comando do país ao nefasto Centrão, dando a eles cargos, poder, ministérios e recursos bilionários. Prometeu redução para quinze ministérios na campanha aos seus eleitores, entretanto para poder ter apoio no Congresso contra possíveis processos de Impeachment cedeu vergonhosamente.

Nunca em tempo algum um presidente mentiu tanto, agrediu tanto aos jornalistas, baixou o nível ao ofender Ministros do Supremo Tribunal. Chegou a transformar uma sala anexo à sua em um espaço denominado Gabinete do Ódio, comandado por seu filho Carlos e alguns assessores.

Não se houve falar do estabelecimento de políticas sociais, de obras de infraestrutura, saneamento básico, habitação popular, ao invés disso nomeou pessoas desqualificadas para que estas fiquem usando de ideologia barata e rasteira no mau uso da Cultura, Esportes, Direito Humanos e outras pastas.

Sua ignorância em diversos assuntos mostram o motivo da sua fuga de debates e aversão a responder perguntas de jornalistas. Agora, sem poder usar o episódio da facada, começou a disseminar mentiras absurdas sobre a lisura do processo eleitoral e das urnas eletrônicas onde ele e seus filhos se elegeram e reelegeram diversas vezes sem nunca terem manifestado alguma situação de fraude ou problemas.

Seu medo é o fato de que não terá o que falar de seus quatro anos à frente do país, será massacrado se comparecer a debates políticos, algo que duvido que aconteça. Tem pavor de Lula, por isso não o tira da cabeça e da boca.

Traiu seus eleitores, o empresariado e o país, ao deixar de trabalhar em prol de um governo melhor e mais decente. Esconde através de pedidos de sigilo tudo aquilo que pode compromete-lo na campanha e, em investigações futuras. Sua forma de agir é de quem tem o que esconder e temer, não só das suas ações como de seus três filhos que estão na política e igualmente nunca fizeram nada, absolutamente nada em seus mandatos em prol dos seus eleitores. 


Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

8 de agosto de 2021

Democracia sob ataque num país sem governo!

No Brasil sem rumo, faltam projetos e sobram arroubos de autoritarismo.

O Brasil precisa de um governo pelo menos para chamar de ruim. Desgovernado há quase três anos, este é um país sem rumo, sem projeto de crescimento, sem segurança institucional e sem perspectiva de modernização. Inflação acima de 8% em 12 meses e desemprego superior a 14% batem recordes. A vacinação continua atrasada e sujeita a interrupções, por causa de erros escandalosos – e mortíferos – cometidos pelo poder central no enfrentamento da pandemia. Credores de precatórios estão arriscados a um calote, a política fiscal é cheia de remendos e o teto de gastos pode ficar cheio de furos, mas sem criar um chão de estrelas. Ameaças de golpe, discursos de ódio e falsidades compõem a maior parte das manifestações do presidente da República, o mais inepto, mais inoperante e mais desastroso chefe de governo da História nacional. Num de seus muitos arroubos ditatoriais, ele ameaçou agir fora da Constituição para enfrentar o Poder Judiciário. Quanto custará aos brasileiros mais um ano dessa catástrofe?

Avesso ao interesse público, o presidente permanece empenhado na reeleição, na prevenção de um impeachment e na proteção de filhos sujeitos a investigações criminais. Sua atividade política se concentra em arranjos eleitorais, em acertos com o Centrão, agora instalado na chefia da Casa Civil, e na mobilização de adeptos. Para falar com seus apoiadores basta circular pelo Brasil, participar de algumas inaugurações e promover ajuntamentos e passeatas de motos.

Mensagens significativas sobre projetos para o País são dispensáveis, além de obviamente superiores à sua capacidade. Nenhum discurso elaborado é necessário para defender a cloroquina como remédio anti covid, depreciar as instituições e estimular manifestações a favor do voto impresso. Seus apoiadores têm-se mostrado pouco exigentes quanto a planos de governo, valores morais e padrões de gestão pública, mas demonstram habilidade, é preciso reconhecer, para desfilar em motocicletas.

Em manifestação menos barulhenta, a proposta de ressurreição da velha cédula foi rejeitada por 23 votos a 11 em comissão especial da Câmara, na quinta-feira. Em condições mais civilizadas, o projeto seria logo abandonado, mas ainda se especulava, na sexta-feira, sobre uma possível votação em plenário na semana seguinte. Isso dependeria do presidente da Casa, o deputado Arthur Lira, ainda silencioso em relação às últimas ameaças golpistas do chefe de governo e às reações de vários setores.

Nem o grande manifesto em defesa do sistema eleitoral, firmado por empresários, professores, artistas, banqueiros, ex-ministros, líderes religiosos e ex-presidentes do Banco Central, pareceu chamar a atenção do presidente da Câmara. Postado na internet, esse manifesto, na quinta à noite, já tinha mais de 7 mil assinaturas.

É falso o falatório do presidente Bolsonaro contra a urna eletrônica. Nenhuma prova de fraude foi encontrada em um quarto de século. O sistema é auditável, sua segurança tem sido comprovada e nenhum hacker conseguiu invadi-lo, porque as urnas funcionam sem ligação em rede. O voto impresso “seria ótimo para os caciques políticos” e facilitaria o retorno das fraudes, disse ao Estado, em julho, o ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral Carlos Velloso, responsável pela implantação do voto eletrônico.

Caciques políticos tiveram desde o Império enorme poder eleitoral, impondo sua vontade às populações locais. O coronelismo é um velho fenômeno brasileiro, estudado amplamente por historiadores e outros cientistas sociais. Milícias apareceram há menos tempo, com a expansão e a consolidação do crime organizado em áreas urbanas. Também são conhecidas por sua participação nos negócios, na venda de proteção e na vida política. No Estado do Rio de Janeiro, essa presença tem sido ostensiva.

Coronéis, outros mandachuvas locais e milicianos seriam os grandes beneficiários de um retorno ao velho sistema. Uma vitória de Bolsonaro, nesse debate, será partilhada com todas essas pragas da vida política brasileira, mas isso será impossível se o assunto for enterrado no Congresso.

Há mais que falsidades e baboseiras, no entanto, na campanha a favor do voto em papel. Com qualquer sistema, Bolsonaro sempre poderá, imitando seu líder Donald Trump, contestar o resultado da eleição, se for derrotado. Ou talvez nem haja eleição, se faltar o voto impresso. Ele repetiu essa ameaça várias vezes.

Até o empresariado, silencioso por muito tempo diante das barbaridades bolsonarianas, decidiu mobilizar-se para frear o presidente. Nem é preciso pesquisar as convicções de quem assinou o manifesto. Alguns devem ser democratas fervorosos. Outros podem ser mais flexíveis. Mas todos devem ter percebido um fato inegável: diante de um golpe, a reação dos grandes parceiros capitalistas seria muito ruim para a economia brasileira. Democracia, agora, é essencial para os negócios, exceto, talvez, se o País for uma potência de proporções chinesas, governada como a China nos últimos 30 anos. Com Bolsonaro, nem pensar.

Autor: Rolf Kuntz, O Estado de S. Paulo