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1 de fevereiro de 2026

Emendas pix: a propina de 2026 e a institucionalização da corrupção.

  

Uso bilionário e opaco de recursos federais consolida máquina de reeleição e distorce a democracia. Freepik.

Governo e Congresso, unidos pelo poder, usam verbas sem controle para lotear o país. 2024 foi o laboratório da impunidade; 2026 será a consagração do coronelismo digital.

Enquanto o país discute nomes para 2026, a verdadeira eleição já está sendo decidida nos bastidores do Orçamento da União. O pleito municipal de 2024 não foi apenas uma disputa por prefeituras; foi o laboratório bem-sucedido, e assustador, de uma engrenagem desenhada para perpetuar o poder a qualquer custo. As chamadas emendas Pix consolidaram-se como a moeda corrente de um sistema político falido, onde Brasília drena a riqueza de quem produz para devolvê-la, sem critérios e sem transparência, aos redutos eleitorais de quem tem a chave do cofre. E não se enganem: não há vítimas em Brasília. Governo e Congresso são sócios majoritários nesse balcão de negócios.

Para entender o risco que corremos em 2026, precisamos olhar para o rastro deixado em 2024. O que vimos foi uma farra de dinheiro público irrigando municípios estrategicamente selecionados, não pela necessidade do IDH baixo, mas pela fidelidade canina ao parlamentar padrinho. O resultado dessa "política de balcão" foi a reeleição em massa de prefeitos aliados, criando uma distorção democrática onde o financiamento federal atua como um "doping" eleitoral quase invencível. Estatisticamente, quem recebeu essas verbas turbinadas garantiu sua permanência no poder em 98% dos casos, uma taxa de sucesso que aniquila a concorrência leal e transforma o voto em mera formalidade de um jogo de cartas marcadas.

Essa engrenagem é alimentada por uma explosão orçamentária sem precedentes na história republicana. Em pouco mais de uma década, o volume de recursos destinados a essas emendas cresceu mais de 25.000%, um salto que ignora qualquer lógica inflacionária ou econômica para atender exclusivamente à fome de poder de uma casta política. Hoje, o paroquialismo político movimenta cifras que superam o orçamento da maioria dos ministérios da Esplanada, subvertendo a lógica do Estado: sobra dinheiro para obras de vitrine sem licitação e shows em cidades sem saneamento, mas falta para políticas públicas estruturantes e nacionais.

A cronologia do desastre revela a cumplicidade do Palácio do Planalto. Ao contrário da narrativa de que seria "refém" do Legislativo, o governo Lula escolheu ser o fiador desse caos. Ao se tornar o presidente que mais liberou emendas parlamentares na história, Lula não apenas aceitou as regras do jogo: ele dobrou a aposta. O Executivo abriu os cofres para garantir sua base, lavando as mãos para a qualidade do gasto e permitindo que bilhões fossem pulverizados através de mecanismos desenhados especificamente para impedir a fiscalização. É a institucionalização da opacidade: o dinheiro sai, mas o cidadão não consegue saber como, onde e por quem foi gasto na ponta final.

Estamos criando um círculo vicioso perfeito. O deputado envia o dinheiro do pagador de impostos para comprar sua base territorial; o prefeito usa o recurso para criar uma sensação artificial de prosperidade (ou para desvios puros); e essa máquina garante a reeleição de ambos. É a volta do coronelismo, agora digitalizado e bancado pelo contribuinte. O prefeito eleito em 2024 com esse dinheiro viciado já é o cabo eleitoral de luxo contratado para 2026. Essa captura do Estado por interesses privados corrói a imagem do país lá fora, refletida na queda vertiginosa do Brasil nos índices globais de percepção da corrupção em 2025. O mundo nos vê cada vez mais como uma nação onde a lei é flexível e a integridade é negociável.

Essa distorção escancara a urgência de revermos nosso pacto federativo. Não é aceitável que os impostos gerados no município tenham que subir a Brasília para, depois de um pedágio político, voltarem carimbados com o nome de um "benfeitor". Contudo, enquanto a reforma liberal não vem, precisamos de freios éticos. Felizmente, há resistência. Parlamentares como Adriana Ventura (Novo SP) e Marcel Van Hattem (Novo RS) provam que é possível atuar com responsabilidade, exigindo critérios técnicos e editais públicos para a destinação de emendas, tratando o dinheiro público com o respeito que ele merece, e não como espólio privado.

No front institucional, a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Flávio Dino, ao determinar auditorias da Polícia Federal e da CGU, foi um dique de contenção necessário, ainda que tardio. As investigações que revelaram irregularidades em Minas Gerais e no Nordeste expuseram as vísceras do sistema. Mas a justiça age no varejo; o problema é o atacado. O problema é um modelo onde o Executivo e o Legislativo se unem para contornar a transparência em nome da governabilidade e da perpetuação no poder.

Se não houver uma mudança drástica na rastreabilidade desses recursos agora, a eleição de 2026 será uma fraude moral. Não vencerão os melhores projetos, mas sim quem tiver o maior "Pix" para oferecer. Cabe à sociedade civil e aos liberais denunciarem esse consórcio do atraso que transforma a democracia em um grande negócio, onde o voto é apenas a assinatura final de um contrato já pago com o nosso dinheiro. 

Autor: Davi de Souza – Publicado no Site Congresso em Foco.

Faculdade com avaliação ruim e o mestrado.

  

São muitas universidades e estimular, fiscalizar e avaliar é uma tarefa muito trabalhosa, mas fundamental para o bom andamento do nosso dia a dia.

Nas faculdades com conceitos ruins nas avaliações, quem ensina os graduandos a pensar? São os tutores, mentores, estagiários, preceptores, mestrandos, doutorandos e profissionais que não têm formação filosófica e pedagógica para ensinar as pessoas a pensar e adquirir uma capacidade analítica e crítica. Eles ensinam apenas o fazer técnico.

Os mestrados foram criados para capacitar o corpo docente e formar profissionais competentes na arte de analisar e pensar, na arte de criar e inovar. Não se pode cobrar capacidade de inovação, sem ensinar a analisar e a refletir. Mas, alguns mestrados se perderam e acabam dando título de mestre sem capacitar para a vida acadêmica. Mestrado é apreender a ensinar!

PEDAGOGOS

Na Grécia, os escravos levavam as crianças para todos os lugares. Eram filhos dengados e ricos que já se achavam poderosos. Os escravos para não serem punidos por discordar das crianças, tinham que se virarem. Criaram técnicas, modos e outras artimanhas para conseguirem o objetivo, hoje conhecidas como metodologia de ensino. Este tipo de escravo passou a ser conhecido como “pedagogo” ou guia de crianças. Aprenderam a tratar, trabalhar e educar as crianças pela necessidade de preservar a vida.

Educar é induzir a busca e a reflexão para se construir o conhecimento em si mesmo. Se a informação chega e você e não interioriza, isto continua sendo informação, logo esquecemos. A informação vira conhecimento a partir do momento que a mente reflete, analisa, questiona e conclui.

As pessoas adoram protocolos, pois “acredita-se” que sejam informações testadas, mas principalmente porque não precisam analisar e pensar sobre elas. O uso de um protocolo é automático e nem se questiona, não se inova, não se evolui. O uso de protocolos é técnico, não estimula criatividade e inovação, só o consumo.

O MESTRADO

O mestrado foi criado para uma pessoa que queira ser professor, aprenda as técnicas de abordagens e processamento de informações para que se transformem em conhecimento a partir da reflexão, criatividade, analise crítica e capacidade de decisão. O professor forma um indivíduo pensante e questionador, e não um fazente.

No mestrado não se treina para virar especialista. No mestrado se ensina como abordar didaticamente determinados assuntos, como resgatar o conhecimento disponível na literatura analisando os bons e ruins para selecionar e usar na reflexão e crítica. Mestrado deve ter conteúdo de pedagogia, técnicas de apresentação, interpretação e análise de conhecimentos a ser transmitidos. Mestrados sem este conteúdo são especializações, pois “mestrado serve para formar mestres”, simples assim, diria Lenine.

Na maioria das escolas com notas baixas, os professores que estão na sala de aula, laboratórios e hospitais não têm mestrado onde aprenderiam ser pedagogos. São especialistas, preceptores, monitores, tutores, mentores ou outro nome que se dê a quem acompanha os alunos. O verdadeiro mestre forma pessoas a cada momento de convívio.

O tempo do mestrado é o momento para testar e exercitar as técnicas de ensino, avaliar resultados, se familiarizar com as novas tecnologias, enfim são dois anos para se aprender a ser mestre ou professor na verdadeira concepção da palavra.

Na hora de contratar um professor, estas universidades com avaliações ruins, não se contrata o verdadeiro mestre. Um aula teste não serve para avaliar um bom professor, mas sim a convivência no dia a dia. Contrate provisoriamente por um a dois anos e observe-o na ambiência acadêmica como é seu desempenho pessoal, acadêmico e social. Depois o contrata em definitivo.

REFLEXÃO FINAL

O perfil do aluno de uma universidade com mestres bem preparados é muito diferente daquele formado em sua vida acadêmica por uma verdadeira colcha de retalhos em que cada tutor, monitor, mentor, preceptor e especialista deu o seu melhor, mas de forma desordenada e aleatória, sem compromisso para formar pessoas conscientes para agir na sociedade. Na hora de uma avaliação acadêmica, estes alunos acabam em conceitos ruins para a própria escola.

Autor: Alberto Consolaro | Professor Titular da USP e Colunista de Ciências do JC.

O caso Master, o maior escândalo de todos

Fachada do Banco Master em São Paulo - Rovena Rosa da Agência Brasil.

Os escândalos estão apenas no começo. Estão apenas chegando em governos estaduais. O capitalismo brasileiro não sairá o mesmo depois de todos os desdobramentos do caso Master. Assim que surgiu, Fernando Haddad chamou a atenção que o caso Master seria o maior escândalo de todos. Não deu outra. Quanto mais se desdobram as revelações do caso, mais se confirma a previsão. Entre tantos escândalos, este vai se revelando o maior.

Mesmo quando os seus desdobramentos ainda não terminaram. Falta, pelo menos, investigar os governadores – entre eles, os do Rio de Janeiro, de Minas e de Brasília – que colocaram recursos públicos em um banco que, apesar das aparências – a começar pelo majestoso edifício –, tinha todas as indicações de ser uma instituição fajuta.

Como governadores de estado colocam os recursos públicos, arrecadados dos impostos das pessoas, em bancos sem nenhuma credibilidade? Por que não colocar em bancos públicos, como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica? Ou em bancos privados com credibilidade, como o Itaú ou o Bradesco?

O que os levou a essa opção? Quem pagará pelos danos causados ao patrimônio público por essa estranha opção? Não é o primeiro escândalo dessa ordem e provavelmente não será o último. Os vínculos estranhos de governos estaduais com instituições como essa são intrínsecos à burguesia brasileira e a seus governos.

O capital financeiro, na sua modalidade especulativa, é predominante ainda na economia brasileira. Valendo-se das taxas de juros altas, o capital financeiro – não aquele que financia a produção, o consumo, a pesquisa, mas o que vive da especulação financeira – se reproduz mecanicamente. A promiscuidade entre os interesses dos distintos setores do capitalismo com a especulação financeira é estrutural na etapa atual do capitalismo. Um ciclo profundamente estruturado em torno do capital financeiro, gerando um processo de acumulação, um ciclo longo de caráter especulativo, que não gera nem produção, nem crescimento econômico, menos ainda empregos.

O Master, por mais gigantesca que seja sua proporção, é apenas a ponta iceberg do escândalo que significa uma economia fundada no capital especulativo. Os escândalos estão apenas no começo. Estão apenas chegando em governos estaduais. O capitalismo brasileiro não sairá o mesmo depois de todos os desdobramentos do caso Master. A própria campanha eleitoral vai estar penetrada pelas tantas dimensões desse escândalo. O caso vai se prolongar ainda por muito tempo, mesmo com as dificuldades de compreensão para grande parte da população.

Mas já nos damos conta das suas dimensões e das suas consequências. Estamos apenas no começo do maior escândalo em um capitalismo tão cheio de escândalos, como afirmou Fernando Haddad. 

Autor: Emir Sader – Publicado na Revista Forum.