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1 de fevereiro de 2026

O caso Master, o maior escândalo de todos

Fachada do Banco Master em São Paulo - Rovena Rosa da Agência Brasil.

Os escândalos estão apenas no começo. Estão apenas chegando em governos estaduais. O capitalismo brasileiro não sairá o mesmo depois de todos os desdobramentos do caso Master. Assim que surgiu, Fernando Haddad chamou a atenção que o caso Master seria o maior escândalo de todos. Não deu outra. Quanto mais se desdobram as revelações do caso, mais se confirma a previsão. Entre tantos escândalos, este vai se revelando o maior.

Mesmo quando os seus desdobramentos ainda não terminaram. Falta, pelo menos, investigar os governadores – entre eles, os do Rio de Janeiro, de Minas e de Brasília – que colocaram recursos públicos em um banco que, apesar das aparências – a começar pelo majestoso edifício –, tinha todas as indicações de ser uma instituição fajuta.

Como governadores de estado colocam os recursos públicos, arrecadados dos impostos das pessoas, em bancos sem nenhuma credibilidade? Por que não colocar em bancos públicos, como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica? Ou em bancos privados com credibilidade, como o Itaú ou o Bradesco?

O que os levou a essa opção? Quem pagará pelos danos causados ao patrimônio público por essa estranha opção? Não é o primeiro escândalo dessa ordem e provavelmente não será o último. Os vínculos estranhos de governos estaduais com instituições como essa são intrínsecos à burguesia brasileira e a seus governos.

O capital financeiro, na sua modalidade especulativa, é predominante ainda na economia brasileira. Valendo-se das taxas de juros altas, o capital financeiro – não aquele que financia a produção, o consumo, a pesquisa, mas o que vive da especulação financeira – se reproduz mecanicamente. A promiscuidade entre os interesses dos distintos setores do capitalismo com a especulação financeira é estrutural na etapa atual do capitalismo. Um ciclo profundamente estruturado em torno do capital financeiro, gerando um processo de acumulação, um ciclo longo de caráter especulativo, que não gera nem produção, nem crescimento econômico, menos ainda empregos.

O Master, por mais gigantesca que seja sua proporção, é apenas a ponta iceberg do escândalo que significa uma economia fundada no capital especulativo. Os escândalos estão apenas no começo. Estão apenas chegando em governos estaduais. O capitalismo brasileiro não sairá o mesmo depois de todos os desdobramentos do caso Master. A própria campanha eleitoral vai estar penetrada pelas tantas dimensões desse escândalo. O caso vai se prolongar ainda por muito tempo, mesmo com as dificuldades de compreensão para grande parte da população.

Mas já nos damos conta das suas dimensões e das suas consequências. Estamos apenas no começo do maior escândalo em um capitalismo tão cheio de escândalos, como afirmou Fernando Haddad. 

Autor: Emir Sader – Publicado na Revista Forum. 

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