16 de janeiro de 2016

Sofrimento sem fim da população de Bauru!

Nós somos aquilo que fazemos repetidamente.
Excelência, então, não é um modo de agir,
mas um hábito. Aristóteles

Estamos vivendo em Bauru uma situação que retrata a maioria das administrações públicas deste país. Em 2014 uma estiagem tomou conta do cenário em boa parte do Sudeste. Uma seca sem igual derrubou os reservatórios até o volume morto em muitos casos. Naquela ocasião a Prefeitura de Bauru pediu à população que economizasse água.
Assim a maioria consciente e inteligente da população agiu, começou a reutilizar água, não lavaram calçadas e carros e mudaram seu modo de encarar o consumo do líquido tão precioso para todos nós neste planeta. O consumo caiu durante o período e se mantém estável até os dias atuais.
Durante a estiagem nenhuma obra importante foi realizada pela Prefeitura, assim como pela maioria das administrações públicas municipais espalhadas pelo país. Não houve replantio de mudas nas margens dos reservatórios, nem limpeza efetiva das áreas ao redor dos rios e suas nascentes.
Na área urbana não houve limpeza dos bueiros, nem obras para contenção caso a chuva tornasse a cair na cidade sem limites. Praticamente nada foi feito, mas para não ser tão rigoroso, uma coisa foi feita pelo DAE e teve aval da Prefeitura – A conta de água subiu 35%.
Em 2015 as chuvas voltaram a cair com boa intensidade e neste começo de 2016 despencaram sobre o Sudeste, e, Bauru e região não ficaram de fora, recebendo um volume altíssimo de água.
Pois agora diante das chuvas a Prefeitura pede colaboração e economia de água aos contribuintes por que permitiu que as águas barrentas das chuvas entrassem na Estação de Captação de Água do Rio Batalha, que abastece a maior parte da cidade. Naturalmente as quatro bombas ficaram inoperantes comprometendo o sistema de captação e distribuição de água.
O comandante do Titanic não viu que seu navio navegava rápido demais, ao contrário, alertado sobre a velocidade, deu as costas e não viu quando um enorme Iceberg destruiu o navio em sua primeira viagem matando milhares de pessoas. Nas prefeituras muitas vezes temos prefeitos que administram nossas cidades como o Comandante do Titanic Edward John Smith.
Não há planejamento, com isso se ocorre estiagem ou se chove em excesso tanto faz, os moradores vão pagar caro do mesmo jeito. Aquele local que abriga a Estação de Captação de Água jamais poderia ser inundado.
Quando o Brasil construiu através da Cesp e demais empresas geradoras de energia na década de ‘60 e ‘70 as grandes usinas hidrelétricas, seus engenheiros as idealizaram com previsão para que a concretagem e as estruturas suportassem uma chuva decamilenar ou em termos práticos, uma chuva que só ocorre a cada 10.000 anos.
O resto são desculpas esfarrapadas de maus gestores e a velha estória de pedir sacrifícios para quem já paga uma conta alta e muitas vezes não recebe nem pelo que está pagando.
O poder público municipal somente demonstra capacidade quando se trata de enviar carnes de IPTU para o cidadão que mora em sua cidade. Para atingir este objetivo contam até com o serviço de levantamentos feitos por aerofotogrametria.  
No restante, deixam a água entrar e o circo pegar fogo. Nem nos anos que ocorrem eleições eles se preocupam em agir de forma mais profissional. Ao povo sobra o sacrifício e o pagamento de uma conta elevada e injusta. 

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