Não há
poder político que possa manter incólume uma figura com a ficha de Alcolumbre.
Que o STF, a PGR e a PF cumpram seu dever. O país
vive de humilhação em humilhação. Poucas tem o condão de desmoralizar mais
ainda a autoestima nacional do que o poder político de Davi Alcolumbre,
presidente do Senado.
É
inacreditável que o brucutu, sem limites, sem noção de qualquer
institucionalidade, pode se arvorar no poder de indicar Ministro do Supremo
Tribunal Federal ou de propor pautas bombas. Vamos a
um pequeno histórico político do nosso Reizinho, o político que sequestrou o
país:
1. A
super rachadinha de RF$ 2 milhões
Segundo
uma reportagem da Veja, seis mulheres foram contratadas no gabinete de
Alcolumbre como assessoras, com salários entre R$ 4 mil e R$ 14 mil, mas
receberam apenas pequena fração, cedendo os cartões e senhas bancárias a
pessoas de confiança. A matéria aponta que o esquema teria durado cerca de
cinco anos. As beneficiárias afirmam nunca ter trabalhado de fato e recebiam
simbólica “ajuda de custo” — enquanto o restante era sacado pelo gabinete.
Parte do
suposto esquema coincidiu com a ocupação da presidência do Congresso por ele —
quando exercia grande influência institucional. Ele nega envolvimento
pessoal, afirma ser vítima de “campanha difamatória” e diz que contratações
eram responsabilidade de seu então chefe de gabinete. Algumas
ex-assessoras entraram com ações judiciais pedindo indenização, pagamento de
direitos, verbas rescisórias etc. (detalhe citado na reportagem de 2021).
2. As
emendas e as suspeitas de contrabando
1. O
Programa Mais Visão e as Emendas Parlamentares – Entre 2023 e 2024, Alcolumbre
destinou R$ 15 milhões em emendas parlamentares para a Secretaria de Saúde do
Amapá, que contratou empresas para executar o Programa Mais Visão. A própria
empresa Saúde Link afirma em seu site que o Programa teve início em 2021 com a
iniciativa do senador Davi Alcolumbre em parceria com o Governo do Estado do
Amapá.
2. A
Tragédia Sanitária – Em 4 de setembro de 2023, durante um mutirão de cirurgias
de catarata, 104 dos 141 pacientes operados contraíram endoftalmite, uma grave
infecção ocular. Pelo menos 40 pacientes tiveram complicações graves, como
olhos perfurados, com indicação de transplante de córnea. Alguns casos
resultaram na perda irreversível da visão e até na remoção do globo ocular. O
fungo Fusarium foi identificado como causador da infecção, e o programa foi
suspenso em 6 de outubro de 2023. O Ministério Público do Amapá recomendou a
suspensão do termo de fomento com o Centro Capuchinhos, destacando que o espaço
físico não possuía condições sanitárias nem licenças para funcionamento.
3. A
Aeronave PR-MGD e a Apreensão por Contrabando – Em 22 de julho de 2022, um
jatinho da Saúde Link, modelo Hawker Beechcraft 400A com prefixo PR-MGD, foi
apreendido pela Polícia Federal em Ponta Porã (MS) na fronteira com o Paraguai.
A ocorrência registrou apreensão de mercadoria de origem estrangeira no valor
estimado de R$ 50 mil, além de R$ 30 mil em espécie e US$ 20 mil (cerca de R$
100 mil). O MPF propôs como pena o pagamento de 10 salários-mínimos (cerca de
R$ 13,2 mil) ao dono da empresa, Luciano André Goulart, que concordou e o
jatinho foi liberado.
4. Uso do
Jatinho e Investigação Eleitoral – Documentos da FAB mostram que uma aeronave
da Saúde Link (bimotor Raytheon BE58, prefixo PR-BDC) pousou em 16 de agosto de
2022 no Hangar Comandante Salomão Alcolumbre, aeródromo da família do senador
na zona rural de Macapá, retornando no dia seguinte. A aeronave apreendida em
julho (PR-MGD) foi a mesma registrada pela FAB em Macapá um mês depois, em
agosto de 2022, durante a campanha de reeleição de Alcolumbre. O TRE-AP
investiga se o senador usou jatos particulares da Saúde Link para deslocamentos
entre Brasília e o Amapá durante a campanha eleitoral de 2022. Segundo o
processo, há pedido de cassação do mandato do senador.
5.
Desdobramentos Processuais – A empresa Saúde Link informou à Justiça que não
possui lista de passageiros das aeronaves no período investigado, argumentando
que aviões particulares não estão sujeitos a requisitos de documentação e
registro de passageiros da Anac. A defesa de Alcolumbre argumenta falta de
provas. O MPF apura possíveis atos de improbidade administrativa em relação ao
programa Mais Visão, em procedimento sigiloso que segue em curso.
Informações
extraoficiais dão conta de que o verdadeiro proprietário do avião seria o
próprio Alcolumbre. Em suas viagens políticas, um dos passageiros preferenciais
era o senador Randolphe Rodrigues, principal articulador de sua candidatura à
presidência do Senado, nos tempos em que trabalhava pela Lava Jato. Atualmente
é líder do PT.
O caso
expõe uma teia de relações entre:
• Emendas
parlamentares bilionárias direcionadas a programas de saúde
• Uma
empresa privada (Saúde Link) beneficiada por essas verbas
• Uma
tragédia sanitária com mais de 100 vítimas
• Uso de
aeronaves da empresa pelo parlamentar que direcionou os recursos
•
Atividades ilícitas envolvendo a mesma aeronave (contrabando). As investigações
seguem em andamento tanto na esfera da improbidade administrativa (MPF) quanto
na esfera eleitoral (TRE-AP), enquanto Alcolumbre assumiu a presidência do
Senado Federal, tornando-se uma das figuras políticas mais poderosas do país.
3. A
família Alcolumbre e o histórico de grilarem de terras
A família
se estabeleceu no Amapá há cerca de 130 anos — ou seja, ao longo de várias
gerações já se enraizou profundamente na região.
Os
Alcolumbre teriam sido dos primeiros a substituir o sistema de trocas por
comércio mercantil, na época da borracha. Com o tempo, diversificaram: postos
de combustíveis, comércio, mídia e posse de terras figuram entre os seus
ativos.
Um dos
episódios mais graves atribuídos à família data de 1981: segundo relatório da
Polícia Federal citado num dossiê recente, dois membros da família (irmãos
chamados Salomão Alcolumbre e Alberto Alcolumbre) teriam figurado entre
suspeitos de comandar um esquema de contrabando de minérios (ouro e outros
metais) no então Território Federal do Amapá — transportando ilegalmente
minérios em escala, por aviões particulares, para portos e capitais sem
fiscalização.
A
grilagem de terras públicas é outra mancha. A família chegou a declarar à
Justiça Eleitoral a posse de áreas pertencentes à União — em especial terras da
reserva do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), que
deveriam ser destinadas a assentamentos de camponeses. Um primo de Davi,
“Salomãozinho”, foi candidato a suplente ao Senado em 2014 e declarou como bens
essas áreas.
Essas
propriedades foram alvo de embargo ambiental: uma área de 108 hectares —
conhecida como “Fazenda São Miguel” — foi embargada a partir de 2016 por ordem
do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama), por devastação de vegetação nativa. A família teria criado um rebanho
de búfalos na área e construído benfeitorias, apesar de o local compor área
pública, o que agrava a acusação.
As multas
ambientais acumuladas pelos Alcolumbre superam R$ 1 milhão — sinal de múltiplas
infrações ambientais registradas ao longo de anos.
4. Os R$
500 mil do irmão de Alcolumbre
Três anos
atrás, a Polícia Militar de São Paulo parou um carro e encontrou nele R$ 500
mil. O carro pertencia ao irmão de Alcolumbre.
Conclusão
Está em
pleno curso a disputa entre a institucionalidade brasileira e o crime
organizado. É uma batalha feroz, onde está em jogo o próprio futuro do país,
como Nação.
Não há
poder político que possa manter incólume uma figura com a ficha de Alcolumbre.
O país espera que o Supremo, a Procuradoria Geral da República e a Polícia
Federal cumpram com suas responsabilidades.
Autor:
Luis Nassif – Publicado no Site GGN.