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17 de outubro de 2013

O Humor no Trabalho - A ambulância


O livro O Humor no Trabalho contém histórias engraçadas que ajudaram a manter um ambiente saudável, produtivo e com pessoas felizes e motivadas! Algumas destas passagens estão retratadas no livro que lancei em Fevereiro/13 em Bauru e São Paulo e que estão à venda nas livrarias de Bauru e nos Sites das Livrarias:

Publicarei em meu Blog algumas histórias para divulgar o livro que retrata a importância do ambiente saudável, com humor e respeito.

A AMBULÂNCIA

A nossa garagem não podia receber um veículo novo que logo a turma começava a bolar um ataque ao descuidado. Para isso não havia pressa, nem precipitação, a brincadeira sempre saia no tempo certo. Em parte se aproveitávamos do fato do novo dono de veículo zero km estar eufórico e distraído.


O nosso companheiro de equipe Luiz havia adquirido uma perua Caravan, até aí nada demais, exceto pela cor do veículo, era branco tipo ambulância. Um convite à malvadeza e a criatividade da turma, que logo começou a pensar o que fazer com aquela preciosidade que frequentava a garagem todos os dias da semana.


Foi numa bela sexta feira que a operação ambulância se concretizou finalmente. Luiz estacionou seu carro na volta do almoço, e a essa altura não imaginava que o pessoal pudesse mexer com seu veículo.


Foi trabalhar tranquilamente e deixou seu carro estacionado numa posição que favoreceu a execução da brincadeira.


Foi corretamente colocado na porta do passageiro um logotipo usado na gestão do ex-governador Paulo Maluf, com os seguintes dizeres: AMBULÂNCIA DOADA NO GOVERNO PAULO MALUF, devidamente colocada dentro do mapa estilizado do estado de São Paulo em vermelho. Que era uma marca da propaganda do ex-governador e por isso muito visada pela população que não gostava de propagandas de políticos em benefício próprio.


Às 18h00min Luiz deixa a garagem rumo à zona norte da capital paulistana, indo em direção ao bairro de Santana, onde residia com sua imensa família. Ao atravessar a cidade Luiz foi percebendo que os motoristas olhavam com espanto e certa curiosidade para seu veículo. No primeiro momento chegou a achar que estava abafando com seu novo carrão pela cidade, até que a ficha caiu e ele percebeu que o pior poderia ter acontecido.


Com alguma resistência desceu do carro e foi até o lado do passageiro verificar o que estava ocorrendo, e confirmou o que já imaginava aquela altura, havia sido logrado pelos seus próprios companheiros. Não arrancou o adesivo até chegar a casa, onde pode mostrar a obra para sua esposa e seus seis filhos.



Existem duas Justiças no Brasil!

“Grandes almas sempre encontraram
forte oposição de mentes medíocres.”
Albert Einstein

O Brasil é regido pela Constituição Federal de 1988, embora muitas de suas leis representem avanço no campo jurídico e social, a maior parte delas (1/3) sequer foi regulamentada. Além dela temos milhares de leis que nos guiam no campo prático da vida em sociedade. Regendo o direito civil, penal, comercial, ambiental, etc.

Entretanto, o país é dividido por uma linha tênue como se fosse à linha do Equador, cortando horizontalmente o país em duas extremidades distintas do ponto de vista do direito.

A parte de cima é aquela que tem acesso aos melhores profissionais que o Direito pôde formar ao longo de muitos anos de comprovada e ilibada experiência. São advogados renomados, alguns com experiência internacional, outros com notória carreira vitoriosa dentro do país. Eles custam caro, seus custos não são pequenos, porém, valem cada minuto com eles pelo retorno que conseguem para os que os procuram.

Geralmente eles atuam nas grandes Capitais, mas sem exceções conhecem cada meandro da Corte Federal, cada centímetro quadrado do STF, dos cartórios federais, dos órgãos que atuam no DF. São na verdade experts em resolver desde um problema simples até a mais complicada situação que seus clientes possam estar envolvidos.

A parte de baixo onde está o conjunto da sociedade que trabalha, paga impostos, aposenta-se pelo INSS, não tem recursos para bancar os advogados citados na parte de cima, por isso usam o que está ao alcance de suas contas bancárias, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Acompanham seus processos até a segunda instância, depois, assim como seus causídicos, não podem custear viagens para acompanhar ou defender suas teses na chamada terceira e última instância do direito nacional. Ficam sabendo pela internet ou pelo advogado o resultado final após muitos anos de espera.

Além da dificuldade financeira, outro grande obstáculo para o cidadão comum é que existem alguns paredões intransponíveis a sua frente quando move um processo. Por exemplo:

Ø Mover um processo contra o Estado é sinônimo de dor de cabeça, lentidão e mais de dez a vinte anos esperando o resultado. Mesmo assim, o Estado costuma usar de dois artifícios terríveis. Um deles é desqualificar a opção utilizada pelo processante, por exemplo, se o processo é trabalhista, o Estado alega que aquele processo deve ser apreciado pela justiça comum, civil, etc. O outro recurso utilizado é quando o processo trata de precatórios, o Estado simplesmente não paga e descumpre a lei frontalmente. Se o Estado não respeita as Leis, como exigir que o cidadão comum o faça?

Ø Um processo movido contra o Estado é julgado na primeira instância, caso o requerente ganhe, o Estado entra com recurso. O julgamento vai então para a segunda instância e demora em média de um a dois anos, se o cidadão ganha a causa, o Estado novamente entra com recurso e o processo vai para Brasília. Mesmo vencendo no Supremo, o cidadão tem de esperar a possibilidade de embargos declaratórios, recursos de várias naturezas e muitas vezes morrem sem receber o que lhes é de direito.

Nossa justiça tem armadilhas, meandros intransponíveis e muitos labirintos que favorecem os mais abastados, os políticos, empresários ligados a eles e uma casta que domina nosso país. O povo tem apenas a falsa percepção de que vive num país democrático e livre, porém quando tenta usar os mecanismos a sua disposição percebe que eles não foram feitos para toda sociedade brasileira.

16 de outubro de 2013

Valorizar o Professor, a lição que nunca fizemos!

Começo minha coluna no UOL na ocasião do Dia do Professor, 15 de outubro. Não há dúvida de que é o momento mais oportuno para iniciar qualquer trabalho na área de educação. As pesquisas nacionais e internacionais e as experiências bem-sucedidas de sistemas educacionais ao redor do mundo e no Brasil mostram que a qualidade da educação é, em grande medida, resultado da valorização social do professor. E no caso brasileiro é ocioso dizer que vamos mal.

Embora as diversas iniciativas e o consenso sobre sua centralidade, o que impede a valorização docente? Em grande medida, o entrave é orçamentário. O Brasil conta com mais de 2 milhões de educadores sub-remunerados atuando na educação básica. Recentemente, os 27 governadores entregaram ao Governo Federal uma nova fórmula de cálculo para reajuste do piso salarial nacional do magistério, que atualmente é de R$ 1.567. Segundo a proposta dos governantes estaduais, o piso passaria a ter valorização real, acima da inflação, na ordem de 0,5% a 2%. Já proposta elaborada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, pela CNTE e pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação) geraria uma valorização real de 2,5% a 4%.

A questão é mais complexa do que parece. Em lugar dos governadores se submeterem ao Palácio do Planalto, pedindo apoio à sua proposta, deveriam exigir que o Governo Federal cumprisse com o disposto no primeiro parágrafo do artigo 211 da Constituição Federal: cabe a União colaborar técnica e financeiramente com Estados, Distrito Federal e municípios para o alcance de um padrão mínimo de qualidade. Não há dúvida de que o piso do magistério compõe esse mínimo denominador comum, a qual nenhum educador deve receber menos.

Colaborei com nota técnica recente elaborada pela Fineduca (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação). Nela, o professor José Marcelino de Rezende Pinto (USP/Ribeirão Preto), a partir do estudo do CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial), mostra que faltam R$ 46,410 bilhões para a universalização plena do piso do magistério e a consagração de uma política de carreira em todo o país, além de um padrão mínimo de qualidade a partir de insumos. Contudo, esse é o cálculo para as matrículas atuais. Ainda temos mais de 3,7 milhões de crianças e adolescentes fora da escola, quase 14 milhões de analfabetos e precisamos de mais 3,4 milhões de vagas em creches para matricular apenas metade das crianças de 0 a 3 anos.

Claro que governadores e prefeitos precisam fazer sua parte e não devem se eximir de suas responsabilidades, esperando que o Palácio do Planalto cumpra com sua obrigação constitucional. Mas é fato que a federação brasileira é injusta e desigual. Segundo dados de 2010 do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, a União retém 57,1% dos recursos disponíveis arrecadados, sobrando 24,6% para os 26 Estados e para o Distrito Federal e apenas 18,3% para os mais de 5.565 municípios. No entanto, conforme informações de 2009 do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), último ano em que foi feita essa comparação, a cada R$ 1,00 público investidos em educação, Estados e o Distrito Federal despenderam R$ 0,41, os municípios investiram R$ 0,39 e a União colaborou com só R$ 0,20. Portanto, o Governo Federal arrecada bastante, mas contribui muito pouco com a educação, especialmente com a educação básica - e o mesmo ocorre com a política de saúde!

O salário e a carreira são pressupostos para uma efetiva valorização docente, mas não encerram a questão. A professora Magda Soares (UFMG), no encontro do Grupo de Trabalho de Alfabetização da Anped (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação), defendeu que não basta o Brasil pensar políticas de formação continuada. É preferível trabalhar com a perspectiva de desenvolvimento profissional.

Hoje muitas políticas de formação continuada, ao não dialogarem com a realidade das escolas, com a categoria e com os pesquisadores da área, têm partido do pressuposto de que o professor não sabe. Ele teve uma formação inicial frágil, inadequada, pouco orientada aos desafios de sala de aula. E isso precisa ser corrigido. Nesse contexto, as políticas de formação continuada também não funcionam, pois têm sido implementadas como formação "descontinuada", ou seja, por meio de ações dispersas, às vezes repetitivas. Tratar o professor como um profissional desprovido de conhecimento não colabora para seu aperfeiçoamento. Ou seja, é preciso compreendê-lo como um profissional, que deve construir uma trajetória crescente de desenvolvimento de sua profissão, aproveitando seus saberes e estimulando-o a adquirir outros, por meio da reflexão sobre sua prática.

Enfim, para universalizar o direito à educação pública de qualidade, o Brasil precisa fazer o básico: tratar o professor como um profissional, respeitando-o como um profissional e, a partir daí, exigindo dele o que se exige de um profissional. Soluções baseadas na descoberta de variáveis mágicas, falsamente determinantes para a qualidade da educação, continuarão a afastar o Brasil do caminho racional e concreto: é preciso encarar com seriedade e honestidade a valorização dos profissionais da educação.

Texto de Daniel Cara publicado no Site UOL em 15/10/2013.

11 de outubro de 2013

Leitura com os ouvidos


Imagine a cena: você chega em casa depois de um dia cansativo, toma um banho e tudo o que você mais quer é se enfiar embaixo das cobertas e terminar aquele livro. Ou então: você está na sala de espera do médico e aproveita para continuar a ler seu livro que trouxe na bolsa. Essas são atividades comuns e que chegam a ser banais, mas que para muita gente não é uma possibilidade. E se você não pudesse enxergar, como leria sua história favorita? Logo do projeto (foto: divulgação)
O Biblioteca Falada, projeto de extensão da FAAC, tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento das aptidões de audioleitura e aquisição de conhecimentos para a inclusão social dos portadores de necessidades especiais visuais. Através da transformação de textos do impresso para o áudio, eles possibilitam que deficientes visuais possam ouvir diversos conteúdos literários, jornalísticos e até mesmo descrições de videoclipes e trailers.

Ouça a adaptação em áudio de alguns poemas retirados do livro Antologia Poética, de Vinícius de Moraes. 
https://soundcloud.com/bibliotecafalada/vinicius-de-moraes 

Aberto para todos os alunos, professores e funcionários da Unesp Bauru, o projeto hoje conta com cerca de 20 pessoas que participam de todas as etapas: desde a elaboração e adaptação de roteiros até a locução, edição e sonoplastia. “Dessa forma, os participantes conseguem ter uma visão geral e bastante prática da dinâmica de produção para as mídias sonoras, além de exercitarem a locução, a produção de áudio (construção de vinhetas, seleção e mixagem de trilhas), a montagem, entre outras atividades”, explica a Profª. Drª. Suely Maciel, coordenadora do Biblioteca Falada.

Os textos são escolhidos a partir das demandas e sugestões dos alunos do Lar Escola Santa Luzia para Cegos de Bauru. Hoje, o projeto atende cerca de 40 alunos do Lar, que recebem os áudios finalizados em CDs e DVDs, e também um público potencial estimado em 10 mil pessoas por mês que podem acessar a página do projeto na internet.

Ouça a locução das regras que compõem o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

A coordenadora Suely Maciel explica que “a proposta visa proporcionar o contato com a realidade de um grupo especial, que são os deficientes visuais, contribuindo para desenvolver no discente o senso crítico em relação aos problemas dos diferentes grupos sociais e o respeito por eles, calcado nas noções de cidadania e de direitos humanos”.


Se você se interessou e deseja participar do Biblioteca Falada, basta enviar um e-mail para suelymaciel@faac.unesp.br. O projeto receberá novos voluntários neste começo de semestre e eles já estarão inclusos na próxima vigência, que vai de janeiro a dezembro de 2014.

Por Marina Moia - Jornalista Graduada pela Unesp-Bauru - Via ACI/FAAC - Unesp Bauru

10 de outubro de 2013

Professor - Profissão quase sem esperança!

“Há os que lutam uma vez e são importantes.
Os que lutam muitas vezes e são fundamentais.
E há os que lutam sempre, esses são imprescindíveis”.
Brecht


Desde há muito tempo, creio que, pelo menos desde 1980, que os professores estão assistindo suas carreiras definharem nas mãos de governos incompetentes, corruptos e muitas vezes inescrupulosos no Brasil.

Não importa a esfera do poder público, seja municipal, estadual ou federal, o desprezo pela carreira e pela importância do Professor na vida do nosso país é absurdo.

Sempre que um governante vem a público divulgar um novo plano educacional ou de carreira profissional, carrega junto minha desconfiança, tendo em vista que professor e político não combinam. Parece que são dois elementos químicos da tabela periódica que são como certos átomos, extremamente reativos enquanto outros são praticamente inertes.

Claro que os Educadores são reativos e os políticos completamente inertes. Saímos do século XX, adentramos ao século XXI e os salários dos profissionais da educação continuam imorais, muito aquém da importância que merecem os Educadores.

Neste momento estão em greve professores de vários Estados e cidades brasileiras, em sua maioria brigando por melhores salários, condições dignas de trabalho, estrutura decente para poder lecionar e por um plano de carreira minimamente inteligente e condizente com a premissa que nada é mais importante numa nação do que o seu sistema educacional.

Eu uso como divisor de águas o ano de 1980, pois até esta época os professores ainda trabalhavam apenas lecionando em escolas públicas, onde tinham um salário digno e condições de ministrar aulas com paixão e capacidade técnica adquirida ao longo de muitos anos.

A partir deste momento começaram por exemplo em SP gestões como a de Paulo Maluf que trucidaram os professores e todos os profissionais envolvidos na Educação.

Entre 1983 e 1986, ao menos em SP, houve um período de muita discussão e reflexão sobre a educação com Franco Montoro. De lá para cá, decepções atrás de frustrações é o que assistimos nas gestões de governantes ineptos, que preferem gastar com publicidade, desperdício e corrupção do que com Educação.
O governo federal através da presidenta deveria aproveitar o momento de reivindicações e greves em todo país e junto com seu ministro da educação convocar os secretários estaduais desta pasta para juntos promoverem uma revolução na educação brasileira.

Mas para fazer isso seria preciso duas coisas que nossos governantes não possuem:

a) Vontade política;

b) Ter um PLANO para poder propor uma transformação nacional na educação.

Sendo assim, caminhamos para o dia em que não teremos mais profissionais dedicados a ensinar, pois com certeza estes terão perdido pelo caminho a esperança na profissão sagrada que deveria ter um piso nacional compatível a relevância de sua atividade para todos nós brasileiros.

8 de outubro de 2013

Homens de Bem

Você, leitor, é pessoa honesta e cumpridora. Trabalha. Paga as contas. É decente com a mulher e os filhos. Mas quando olha em volta, o cenário é selvagem. Os colegas usam e abusam da dissimulação e da mentira. Sem falar da corrupção de superiores hierárquicos ou de políticos nacionais, esse câncer que permite a muitos deles terem o carro, a casa, as férias, a vida que você nunca terá.

Para piorar as coisas, eles jamais serão punidos por suas viciosas condutas. A pergunta é inevitável: será que eu devo ser virtuoso? Será que eu devo educar os meus filhos para serem virtuosos? Essas perguntas foram formuladas por Gustavo Ioschpe em excelente texto para a "Veja". De que vale uma vida ética se isso pode representar, digamos uma "desvantagem competitiva"?

Boa pergunta. Clássica pergunta. Os gregos, que Ioschpe cita (e, de certa forma, rejeita), diziam que a prossecução do bem é condição necessária para uma vida feliz. Mas o que dizer de todas as criaturas que, praticando o mal, o fizeram de cabeça limpa por terem falsificado a sua própria consciência?

Apesar de tudo, Gustavo Ioschpe tenciona educar os filhos virtuosamente. Não por motivos religiosos, muito menos por temer as leis da sociedade. Mas porque assim dita a sua consciência. Um dia, quem sabe, talvez o Brasil acabe premiando essas virtudes. A resposta é boa por seu otimismo melancólico. Mas, com a devida vênia ao autor, gostaria de deixar dois conselhos para acalmar tantas angústias éticas. O primeiro conselho é para ele não jogar completamente fora as leis da sociedade na definição de boas condutas. Porque quando falamos de vidas éticas, falamos de duas dimensões distintas: uma dimensão pública, outra privada.

E, em termos públicos, acreditar que os homens podem ser anjos (para usar a célebre formulação do "Federalista") é o primeiro passo para uma sociedade de anarquia e violência. Na esfera pública, eu gostaria que os homens fossem anjos; mas, conhecendo bem a espécie, talvez o mínimo a exigir é que eles sejam punidos quando se revelam diabos.

Se preferirmos, não são os homens públicos que têm de ser virtuosos; são as leis que devem ser implacáveis quando os homens públicos são viciosos. Isso significa que a principal exigência ética na esfera pública não deve ser dirigida ao caráter dos homens --mas, antes, ao caráter das leis e à eficácia com que elas são aplicadas. No limite, é indiferente saber se os homens públicos são exemplos de retidão. O que importa saber é se a República o é.

Eis a primeira resposta para a pergunta fundamental de Gustavo Ioschpe: devemos educar os nossos filhos para a virtude? Afirmativo. Ninguém deseja para os filhos a punição exemplar das leis. E, como alguém dizia, é do temor das leis que nasce a conduta justa dos homens. Desde que, obviamente, as leis inspirem esse temor. E em privado? Devemos ser virtuosos quando nem todos seguem a mesma cartilha e até parecem lucrar com isso?

Também aqui, novo conselho: não é boa ideia jogar fora os gregos. Sobretudo Aristóteles, que tinha sobre a matéria uma posição sofisticada e, opinião pessoal, amplamente comprovada. Fato: não há uma relação imediata entre virtude e felicidade. Mas Aristóteles gostava pouco de resultados imediatos. O que conta na vida não são as vantagens que conseguimos no curto prazo. É, antes, o tipo de caráter que "floresce" (uma palavra cara a Aristóteles) no curso de uma vida.

E, para que esse caráter "floresça", as virtudes são como músculos que praticamos e desenvolvemos até ao ponto em que a "felicidade", na falta de melhor termo, se torna uma segunda natureza. Caráter é destino, diria Aristóteles. O que permite concluir, inversamente, que a falta de caráter tende a conduzir a um triste destino. Exceções, sempre haverá. Mas, aqui entre nós, confesso que ainda não conheci nenhuma. Não conheço maus-caracteres que tiveram grandes destinos.

Sim, leitor, não é fácil olhar em volta e ver como a mesquinhez alheia triunfa e passa impune. Mas não confunda o transitório com o essencial. E, sobretudo, nunca subestime a capacidade dos homens sem caráter para arruinarem suas próprias vidas. Educar os filhos para serem "homens de bem" é também ajudá-los a evitar essa ruína.

Texto do Escritor João Pereira Coutinho, publicado na Folha de SP em 08/10/2013. Ele é escritor português, doutor em Ciência Política. Colunista do Correio da Manhã de Portugal. Seus artigos estão reunidos no livro “Avenida Paulista”.

3 de outubro de 2013

Chegará o dia em que a Justiça mandará soltar todos os condenados!

“O juiz é condenado quando
o criminoso é absolvido"
P. Ciro

A discussão dos embargos infringentes do STF em relação aos denunciados e condenados no processo conhecido como Mensalão, trouxe à tona discussão sobre a exagerada possibilidade de recursos existentes na mais lata corte da nossa justiça para criminosos do colarinho branco principalmente. Aqueles que raramente são presos, mais raramente ainda cumprem prisão e possuem os mais caros advogados do país.

No andar de baixo da sociedade, proliferam os casos de criminosos que também estão sendo beneficiados com uma série infindável de benesses que possibilitam não serem presos preventivamente, aguardarem seus julgamentos em liberdade, após condenados continuarem em liberdade até que o último recurso seja julgado.

Isso tudo num país que tem um dos sistemas mais lentos do planeta, Onde processos se acumulam de forma absurda por mais de dez a vinte anos, aguardando julgamento, ou apodrecendo entre ácaros e percevejos que de tanto se alimentarem do papel destes processos são pós-graduados em direito.

Casos recentes denotam a total falta de interesse da Justiça em por fim a onda cada vez maior de criminalidade que assola nosso país. O caso do mensalão ganha manchetes, discussões acaloradas entre juristas, porém, a raia miúda continua sendo vítima da inércia do nosso sistema judiciário e sistema prisional.

O sistema prisional brasileiro existe apenas no eixo RJ-SP, com raríssimas exceções em alguns outros Estados que possuem uma ou outra unidade construída pelo governo federal e geralmente são de segurança máxima. Como o sistema tem um déficit imenso, a justiça deliberadamente ou não, coloca tudo que pode da escória criminosa nas ruas para aguardar julgamento ou até para cumprir penas, evitando que centros provisórios fiquem abarrotados. Circulo vicioso que prejudica apenas o povo que recolhe pesados tributos ao país.

Diariamente assistimos nos noticiários as informações de quadrilhas presas pelo país em operações das policias civil, militar e federal. No dia seguinte no mesmo horário ficamos sabendo que a justiça soltou os acusados mediante Habeas Corpus ou artifícios disponíveis nas nossas leis

Deixa-nos a impressão que a justiça não tem interesse em manter presos os meliantes, talvez porque como tudo no país, o sistema prisional é falho, omisso, deficitário e não recebe dos governos em todas as suas instâncias quaisquer investimentos para a melhoria desta situação caótica.

Chegará o tempo que teremos mais criminosos nas ruas do que gente de bem. Ou ainda, quem sabe a sociedade seja obrigada a ver o tempo em que no Brasil a justiça dará tantos benefícios que não irá mais prender criminosos, deixando-os soltos na rua. O escritor Saramago talvez denominasse isso de Ensaio sobre a Cegueira da Justiça.

Mau uso dos impostos, omissão, vagabundagem dos nossos governantes e políticos que não se preocupam com a criminalidade e se bobear ainda convivem com ela harmoniosamente trocando figurinhas sobre embargos infringentes e habeas corpus.

27 de setembro de 2013

Estradas - Incompetência e omissão do Governo Federal de Sarney à Temer!

Coincidências são as fontes de algumas
de nossas maiores irracionalidades.
Um cientista cognitivo do MIT

Estimativas apontam que no Brasil circulam em estradas estaduais e rodovias federais aproximadamente 18 milhões de veículos, sendo que deste total 60% utilizam para o transporte de cargas, ficando o retante divididos entre automóveis e ônibus de passageiros.

Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infra Estrutura de Transportes), ligado ao Ministério dos Transportes o país possui cerca de 1,7 milhões de quilômetros de estradas, porém, somente 13% são pavimentadas, equivalente a 221.000 quilômetros.

Considerando esse número, 57.211 quilômetros são de estradas federais; 94.753 de estaduais; e 20.914 de municipais. A maioria das estradas pavimentadas possui mais de dez anos sem reformas.

Em diferentes regiões do Brasil, as condições de conservação, pavimentação e sinalização das rodovias é irregular ou deficiente. Alguns trechos apresentaram melhoras, referente a 5,5 mil quilômetros privatizados.

Entre os anos 2011 e 2012, o Ministério dos Transportes e o DNIT estiveram sob o alvo de suspeitas de corrupção, gerando demissões e deixando os nossos motoristas e pedestres utilizando estradas em péssimas condições.

As más condições de nossas rodovias compromete a expansão econômica do Brasil, tornando mais caro e mais inseguro o transporte de mercadorias para o consumo interno e externo, diminuindo a capacidade concorrencial do Brasil e a qualidade de seus serviços logísticos. A safra agrícola sofre em demasia com a perda de grãos, demora na chegada aos portos e acidentes.

O setor privado indica que, além da ausência de pavimentação, a falta de manutenção tem sido outro preocupante problema. Segundo estudos do instituto Ilos, seriam necessário 64,7 bilhões de reais para projetos de recuperação e de 747 bilhões para a pavimentação de estradas já existentes.

Na história do Brasil, a primeira estrada foi pavimentada em 1950, a Rodovia Presidente Dutra. Em outros países, a pavimentação foi iniciada ainda no século XIX. As principais reclamações dos motoristas são os buracos (que prejudicam pneus e peças dos veículos), ausência ou falha nas sinalizações, ausência de fiscalização, segurança e orientação.

Dentro do governo federal, o Ministério dos Transportes se justifica pelos crescentes investimentos realizados no sistema rodoviário, as verbas têm aumentado anualmente. Em 2010, o governo investiu R$ 11 bilhões no setor. Até junho de 2012, foram aplicados R$ 4,4 bilhões, e a previsão é que mais R$ 13 bilhões sejam gastos.

Mas na verdade a burocracia aliada à incompetência estatal federal e estadual consome bilhões por quilômetros sem contar a corrupção nas licitações quando estas vencem a barreira da inércia governamental. Muitas vezes o dinheiro aplicado se perde em serviços não realizados por empreiteiras piores que os contratantes. A fiscalização do governo simplesmente inexiste.

Não há seriedade, nem visão, muito menos preocupação para com a safra agrícola, transporte de passageiros e demais tipos de cargas que se mantém graças à cobrança de fretes milionários.

Nem Sarney, nem Fernando Collor, nem FHC, Lula, nem Dilma e muito menos Temer conseguiram investir na recuperação, duplicação e manutenção do nosso sistema rodoviário. Leilões não conseguem chegar a bom termo, licitações são canceladas antes de chegar ao final do processo.

Somados temos mais de 35 anos perdidos que poderiam ter transformados o Brasil num gigante da logística. Unindo nossa gente, facilitando o desenvolvimento de polos regionais, aumentando receitas dos produtores agrícolas, contribuindo para o desperdício de tempo e recursos privados e públicos. Mas ao contrário, temos uma situação caótica, por conta destes governantes medíocres, incompetentes e venais.


Fontes:

24 de setembro de 2013

Um prefeito brasileiro na ONU!

A vaidade é o caminho mais curto para
o paraíso da satisfação, porém ela é,
ao mesmo tempo, o solo onde a
burrice melhor se desenvolve.
Augusto Cury

Fico curioso e ao mesmo tempo apreensivo para saber e entender o porquê das viagens de autoridades brasileiras a ONU – Organização das Nações Unidas. No último mês de setembro o prefeito da cidade de Bauru esteve naquele órgão para participar de um evento. A escolha talvez seja porque ele é vice-presidente da associação de prefeitos do país, não por ter realizado em seis anos de gestão algo significativo para ser levado a ONU.

O prefeito representou todos os prefeitos do país na assembleia do Global Compact Leaders Summit 2013 – Arquitetos de um mundo melhor. Por que não levar arquitetos renomados, engajados para discutir assuntos relacionados à sustentabilidade? Prefeitos? Sim, concordo, no resto do mundo eles são importantes, deve ser por isso, talvez, mas no Brasil, apenas representam alto custo e retorno quase zero.

Fico pensando sobre as experiências que nosso prefeito levou ao encontro de governantes de outros países. Penso muito e não encontro nenhuma que me possa encher de orgulho caso ele tenha explanado a plateia presente.

Ao contrário sei o que ele vai omitir dos presentes. Como por exemplo:

1. Viaduto inacabado com custo progressivo;
2. Mais de seis mil casos de Dengue;
3. Leishmaniose;
4. Obras paradas para construção da Estação de Tratamento de Esgoto, mesmo com recursos disponíveis;
5. Transporte público caro e ineficiente;
6. Saúde pública que já matou cerca de seiscentas pessoas em cinco anos;
7. Descumprimento de promessas de campanhas como por exemplo à construção de uma ou mais pistas de skate para jovens da cidade;
8. Reforma de avenidas de grande fluxo de trânsito como Rodrigues Alves por exemplo;
9. Definição de um Plano de criação de alternativas viárias para atender o forte crescimento da expansão imobiliária;
10. Ausência de Planejamento para atender o crescimento urbano, como, por exemplo, a questão da destinação do lixo orgânico e reciclável.

São apenas dez questões para não alongar demais, pois os prefeitos brasileiros e o bauruense não fogem à regra, centralizam poder, dividem cargos e comissões com pessoas de partidos e não tecnicamente qualificadas como deveria ser em qualquer gestão pública. 

Que prefeito brasileiro poderia falar sobre os seguintes temas sem receio de estar mentindo: a) Mobilidade Urbana? b) Licitações de grandes obras realizadas sem resquício algum de improbidade ou quaisquer suspeitas em seu processo? c) Saúde e Educação de Qualidade? d) Planejamento Viário? e) Saneamento Básico e Tratamento de água e esgoto? f) Gestão moderna, transparente e eficaz?

Eles não pensam a cidade, não discutem com a sociedade aquilo que tanto interessa a elas como a criação de novos empreendimentos imobiliários, plano diretor, projetos de novas obras e enfim o planejamento do que é essencial ao cidadão. Sendo assim, a viagem a ONU será com certeza a passeio, nada mais.

Exceto se nosso prefeito tiver humildade para aprender com experiências bem sucedidas de outros prefeitos ao redor do mundo, onde a honestidade e o trabalho pelo bem comum são regras e não exceção como no Brasil.

Comunicação - Das conversas às Redes Sociais!

Mais do que máquinas precisamos de humanidade. 
Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdido.
Charles Chaplin


O primeiro serviço organizado de difusão de documentos escritos que se tem notícia remonta há 2400 anos antes de Cristo, tendo surgido no Antigo Egito, quando os faraós usavam mensageiros para a difusão de decretos em todo o território do Estado.


Os Correios tiveram sua origem no Brasil a 25 de janeiro de 1663. Em 1931 o decreto 20.859, de 26 de dezembro de 1931 funde a Diretoria Geral dos Correios com a Repartição Geral dos Telégrafos e cria o Departamento dos Correios e Telégrafos.


A ECT foi criada a 20 de março de 1969, como empresa pública vinculada ao Ministério das Comunicações mediante a transformação da Autarquia Federal que era, então, Departamento de Correios e Telégrafos (DCT).


Esta introdução procura situar no tempo e no espaço o período que vivemos nos comunicando através do contato pessoal, das boas e velhas conversas nas residências e muitas vezes nas varandas e nas calçadas, houve um tempo em que isso não representava perigo algum para o cidadão no Brasil.


Quando as pessoas estavam distantes usavam a caneta, o papel de carta ou de pão como diziam antigamente e escrevia-se tudo que vinha ao coração. Aplacava-se a saudade, falava-se de amor, contavam histórias, escreviam até receitas de bolos. Bons tempos, mas o tempo passava devagar naquela época da nossa tenra infância, assim ao menos imaginávamos inocentes.


Surgia então o telefone na vida de alguns brasileiros, poucos, é verdade, raros os vizinhos que o possuíam, mesmo assim, ainda mais raros eram os interlocutores, foi um processo lento e custoso até chegarmos ao estágio em que a maior parte possuía uma linha e um aparelho em suas casas.


Com certeza muitas pessoas passaram por este período sem ter possuído uma linha telefônica em casa, porém não será de estranhar que tenham hoje em dia dois aparelhos celulares a disposição. Coisas da modernidade, coisas do Brasil enfim, gigante eternamente adormecido, que raramente se impõe com a grandeza que dele se espera.


Aos poucos as cartas, cartões postais, cartões de Natal foram sendo deixados de lado, poucos usavam este meio para se comunicar. O telefone também foi deixando de ser o grande elo entre pessoas, famílias e começou a era da informática.


Primeiro de forma tímida e com alcance limitado devido ao preço e ao efeito do desconhecimento, inclusive de seu alcance futuro. Mas a revolução foi rápida nas vidas das pessoas, grande porte, mainframe, microcomputador, PC, e surge então a internet.


Com ela a possibilidade de substituir paulatinamente o telefone, enterrando momentaneamente o uso dos correios. Com a internet, surgem os e-mails, forma rápida e certeira de comunicação no Sec. XX e XXI. Quando pensávamos que aquilo seria duradouro, chegam às redes sociais, uma avalanche de informações e com o tempo os e-mail começam a ficar escondidos e raros.


Hoje percebo que muitos já começam a enjoar da utilização do Twitter, sendo que, muitos nem o utilizaram em tempo algum, preferindo o Facebook, Instagram ou ainda o Foursquare. Como será em 2020? 2030? Que novos meios serão inventados? Ou será que a sociedade moderna voltará a usar os meios antigos? Será que teremos mais avanços e menos pessoalidade e contatos?
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger e Gestor Público.

14 de setembro de 2013

Por que o carro elétrico está sem energia?

“Há duas coisas infinitas:
o Universo e a tolice dos homens.”
Albert Einstein


Desde o começo do século XX assistimos a evolução contínua da indústria automobilística em todo mundo. As indústrias de ponta se concentram no EUA, Europa e Ásia e destes locais surgem às novidades tecnológicas que encantam boa parte dos compradores espalhados pelo planeta.

No decorrer de minha vida, passei por duas ou três crises mundiais do petróleo. Barris alcançando preços exorbitantes, guerras pelo liquido precioso e cartéis desafiando o mundo industrializado.

Também vi alguns países como o Brasil e os EUA usarem o etanol e o metanol como combustíveis para parte de suas frotas veiculares. O Brasil utiliza o etanol em grande escala como combustível principal e também adicionado na proporção e 25% na composição da gasolina.

Nesses anos sempre vi de vez em quando notícias que logo desapareceram do ar como fumaça – Carro movido á água na França ou Carro elétrico testado na Europa. Mas assim como surgiam estas noticias sumiam das revistas, jornais ou até da internet.

Todos já sentiram os efeitos nocivos da poluição com a contaminação do ar que respiramos no planeta. Em especial nos grandes centros urbanos, onde o efeito é mais intenso e perigoso. Cidade do México, Santiago do Chile, São Paulo, Tóquio, Pequim, possuem sistemas de alerta emitidos quando o nível de poluição sobe acima do nivel normal.

Para resolver esta situação, que ameaça tornar-se uma calamidade mundial, já existiu uma solução... Em 1996, os primeiros carros elétricos de produção em série, os EV1 (Electric Vehicle 1), foram fabricados nos EUA pela General Motors, e circularam pelas ruas da Califórnia.

Eram carros rápidos: iam de 0 a 100 km/h, em menos de 9 segundos! E muito silenciosos. Não produziam nenhum tipo de poluição (nem sequer tinham escapamento). Eram facilmente recarregáveis com energia elétrica na garagem de casa.

Dez anos mais tarde estes carros do futuro desapareceram. Como isso foi possível?

è Em primeiro lugar, esses carros não podiam ser comprados, somente alugados.
è Os contratos de aluguel não foram, pura e simplesmente, renovados.
è A General Motors recuperou todos os EV1, apesar da oposição de seus usuários. A General Motors recuperou todos os EV1, e logo foram... DESTRUÍDOS…

Em 1997, a montadora japonesa Nissan apresentou seu modelo elétrico Hypermini no salão de Tóquio. A prefeitura da cidade de Pasadena (Califórnia) EUA) adaptou este carro como veículo profissional para seus empregados. Eram muito apreciados por sua facilidade de manobra e estacionamento como também pela eficiência para mover-se dentro da cidade.

Em agosto de 2006, expirou o contrato de aluguel dos carros entre a Prefeitura de Pasadena e a Nissan. O município tentou comprar os carros, porém a Nissan se negou. A Nissan recuperou todos os carros para então DESTRUÍ-LOS!

Em 2003, a Toyota decidiu interromper a produção do RAV4-EV. (EV=Veículo Elétrico). Este 4x4 elétrico, um produto de alto refinamento tecnológico, era muito apreciado por seus usuários desde 1997. O custo da carga era de $0.09 por quilowatt/hora, quer dizer, a carga completa do veículo custava $2.70. Em 2005, os contratos de aluguel dos veículos expiraram. A Toyota, imediatamente, apressou-se em recuperar todos estes automóveis a fim de... DESTRUÍ-LOS!

Porém, então, alguns cidadãos americanos começaram a organizar-se. A associação “Don’t Crush” foi criada para tentar salvar os RAV4 EV. Esta associação exerceu pressão sobre a Toyota durante 3 meses. Finalmente VITÓRIA! A Toyota recuou e autorizou aqueles que haviam alugado os carros, a comprá-los.

Todavia, a linha foi tirada de produção e a bateria NiMH EV-95 nunca mais voltou a ser produzida. Por quê? Em 2005 a fusão comercial Chevron-Texaco comprou as patentes da bateria por US$ 30 milhões e desmontou a fábrica. Curiosamente, enquanto os veículos elétricos são destruídos em massa, os de combustão são muito bem protegidos.

Em Junho de 2001, Jeffrey Luers de 23 anos, ativista americano pela defesa das florestas, teve uma triste experiência. Ele foi condenado a 22 anos e 8 meses de prisão por haver queimado 3 Hummer’s (carros americanos, iguais aos do exército que consomem muito combustível). Ele quis expressar, através deste gesto, a ameaça que representam estes monstros ultra contaminadores e consumidores para nosso planeta.

Os “lobbies” das grandes companhias petrolíferas não querem que os veículos elétricos sobrevivam e assim, vão fazendo guerras no Oriente Médio por causa do petróleo e matando pessoas em todo o mundo... Com a poluição dos combustíveis!

Porém, não existe somente a tecnologia do carro elétrico - A BMW tem um automóvel comercial à base de hidrogênio, há MAIS DE 10 ANOS! O ex-Governador da Califórnia, o famoso ator Arnold Schwarzenegger conduz um Hummer movido a hidrogênio!

No ano anterior foi apresentado ao público o Genepax, o primeiro e único carro que funciona com vapor de água. Sim, ouviu bem, este carro funciona unicamente com água! E isso não é tudo: a água que utiliza nem sequer deve ser filtrada de alguma forma e é capaz de correr uma hora a 80km/h com um litro de água.

Então… Como é possível que estes carros não estejam sendo promovidos em nível mundial? Estes autos deveriam estar substituindo os de combustão interna há muitos anos… O carro a hidrogênio tem como resíduo da combustão o vapor de água. Isto significa que é totalmente livre de contaminação! E utiliza como matéria prima para o combustível o AR , uma fonte gratuita. 
Imaginem vocês quanto valeria o barril de petróleo se ele não fosse usado para mover automóveis e caminhões? A demanda menor faria os preços baixarem muito… Vocês souberam que uma comissão do Congresso dos EUA concluiu que o preço do petróleo estaria a menos de $65 por barril (menos da metade do preço atual) se não fossem os especuladores? Entre os especuladores estão os grandes fundos de investimentos dos EUA e da Europa.

Sabem a quem não interessa que baixe o preço do petróleo? Às gigantescas corporações petrolíferas que controlam grande número de políticos dos EUA e Europa mediante o poder do dinheiro que possuem… Aos grandes capitais familiares que controlam muitas indústrias gigantescas, muitas delas dependentes do petróleo, tais como as famílias Bush – ex- presidente de EUA-, Rockefeller, Rothschild, a família real inglesa, etc. Você sabe que os bio-combustíveis ajudam a perpetuar o uso do petróleo?

Os óleos se misturam com o petróleo para “baixar o consumo do mesmo”… Porém, com isso, o petróleo continua sendo o principal provedor de combustível para os automóveis e caminhões… Inteligentes estes tipos, não é verdade?

Além disso, o uso de grãos e óleos como bio-combustível tem ocasionado a escalada de preços dos grãos básicos com impacto de nível mundial… já que os grandes capitais os compram nas bolsas de valores em “compras futuras de commodities…”

Ademais, o uso de grãos e óleos para bio-combustíveis implica em que se sigam desmatando florestas para produzir mais e mais matérias primas necessárias para se misturar ao petróleo.

4 de setembro de 2013

Cargos públicos sem passar por concurso!

O mal une os homens.
Aristóteles


Somente na Secretaria da Fazenda de São Paulo, cerca de 650 empregados que ocupam os 1.500 cargos comissionados não prestaram concurso para ingressar na carreira pública como rege a lei. O Ministério Público abriu um inquérito para apurar o caso e tomar as medidas necessárias.

Ao contrário do que dizem os nossos políticos, os cargos comissionados não estão de acordo com o art. 37 da nossa Constituição Federal e também da decisão do Supremo Tribunal Federal, que diz que só poderiam ocupar cargos comissionados as funções de Diretor, Chefe ou Assessor. As demais funções ditas técnicas precisam ser assumidas por servidores públicos concursados.

Em São Paulo nas empresas como Metrô, CPTM, Seade, Cetesb e Emplasa possuem cargos comissionados nas funções de assistentes técnicos ou administrativos contrariando a Constituição e a lei.

O Departamento de Controle e Avaliação da Secretaria da Fazenda tem aproximadamente 60% dos seus servidores em funções comissionadas de fiscalização. Sendo que o STF já considerou, por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade, irregular a função de auditoria em governos por servidores em cargos de comissão.

Além do mais, muitos dos empregados comissionados possuem parentesco com outros servidores. Inclusive na área de Controle e Avaliação do órgão, trabalham dois casais. Numa das situações a mulher é diretora técnica e o maridão assistente dela. O nepotismo é condenado pela constituição federal e pelo STF em decisão de 2008.

Este é um dos motivos que fazem com que Prefeitos, Governadores, Presidentes de Autarquias e do Poder Legislativo tenham verdadeiro pavor em colocar em prática a Lei do Acesso à Informação N.º 12.527/11. Pois ao agir com transparência facilitará o acesso ao cidadão comum sobre os cargos comissionados de forma irregular, o nepotismo e os funcionários fantasmas.

Infelizmente se não houver pressão popular ou da assembleia legislativa de São Paulo, o que seria muito difícil, pois a maioria daquela casa é governista e não afeta a investigar o “Chefe” o inquérito aberto pelo MP será arquivado como tantos outros em São Paulo.

Talvez o governador Geraldo Alckmin desconheça o que está acontecendo na sua Secretaria da Fazenda, para resolver irá montar uma Comissão de Investigação. Se a moda pegar, teremos no governo do PSDB de SP recorde de comissões de investigações.

Queimar palha da cana de açúcar é crime!

Somente após a última árvore cortada, após o último rio ser envenenado,
o último peixe ser pescado. Somente então o homem descobrirá
que dinheiro não pode ser comido. Provérbio Indígena



Em 1998 o Estado de São Paulo já governado pelo PSDB, iniciava um debate entre o Ministério Público, o Governo Estadual, o Setor Sucroalcoleiro, o Poder Legislativo, Professores Universitários, Ambientalistas e os jornalistas sobre a necessidade da erradicação da prática agrícola de utilizar o fogo como instrumento de despalha da cana-de açúcar.

Quatro anos depois em 2002 o governo de São Paulo com apoio de sua bancada governista fez aprovar uma lei estadual criminosa que embora inconstitucional, permitia a continuidade da queima da palha de cana. O interesse dos usineiros estava flagrantemente acima dos interesses da sociedade e em particular do meio ambiente.

O Poder Judiciário paulista através de seus Desembargadores ao invés de ficar ao lado do povo, como sempre pendeu, ou melhor, vergou-se para o lado dos usineiros. Pelos dez anos seguintes o TJ-SP julgou sempre contrarias as ações civis públicas impetradas por promotores públicos no interior do Estado.


Agora em 2013, finalmente o Supremo Tribunal Federal julga ser inconstitucional a Lei que permitiu a queima da palha da cana de Açúcar no Estado de SP. O STF julgou improcedente a ação civil pública ajuizada pelo MPF de Piracicaba e determinou o cancelamento de todas as autorizações e licenças de queima controlada da palha da cana de açúcar nas plantações daquele município.

A sentença também condenou a Cetesb – Companhia de Saneamento Ambiental e o Estado de São Paulo que se abstenham de conceder novas licenças para a prática da queima sem a prévia elaboração de Estudo de Impacto Ambiental e de Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA).De acordo com ambientalistas o lançamento de partículas e gases decorrentes da queima da palha da cana alcançam quilômetros de distância, levando fuligem para as residências, ruas e lugares públicos, acarretando inúmeros efeitos negativos e nocivos à saúde da população.

Lembro-me bem que desde 1990 alguns deputados estaduais percorriam em épocas de eleições as cidades em busca de votos, conseguiam sempre o apoio dos Usineiros e empresários do setor sucroalcoleiro com extrema facilidade. Eles apareciam na mídia local sempre posando de bons moços, como homens de visão. Por trás daquela mentira estava sendo financiado para ganhar as eleições e manter leis que favoreciam os empresários daquela região.

Triste saber que o PSDB, um partido que se diz ético, ter concordado com está prática durante vinte anos em que está no poder em SP. Desde Mário Covas, passando por Alckmin e Serra, jamais lutaram para favorecer o meio ambiente e o povo nesta luta jurídica que esperamos tenha daqui pra frente outro horizonte.