Há alguns anos atrás fiz parte de uma ONG chamada Batra – Bauru Transparente na cidade de Bauru – SP. Uma entidade sem fins lucrativos ou político partidário. Custeio integral das despesas da entidade com recursos oriundos de doações de pessoas físicas e jurídicas de Direito Privado.
A entidade era formada por pessoas oriundas da sociedade bauruense, honestas, sérias e determinadas a ajudar a cidade na busca por transparência no poder público (Executivo e Legislativo), combate à corrupção e projetos educacionais.
Apesar de contar com apoio da mídia local, jovens do meio universitário, alguns empresários, vários educadores, contando com excelentes projetos, tendo lutado e conseguido que o Prefeito à época Rodrigo Agostinho, hoje presidente do Ibama assinasse a Lei Municipal da Transparência, a ONG não foi a frente anos depois.
Os motivos, número reduzido de voluntários para conseguir ampliar os projetos e principalmente recursos financeiros, visto que a ONG não recebia recursos de origem pública. Apesar de peregrinar por diversas empresas/empresários, receber um Não era 90% em relação ao sim.
Escrevo isso para mostrar que tempos depois muitos empresários colaboraram com os recursos financeiros para bancar patriotários golpistas na porta do quartel da cidade, custeando alimentação, materiais de higiene e até transporte para Brasília no fatídico 08 de janeiro de 2023.
As operações recentes da Polícia Federal encontram sempre muito dinheiro em espécie, na maior parte fruto da lavagem de dinheiro realizadas por empresários junto a organizações criminosas. Em Bauru, recentemente numa dessas operações foi encontrada uma mala com mais de R$ 1milhão de reais.
Chega-se a óbvia conclusão que existem recursos de sobra, sempre teve, menos para projetos educacionais, combate à corrupção, entre outros. Na época, um dos projetos que não puderam seguir em frente por falta de recursos financeiros foi justamente a parceria com o Observatório Social do Brasil em Bauru.
O projeto visava justamente ter o controle sobre as licitações realizadas pelo poder público na cidade, além de dar divulgação e destaque aos editais numa rede imensa de munícipios do país. Um projeto cujos resultados na ocasião já eram significativos do ponto de vista financeiro e ético.
O sistema da OSB assegurava a disseminação de metodologia padronizada, oferecendo capacitação e suporte técnico. O custo de sua manutenção exigia uma quantia que a Batra não dispunha na época, além de ao menos dois ou três voluntários fixos que pudessem operar o sistema.
Resumindo, o projeto não foi implantado, a Batra fechou suas portas e a corrupção aplaudiu feliz a sua sobrevivência. Os empresários agora destinam recursos para tentativas de golpes de estado, patriotários, e reclamam da corrupção que não quiseram ajudar a combater.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
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