O relatório final da CPI do Crime Organizado apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), surpreendeu o país e desencadeou uma reação articulada para barrar sua aprovação. Segundo relatos dos bastidores, o conteúdo do documento e a linha adotada pelo relator não eram esperados por integrantes do governo que passaram a atuar diretamente na composição da comissão.
O ministro Gilmar Mendes, do STF, criticou duramente a decisão do relator senador Alessandro Vieira (MDB-SE) de não pedir o indiciamento de congressistas no relatório do grupo, mas ter proposto a investigação de ministros da corte.
“Causa espécie que o relator tenha se esquecido de indiciar seus colegas de milícia”, afirmou à reportagem o decano do Supremo. Ele foi incluído na lista que propôs indiciamentos junto com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o que é ilegal, inconstitucional e inconveniente institucionalmente. Até porque o relatório é desprovido de provas e indícios de crimes cometidos por estas autoridades.
O relatório final da CPI do Crime Organizado foi apresentado no último dia de funcionamento do colegiado, após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), não ter atendido a Vieira e ter ignorado o pedido para prorrogar as atividades da comissão.
No documento, Vieira escreveu que Moraes e Toffoli agiram “de modo incompatível” com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções devido à relação mantida com o Banco Master. No caso de Gilmar, ele apontou que o ministro teria suspendido quebras de sigilo da CPI para proteger os colegas.
Só poderia ser brincadeira de mau gosto o senador ter “esquecido” de ouvir e incriminar pessoas como Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, que confirmaram ter relações pessoais com o ex-banqueiro. Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central que autorizou a absorção do Master pelo BRB, não foi indiciado. Não foram citadas as organizações criminosas como Primeiro Comando da Capital - PCC e Comando Vermelho – CV, além de dezenas de envolvidos com corrupção já denunciados em operações da PF, como a Operação Carbono Oculto.
Nada que alguém do espectro de direita faça pode ser levado em consideração neste nosso país. Eles procuram proteger os seus bandidos de estimação, enquanto tentam desesperadamente incluir os ministros do STF que os incomodam, com investigações e julgamentos que punem membros dos partidos bolsonaristas.
Em ano de eleições gerais, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), quis enlamear autoridades do judiciário ao mesmo tempo que protegeu seus pares envolvidos com corrupção até o pescoço. Na comissão que resultou o relatório, estava entre outro o bolsonarista Flávio Bolsonaro. A partir de sua presença na comissão, podemos entender os motivos para que o relator tenha incluído ministro do STF ao invés do Governador Cláudio Castro ligado a milícias no RJ, por exemplo.
Ao final da CPI, tivemos tempo perdido, jogado no lixo e um relator que não entende o significado de seu cargo no senado ao fazer de conta que o país ainda é governado pelo presidiário Bolsonaro, quando investigações eram arquivadas pela PGR, delegados da polícia federal eram afastados quando investigavam filhos e amigos dele.
Pobre povo brasileiro que elege e reelege aqueles que não vão representa-los dignamente e ainda trabalham para esconder a corrupção embaixo dos tapetes da política nacional. Políticos que além de todo desserviço, ainda agem em defesa dos ricos, empresários, pastores, Bets e corruptos, sem nunca fazerem nada pelo povo brasileiro. Esse ciclo vicioso precisa acabar antes que eles acabem com o país.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
https://jornalggn.com.br/politica/como-alessandro-vieira-tornou-se-agente-do-crime-organizado/

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