De vez em quando, ouço ou leio alguém reclamando dos aumentos salariais da fundamental classe dos professores. Neste sentido é sempre prudente avaliarmos em cima de dados reais e de comparações com o passado recente. Então vejamos:
Contexto estrutural: Piso Salarial Nacional do Magistério
A Lei do Piso Salarial Nacional do Magistério Público (Lei nº 11.738/2008) foi sancionada no governo Lula (2º mandato), criando pela primeira vez um piso mínimo nacional vinculado ao Fundeb.
Desde 2010, esse piso deve ser reajustado anualmente em janeiro, segundo critérios da lei (não por decreto discricionário).
Fernando Henrique Cardoso (FHC – 1995-2002)
Não existia ainda a Lei do Piso Nacional do Magistério. A remuneração dos professores variava por estados e municípios, sem um piso federal uniforme.
Políticas educacionais voltadas à descentralização do Fundef (antecessor do Fundeb) reorganizaram fundos, mas sem criar um piso nacional legal como o que surgiria depois.
Impacto direto sobre professores:
Não há um marco legal de piso salarial federal como hoje, então não houve um “reajuste de piso nacional” atribuído ao presidente. As negociações salariais eram majoritariamente regionais (estadual/municipal).
Lula 1º e 2º mandato – (2003-2010)
✔️ Maior conquista histórica:
criação da Lei do Piso do Magistério (2008) com início de aplicação em
2009, garantindo um piso mínimo nacional para os professores da educação
básica.
✔️
Reajustes periódicos automáticos baseados no Fundeb garantiram atualizações
anuais. Em números (após lei):
Piso de cerca de R$ 950 (2009) até aproximadamente R$ 1.567 (2013), com ganhos acumulados ao longo do tempo, refletindo a implementação da lei.
Importante: Esses reajustes legais foram fruto da lei, não “decididos livremente” pelo governo — embora a lei tenha sido sancionada por Lula.
Dilma Rousseff (2011-2016)
✔️ Sua gestão manteve a atualização anual do piso do magistério conforme a lei, seguindo a mesma regra de cálculo fiscal/legal.
O Piso salarial seguiu aumentando nos anos de governo Dilma como parte da continuidade da lei: os valores foram atualizados conforme Fundeb e critérios legais (ex.: valor/aluno/ano).
Não houve uma “decisão presidencial” isolada para grandes saltos: os reajustes obedeciam à lei já existente.
Jair Bolsonaro (2019-2022)
✔️ Reajuste de 33,24% no piso em 2022:
amplitude recorde do percentual anual do piso do magistério básico sob a lei —
resultado de um cálculo do Fundeb nesse ano, não de um decreto
discricionário.
Esse percentual beneficiou principalmente professores de ensino básico de
estados e municípios por causa da lei.
Docentes federais (universidades e institutos)
O reajuste de 33% não se aplicou aos professores federais, cujos salários estavam congelados e que receberam apenas um reajuste de 9% em 2023 sob governo Lula em negociação com sindicatos, e cujas perdas foram objeto de greves.
Em resumo:
Piso do magistério estadual/municipal: grande reajuste em 2022.
Docentes federais: não foram beneficiados por esse "33%", mantendo negociações separadas.
Lula (3º mandato – 2023-2026, em andamento)
Piso do magistério
✔️ Reajuste em 2023: cerca de 14,9%
do piso nacional do magistério.
✔️
Reajuste em 2024: 3,62% (projeção conforme cálculo legal).
✔️
Previsão inicial para 2026: muito baixo (0,37%, R$ 18 a mais em
janeiro/26) segundo cálculos legais, gerando críticas e pressão sindical.
✔️
Medida provisória de janeiro/26: propõe reajuste maior de 5,4%, atrelado
à inflação e receita. Para 2026; precisa aprovação do Congresso.
Docentes federais (universidades e institutos):
Houve negociação prolongada e greves em 2024, com propostas de reajustes fracionados para 2025-2026 em diferentes faixas salariais (de ~13,3% a ~31%) — rejeitadas por algumas entidades.
Esse é o retrato dos reajustes salariais desde 1995 até os dias atuais. Independente de qualquer coisa, dado ou fatos, a categoria dos professores em todas as extensões do ensino precisa sempre ser valorizadas ao máximo, acima da inflação e com o máximo respeito por parte dos governantes e da sociedade.
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.



