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1 de fevereiro de 2025

O terror, de cima para baixo. A solução, de baixo para cima?

  

Calendário Maia poderia, de fato, estar correto, ao apontar 2012 como o fim dos tempos - Divulgação

Como as bombas em Gaza, os primeiros momentos do governo Trump parecem estar enunciando o início do fim dos tempos. Parece haver ali uma espécie de demarcação radical, de violenta inflexão para pior, na trajetória de vida que conhecemos.

Exagero? Talvez.

Mas faz lembrar que há algum tempo, a Beatriz Fagundes, da Rádio web Manawa (“a voz da resistência”) já dizia que o calendário Maia poderia, de fato, estar correto, ao apontar 2012 como o fim dos tempos. Naquela leitura o 21/12/2012 não indicaria propriamente o apocalipse, nem apenas o fim do espaço na pedra do calendário maia, mas sim o início imperceptível de uma transição orientada para o caos.

Algo como aquele rufar das asas de um inseto no Brasil (o efeito borboleta) dando origem a uma sucessão de eventos destinados a provocar um furacão terrível, no Texas. Não sei o que aconteceu na geopolítica internacional no ano de 2012, mas já em 2021 tivemos a consciência sobre o aquecimento global, a invasão do Capitólio nos Estados Unidos (EUA), as mortes da covid (a falta de oxigênio em Manaus) e o Bolsonaro defendendo cloroquina na Organização das Nações Unidas (ONU). E lá em 2022? A Rússia invadiu a Ucrânia, e foram anunciadas aquelas centenas (milhares?) de mortes pelo calor, na Europa e na China, a direita ganhou espaço inusitado na Europa, e por muito pouco não tivemos mais um golpe de estado no Brasil. Seriam sinais?

O fato é que as mudanças seguiram no mesmo rumo e apesar de algumas boas notícias, como as eleições no México, Brasil e Uruguai, entramos em 2025 amassados pelos primeiros atos do presidente psicopata que assumiu controle sobre o exército mais poderoso do planeta.

E precisamos lidar com isso.

As análises, na medida que o comparam a Hitler e a Idi Amim Dadá, sugerem o início de uma espécie de salve-se-quem-puder, onde os abusos permitidos pela generalização da lei do mais forte, poderão levar à normalização do ódio, validando o descaso à ciência e a anulação dos direitos humanos universais. Como isso repercutirá entre nós? Depende de nós.

Lembrando que alguns golpistas brasileiros se apressaram em convidar Trump, que não reconhece o aquecimento global, para a COP30, vale ler seu discurso de posse. Aliás, cabe destacar aqui alguns dos primeiros anúncios e decretos assinados nos primeiros dias do governo Trump: os migrantes que estão nos EUA, inclusive aqueles nascidos lá, foram ameaçados de expulsão; os bloqueios e a violência nas fronteiras foram ampliados.

Os 1.500 golpistas que invadiram o Capitólio (janeiro 2021) para impedir a posse de Biden foram perdoados. Os EUA se retiraram do Acordo de Paris, desmontando o mecanismo internacional orientado ao enfrentamento do aquecimento global; além disso, foi anunciada ampliação nos investimentos voltados à exploração e expansão no uso de combustíveis fósseis. Os EUA também anunciaram suspensão de seu apoio financeiro à Organização Mundial da Saúde (OMS) e o cancelamento de todas medidas de apoio e proteção às minorias.

A Rússia foi ameaçada de retaliação, caso mantenha ações militares na Ucrânia. E além de anunciar interesse em assumir o controle (e até mudar o nome) do Golfo do México, Trump explicitou sua vontade de tomar conta do Panamá, do Canadá e da Groenlândia.

Parece pouco para uma só semana?

O que pensar então de Cuba, da Venezuela e de um Brasil soberano, levando em conta a importância (e o simbolismo) dos papéis ali contidos ou das riquezas da Amazônia e do golfo do México? Afinal, sabemos do poder da indústria das guerras, e não podemos ignorar o anúncio de bilhões de dólares para mecanismos de inteligência artificial destinados a vigiar, a controlar e a capturar corações e mentes de todos os ingênuos e corruptíveis que habitam nesta parte do planeta. O enredo é tão assustador que já na posse do psicopata, em cerimônia religiosa oficial, a bispa Mariann Edgar Budde, da Diocese Episcopal de Washington, se atreveu a pedir que ele deixasse de ser ele mesmo e que afrouxasse as medidas de terror recém anunciadas. Que se humanizasse, se preocupasse com os desvalidos e passasse a orientar o país em direção à construção de uma era de paz.

Por isso, ela agora está sendo acusada de comunista, com toda a carga que isso carrega naquele ambiente ensandecido. Corajosa, mesmo sabendo que seria perseguida por isso, ela se posicionou em defesa da vida. E sua atitude brilhou como um farol no escuro. Ela apontou que a saída do caos, a construção da paz, o bloqueio ao avanço do terror dependerá de nós, e se fará de baixo para cima. Com o protagonismo das mulheres. Percebo, na linha das conexões que aquele instante se associa, hoje, ao anúncio das indicações oscarizadas do filme Ainda Estamos Aqui, a importância dos pequenos e grandes gestos, do rufar das asas aos chamados à razão. No filme, mais do que a tragédia de Rubens Paiva e do Brasil sob o domínio da ditadura militar, se relata a trajetória heroica de Eunice Paiva. Ali, também a performance de Fernanda Torres toca em almas, merecendo além do Globo de Ouro já recebido, a indicação/premiação do Oscar.

A meu entendimento, estes fatos não deixam espaço para dúvidas. O amanhã dependerá da reconstrução da amorosidade, em uma luta que se haverá de fazer de baixo para cima, envolvendo todos os tipos de família, na ética do acolhimento. E se vem aí uma espécie de guerra, que descobrirá um período para além do imaginado no calendário asteca ou na ambição imperialista, ele não poderá ser construído apenas pelas mulheres. Afinal, e como anunciam as místicas do MST (e este é o momento em que todos devemos atentar para isso, em que todos devemos nos comprometer com isso): quando as mulheres se erguem, homem algum, que se preze, poderá permanecer sentado/calado/acomodado.

Autor: Leonardo Melgarejo – Publicado no Site Brasil de Fato.

O rompimento dos Estados Unidos com a OMS!

  

Dias após formalizar a saída dos EUA da OMS, Trump passou a cogitar o retorno desde que o país contribua com menos recursos - Jim Watson - AFP.

A retirada dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciada por Trump no último dia 20 e formalizada no dia 22, segue o já conhecido roteiro utilizado como recurso da extrema-direita ao redor do mundo: após o anúncio e a formalização, Trump passou, já no dia 25, a ponderar publicamente um possível retorno mediante a redução do valor pago anualmente pelo país.

Não nos enganemos: esse modo de operar tem como objetivo central criar confusão e gerar desgaste. É importante lembrar que, uma vez feita a formalização da saída, ela só pode ser concretizada após um ano. Até lá, Trump buscará enfraquecer e atingir simbolicamente a Organização e seus defensores. Por ora, os maiores impactos dessa retirada se concentram no campo simbólico e isso não é pouco.

Apesar de seus problemas e limites, é essencial fortalecer a OMS e adaptá-la aos desafios dos novos tempos. A extrema-direita mundial aposta no “cada um por si”, no “salve-se quem puder”. Daí a importância de defender organizações como a OMS, que representam iniciativas de colaboração mútua, ainda mais necessárias em um mundo marcado por desigualdades profundas.

O anúncio de retirada dos Estados Unidos da OMS é, por si só, um ataque direto aos esforços coletivos que, apesar de suas falhas, buscam reduzir as desigualdades globais. Fortalecer instituições como a OMS é, antes de tudo, um ato de resistência contra a fragmentação que nos deixa ainda mais vulneráveis. Em tempos de crises sanitárias e ambientais, nosso futuro dependerá da capacidade de unir forças e rejeitar discursos que promovem isolamento e individualismo.

Autor: Aristóteles Cardona – Publicado no Site Brasil de Fato.

A luta contra o imperialismo e o mundo das vacinas!

                                            Foto Marcelo Camargo da Agência Brasil.

A luta contra o imperialismo também tem de ser travada no campo da medicina.

Com o anúncio feito pelos responsáveis pelo centro laboratorial russo Gamaleya da descoberta de uma novedosa vacina contra diversas variedades de câncer, faz-se necessário recordar o que tinha ocorrido há cerca de quatro anos, quando do aparecimento em cena da epidemia da COVID-19.

Como é sabido, por então, foram também as autoridades científicas de dito centro de pesquisas os primeiros a apresentar ao mundo uma nova vacina dedicada a enfrentar o flagelo que havia surgido com efeitos mortais sobre as populações do mundo inteiro.

Porém, em lugar de saudar e celebrar uma descoberta que poderia de fato colaborar para a minimização dos efeitos catastróficos que a difusão do novo vírus assinalava, os responsáveis políticos e sanitários dos países imperialistas saíram quase que ao uníssono para difamar e condenar a vacina recém desenvolvida pelo centro russo.

Agora, passados cerca de quatro anos daquele episódio e depois de milhões de mortos pela COVID-19 ao redor do planeta, chegamos à conclusão que o verdadeiro “defeito” da citada vacina desenvolvida por Gamaleya não era outro que a coincidência de que o instituto em questão faz parte do aparelho de Estado da Rússia.

Portanto, independentemente de que, na prática, a vacina anti-COVID-19 de Gamaleya ter-se provado uma das mais eficazes de todas as lançadas ao público no mundo inteiro, para os centros imperialistas, ela estava condenada de antemão em função de que seus criadores não pertencem aos grandes centros imperialistas que tratam de manter os povos do mundo inteiramente submetidos a seus caprichos e a suas ânsias de dominação, tanto geopolítica como econômica.

Por isso, agora, com as notícias a respeito do desenvolvimento de uma nova vacina para amenizar um dos mais sérios problemas de saúde em todo o planeta, a cura do câncer, podemos antever que problemas de igual índole terão de ser enfrentados antes de que a população mundial possa ter acesso aos benefícios que a nova vacina claramente indica estar em condições de proporcionar.

É que a luta contra o imperialismo também tem de ser travada no campo da medicina, e indubitavelmente as vacinas são um ponto essencial da mesma. Em vista do que acaba de ser dito, gostaria muito de sugerir que vejam com atenção o vídeo deste enlace (https://www.dailymotion.com/video/x9d02lu), no qual o tema está muito bem abordado.

Autor: Jair de Souza - Economista formado pela UFRJ, mestre em linguística também pela UFRJ. Publicado no Site Brasil 247.