18 de março de 2017

Todos os homens do presidente Temer!

Somente após a última árvore cortada,
após o último rio ser envenenado,
o último peixe ser pescado.
Somente então o homem descobrirá
que dinheiro não pode ser comido.
Provérbio Cree

Ao ler e ouvir políticos da base aliada do governo federal e até (pasmem) empresários elogiarem o governo Temer com suas pseudo reformas estruturais, sinto que talvez, não viva no mesmo país que eles estão vivendo. O congelamento de despesas é contestado por especialistas em economia e no futuro será apontado como um grande erro da equipe econômica de Temer.
A Reforma de Ensino é um flash back mal feito de algo que já funcionou bem no país até que políticos inconsequentes fizeram o desmonte do que funcionava e inventaram bobagens que perduram até o presente na Educação brasileira.
A Reforma da Previdência se aprovada do jeito que foi concebida será um crime contra a sociedade brasileira, em especial, naquela que tem carteira assinada, paga pesados tributos e carrega nas costas o Brasil dos alienados e dos políticos corruptos.
Enquanto isso, assistimos horrorizados a um show de denúncia de corrupção, recebimento de propinas entre outros ilícitos que atingem em cheio boa parte da equipe nomeada por Temer.
Desde sua posse com a nomeação de 13 ministros investigados na Lava Jato, percebeu-se que o tal “Governo de Salvação Nacional” era um engodo, uma mentira para iludir incautos desavisados. Parece que as escolhas de Temer não são por Q.I. – Quociente de Inteligência e sim Quantidade de Inquéritos dos nomeados.
Na lista recente do Procurador Geral da República Rodrigo Janot enviada ao STF com base nas delações premiadas da Odebrecht estão seis ministros de Michel Temer:
Eliseu Padilha
Titular da Casa Civil, principal ministério da Esplanada, responsável pela articulação política, é acusado de intermediar repasses não declarados - caixa dois - para campanhas do PMDB em 2014. Na delação da empreiteira, é chamado de "primo".
Em delação premiada, Claudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, afirmou que a empresa destinaria R$ 10 milhões para campanhas do PMDB, por intermédio de Padilha.
De acordo com o executivo, em jantar no Jaburu, com Temer, Padilha e Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira na época, Temer teria solicitado apoio financeiro para a campanha do PMDB a Marcelo, que definiu um repasse de R$ 10 milhões ao partido.
Desse total, R$ 4 milhões seriam entregues a Padilha, sendo uma parte entregue no escritório de José Yunes, ex-tesoureiro do PMDB em São Paulo e, na época, assessor especial da Presidência.
Yunes, um dos melhores amigos de Temer afirmou que recebeu, a pedido de Padilha, um pacote em seu escritório entregue por Lucio Funaro, conhecido como operador do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Moreira Franco
Citado 34 vezes na delação da Odebrecht, Moreira Franco, apelidado de Angorá, é acusado de ter pedido dinheiro não declarado à campanha do PMDB em 2014.
De acordo com a delação de Claudio Melo Filho, ex-vice-presidente de relações institucionais da Odebrecht, Moreira era um dos principais arrecadadores do partido, atrás de Padilha.
O delator disse ainda que o peemedebista pediu dinheiro para cancelar a construção de um aeroporto em Caieiras, na Grande São Paulo, em 2014, quando era ministro da Aviação Civil do governo Dilma. Em troca, segundo o delator, recebeu R$ 3 milhões em propina.
Paulo Cesena, ex-presidente da Odebrecht Transport, afirmou que Moreira recebeu R$ 4 milhões em nome do PMDB, em 2014. Ele teria feito o pedido a Melo.
Por meio de sua assessoria, Moreira sustenta que "jamais falou de política ou de recursos para o PMDB com o senhor Cláudio Melo Filho".
O peemedebista assumiu a Secretaria Geral da Presidência da República na mesma semana em que o STF homologou 77 delações premiadas da Odebrecht. Com a nomeação, Moreira passou a ter foro privilegiado.
Bruno Araújo
Voto decisivo pelo impeachment de Dilma Rousseff na Câmara, o deputado licenciado Bruno Araújo (PSDB-PE) e atual ministro de Cidades também é citado como beneficiário de repasses da empreiteira para campanhas de 2010 e 2012.
O tucano aparece em planilhas do departamento de propina da Odebrecht, relacionado ao valor de R$ 100 mil. Os repasses foram confirmados por Melo, apesar de ele não ter mencionado os valores.
Em 2012, quando Araújo era líder do PSDB na Câmara, entregou a Melo a maior outorga da Câmara dos Deputados, a Medalha do Mérito Legislativo.
Aloysio Nunes
Empossado ministro de Relações Exteriores em fevereiro, o senador licenciado Aloysio Nunes (PSDB-SP) é acusado de receber caixa dois na campanha de 2010.
Em delação, o ex-diretor da Odebrecht Carlos Armando Paschoal relatou um pagamento de R$ 500 mil para a campanha ao Senado do tucano. De acordo com o delator, o pedido foi feito pelo próprio Aloysio e as entregas foram realizadas em duas ou três parcelas em hotéis na zona sul da capital paulista, por meio de uma pessoa enviada pelo senador, que usava senhas para os repasses.
Gilberto Kassab
Apelidado de Kafta na planilha da Odebrecht, o titular da pasta de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), também é apontado como beneficiário de caixa 2.
O codinome "Kafta" consta em relatório da Polícia Federal referente à 23.ª fase da Lava Jato, batizada de Acarajé. Em planilha encontrada nesta fase, há registro de cinco pagamentos de R$ 500 mil cada, dois registrados no mês de outubro de 2014 e três em novembro de 2014.
Em delação, o executivo Paulo Cesena, ex-presidente da Odebrecht Transport, afirmou que o ministro recebeu R$ 14 milhões da empresa, em 2013 e 2014, via caixa doisBenedicto Júnior, presidente da Odebrecht, disse que a contribuição foi feita para apoiar Kassab nas eleições ao Senado em 2014 e nas campanhas do PSD.
Os pagamentos seriam motivados pela influência de Kassab em São Paulo, estado em que estava a parcela mais significativa do faturamento da empresa.
Marco Pereira
O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, negociou um repasse de R$ 7 milhões do caixa 2 da Odebrecht para o PRB na campanha de 2014, de acordo com delatores da empreiteira.
A informação consta nas delações de Marcelo Odebrecht, ex-presidente e dono da empreiteira, e dos executivos Alexandrino Alencar e Fernando Cunha.
Os recursos, entregues em dinheiro vivo, compraram apoio do partido então presidido por Pereira à campanha de reeleição de Dilma e Temer.
O ministro teria negociado os valores diretamente com Alexandrino e esteve mais de uma vez na sede da Odebrecht em São Paulo para combinar a entrega dos valores em parcelas. Os repasses, que incluíam também o apoio de PROS, PCdoB, PP e PDT à chapa governista foram de cerca de R$ 30 milhões, sendo os delatores.
Geddel Vieira Lima
O ex-titular da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima também está na lista de Janot. Em delação, Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, cita o peemedebista como responsável pela arrecadação para o partido, em troca de apoio no Congresso ou no Executivo.
Geddel é citado 67 vezes por Melo e conhecido pelo apelido "Babel". De acordo com Melo, em 2009, o ministro recebeu um relógio de R$ 85 mil da empreiteira.
Em 2006, a pedido de Geddel, foram realizados pagamentos no total de R$ 1 milhão por meio de contribuições oficiais e também via caixa dois, afirmou Melo. Na disputa do peemedebista a governador da Bahia em 2010, o delator disse que houve um pagamento entre R$ 1 milhão e 1,5 milhão a pedido do político.
Cabe agora ao ministro Edson Fachin, relator dos processos relativos à Operação Lava Jato no Supremo, aceitar ou não os pedidos. Ele também decide se os casos serão enviados a outras instâncias.
Por exemplo, inquéritos com citações a governadores devem ser encaminhados para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ações de pessoas sem foro privilegiado, como o ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff também podem ser enviados para outras esferas judiciais.
Caso os inquéritos sejam autorizados, começa a fase de investigação sobre o pagamento de caixa dois e de propina pela empreiteira. Se a Procuradoria-geral da República (PGR) entender que há indícios suficientes, oferece a denúncia, a qual cabe ao Supremo aceitar. Todos negaram as denúncias e usam o expediente de transformar Caixa 2 que é enriquecimento ilícito e fraude em algo normal. Neste barco de imundícies até o Desembargador Presidente do TSE Gilmar Mendes defende que Caixa 2 não é crime.
Neste clima de sujeira, desconfiança e podridão do sistema como um todo, o povo está prestes a ser ainda mais penalizado, caso sejam aprovadas as Reformas da Previdência e Trabalhista. Justamente por estes homens de Temer que atuam nos ministérios e no Congresso, onde a quantidade de criminosos é ainda maior. 

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