16 de agosto de 2016

Na máfia da merenda escolar ninguém sabia de nada no tucanato paulista!

Nossa geração não lamenta tanto os crimes dos
perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos.
Martin L. King

          No esquema de desvios e pagamento de propinas envolvendo licitações de merenda em São Paulo, investigado numa velocidade de bicho preguiça, a Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), é quem vai pagar pelos erros e crimes apurados.
No governo do PSDB em SP é quase impossível a admissão de que alguém do poder executivo ou legislativo tenha feito parte ou facilitado às ações externas para que o golpe tenha sido organizado.
Outro dia o MP divulgou a imagem de um cheque de R$ 50 mil reais que foi entregue pelos corruptos a um assessor do Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de SP – Alesp. O Deputado que ocupa a presidência da Alesp embora fique há 10 metros da sala do assessor alegou que não sabia de nada.
Hoje ficamos sabendo que a COAF não poderia ter sido habilitada para concorrências da Secretaria Estadual da Educação, o que lhe rendeu contratos de R$ 11,4 milhões com o governo paulista. Para poder participar dos processos licitatórios a COAF não poderia ter entregado à Secretaria uma declaração falsa de registro na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo - Ocesp.
Apesar de toda experiência em processos licitatórios os funcionários da Secretaria desta vez não perceberam a fraude. Este fato isolado explica muita coisa. Até um leigo percebe que esse suposto erro é suspeito demais, o que permitiu a COAF deitar e rolar em vários processos.
Além do mais, a Coaf declarava que seus produtos provinham de pequenos produtores da região de Bebedouro (SP). Mas, com a deflagração da Operação Alba Branca, em janeiro, descobriu-se que, na verdade, a entidade revendia suco de grandes indústrias, cobrando até 30% a mais, como se fosse da agricultura familiar. E outra vez ninguém percebeu?
No edital da Secretaria da Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB) havia a exigência para a habilitação de uma cooperativa na chamada pública, "declaração de que possui registro perante a entidade estadual da Organização das Cooperativas Brasileiras". Só esqueceram de conferir de forma célere e competente os documentos das empresas.
A Coaf entregou à secretaria uma declaração, datada de 8 de setembro de 2014. O documento, assinado pelo então presidente da entidade, Cássio Chebabi, e registrado em cartório, dizia que a Coaf tinha registro na Ocesp. Procurada, a Ocesp informou que a Coaf não tem, nem nunca teve registro.
Concorreram na chamada pública duas cooperativas: a Coaf e a Coagrosol, que ficou em primeiro lugar. Como a Coagrosol não tinha capacidade de produzir todo o suco previsto, as duas cooperativas dividiram o negócio, o que é permitido pela legislação, segundo o governo.
Parece claro que houve favorecimento e uma grande “torcida” para que a COAF participasse e vencesse os processos licitatórios. Estranho não haver até o momento nenhum nome do primeiro escalão do governo investigado e punido. Assim como no Cartel dos Trens, os crimes são cometidos pelas empresas dando a falsa impressão de que os servidores e políticos envolvidos foram todos surpreendidos.
O processo relativo aos membros do governo está na Procuradoria-Geral de Justiça, no Ministério Público, por envolver suspeita de pagamento de propina ao presidente da Assembleia, Fernando Capez (PSDB), que tem foro especial.
O deputado do PSDB Fernando Capez, como todo tucano bom de bico, nega as acusações de que recebeu propina da cooperativa, por meio de assessores que atuavam em seu gabinete na época das eleições de 2014. Prefere dizer que não sabia de nada...
http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2016/10/11/lobista-envolvido-na-mafia-da-merenda-diz-que-discutiu-repasses-com-capez.htm
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/10/1823399-propina-foi-paga-dentro-da-assembleia-de-sao-paulo-diz-delator.shtml 

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